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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Incentivos ao biodiesel não melhoram indicadores ambientais

Pesquisa da professora Flavia Trentini, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP analisou o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) e concluiu que a implantação do Selo Social mostrou-se eficaz para melhorar os indicadores econômicos e sociais dos agricultores, mas por outro lado os indicadores ambientais foram muito tímidos. Segundo Flavia, a presença de cláusula ambiental de responsabilidade dentro do PNPB atua posteriormente à degradação ambiental, portanto é necessária uma revisão dessa questão pelo órgão que concede o Selo Social para o biodiesel.

O estudo avalia o impacto do Selo Combustível Social no PNPB a partir dos indicadores de sustentabilidade econômico, social e ambiental. A pesquisadora utilizou amostras coletadas em dois pólos de produção de matérias primas do biodiesel, em Quixadá (Ceará), e em Cachoeira do Sul (Rio Grande do Sul). “Escolhemos Quixadá em função de a região receber incentivos governamentais e por estarem focados no desenvolvimento de culturas alternativas, sobretudo da mamona, e na geração de renda numa das regiões mais pobres do País”, explica. No Sul, que utiliza a soja para a produção do biodiesel, diz a pesquisadora, a escolha se deu por ser a que mais se sobressai na produção do biocombustível e em 2009, representou 75,4% de toda a produção do Brasil.

A questão econômica foi analisada a partir de dados de geração de renda e de renda complementar e retorno econômico satisfatório. Já o social teve por base a autossuficiência alimentar da família, por meio da diversificação de culturas, incentivo ao processo decisório coletivo e proteção à diversidade cultural. A ambiental focou a proteção de recursos naturais (solo e água) e rotação e consórcio de culturas. “A pesquisa foi qualitativa, com 60 agricultores familiares produtores de oleaginosas destinadas à produção de biodiesel, a escolha dos agricultores participantes foi intencional e não probabilístico”, diz a pesquisadora.

No Ceará, o perfil dos agricultores que fizeram parte da amostra é de homens, com mais de 40 anos, analfabetos, assentados pelo Programa Nacional de Reforma Agrária e com experiência de mais de 10 anos na agricultura. As propriedades têm tamanho médio de 23,69 hectares, mas a área destinada ao plantio da mamona não ultrapassa a 2,18 hectares. No Sul são homens, com mais de 30 anos de idade, alfabetizados, mas 68% não completaram o primeiro grau, 83% são proprietários e arrendatários das propriedades, e com experiência também de mais de 10 anos na agricultura. O tamanho das propriedades no Sul é quase três vezes maior que do Ceará, 61,10 hectares, e a área destinada ao plantio da soja não passa de 44,33%. Para a pesquisa nos dois locais também foram entrevistados representantes de empresas envolvidas na produção, associações de classe e órgãos do governo.

Renda
Na questão da renda, a pesquisadora observou que até a introdução do PNPB no Nordeste, a agricultura era de subsistência, com o cultivo de milho e feijão. Portanto, com a inserção da mamona foi criada uma nova fonte de renda, mas toda aplicada na subsistência alimentar. No Sul, também a renda vem do cultivo de duas espécies, plantadas em épocas distintas, soja e arroz, mas são destinadas ao mercado, como mais uma alternativa de fonte de renda. Mesmo sendo mais uma fonte de renda nas duas regiões, o destino dos recursos gerados também se diferencia. “Enquanto no Sul eles cresceram para todos os agricultores, no Nordeste 40% disse que cresceu, para 35% foi mantida, resultado de perda parcial ou total da produção em função das condições climáticas, e para 10% os recursos diminuíram”.

“Com relação à aplicação da renda resultante da venda da mamona e da soja o questionamento também apresentou diferenças”, diz a pesquisadora. Enquanto no Sul a resposta foi de investimento na propriedade, compra de bens imóveis e pagamento de dívidas, no Nordeste, onde a venda da mamona aparece como única fonte de renda, a preocupação foi com a melhoria na alimentação. Quanto à diversificação da cultura, ela cumpre o indicador econômico de ingresso de renda de outras atividades. “No Sul, ela está atrelada ao mercado e, no Nordeste, como meio de segurança alimentar e subsistência dos agricultores”, aponta Trentini.

Ambiente
Os indicadores ambientais foram analisados sob o aspecto do meio ambiente natural, aquele que existe independente da influência do homem, como, por exemplo, água, flora, fauna e solo. A preocupação nesse aspecto foi com a rotação de culturas, que se agrega ao uso de corretivos no solo como fatores de proteção. No Sul, 70% dos agricultores responderam que utilizam corretivos, enquanto no Nordeste esse índice é de 58%. Por outro lado a rotação de culturas em alguns locais das duas regiões é feita por meio de consórcios, mas algumas das culturas não são indicadas para a proteção e conservação do solo.

Os agricultores das duas regiões foram questionados sobre a existência de área não cultivada e destinada à preservação da vegetação, como reservas legais e de preservação permanente. Enquanto no Sertão Central do Ceará 64% dos agricultores responderam que possuem área não destinada ao cultivo, no Centro do Rio Grande do Sul, 80% dos entrevistados deixam de produzir em uma área determinada. No Nordeste, dois fatores chamaram a atenção da pesquisadora. “A expressiva área destinada à reserva legal é resultado da forma de aquisição da propriedade”, explica. ” Os entrevistados são assentados no Programa Nacional de Reforma Agrária, que obriga a averbação da área de reserva legal. Também a falta de maquinário para trabalhar a terra pode explicar esse índice”.

Outro fato que despertou a atenção foram as condições dos recursos hídricos. No Nordeste, 91% não despejam qualquer tipo de dejetos nos rios, riachos, olhos d’água, enquanto no Sul esse percentual é de 75%. O dado não esperado, segundo a pesquisadora foi a afirmação de separação dos resíduos orgânicos e inorgânicos por 73% dos agricultores da região Sul, que conta com coleta seletiva rural.

O estudo da professora Flavia faz parte do trabalho de pós-doutorado apresentado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo, com orientação da professora Maria Sylvia Macchione Saes. A pesquisa também integra a obra “Ensaios sobre Biocombustíveis”, volume 2, que será lançada em 13 de setembro durante o Workshop “Biocombustíveis e Sustentabilidade”, realizado na FDRP.

http://www.farolcomunitario.com.br

Pesquisa encontra falha em medidores de pressão digitais

Legislação falha

Para os hipertensos que precisam aferir a pressão arterial e utilizam aparelhos digitais de punho, um alerta: um teste realizado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp detectou falhas nos valores obtidos de uma determinada marca, na aferição da pressão.

A enfermeira Priscila Rangel Dordetto Chaves descreveu os resultados em sua dissertação de mestrado apresentada na FCM, sob orientação do professor José Luiz Tatagiba Lamas.

"Em vários países da Europa, os aparelhos digitais, sejam eles de punho ou de braço, precisam passar por testes de validação para garantir a sua confiabilidade. Lá, a prática é obrigatória. No entanto, no Brasil, não existe nenhuma regulamentação neste sentido, ficando a sua comercialização desobrigada desta exigência e as pessoas, vulneráveis aos erros na aferição", explica.

Aferição e calibração

O problema, segundo Priscila, é ainda maior na medida que há desconhecimento da prática por parte de alguns profissionais de saúde.

Em uma avaliação preliminar, a enfermeira entrevistou em torno de 200 indivíduos, entre médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem, docentes de graduação e de curso técnico na enfermagem e, também, pacientes que utilizavam o equipamento.

"Em sua grande maioria, houve o desconhecimento de como proceder a validação do aparelho. Eles sequer sabiam que somente o teste de validação é capaz de medir a confiabilidade nas aferições", destaca.

Os aparelhos mecânicos, muito usados no passado, passavam invariavelmente por calibrações semestrais ou anuais, dependendo do modelo. No entanto, cada vez mais aumenta o número de profissionais - e mesmo de pacientes - que adotam o método de aferição automático.

Por isso, a preocupação ainda maior de se ter confiabilidade nas medidas feitas por esses aparelhos. "O perigo é que muitos pacientes podem diminuir a medicação ou até interromper o tratamento, acreditando não ter necessidade, baseados nos resultados do aparelho", alerta. Tanto os aparelhos digitais de braço, que são mais usados em centros de saúde, serviços de urgência, como aqueles utilizados apenas em UTIs e centros cirúrgicos, devem passar por testes de validação.

Confiabilidade dos medidores de pressão

A pesquisa utilizou um dos três protocolos de validação existentes no mundo - o protocolo internacional preconizado pela Sociedade Europeia de Hipertensão.

Para a enfermeira, testar a confiabilidade dos aparelhos é essencial, mesmo que o procedimento seja complexo e exija tempo, material e seriedade para ser feito. No estudo proposto, foram 158 voluntários selecionados, mas apenas 33 entraram para a amostragem final.

No total, formaram-se três grupos de onze pessoas cada, sendo incluídas no estudo conforme valores da pressão nos intervalos, baixo, médio e alto. A pressão dos voluntários foi medida em média 10 vezes, totalizando em torno de 330 medições.

O que chamou a atenção da enfermeira foi justamente ocorrer o maior grau de variabilidade do aparelho na medida da pressão do grupo de intervalo alto, que são as pessoas que mais procuram adquirir este tipo de aparelho. "O número de falhas, curiosamente, foi menor no grupo de intervalo baixo e médio, ou seja, naqueles que mantinham a pressão normal", esclarece.

