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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Brasil é grande exportador de "água virtual"

As commodities agrícolas estão entre os principais itens de exportação do Brasil. A produção é tão elevada que se estima, atualmente, que a agricultura responde por mais de um quarto do PIB nacional. Porém, há um novo elemento, de abudante quantidade no País, que vem sendo muito bem cotado no mercado internacional e a China, um dos maiores clientes de nossas riquezas, já desponta como um dos grandes mercados para este antigo, porém valioso produto. A água! O Brasil é hoje um dos maiores exportadores globais de “água virtual”, conceito criado para explicar a quantidade de água empregada para produzir um produto em um determinado local, porém destinado para outra localidade, criando assim um fluxo virtual entre os países. “A China adotou uma política de aumentar as importações de culturas de elevado uso de água, como a soja, o que reduz a demanda de água na Ásia, mas aumenta a dependência de quem produz mercadorias que necessitam de irrigação no Mato Grosso”, explica Maria Victoria Ramos Ballester, professora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba. Para países situados em regiões que sofrem com escassez hídrica, o comercio de água virtual é atraente e benéfico. “Por meio da importação de mercadorias que consomem muita água durante seu processo produtivo, nações, estados e municípios podem aliviar as pressões que sofrem sobre suas próprias fontes”, esclarece a professora. “Quando um produto, seja ele qual for, é comercializado entre países, estados ou municípios, entende-se que a água utilizada em seu processo fabril também foi exportada”, completa. Ponto chave Apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito das pesquisas de colaboração internacional promovidas pelo Belmont Forum, conselho de agências de fomento à pesquisa de vários países do mundo, a equipe de trabalho atuará em uma das fronteiras agrícolas de mais rápida expansão e intensificação do mundo, a bacia hidrográfica do Alto Xingu, localizada ao sul da Amazônia brasileira. “A região do Alto Xingu é globalmente conectada por meio de exportações agrícolas e, portanto, é um ponto chave na rede mundial de comércio de água virtual”, afirma Vicky Ballester, pesquisadora do projeto e membro do Programa Fapesp de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais. Ao longo das últimas quatro décadas, o Alto Xingu sofreu um processo de desmatamento em larga escala, impulsionado principalmente pela intensificação da criação de gado e lavouras. Nos últimos vinte anos, a crescente demanda mundial por carne tem alimentado a expansão das áreas de cultivo na região, especialmente a soja para a alimentação animal. “As exportações de soja aumentaram e deslocaram-se da Europa, que era o principal mercado de destino em 2000, para a China, que hoje se tornou o maior importador de soja de Mato Grosso”. As tendências de crescimento populacional na Ásia indicam que esse comércio de água virtual se tornará ainda mais estratégico para a segurança hídrica dos países da região, principalmente a China. Os pesquisadores do projeto do Cena propõem avaliar o consumo de água da cultura de soja e sua eficiência, já que os recursos hídricos subterrâneos no Alto Xingu estão entre os menos explorados do planeta, o que sugere que a futura intensificação da agricultura pode recorrer a essa região para explorar ainda mais seus recursos para irrigação. “Enquanto a água virtual, relacionada com as exportações de soja do Mato Grosso, está ajudando a subsidiar a segurança alimentar e hídrica na China, existem inúmeras demandas conflitantes de água dentro da bacia do Alto Xingu”, conclui a professora. Fonte: Agência USP

Teste caseiro pode detectar primeiros sinais do Mal de Alzheimer

Um teste que pode ser feito em casa e leva menos de 15 minutos para ser finalizado está sendo considerado uma ferramenta confiável para avaliar as habilidades cognitivas de uma pessoa – e assim ajuda a identificar os primeiros sinais de doenças como o Mal de Alzheimer ou uma demência em estágio inicial. O exame, chamado SAGE (sigla para Self-Administered Gerocognitive Examination (Exame Gerocognitivo Autoaplicável, em tradução livre), pode ser administrado no ambiente doméstico e compartilhado com o médico, que então deve identificar os sintomas. Desenvolvido por um especialista americano, o teste exige apenas papel e caneta. O exame consiste em algumas perguntas sobre orientação (como “que dia é hoje?”), linguagem (fluência verbal e capacidade de dar nomes a imagens), raciocínio (capacidade de abstração aliada a cálculos), resolução de problemas e capacidade de lembrar de fatos recentes. Das 1,047 pessoas testadas no centro médico onde o teste foi desenvolvido, 28% tiveram identificado algum índice de comprometimento cognitivo. Apesar de não diagnosticar problemas como o Mal de Alzheimer, esse simples teste consegue garantir aos médicos uma base para avaliar a função cognitiva dos pacientes – melhor do que apenas conversando e observando seu comportamento. Ao observar os sintomas iniciais de uma doença neurológica, especialistas podem acompanhar o desenvolvimento de doenças que atingem o cérebro e agir mais rapidamente, se necessário. É comum que os médicos não consigam diagnosticar os pacientes corretamente a partir apenas de visitas rotineiras aos consultórios, destaca Douglas Scharre, autor do teste e diretor da Divisão de Neurologia Cognitiva. O difícil, segundo ele, é identificar déficits sutis de cognição que aparecem no dia a dia e podem indicar males como a demência. O estudo foi publicado na revista científica The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences. A ideia dos pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio é mostrar que é possível e eficiente aplicar testes simples, que podem servir como diagnóstico para um grande número de pessoas. O doutor Scharre afirma que o tratamento é muito mais eficaz quando o diagnóstico é feito logo que surgem os primeiros sintomas, mas a maior parte dos pacientes de três a quatro anos até buscar ajuda. O teste caseiro, por enquanto disponível apenas em fase de estudos nos Estados Unidos, ainda não tem previsão para chegar aos consultórios. (Fonte: Terra)

