terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Meteorito que aniquilou dinossauros pode ter levado vida para o espaço
Um grupo de investigadores da Universidade da Pensilvânia apresentou à sociedade científica um artigo que atribui à Terra o papel de mãe de todo ser vivo que possa vir a ser encontrado em nosso sistema planetário. Segundo publica nesta segunda-feira o portal RT, os autores do trabalho partem da hipótese de que a vida fora do nosso planeta pode ter evoluído a partir de micróbios terrestres que teriam chegado a outros locais a bordo de pedras que teriam sido lançadas ao espaço pelos fortíssimos impactos de meteoritos contra a Terra.
De acordo com a publicação, o estudo está baseado na teoria da panspermia cósmica, surgida na Grécia provavelmente no século V a.C., e que acredita que formas de vida primitiva chegaram à Terra deste mesmo modo.
Agora, os autores fazem uma inversão nos papeis, e indicam que nosso planeta pode ter fornecido material orgânico para o espaço a partir de impactos poderosos, como o que acabou ocasionando a extinção dos dinossauros. A explosão do meteorito sobre a superfície terrestre pode ter lançado 70 milhões de toneladas de pedras ao espaço, algumas das quais podem ter ido parar em outros corpos celestes do sistema solar. (Fonte: Terra)
Leis para enfrentar mudanças climáticas já foram aprovadas em 15 estados
Leis que definem instrumentos para enfrentar as mudanças climáticas já foram aprovadas em 15 estados brasileiros, mostra a pesquisa O Desafio da Harmonização das Políticas Públicas de Mudanças Climáticas, divulgada na terça-feira (17). As normas antecipam muitos pontos que estão apenas em discussão no plano federal, explica a pesquisadora do Núcleo de Economia Socioambiental da Universidade de São Paulo (USP), Juliana Speranza. “Há avanços, tem uma massa crítica de como se pensa a política, até os instrumentos, marcos regulatórios que são criados, anteriores ao que o governo federal agora vem discutir”, enfatiza.
O levantamento foi lançado pelo Fórum Clima, que reúne o Fórum Amazônia Sustentável, o Instituto Ethos e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Entre os destaques da pesquisa estão os estados do Amazonas, Acre e de Mato Grosso, que implementaram sistemas de remuneração para evitar o desmatamento. O Amazonas tem em sua política de mudanças climáticas mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd+) e de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Em 2013, o estado de Mato Grosso criou o marco regulatório para o Redd+, enquanto o Acre tem, desde 2010, legislação que prevê o PSA.
“Nos estados da Amazônia, sempre houve uma preocupação com a questão do desmatamento, você tem a sociedade civil ali muito presente e é natural que tenham emergido iniciativas de políticas estaduais”, explica. A pesquisadora lembrou que um programa nacional de PSA, que remunere proprietários de terra por conservar recursos naturais, está sendo discutido no Senado.
As metas de redução de emissões de gases são realidade em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Paraíba. Na avaliação de Juliana, ações como essas acabam ajudando o país a diminuir os níveis de poluição. “Se os estados começam a ter uma agenda doméstica, que está gerenciando essas emissões e assumem um compromisso de que lá na frente, em uma data X, tem que reduzir tantos por cento [as emissões], isso ajuda na conta que a gente tem para o Brasil como um todo”, acrescentou.
Além dos efeitos concretos, as políticas estaduais trazem, segundo a pesquisadora, determinados temas para a pauta nacional e também funcionam como experiência prática das medidas. “Os estados têm um universo de instrumentos de políticas públicas que já ocorrem em seu território e agora, em nível federal, você acaba bebendo um pouco na fonte desses estados”.
A especialista chama a atenção, no entanto, para a necessidade de coordenação das ações para obter melhores resultados. “Existe a necessidade de que, em nível nacional, você coordene um pouco as iniciativas, senão cada estado vai fazer da sua forma e você vai ter problemas de harmonização de metodologia, de parâmetros”, destacou Juliana sobre a necessidade de padrões de medidas e normas. A pesquisadora destaca que a falta de uma regulação unificada pode complicar, por exemplo, a situação de empresas que atuam em mais de um estado. (Fonte: Agência Brasil)
Fogo selvagem pode ser disparado por picada de insetos
Pesquisadores brasileiros e norte-americanos podem estar perto de desvendar os mistérios de uma doença que permanece sem explicações até hoje.
O pênfigo foliáceo, doença popularmente conhecida como fogo selvagem, é uma enfermidade autoimune caracterizada pela formação de bolhas por todo o corpo que, ao se romperem, podem servir de porta de entrada para infecções e culminar em sepse se não tratadas adequadamente.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade da Carolina do Norte de Chapel Hill (EUA), estão analisando há anos os fatores ambientais, genéticos e imunológicos que levam ao desenvolvimento da doença.
Genética e picada de insetos
As bolhas características do fogo selvagem são resultado do ataque do sistema imunológico a uma proteína normalmente existente na camada mais superficial da epiderme denominada desmogleína 1, que ajuda a manter as células da pele aderidas umas às outras.
O ataque a uma proteína própria do organismo é resultado da desregulação do sistema imunológico e pode ser atribuído a inúmeros fatores.
Além de predisposição genética, o grupo de pesquisadores suspeita haver relação com a exposição constante a certos insetos hematófagos, particularmente o flebótomo (vetor da leishmaniose, popularmente conhecido como mosquito-palha), o triatomíneo (ou barbeiro, vetor da doença de Chagas) e o simulídeo (borrachudo).
"Temos evidências preliminares de que soros de pacientes com fogo selvagem reconhecem certas proteínas da glândula salivar de flebótomos. Se esse for realmente o caso, será a primeira doença autoimune em que podemos determinar a origem da autoimunidade," afirmou Luis Diaz, que faz parte do grupo ao lado de Valéria Aoki.
"Uma das hipóteses é que a saliva do inseto, na hora da picada, possa modificar a estrutura da desmogleína 1, facilitando, por exemplo, a exposição de parte da molécula normalmente oculta. Ou talvez possa injetar algo que mimetize a desmogleína 1, desencadeando a autoimunidade", explicou Aoki.
Como nem todos os moradores das áreas endêmicas da doença desenvolvem o pênfigo foliáceo mesmo estando expostos a picadas constantes dos insetos hematófagos, os pesquisadores acreditam haver também uma predisposição genética para o fogo selvagem.
Uma das possibilidades, de acordo com Valéria Aoki, é a existência de uma sequência específica de genes no sistema antígeno leucocitário humano que torna a pessoa predisposta.
De acordo com a pesquisadora, os resultados têm despertado grande interesse na comunidade científica, pois podem ajudar a entender o mecanismo de funcionamento de outras doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. "Talvez outras enfermidades possam sofrer influência de estímulos ambientais", disse Valéria.
Agência Fapesp
Epilepsia: O que é, como tratar e como evitar o preconceito
A epilepsia é um distúrbio neurológico crônico, sobre o qual há muito desconhecimento e muitos preconceitos.
Historicamente, as pessoas com essa doença enfrentam um estigma que ignora o que é realmente a epilepsia.
Nesta entrevista, o professor de neurologia William Tatum, da Clínica Mayo (EUA), esclarece os principais pontos sobre a doença e seus tratamentos.
O que é epilepsia?
Epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por crises espontâneas e recorrentes.
Os sintomas das crises epilépticas variam. E há vários tipos de crises epilépticas, entre as quais a convulsão. Algumas pessoas com epilepsia simplesmente mantêm um olhar fixo e vago por alguns segundos, durante uma crise. Outras perdem a consciência ou contorcem seus braços e pernas repetidamente.
Na maioria dos casos, a crise epiléptica é indolor.