A enfermeira destaca que a maioria dos certificados de validação dos aparelhos digitais é feita por grupos de pesquisadores por todo o mundo. Para ela, o fabricante não tem como realizar o procedimento antes de colocar o produto no mercado, pois se trata de uma prática a ser feita pelos profissionais de saúde.

Neste sentido, a proposta futura dos pesquisadores envolvidos com a questão da hipertensão na Unicamp é a criação de um laboratório, cujo objetivo será minimizar o problema existente e colaborar para que a medida da pressão arterial, utilizando um aparelho digital, bem como os demais, seja confiável e correta.

Raquel do Carmo Santos - Jornal da Unicamp

HIV pode se esconder no cérebro

Esconderijo do HIV

Estudos realizados com o líquido espinhal de pacientes que receberam medicamentos anti-HIV sugerem que o cérebro pode funcionar como um esconderijo para o vírus HIV.

Cerca de 10% dos pacientes apresentaram traços do vírus em seu líquido espinhal, mas não em seu sangue - uma proporção maior do que se verificara anteriormente, revelou o trabalho de Arvid Edén, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

Os atuais medicamentos anti-HIV são eficazes e impedem que o sistema imunológico seja radicalmente comprometido pela AIDS.

Contudo, embora estas drogas efetivamente impeçam o vírus de se multiplicar, a nova pesquisa revela que o HIV também infecta o cérebro e pode causar danos se a infecção não for tratada.

"O tratamento antiviral no cérebro é complicado por uma série de fatores, em parte porque o cérebro é cercado por uma barreira protetora que afeta a forma como os medicamentos chegam até lá," explica o Dr. Arvid. "Isso significa que o cérebro pode funcionar como um depósito, onde o tratamento do vírus pode ser menos eficaz."

HIV no cérebro

A pesquisa de Arvid incluiu um estudo de 15 pacientes que haviam sido efetivamente medicados com os antirretrovirais durante vários anos. 60% deles apresentavam sinais de inflamação em seu líquido espinal, embora em níveis inferiores aos dos pacientes sem tratamento.

"Em outro estudo, de cerca de 70 pacientes que também receberam medicamentos anti-HIV, nós encontramos o HIV no líquido espinhal de cerca de 10% dos pacientes, embora o vírus não estivesse em quantidade mensurável no sangue, o que é uma proporção significativamente maior do que o anteriormente verificado," explica o pesquisador.

Os resultados dos dois estudos sugerem que o tratamento atual contra o HIV não consegue suprimir inteiramente os efeitos do vírus no cérebro, embora não esteja claro se a inflamação residual de pequenas quantidades de vírus no líquido espinhal represente um risco de complicações futuras.

"Na minha opinião, é preciso levar em conta os efeitos no cérebro quando do desenvolvimento de novas drogas e estratégias de tratamento para a infecção por HIV," defende Arvid.

O que é o HIV

O HIV - vírus da imunodeficiência humana - pertence à família dos retrovírus e assume duas formas, o HIV-1 e o HIV-2.

As duas formas podem ser transmitidas pelo sangue, sêmen e outras secreções e fluidos corporais.

Na fase aguda da doença, os pacientes sofrem de febre, aumento dos gânglios linfáticos e erupções cutâneas. Esses sintomas regridem, mas a AIDS se desenvolve após um longo período de infecção.

As tentativas de produzir uma vacina contra o HIV estão em andamento desde 1980, mas ainda não alcançaram o sucesso esperado.

Redação do Diário da Saúde

Vitamina D influencia mais de 200 genes

Vitamina genética

Um novo estudo acaba de ampliar - de maneira contundente - as evidências de que a deficiência de vitamina D pode aumentar os riscos de desenvolvimento de muitas doenças.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados nesta segunda-feira na revista Genome Research, relacionou pontos nos quais a vitamina D interage com o DNA e identificou mais de 200 genes que são influenciados diretamente pela vitamina.

De acordo com o estudo, estima-se que 1 bilhão de pessoas no mundo tenham carência de vitamina D, devido a fatores como insuficiência de exposição ao sol ou uma dieta pobre em nutrientes - veja, por exemplo, Jovens brasileiros têm insuficiência de vitamina D.

Ativadora de genes

Além de ser conhecida como fator de risco para o desenvolvimento de raquitismo, há evidências de que a falta de vitamina D também estaria relacionada ao aumento da suscetibilidade a condições como esclerose múltipla, artrite reumatoide e diabetes, bem como demência e alguns tipos de câncer.

No novo estudo, feito no Reino Unido, os cientistas utilizaram tecnologia de sequenciamento genético para criar um mapa das ligações dos receptores de vitamina D pelo genoma.

Esse receptor é uma proteína ativada pela própria vitamina, que, por sua vez, liga-se ao DNA e influencia quais proteínas são feitas a partir do código genético.

Os pesquisadores identificaram 2.776 pontos de ligação para o receptor por toda a extensão do genoma humano e verificaram que esses locais estão concentrados anormalmente próximos a genes associados a suscetibilidade a problemas no sistema imunológico.

Influência da vitamina D

O trabalho também mostrou que a vitamina D tem um efeito importante na atividade de 229 genes, entre os quais o IRF8, que já foi associado com esclerose múltipla, e o PTPN2, ligado a diabetes do tipo 1 e com a doença de Crohn, que atinge o intestino.

"O estudo mostra dramaticamente a ampla influência que a vitamina D tem sobre nossa saúde", disse Andreas Heger, da Universidade de Oxford, um dos autores da pesquisa.

Agência Fapesp

Vírus transformam roupas em baterias recarregáveis de última geração

Baterias na roupa

Cientistas do MIT descobriram como usar um vírus comum para desenvolver materiais a serem utilizados em uma nova geração de baterias recarregáveis de íons de lítio de alto desempenho.

A principal vantagem dessa biotecnologia é que as baterias serão flexíveis o suficiente para serem incorporadas na roupa, alimentando equipamentos eletrônicos portáteis e "computadores de vestir".

Segundo Mark Allen, que apresentou o avanço nesta segunda-feira durante a reunião anual da American Chemical Society (ACS), essas "baterias confortáveis" poderão alimentar telefones celulares, tocadores de MP3, GPS e vários outros equipamentos de baixo consumo.

"Nós estamos falando sobre tecidos que também são baterias," disse Allen. "As baterias, uma vez tecidas nas roupas, poderão fornecer energia para uma vasta gama de dispositivos de alta tecnologia, incluindo rádios portáteis, aparelhos de GPS e assistentes pessoais digitais."

Baterias de vírus

As baterias produzem eletricidade convertendo energia química em energia elétrica através de dois eletrodos - um anodo e um catodo - separados por um eletrólito.

O que os pesquisadores fizeram foi desenvolver novos catodos feitos de fluoreto de ferro, um material que poderá em breve permitir a fabricação de baterias leves e flexíveis.

Teoricamente, essas baterias terão perda mínima de potência quando sem uso e suportarão um número de ciclos de carga e descarga muito superior às atuais.

Allen está prosseguindo o trabalho da sua orientadora, Angela Belcher, cujo grupo foi o primeiro a projetar um vírus que serve como uma espécie de molde biológico para a criação dos anodos e catodos para baterias de lítio - veja Baterias feitas com vírus estão a um passo de chegar ao mercado.

O vírus, chamado bacteriófago M13, é um vírus filamentoso, composto de 2.700 cópias de uma proteína externa (pVIII), que é muito fácil de ser modificado genética e quimicamente. O M13 infecta bactérias mas é inofensivo para os seres humanos.

Baterias verdes

"Usar o bacteriófago M13 como um molde é um exemplo de química verde, um método de fabricar baterias que respeita o meio ambiente," disse Allen. "[A técnica] permite o processamento de todos os materiais à temperatura ambiente e na água."

E esses materiais, segundo ele, seriam menos perigosos do que aqueles usados nas atuais baterias de íons de lítio porque eles produzem menos calor, o que reduz os riscos de que peguem fogo - uma boa notícia, uma vez que a ideia é que as pessoas vistam essas baterias.

Segundo Allen, o grupo está nos estágios iniciais dos testes e da fabricação em maior escala das baterias feitas com vírus, incluindo experimentos para a alimentação de aviões robóticos não-tripulados para operações de vigilância.

Redação do Site Inovação Tecnológica

sábado, 21 de agosto de 2010

Municípios gaúchos do Extremo Sul assumem compromisso com a coleta seletiva

Quinze prefeituras da região, presentes no seminário de resíduos sólidos promovido pela Furg e Funasa, vão assinar um documento onde se comprometem com a implantação do serviço e a elaboração de um plano regional de gestão.


Durante o encerramento do Seminário Regional: O Saneamento e a Gestão dos Resíduos Sólidos, realizado hoje à tarde (20), em Rio Grande (RS), 15 prefeitos decidiram elaborar e assinar, em 30 dias, um termo de compromisso com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para implantação da coleta seletiva, de forma gradual, em toda a região. As prefeituras contarão com o apoio da Universidade de Rio Grande (Furg) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) no diagnóstico e levantamento de dados, visando também a preparação de um plano de gestão de resíduos sólidos regional.

Com isso, saiu fortalecida do seminário, promovido pela Furg e Funasa, a ideia de que o saneamento, em especial o manejo de resíduos sólidos, deve receber uma abordagem regionalizada, através de consórcios públicos municipais. As prefeituras se unem, ganham escala, diminuem e dividem custos. Prefeitos e autoridades federais, reunidos no Centro de Convívio Meninos do Mar foram unânimes ao constatar que é impossível as cidades, principalmente as menores, enfrentarem sozinhas as dificuldades da destinação adequada dos resíduos sólidos.

