quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Cientistas do Brasil avançam em testes para obter vacina contra o HIV
Pesquisadores brasileiros deram mais um passo para a obtenção de uma vacina anti-HIV.
Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) testaram em primatas uma vacina com 18 fragmentos do HIV (causador da Aids) e constataram que o sistema imunológico dos primatas – parecido com o dos humanos – conseguiu se fortalecer para combater o vírus.
Segundo o pesquisador Edécio Cunha-Neto, do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, ligado à USP, o resultado é considerado positivo, pois se mostrou mais eficaz que os experimentos feitos com camundongos que tiveram o DNA modificado para imunologia similar à dos seres humanos.
“A pior e a melhor respostas obtidas nos testes com macacos foram de quatro a dez vezes maiores que os resultados com os camundongos”, disse o especialista ao G1.
Na prática, o sistema imunológico dos primatas, mais parecido com o dos humanos, ficou mais fortalecido para combater o vírus da Aids em caso de contaminação.
O objetivo dos pesquisadores é chegar o mais próximo da realidade humana, até que os testes clínicos com pessoas, previstos para começar em três anos, tenham início.
Projeto de longo prazo – O desenvolvimento desta vacina começou em 2002 e se baseia premissas jamais pesquisadas no mundo. O imunizante contido nela, batizado de HIVBr18, foi desenvolvido e patenteado pela USP.
Para criá-la, os pesquisadores resolveram identificar fragmentos do HIV que pudessem desencadear uma reação ao vírus no corpo humano, por meio de um software. Foram encontrados 18 e todos eles foram embutidos na vacina de DNA.
Em testes feitos com camundongos, e agora com os macacos, esses fragmentos, chamados de peptídeos, se mostraram eficazes em gerar uma reação para combater o vírus HIV.
A próxima etapa dos testes deve acontecer com outros 28 primatas ao longo de 24 meses. Eles serão divididos em quatro grupos e receberão duas ou três doses da vacina, com diferentes combinações de três vetores virais (adenovírus 68, que causa resfriados em chimpanzés; vírus da vacina da febre amarela e um derivado da vacina da varíola).
A equipe acredita que os fragmentos de HIV contidos na vacina já sejam suficientes para o hospedeiro (macaco) combater uma infecção. (Fonte: G1)
Exploração do fundo do mar alarma cientistas
Cientistas americanos pediram uma cooperação internacional para preservar os ecossistemas do fundo do mar, cujas riquezas minerais e pesqueiras são cobiçadas pela indústria internacional.
“Estes ecossistemas cobrem mais da metade da Terra e, levando-se em conta sua importância para a saúde do nosso planeta, é imprescindível preservar sua integridade”, afirmou no domingo a diretora do Centro de Biodiversidade Marinha e Conservação do Instituto Scripps de Oceanografia em San Diego (Califórnia, oeste dos Estados Unidos), Lisa Levin.
“A industrialização que dominou o século XX em terra se tornou uma realidade nas grandes profundezas marinhas”, advertiu Lisa, durante sua apresentação na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), celebrada neste fim de semana em Chicago (norte).
Com a duplicação da população mundial nos últimos 50 anos, a demanda por produtos alimentícios, de energia e de matérias-primas procedentes do oceano aumentou consideravelmente.
“Na medida em que esgotamos as reservas de peixes ao longo da costa, a indústria pesqueira está se voltando para as águas profundas”, prosseguiu a bióloga.
Além do esgotamento dos recursos pesqueiros, os ecossistemas dos fundos marinhos estão ameaçados pela exploração de minerais como o níquel, o cobalto, o manganês e o cobre, afirmou, destacando que a exploração de combustíveis costuma ser realizada a mais de mil metros de profundidade.
Quadruplicar em 50 anos a demanda de energia já se traduziu na instalação de duas mil plataformas de petróleo em alto-mar.
Enormes avanços na robótica – O setor minerador explora as profundezas marinhas em busca de minerais e terras raras essenciais para a eletrônica – de telefones celulares a baterias para carros híbridos.
Segundo a pesquisadora, “já são vendidas concessões em vastas áreas de grandes profundidades oceânicas para extrair os recursos necessários à nossa avançada economia”.
Diante desta situação, ela pediu “uma cooperação internacional e a criação de uma entidade capaz de estabelecer uma governança para a gestão destes recursos”.