A epilepsia é um distúrbio neurológico, no qual a atividade das células nervosas no cérebro é alterada, causando a crise.
Quais são as falácias e mitos sobre a epilepsia?
Algumas pessoas pensam, erroneamente, que é uma doença contagiosa ou infecciosa. Outro mito é o de que a pessoa pode engolir sua língua durante um ataque. Algumas pessoas pensam que todos os pacientes com epilepsia sofrem de deficiência mental.
A epilepsia pode ser causada por um dano cerebral?
Pode, especialmente em crianças. Há várias causas da epilepsia. Dois grupos etários comumente afetados pela epilepsia são as crianças muito novas, com menos de 1 ano de idade, e a população idosa.
Os bebês podem ser afetados por traumas de nascimento e vários defeitos metabólicos ou por malformações congênitas do cérebro. Entre os idosos, problemas como acidente vascular cerebral, demência e doença de Alzheimer são causas significativas de epilepsia.
Quais são as principais causas da epilepsia?
As causas variam desde infecções, tais como meningite e encefalite, a trauma pré-natal, trauma causado por acidentes, fatores genéticos, tumores cerebrais ou acidente vascular cerebral. Em pessoas com mais de 65 anos, acidente vascular cerebral e problemas vasculares são as principais causas.
A epilepsia é mais comum em homens ou mulheres?
A epilepsia afeta homens e mulheres da mesma forma.
Como a doença pode afetar a vida de uma pessoa? Quem sofre de epilepsia pode, por exemplo, dirigir um carro?
Normalmente, não é permitido a uma pessoa, com crises frequentes de epilepsia, dirigir um carro. Por causa da imprevisibilidade das crises, o risco é alto de acidente de carro, queda ou afogamento. Pessoas com epilepsia têm permissão para dirigir quando a situação está sob controle. Mas a duração do tempo considerado sem crises varia de estado para estado, de país para país.
Por que as pessoas têm vergonha dessa doença?
Os pacientes não sentem vergonha, no sentido estrito da palavra, mas podem ficar constrangidos se uma crise é observada por outras pessoas. Um paciente que sofre crises epilépticas nunca sabe realmente quando o próximo momento constrangedor vai acontecer ou onde. Ele pode estar participando de um evento público ou de uma reunião familiar e, de repente, acordar e ver muitas pessoas em torno dele, perguntado se está tudo bem. Isso pode ser embaraçoso para ele e pode levá-lo a se afastar de situações sociais e reduzir sua qualidade de vida.
Devido aos estigmas associados à falta de entendimento da epilepsia como um problema médico, as crises epilépticas podem provocar fortes reações emocionais em observadores.
Todos sabem que existem celebridades que se tornam defensoras de pacientes com algumas doenças. Por exemplo, Jerry Lewis defendeu os pacientes com distrofia muscular. Michael J. Fox defende os pacientes com doença de Parkinson.
No caso da epilepsia é um pouco diferente, por causa do medo gerado pelo desconhecido nos outros e o estigma associado à doença. É preciso promover mais a conscientização sobre a epilepsia, porque, afinal, ela é o terceiro distúrbio mais comum que vemos em neurologia.
Existem bons tratamentos disponíveis, novas opções com medicamentos e novos tipos de cirurgia, que podem melhorar a vida dos pacientes, quando os tratamentos contra as crises epilépticas se mostram ineficazes.
Quais são os novos tratamentos para epilepsia?
Os novos tratamentos incluem um número crescente de novos medicamentos, cirurgia do cérebro, incluindo cirurgia a laser, estimuladores neurológicos que detectam a atividade do cérebro e usam a atividade elétrica para interromper as crises, quando elas ocorrem, e dietas especiais que ajudam no tratamento da epilepsia.
A ablação a laser é o método cirúrgico menos invasivo para pacientes em que os medicamentos ou estimulação neurológica já não produzem efeitos ou para aqueles que estão prontos para a transição de um estimulador para maior independência. A ablação a laser pode ser vantajosa para pacientes que não tem outra opção. Ou para aqueles que já tentaram medicamentos diferentes e para os quais a cirurgia seria o próximo passo, mas não querem fazer uma cirurgia aberta da cabeça.
Na ablação a laser, um pequeno orifício é aberto na parte posterior da cabeça e uma sonda a laser é inserida através do cérebro, até atingir a área que foi identificada como a fonte das crises epilépticas. A terapia por ablação é realizada em minutos e a sonda é removida. A alternativa é a cirurgia aberta da cabeça, que resulta em um longo período de recuperação. Com a cirurgia a laser, a maioria dos pacientes podem retornar a casa no dia seguinte. É quase uma cirurgia do cérebro ambulatorial. Guta Bacelar - Mayo Clinic
Descoberto novo código escondido no DNA
Informações genéticas
Cientistas descobriram um segundo código escondido dentro das moléculas de DNA.
Esse segundo código contém informações que mudam a forma como os cientistas leem as instruções contidas no DNA e interpretam as mutações para tentar entender a saúde e as doenças.
Desde que o código genético foi decifrado, em 1960, os cientistas assumiram que ele era usado exclusivamente para gravar informações sobre proteínas.
Andrew Stergachis e seus colegas da Universidade de Washington (EUA) agora descobriram que os genomas usam o código genético para escrever pelo menos dois idiomas distintos.
O primeiro, que já havia sido decifrado, descreve como as proteínas são feitas, enquanto o novo idioma instrui a célula em como os genes devem ser controlados.
Uma linguagem é escrita em cima da outra, razão pela qual esse segundo idioma do DNA permaneceu escondido por tanto tempo.
Na prática, os dados contidos no novo código escondido do DNA praticamente dobram as informações genéticas.
"Por mais de 40 anos nós assumimos que mudanças no DNA que afetam o código genético impactam apenas o modo como as proteínas são feitas," diz o professor John Stamatoyannopoulos, orientador do estudo.
"Agora sabemos que este pressuposto básico sobre a leitura do genoma humano perdeu metade da informação. Essas novas descobertas mostram que o DNA é um dispositivo de armazenamento de informações incrivelmente poderoso, que a natureza tem explorado plenamente de maneiras inesperadas."
Códons e dúons
O código genético utiliza um alfabeto de 64 letras, chamadas códons.
O que se descobriu agora é que alguns códons, que foram batizados de dúons, podem ter dois significados, um relacionado à sequência da proteína e outro relacionado ao controle do gene.
As instruções de controle dos genes parecem ajudar a estabilizar certas características benéficas das proteínas e como elas são feitas.
A descoberta dos dúons terá grandes implicações para a forma como os cientistas e os médicos interpretam o genoma de um paciente.
"O fato de que o código genético pode escrever simultaneamente dois tipos de informação significa que muitas mudanças no DNA que pareciam alterar sequências de proteína podem, na verdade, causar doenças perturbando os programas de controle do gene ou mesmo ambos os mecanismos simultaneamente," afirmou o Dr. Stamatoyannopoulos.
Na verdade, a interpretação do DNA vem mudando radicalmente ao longo dos últimos anos, conforme se descobre que o papel dessa assim chamada "molécula da vida" é muito mais complicado do que parecia inicialmente, e que ela está longe de ser totalmente decifrada: Diário da Saúde
Minúscula retina biônica promete devolver a visão aos cegos
A recuperação da visão nos cegos foi sempre um argumento de ficção científica, mas uma empresa israelense a está transformando em realidade para pacientes que sofrem cegueira pela deterioração da retina. Trata-se de um dispositivo do tamanho de um grão de arroz, que emula a função da retina capturando os sinais visuais como uma câmera, para depois transformá-los em sinais elétricos que estimulam os neurônios para criar as imagens no cérebro.