Segundo o prefeito de São Lourenço do Sul, José Sidney Nunes de Almeida, municípios com orçamento limitado não conseguem manter caminhões, tratores, retroescavadeiras, além de trabalhadores, disponíveis o tempo todo para cuidar dos aterros sanitários. Os problemas são graves. Ele é o presidente do Consórcio Público do Extremo Sul (Copes), formado por 20 municípios, ano passado. Poucos fazem alguma coleta seletiva e outros estão sob Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Estadual, que exige providências urgentes para a destinação adequada dos resíduos.

No estado, como no País, há casos de aterros, financiados com dinheiro público, que viraram lixões a céu aberto, onde até mesmo crianças se expõem a doenças catando material reciclável para venda. Outra situação a lamentar, é a de prefeituras que estão exportando o seu lixo para a região de Minas do Leão, onde é depositado em minas desativadas. O transporte, em viagens de até 500 quilômetros, sai a um preço altíssimo, pago a transportadores privados. Custo que, em certos casos, supera o orçamento para educação.
Numa das palestras, o engenheiro Artur Geller relatou que o Consórcio Público de Gerenciamento Regional de Resíduos Sólidos (Cigres) atende a 29 municípios do Alto Uruguai e Noroeste, empregando 59 pessoas na unidade de triagem instalada em Seberi. O consórcio, do qual é coordenador, faz o reaproveitamento de 76% do lixo recolhido na região, através da venda para reciclagem ou compostagem. “O sistema de consórcio é uma atividade viável para tratamento de resíduos sólidos”, garantiu Geller.

Regulamentação da Lei

Já o representante do Ministério do Meio Ambiente, engenheiro Saburo Takahashi, gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos, confirmou que uma proposta de regulamentação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/10, será apresentada em 90 dias, a contar do último dia 02 de agosto, quando a foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Explicou que a minimização da geração de resíduos sólidos, o reuso e a reciclagem de materiais, inclusive a compostagem, e a destinação adequada dos rejeitos a aterros sanitários são as prioridades do MMA, em conformidade com a nova legislação.

Uma das dificuldades mais destacadas nos debates foi a falta de profissionais especializados – engenheiros, advogados, economistas, biólogos – nas prefeituras preparados para trabalhar no planejamento e execução das ações relacionadas aos resíduos sólidos. “Não basta apenas fazer projetos, é preciso ir além, construir, gestionar, entender do assunto. Se não houver inteligência (sobre resíduos e saneamento) quem vai fiscalizar as contas da coleta, do transporte, da disposição nos aterros, os serviços da gestão dos resíduos sólidos”, questionou o vice-diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, Dieter Wartchow.

O coordenador regional da Funasa no Estado, Gustavo de Mello, na abertura do evento, reafirmou o compromisso da Fundação com a Metade Sul. “Este é um momento muito importante e terá desdobramentos na organização dos investimentos destas cidades. Inclusive, já fizemos dois editais visando apoiar os municípios com dificuldades na elaboração de projetos para as chamadas áreas especiais, que são os quilombolas, assentados da reforma agrária e comunidades da área rural”.
Apoio aos catadores

Outro tema muito debatido foi a sustentabilidade das cooperativas e associações de catadores. Consultor do Ministério do Meio Ambiente, Dan Schneider, informou que há verbas disponíveis para projetos de coleta seletiva com inclusão social de catadores no BNDES, Funasa, MMA, Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Ele foi categórico ao dizer qual a saída para a gestão dos resíduos sólidos com sustentabilidade. “É o consórcio, não tem outra forma de resolver os problemas da região, ou os municípios trabalham conjuntamente ou vão levar mais 50 anos para encontrar uma solução”, afirmou.

O seminário, realizado pela Funasa e Furg, com apoio do Copes e Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) teve a participação de 400 pessoa (eram esperados 300), entre prefeitos, secretários, professores, estudantes, lideranças comunitárias, catadores e recicladores. “Foi uma felicidade enorme a Funasa e a Furg nos proporcionarem este evento, logo após a sanção da Lei dos Resíduos Sólidos. Estamos muito contentes em poder partilhar nosso trabalho”, felicitou João Pelissaro, diretor da Cooperativa de Recicladores de Resíduos Orgânicos e Inorgânicos de Santa Cecília (Coopercicla).

Funasa/EcoAgência

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Brasil já tem R$ 200 milhões para combater os efeitos das mudanças climáticas

O Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas já tem garantido R$ 200 milhões para o investimento de ações de mitigação e adaptações aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil em 2011. A informação é da secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiental, Branca Americano, nesta quarta-feira (18/08), durante a mesa redonda Estratégias de Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável da Região Semiárida, na II Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid 2010).

Ela explicou aos participantes que o chamado Fundo Clima tem recurso garantido todos os anos. "60% do recurso será da participação do petróleo. Isso não implicou em nova carga tributária. Era um dinheiro que já existia. Então, foi mudada a lei do petróleo sobre impactos ambientais e direcionou para o fundo", disse. Segundo a secretária, o Comitê Gestor do Fundo será instalado ainda este ano.

O Fundo Clima foi criado no final do ano passado e é o primeiro do mundo a usar recursos do petróleo no combate às mudanças climáticas. Com um orçamento que poderá chegar a R$ 1 bilhão por ano, o dinheiro do Fundo será aplicado em pesquisas e ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, ajudando regiões vulneráveis, como a região semiárida, que sofre com a seca, e os litorais, com risco de alagamento.

Branca Americano ressaltou, ainda, o combate à alteração do clima em consonância com desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, erradicação da pobreza e redução da desigualdade social. "Isso significa ter um novo padrão de desenvolvimento para a região", salientou.

Para este desenvolvimento sustentável, o Brasil deverá aproveitar o potencial natural para reduzir os impactos no país, principalmente na região Nordeste. "Vão aumentar variabilidades e vulnerabilidades. As chuvas serão mais concentradas e poderão vir em momentos ruins para plantações e terão anos ainda mais secos", alertou Americano.

O pequeno produtor rural será o mais afetado pelas variações climáticas no semiárido. De acordo com a secretária, para enfrentar o problema é preciso conhecer as vulnerabilidades e mapeá-las. Com essas informações, serão criadas ações de mitigação e adaptação mais efetivas. "É preciso desenvolver projetos econômicos adequados à nova realidade, como em parceria com a Embrapa, para dar mais possibilidade ao pequeno produtor enfrentar o problema climático", enfatizou.

A secretária Branca também afirmou que o MMA vai priorizar o semiárido para aplicar recursos do Fundo Clima, principalmente para adaptação. "Pensar em adaptação é uma oportunidade para agir. E isso é fundamental porque as mudanças climática vão atingir de forma perversa aquela região", alertou.

Como alternativas para a região, Branca citou o sistema REDD (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação), que é um estímulo ao reflorestamento por gerar crédito de carbono. O uso sustentável na agropecuária reduz emissões e preserva o solo, como ao deixar de usar agrotóxicos nas plantações.

O presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith, disse que a agenda ambiental está presente nos bancos públicos e privados. No entanto, ele ressaltou que só com a participação da sociedade civil os bancos irão priorizar ações sustentáveis.

Cenários

À tarde, a secretária Branca Americano coordenou a mesa de debates sobre Cenários das Mudanças Climáticas para Regiões Semiáridas. Especialistas mostraram as complexidades das informações no enfrentamento às mudanças climáticas.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Carlos Nobre, defendeu a criação de sítios de observação no Brasil para poder entender as variações climáticas da região semiárida brasileira. Segundo ele, a variação climáticas é muito grande, o que torna difícil traçar cenários de seca e chuvas. Branca finalizou destacando o alto custo para se conseguir informações e disponibilizá-las para pesquisas e políticas públicas. "Apesar de toda essas incertezas, isso não pode ser justificativa de inação", concluiu.


por Ascom/MMA

Brasil já tem R$ 200 milhões para combater os efeitos das mudanças climáticas

O Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas já tem garantido R$ 200 milhões para o investimento de ações de mitigação e adaptações aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil em 2011. A informação é da secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiental, Branca Americano, nesta quarta-feira (18/08), durante a mesa redonda Estratégias de Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável da Região Semiárida, na II Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid 2010).

Ela explicou aos participantes que o chamado Fundo Clima tem recurso garantido todos os anos. "60% do recurso será da participação do petróleo. Isso não implicou em nova carga tributária. Era um dinheiro que já existia. Então, foi mudada a lei do petróleo sobre impactos ambientais e direcionou para o fundo", disse. Segundo a secretária, o Comitê Gestor do Fundo será instalado ainda este ano.

O Fundo Clima foi criado no final do ano passado e é o primeiro do mundo a usar recursos do petróleo no combate às mudanças climáticas. Com um orçamento que poderá chegar a R$ 1 bilhão por ano, o dinheiro do Fundo será aplicado em pesquisas e ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, ajudando regiões vulneráveis, como a região semiárida, que sofre com a seca, e os litorais, com risco de alagamento.

Branca Americano ressaltou, ainda, o combate à alteração do clima em consonância com desenvolvimento sustentável, crescimento econômico, erradicação da pobreza e redução da desigualdade social. "Isso significa ter um novo padrão de desenvolvimento para a região", salientou.