Para a diretora do Laboratório Marinho da Universidade de Duke (Carolina do norte, sudeste), Cindy Lee Van Dover, “é imprescindível trabalhar com a indústria e os organismos de governança para implementar regulações ambientais progressivas e apoiadas na ciência antes de empreender estas atividades”.
“Em 100 anos, queremos que se diga que fizemos o que era certo”, acrescentou.
“A exploração mineradora dos grandes fundos marinhos não pertence mais à ficção científica. Todos esses recursos de mineração existem… E temos feito avanços significativos na robótica que proporcionam um acesso sem precedentes” a eles, afirmou a cientista.
“Caberia perguntar se o valor do que se extrai é maior do que o dano ao ecossistema”, argumentou o diretor do programa sobre Políticas Oceânicas e Costeiras da Universidade de Duke, Linwood Pendleton.
Outras questões pendentes, segundo o pesquisador, passam por “como reparar os consideráveis danos já causados pela pesca de arrasto, a contaminação e outras atividades”.
“Devemos responder a essas questões científicas antes que se iniciem atividades industriais”, advertiu, destacando que os fundos marinhos alojam uma diversidade genética quase infinita e representam, portanto, uma fonte potencial de novos materiais e medicamentos. (Fonte: UOL)
Pesquisadores descobrem mecanismo de entrada do vírus da dengue em células humanas
Uma equipe formada por pesquisadores da Carolina do Norte apresentará, no próximo sábado, 15 de fevereiro, uma descoberta importante no que diz respeito ao vírus da dengue em células humanas. O anúncio deve ser feito durante a 58ª Reunião Anual da Sociedade Biofísica, que acontece em São Francisco, EUA.
A pesquisadora Liu, ao lado de uma equipe composta por biólogos, químicos e outros especialistas, examinou como age a proteína conhecida como DC-SIGN, na superfície de células do sistema imunológico, chamadas células dendríticas.
A função da proteína DC-SIGN é capturar agentes causadores de doenças, de modo que fragmentos desses mesmos agentes se transformem em antigênicos – moléculas capazes de iniciar uma resposta imune e que produzem um anticorpo específico. Essas moléculas são então reconhecidas pelas células T – as principais células do sistema imunológico – culminando no primeiro passo de uma resposta do sistema imunológico.
Embora já fosse conhecido que a dengue usava as proteínas DC-SIGN para atacar as células, a equipe usou microscópios de alta resolução para estudar como exatamente o vírus usa a proteína para entrar no organismo. Segundo Liu, é provável que o HIV e a bactéria que causa a tuberculose ajam da mesma forma.
“Uma vacina, ou um medicamento eficaz, deve parar o processo de entrada do vírus da dengue em células”, completou a pesquisadora. Para tanto, a equipe identificou fortes anticorpos de neutralização que bloqueiam a infecção pelo vírus da dengue. “Nós estamos estudando os detalhes de como esses anticorpos de neutralização agem e qual é o papel das proteínas DC -SIGN no processo de neutralização”.
Ao identificar o mecanismo de neutralização de anticorpos, o grupo espera avançar no desenvolvimento de vacinas para infecções pelo vírus da dengue. (Fonte: Terra)
Cinco exemplos brasileiros rumo a um futuro mais sustentável
Porto Alegre (RS), Betim (MG), Manaus (AM), Fortaleza (CE) e Sorocaba (SP). Você sabe o que estas cidades têm em comum? Elas foram candidatas a capitais nacionais do Brasil no “Desafio das Cidades da Hora do Planeta”, iniciativa da Rede WWF e do ICLEI que promove as atitudes sustentáveis de municípios ao redor do planeta. Cada país terá uma capital nacional da Hora do Planeta e, dentre elas, uma será eleita a capital global. Embora as cinco cidades não tenham chegado à final brasileira, seus projetos caminham rumo a um meio ambiente mais limpo e saudável e as credenciam para alcançar a final no Desafio em 2015.
O caso de Betim é emblemático. No formulário de inscrição, Leonardo Gomes, chefe da seção de Programas e Projetos Ambientais da Secretaria, divulgou nada menos do que 18 atividades da Secretaria de Meio Ambiente nas áreas de adaptação, mitigação e ações da comunidade. Entre elas, o Centro de Referência em Energias Renováveis e a implantação de aquecedores solares em conjuntos habitacionais de baixa renda. Na área de arborização, o município tem uma parceria com a Rede Globo no Programa Uma Vida, Uma Árvore. A cada nascimento na região, uma nova muda é plantada.