10 mudanças profundas no mundo que você vai presenciar

A sociedade e a cultura podem mudar além do reconhecimento em apenas uma geração. Pessoas com condenações penais por homossexualidade estão hoje vivas para ver o casamento gay se tornar legal. 8 previsões absurdas para o futuro que quase se tornaram realidade O grande físico Niels Bohr uma vez nos alertou que a previsão do futuro é complicada. De fato. Ainda assim, é inegável que o mundo vai evoluir muito nas próximas décadas, e algumas mudanças são bastante prováveis. Confira: 10. Fim do dinheiro em papel O dinheiro tem mudado de formas desde que apareceu na sociedade, mas sua importância se desvaneceu dramaticamente desde que o computador se tornou amplamente disponível. Agora, é possível pagar contas com o celular. Dinheiro em papel parece cada vez mais arcaico e complicado. O custo de manutenção de moeda chega a representar até 1,5% do PIB de um país. A falsificação de dinheiro e os profissionais para combatê-la também custam muito aos governos. Os criminosos e sonegadores desfrutam do anonimato graças ao dinheiro em papel. Sem contar que as notas tendem a conter bactérias e espalhar doenças. Assim, haverá uma sociedade sem dinheiro em breve? Quase certamente. A Suécia pode ser a primeira. Você não pode mais entrar em um ônibus na Suécia com dinheiro, uma resposta direta aos roubos de motoristas de ônibus. Um sindicato de bancários pede que o dinheiro desapareça para impedir os assaltos a bancos. Mas também existem possíveis desvantagens de ficar “sem dinheiro”. Há preocupações com a privacidade, já que tudo que você gasta no cartão seria rastreado. Não ver o dinheiro também pode nos fazer gastar mais. E certos tipos de emprego, como artistas de rua e prestadores de serviço que dependem de gorjetas, devem desaparecer, a não ser que comecem a aceitar Visa ou MasterCard. No entanto, os países provavelmente vão fazer logo essa troca, e você pode viver tempo suficiente para ver o seu mudar. 9. Pico da população A população humana mundial só aumentou nos últimos 15 mil anos, e aumentou dez vezes nos últimos 300. As melhores estimativas calculam que atingimos sete bilhões de pessoas alguns anos atrás, apenas 12 anos depois de termos atingido seis bilhões. Provavelmente vai levar um pouco mais de uma década para chegarmos aos oito bilhões. Estudos creem que a Terra atingirá um pico populacional, e em seguida declinará. Uma pesquisa de demógrafos de Viena (Áustria) sugere que há 84% de chance da população atingir esse pico antes de 2100. Cientistas da Espanha pensam que poderia ser ainda mais cedo, em 2050. Claro, há a possibilidade da população apenas continuar crescendo. Mas devemos chegar aos 10 bilhões até o final do próximo século e ver um declínio depois disso. Nesse caso, quem chegar aos 150 verá o pico populacional da Terra. 8. Idade de 150 O especialista em envelhecimento britânico Aubrey de Gray acha que a primeira pessoa a atingir 150 anos provavelmente já nasceu. Pode muito bem ser você, e, nesse caso, parabéns com antecedência. Você terá tempo de sobra para ver a humanidade estabelecer outros marcos. Pode ser que alguém corra uma maratona em menos de duas horas. Haile Gebrselassie, um dos maiores corredores de distância do mundo (e o homem que deteve o recorde mundial da maratona por muitos anos), acha que isso vai acontecer em uma geração. Outras pessoas pensam que é impossível. Também é provável que o primeiro trilionário das tecnologias venha nas próximas décadas. Supercomputadores também vão evoluir, mas não tanto quanto poderiam nos próximos anos, pelo menos não com chips de silício. 7. Fim do silício na computação Muitos de vocês estão familiarizados com a Lei de Moore, uma observação que reflete a melhoria exponencial na computação nas últimas décadas. Originalmente, a lei observa que o número de transistores que podem caber em circuitos integrados dobra a cada dois anos. No entanto, estamos chegando no limite do que podemos fazer com a computação de silício. Enquanto o silício provavelmente continuará gerando trabalho por algum tempo, a computação em breve sofrerá uma mudança tecnológica. A gigante IBM está interessada em nanotubos de carbono como a solução, e os pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) já fizeram um pequeno circuito para demonstrar a tecnologia. Os nanotubos são menores, mais leves e mais rápidos do que o silício, permitindo assim que o poder da computação continue a aumentar. A computação quântica, um avanço ainda maior, está cada vez mais perto e pode definir a vanguarda da tecnologia em um futuro próximo. 6. Impressão 4D Muitas pessoas enxergam a impressão 3D como amplamente disponível no futuro. Porém, uma tecnologia relacionada, e ainda melhor, pode fazer mais sucesso: a impressão 4D, que envolve objetos que se montam sozinhos. Nem precisamos comentar as vantagens de bens manufaturados que se fabricam sozinhos. Por um lado, isso significa que você não terá que quebrar a cabeça para montar um guarda-roupa nunca mais. Além disso, materiais que mudam sua forma ou comportamento com base em condições tais como a temperatura também poderiam melhorar a impressão 3D. Você imprime um objeto, e as partes se remodelam mais tarde para permitir uma criação mais complexa. Móveis, edifícios e veículos automontáveis seriam particularmente úteis na exploração do espaço. Engenheiros já estão trabalhando em uma nave espacial capaz de criar grandes painéis solares em órbita para gerar energia. E a impressão 4D também funciona em menor escala. Nanomateriais requerem muita energia e esforço usando métodos tradicionais. Automontagem é o caminho mais promissor para a produção em massa de nanoestruturas. Uma equipe de químicos da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, está trabalhando em um pequeno robô que se monta dentro do corpo humano para rastrear e matar células cancerosas. 5. Substituto ao antibiótico Fantásticos avanços da medicina estão se tornando cada vez mais necessários, já que nossos métodos atuais estão começando a falhar. Os antibióticos, que provavelmente já salvaram a sua vida ou de alguém que você conhece, não estarão aqui por muito mais tempo. As bactérias estão ficando resistentes, e precisamos de uma nova ferramenta para lutar contra elas. Uma possibilidade é combater infecções bacterianas com infecções virais. Vírus que atacam bactérias são conhecidos como bacteriófagos, e fazem com que seus hospedeiros literalmente se despedacem. Os cientistas não necessariamente precisam usar todo o vírus. Uma equipe em Israel já conseguiu isolar uma proteína a partir de um bacteriófago que poderia levar ao desenvolvimento de drogas que destroem bactérias. Outro método possível consiste em introduzir produtos químicos que ligam anticorpos pré-existentes com agentes infecciosos, auxiliando a resposta imune do corpo. Esta tecnologia está sendo liderada por Kary Mullis, um microbiologista vencedor do Prêmio Nobel. Já a DARPA, agência de defesa americana, famosa por estar na vanguarda da tecnologia militar, está colocando seu dinheiro em nanotecnologia. A agência quer criar uma nanopartícula que combata bactérias com produtos químicos que alteram genes reprogramáveis. Dessa forma, assim que elas evoluem, a tecnologia pode ser ajustada a curto prazo para contornar sua resistência. Outras equipes estão trabalhando na prevenção da infecção para reduzir a necessidade de antibióticos. Cientistas de Cingapura criaram um revestimento que atrai bactérias e as destrói. A equipe espera desenvolvê-lo em uma substância ingerível para combater doenças como pneumonia e meningite. 4. Apocalipse mamífero Um quarto das 4.000 espécies de mamíferos do mundo estão sob ameaça de extinção nos próximos 30 anos. E não estamos falando de espécies obscuras e pouco conhecidas. Cientistas preveem que podemos viver em um mundo sem elefantes, rinocerontes e leões dentro de um quarto de século. Gorilas também estão em vias de extinção já que são caçados por sua carne, e seus habitats são destruídos por operações madeireiras e de mineração. Isso sem mencionar o tigre siberiano, ou as 51 espécies de morcegos criticamente ameaçadas de extinção. Em um par de gerações, metade dos animais nos livros de nossos filhos podem ser tão relevantes quanto o dodô. Na verdade, os cientistas sugerem que estamos vivendo atualmente um período de extinção em massa, como o que matou os dinossauros. Esta seria a sexta extinção em massa na história da Terra, em grande parte causada por nós mesmos. 3. Substituto para a gasolina Embora pareça uma batalha para o futuro, a guerra entre os carros elétricos e os com motores de combustão interna tem uma longa história. Até 1900, os carros elétricos eram os favoritos: menos fedorentos, mais silenciosos e mais fáceis de operar do que seus primos movidos a combustíveis fósseis. A primeira morte em estrada nos EUA envolveu um veículo elétrico, e não foi até a década de 1910 que os problemas da tecnologia de bateria pavimentaram o caminho para beberrões de gasolina. Teremos que voltar aos elétricos em breve, no entanto. Seja você crente ou não do aquecimento global antropogênico (97% dos cientistas climáticos são), ainda precisamos encarar o fato de que o petróleo é finito e irá se esgotar. Precisamos de um método de alimentar os nossos veículos mais renovável (ou pelo menos mais duradouro). A companhia de petróleo Shell sugere que o último carro a gasolina pode sair de linha de produção em 2070. Mudanças potenciais poderiam acelerar esse processo. Avanço na fusão nuclear já tomou o primeiro lugar nas apostas. Seria uma eletricidade limpa, confiável e segura que deixaria o petróleo no chinelo. 2. Fim da linha telefônica Que tipo de telefone você tem? Um quarto de século atrás, essa questão não teria muitas respostas para além de “um com botões”. Se você queria se comunicar instantaneamente com alguém do outro lado do país, usava uma rede de fios de cobre. É estranho até pensar por que o telefone já não se extinguiu. O sistema de linha fixa está sendo drasticamente menos utilizado conforme os anos passam. O número de telefones fixos nos EUA cai a um ritmo de 700 mil por mês. Já diminuiu de 139 milhões para 75 milhões entre 2000 e 2008. A comunicação hoje é cada vez mais feita através de conectividade baseada em IP. No entanto, incontáveis vidas foram salvas pela existência de números de emergência, como o 112. Os governos, portanto, forçaram as empresas de telecomunicações a manter sua infraestrutura. Isto as custa bilhões de reais todos os anos, o que as atrasa para mudar sua rede para alternativas mais recentes. Muitos moradores de áreas rurais gostariam de ver a velha rede de telefone ficar disponível por mais algum tempo. Para eles, é a única comunicação que funciona. E tem algumas vantagens sobre as tecnologias mais recentes, também, já que muitas vezes ainda opera durante quedas de energia. No entanto, com apenas 5% das pessoas ainda aderindo exclusivamente ao sistema de telefone fixo, é provavelmente inevitável que ele siga o caminho do telegrama. 1. Cura/extermínio de doenças icônicas A AIDS deixou de ser nada para ser uma das doenças mais onipresentes do mundo dentro de uma geração. Dezenas de milhões de pessoas estão vivendo com a doença, e outras dezenas de milhões já morreram. No entanto, a maré está virando – a doença que explodiu em uma geração pode ser derrotada em outra. O número de crianças infectadas pelo HIV a cada ano está caindo a uma taxa crescente. As estatísticas de mortes também são impressionantes. Só na África do Sul, 100.000 menos pessoas morreram de doenças relacionadas com AIDS em 2011 em comparação a 2005. O marco fundamental nesta luta vai ser uma época em que quase não há crianças nascendo com a doença. A medicina atual pode nos levar até lá, e uma vacina pode trazer esse marco mais cedo na história. A primeira doença a ser eliminada em todo o mundo sem uma vacina será, provavelmente, a doença do verme da Guiné, uma infecção parasitária horrível que causa ardor infernal perto da pele. O número de pessoas com a infecção caiu de 3,5 milhões em 1986 para 542 casos em 2012. A Organização Mundial de Saúde espera se livrar do verme até 2015. Essa não é a única doença na lista negra da OMS. Bouba foi uma infecção bacteriana alvo de erradicação no meio do século passado, e os números caíram de 50 para 2,5 milhões entre 1952 e 1964. Pairou nesse nível desde então, mas a OMS espera que desapareça em 2020. Bouba já foi eliminada da Índia, assim como a poliomielite, outra doença que todos nós devemos viver para ver desaparecer completamente. [Listverse]

Onda de frio dos EUA reaviva ceticismo sobre o aquecimento global

A frente ártica que congelou boa parte dos Estados Unidos nesta semana serviu também para levantar novas suspeitas sobre o aquecimento global, dúvidas que não são compartilhadas pela comunidade científica, que está convencida de que este fenômeno não contradiz a mudança climática. Com os termômetros registrando menos de 30 graus celsius negativos e sensações térmicas inferiores a 50 graus abaixo de zero, o frio superou recordes de baixas temperaturas, embora estas condições também não sejam uma anomalia histórica. A onda de frio provocou nesta semana a morte de 20 pessoas, o fechamento de estradas e a suspensão das aulas em vários estados. Além disso, fez com que, em alguns zoológicos, pinguins e ursos polares tivessem que buscar um abrigo, e que um detento fugido de uma penitenciária do estado de Kentucky voltasse para atrás das grades para se proteger das baixas temperaturas. Com tanto frio, não estranha que, mais uma vez, o tempo seja o tema de conversa de milhões de pessoas e, nesta ocasião, os céticos sobre o aquecimento global aproveitaram a conjuntura para tirar proveito publicamente. “Faz frio. Al Gore me disse que isso não aconteceria”, afirmou o senador republicano Ted Cruz, em referência ao ex-vice-presidente americano, prêmio Nobel da Paz por seu ativismo meio ambiental. “O ‘aquecimento global’ não é tão quente nesses dias”, afirmou o deputado republicano John Fleming em sua conta no Twitter, enquanto outro companheiro de partido, o senador Jim Inhofe, qualificou a mudança climática como uma ideia “quase ridícula”. Os cientistas lembram que, para falar de clima, são utilizadas médias, e que nos últimos anos foram acumuladas provas mais que suficientes para não duvidar da mudança climática. “Nenhum episódio meteorológico por si só pode mostrar ou refutar a mudança climática global”, sentenciou John Holdren, assessor de Ciência e Tecnologia do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em um vídeo divulgado pela Casa Branca. Na comunidade científica, o debate se centrou mais em se a mudança climática influenciou de forma alguma na onda de frio. Os meteorologistas concordaram em apontar um incomum deslocamento em direção ao sul do “vórtice polar” como a origem mais imediata do frio extremo que castigou nesta semana os Estados Unidos, embora as razões que tenham motivado essa trajetória tenham sido mais discutidas. O vórtice é uma zona de baixa pressão que está nas camadas altas da atmosfera e que habitualmente mantém as massas de ar frio perto do polo, mas seu enfraquecimento deixou que as correntes frias chegassem mais ao sul e cobrissem grande parte do território americano. “Não acho que a onda de frio esteja ligada diretamente à mudança climática global. É algo que só ocorre uma vez a cada certo tempo”, argumentou à Agência Efe o presidente do comitê de Variabilidade e Mudança Climática da Sociedade Meteorológica Americana e professor da Universidade de Albany, Aiguo Dai. Outros pesquisadores veem uma relação, como Judah Cohen, que trabalha na unidade de Pesquisa Atmosférica e Ambiental da Verisk, uma companhia dedicada à avaliação de riscos, e aponta o recente aquecimento do Ártico como possível causa. “Nossa investigação sugere que um Ártico quente está relacionado com o tempo frio nos conteúdos em latitudes médias”, explicou Cohen sobre um fenômeno denominado “Ártico quente, continentes frios” que ele compara com o dilema do ovo e a galinha. “O Ártico está quente porque aumentou o fluxo norte-sul que transporta ar quente para o oceano enquanto o ar frio desce a latitudes médias ou pode um Ártico mais quente aumentar o fluxo de ar norte-sul que depois provoca a chegada de ar frio a latitudes meridionais?”, se pergunta Cohen. “Se as pessoas encontram este frio surpreendente é porque as coisas estão se aquecendo”, frisou, por sua vez, o climatólogo Gavin Schmidt, do Instituto Goddard da Agência Espacial americana (Nasa). Em todo caso, condições extremas como as que ocorreram nesta semana nos Estados Unidos já aconteceram no passado e, como garantem especialistas, à medida em que o clima continua aquecendo, espera-se que aumente sua frequência. (Fonte: Terra)