Para este desenvolvimento sustentável, o Brasil deverá aproveitar o potencial natural para reduzir os impactos no país, principalmente na região Nordeste. "Vão aumentar variabilidades e vulnerabilidades. As chuvas serão mais concentradas e poderão vir em momentos ruins para plantações e terão anos ainda mais secos", alertou Americano.

O pequeno produtor rural será o mais afetado pelas variações climáticas no semiárido. De acordo com a secretária, para enfrentar o problema é preciso conhecer as vulnerabilidades e mapeá-las. Com essas informações, serão criadas ações de mitigação e adaptação mais efetivas. "É preciso desenvolver projetos econômicos adequados à nova realidade, como em parceria com a Embrapa, para dar mais possibilidade ao pequeno produtor enfrentar o problema climático", enfatizou.

A secretária Branca também afirmou que o MMA vai priorizar o semiárido para aplicar recursos do Fundo Clima, principalmente para adaptação. "Pensar em adaptação é uma oportunidade para agir. E isso é fundamental porque as mudanças climática vão atingir de forma perversa aquela região", alertou.

Como alternativas para a região, Branca citou o sistema REDD (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação), que é um estímulo ao reflorestamento por gerar crédito de carbono. O uso sustentável na agropecuária reduz emissões e preserva o solo, como ao deixar de usar agrotóxicos nas plantações.

O presidente do Banco do Nordeste, Roberto Smith, disse que a agenda ambiental está presente nos bancos públicos e privados. No entanto, ele ressaltou que só com a participação da sociedade civil os bancos irão priorizar ações sustentáveis.

Cenários

À tarde, a secretária Branca Americano coordenou a mesa de debates sobre Cenários das Mudanças Climáticas para Regiões Semiáridas. Especialistas mostraram as complexidades das informações no enfrentamento às mudanças climáticas.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Carlos Nobre, defendeu a criação de sítios de observação no Brasil para poder entender as variações climáticas da região semiárida brasileira. Segundo ele, a variação climáticas é muito grande, o que torna difícil traçar cenários de seca e chuvas. Branca finalizou destacando o alto custo para se conseguir informações e disponibilizá-las para pesquisas e políticas públicas. "Apesar de toda essas incertezas, isso não pode ser justificativa de inação", concluiu.


por Ascom/MMA

Rio Grande (RS) debate destino dos resíduos sólidos

Segundo coordenador regional da Funasa, cidade marítima será a primeira, no Rio Grande do Sul, a discutir a questão dos resíduos sólidos já com base na nova Política Nacional.


A questão dos resíduos sólidos entra esta semana na pauta dos cidadãos e cidadãs de Rio Grande. Na quinta, dia 19, e na sexta, dia 20, a comunidade rio-grandina vai debater um velho problema: afinal, o quê fazer com o lixo urbano? Nesta quinta, a Câmara dos Vereadores da mais antiga cidade gaúcha discute a problemática. E na quinta e sexta, será a vez da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) abrir seminário específico sobre a destinação dos resíduos sólidos.

Desde algum tempo, o Fórum Permanente da Agenda 21 do Rio Grande faz circular na cidade uma petição endereçada aos vereadores. Nela, buscam impedir a aprovação da chegada do lixo de outras cidades vizinhas para o Município de Rio Grande. Consta que o governo municipal estaria pronto para modificar a lei atual, transformando a cidade de Rio Grande em um pólo regional de recebimento dos resíduos sólidos de 17 municípios da Zona Sul do Estado gaúcho.

Diz o Fórum Permanente da Agenda 21 da cidade que ainda existem questões não solucionadas quanto ao antigo lixão municipal. Desativado após acordo entre o Ministério Público e a Prefeitura de Rio Grande, foi transformado em uma estação de transbordo do lixo, onde os materiais são simplesmente jogados no chão, sem nenhuma cobertura ou proteção, às margens do Saco do Justino, na Lagoa dos Patos, à espera de volume acumulado suficiente para ser carregado ao aterro sanitário.

Um alerta sobre estes fatos consegue unir os ambientalistas locais: com a previsão de considerável aumento da população de Rio Grande – de atuais 200 mil habitantes para cerca de 400 mil pessoas em um período de dez anos - , em função do Pólo Naval e de outros investimentos na cidade, em pouco tempo a capacidade-limite deste aterro sanitário seria rapidamente ultrapassada.

Com a sanção presidencial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, no dia 02 de agosto deste ano, a questão da reciclagem do lixo e do manejo de produtos usados, com potencial de contaminação, volta à agenda nacional com toda a força.

No dia 10 de agosto, logo após a Terça Ecológica deste mês, no auditório da Fabico-UFRGS, o coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde, Gustavo de Mello, manifestou à EcoAgência sua expectativa favorável à realização do seminário de dois dias desta semana, em Rio Grande.

E destacou que a cidade marítima será a primeira, no Rio Grande do Sul, a discutir a questão dos resíduos sólidos já com base na nova Política Nacional. “A Funasa espera continuar contribuindo para a solução dos problemas ambientais relacionadas à saúde das populações”, disse. Para ele, a saída para o lixo urbano deveria ser regional, desde que os aterros sanitários planejados funcionem dentro de condições rígidas. O saneamento está dentro da estratégia de saúde pública e de proteção ao meio ambiente, com promoção do desenvolvimento, acrescentou. Em Rio Grande, no auditório do Centro de Convívio dos Meninos do Mar (CCMar), certamente haverá este debate, concluiu Mello.

Renato Gianuca, para EcoAgência de Notícias Ambientais

Brasil recebe Exposição do Ano Internacional da Biodiversidade

Mostra, patrocinada pelas Nações Unidas e governo francês, está em exibição diversas capitais.


A Embaixada da França no Brasil, as Alianças Francesas e a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) promovem a Exposição Itinerante do Ano Internacional da Biodiversidade, lançada pelas Nações Unidas para estimular o mundo a agir pela proteção da vida. "Biodiversidade é vida, biodiversidade é a nossa vida" é o tema da exposição, que permite compreender a relação que o ser humano tem com os demais organismos vivos e as consequências do seu estilo de vida sobre o meio ambiente.

A mostra, composta por 19 painéis, está em exibição em algumas capitais. Com o apoio do Centre de Sciences de Orléans, França, e da Embaixada da França em Brasília, a mostra está sendo apresentada aos usuários do Metrô de São Paulo. Atualmente, está na Estação da Luz, no centro da cidade.

As Alianças Francesas também estão promovendo a exposição, que estiveram, até de 15 de agosto, na Aliança Francesa de Brasília, e de 26 de agosto a 23 de setembro serão instalados na Aliança Francesa de Belém. Nos meses seguintes, estarão em Manaus (22 de novembro a 19 de dezembro) e Santo André, São Paulo (1º a 28 de fevereiro).

Na capital do Amazonas, as obras também serão expostas no 15º Encontro Nacional do Programa de Escolas Associadas da Unesco (21 a 23 de outubro). A exposição volta a Brasília durante a celebração do Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento em 8 e 9 de novembro.

Ano Internacional da Biodiversidade

O ano de 2010 foi declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Biodiversidade (AIB), cujo objetivo é conscientizar a sociedade sobre a importância da biodiversidade para nossa qualidade de vida, refletir sobre os esforços já empreendidos e promover e dinamizar as iniciativas de trabalho para reduzir a perda da biodiversidade.

Agência Fapeam/EcoAgência

Eventos climáticos extremos já marcam ano de 2010

Ondas de calor na Rússia e enchentes no Paquistão são reflexos dos recordes de temperaturas registrados nos últimos meses, porém antes de culpar o aquecimento global cientistas querem mais ferramentas de monitoramento


Os habitantes de Moscou vão lembrar o calor do verão de 2010 por um longo tempo. O recorde de dia mais quente já registrado foi batido cinco vezes durante um período de duas semanas entre julho e agosto. Por 29 dias seguidos a temperatura na cidade esteve acima de 30˚C.

Além desse forte calor, toda a Rússia sofre com uma estiagem e com a proliferação de queimadas. A fumaça, estagnada sobre diversas cidades, preocupa autoridades pelo seu perigo à saúde pública. A cultura de trigo também está prejudicada e pode causar impactos econômicos e de abastecimento em todo o planeta.

A mais de quatro mil quilômetros de Moscou, as chuvas de monção castigam o Paquistão e já causaram a morte de mais de 1300 pessoas e afetam a vida de outros 14 milhões. Somente a cidade de Peshawar, a 140 km da capital Islamabad, choveu em um único dia seis vezes mais que o esperado para o mês inteiro.

Segundo Brandon Miller, meteorologista da rede CNN, esses dois eventos devem estar relacionados a uma área de alta pressão estacionada sobre o oeste da Rússia. Porém, os recordes de temperaturas registrados em 2010 estão fazendo essa área ter uma força além do normal. Estaria nisso o possível dedo do aquecimento global nesses desastres.

Melhor Monitoramento

Apesar de sempre ser cautelosa ao abordar as mudanças climáticas, a Organização Mundial de Meteorologia afirma que os desastres vistos entre julho e agosto encaixam perfeitamente naquilo que os cientistas climáticos vêm alertando nos últimos anos: eventos extremos do clima ficarão cada vez mais freqüentes.

Especialistas agora enxergam como urgente a necessidade de criar melhores ferramentas para prever o acontecimento desses fenômenos. Reuniões com esse objetivo estão agendadas para agosto e setembro tanto na Europa quando nos Estados Unidos.