A paulista Sorocaba não fica atrás quando o assunto é a cobertura verde da cidade. Criado para semear e cultivar árvores em locais previamente definidos, o Plano de Arborização Urbana plantou mais de 500 mil árvores de mais de 100 espécies diferentes nos últimos anos. Onde? Em ruas, praças, parques e áreas de recuperação, como as Áreas de Preservação Permanente (APPs). Na área de mobilidade urbana, Sorocaba desenvolveu o Programa IntegraBike, que oferece aluguel gratuito de bicicleta para seus habitantes. São 152 distribuídas em 19 estações.
Em fase de preparação para sediar jogos da Copa do Mundo FIFA 2014, Manaus também está em análise para realizar seu primeiro inventário de emissão de gases de efeito estufa de avaliação de impactos e mitigações do evento. Por enquanto, a SEMMAS (Secretaria de Meio Ambiente de Manaus) atua em projetos como a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), com o objetivo, por exemplo, de guiar os setores públicos na adoção de princípios sustentáveis em suas atividades.
projeto 300x200 Cinco exemplos brasileiros rumo a um futuro mais sustentável
Projeto Integrado Socioambiental (PISA) tem a meta de aumentar a capacidade de tratamento de esgotos em Porto Alegre dos 27% atuais para 77%. Foto: © Vera Petersen/Divulgação PMPA
Do Norte ao Sul, Porto Alegre também mostra potencial para chegar à final do Desafio das Cidades em 2015. Um dos exemplos é o PISA (Projeto Integrado Socioambiental), cuja meta é aumentar a capacidade de tratamento de esgotos na capital gaúcha dos 27% atuais para 77%. Outra mudança prevista é o novo Código de Limpeza Urbana, lei instituída em janeiro de 2014. Ela será implementada até o dia 7 de abril e visa educar a população e tornar a cidade mais limpa com a aplicação de multa a quem descartar resíduos de forma irregular nas ruas.
Única representante do nordeste, Fortaleza apresenta três projetos em preparação para um futuro mais sustentável. O primeiro é uma estrutura montada para controlar as diferentes células de poluição urbana, como atmosférica, visual, sonora, efluentes, posturas de edificações e resíduos. Já o Plano de Arborização, em processo licitatório, tem a meta de ampliar o ínfimo percentual de cobertura verde da cidade – dos atuais 4% para 12% até o fim de 2016. Por fim, com o Reciclando Atitudes, Fortaleza realiza ação permanente de coleta seletiva de resíduos específicos, como lixo eletrônico, casca de coco e pilhas.
São as cidades brasileiras tentando deixar um futuro mais limpo para as próximas gerações.
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.
Poderia um acelerador de partículas “turbinado” destruir a Terra?
O acelerador de partículas chamado Colisor Relativístico de Íons Pesados (RHIC, na sigla em inglês), do Laboratório Nacional Brookhaven, Estados Unidos, é o segundo maior do mundo, atrás apenas do Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Suíça.
Quando construído, o plano era usá-lo por 10 anos. Agora, 5 anos depois do “fim do prazo de validade”, ele vai receber uma atualização que vai permitir que aumente em 20 vezes o número de colisões além do que foi projetado, operando a uma luminosidade 18 vezes maior. A luminosidade, neste caso, é a razão entre interações detectadas em relação ao diâmetro da região de reações. Em outras palavras, ele será capaz de detectar 18 vezes mais interações. Parece uma coisa boa, mas nem todo mundo pensa assim.
O professor de direito Eric E. Johnson, da Universidade da Dakota do Norte (EUA), e Michael Baram, outro professor de direito na Universidade de Boston (EUA), acham que os físicos deveriam analisar se o colisor continuará sendo seguro após a atualização. O receio deles é que, ao trabalhar com um número maior de energia e colisões, as chances da criação de microburacos negros e de strangelets aumente. Os strangelets são uma forma hipotética de matéria de quarks que, nas condições corretas, poderiam iniciar um processo de reação em cadeia que transformaria tudo que tocassem em matéria estranha, eventualmente tornando a Terra em uma esfera hiperdensa com algumas centenas de metros de diâmetro.