O chip foi testado com sucesso em porcos e a empresa Nano-Retina, com sede na cidade israelense de Herzliya, prevê que contará com um protótipo humano de sua denominada Bio-Retina dentro de dois anos. “No prazo de uma semana o paciente poderá ver de forma imediata”, garantiu à Agência Efe o diretor-executivo da companhia, Ra’anan Gefen.
“Queríamos dotar um cego de suficiente visão que lhe permita ser novamente independente, caminhar por lugares familiares e ver seus entes queridos”, acrescentou o diretor.
O dispositivo é implantado na parte posterior do olho em uma operação relativamente simples, similar a uma de catarata que dura 30 minutos e só requer anestesia local. A visão que obterá o paciente lhe permitirá ver televisão e identificar rostos graças a uma resolução de 600 pixels (o modelo mais sofisticado), pois os criadores estudaram que 260 pixels é o mínimo para ter um nível de visão aceitável.
No entanto, esta será em preto e branco, e os implantados também não poderão dirigir ou ler letras que não sejam de grandes dimensões. “A ciência ainda não conseguir superar o preto e branco neste terreno, mas pretendemos ir adiante e oferecer uma escala de cinzentos para que possam apreciar sombras e contornos”, explicou Gefén.
Além da facilidade para introduzir o dispositivo no olho, este não possui bateria e sua implantação será definitiva, uma vez que sua única fonte de energia procede de óculos de sol especialmente projetados que transmitem sem fio um laser diretamente ao chip e podem ser recarregados durante as noites.
A Bio-Retina atua também de maneira harmoniosa com os movimentos naturais do olho, inclusive os do globo ocular ou a dilatação das pupilas, o que facilitará ao paciente olhar de lado a lado sem a necessidade de ter de girar a cabeça.
Por enquanto, a revolucionária invenção resolverá a vida a pacientes com retinose pigmentar e degeneração macular associada à idade (AMD, na sigla em inglês), transtornos comuns a partir dos 60 anos.
Mas os responsáveis pela retina biônica preveem que no futuro se abrirá o terreno ao tratamento de doenças como a retinopatia diabética, ou aquelas nas quais o foto-receptor se atrofia e não pode funcionar outra vez devido a que não há células que possam traduzir a luz que chega à retina em uma visão útil.
“Nestas condições, nosso dispositivo poderia atuar como um foto-receptor artificial”, declarou o diretor israelense. No entanto, o dispositivo não serve para aqueles que nasceram cegos ou sofrem dolências não relacionadas com lesões retinais. No mundo ocidental calcula-se que seis milhões de pessoas sofrem cegueira ou pouca visão como consequência de doenças ou lesões provocadas pela degeneração da retina.
Para levar adiante este sofisticado produto a empresa israelense colabora com equipes científicas e indústrias no mundo todo, a fim de estudar a melhor solução para determinados problemas.
O fato de ter precedentes em outros produtos planejados há uma década que ofereciam uma pior visão encoraja os diretores da Nano-Retina, uma sociedade conjunta da norte-americana Zyvex Labs do Texas e da israelense Rainbow Medical.
Gefen defende que graças a eles sabem que “o conceito funciona”, e as agências reguladoras o aprovaram, motivo pelo qual confiam em poder levá-lo em breve ao mercado. Calcula-se que o preço para o paciente, incluída a implantação, rondará os US$ 2 mil, e os criadores obterão lucro através das agências seguradoras médicas. “Trata-se de uma tecnologia de ponta, o esforço de um grupo internacional para uma missão muito nobre, restabelecer a visão aos cegos”, concluiu Gefen. (Fonte: Terra)
Pesquisador: poderemos conversar com animais em até 10 anos
Um médico que conversa com animais. Essa é a premissa da série de livros infantis Doctor Dolittle, de Hugh Lofting, que originou mais tarde os filmes estrelados por Eddie Murphy. História para criança? Con Slobodchikoff, professor emérito de biologia da Universidade de Arizona do Norte, nos Estados Unidos, acha que não. Para ele, o ser humano poderá se comunicar com animais domésticos em até 10 anos.
Essa previsão parte de sua pesquisa de três décadas sobre a comunicação entre animais. Hoje Slobodchikoff já testa um programa de computador para, com técnicas de inteligência artificial e muitos anos de dados coletados, comunicar-se com cães-da-pradaria-de-cauda-curta (Cynomys gunnisoni), roedores da família dos esquilos que habitam principalmente os Estados americanos de Arizona, Novo México e Colorado.
Com a aplicação dessa tecnologia para outros animais, o pesquisador acredita que, em cinco a 10 anos, os seres humanos poderão se comunicar, em um nível básico, através de dispositivos do tamanho de um celular, com seus cachorros e gatos. “Eu acredito que tais conversas nos ajudarão a resolver muitos problemas comportamentais que as pessoas têm com seus animais de estimação”, afirma Slobodchikoff, em entrevista ao Terra. “A maioria dos problemas de comportamento aparecem porque as pessoas não conseguem comunicar suas necessidades aos seus animais, e seus animais não conseguem comunicar suas necessidades a suas pessoas”.
Não se sabe ainda o que esse tipo de diálogo pode revelar. Talvez o gato esteja sentindo medo ou o cão precise sair para resolver urgências fisiológicas, por exemplo. “Quanto mais descobrimos sobre os animais, maior complexidade encontramos”, diz o pesquisador. “As pessoas achavam que cachorros estavam latindo apenas porque estavam com vontade de latir ou estavam apenas expressando uma emoção. Nós estamos agora começando a descobrir que cachorros têm coisas específicas a dizer em seus latidos. Quanto mais nós descobrimos, e mais a tecnologia para compreender a comunicação animal se desenvolve, estou disposto a dizer que vamos encontrar muitos animais com linguagens complexas nas quais eles comunicam informações específicas”.
Linguagem sofisticada – A ideia do professor de que os animais podem se comunicar de forma mais eficaz do que imaginávamos surgiu com o estudo de cães-da-pradaria-de-cauda-curta, nos EUA. Após centenas de experimentos, o professor e seus alunos descobriram o que ele considera a “mais sofisticada linguagem animal já decodificada”.
A descoberta sucedeu após análise dos chamados de alerta efetuados em uma colônia desses roedores diante da visão de um possível predador. Os alertas, agudos, semelhantes a pios de pássaros, variavam conforme o elemento avistado. Cada um deles era gravado, e as reações provocadas entre os roedores eram assinaladas. Mais tarde, a equipe de pesquisadores reproduzia os sons com o intuito de “compreender” os chamados.
Esta é a ‘Lucihormetica luckae’, uma espécie de barata descoberta no Equador. Desde a primeira descoberta de uma barata fluorescente em 1999, mais de uma dezena de espécies já foram encontradas. Todas estão em áreas remotas. Esta é uma das novas espécies anunciadas pelo Instituto Internacional para a Exploração de Espécies da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos Foto: BBCBrasil.com
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Com essas e outras experiências, Slobodchikoff identificou a utilização de diferentes fonemas, como se fossem palavras, e combinações de sons específicos, como se fossem frases. Segundo o pesquisador, o vocabulário dos “prairie dogs” (em inglês) lhes permite comunicar informações bem específicas, como a diferenciação de cores, formatos e tamanhos.
Em seu livro mais recente, “Chasing Dr. Dolittle”, de 2012, sem tradução para o português, Slobodchikoff apresenta feitos impressionantes desses roedores. Eles puderam descrever, uns para os outros, uma pessoa alta vestindo camiseta amarela e uma pessoa baixa usando camiseta azul. A velocidade, a quantidade e as formas de cachorros se aproximando também eram anunciadas.
Nem todos os animais, entretanto, possuem uma comunicação tão eficiente. “Todos os animais se comunicam uns com os outros, como o fazem as células do nosso corpo. Mas nem todos têm necessariamente uma linguagem”, conclui. (Fonte: Terra)
Acupuntura auricular ajuda a emagrecer?