Parque Nacional de Abrolhos, um santuário ameaçado

“É o único local do país onde se pode encontrar praticamente todas as espécies de corais do Atlântico Sul em um único mergulho”, destaca pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Rodrigo Leão de Moura. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos foi criado por meio de um decreto federal em 1983 e possui uma área de mais de 91,3 mil hectares. Localizado no Oceano Atlântico, no litoral sul da Bahia, o Parque é composto por cinco ilhas, sendo que o desembarque só é possível em uma delas, onde se pode percorrer uma trilha de 1.600 metros em torno dela. Porém, é debaixo d’água que o arquipélago guarda sua principal riqueza ecológica, nas formações de recifes e corais que datam dos primórdios da formação geológica terrestre. “Para se ter uma ideia dessa posição de destaque de Abrolhos no cenário global, basta observar que os corais do gênero Mussismilia [1] (corais-cérebro), principais construtores dos seus recifes, são considerados espécies-relíquia, com origens que remontam a 15 milhões de anos. Representam, portanto, uma das linhagens de corais viventes mais antigas do planeta e que sobrevive apenas em alguns locais da costa brasileira”, explica o professor e pesquisador Rodrigo Leão de Moura, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Apesar da importância ecológica em âmbito mundial do Parque Nacional de Abrolhos, a área de cobertura protegida ambientalmente corresponde a menos de 1% do território do Banco de Abrolhos. “Ou seja, a maior parte das formações carbonáticas de Abrolhos ainda não está protegida. Na década de 1980, os cientistas que propuseram a criação do Parque Nacional sugeriram uma área de proteção muito maior, mas as pressões políticas prevaleceram. A história permanece inalterada, uma vez que as recomendações recentes para ampliação das áreas marinhas de proteção têm sido sistematicamente ignoradas, ou mesmo distorcidas, pelo governo”, aponta Rodrigo. Outra questão que preocupa o pesquisador é o risco ambiental que a exploração de petróleo oferece à biodiversidade marítima, isso porque o prejuízo é de todos. “O risco de destruição desse sistema pelas indústrias petrolíferas e de mineração é enorme e bastante concreto. Há planos de minerar os carbonatos até mesmo para fertilização de lavouras de cana-de-açúcar. Por outro lado, as medidas para mitigar e controlar possíveis acidentes são mínimas. Ou seja, a sociedade acaba assumindo boa parte dos custos e todo o risco que a indústria impõe aos recursos naturais e à saúde da população”, critica o pesquisador. Rodrigo Leão de Moura é graduado em Ciências Biológicas, possui mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é professor Adjunto do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e pesquisador associado ao Laboratório de Análise e Monitoramento da Biodiversidade do SAGE (Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção), na COPPE/UFRJ. Desde 1991 participa de projetos de pesquisa aplicada à conservação marinha e projetos de extensão comunitária, principalmente na região do Banco dos Abrolhos e em ilhas oceânicas brasileiras. Além disso, é coordenador executivo da Rede Abrolhos. Confira a entrevista: IHU On-Line – O que o Parque Nacional de Abrolhos significa em termos de biodiversidade aquática? Trata-se de um dos principais parques marítimos do mundo? Rodrigo Leão de Moura - Abrolhos é o primeiro Parque Nacional Marinho brasileiro. Criar essa área marinha protegida, em 1983, foi uma escolha sensata, uma vez que ela visa promover o acesso público ordenado e proteger a biodiversidade do nosso maior complexo de recifes coralíneos. É o único local do país onde se pode encontrar praticamente todas as espécies de corais do Atlântico Sul em um único mergulho. Como boa parte dessas espécies é endêmica do Brasil, o Parque tem relevância global. Para se ter uma ideia dessa posição de destaque de Abrolhos no cenário global, basta observar que os corais do gênero Mussismilia (corais-cérebro), principais construtores dos seus recifes, são considerados espécies-relíquia, com origens que remontam a 15 milhões de anos. Representam, portanto, uma das linhagens de corais viventes mais antigas do planeta e que sobrevive apenas em alguns locais da costa brasileira. IHU On-Line – Há 30 anos o parque de Abrolhos foi considerado um local permanente de preservação ambiental. Qual a sua importância no ecossistema global? Rodrigo Leão de Moura - Além de proteger a biodiversidade dentro dos seus limites, o parque funciona como um manancial de ovos e larvas para colonização de áreas adjacentes submetidas à pesca intensa. Além disso, os recifes são peças-chave no ciclo do carbono nos oceanos, uma vez que mineralizam e imobilizam esse elemento na forma de carbonato de cálcio. Lamentavelmente, o Parque Nacional tem uma cobertura muito pequena, representando menos de 1% da área do Banco dos Abrolhos. Ou seja, a maior parte das formações carbonáticas de Abrolhos ainda não está protegida. Na década de 1980, os cientistas que propuseram a criação do Parque Nacional sugeriram uma área de proteção muito maior, mas as pressões políticas prevaleceram. A história permanece inalterada, uma vez que as recomendações recentes para ampliação das áreas marinhas de proteção têm sido sistematicamente ignoradas, ou mesmo distorcidas, pelo governo. IHU On-Line – No Facebook há uma página intitulada “Salve Abrolhos”. A principal demanda é em relação à pesca ilegal na região. Que tipos de danos esta prática traz ao ecossistema? Rodrigo Leão de Moura - A sobrepesca, além de pressionar as espécies-alvo, pode acabar gerando efeitos em cadeia. Por exemplo, quando a abundância de peixes herbívoros é reduzida pela exploração excessiva, os corais acabam sendo “sufocados” por algas e microrganismos. Nesse processo, organismos construtores como os corais, cujo crescimento é muito lento (milímetros por ano), vão sendo substituídos por organismos não construtores, que podem crescer rapidamente, na ordem de alguns centímetros por dia. Ao longo da última década, nosso grupo vem monitorando os recifes de Abrolhos sistematicamente, com expedições anuais, e vem constatando os efeitos negativos da sobrepesca e da poluição. Por outro lado, nos recifes de Corumbau [2], uma Reserva Extrativista no extremo norte do Banco dos Abrolhos, fomos capazes de demonstrar que o manejo adequado pode recuperar estoques de peixes e gerar benefícios para a pesca artesanal. IHU On-Line – Como se deu a formação geológica e da biodiversidade nos recifes de Abrolhos? Que particularidades possuem e por que é o principal do Atlântico Sul? Rodrigo Leão de Moura - Embora o embasamento geológico dos recifes seja muito antigo, da ordem de milhões de anos, a forma peculiar dos recifes do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, tais como os conhecemos hoje, são resultado da última transgressão (subida do nível do mar), iniciada a cerca de 20 mil anos, com o aquecimento após o último máximo glacial. Os “chapeirões”, que são as colunas recifais em forma de cogumelos gigantes (algumas têm mais de 20 metros de altura), típicas do Parcel dos Abrolhos, possuem o topo achatado e expandido lateralmente em função da estabilização do nível do mar em níveis próximos ao atual, a partir de cerca de 5.000 anos antes do presente. Trata-se de um tipo de formação com características únicas em todo o mundo, assim como as “buracas”, outra formação recifal peculiar de Abrolhos. As “buracas”, descritas pela ciência apenas em 2013, são concavidades estreitas com dezenas de metros de profundidade, as quais funcionam como reatores de matéria orgânica, fertilizando o Banco dos Abrolhos com nutrientes que alimentam o plâncton [3] e toda a cadeia alimentar. Ao contrário dos “chapeirões”, as buracas não se encontram protegidas pelo Parque Nacional e têm sido submetidas a grande esforço de pesca, justamente em função da concentração de biomassa em seu entorno. IHU On-Line – Qual a importância dos recifes de corais para o equilíbrio marítimo? Rodrigo Leão de Moura – Os recifes coralíneos de Abrolhos incluem não somente as formações construídas por corais, mas também os imensos bancos de rodolitos [4], que são construídos principalmente por algas coralináceas. Essas formações recifais ocupam uma área de mais de 20 mil quilômetros quadrados na região de Abrolhos, no entorno do Parque Nacional, sendo responsáveis pela mobilização de mais de 1 kg de carbonato de cálcio por metro quadrado a cada ano. A descoberta dessa enorme “biofábrica” de carbonato de cálcio, em 2012, e suas implicações para o equilíbrio do Atlântico Sul, foi recentemente destacada no prestigioso jornal Science. Vale ressaltar que a mineralização do carbonato de cálcio depende de condições físico-químicas peculiares que vem sendo alteradas drasticamente pela acidificação dos oceanos, por conta do CO2 antropogênico lançado na atmosfera, cujo destino principal é o Oceano. IHU On-Line – Considerando o projeto do Estado de exploração petrolífera, há algum risco de que a região do Parque Nacional de Abrolhos seja contaminada em caso de acidentes? Existem maneiras de minimizar os riscos de desastres ambientais? Rodrigo Leão de Moura - O risco de destruição desse sistema pelas indústrias petrolíferas e de mineração é enorme e bastante concreto. Há planos de minerar os carbonatos até mesmo para fertilização de lavouras de cana-de-açúcar. Por outro lado, as medidas para mitigar e controlar possíveis acidentes são mínimas. Ou seja, a sociedade acaba assumindo boa parte dos custos e todo o risco que a indústria impõe aos recursos naturais e à saúde da população. Os planos de contingência são extremamente deficientes, uma vez que não contemplam infraestrutura de resposta compatível com grandes acidentes e incluem medidas que podemos classificar como patéticas, tais como o afugentamento de cetáceos com aeronaves em voo rasante no caso de derrame de óleo. Pode-se dizer que esses planos são meras formalidades burocráticas. Para ilustrar o descaso com o patrimônio de Abrolhos, basta observar que o Parque Nacional Marinho mais importante do país sequer conta com uma Zona de Amortecimento, conforme estabelece a lei. Os investimentos públicos e privados na conservação de Abrolhos são irrisórios, como atestam os problemas básicos de infraestrutura que persistem desde a criação da unidade. Não há sequer uma base de pesquisa na região. As Reservas Extrativistas do entorno (Cassurubá, Corumbau e Canavieiras), cujo objetivo é proteger as populações locais e a sustentabilidade da pesca, também se encontram em um cenário de escassez de recursos e infraestrutura extremamente deficiente. A indústria petrolífera até tem patrocinado projetos ambientais voltados a espécies bandeira, aquelas com apelo e carisma popular, mas podemos dizer que essas ações, além de insuficientes, são mais voltadas ao marketing do que à questão ambiental, que é muito mais abrangente. IHU On-Line – De que ordem seriam os prejuízos ambientais, em termos de biodiversidade, caso houvesse vazamento de petróleo na área de proteção do Parque? Rodrigo Leão de Moura - Eu diria que um vazamento de grande monta, tal como o observado no Golfo do México, implicaria na aniquilação de vários compartimentos do sistema recifal de Abrolhos. Não há como calcular uma perda desse tipo. É preciso encarar essa realidade de forma mais realista, sensata e pragmática, e não esperar que a sorte nos proteja. IHU On-Line – A que tipos de riscos ambientais o Arquipélago de Abrolhos está suscetível? Rodrigo Leão de Moura - Os recifes coralíneos são ambientes frágeis, considerados como sentinelas da saúde do Oceano. Para ilustrar o que estou dizendo, ressalto o fato de que mais da metade dos recifes de coral do mundo já desapareceu. Os corais são um exemplo clássico do que os cientistas chamam de holobionte, ou seja, são consórcios de organismos que dependem de uma rede intrincada de associações envolvendo vírus, bactérias, fungos, dinoflagelados [5] e organismos multicelulares. Por isso os corais sofrem fortemente com alterações na qualidade do ambiente. Um dos efeitos conhecidos do desequilíbrio nessas associações do holobionte é o fenômeno do branqueamento, que pode levar os corais à morte. Acidentes da indústria petrolífera, grandes obras de infraestrutura e dragagens na zona costeira, urbanização descontrolada e pobreza (falta de saneamento), degradação das bacias hidrográficas (desmatamento), sobrepesca e mudanças climáticas agem em sinergia para produzir esse quadro alarmante de degradação dos recifes em escala global. Em um trabalho recente, nosso grupo de pesquisa mostrou que, se não houver reversão das tendências atuais, os corais de Abrolhos estarão sob risco de extinção ainda neste século. IHU On-Line – Deseja acrescentar algo? Rodrigo Leão de Moura - Apesar do quadro alarmante, ainda há tempo para agir. O motor da mudança é a informação de qualidade e a mobilização da sociedade. Precisamos de uma mudança imediata de paradigma, e esta passa pelo envolvimento verdadeiro dos diferentes setores no sentido de reverter o quadro de degradação e encontrar soluções para a restauração dos recifes, incluindo o aproveitamento não destrutivo de seus recursos. O potencial biotecnológico dos recifes é enorme. Apenas para ilustrar com um exemplo emblemático de bilhões de dólares, o AZT, uma das principais drogas anti-AIDS, é derivado de uma esponja recifal do Caribe. A mineração e a indústria do petróleo precisam abraçar sua responsabilidade e contribuir, de fato, para a construção de um cenário de menos riscos à biodiversidade e de ações compensatórias e mitigadoras compatíveis com seu gigantismo, inclusive quanto ao seu potencial de degradação. E, claro, o governo precisa fazer sua parte, pelo menos fazendo cumprir a legislação existente e as metas ambientais do país junto à comunidade internacional. Notas: 1.- Coral-cérebro de Abrolhos (Mussismilia Braziliensis): as colônias destes animais (assim como de outras espécies de corais) compõem grandes estruturas chamadas “chapeirões” e normalmente possuem o formato de grandes domos, o que lhes dá o apelido de coral-cérebro, chegando a 10 metros de diâmetro. (Nota da IHU On-Line) 2.- Corumbau: região localizada no Distrito de Prado, no Sul do litoral baiano. O nome de origem tupi significa “o fim do mundo e o começo da terra” ou “longe de tudo” devido à larga ponta de areia que avança sobre o mar. São 15 quilômetros de praias de areias brancas e águas cristalinas. Os recifes de corais avançam mar adentro, tornando a praia mansa e tranquila. (Nota da IHU On-Line) 3.- Plâncton: em biologia marinha e limnologia chama-se plâncton ao conjunto dos organismos que têm pouco poder de locomoção e vivem livremente na coluna de água, sendo muitas vezes arrastados pelas correntes oceânicas. O plâncton encontra-se na base da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos, uma vez que serve de alimentação a organismos maiores. (Nota da IHU On-Line) 4.- Bancos de Rodolitos: as algas calcárias não articuladas compreendem mais de 1000 espécies, ocorrendo em todos os oceanos. Algumas formas que crescem desprendidas do substrato são chamadas de rodolitos. Os rodolitos podem ocupar grandes extensões no fundo do mar, constituindo os bancos de rodolitos, que conseguem transformar fundos de areia em um ambiente altamente complexo, servindo de casa e refúgio para uma infinidade de organismos marinhos. (Nota da IHU On-Line) 5.- Dinoflagelados: espécie de microrganismo marinho pertencente à família do plâncton marinho. (Nota da IHU On-Line) * Publicado originalmente no site IHU On-Line.