O curioso é que, pela teoria, a produção de strangelets pede energias menores que as energias máximas que os colisores estão acostumados a trabalhar, e o RHIC, projetado para funcionar na faixa dos 100 GeV, tem feito experimentos na faixa dos 7,3 GeV por longos períodos de tempo. Outro receio é que o RHIC ou outro colisor qualquer acabe criando um microburaco negro. Bastante assustador, não?
Se você acha que já viu alguma discussão parecida no passado, você está absolutamente certo. Quando o LHC estava sendo finalizado, os físicos e cientistas tiveram que parar tudo e provar na ponta do lápis que ele era seguro, e que não destruiria a Terra. Os mesmos advogados que tentaram pará-lo agora estão querendo uma reavaliação da segurança do RHIC. Mas o que há de real nestas ameaças? Esquecendo por um instante que os estrangelets são elementos hipotéticos, e que miniburacos negros, mesmo que existam e sejam gerados por algum acelerador de partículas não conseguiriam absorver matéria a uma taxa que os tornasse perigosos ao planeta, existe algum risco de abrirmos uma caixa de Pandora da ciência?
Não. Na própria natureza existem fenômenos semelhantes aos criados por aceleradores de partículas e colisores, e ainda estamos seguros. Por exemplo, toda vez que uma estrela explode, ela acaba acelerando partículas a velocidades e energias muito maiores do que dos nossos aceleradores de partículas, e estas partículas viajam pelo universo praticamente sem perder energia até atingir algum planeta, colidindo com as moléculas na atmosfera deste planeta. Nosso planeta é bombardeado constantemente por prótons, nêutrons, neutrinos, e outras partículas a velocidades fantásticas que nossos físicos só sonham em fazer algum dia, gerando uma chuva de sub-partículas que acabam se transformando em outras e sendo absorvidas ou sumindo por aí.
A ciência já sabe disso há muito tempo, e importantes descobertas foram feitas no alto de montanhas, quando ainda não tínhamos aceleradores de partículas. Um dos físicos brasileiros mais famosos, César Lattes, descobriu o méson-pi desta forma. Considerando que a Terra existe há pelo menos 4,5 bilhões de anos e ainda não foi transformada em uma esfera de matéria estranha superdensa, é de se supor que as condições para que isto aconteça são extremamente raras. Tão raras que um acelerador de partículas funcionando por 1.000 anos jamais conseguiria produzi-las.
Por outro lado, pode ser que neste mesmo momento tenha começado uma reação em cadeia no nosso sol, e ele vá se transformar em uma esfera superdensa de matéria estranha em algumas horas. Quem sabe? [io9, PhysOrg, IBTimes]
Cânions em SC foram formados há 150 milhões de anos
Os Aparados da Serra são as encostas verticais no Sul do Brasil. A região, conhecida pelos cânions, foi chamada assim por tropeiros porque as encostas parecem ser aparadas à faca. Nesta região, divisa entre o Sul de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, fica localizado o Parque Nacional Aparados da Serra Geral.
O local é uma unidade de conservação criada em 1959, com área estimada de 10.250 hectares. Em Santa Catarina, a entrada pode ser feita por duas trilhas: a do Boi e a do Malacara, que leva para dois cânions diferentes. O acesso é pela Rodovia SC-450, no município de Praia Grande.
A parte superior do planalto pertence ao estado do Rio Grande do Sul, enquanto os paredões e vales, a Santa Catarina. No lado catarinense, o relevo é acentuado, com montanhas e abismos que recortam a borda do planalto, interrompendo bruscamente o imenso e levemente ondulado platô gaúcho. Mas é do lado do Rio Grande do Sul que é possível ver os vales profundos de Santa Catarina. Uma área de mais de 30 mil hectares repleta de belezas e muita biodiversidade.
Os cânions foram formados há mais de 150 milhões de anos, com a ação de vulcões, do sol, da chuva e dos ventos. “Erosão, provocada por fissuras, rachaduras dessas grandes rochas, onde a água se infiltrou e começou a abrir essas fendas que hoje são os grandes cânions. Tanto que é um movimento ainda dinâmico”, explicou o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Magno Severo.
“A geografia aqui é tão peculiar que a gente tem uma diferença grande de ecossistemas e climas. Inclusive aqui em cima a gente tem clima temperado, lá embaixo, a gente tem clima tropical. Gera uma diversidade biológica natural muito grande”, afirmou Lúcio Santos, também analista do ICMBio.