Uma boa notícia para quem quer emagrecer e não dispensa uma ajuda extra: em artigo publicado recentemente, pesquisadores da Universidade Kyung Hee (Coreia do Sul) mostraram que acupuntura auricular pode interferir positivamente no metabolismo e ajudar a pessoa a queimar mais calorias.
A equipe testou três métodos (com cinco agulhas, com uma agulha e com agulhas removidas logo em seguida – placebo) em 91 voluntários. Ao longo de oito semanas, seguiram uma dieta específica (mas que não era voltada para perda de peso) e passaram por sessões semanais. Nos tratamentos “verdadeiros”, as agulhas permaneciam inseridas em pontos específicos de uma orelha durante sete dias; depois, eram retiradas, e outras eram inseridas na outra orelha. Entre aqueles que passaram pelo tratamento com cinco agulhas, a perda de peso foi, em média, de 6,1% do total do peso do corpo; entre os que passaram pelo tratamento com uma agulha, a perda média foi de 5,7%; e, entre os demais (placebo), não houve perda significativa.
Além disso, houve uma redução na porcentagem de gordura corporal, mas apenas entre aqueles que fizeram o tratamento com cinco agulhas.
Os próprios autores reconhecem que o estudo é limitado, em especial por conta da escala relativamente pequena (do total de participantes, inclusive, 24 desistiram).
Contudo, considerando resultados de outras pesquisas sobre os efeitos da acupuntura, há motivos para apostar no tratamento como um aliado no combate à obesidade. [WebMD]
Pesquisadores de RO observam espécie de macaco não catalogado
Pesquisadores do Estado de Rondônia estão realizando trabalho de observação de uma espécie de macaco ainda não catalogada. Trata-se de um animal da espécie Callicebus conhecido popularmente por Zogue-Zogue-dos-Parecis. De acordo com um dos pesquisadores, o biólogo Almério Gusmão, as observações começaram a ser realizadas em 2008. A espécie só foi vista, até o momento, na região entre Pimenta Bueno (RO) a Vilhena (RO) e na cidade de Juína (MT).
Almério conta que os pesquisadores não conseguiram encaixar a espécie do macaco em nenhuma das já existentes. “Observando as morfologias externas do corpo já encontradas e catalogadas, não conseguimos encaixar essa nova espécie em nenhuma das já existentes”, afirma.
Zogue-zogue é importante para a manutenção da floresta, pois se alimenta de frutos que posteriormente são dispersos na natureza, com isso os animais ajudam a germinar e manter a floresta, segundo Almério.
Nos locais observados, só foram encontrados oito grupos de macacos, que são compostos pelo o macho adulto; fêmea e filhote. “Já chegamos a observar grupos de até cinco integrantes em uma mesma família. O macaco é restrito da região dos planaltos do parecis, em transição de florestas e cerrado e é por isso que os pesquisadores já o classificaram como Zogue-Zogue-dos-Parecis”, explicou.
Outra preocupação do grupo de pesquisadores é em relação à conservação da espécie que está sendo conhecida agora, mas que já corre o risco de entrar em extinção. “No período de estiagem, a região onde o macaco foi localizado sofre com frequentes incêndios florestais, além da perda de habitat natural, decorrente do desmatamento”, disse Almério preocupado.
O objetivo do grupo com a pesquisa é dar uma identidade ao animal e provar para a comunidade científica, que se trata de uma nova espécie que necessita de conservação na região. “Não é uma espécie que pode ser encontrada em vários locais, mas somente na nossa região, por isso precisamos de medidas de conservação para continuar mantendo a espécie”, sugeriu Almério.
Ao G1, a coordenadora da pesquisa professora doutora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Mariluci Rezende Messias, disse que a característica mais marcante do animal é a grande quantidade de pelagem branca abaixo da mandíbula e as patas grisalhas.
Segundo a coordenadora, a pesquisa foi encaminhada para os Estados Unidos, onde está sendo realizada a análise genética molecular para confirmar se o macacão zogue-zogue é realmente uma nova espécie. “Após essa confirmação, o resultado da pesquisa será submetida a publicação, provavelmente em fevereiro, quando todas as análises já estiverem concluídas” , finalizou a coordenadora. (Fonte: G1)
Grande reservatório de água é descoberto sob o gelo da Groenlândia
Um grande reservatório de água, equivalente em área ao território da Irlanda, foi descoberto debaixo da cobertura de gelo da Groenlândia e pode fornecer respostas para um dos grandes enigmas das mudanças climáticas.
Em 2011, cientistas americanos cruzaram a cobertura de gelo do sul da Groenlândia em uma expedição para coletar testemunhos de gelo, uma referência da queda anual de neve.
Eles ficaram assombrados ao perfurar uma camada de neve comprimida denominada “firn” e, ao invés de uma esponja congelada a 10 metros de profundidade, como era esperado, eles encontraram água líquida e grânulos de gelo.
Os cientistas, então, fizeram outra perfuração a alguns quilômetros dali e obtiveram o mesmo resultado ao atingir a camada de neve “firn” a 25 metros.
Em busca de uma resposta para esta água misteriosa, um avião da Nasa equipado com um radar de mapeamento de terreno foi levado para sobrevoar a região, assim como um radar de penetração no solo, puxado por um snowmobile (trenó motorizado).
O radar retornou reflexos brilhantes, indicando a presença de um grande reservatório de água sob o gelo.
Estendendo-se para o flanco sul da Groenlândia, a água escondida cobre uma área de 70 mil quilômetros quadrados. É encontrada em profundidades sob o gelo que variam de 5 a 50 metros.
A maior raspadinha do mundo? – Segundo artigo publicado no domingo na revista “Nature Geoscience”, acredita-se que o reservatório contenha neve derretida no verão anterior.
Ele funciona de forma similar a um aquífero subterrâneo, que é uma rocha esponjosa que armazena água em seus espaços.
Neste caso, os espaços de ar na neve “firn” são ocupados por água, resultando em algo similar ao gelo batido de uma sobremesa popular conhecida como raspadinha.
“O fato surpreendente é que o suco nesta neve nunca se congela, mesmo no escuro inverno da Groenlândia”, afirmou Rick Forster, professor de geografia da Universidade de Utah, que chefiou a missão.
“Grandes quantidades de neve caem na superfície posterior no verão e rapidamente isolam a água das temperaturas do ar abaixo do congelamento da parte superior, permitindo à água perdurar por todo o ano”, continuou.
Mudanças climáticas – O reservatório secreto parece existir por algum tempo e não foi provocado pelo aquecimento global, acreditam os cientistas.
Mas eles acrescentaram que poderia ajudar a compreender o destino da cobertura de gelo, uma questão chave da ciência climática.
Uma poderosa placa de gelo com espessura de cerca de 1.500 metros, a Groenlândia sofre um degelo sem precedentes, à medida que o aquecimento global se acelera.
Em 2012, a cobertura de gelo perdeu um recorde de 150 quilômetros cúbicos em volume, transformando esta no maior contribuinte único para a elevação do nível do mar no mundo, afirmou Forster.
Se a cobertura de gelo derreter totalmente, poderia fazer o nível do mar subir cerca de 7 metros. Este é um cenário catastrófico que a maioria dos cientistas descarta, mas, mesmo a perda de uma grande parte, ainda inundaria cidades costeiras vulneráveis.
A descoberta do reservatório subglacial que dura todo o ano põe por terra todas as simulações de computador que tentaram estimar este movimento hídrico.
As simulações costumam ter água chegando aos rios, lagos e corpos hídricos subglaciais que eventualmente chegam para o mar ou correm para a cobertura de gelo através de fendas e acabam congelando.