“Não há tempo a perder, a sociedade precisa estar equipada para lidar com o aquecimento global”, afirmou Peter Stott, meteorologista do governo britânico.

Stott afirma que existe um grande movimento de cientistas que estão interessados em desenvolver modelos computacionais mais detalhados sobre as causas e efeitos do aumento da temperatura no planeta. Esse deverá ser o próximo passo da meteorologia mundial, acredita o pesquisador.

O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) vem há vários anos alertando que o aumento das temperaturas globais iria produzir ondas de calor e precipitações mais intensas e freqüentes. A entidade foi além e no seu relatório de 2007 avisava que isso já estava sendo observado.

Apesar disso, climatologistas geralmente não responsabilizam o aquecimento global por secas ou enchentes, pois muitos outros fatores estão envolvidos em tais fenômenos. Mas isso não é desculpa para que não sejam tomadas medidas para minimizar essas catástrofes.

“Uma coisa é certa: desastres climáticos continuarão a acontecer e nosso conhecimento e monitoramento sobre eles deve melhorar. Assim poderemos responder o que está realmente os causando e como podemos minimizar seus efeitos”, concluiu Stott.

http://www.carbonobrasil.com/?id=725761

Não jogue lixo no lixo! Resíduos e Rejeitos precisam ser encarados de forma distinta

Quem não se recorda dos ensinamentos aprendidos nos primeiros anos de vida? “Lixo é para ser jogado no lixo”! Reprograme-se, esta afirmação não é mais uma verdade absoluta. A realidade mundial é outra! A sociedade se desenvolveu, descobriu o caminho do consumo, a vida útil dos produtos foi encurtada, as tecnologias avançaram com novos bens de consumo diuturnamente. Contudo, em contrapartida, o descarte proliferou, as cidades cresceram desordenadamente, os espaços tornaram-se limitados e a legislação relacionada ao meio ambiente veio se tornando mais restritiva.

Na visão moderna, a expressão “lixo” parece ser inadequada, como também, os malfadados “lixões” estão com seus dias contados, em obediência à nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), agora, Lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010. Vale ressaltar que, para acompanhar o desenvolvimento da política ambiental atualmente, os vocábulos deverão ser revistos, separando o joio do trigo.

A lei é clara em seus conceitos e determinações. A prioridade é a não-geração dos resíduos, entretanto, é algo inimaginável e impossível. A diminuição se apresenta como uma primeira tentativa, ficando a reciclagem e o reaproveitamento como uma segunda alternativa. Outro ponto importante a destacar é que os resíduos são passíveis de reaproveitamento, reciclagem ou reutilização, com especial atenção às embalagens de produtos. A parte restante, do que se chamava, também, de “lixo”, sem possibilidade alguma de reaproveitamento, mesmo com todos os recursos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, torna-se rejeito. Estes rejeitos precisam ter uma disposição ambientalmente correta de forma sustentável.

Outro ponto a ser focado é o significativo valor econômico e social, agregado aos resíduos sólidos e que não acontece, na mesma proporção, com os rejeitos. As grandes indústrias e distribuidores já avaliaram este potencial econômico e irão se adequar à lei de alguma forma: por imposição legal, convicção ou por enxergarem características econômicas positivas.

A lei trata dos conceitos, das diretrizes e das regras gerais da política em si, portanto, a regulamentação e o Plano Nacional de Resíduos Sólidos estão sendo trabalhados por técnicos do Ministério do Meio Ambiente e, deverá estar pronto em aproximadamente 60 dias. Nesta regulamentação deverá ser incluído um aspecto muito relevante, porém polêmico, que será o estabelecimento de metas a serem alcançadas.

Num país como o Brasil, com tanta diversidade e culturas regionais próprias, os números referentes às metas poderão não agradar ou atender adequadamente a região ou empreendimento. Por outro lado, indústrias, importadores, comerciantes, prestadores de serviços, potencialmente geradores de resíduos, deverão construir um plano de gerenciamento.

Os Estados e municípios deverão, também, criar seus planos de gerenciamento. Os municípios poderão fazê-los sob a forma “consorciada” com municípios vizinhos, como planos intermunicipais e microrregionais. A forma “consorciada” parece ser a solução economicamente mais atraente para a gestão integrada de resíduos sólidos e deverá contar com incentivos.

O Brasil, sempre carente de políticas públicas, para destinação do material descartado, faz nascer a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei sancionada, sem veto algum, no último dia 02 de agosto. Festejada pelo Presidente da República como um resgate tardio da dignidade dos “catadores” de material reciclado, até pelas características do ano em curso e a abordagem principal do evento, acabou ancorada na visão social de apenas um setor. Todavia, a política possui implicações igualmente relevantes com um emaranhado de responsabilidades ambientais, divididas entre toda a sociedade, pessoas físicas e jurídicas em todos os planos de negócios.

Fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e os consumidores terão seu quinhão de responsabilidade sobre sua produção e/ou descarte dos resíduos e, até mesmo pelo manuseio destes. Trata-se da responsabilidade compartilhada que integrará toda a cadeia de consumo e pode ser entendida pela expressão “do berço ao túmulo”.

Muitas análises e conclusões poderão ser feitas a partir da Lei 12.305/2010, como a vinculação de planos de resíduos à concessão ou renovação da licença ambiental. Mesmo sem regulamentação, suas linhas já estão postas e as regras basilares estabelecidas, não deixando de considerar que as regras válidas sempre foram emanadas pelo CONAMA, através de suas resoluções e, pela primeira vez, os resíduos estão sendo tratados por lei.

(*) Cássio dos Santos Peixoto, Advogado, Professor de Legislação e Direito Ambiental da Pós-Graduação em Gestão Ambiental da Faculdade SENAC MG.

Ambientebrasil

Anvisa vai regulamentar uso de própolis e ômega 3 em medicamentos

Ômega 3

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em consulta pública proposta com normas para o registro de remédios específicos e também para o uso dos ácidos graxos Ômega 3 e da própolis como ingredientes de medicamentos.

Na proposta, a Vigilância Sanitária estipula regras de segurança, padrão de qualidade e comprovação de eficácia para que esses remédios possam ser vendidos ao cidadão.

O Ômega 3 é encontrado em castanhas, peixes e óleos vegetais. Os ácidos graxos ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos e colesterol ruim.

Própolis como medicamento

A própolis é uma espécie de cera que as abelhas extraem das árvores e usam para cobrir a entrada das colmeias.

Os medicamentos específicos são indicados para reidratação e nutrição parenteral, além de antiácidos e protetores do fígado.

A proposta pode ser consultada na página da Anvisa na internet. As sugestões também devem ser encaminhadas para a sede da agência, em Brasília.

Carolina Pimentel - Agência Brasil

Cientistas continuam tentando entender o vírus H1N1

Patologia do H1N1

Logo após o aparecimento dos primeiros casos da gripe suína, no México, em abril de 2009, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, divulgou que a doença poderia se transformar em uma pandemia.

Embora muitos especialistas questionem se o que ocorreu de fato poderia ser catalogado como pandemia, enquanto outros chegaram a denunciar influência dos grandes fabricantes de medicamentos, o fato é que a Organização Mundial da Saúde declarou a existência de uma pandemia de gripe suína logo depois.

Um ano e meio se passou, a OMS já decretou o fim da pandemia da chamada gripe suína, mas os cientistas do CDC continuam tentando entender a patologia do vírus da influenza A H1N1, o grande causador de tudo.

A morte do bicho papão

De acordo com Sherif Zaki, chefe do Departamento de Patologia e Doenças Infecciosas do CDC, o H1N1 pode estar se transformando e adquirindo uma patologia semelhante à do vírus da influenza sazonal, que causa a gripe comum.

Esta transformação havia sido prevista pela pesquisadora brasileira Marilda Mendonça Siqueira, da Fiocruz, em janeiro deste ano - veja Gripe A (H1N1) deverá virar gripe comum em 2010, diz cientista.

Zaki participou do 3º Encontro de Patologia Investigativa e da 13ª Jornada Internacional de Patologia, realizados pelo Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, onde foi entrevistado pela Agência FAPESP.

Zaki explicou que o H1N1 continua circulando e os surtos podem voltar a ocorrer. Mas com o avanço do conhecimento sobre as possíveis mudanças em suas características, com o desenvolvimento de novas vacinas e com a continuidade das campanhas de educação e prevenção, os riscos serão baixos.

Por outro lado, as pesquisas têm mostrado que, nos casos fatais de influenza, a incidência de coinfecções com bactérias é maior do que se imaginava.

Veja o conteúdo da entrevista.

Há um ano e meio surgiu o surto de gripe A, que matou mais de 100 pessoas no México e marcou o início de uma pandemia. Hoje, o CDC continua estudando o H1N1. O que há de especial na patologia desse vírus?

Sherif Zaki - Há muitas diferenças entre os vírus da influenza sazonal, que causam a gripe comum, e o H1N1. Eles atacam diferentes partes do pulmão. O vírus da influenza sazonal envolve mais as vias superiores, traqueia e brônquios. É uma doença das vias respiratórias superiores. O H1N1 ataca mais a parte periférica, ou inferior, dos pulmões, causando mais pneumonia. Essas diferenças têm a ver com as partes dos pulmões a que estão ligados os receptores desses vírus. As doenças que eles causam, portanto, são um tanto diferentes.

Essas diferenças também se refletem na gravidade da doença?