Os recursos hídricos também são destaque na região. “Nós temos aqui uma grande concentração de nascentes de pelo menos três bacias hidrográficas. Mampituba, por exemplo. A gente tem a bacia do Taquari-antas, que drena para o Guaíba e a Lagoa dos Patos, vai sair no Rio Grande do Sul. E, ao Norte, nós temos a bacia do Araranguá”, explicou Lúcio Santos.
O maior cânion e o mais famoso é o de Itaimbezinho, que em tupi-guarani quer dizer “pedra cortada”. São paredões que chegam a mais de 700 metros de altura. Pela trilha do rio do boi é possível ter uma visão diferenciada do local. São 16 quilômetros e aproximadamente 10 horas de caminhada sobre o leito do rio. Segundo especialistas, o Itaimbezinho fica entre paredões de até 720 metros de altura. (Fonte: G1)
EUA dizem que aquecimento global é arma de destruição em massa
O secretário de Estado americano, John Kerry, que se encontra visitando a Ásia, afirmou neste domingo (16), em Jacarta, que a comunidade internacional deve reforçar sua luta contra o aquecimento global, que, segundo ele, é uma arma de destruição em massa.
Em um discurso para estudantes indonésios, Kerry advertiu que os países asiáticos próximos ao nível do mar estão especialmente ameaçados pela alta das águas.
“Os países do sudeste asiático se encontram na primeira linha da mudança climática”, afirmou.
O chefe da diplomacia americano comparou o aquecimento global com outras ameaças como o terrorismo ou a proliferação nuclear, âmbito nos quais as nações devem trabalhar para conseguir um mundo mais seguro.
“Em certo sentido, a mudança climática pode ser considerada outra forma de destruição em massa, talvez a arma mais aterradora”, indicou John Kerry.
“Os dez anos mais quentes foram registrados desde que o Google entrou em funcionamento em 1998″, afirmou.
O secretário de Estado, citando cientistas, advertiu que se o mundo não reagir, o nível do mar poderá subir um metro antes do final do século.
“Um metro basta para submergir a metade de Jacarta. Um metro obrigaria a deslocar milhões de pessoas ao redor do mundo e custaria milhares de milhões de dólares para a atividade econômica”, explicou Kerry.
A Indonésia, um arquipélago composto por 17 mil ilhas, é um dos principais países emissores de gases causadores do efeito estufa.
O chefe da diplomacia visita a Indonésia depois de viajar à Coreia do Sul e a China.
Mais cedo, ele visitou a maior mesquita do sudeste asiático como demonstração de respeito pelo Islã no país com a maior população muçulmana do mundo.
Kerry percorreu a imensa mesquita de Istiqlal acompanhado do grande imã Kyai al Hajj Alí Mustafá Yaqub, depois de deixar seus sapatos na entrada do templo.
O chefe da diplomacia americana, que agradeceu ao imã por poder conhecer o templo, declarou à imprensa que era um privilégio visitar a mesquita, que definiu como ‘um lugar extraordinário’.
A administração do presidente Barack Obama tenta reparar os danos causados nas relações entre os Estados Unidos e o mundo muçulmano desde o início dos anos 2000.
Washington e outros países ocidentais assinalam que a Indonésia é uma ponte entre eles e os muçulmanos.
O presidente americano, que passou uma parte de sua infância em Jacarta, também visitou esta mesquita em 2010.
“Todos nós pertencemos a um deus e a fé em Abraão une a todos no amor ao próximo e para honrar a Deus. Que a paz esteja convosco”, escreveu Kerry no livro de visitas da mesquita, que durante o mês sagrado do Ramadã recebe até 130 mil fieis. (Fonte: G1)
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Estudo de 11 anos procurou ligação entre uso de celular e câncer
De acordo com o resultado de um estudo de 11 anos financiado conjuntamente pelo governo e a indústria de telecomunicações do Reino Unido, não há nenhuma ligação entre telefones celulares e quaisquer problemas de saúde.
O estudo também não encontrou nenhuma evidência de que a exposição a emissões de estações de telecomunicações durante a gravidez aumente o risco de leucemia infantil.
O programa de Telecomunicações Móveis e Pesquisa em Saúde foi o maior do Reino Unido a olhar para os possíveis riscos de saúde associados à tecnologia de telefonia móvel.