O próximo passo é determinar se o reservatório ajuda ou retarda a sobrevida da cobertura de gelo da Groenlândia.
“Ele pode conservar o fluxo de água de degelo e, assim, ajudaria a reduzir os efeitos das mudanças climáticas”, disse Forster.
“Mas também pode ter o efeito contrário, fornecendo lubrificação para as geleiras em movimento e exacerbando a velocidade do gelo e a quebra (do iceberg), aumentando a massa de degelo para o oceano em todo o mundo”, concluiu. (Fonte: G1)
Pesquisa com células-tronco avança rumo à criação de órgãos
Os avanços na criação de órgãos a partir de células-tronco, no tratamento do câncer mediante a imunoterapia e na exploração espacial são algumas das principais notícias da ciência em 2013.
Pela primeira vez, cientistas japoneses da escola de medicina da Universidade de Yokohama conseguiram reproduzir in vitro a partir de células pluripotentes induzidas (iPS) um fragmento de fígado humano que ao ser transplantado em ratos funcionou corretamente.
Essa técnica, que segundo os pesquisadores pode começar a ser testada em humanos daqui a dez anos, provavelmente poderá ser aplicada a pulmões, rins e pâncreas, e constitui um avanço promissor como alternativa aos transplantes atuais, nos quais os órgãos são escassos e geram rejeição no receptor.
Enquanto isso, pesquisadores europeus e americanos criaram microrrins e microcérebros humanos em laboratório, que também podem ser utilizados para testar novos tratamentos ou remédios com maior confiabilidade que quando se experimenta apenas com ratos.
Uma equipe de cientistas japoneses já iniciou o primeiro exame clínico do mundo com humanos usando células-tronco iPS, consistente em extrair mostras de pele humana para gerar células capazes de se transformar em tecido de retina que depois será implantado em pacientes que sofrem uma degeneração associada à idade.
A medicina regenerativa também deu um grande passo graças às impressoras 3D, que reproduzem um objeto camada por camada a partir de informação digital e que já servem para desenvolver próteses sólidas para substituir massa óssea perdida devido a uma doença ou um acidente.
Em março, um homem recebeu nos Estados Unidos um implante em 3D para substituir 75% de seu crânio, e um mês antes pesquisadores da Universidade de Cornell (EUA) recriaram, a partir da cartilagem de uma vaca, uma orelha de forma e características humanas utilizando uma impressora 3D que injeta células vivas.
No tratamento do câncer, um novo tipo de medicamento, ainda aguardando aprovação e que permite ao sistema imunológico destruir as células do tumor, teve sucesso em alguns pacientes com metástases, no que os especialistas consideram o maior avanço na luta contra a doença em 15 anos.
Além disso, graças ao tratamento genético, pesquisadores americanos conseguiram transformar as células de doentes com leucemia e outros cânceres do sangue em agentes que atacam e destroem as células do tumor, segundo vários estudos apresentados em dezembro na Conferência Anual de Hematólogos dos EUA.
O oncologista espanhol José Baselga, diretor-médico do hospital Memorial Sloan-Kettering de Nova York, afirma que a imunoterapia, a luta do organismo contra o câncer, é o grande avanço que vai representar “uma mudança profunda” na estratégia contra os tumores.
No que diz respeito ao espaço, o robô Curiosity da Nasa completou em agosto um ano de exploração em Marte, no qual descobriu um antigo leito de água e coletou amostras de solo e atmosfera suficientes para que os cientistas concluíssem que pôde haver vida ali há milhões de anos.
Outros países também focaram em Marte, e a Índia lançou em novembro uma missão que levará dez meses para chegar à órbita daquele planeta para explorar sua superfície, seus minerais e sua atmosfera.
Até agora apenas EUA, Rússia e União Europeia tinham conseguido enviar sondas a Marte.
Por sua vez, a sonda Voyager 1 da Nasa se tornou a primeira nave a deixar nosso sistema solar e entrar no espaço interestelar, 36 anos após sua decolagem de Cabo Canaveral (EUA), como anunciou a agência em setembro.
A nave, que se encontra a mais de 125 vezes a distância da Terra ao Sol, leva uma mensagem que explica sua procedência e como é a vida em nosso planeta. (Fonte: UOL)
Grã-Bretanha testa vacina contra câncer no cérebro
Começaram os testes de uma vacina que se propõe a tratar uma forma agressiva do câncer de cérebro.
O primeiro paciente europeu recebeu o tratamento no hospital King’s College, em Londres. Robert Demeger, 62, foi diagnosticado da doença neste ano.
A vacina é personalizada e foi desenvolvida para ensinar o sistema imunológico a lutar contra as células de um tumor.
O King’s College faz parte de um grupo de mais de 50 hospitais – os outros estão nos Estados Unidos – que estão testando o tratamento.
Demeger, um ator de televisão e teatro, teve que desistir de seu papel de Otelo, no aclamado Teatro Nacional, depois que começou a ter convulsões.
Otelo – Ele disse que chegou a ter um substituto, para o caso de se sentir mal no palco, mas não precisou usar esse recurso.
‘Eu fui diagnosticado com um tumor no cérebro e marcaram uma cirurgia em uma questão de dias’.
Porém, antes de sua operação ele foi convidado para ser o primeiro paciente na Europa a participar do experimento internacional.
Vacina – Cirurgiões removeram o máximo possível de seu tumor – que foi depois levado a um laboratório onde foi incubado com células dendríticas (células imunológicas tiradas de seu sangue).
O objetivo foi ensinar as células a reconhecer o tumor. A vacina personalizada que resultou do processo foi injetada no braço dele, com a esperança de que aquelas células treinariam o sistema imunológico dele sobre como localizar e destruir o câncer.
Ele receberá dez doses da vacina nos próximos dois anos.
Keyoumars Ashkan, um neorocirurgião do King’s College, está liderando a parte britância da pesquisa. Ele diz que há uma grande necessidade de novos tratamentos para o câncer de cérebro.
Glioblastoma – ‘Mesmo que um tumor pareça igual em dois pacientes, na realidade ele varia muito’.
‘Por isso, a terapia padrão provavelmente não é a melhor. Há uma necessidade de fornecer tratamento individualizado baseado no tipo de câncer de cada paciente’.
O tratamento envolve pacientes com glioblastoma, a forma mais agressiva de um tumor primário de cérebro, que afeta cerca de 1.500 pessoas por ano na Grã-Bretanha.
A média de sobrevivência desses pacientes é de 12 a 18 meses. Dois estudos anteriores menores da terapia DCVax, nos Estados Unidos, descobriram que o tratamento aumentava essa sobrevida para três anos, sem efeitos colaterais. Vinte pacientes participaram dos testes e dois deles estão vivos há mais de dez anos.
Ashkan ressaltou que a atual pesquisa, que envolverá 300 pacientes, é necessária para mostrar se o tratamento é realmente eficiente. Metade deles receberá a vacina real e os demais tomarão placebos.
‘Até obtermos os resultados desta pesquisa não saberemos se a terapia deve ser oferecida a todos os pacientes’, ele disse.
Demeger afirma que está encantado em fazer parte dessa pesquisa. ‘Qualquer coisa que me dê uma chance melhor, mas também por outros fatores, vale a pena participar disso’.
Fala – A cirurgia para remover o câncer afetou sua fala, porque o tumor estava localizado próximo da parte do cérebro que lida com a linguagem.
Assim Demeger, que tinha a voz como seu meio de vida, teve que reaprender a se comunicar.
‘Eu adoraria voltar a atuar. Esse é o meu trabalho’.
‘Tenho trabalhado com um terapeuta da fala e com o chefe das vozes no National (Theatre)’. ‘Não sei se poderei voltar aos palcos em semanas ou meses, mas estou esperançoso’.