Zaki - A questão é que os pacientes que têm certas condições subjacentes - como obesidade extrema, diabetes, câncer ou algum tipo de imunossupressão - são mais suscetíveis à forma severa da doença. E os mais jovens são mais suscetíveis à influenza do H1N1 do que à sazonal. Essa última normalmente atinge com maior incidência gente acima de 60 anos. A gripe do H1N1 envolve mais a faixa dos 20 aos 55 anos por uma questão relacionada à imunidade. As pessoas nessa faixa não foram expostas a vírus similares, enquanto as mais velhas já foram e, por conta disso, desenvolveram algum tipo de imunidade a eles.

Há ainda desafios científicos envolvidos com a patologia desses vírus?

Zaki - Sim, ainda há muitas coisas que não entendemos. Acho que o próximo desafio será prever o que acontecerá em relação à influenza no próximo outono no hemisfério Norte. Não sabemos com que intensidade ela voltará, quantas pessoas serão afetadas, qual a disponibilidade de vacina ou como as novas vacinas serão incluídas nos programas regulares de vacinação.

No caso da H1N1, essas perguntas são muito importantes porque não sabemos se esse vírus está aqui para ficar. Não sabemos se ele se tornará uma outra influenza sazonal, ou se é algo que passará. Há algumas evidências de que o vírus pode estar se modificando com o tempo, aproximando-se da patologia da influenza sazonal. Há muitas perguntas a fazer e temos que continuar pesquisando.

Depois de abril de 2009 o surto do vírus H1N1 gerou muitas manchetes nos jornais. Mas, agora, parece que o assunto arrefeceu. A pandemia foi superada? Qual o desafio daqui em diante em termos de epidemiologia?

Zaki - Essa é uma questão muito boa e que nos intriga. O vírus ainda está aí, gerando novos casos da doença. Mas, como ocorre com a gripe sazonal, dependendo da localização de cada país - no hemisfério Norte ou Sul -, há diferenças na estação em que ocorrem os surtos de gripe. O fato é que o vírus não desapareceu, ele ainda está circulando. A pergunta agora é: a cepa que causou o último surto foi ou não substituída por uma nova cepa? É típico do vírus da influenza ter uma cepa circulando quando, subitamente, ela é substituída por uma nova.

É possível prever qual será a próxima cepa a circular?

Zaki - Sempre temos várias linhagens em ação - a questão é saber qual delas vai predominar. É por isso que a vacina muda a cada ano. Temos que tentar prever qual será a principal cepa no próximo ano. Precisamos de vários meses para preparar as vacinas e as decisões devem ser feitas cinco ou seis meses antes. Especialistas de todo o mundo se encontram, discutem sobre as linhagens, trocam informações e fazem recomendações para a OMS sobre quais as novas linhagens que devem ser incluídas na vacina do ano seguinte.

As vacinas são eficientes?

Zaki - Elas são eficientes em 60% a 70% dos casos. São altamente recomendadas para os muito jovens ou muito velhos, além de pessoas com doenças como diabetes, câncer ou asma. Grupos suscetíveis a essas e outras doenças devem tomar a vacina. Mas há um aspecto muito importante: não se trata só da vacina da influenza. Um dos problemas da influenza é que muitas vezes há coinfecções bacterianas. E estamos constatando que o vírus H1N1 tem uma incidência maior de coinfecções com bactérias do que pensávamos antes.

O vírus abre as portas do organismo para as bactérias?

Zaki - Sim, basicamente ele abre as portas danificando as defesas do corpo. É importante saber quais são as bactérias com maior incidência nesses casos, pois temos vacinas também para algumas delas. Esse é um componente muito importante para a prevenção, não só para a influenza, mas também para outras bactérias associadas - em especial a infecção por estreptococos, que sabemos ser comum entre pacientes de gripe. E essas infecções afetam especialmente pessoas com aquelas condições que mencionamos, como crianças e diabéticos.

A doença causada pelo vírus H1N1 é realmente muito mais grave do que a gripe comum?

Zaki - Essa é uma questão difícil de ser respondida. Ela é mais severa em alguns casos, porque não temos imunidade nessa grande faixa etária dos 20 a 55 anos e 90% dos pacientes podem ter alguma condição subjacente. Mas nem todos têm a gripe em sua manifestação severa. Em geral, a gripe suína não parece causar mais mortalidade do que a gripe sazonal comum.

Podemos dizer que é importante destacar as diferenças entre os dois tipos de gripe, mas que não há razão para pânico em caso de um novo surto do vírus H1N1?

Zaki - Exato. Não há razão alguma para pânico. Precisamos conhecer o inimigo, vacinar, prevenir e continuar a campanha educativa, que inclui lavar as mãos, seguir regras de higiene, etc. Esse é o ponto. Mas não é preciso se preocupar com essa gripe mais do que fazemos com a gripe sazonal. Trata-se apenas de mais uma forma de gripe sobre a qual precisamos saber mais. Não é mais mortal, nem mais perigosa. É apenas diferente. E precisamos nos preparar para essas diferenças.

Em relação ao vírus H1N1 e à influenza de modo geral, qual é o foco da pesquisa, atualmente, no seu grupo do CDC?

Zaki - Estamos observando as transformações do H1N1. Cada vez mais estamos vendo casos envolvendo as vias superiores. Então, nossa principal questão é saber se o vírus permanecerá o mesmo, ou se vai se adaptar e ficar mais parecido com a variedade sazonal em relação à patologia.

Os esforços, então, estão voltados para compreender o próprio vírus?

Zaki - Sim, mas não estamos tão ocupados como há cinco meses. Agora, podemos fazer estudos de rotina e levar adiante trabalhos de epidemiologia. Fazemos estudos a partir de cerca 800 casos fatais que recebemos, sendo que em metade deles foi confirmado que a morte foi causada por influenza.

Daqui em diante, o importante é também aprimorar os diagnósticos clínicos. Em muitos casos achamos que o paciente morreu de gripe, mas que ele tinha várias doenças ao mesmo tempo. É preciso aprender sobre essas doenças também. Infelizmente, quando se tem uma pandemia, todo mundo pensa só na influenza e tende a atribuir tudo ao vírus. É preciso definir melhor os diagnósticos e educar a população em relação a quais são as características de influenza, distinguindo-as melhor de outros casos.


Agência Fapesp

Vacina antivermes da Fiocruz entra na fase final de testes

Vacina contra vermes

Há 35 anos, a Fiocruz estuda uma vacina para helmintos (vermes), principalmente com foco no combate à esquistossomose, doença que atinge 200 milhões de pessoas no mundo.

Os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) isolaram, em 1990, uma molécula que é vital para os helmintos - a SM14. Os resultados foram protegidos por patentes.

Com base nesta molécula, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os estudos permitiram obter dois produtos: um candidato a vacina para esquistossomose (que terá a fase 1 de testes clínicos iniciada pela Fiocruz ainda em 2010) e uma vacina para a fasciolose, doença parasitária mais comum em gado no mundo.

Boas práticas de fabricação

Estão agora em curso estudos de formulação para maximizar a proteção da vacina, de forma eficaz e segura. Trata-se da primeira vacina totalmente brasileira e a única vacina parasitária do mundo.

Recentemente, os pesquisadores conseguiram escalonar a molécula em laboratório e produzir o chamado "lote GMP", produzido em condições de boas práticas de fabricação (Good Manufacturing Practices).

Esta etapa é fundamental para a realização de testes clínicos humanos. Além disso, foi desenvolvida a grade de controle de qualidade, dentro dos mais rigorosos padrões internacionais.

Parceria público privada

Em 2005, a empresa Alvos licenciou a vacina veterinária e a vacina humana desenvolvida pelos pesquisadores da Fiocruz, numa parceria público privada. Agora, a Ourofino Agronegócios Ltda acaba de adquirir a Alvos, assumindo todo o processo.

A coordenadora da pesquisa, a médica Mirian Tendler, do IOC/Fiocruz, aponta que conseguir um parceiro industrial dentro do Brasil é uma grande conquista. "Com a parceria, a vacina contra fasciolose hepática terá seu desenvolvimento muito acelerado," afirma.

Agência Fiocruz

Rinite causa alterações em funções básicas do organismo

Respirar, mastigar e engolir

A obstrução nasal, que é o principal sintoma da rinite alérgica, pode levar a pessoa a respirar de forma errada. Além disso, pode influir na mastigação com movimentos incorretos e em dificuldades para engolir a comida.

Na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), uma pesquisa analisou 170 pessoas, com idade entre 6 e 55 anos, sendo que metade delas possuía rinite.

Segundo o estudo, as pessoas com a doença apresentaram alterações na forma de respirar, mastigar e engolir - problemas funcionais - e alterações na oclusão dentária - problema estrutural relativo à posição dos dentes na boca. Em relação à fala, não foram observadas mudanças.

A fonoaudióloga Catiane Maçaira de Lemos, autora da pesquisa, explica que a obstrução nasal na rinite é sazonal, ou seja, há momentos no dia, na semana ou no mês em que o nariz fica "entupido" e há momentos em que fica livre. "Ainda que não seja constante, a obstrução nasal pode causar problemas funcionais e estruturais", afirma.

Respiração

A respiração correta se dá pelo nariz. Entretanto, nos pacientes com rinite, a respiração pela boca foi a forma mais frequente em todas as idades.

"Os adultos [100%] respiravam apenas pela boca", conta Catiane. "Embora haja uma tendência natural de melhora na maneira de respirar, ou seja, quanto mais velha é a pessoa, melhor ela respira, isso não foi observado em quem tinha a doença", observa.