Supercola substitui pontos em cirurgias do coração

A equipe do Dr. Jeffrey Karp, do Brigham and Women's Hospital (EUA), já havia inventado um curativo que sai da pele sem dor e até um curativo de agulhas para diminuir infecções. Agora eles desenvolveram uma cola que promete "remendar" o coração durante uma cirurgia ou interromper hemorragias em acidentes. Na verdade, o novo adesivo poderá substituir os pontos e os grampos não apenas nas cirurgias do coração, mas também no sistema digestivo e em procedimentos vasculares em geral. A equipe já realizou testes em porcos que mostraram que a supercola pode selar defeitos no coração em uma questão de segundos e ainda aguentar a pressão dentro do coração. Os médicos já usam colas para fechar ferimentos e em vários procedimentos cirúrgicos, mas nenhum desses adesivos é forte o bastante para aguentar as forças dentro das câmaras do coração ou dos grandes vasos sanguíneos. "Desenvolvemos uma cola cirúrgica que pode ser usada em procedimentos mais abertos e invasivos e selar tecidos dinâmicos como vasos sanguíneos e o coração, além dos intestinos," disse o Dr. Jeffrey Karp. O polímero adesivo, que repele a água e o sangue, foi inspirado na habilidade das lesmas de aderir a superfícies usando secreções viscosas que funcionam mesmo com umidade. Segundo Karp, ainda são necessários mais estudos para garantir a segurança do uso da supercola em humanos, mas os resultados até o momento sugerem que a cola cirúrgica também poderá ser usada para fechar rapidamente feridas abertas. Outras tentativas de criar "remendos" para reparar o coração incluem tecidos artificiais, suportes artificiais biocompatíveis e até fios de ouro. BBC

USP desenvolve material para substituir amianto

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) desenvolveram um novo material com as mesmas qualidades e o mesmo desempenho do amianto para a fabricação de telhas. O composto reúne quantidade reduzida de fibras sintéticas - que têm preço elevado no mercado - e foi baseado na estrutura de materiais naturais como o bambu. O amianto é considerado cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na mesma classe que o benzeno, formol e tabaco. Mais de 50 países já proibiram a substância, que ainda é extraída e usada no Brasil. "Faz tempo que a indústria brasileira procura uma telha para substituir a de amianto. Fibras vegetais foram testadas, mas elas não têm durabilidade muito boa. As fibras sintéticas foram empregadas, mas com desempenho inferior às de amianto. Desenvolvemos algo que reduz o emprego de fibras sintéticas sem alterar o desempenho da telha", disse o pesquisador Cleber Marcos Ribeiro Dias, autor do estudo sobre o emprego das fibras. "Nós fizemos testes do novo composto em escala industrial e já pedimos uma patente com participação de duas empresas, uma de Leme (SP) e outra de Criciúma, que nos ajudaram na pesquisa. Os testes mostraram viabilidade da produção industrial", disse o pesquisador. Agência Brasil

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Despoluição demora, e atletas velejam em meio ao lixo na Guanabara

Enquanto brasileiros batalham seus lugares na equipe olímpica na Copa Brasil de Vela, realizada nesta semana em Niterói, velejadores estrangeiros buscam dominar as águas da Baía de Guanabara – e aprender a driblar seus obstáculos. As equipes olímpicas internacionais estão buscando se acostumar com uma realidade que seus adversários locais já conhecem de longa data: o alto índice de poluição da sede das competições de vela em 2016. Muitos têm ficado chocados com a quantidade de objetos flutuantes na água – de eletrodomésticos a animais mortos – e temem não só pelas competições, como também por sua saúde. O britânico Alain Sign ficou doente logo antes do Natal. “Pode ter sido porque o barco virou, ou pode ter sido algo que eu comi. Mas acho que ninguém quer beber dessa água”, diz ele antes de uma das regatas do evento, realizada na Praia de São Fransico, em Niterói. Ao fundo está o belo cenário das montanhas do Rio, a água da baía refletindo o céu azul. Mas dali a pouco Sign entra com o barco na água até a cintura, que quebra em ondas marrons cheias de sacos plásticos e deixa pedaços de lixo na areia. O governo do Rio se comprometeu a alcançar 80% de saneamento do esgoto que desagua na baía até 2016. As autoridades prometem entregar ainda obras importantes e garantem a competição de vela ocorrerá sem problemas na baia durante a Olimpíada. Mas, a 30 meses do evento, muitos estão céticos quanto à promessa. Hoje, apenas 34% do esgoto produzido na região é tratado. Esgoto e vitaminas Dos 18 mil litros de esgoto produzidos por segundo pela população, 12 mil são lançados in natura na baía e no mar. A medalhista Isabel Swan – que na candidatura do Rio para a Olimpíada falou de seu amor pela baía, onde aprendeu a velejar – vê com bons olhos os esforços implementados, mas considera a meta “bem ousada”. “A promessa de 80% é difícil de ser alcançada. Mas temos que cobrar agora, porque é a grande chance que temos. Sem a Olimpíada, mudar a situação da baía vai ser impossível.” Dylan Fletcher, dupla de Alain Sign no 49er, diz que a equipe britânica foi vacinada contra hepatite A e reforçou o consumo de vitaminas para evitar doenças. “Estamos fazendo o maior esforço possível para não engolir água e não ficar doente. Na dúvida, tomamos uma Coca-Cola depois do treino. Pode ser um mito, mas dizem que ajuda,” diz. Para ele, o maior problema são objetos flutuantes – os grandes perigam rasgar o casco do barco, e um pequeno saco plástico no leme pode acabar com uma regata. “Essa é a parte mais frustrante – quando você vê que está realmente perdendo posições. A gente tenta desviar, mas às vezes não consegue.” Paliativas? Quatro anos após o anúncio da Olimpíada no Rio, o governo estadual anunciou no ano passado o plano Guanabara Limpa. São 12 ações para melhorar a qualidade das águas na baía até 2016. O plano inclui a instalação de sete unidades de tratamento de rio – para tratar o esgoto e conter o lixo antes de os rios desembocarem na baía -, a ampliação de “ecobarreiras” para bloquear lixo flutuante nos rios e os chamados ecoboats, dez barcos para “pescar” lixo da água, que entraram em operação nesta semana. Muitos consideram as medidas paliativas e dizem que não atacam a raiz do problema, cobrando a ampliação da rede de coleta e tratamento de esgoto. O biólogo Mario Moscatelli concorda que as unidades de tratamento de rio podem melhorar a qualidade das águas na baía no curto prazo. Mas se pergunta: por que tanta demora? “Das sete unidades de tratamento de rio prometidas, só uma foi instalada, e isso a 30 meses dos jogos. O que eu não consigo entender é como as autoridades, sabendo da data dos jogos e conhecendo o passivo ambiental na baía, estão atrasando tanto a implementação de medidas já selecionadas.” De pé sobre uma montanha de lixo no manguezal que busca recuperar no Canal do Fundão – próximo ao Complexo da Maré, onde milhares de famílias vivem sem saneamento – Moscatelli diz que o cenário resume a situação da baía. “Todos os rios que chegam à baía estão mortos e foram transformados em grandes valões de lixo e esgoto. A carga poluente é lançada na baía e vem para as áreas de mangue.” “Depois de 20 anos e de ter recebido US$ 1,2 bilhão, a baía continua uma grande latrina e uma grande lata de lixo”, lamenta. O biólogo se refere aos investimentos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, anunciados durante a ECO-92. Cronograma O Rio recebeu recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Japão, mas os investimentos surtiram poucos efeitos, com grandes projetos deixados pela metade. Gelson Serva, subsecretário de Economia Verde da secretaria estadual do Ambiente, diz que o governo vai concluir obras importantes, como a estação de tratamento de esgoto da Alegria – que hoje opera muito abaixo de sua capacidade pela falta de troncos coletores para levar o esgoto até lá. Ele diz que o governo precisou de tempo para planejar as ações e recuperar sua capacidade de investimento. “Agora estamos executando as ações. Temos uma carteira de projetos de R$ 2 bilhões em obras de saneamento, e as licitações estão nas ruas”, diz. O cronograma de grande parte das obras ainda é incerto. As seis unidades de tratamento de rio previstas até 2016 ainda estão sendo licitadas. Serva diz que o governo tem um compromisso com a população e está “mudando o jogo”. Mas uma reportagem publicada ontem no jornal O Globo mostrou que o governo do estado gastou apenas 17% dos recursos previstos em seu orçamento para saneamento no ano passado. De acordo com Serva, as provas olímpicas poderão acontecer sem problemas na baía. Medidas específicas sendo tomadas para reduzir a quantidade de lixo flutuante na água. Mas impedir que o esgoto da cidade chegue aos rios e desague na Guanabara ainda parece um sonho distante, mesmo com as Olimpíadas se aproximando no horizonte. http://noticias.ambientebrasil.com.br/