Jornais de vários países divulgaram nesta sexta-feira (20) uma nova lista de personalidades e entidades espionadas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. (Fonte: G1)
Painel de Mudanças Climáticas projeta clima mais quente para o País
No ano de 2013, foram divulgados os três volumes do primeiro relatório de avaliação nacional sobre mudanças climáticas do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC). No início de setembro, o organismo científico, criado pelo governo federal em 2009 por meio dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Meio Ambiente, revelou que as projeções mostram que haverá alta nas temperaturas do país no decorrer do século, mais períodos de seca no Norte e Nordeste e aumento das chuvas no Sul e Sudeste.
As mudanças no volume de chuva podem oscilar entre 5% e 20% e de 1 grau Celsius (°C) a 5°C na temperatura até o final do século, dependendo do aquecimento global e da emissão de gases de efeito estufa. As projeções indicam mais secas prolongadas, principalmente nos biomas da Amazônia, do Cerrado e da Caatinga. Ao divulgar as estimativas sobre o perfil das emissões de gás carbônico entre 2005 e 2010, o PBMC informou que a produção de energia foi a responsável por 32% das emissões em 2010 contra 16% do total de emissões em 2005 e foi o setor que mais cresceu no total das emissões de gás carbônico no país.
Para a rede WWF-Brasil, as informações científicas do PBMC são mais do que suficientes para demonstrar ao governo brasileiro que as mudanças climáticas não podem mais ser tratadas como tema de segunda importância em políticas públicas. ‘Temos de investir nos recursos abundantes de fontes renováveis de energia de baixo impacto que temos à nossa disposição, como as energias solar, eólica e de biomassa, em vez de colocar 70% dos nossos investimentos em combustíveis fósseis. O governo federal não deve oferecer incentivos a combustíveis como o carvão mineral’, disse o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, Carlos Rittl.
A agricultura deve ser o setor da economia mais afetado pelas mudanças climáticas ao longo do século 21, de acordo com a segunda parte do primeiro relatório nacional do PBMC. Segundo o estudo, o prejuízo do agronegócio com problemas climáticos pode chegar a R$ 7,4 bilhões em 2020, e R$ 14 bilhões em 2070. Até 2030, a produção de soja, por exemplo, pode ter perdas de até 24%.
O estudo prevê que as mudanças nos regimes de chuva e a elevação da temperatura média prejudicarão a agricultura, principalmente em áreas secas como o Nordeste, região em que a distribuição de chuvas pode cair até 50%, segundo o relatório.
O terceiro volume, divulgado no início de novembro, ressaltou a necessidade de adoção de ações imediatas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. ‘O benefício da ação imediata para mitigar a mudança do clima supera o custo da inação’, destacou a pesquisa.
‘Nesse relatório, mostramos as opções para os tomadores de decisão para reduzir as emissões, de forma que a gente não gaste tanto em adaptação [maneiras de amenizar o impacto]. Existe realmente a possibilidade de redução das emissões, mas depende de decisões muito mais políticas do que econômicas,’ disse a presidente do comitê científico do PBMC, Suzana Kahn Ribeiro. (Fonte: Terra)
Extrair dentes pode prejudicar a saúde
23 de dezembro de 2013 (Bibliomed). Além da auxiliar na mastigação, na fala e na estética, é também função dos dentes manter um padrão respiratório ideal, uma vez que trabalham como colunas que sustentam o espaço da língua e permitem uma respiração saudável. Quando se extrai um dente, o espaço interno da boca diminui, gerando problemas respiratórios, digestivos e até estruturais.
De acordo com especialistas, a extração de dentes durante tratamentos ortodônticos é contraditória entre os profissionais. Isso porque ocorrem casos onde os dentes podem ser maiores do que a arcada, ou o contrario. Contudo, às vezes é necessário extrair alguns dentes para adequar os demais ao tamanho da boca.
Os dentes mais extraídos são os sisos, principalmente em pessoas que vão colocar aparelhos ortodônticos. Contudo, isso pode resultar em distúrbios de ronco e apneia, sendo comum em 20% dos pacientes com sisos extraídos.
Em alguns casos, é necessário utilizar próteses dentárias para que não ocorram buracos na arcada, evitando, assim, o surgimento de problemas de saúde.
Os principais problemas ocasionados pela extração dos dentes são de ordem respiratória (adenóides, amigdalites, cefaléias, disritmias, epilepsias, leucemias, otites, asma, bronquites, coriza, enxaquecas, espirros, leucopenias etc); bioquímica (aftas, boqueiras, frieiras, hemorróidas, úlceras, azias, diabetes, gastrites, queda de cabelo etc); e equilíbrio esquelético e postural (cifose, dores lombares, lordose, dores articulares e escoleose, entre outros).
Fonte: Versátil Comunicação Estratégica
Consumo de sódio ainda é muito alto
24 de dezembro de 2013 (Bibliomed). Mesmo com todas as campanhas para redução do consumo de sal, este ainda é muito alto no mundo. De acordo com relatório publicado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, mostrou que, no país, oito em cada dez pré-escolares e nove entre cada dez crianças e adultos consomem quantidades de sódio maiores do que as indicadas.
Segundo com os pesquisadores, grande parte do sódio consumido é proveniente de alimentos processados. Apesar de o consumo ainda ser elevado, o estudo constatou uma ligeira queda no consumo de salto entre 2003-2004 e 2009-2010: de 3.518 miligramas/dia para 3.424 miligramas dia, respectivamente.
Independente da idade, entre 79% e 95% das pessoas consumiu sódio em um nível acima do indicado pelos órgãos de saúde. Atualmente, as diretrizes dietéticas indicam o consumo máximo de sódio de 2.300 miligramas/dia. No entanto, pessoas com diabetes, hipertensão, doença renal crônica, idade superior a 51 anos e afro-americanos não devem consumir mais do que 1.500 miligramas/dia de sódio.
De uma forma geral, o consumo ideal de sódio é de 1.500 miligramas/dia. Os CDCs ressaltam a importância de consumir alimentos ricos em potássio junto com alimentos ricos em sódio.
O consumo exagerado de sódio pode aumentar a pressão arterial, resultando em ataques cardíacos e acidente vascular cerebral.
Fonte: Huffington Post, 20 de dezembro de 2013.
Idade não é apenas o número de anos vividos
Há poucos dias, a ciência em geral, e o campo da biologia evolutiva em particular, foram sacudidos com a constatação de que envelhecer e morrer não é uma lei da natureza.
O que se descobriu é que nem todas as espécies enfraquecem e se tornam mais propensas a morrer à medida que envelhecem - há mesmo animais que são essencialmente imortais.
Uma dupla de pesquisadores austríacos parecia que já estava intuindo isso e sentindo a necessidade de repensar a forma como o envelhecimento humano é abordado.
Para isso, eles idealizaram um conjunto de ferramentas que, segundo eles, permite "medir a idade em todas as suas dimensões".
A ideia de que a idade não é apenas o número mostrado nas velinhas do bolo está sendo defendida por Warren Sanderson e Sergei Scherbov, do Instituto Internacional para Análise de Sistemas Aplicados (Áustria).
Idade não diz tudo
Até agora, os estudos sobre o envelhecimento populacional têm utilizado apenas uma característica das pessoas - sua idade cronológica.
Os demógrafos falam rotineiramente sobre o envelhecimento da população e seu impacto sobre a renda das famílias, os níveis de emprego e as questões de aposentadoria, tudo com base unicamente na idade cronológica.
Os dois pesquisadores estão propondo uma técnica para medir o envelhecimento com base não na idade, mas nas características que mudam com a idade, incluindo a expectativa de vida, a saúde, a função cognitiva e outras.