Assim, enquanto quase 83% das crianças com rinite respiravam pela boca, 97% dos adolescentes apresentaram esse tipo de respiração, atingindo a totalidade nos adultos, ou seja, em pessoas com rinite houve uma piora na forma de respirar.

Mastigação

Considerando a mastigação, as principais constatações foram as que dizem respeito aos movimentos mandibulares e aos padrões mastigatórios.

"Mastigar de boca aberta ou amassar ao invés de triturar os alimentos foram mudanças observadas em pacientes com rinite", explica a fonoaudióloga. "No grupo de pessoas sem a doença, todos mastigavam corretamente", completa.

Engasgos, língua para fora dos dentes e movimentação de cabeça para ajudar a engolir foram as principais alterações encontradas na função de deglutição. Em torno de 80% dos participantes com a doença apresentaram essa função alterada.

Tratamentos para a rinite

Segundo o estudo, os problemas decorrentes da rinite são causados pela flacidez dos músculos do lábio, da língua e da bochecha.

Porém, há tratamento para reverter o quadro e o primeiro passo a ser dado é combater a obstrução nasal, principal causa de todas as mudanças.

Além disso, o tratamento deve ser multidisciplinar. "Deve-se procurar um otorrino, para tratar a rinite, um fonoaudiólogo, para melhorar e fortalecer a musculatura e um dentista para corrigir os dentes", recomenda Catiane.

Rinite alérgica

Além da obstrução nasal, a rinite alérgica possui outros sintomas, como espirros, coriza (nariz escorrendo) e prurido (coceira).

Suas principais causas são fatores ambientais, em que alguns antígenos, como ácaros, pêlos ou poeira, podem desencadear a crise. De acordo com alguns estudos, também pode haver um fator genético, no qual a pessoa já nasce predisposta a desenvolver a doença.

Levantamento feito em 2008, em oito países da América Latina, constatou que aproximadamente 59% dos adultos possuem sintomas da rinite. "Daí a importância da pesquisa, que estudou as consequências da obstrução nasal causada exclusivamente pela doença", justifica Catiane.

Juliana Cruz - Agência USP

Carros elétricos darão volta ao mundo em corrida com emissão zero

Volta ao mundo em 80 dias

Um grupo de engenheiros dará início nesta segunda-feira a uma corrida de carros ao redor do mundo, todos movidos com veículos elétricos.

A energia consumida pelos carros ao longo do período será compensada com geração de eletricidade por fontes renováveis, fazendo com que a corrida tenha "emissão zero" de dióxido de carbono.

Os engenheiros correrão em quatro equipes diferentes, com chegada e partida na cidade suíça de Genebra.

Em 80 dias de corrida, eles planejam dar a volta ao mundo, passando por Berlim, Kiev, Moscou, Xangai, Los Angeles, Cidade do México, Lisboa e outras 150 cidades.

Ao longo do percurso de 30 mil quilômetros, os participantes vão promover coletivas de imprensa e eventos de conscientização sobre o meio ambiente.

Carro solar

O evento Zero Emissions Race foi idealizado pelo ambientalista e aventureiro suíço Louis Palmer, que em 2008 deu a volta ao mundo em um carro movido a energia solar. No projeto, batizado de SolarCar, Palmer percorreu 54 mil quilômetros durante 18 meses.

"Nós queremos mostrar que mobilidade elétrica e energias renováveis são uma solução para se ter uma vida ecologicamente equilibrada neste planeta", afirma Palmer.

Em novembro, os engenheiros passarão pela Cidade do México, onde será realizada uma conferência da ONU sobre mudanças climáticas.

Quatro equipes de países diferentes - Suíça, Coreia do Sul, Austrália e Alemanha - vão competir entre si.

A corrida será vencida não por quem chegar antes, mas sim pela equipe que conseguir percorrer o caminho gastando menos energia. [Imagem: ZeroRace]Cada uma desenvolveu um carro elétrico diferente. Os carros serão abastecidos com energia elétrica ao longo do caminho, em cada uma das paradas.

Compensação de emissões

Para reduzir as emissões a zero, cada equipe será responsável por gerar a mesma quantidade de energia elétrica consumida pelo veículo no seu próprio país usando apenas fontes renováveis, como energia solar, vento, ondas ou geotérmica. Essa energia é alimentada no sistema elétrico de cada um dos quatro países.

Um dos carros, o sul-coreano Yebbuyana, por exemplo, vai consumir 84,7 watts-hora por quilômetro. Para todo o percurso de 30 mil quilômetros, a equipe terá de gerar 2,54 megawatts-hora - que será produzido por painéis solares na região de Geon-nam, na Coreia do Sul.

Os carros, com capacidade para dois passageiros no mínimo, precisam ter capacidade de percorrer no mínimo 250 quilômetros a uma velocidade de 80 quilômetros por hora, antes de pararem para reabastecimento.

Por dia, cada carro precisa percorrer no mínimo 500 quilômetros.

A corrida será vencida não por quem chegar antes, mas sim pela equipe que conseguir percorrer o caminho gastando menos energia.

Redação do Site Inovação Tecnológica

Algas podem substituir metade do petróleo e inaugurar química verde

Química verde

O etanol é um substituto eficiente do petróleo tanto em termos ecológicos quanto energéticos.

Mas isto não significa que ele possa substituir todo o petróleo usado no mundo.

O setor de transportes consome cerca de metade da produção da indústria petrolífera - a outra metade abastece a indústria química, que produz todo tipo de material sintético, dos plásticos e solventes até os gases industriais, como o hidrogênio.

Mas pode haver saídas também para a criação de uma química verde: as microalgas e as pequenas plantas aquáticas da família das Lemnaceaes podem ser usadas para a obtenção de combustível em forma de óleo.

Esta proposta foi defendida pelo norte-americano Richard Sayre, durante o 2º Congresso Pan-Americano sobre Plantas e Bioenergia, que terminou ontem em São Pedro (SP).

Para Sayre, as algas são uma opção sustentável, têm estruturas mais simples e se reproduzem em velocidades muito maiores do que as dos outros vegetais e têm grande capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2).

"A gasolina pode ser substituída por etanol, porém outros combustíveis e produtos derivados de petróleo dependem de matérias-primas baseadas em óleo", afirmou ele, ressaltando que o óleo tem o dobro da densidade energética do etanol.

Biodiesel de algas

Na comparação entre as fontes de biodiesel, as algas também apresentam uma produtividade 10 vezes superior à das demais matérias-primas - são 58.700 litros de óleo por hectare cultivado, contra 5.950 litros de óleo de palma, a segunda colocada.

"Essa é uma estimativa modesta, que considera a extração de 30% de óleo da biomassa, mas podemos extrair até 70% elevando a produtividade para 136.900 litros de óleo por hectare", afirmou.

Além disso, as algas não possuem tecidos heterogêneos, como folhas, galhos e raízes, o que elimina um dos maiores obstáculos para a obtenção dos biocombustíveis de plantas: a quebra da parede celular.

Outra vantagem apontada pelo pesquisador é o alto teor de óleo das células das algas, que podem apresentar até 50% de lipídios não polares, mais fáceis de serem quebrados, e possuem de 10% a 45% mais energia do que as matérias-primas obtidas de carboidratos.

O desafio da equipe de Sayre está em desenvolver melhorias genéticas a fim de aprimorar a conversão de energia solar no interior das células. Essa conversão depende do tamanho de estruturas chamadas de complexo LHCII. Por serem muito grandes, essas estruturas recebem mais energia do que conseguem processar e o excedente (cerca de 60%) acaba sendo desperdiçado.

A viabilidade econômica da produção de biodiesel de algas foi conquistada ao longo dos anos graças aos avanços obtidos em pesquisa. "Hoje, conseguimos produzir biodiesel de algas ao custo de US$ 2 por galão, sem subsídio algum do governo. Há três anos, esse mesmo galão custava US$ 100", comparou.

O especialista norte-americano propõe também que as algas sejam aplicadas na solução de outro problema das grandes cidades: o tratamento de esgoto. Algas capazes de decompor matéria orgânica poderiam ser cultivadas em estações de tratamento. Além da limpeza da água, o cultivo produziria biodiesel e absorveria uma boa parte do CO2 da atmosfera.

No exemplo de Sayre, o tratamento de esgoto de uma cidade como Nova Iorque produziria 10 milhões de litros de biodiesel de algas por ano e absorveria 40% do CO2 emitido por uma termelétrica de 200 MWh movida a carvão. "Também haveria ganhos adicionais com a produção de metano e de produtos para ração animal", completou.

Clones genéticos

A menor planta do mundo capaz de produzir flores é outra fonte promissora de biocombustível, de acordo com o professor Eric Lam, do Departamento de Biologia e Patologia Vegetal da Universidade do Estado de Nova Jersey - Rutgers, nos Estados Unidos.

Conhecidas no Brasil como lentilhas d'água, as plantas da família Lemnaceae são capazes de se reproduzir sobre água doce ou salobra. São cinco gêneros e 40 espécies conhecidas que se espalham em regime perene por praticamente todo o planeta, com exceção das regiões desérticas e polares.

Nos Estados Unidos, elas são chamadas de duckweeds ("erva de pato"), por servirem de alimento às aves aquáticas, que aproveitam as estruturas ricas em gordura, proteínas e amido da planta.