sábado, 11 de janeiro de 2014

10 passos para agir bem com a água

Mudando alguns hábitos você pode ajudar a preservar a água do mundo A água, esse importante patrimônio da humanidade, encanta e preocupa. O encanto surge ao se contemplar esse universo maravilhoso, o das águas doces e salgadas. Quanto à preocupação, ela aparece logo em seguida. Porque algo precisa ser feito, a mostra alerta a todo o momento, para preservar esse patrimônio prestes a ser destruído. É urgente alterar hábitos, hábitos simples e perigosos, eles que já estão integrados em nosso dia a dia. E fazer com que todos, de pais a amigos e conhecidos (professores incluídos), sigam o exemplo. Por onde começar? Eis algumas dicas: 1. Vou fechar a torneira durante a ducha, enquanto passo o sabonete no corpo 2. Vou agir igual, quando escovo os dentes - não faz sentido algum ficar vendo a água escorrer durante a escovação 3. Vou jogar o lixo no lixo - e não dentro da privada, evitando assim o uso da descarga 4. Vou checar se a descarga está regulada, jeito simples de economizar água 5. Vou parar de jogar na rua o que tenho nas mãos: basta chover para que esse lixo seja levado pela água para o bueiro, onde o lixo ganha volume e provoca alagamento 6. Vou conversar com a vizinha e tenta convencê-la sobre o desperdício que é lavar a calçada. Porque a calçada não precisa de água, mas o planeta sim 7. Vou mostrar ao meu pai que o carro pode ser lavado com a medida de água de um balde, o que evita usar a mangueira livremente 8. Vou sugerir à minha mãe desviar a água da máquina de lavar para o tanque e, com ela, lavar o quintal 9. Também vou mostrar para ela que a água usada para lavar frutas e legumes serve depois para molhar as plantas 10. Vou mudar essa história de evitar o desperdício só em casa. Água é um bem coletivo - seja onde for, se estou gastando à toa, o resultado será negativo para todos nós educarparacrescer

Intensidade dos raios ultravioleta chega a nível extremo no Brasil

O índice de radiação UV (ultravioleta) atinge nível extremo (o maior de todos) em diversas localidades do país, a partir desta quinta-feira (9) até a terça-feira (14), de acordo com previsão do Cptec/Inpe (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O Índice Ultravioleta (IUV) é uma medida da intensidade da radiação, relevante aos efeitos sobre a pele humana, incidente sobre a superfície da Terra. O IUV representa o valor máximo diário da radiação ultravioleta. Isto é, no período referente ao meio-dia solar, o horário de máxima intensidade de radiação solar. Como a cobertura de nuvens é algo muito dinâmico e variável, o IUV é sempre apresentado para uma condição de céu claro. Isto é, para ausência de nuvens que, na maioria dos casos, representa a máxima intensidade de radiação. A partir do nível 11 é considerado extremo. No Rio de Janeiro, até sexta (10), o índice será 13, mas subirá para 14 nos próximos dias. Nesta quarta-feira (8), o IUV era moderado, nível 4, com nuvens, as 15h30. A temperatura marcada era de 35ºC, com previsão de dias um pouco menos quentes, com máxima de 34ºC. Em São Paulo capital, Florianópolis e Belo Horizonte, o nível de radiação UV deve chegar ao ponto máximo de 14 já na sexta-feira (10). As temperaturas devem ficar entre 21º e 32ºC em SP. No Guarujá, o índice fica em 13 até domingo (12), quando sobe para 14, de acordo com a previsão do Inpe. Em Curitiba, o nível se mantém em 14 de quinta (9) a terça (14). Já em Palmas, o índice deve ficar em 13 nesta quinta (9), mas a previsão é de queda para 12 nos dias seguintes. Em Belém e Fortaleza, a previsão é de nível de radiação 12 para toda a próxima semana. Perigos – Os raios UV podem causar sérios danos à saúde, como o envelhecimento precoce, o câncer de pele, problemas oculares e até mesmo alterações no sistema imunológico. Eles são responsáveis também pelas queimaduras. Para nos protegermos dos efeitos nocivos dos raios UV devemos tomar alguns cuidados. Um deles é evitar se expor ao sol entre dez da manhã e três da tarde, horário em que o sol é mais forte. Além disso, ao praticar atividades ao ar livre ou ao passar o dia na praia, devemos nos proteger com chapéus, óculos de sol e aplicar o protetor solar. O protetor solar atua como uma barreira química que absorve os raios UV, impedindo que eles danifiquem a pele. Protetores que formam uma camada opaca sobre o corpo atuam também como uma barreira física, refletindo a luz solar. Concentração de Ozônio – O ozônio é o principal responsável pela absorção de radiação UV. A concentração de ozônio, medida em unidades Dobson (DU), integrada na coluna atmosférica é utilizada como parâmetro de entrada no modelo computacional utilizado para o cálculo do IUV. Essa concentração de ozônio é distribuída verticalmente de acordo com perfis atmosféricos teóricos relativos a posição geográfica da localidade. A concentração máxima de ozônio localiza-se na estratosfera (entre 20 e 40km de altitude). Hora do dia – Cerca de 20 a 30% da quantidade de energia UV no verão chega a Terra em torno do meio-dia (entre 11h e 13h), e cerca de 70 a 80% entre as 9h e 15h. A presença de nuvens e aerossóis (partículas em suspensão na atmosfera) atenua a quantidade de radiação UV em superfície. Porém, parte dessa radiação não é absorvida ou refletida por esses elementos e atinge a superfície terrestre. Deste modo, dias nublados também podem oferecer perigo, principalmente para as pessoas de pele sensível. A areia pode refletir até 30% da radiação ultravioleta que incide numa superfície, enquanto na neve fresca essa reflexão pode chegar a mais de 80%. Superfícies urbanas apresentam reflexão média entre 3 a 5%. (Fonte: UOL) Sol é Bom, Mas Também Pode Fazer Mal "Todo muito precisa tomar sol, mas exagerar na dose pode fazer muito mal. O sol pode ter efeito benéfico para os ossos como fonte de vitamina D, e ao mesmo tempo, ser um vilão tendo relação direta com a ocorrência de câncer de pele". Câncer de Pele e Cuidados Durante Exposição ao Sol O câncer de pele é bastante encontrado em países tropicais, como o Brasil, e os raios solares em horários inadequados podem trazer um risco maior de câncer, especialmente o mais temível deles, o melanoma. O melanoma é relativamente raro, mas é o mais perigoso entre os tipos de câncer de pele. A seguir, os principais conselhos para você aproveitar a praia ou piscina de maneira correta: 1. Horário. O melhor horário para exposição ao sol vai até às 10 horas (11 horas no horário de verão), ou após as 4 da tarde (5 horas no horário de verão). 2. Bebês até 6 meses não devem se expor ao sol, ficando sempre na sombra. 3. Crianças com mais de 6 meses devem se proteger com chapéu e usar protetor solar com fator de proteção número 15. Não esquecer de reaplicar o protetor solar a cada 2 horas ou após se molhar. 4. Pessoas de pele clara devem ter ainda mais cuidado - o fator de proteção solar usado deve ser maior do que 15. 5. Mesmo nos dias nublados a pele é atingida pelos raios solares - não deixe de usar o filtro solar. 6. Peles mais morenas tem maior resistência ao sol - um filtro solar com fator mais baixo pode ser usado, mas os horários perigosos devem ser evitados, principalmente nas crianças. 7. Outras atividades ao ar livre tornam também necessário o uso do filtro solar, como andar de bicicleta, caminhar, etc. Informações sobre Filtro Solar O fator de proteção solar (FPS) - o número que indica o nível de proteção que um produto oferece contra os raios ultravioletas - tem sido muito útil na orientação da população em geral sobre que tipo de protetor solar utilizar. Entretanto, a maioria das pessoas acredita que o número do fator de proteção indica quanto tempo mais ela pode se expor ao sol para se queimar quando estão usando o protetor solar, além do tempo possível quando não estão protegidas. Na verdade, o número indica a divisão entre a menor quantidade de raios ultravioleta que torna a pele protegida levemente avermelhada, e a quantidade de radiação necessária para produzir vermelhidão intensa em pele desprotegida. Esta diferença entre a expectativa de quanto tempo a pessoa pode se expor ao sol, e a realidade pode ser um fator que contribui para a razão do uso de protetores solares estar ligado como fator de risco para o melanoma. Isto significa que a pessoa, por se considerar totalmente protegida, acaba por se descuidar e ficar mais tempo exposta ao sol. Trabalhos científicos têm ainda demonstrado que as pessoas costumam usar muito menor quantidade de protetor solar do que é recomendado pelos fabricantes, e que nem sempre todas as regiões do corpo recebem o produto, sendo algumas áreas esquecidas. Copyright © Bibliomed, Inc.

Concessionárias deverão fornecer mudas de árvores a cada carro vendido

As concessionárias de automóveis novos devem doar ao município uma muda de árvore para cada carro vendido, afim de compensar as emissões de gás carbônico (CO2). As empresas terão que enviar um relatório descritivo anual à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) comprovando a conduta. A Lei nº 5.285 foi sancionada nesta quarta-feira (8) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande). O plantio poderá ser executado pela própria concessionária ou por meio de cooperativas, organizações não governamentais ou empresas privadas com atuação na área ambiental. As empresas têm o prazo de um ano para plantar as árvores em áreas de preservação permanente, reservas florestais, parques, jardins, corredores ecológicos ou outro ambiente ecologicamente apropriado ao plantio, que deve ser acompanhado por biólogo e seguir o disposto no Plano Diretor de Arborização Urbana de Campo Grande. Caso as empresas não cumpram as disposições da lei serão punidas com multa equivalente a 0,5% do valor de cada veículo vendido que não foi compensado com o plantio de árvore. A arrecadação proveniente das multas é de responsabilidade da Semadur. * Publicado originalmente no site Consumidor Consciente e retirado do site Mercado Ético.