"A sua verdadeira idade não é apenas o número de anos que você viveu," defende Scherbov. "Ela também inclui características tais como a saúde, a função cognitiva e as taxas de incapacidade."
Ocorre que, à medida que a longevidade da população aumenta, uma mesma idade não se correlaciona com o mesmo nível de saúde e outras características individuais.
"Nós costumamos considerar as pessoas como idosas aos 65 anos de idade," disse Scherbov. "Hoje, alguém que tem 65 anos pode ser mais parecido como alguém que tinha 55 há 40 ou 50 anos em termos de muitos aspectos importantes de suas vidas."
Os dois pesquisadores defendem que as recomendações políticas com relação ao envelhecimento diferem dependendo exatamente de quais características das pessoas são medidas: "Para diferentes objetivos precisamos de medidas diferentes. O envelhecimento é multidimensional."
Diário da Saúde
Pesquisa brasileira definirá público para receber vacina contra a dengue
O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (27/12), em nota, que financia uma pesquisa que definirá as áreas e os públicos prioritários que receberão a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. Trata-se de uma das medidas preparatórias para a introdução da imunização. O estudo deverá ser concluído em dois anos, segundo o ministério.
A definição das áreas e grupos etários para receber a vacina terá apoio de um grupo de trabalho formado por técnicos do Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas de diversas universidades, como Escola Paulista de Medicina e Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Segundo o governo, foram investidos R$ 5,3 milhões na pesquisa.
Primeiro serão coletadas cerca de mil amostras de sangue, em pessoas de até 20 anos, em 63 cidades das cinco regiões do Brasil. Este inquérito soroepidemiológico deverá determinar o grau de imunidade da população à infecção pelo vírus da dengue. As amostras das outras faixas etárias serão obtidas na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).
Outra fase do estudo revisará artigos e informações científicas sobre a doença, publicados em periódicos nacionais e internacionais. O objetivo será caracterizar a ocorrência e o perfil da transmissão da dengue no país, inclusive os grupos etários vulneráveis, as taxas de letalidade e os sorotipos circulantes.
Além disso, a terceira etapa da pesquisa deverá avaliar a resposta imunológica de pessoas infectadas pelos quatro sorotipos da dengue e o desenvolvimento dos casos graves.
A partir dos dados coletados, serão elaborados modelos matemáticos para auxiliar o Ministério da Saúde na definição do público que receberá a vacina contra a doença.
Dose contra a dengue – A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, de produção 100% nacional, é testada em grupo de voluntários brasileiros. A dose é tetravalente, ou seja, imuniza contra os quatro sorotipos do vírus, e usa o próprio vírus da dengue atenuado (por engenharia genética) para produzir anticorpos na população. Ela foi desenvolvida há mais de uma década pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) e chegou ao Brasil por meio de transferência tecnológica. A pesquisa pelo Instituto Butantan começou em 2006.
Se os resultados do teste em humanos forem positivos, a previsão é que a vacina seja aprovada pela Anvisa e possa fazer parte do Programa Nacional de Imunizações em 2018. Além do Butantan, há outra iniciativa nacional para produção de vacina contra a dengue, encabeçada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK). Mas essa pesquisa deve concluir a vacina em cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. (Fonte: G1)
Jovem caminha da Antártida ao Polo Sul estudando mudanças climáticas
Enquanto você lê esse texto, o jovem americano Parker Liautaud, 19 anos, está em algum lugar entre a costa da Antártida e o Polo Sul, sob temperaturas que variam de -28°C a -60°C. A empreitada do estudante de geofísica da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, começou na segunda semana de dezembro e deve garantir a Parker o recorde mundial de homem mais jovem a completar o percurso.
Mas a caminhada de 1,8 mil quilômetros, cerca de 30 km por dia, não se dá por mero capricho. O objetivo do estudante é colher amostras para uma série de estudos sobre as mudanças climáticas. “Sempre ouvi as pessoas discutindo sobre mudanças climáticas para as gerações futuras. Nós somos a geração futura. Por isso, estamos envolvidos nesse projeto”, declarou.
Uma pesquisa divulgada no dia 11 de dezembro pela Agência Espacial Europeia (ESA) revela que a camada de gelo da Antártida Ocidental perde 150 quilômetros cúbicos por ano, 15% a mais do que se estimava anteriormente. Os dados coletados por Parker poderão atualizar os estudos.
Árdua empreitada – A tarefa de Parker não é nada fácil: ele esquia 10 horas por dia com uma bagagem de 82 quilos, o mesmo que sua massa corporal. Só para montar o acampamento, ele precisa de quatro horas. A missão exige ainda dieta reforçada, de aproximadamente 6 mil calorias.
Dezembro é um mês estratégico para a empreitada, pois não anoitece na Antártida. Com a luz do dia sempre presente, Parker cruzará a terceira maior cadeia de montanhas do continente, os Montes Transantárticos, que alcançam até 4,5 mil metros.
A iniciativa está sendo organizada pela consultora de riscos Willis Group Holdings. De acordo com o grupo, a análise dos resultados obtidos possibilitará a construção de uma estratégia de resistência aos riscos que o aquecimento global oferece. Toda a aventura pode ser acompanhada pelo site do projeto. (Fonte: Eco Desenvolvimento)
Brasileiro descobre como usar quasicristais em células solares
Quasicristais
Os alienígenas quasicristais poderão ajudar a trazer para a Terra mais energia do Sol na forma de eletricidade.
Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que a estrutura quase aleatória dos quasicristais, quando aplicada a uma célula solar, pode captar uma larga faixa de comprimentos de onda, o que resulta na geração de mais eletricidade.
Já se sabia que os quasicristais oferecem vantagens em termos do espectro de luz que eles são capazes de captar.
O problema com estas estruturas é que as suas propriedades são difíceis de adaptar para aplicações específicas - fabricar grades regulares é fácil, mas fabricar uma estrutura que deve variar de forma não-periódica é quase impossível.
Quem achou a solução para isso foi o brasileiro Emiliano Martins, atualmente na Universidade St Andrews, no Reino Unido.
Estrutura quase-aleatória
Emiliano criou uma nova estrutura que ele batizou de estrutura quase-aleatória, que combina a multiplicidade de frequências espaciais que é típica dos quasicristais com o alto nível de controle permitido pelas estruturas periódicas.
"O controle da propagação da luz é um aspecto crucial em fotônica. Aqui, nós demonstramos que, ajustando cuidadosamente o espetro de Fourier, as nanoestruturas quase-aleatórias podem obter esse controle de forma muito eficiente," disse Emiliano.
Esse controle sobre o fluxo de fótons é crucial em muitas áreas tecnológicas.
Por isso, os pesquisadores afirmam esperar que sua nova técnica possa ser aplicada não apenas na fabricação das células solares de filmes finos, mas também em outras tecnologias na área de fotônica, como nos LEDs e nos raios laser. Redação do Site Inovação Tecnológica
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Pesquisa detecta mudanças no Atlântico Sul
A porção sul do Oceano Atlântico está recebendo um maior volume de água do Oceano Índico, que tem águas relativamente mais quentes e com maior concentração de sal do que as oriundas das regiões subantárticas.
O processo, verificado recentemente por pesquisadores, pode provocar mudanças na composição da água do Atlântico Sul – que vai depois para o Atlântico Norte – e afetar a temperatura da atmosfera nas regiões subárticas.
O fenômeno ocorre porque as águas do Atlântico Sul que fluem em direção ao Norte transportam e liberam calor para a atmosfera nas latitudes mais altas. Ao se tornarem mais salinas e, consequentemente, mais pesadas, tenderão a afundar mais rapidamente, antes de chegar às altas latitudes do Atlântico Norte – o que pode reduzir a temperatura da superfície do oceano e da atmosfera das regiões subárticas.