Assim como as algas, as lentilhas d'água se reproduzem com velocidade muito maior do que a dos demais vegetais. "Os exemplares da espécie Wolffia microscopica dobram de quantidade a cada 30 horas", disse Lam.

Essa proliferação se deve ao fato de as Lemnaceaes se propagarem principalmente de maneira assexuada, produzindo clones genéticos. Outra diferença é que essas plantas aquáticas são extremamente pobres em lignina, macromolécula responsável pela defesa imunológica, pelo transporte de água e nutrientes e, especialmente, pela estrutura física da planta, conferindo-lhe suporte mecânico.

Lam especula que a pouca concentração de lignina nas lentilhas d'água seria um fruto da adaptação desses vegetais ao habitat aquático, no qual não seria necessária igual rigidez.

A baixa presença de lignina é uma vantagem importante na fabricação de biocombustível porque quebrar essa molécula tem sido um dos maiores desafios da pesquisa em combustíveis de origem vegetal.

Recuperação de águas contaminadas

De maneira similar às algas, as Lemnaceaes têm a capacidade de recuperar águas contaminadas, uma vez que reduzem coliformes, absorvem metais pesados e consomem parcelas consideráveis de nitrogênio e fósforo. Elas também têm um papel importante no ecossistema ao estimular a presença de anfíbios e de outros animais aquáticos.

Em uma experiência realizada em uma fazenda de porcos nos Estados Unidos, o professor Jay Cheng, da Universidade do Estado da Carolina do Norte, conseguiu em 12 dias eliminar completamente altas concentrações de nitrogênio e potássio que a criação emitia no lago da fazenda apenas com aplicação de lentilhas d'água.

O mesmo experimento utilizou as plantas na produção de combustível e obteve uma produtividade cinco vezes maior por unidade de área cultivada em comparação com o etanol obtido do milho.

A planta ainda pode ser obtida em regiões em que ela se prolifera como invasora. Lam apresentou dois exemplos, um no lago Maracaibo, na Venezuela, e outro em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Em ambos, as Lemnaceaes ocuparam quase toda a superfície dos lagos, prejudicando o ecossistema.

"As autoridades locais vão adorar se você se dispuser a retirar essas plantas dos lagos. É uma fonte abundante e gratuita para o produtor de biocombustível", disse Lam.

Segundo ele, algas e Lemnaceaes são fontes por excelência de biocombustível, pois, além de recuperar águas contaminadas e absorver CO2, elas não competem por terras agriculturáveis nem com a produção de alimentos como milho e soja.

Agência Fapesp

domingo, 15 de agosto de 2010

Vulnerabilidade do Brasil é grande, diz especialista sobre dengue

A confirmação de três casos de dengue tipo 4 no Brasil trouxe à tona a preocupação de autoridades do Ministério da Saúde e de especialistas sobre a doença no país. Detectadas em quatro bairros diferentes de Boa Vista e diagnosticadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) de Roraima, amostras de soro foram levadas ao Instituto Evandro Chagas, em Belém, para contraprova.

Uma quarta análise, coletada de um morador do bairro de Pricumã, ainda aguarda o resultado, a ser divulgado na semana que vem. Entre as outras amostras, cinco são de dengue tipo 1 e uma do vírus 2. Os demais soros não atestaram a presença de doença, mas os procedimentos de cultura de coleta ainda não terminaram no IEC.

Identificado no Brasil pela primeira vez em 1981, o vírus não difere dos demais tipos causadores de dengue quanto aos sintomas que produz no corpo. O perigo trazido pelos casos de Roraima está no fato da população brasileira simplesmente não ser imunizada contra a dengue tipo 4. Ao surgir novamente em pessoas que já tiveram a doença causada pelos tipos 1, 2 ou 3, casos hemorrágicos podem surgir, podendo levar os pacientes à morte.

Preocupação – Para Luiz José de Souza, diretor do Centro de Referência da Dengue de Campos de Goytacazes (RJ), a situação da dengue no Brasil é preocupante. “Independente do quadro, a situação já é muito complicada, acredito que esse verão já deva contar com alguma epidemia aqui no sudeste”, afirma o médico.

Para o especialista, mudanças de temperatura, chuvas frequentes e alagamentos são fortes indícios para novos surtos de dengue mesmo em cidades grandes como a capital paulista. “Pelo nosso conhecimento epidemiológico, acredito que São Paulo está prestes a receber uma epidemia de dengue”, alerta o especialista. “Acredito que neste verão já sejam registrados casos.”

Sobre o vírus VDEN-4, Luiz afirma que o caso ainda está isolado em Roraima, mas requer cuidado especiais já que a vulnerabilidade do país é grande. “No passado, a circulação de pessoas era muito menor e mesmo assim estados como o Rio de Janeiro tiveram surtos de dengue”, explica o diretor do CRD. “No caso dessa nova versão do vírus, todos os habitantes do Brasil são vulneráveis.”

“O VDEN-4 entrou no Brasil em 1981, também em Boa Vista, mas foi minimizado pela presença do tipo 1, que quatro anos mais tarde se espalhou a ponto de chegar ao Rio de Janeiro”, afirma Luiz.
No passado, a circulação de pessoas era muito menor e mesmo assim estados como o Rio de Janeiro tiveram surtos de dengue.”

Identificação do vírus – As cepas do VDEN-4 isoladas no IEC foram identificadas com exemplares isolados na Venezuela na última década, representantes do genótipo 2 do vírus.

Para realizar a confirmação, o vírus foi isolado por meio da introdução de soros dos suspeitos de terem contraído dengue em uma cultura de clones das células de mosquitos Aedes albopictus conhecida como C6/36. A nota técnica do Ministério da Saúde sobre os casos de Roraima, ao citar o “padrão ouro”, faz referência a este tipo de diagnóstico laboratorial.

O IEC também utiliza uma técnica molecular conhecida como RT-PCR, que reconhece o vírus por meio de fragmentos do genoma.

Segundo Pedro Fernando Vasconcelos, chefe do Departamento de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do IEC, no caso do vírus 4, o isolamento feito em Belém é necessário para confirmar a doença e esclarecer qualquer dúvidas sobre a circulação pelo Brasil.

O procedimento justifica, segundo o especialista, a refutação de casos como os identificados em 2008 na capital do Amazonas, rejeitados como amostras de VDEN-4 pelo IEC. “A confirmação laboratorial das amostras procedentes de Manaus foram negativas para o tipo 4 tanto no IEC como pela Fiocruz, no Rio de Janeiro”, afirma Pedro. “Provavelmente o que aconteceu naquele caso foi contaminação laboratorial.”

Combate em Roraima – Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Roraima, foram intensificados os trabalhos de combate ao vírus desde a identificação do caso índice no dia 30 de julho pelo Lacen local. Na próxima semana, serão instaladas ovitrampas, vasilhas plásticas com água e um composto bioquímico, usadas como armadilhas aos mosquitos responsáveis pela transmissão do vírus.

Mosquitos da dengue desovam um recipientes com água parada como tampas de garrafas e pneus. Os ovos caem na água depois de três dias para o nascimento das larvas começa, mas também podem permanecer até 450 dias no recipiente antes da geração de novos exemplares do mosquito. É possível que mesmo um pneu seco contenha ovos e que consiga dar origem a larvas durante o próximo contato com a água.

O Lacen de Roraima recebeu 30 kits laboratoriais adicionais para realização de novos exames por um período de trinta dias. Na capital, equipes orientadas pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual de Saúde, fazem buscas ativas, controle focal para eliminação de criadouros nos bairros dos casos índices, borrificação, aplicação de questionários e ações de educação em escolas.

Até o dia 12 de agosto, o estado apresentava 8.242 notificações de dengue, com 5 mil confirmações e 223 casos graves de doença. No mesmo período do ano passado, eram 5.131 notificações, 2.745 casos confirmados, com 142 graves.

(Fonte: Mário Barra/ G1)

Organizações populares de Erechim se organizam contra a privatização da água



A denúncia é de que em 2009 a prefeitura de Erechim contratou uma empresa ligada à Associação Brasileira de Concessionárias Privadas de Água e Esgoto e à grande transnacional Odebrecht

Os sindicatos, setores da igreja, organizações e movimentos populares de Erechim, norte do Rio Grande do Sul, estão mobilizadas na campanha contra a privatização da água no município. Eles organizaram o “Fórum Popular em Defesa da Água de Erechim” e querem conscientizar a população em geral de que, junto com a privatização do saneamento básico, virá a privatização da água.

“Para fazer o estudo em Erechim, esta empresa sugeriu novas regras, semelhantes às regras usadas para a cobrança das tarifas de energia elétrica. Ou seja, é o primeiro passo para transformar a água em mercadoria, muito mais cara para os trabalhadores”, afirmam os militantes do MAB, que também participam do Fórum. Em 2010, a partir de uma lei aprovada pelos vereadores, a prefeitura colocou em prática o plano da empresa AMPLA e está abrindo edital para nova licitação e concessão do serviço. “Nessa situação, nós visualizamos três possibilidades: a privatização, que a atual proposta da prefeitura; a renovação de contrato com a CORSAN, empresa pública estadual; ou a criação de uma empresa pública municipal, que seria a municipalização”, declaram.

Os coordenadores da campanha estão solicitando o apoio da população local para que envie cartas ao prefeito e vereadores de Erechim exigindo o imediato cancelamento de todo processo de privatização em curso através da licitação e da concessão. Você também pode enviar a carta, clique aqui.

MAB Nacional - EcoAgência