Doenças crônicas nasceram do descompasso entre vida moderna e nossa evolução

O bioantropólogo Dan Lieberman, da Universidade Harvard, resolve concluir a entrevista sobre seu novo livro, “The Story of the Human Body” (“A História do Corpo Humano”), com uma espécie de grito de guerra: “A medicina precisa da teoria da evolução!”, brada ele. De fato, o slogan é um excelente resumo da obra, cujo subtítulo, não por acaso, é “Evolução, Saúde e Doença”. Para o cientista, a principal razão pela qual os Homo sapiens de hoje, em especial os moradores de países ricos, sofrem cada vez mais de doenças relativamente fáceis de prevenir –obesidade, problemas cardiovasculares, diabetes e certos tipos de câncer, entre outras mazelas– é o fato de muitos médicos ignorarem a evolução humana. Um exemplo simples: muita gente sabe que nossos ancestrais pré-históricos, assim como nossos “primos” de hoje, os chimpanzés, tinham uma dieta obtida a partir da caça e da coleta, com grande quantidade de frutas. A questão, porém, é que a mais açucarada dessas frutas silvestres era tão doce quanto uma cenoura, o que mostra como é absurda a quantidade de açúcar disponível na mesa dos humanos de hoje. Sem essa perspectiva, argumenta Lieberman, a medicina preventiva vira algo impossível. “Como você pode tratar uma doença de fato sem entender suas causas? Afinal, tratar os sintomas de uma doença deveria ser apenas a segunda opção, caso você não consiga tratar as causas”, diz ele. Detalhes como esse povoam as páginas do livro, que começa com cara de curso básico sobre a evolução da nossa espécie (dos pré-australopitecos, há 6 milhões de anos, à invenção da agricultura, meros dez milênios atrás), mas logo engrena para mostrar os elos entre as raízes da nossa anatomia e fisiologia e os problemas de saúde do mundo moderno. O bioantropólogo de Harvard mostra, por exemplo, que os níveis atuais de atividade física no mundo desenvolvido são uma completa aberração perto do padrão dos caçadores-coletores (que percorrem uma média de dez quilômetros por dia, quase sempre carregando comida, ferramentas e crianças). Não por acaso, uma de suas ideias mais ousadas é a de que a anatomia humana foi forjada para correr por longas distâncias em velocidade moderada. Uma das “armas secretas” dessa vocação humana para a vida de fundista seriam os músculos das nádegas, os mais volumosos do corpo, cuja especialidade é estabilizar a passada e impedir que o tronco penda para a frente durante a corrida. (Caso você esteja se perguntando, chimpanzés têm um bumbum que, perto do nosso, é diminuto). Lieberman diz que há evidências de que muitos dos problemas ortopédicos crônicos do homem moderno têm a ver não só com o sedentarismo como também com o excesso de conforto –calçados confortáveis demais ou colchões macios agravariam o problema, já que a musculatura não se desenvolve como deveria para aguentar impactos de longo prazo. Uma das soluções propostas por ele: acostumar-se a correr descalço. Sorriso esburacado – Um fenômeno parecido – a abundância de comida molenga, excessivamente processada, pobre em fibras e rica em açúcar– estaria por trás da atual epidemia de aparelhos ortodônticos e cáries (caçadores-coletores, mesmo os mais idosos, raramente têm dentes cariados). Levando em conta a propensão humana quase universal para devorar o máximo de comida calórica possível, Lieberman diz que é preciso admitir que apenas campanhas educacionais não vão resolver a atual epidemia de obesidade e doenças relacionados – o desejo natural de se empanturrar é simplesmente forte demais, afirma o bioantropólogo. “O fato é que a maioria de nós precisa de ajuda para agir a favor de seus próprios interesses, e precisamos de ajuda para evitar que outros nos seduzam ou enganem”, diz. “Então é claro que precisamos de regulamentação governamental nessa área. Acho que o tabaco é um bom modelo. Antes que o governo dos EUA agisse nessa área, 50% dos americanos fumavam. Com regulação, esse número caiu para 20%.” (Fonte: Folha.com)

Em 2014, haverá conferências importantes para os rumos da agenda ambiental

A comunidade internacional vai lidar, no ano que vem, com duas negociações importantes para definir os rumos da agenda ambiental. A 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-20) está prevista para ocorrer entre 1º e 12 de dezembro de 2014, em Lima, no Peru. Além da COP-20 haverá a 12ª reunião de cúpula da Convenção de Diversidade Biológica (CDB), que será sediada pela Coreia do Sul entre 6 e 17 de outubro de 2014. Vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU), os encontros reúnem delegações de centenas de países para firmar acordos de combate ao aquecimento global e de proteção da fauna e da flora. “Deve haver convergência entre os temas. As duas conferências não podem ficar isoladas”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Para ela, é necessário maior esforço para confluência entre as negociações sobre clima e sobre a conservação da biodiversidade. “Temos o time do clima e o da biodiversidade, que fazem esforços imensos, mas nunca vi uma manifestação dos dois nas convenções internacionais. Precisamos reorganizar o processo político de diálogo entre as partes, o que envolve o setor privado, os jovens, as entidades ambientalistas, as entidades sociais e os trabalhadores”, disse. Na avaliação da ministra, a próxima COP em Lima, no Peru, que “será a primeira na Amazônia”, tem que resgatar a unidade que os países em desenvolvimento conseguiram na COP-19, em Varsóvia. Para contribuir na construção de um acordo mais amplo, Izabella disse que o Brasil já está em entendimento com a presidência da COP em Lima para ajudar a construir não só um engajamento dos países, mas de toda a sociedade em um diálogo, já com vistas a Paris que sediará a conferência em 2015, quando deve ser estabelecido um novo acordo global climático que entrará em vigor em 2020. Segundo Izabella o desafio é resgatar o espírito de confiança no ambiente de negociação nas próximas COPs. A aprovação de mecanismos capazes de diminuir as emissões de poluentes na atmosfera é um dos principais gargalos das negociações internacionais de mudanças climáticas. Para a ministra, é preciso mudar o foco das reuniões de cúpula. “Chegou a hora de parar de olhar somente para o problema e procurar as soluções. São debates acirrados em busca de um entendimento e o estresse político entre os países precisa ser eliminado”, destacou. O subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, José Antonio Marcondes de Carvalho, negociador-chefe brasileiro nas conferências internacionais sobre temas ambientais disse que o desafio da COP em Lima é conquistar a confiança dos países desenvolvidos. “O Brasil continua com sua determinação inabalável de avançar nesses processos [de negociação climática]”, ressaltou. (Fonte: Agência Brasil)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tem cocaína na Coca-Cola?