As constatações, feitas anteriormente por modelagens numéricas, foram reiteradas agora por um estudo observacional realizado por um grupo internacional de pesquisadores, com a participação de brasileiros, que acaba de ser publicado na edição online do Journal of Geophysical Research Oceans (JGR).
A pesquisa é a primeira baseada em dados coletados no Alpha Crucis – navio oceanográfico adquirido pela FAPESP, em 2012, para o Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) – e faz parte do projeto internacional de análise da circulação de calor no Atlântico Sul South Atlantic Meridional Overtuning Circulation (Samoc).
O esforço internacional de pesquisa envolve pesquisadores e instituições dos Estados Unidos, França, Brasil, África do Sul, Argentina, Rússia e Alemanha. A participação de pesquisadores brasileiros é financiada pela FAPESP, por meio de um Projeto Temático, realizado no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, e de um acordo estabelecido com a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) e com a Agence Nationale de la Recherche (ANR), da França.
“O objetivo do Samoc é monitorar fluxos meridionais e propriedades termodinâmicas de massa de água em uma seção vertical ao longo da latitude 34.5 graus sul, que começa na região do Chuí, na América do Sul, e se estende até a África do Sul, e que chamamos de Samba [sigla de Samoc Basin-wide Array]”, disse Edmo Campos, professor do IO da USP e coordenador do projeto pelo lado do Brasil, à Agência FAPESP.
Fronteira dos oceanos – De acordo com Campos, essa linha geográfica representa uma região de fronteira por meio da qual a mistura de águas oriundas dos oceanos Índico e Pacífico adentram a região subtropical do Atlântico Sul; a partir daí, uma porção significativa segue rumo ao Atlântico Norte, como parte da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (MOC).
Ao monitorar e detectar sinais de variação nessa região é possível prever mudanças na temperatura do Atlântico Norte nas próximas décadas, apontou Campos.
“O Atlântico Sul realiza transporte de calor para o Atlântico Norte a uma taxa da ordem de 1,3 petawatt, o que representa uma quantidade de energia equivalente à produzida por mais de 200 mil usinas de Itaipu funcionando a todo o vapor”, exemplificou Campos. “Qualquer pequena alteração nesse processo de transporte de calor pode desencadear sérias consequências ao clima do planeta.”
Segundo o pesquisador, em razão dessa importância do Atlântico Sul e por ser essa uma das regiões oceânicas com a menor quantidade de observações marítimas, foi iniciada, nos últimos anos, uma série de esforços internacionais para monitorá-la.
Um deles é o Samoc. Os pesquisadores brasileiros, argentinos e norte-americanos assumiram a responsabilidade de realizar monitoramentos na parte oeste da linha Samba. Já os pesquisadores da África do Sul e da França estudam a região leste, e os dos Estados Unidos, em colaboração com outros países – incluindo o Brasil –, planejam a implantação do sistema de monitoramento na parte central da linha.
“Nosso objetivo é que o Brasil assuma a liderança e passe a cobrir toda a extensão dessa latitude [do Chuí à África do Sul] em cooperação com outros países, de modo a garantir o monitoramento da linha Samba e obter informações para inferir variações no sistema de transporte de calor entre os oceanos que, eventualmente, podem ter impactos no clima tanto em escala regional como global”, contou Campos.
Os primeiros experimentos da participação brasileira no projeto foram feitos no fim de 2009, durante um cruzeiro realizado pelo navio hidroceanográfico Cruzeiro do Sul, adquirido pela Marinha do Brasil em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Em dezembro de 2012, os pesquisadores brasileiros realizaram a segunda série de experimentos durante o primeiro cruzeiro internacional realizado pelo Alpha Crucis.
Primeiro cruzeiro do Alpha Crucis – Nesse primeiro cruzeiro, a embarcação saiu do porto de Santos em direção a um ponto na latitude 34.5 graus sul (situado a cerca de 1,4 mil quilômetros da costa brasileira). Desse ponto e ao longo dessa latitude, o navio voltou ao litoral do Brasil, na divisa com o Uruguai.
Durante esse trajeto, percorrido em 17 dias, os pesquisadores a bordo fizeram a coleta de diversos tipos de dados oceanográficos, como medição da corrente, temperatura, concentração de oxigênio e salinidade da água, por meio de uma série de instrumentos disponíveis na embarcação.
Além disso, instalaram no fundo do oceano, ao longo da extremidade oeste da linha Samba, medidores de condutividade, temperatura, oxigênio e flúor, e ecossondas com sensor de pressão e velocidade das correntes marinhas.
Chamadas CPIES (sigla de Current, Pressure Inverted Echo-Sounders), essa ecossondas emitem um sinal sonoro em direção à superfície do oceano. Conforme o tempo gasto para o sinal chegar à superfície e retornar ao fundo, na forma de um eco, é possível inferir a densidade e temperatura das correntes marinhas e, assim, estimar a velocidade com que estão transportando calor através da seção vertical determinada por dois desses sensores, explicou Campos.
“Os instrumentos instalados durante o primeiro cruzeiro internacional do Alpha Crucis realizam medições continuamente; os dados ficam armazenados e podem ser coletados via satélite, por meio de ‘mensageiros’ que são liberados periodicamente e, ao chegar à superfície, transmitem os dados para os satélites. Podem também ser coletados por transdutores acústicos em navios oceanográficos que, ao passarem perto dos equipamentos extraem os dados catalogados para que façamos as análises”, detalhou Campos.
“Com o primeiro cruzeiro do Alpha Crucis conseguimos coletar uma quantidade de informações bem maior do que tínhamos e realizar a análise das variabilidades no processo de transferência de calor do Atlântico Sul para o Atlântico Norte, demonstrada no artigo publicado no JGR”, afirmou.
De acordo com o pesquisador, as análises – que também incluem dados históricos e resultados de modelos numéricos – indicaram alterações no Atlântico Sul. Tais mudanças, segundo ele, estão de acordo com hipóteses levantadas anteriormente de que o volume de água que o oceano recebe do Índico está aumentando e alterando a concentração de sal de sua massa de água – uma vez que as águas do Índico possuem maior quantidade de sal (salinidade) e temperatura mais elevada do que as encontradas na latitude a 34.5 graus sul do Atlântico.
Esse aumento da concentração de sal no Atlântico Sul pode alterar o fluxo de suas águas para o Atlântico Norte e o processo de troca de calor com a atmosfera, alertou Campos.
“Mudanças mínimas na temperatura ou na concentração de água alteram o processo de troca de calor da superfície do oceano com a atmosfera, e a resposta no clima pode ser até mesmo catastrófica”, afirmou.
“O clima depende de como o oceano troca calor com a atmosfera e como redistribui essa temperatura para o resto do planeta”, ressaltou Campos.
O pesquisador ressalvou que, em razão dos dados coletados abrangerem um período de apenas 20 meses, ainda não é possível obter sinais de mudanças climáticas com base apenas nas observações realizadas, uma vez que para isso as informações precisariam ser obtidas por períodos muito mais longos – de décadas, por exemplo.
O estudo, no entanto, representa uma das primeiras contribuições para entender como o transporte de calor ocorre no Atlântico Sul e varia em escalas de meses e anos, ponderou.
“Nosso objetivo é obter esses dados por períodos muito maiores do que alguns anos por meio de outros cruzeiros planejados com o Alpha Crucis”, disse Campos.
“De qualquer forma, o estudo já é um resultado prático, baseado em dados coletados por cruzeiros realizados pelo Alpha Crucis, que contribuiu de forma significativa para as observações no Atlântico Sul”, avaliou. (Fonte: Agência Fapesp)
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