Não há nada que se compare com o frescor gaseificado e cheio de açúcar que acompanha um copo de Coca-Cola. Mas você sabia que o refrigerante, apropriadamente conhecido como “Coca”, dava um barato ainda maior no passado? Até 1903, a bebida mundialmente famosa continha uma quantidade significativa de cocaína. Embora a empresa negue oficialmente a presença de cocaína em qualquer um de seus produtos – tanto no passado quanto no presente -, existem diversas evidências históricas que sugerem que a receita original da Coca-Cola realmente possuía cocaína em sua fórmula. A Coca-Cola foi criada em 1886 pelo farmacêutico John Pemberton, que morava em Atlanta, nos Estados Unidos, berço da bebida. Pemberton criou o refrigerante baseando-se em um refresco francês muito popular na época, o vinho de coca, produzido a partir da mistura entre o extrato da folha de coca com o vinho Bordeaux. Para evitar toda a dor de cabeça que se tem ao lidar com as regras de venda de bebidas, o farmacêutico resolveu misturar o extrato da folha de coca com uma calda de açúcar em vez do vinho. Ele também acrescentou o extrato de noz-de-cola, dando à Coca-Cola a segunda metade de seu nome, bem como uma sacudida extra de cafeína. Enquanto a ideia de bebidas com cocaína em sua composição pode parecer absurda aos leitores de hoje em dia, estes produtos eram bastante comuns no final do século 19. De fato, a cocaína era legal nos Estados Unidos até 1914 - época em que a substância tinha uma variedade (por vezes questionáveis​​) de usos médicos. Acreditava-se que cocaína em pó, pílulas e tônicos de cocaína tinham o poder de curar uma diversidade de doenças, desde dores de cabeça e fadiga a constipação, náusea, asma e impotência. No entanto, alguns anos mais tarde – em especial, em 1903 – a maré da opinião pública se voltou contra a droga amplamente usada e abusada, levando o então gerente da Coca-Cola, Asa Griggs Candler, a remover quase todo o percentual de cocaína utilizada nas bebidas da empresa. Porém, a Coca-Cola não se tornaria completamente livre da cocaína até 1929, quando os cientistas aperfeiçoaram o processo de remoção de todos os elementos psicoativos do extrato da folha de coca. Apesar de a receita moderna da bebida ser um segredo da empresa altamente valorizado e guardado a sete chaves, há razão para se acreditar que a bebida ainda contenha o mesmo extrato de folha de coca não narcótico de 1929. Segundo o jornal estadunidense “The New York Times”, a Companhia Coca-Cola continuou importando folhas de coca do Peru e da Bolívia até pelo menos o final da década de 1980. A verdade por trás da fórmula secreta de Coca-Cola Todo mundo adora segredos, mistérios e intrigas. Não é à toa que livros de mistério e filmes são tão populares, e seriados como “Arquivo X” e “Lost” tenham tanta audiência. O apelo comercial de um bom mistério – verdadeiro ou inventado – não é deixado pra trás pela publicidade. Várias marcas famosas se utilizam do segredo de seus ingredientes secretos para enfatizar a qualidade e singularidade dos seus produtos. A Coca-Cola tem uma das receitas mais secretas do mundo. Seus anúncios antigos afirmavam que apenas dois homens conheciam a lista completa dos ingredientes, e que se esse segredo se perdesse algum dia o tecido do espaço-tempo se rasgaria e o universo explodiria. Curiosamente, a Coca-Cola original não é nem mais produzida e comercializada. O que nós tomamos atualmente é a Coca-Cola “nova”, que foi rebatizada. Mas hoje em dia existe mesmo essa coisa de “ingrediente secreto”? Afinal, nas últimas décadas, os consumidores passaram a ter cada vez mais informações sobre os produtos que comem, desde informações nutricionais até informações sobre ingredientes que podem causar alergias. Além disso, análises laboratoriais acompanham a evolução dos tempos. Talvez quando a Coca-Cola foi fundada, em 1892, não havia meios de determinar quais eram os ingredientes secretos em um produto. Hoje em dia, qualquer laboratório que valha a química que usa pode descobrir quais produtos químicos e ingredientes aparecem em quais quantidades em uma amostra de produto. É análise de alimentos, nada tão difícil quanto lançar um foguete. No livro “Big Secrets” (“Grandes Segredos”, em tradução livre – sem edição brasileira), William Poundstone revela os ingredientes “secretos” de vários produtos, e a fórmula da coca-cola pode ser encontrada na página 43. Ela inclui extrato de baunilha, óleos cítricos e flavorizantes de suco de limão. Não existe cocaína na coca-cola, e tecnicamente nunca existiu: na realidade, ela utilizava as folhas da coca, que não é a mesma coisa que a cocaína, um derivado modificado das folhas. Há muitos séculos as populações de países de alta altitude da América do Sul mastigam as folhas de coca pelas suas propriedades anestésicas e estimulantes – importantes para a vida em altitudes muito grandes. Mas, assim como mastigar folhas de coca não é consumir cocaína, tomar coca-cola também não é. 5 razões para não tomar refrigerante Mesmo que você não saiba por que, com certeza sabe que refrigerante não faz bem. Desprovido de qualquer valor nutricional, essa água açucarada engorda, leva à obesidade e diabetes, além de outros vários males que não recebem muita atenção nas discussões de saúde, mas que listamos aqui na esperança de lhe recrutar para o lado do suco natural, chá e outras bebidas mais saudáveis. Confira: 1 – Envelhecimento acelerado Normal, diet, light ou zero, todos os refrigerantes de cola contêm fosfato, ou ácido fosfórico, um ácido que dá ao refri seu sabor típico e aumenta seu tempo de prateleira. Embora ele exista em muitos alimentos integrais, tais como carne, leite e nozes, ácido fosfórico em excesso pode levar a problemas cardíacos e renais, perda muscular e osteoporose, e um estudo sugere que poderia até provocar envelhecimento acelerado. O estudo, publicado em 2010, descobriu que os níveis de fosfato encontrados em refrigerantes fizeram com que ratos de laboratório morressem cinco semanas mais cedo do que os ratos cujas dietas tinham níveis normais de fosfato. Pior ainda é a tendência preocupante dos fabricantes de refrigerantes de aumentar os níveis de ácido fosfórico em seus produtos ao longo das últimas décadas. 2 – Pode causar câncer Em 2011, a instituição sem fins lucrativos Centro de Ciência para o Interesse Público solicitou à Administração de Alimentos e Drogas americana para proibir o corante artificial caramelo usado para fazer Coca-Cola, Pepsi e outros refrigerantes marrons. O motivo: dois contaminantes na coloração, 2-metilimidazole e 4-metilimidazol, que já causaram câncer em animais. De acordo com uma lista proposta na Califórnia de 65 de produtos químicos conhecidos por causar câncer, apenas 16 microgramas por pessoa por dia de 4-metilimidazol é o suficiente para representar uma ameaça de câncer. Qualquer refrigerante (normal, diet, zero) contêm 200 microgramas por 570 ml. 3 – Dentes podres e problemas neurológicos Nos EUA, dentistas até deram o nome de um refrigerante (boca “Mountain Dew”) para uma condição que eles veem em um monte de crianças que o bebem demais. Elas acabam com a boca cheia de cáries causadas por níveis de açúcar em excesso. Além disso, um ingrediente chamado óleo vegetal bromado, ou BVO, adicionado para evitar que o aroma separe-se da bebida, é um produto químico industrial usado como retardador de chamas em plásticos. Também encontrado em outros refrigerantes e bebidas esportivas baseados em citros, o produto químico tem sido conhecido por causar distúrbios de memória e perda nervosa quando consumido em grandes quantidades. Os pesquisadores também suspeitam que o produto químico se acumula na gordura do corpo, podendo causar problemas de comportamento, infertilidade e lesões nos músculos do coração ao longo do tempo. 4 – Latas tóxicas Não é apenas o refrigerante que causa problemas. Quase todas as latas de alumínio de refrigerante são revestidas com uma resina chamada bisfenol A (BPA), usada para impedir os ácidos do refrigerante de reagir com o metal. BPA é conhecida por interferir com os hormônios e tem sido associada a tudo, de infertilidade a obesidade a algumas formas de câncer. E, enquanto a Pepsi e a Coca-Cola estão atualmente envolvidas em uma batalha para ver qual empresa pode ser a primeira a desenvolver uma garrafa de plástico 100% baseada em plantas que elas estão divulgando como “sem BPA”, nenhuma empresa está disposta a retirar a substância das latas de alumínio. 5 – Poluição da água Os adoçantes artificiais utilizados em refrigerantes diet não quebram em nossos corpos, e nem o tratamento de águas residuais consegue separá-los antes que entrem nos cursos de água. Em 2009, cientistas suíços testaram amostras de água tratada, rios e lagos na Suíça e detectaram níveis de acessulfame K, sucralose e sacarina em todos, substâncias usadas em refrigerantes diet. Um teste recente em abastecimentos de água municipal nos EUA também revelou a presença de sucralose em todos os 19 estudados. Não está claro ainda o que esses níveis encontrados podem fazer com as pessoas, mas pesquisas anteriores concluíram que a sucralose em rios e lagos interfere com os hábitos de alimentação de alguns organismos.[MSN] Bônus Há indicações de que refrigerantes de cola podem prejudicar o esperma e até causar paralisia muscular. Além de potencialmente causarem tantos problemas, podem ser viciantes. [Live Science]

Estudo sugere que no futuro a água desaparecerá da Terra

Um fenômeno muito lento, o aumento da luminosidade do Sol, provocará a evaporação dos oceanos e o desaparecimento da água na Terra dentro de um bilhão de anos, aproximadamente, prevê um estudo publicado nesta quarta-feira na revista científica Nature. Este modelo, concebido por uma equipe francesa do Laboratório de Meteorologia Dinâmica, reavalia estimativas anteriores que situavam esta transformação na escala “de centenas de milhões de anos”, destacou o Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS) em um comunicado. Esta evolução prevista do clima terrestre na escala de tempo geológica (da ordem de uma centena de milhões de anos) não tem vínculos com o aquecimento global provocado pelo homem. Neste caso, o responsável é o aumento da radiação solar. As temperaturas terrestres também deverão aumentar nas próximas centenas de milhões de anos, provocando uma intensificação do aquecimento global. Os oceanos começariam a ferver e o efeito estufa seria agravado. Segundo estimativas dos cientistas, a oscilação deve ocorrer logo que o fluxo solar médio alcançar, em média, 375W/m2 contra os 341 W/m2 atuais, dentro de um bilhão de anos, aproximadamente. Alguns modelos anteriores tinham previsto que a Terra se tornaria um novo Vênus daqui a apenas 150 milhões de anos. Estes novos resultados permitem, além disso, indicar o valor da zona “habitável” em torno do Sol, segundo o CNRS. Eles indicam que um planeta pode se aproximar a menos de 0,95 unidade astronômica de uma estrela equivalente ao Sol atualmente antes de perder toda a sua água, sendo uma unidade astronômica a distância média entre a Terra e o Sol. (Fonte: Terra)

planos de saúde terão de cobrir exames para 29 doenças genéticas

Exames indicados para 29 doenças genéticas passarão a ser obrigatoriamente cobertos pelos planos de saúde. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou nesta quinta-feira (12) os critérios para indicação e uso de 22 procedimentos que servem para identificar ou avaliar as doenças, além de mensurar os riscos de o paciente vir a desenvolvê-las. Entre os exames incluídos estão os que identificam mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que determinam a presença da síndrome hereditária de câncer de mama e ovário. Esse exame ganhou notoriedade este ano por causa da atriz Angelina Jolie, que resolveu retirar as mamas para diminuir as chances de desenvolver câncer. Por meio desse exame, ela sabia que tinha uma chance aumentada de desenvolver a doença nas mamas. Os testes também devem beneficiar o diagnóstico e tratamento de doenças como hemofilia, mucopolissacaridose, osteogênese imperfeita e síndrome de Prader-Willi. Segundo a ANS, a cobertura de alguns procedimentos genéticos já era obrigatória, porém não havia diretrizes que definiam a utilização dessas tecnologias. As normas publicadas nesta quinta-feira fazem essa definição e ampliam a cobertura, incluindo exames mais complexos. Além disso, determinam que esse tipo de teste deve ser solicitado exclusivamente por um médico geneticista. Para a presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), Lavínia Schüler, a inclusão representa um avanço. “As doenças genéticas atingem praticamente 5% da população. O que acontece hoje é que, não havendo exames adequados, o diagnóstico demora e o tratamento também demora a iniciar, podendo haver sequelas em longo prazo.” Nem todos os exames que passarão a ser cobertos envolvem sequenciamento genético. Alguns são testes bioquímicos que analisam substâncias presentes na urina ou no sangue, por exemplo, que podem sinalizar alterações metabólicas presentes em algumas das doenças. Câncer – Além do teste para identificar as mutações que aumentam o risco do desenvolvimento do câncer de mama, as diretrizes também preveem um exame que detecta a síndrome de Lynch, que aumenta os riscos de câncer colorretal. A médica Júnea Caris de Oliveira, do Departamento de Oncogenética do Hospital de Câncer de Barretos, afirma que no caso de pessoas que desenvolvem essa doença com menos de 50 anos, é indicado que se faça um exame no tumor para determinar se o paciente pode carregar a mutação genética. Em caso positivo, a família também deve ser investigada. “No caso dos genes BRCA 1 e 2, quando a mulher detecta a mutação, ela optar por fazer uma mastectomia profilática para ter um risco menor de desenvolver câncer. Já no caso do câncer colorretal, o exame pode ajudar no aconselhamento genético da família e também determinar uma mudança no tratamento em relação à indicação de quimioterapia”, diz Júnea. Hemofilia – Os planos também terão de cobrir procedimentos para identificar a presença dos genes relacionados à hemofilia A e hemofilia B. A médica hematologista Margareth Ozelo, diretora da Divisão de Hemofilia do Hemocentro da Unicamp, explica que os testes não são utilizados para diagnóstico do próprio paciente, mas para aconselhamento genético no caso de pessoas que tenham histórico familiar da doença e que queiram ter filhos. “Quando a mulher tem o gene, caso ela tenha um menino, existe um risco de 50% de ele ter hemofilia. Com essa informação, ela pode decidir se deseja engravidar ou não”, diz Margareth. Caso a mulher decida por ter filhos, ela pode optar por uma fertilização in vitro na qual é possível selecionar embriões livres da doença. (Fonte: G1)

Brasileiro ajuda a criar LED 40 vezes mais eficiente

Efeito Auger Um pesquisador brasileiro ajudou a desvendar um mistério cuja solução poderá resultar em um tipo de LED 10 vezes mais eficiente. Os pontos quânticos - partículas nanométricas semicondutoras - são ótimos materiais para a fabricação de LEDs, produzindo um brilho intenso e emitindo luz em uma faixa bem estreita de comprimentos de onda, ou seja, de uma cor muito pura. No entanto, sua utilização esbarra na baixa eficiência elétrica, da ordem de apenas 0,1% a 0,2%. Essa ineficiência decorre de um fenômeno quântico denominado "efeito Auger", uma homenagem a um de seus descobridores, o físico francês Pierre Victor Auger (1899-1993). No átomo, quando um elétron próximo do núcleo é removido, deixando uma vaga na camada eletrônica que ocupava, outro elétron, mais distante (portanto, dotado de um nível maior de energia cinética), vem preencher o seu lugar. O efeito esperado é que a energia excedente desse segundo elétron seja liberada para o meio com a emissão de um fóton (a partícula associada à interação eletromagnética). Porém, pode ocorrer que a energia seja transmitida a um terceiro elétron, que, excitado, supera a atração eletromagnética do núcleo, sendo ejetado pelo átomo. Foi esse outro desfecho possível que recebeu o nome de "efeito Auger". Recombinação Auger Um fenômeno análogo - neste caso denominado "recombinação Auger" - pode ocorrer em um material semicondutor, quando, ao ocupar uma lacuna na rede atômica, em vez de liberar um fóton, o elétron transmite sua energia a outro elétron, que é ejetado pela rede. Transformando energia elétrica em energia cinética, em vez de energia luminosa, a "recombinação Auger" faz com que a eficiência dos LEDs seja extremamente baixa. O que foi descoberto agora pela equipe da qual participou o físico brasileiro Lázaro Padilha, da Unicamp, é que é possível controlar a influência da recombinação Auger. "Produzimos novos materiais que possibilitaram minimizar o efeito Auger. Com eles, foi possível obter LEDs até 10 vezes mais eficientes, com uma taxa de conversão de energia elétrica em energia luminosa da ordem de 2%", disse Padilha. "Mais do que isso: conseguimos limitar o processo de ionização do material. Essa ionização, que decorre da injeção de elétrons, acentua o efeito Auger. Quanto mais carga injetada, maior o efeito Auger. Criando uma barreira para controlar a injeção, chegamos a uma eficiência da ordem de 8%. Ou seja, aumentamos a eficiência em até 40 vezes, de 0,1% a 0,2% para 8%", acrescentou o pesquisador. Os resultados apontam para a possibilidade real de telas de resolução muito superior à atual, embora os pesquisadores tenham trabalhado com seleneto de cádmio (CdSe), um material que enfrenta problemas para chegar à escala industrial por ser altamente tóxico. Agência Fapesp

Pelo fim do analfabetismo ecológico

De um lado, um bilhão de pessoas passam fome no mundo; 200 milhões são crianças, 10 milhões morrem todos os anos de inanição. Do outro lado, quase 800 grupos corporativos mundiais dominam a cena da intermediação financeira e se regozijam com a “economia da acumulação e da devastação”. Enquanto não mudarmos a forma de produção, respeitando, prioritariamente, os ciclos da natureza, estaremos longe do bem-estar humano sustentável e, cada vez mais, nos aproximaremos de um crescimento fútil baseado no consumo material. Urge combater os excessos e entender que progresso humano não pode ser confundido com crescimento material. A crise ecológica ora vivenciada é decorrente de um sistema de economia que defende um crescimento ilimitado num mundo limitado. Se almejarmos obter para nós e para a geração vindoura uma vida mais tranquila num mundo mais desenvolvido, chegou a hora de pôr um fim na dilapidação que vem sofrendo o capital natural por conta das atividades econômicas exercerem forte pressão sobre os recursos da natureza. Para isso é fundamental disseminar uma espécie de “consciência ecológica”. Essa consciência ecológica passa por eliminar aquilo que Fritjof Capra chama de “analfabetismo ecológico”. Para tanto, desde a base, a partir dos primeiros anos de estudo, se faz necessário colocar nossos alunos em contato com os valores que norteiam às ciências ecológicas. Há de se desenvolver uma política nacional de educação ecológica, uma verdadeira ecoalfabetização que seja capaz de sensibilizar a todos para a importância que representa o sistema ecológico em nossas vidas. Nossos alunos iniciantes precisam ser ensinados que crescimento econômico deve vir em conjunto com a justiça social, sempre resguardando a proteção do meio ambiente. É necessário, portanto, desenvolver uma consciência de que a natureza é a provedora inicial das necessidades humanas. Parece que muitos se esquecem de que somos parte da natureza. Pela preservação, conservação e sustentação dos princípios ecológicos e, finalmente, pelo fim do “analfabetismo ecológico”. Atingindo isso, à vida saberá como nos agradecer. * Publicado originalmente no site Adital.

Qual a diferença entre leite de vaca, de cabra e de soja?

Tecnicamente, o leite é a secreção da glândula mamária nas fêmeas dos mamíferos, mas também chamamos de “leite” o produto obtido com alguns vegetais, como soja, arroz, batata, e amêndoas. Cada leite tem sua vantagem, e também suas desvantagens. Considerando os componentes mais importantes, como lactose, cálcio, colesterol e gordura, vejamos qual o ponto forte e fraco de cada tipo de leite. Leite de vaca O leite de vaca é o mais rico em lactose, um açúcar que é também o que o torna indigesto para quem tem intolerância à lactose. Na verdade, a capacidade de digerir lactose na idade adulta é resultado de uma mutação genética – os mamíferos em geral perdem esta capacidade ao deixar para trás a infância. Além da lactose, o leite de vaca é rico em gordura. Não é o mais rico em gordura, mas a gordura que tem é de cadeia longa, tornando-o de digestão mais difícil. Além disso, quando refrigerado, a gordura costuma separar-se do leite. Mas com opções de leite com 1%, 2% e sem gordura à disposição, não há por que evitar o leite de vaca por causa da gordura. Em relação a proteínas, o leite de vaca tem os maiores níveis, e também o que se chama de “proteína completa”, ou seja, tudo que o corpo precisa para absorver aminoácidos e transformá-los em proteínas. Além disso, ele tem os maiores níveis de cálcio, e a maior quantidade de vitamina B. No quesito sabor, há uma diferença que se percebe à medida que se retira a gordura. A textura também muda. Geralmente, o leite integral é considerado o mais saboroso. Leite de cabra O leite de cabra tem menos lactose que o leite de vaca, e muita gente o prefere, bem como seus subprodutos, como queijo e iogurte. Ele também tem mais gordura que o leite de vaca, mas é uma gordura de cadeia menor, mais fácil de digerir, o que também faz com que o leite não se separe da nata quando armazenado no refrigerador. Em se tratando de vitaminas, o leite de cabra é rico em vitamina A, em uma forma que pode ser aproveitada imediatamente, sem precisar passar por alguma transformação química para ser usada pelo corpo humano. O colesterol do leite de cabra também é mais baixo que o do leite de vaca, e em uma forma que também é mais prontamente absorvida pelo corpo humano. É também rico em cálcio, ficando logo atrás do leite de vaca neste quesito. Algumas pessoas não gostam do sabor do leite de cabra, uma mistura de doce com salgado, e do seu odor. Leite de soja Feito a partir dos grãos de soja, o leite de soja não tem lactose alguma, sendo o preferido por quem está procurando uma dieta livre desse açúcar ou de produtos de origem animal. Se você está procurando uma dieta livre de colesterol, o leite de soja também é a melhor escolha, já que ele contém isoflavonas, substâncias que ajudam a diminuir os níveis do mau colesterol, e virtualmente nenhum colesterol. Em relação às proteínas, embora o leite de soja seja rico nelas, também pode dificultar sua absorção e a de minerais pelo corpo humano. Não dá para se queixar do sabor do leite de soja. De fato, ele vem nos mais diversos gostos, com uma variedade capaz de agradar um grupo bem maior de pessoas. Outros leites Existem outras opções para quem está procurando por uma alternativa ao leite de origem animal. O leite de amêndoas está se tornando bastante popular, por conter a maioria das vitaminas do leite de origem animal, e menos proteínas. O leite de arroz, outra alternativa comum, tem falta de muitos nutrientes, proteínas e vitaminas. O leite de coco é mais rico em gorduras saturadas e calorias que o mais gordo dos leites animais, mas tem pouco colesterol. E existem também os leites enriquecidos, geralmente com a adição de cálcio, proteínas ou diferentes tipos de vitaminas. [KnowledgeNuts, NBCNews]

Em 2017, volume de lixo eletrônico no mundo aumentará 33%, alerta estudo

A produção de lixo eletrônico no mundo todo alcançou quase 49 milhões de toneladas métricas, sete quilos por cada habitante do planeta, no ano passado. Para 2017 o número aumentará 33%, de acordo com um estudo publicado neste domingo (15) pela Universidade das Nações Unidas (UNU). O estudo da iniciativa Step, uma aliança entre a Organização das Nações Unidas (ONU), empresas, governos e organizações não-governamentais (ONGs), é o primeiro mapa global de lixo eletrônico e mostra a quantidade de resíduos eletrônicos que cada país gera. Para 2017 o volume anual de lixo eletrônico será de 65,4 milhões de toneladas, o equivalente a 200 edifícios como o Empire State de Nova York ou 11 construções como a Grande Pirâmide de Giza. A pesquisa também assinalou que em 2012, China e Estados Unidos encabeçaram a lista dos países que mais fabricam equipamentos eletrônicos e elétricos (EEE), 11,1 e 10 milhões de toneladas, respectivamente, e os que geraram mais lixo eletrônico, 7,3 e 9,4 milhões. Quando se analisa a produção per capita, os Estados Unidos geraram 29,8 quilos de lixo eletrônico por pessoa, seis vezes mais que a China. Na América Latina, Brasil e México foram os países que geraram mais lixo eletrônico. O Brasil pôs no mercado em 2012 dois milhões de toneladas de EEE e gerou 1,4 milhão de toneladas de lixo eletrônico, 7 quilos por habitante. Já o México lançou 1,5 milhão de toneladas de eletrônicos e gerou 1 milhão de toneladas de lixo, o equivalente a 9 quilos por habitante. Ruediger Kuehr, secretário-executivo da Iniciativa Step e membro da Universidade das Nações Unidas, explicou que “embora haja cada vez mais iniciativas para enfrentar este problema, a velocidade de geração de lixo eletrônico supera as medidas adotadas”. E acrescentou que o mapa apresentado hoje ajudará a entender melhor o problema e desenvolver políticas mais efetivas. “Mesmo existindo muita informação sobre os impactos negativos ao meio ambiente e à saúde dos primitivos métodos de reciclagem de lixo eletrônico, a falta de dados globais dificulta entender a magnitude real do problema”. Além do mapa, a Step divulgou também um estudo realizado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e pelo Centro Nacional de Reciclagem de Eletrônica dos Estados Unidos que detalha a geração, a coleta e a exportação de alguns tipos de equipamentos eletrônicos de segunda mão. Os dados mostram que em 2010, os EUA geraram 258,2 milhões de unidades usadas de computadores, televisões e telefones celulares, e muitos deles foram para a América Latina. Dois terços das unidades utilizadas foram recolhidas para serem reutilizadas e recicladas e 8,5% dos aparatos foram exportados como unidades inteiras. Outros aparatos usados que também foram exportados dos Estados Unidos à América Latina foram artigos eletrônicos de grande tamanho, como TVs e monitores. E os principais destinos latino-americanos foram México, Venezuela e Paraguai. (Fonte: G1)