“Este programa independente agora está completo e, apesar da exaustiva pesquisa, não encontramos nenhuma evidência de riscos para a saúde das ondas de rádio produzidas por telefones celulares ou estações de telecomunicações”, disse David Coggon, que participou do estudo.
Celulares são possivelmente cancerígenos, segundo OMS
Campos eletromagnéticos são encontrados em torno de telefones celulares, telefones e redes sem fio, estações de telefonia móvel, transmissores de radiodifusão e outros equipamentos de comunicação.
A nova pesquisa adiciona evidências a diversos outros estudos que chegaram a mesma conclusão: nada disso causa câncer.
Por exemplo, um estudo do Imperial College London não encontrou nenhum padrão para sugerir que os filhos de mães que viveram perto de uma estação de telecomunicação durante a gravidez têm risco maior de desenvolver câncer.
Outra pesquisa da Universidade de Oxford também revelou que crianças que vivem perto de linhas de energia não têm risco aumentado de leucemia.
Afinal, celulares causam câncer ou não?
Os boatos dos perigos da telefonia móvel vieram de uma pesquisa anterior que sugeriu que apenas meia hora de uso de celular por dia podia aumentar o risco de um tumor no cérebro em 40%. [DailyMail]http://hypescience.com/
Brasil é o 2º país que mais cultiva transgênicos, diz relatório
O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades geneticamente modificadas de grãos e fibras do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, segundo relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, na sigla em inglês).
Em 2013, os produtores brasileiros cultivaram 40,3 milhões de hectares com soja, milho e algodão transgênicos, enquanto os Estados Unidos, país líder no plantio de transgênicos, semearam 70,2 milhões de hectares.
A Argentina ficou em terceiro lugar, com 24,4 milhões de hectares, seguida por Índia (11 mi/ha), Canadá (10,8 mi/ha), China (4,2 mi/ha), Paraguai (3,6 mi/ha), África do Sul (2,9 mi/ha), Paquistão (2,8 mi/ha), Uruguai (1,5 mi/ha), entre outros, mostrou o levantamento.
Ainda segundo o relatório, o Brasil foi o país que registrou o maior crescimento em área para produção com transgênicos, com um aumento de 10% na comparação com 2012. No último ano, a área com uso sementes geneticamente modificadas aumentou em 3,7 milhões de hectares no Brasil. Proporcionalmente, é mais que o triplo da média mundial de aumento, que foi de 3%.
Na China, o uso dos transgênicos cresceu 5%, para 4,2 milhões de hectares. Nos Estados Unidos, o cultivo dessas sementes parece ter alcançado seu pico, com crescimento inferior a 1% em 2013.
Produtores em todo o mundo cultivaram em 2013 um recorde de 175,2 milhões de hectares de lavouras transgênicas, segundo o ISAAA.
“Os transgênicos permitiram a intensificação da produção global e, principalmente, brasileira, contribuindo para evitar que a agricultura disputasse área com reservas de biodiversidade nos 27 países em que são cultivados”, observou Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil, no documento.
O órgão calcula que 497 milhões de quilos de defensivos químicos deixaram de ser usados graças à adoção de transgênicos resistentes a insetos (Bt) e a herbicidas entre 1996 e 2012. Só em 2012, a ISAAA estima, ainda, que 26,7 bilhões de quilos de dióxido de carbono, um volume equivalente À emissão de 11,8 milhões de carros em um ano, deixaram de ser lançados na atmosfera com o plantio de cultivares geneticamente modificadas.
Nem todos os países onde os agricultores têm tentado culturas biotecnológicas expandiram seu uso no ano passado. O plantio de lavouras geneticamente modificadas caiu 7% no Canadá no ano passado ante 2012, e manteve-se estável ou recuou na África do Sul, Austrália e México.
Críticos das lavouras geneticamente modificadas dizem que os transgênicos levam ao aumento do uso de pesticidas, causam danos ao meio ambiente e argumentam que até o momento não foi provado que estes produtos são seguros para o consumo humano e animal. (Fonte: G1)
Até 2050 mundo pode desmatar área equivalente ao tamanho do Brasil, alerta ONU
Cerca de 849 milhões de hectares de terra – quase o tamanho do Brasil – podem ser desmatados até 2050, caso os padrões atuais de uso da terra continuem, alerta relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançado na última sexta-feira (24) em Davos, na Suíça.
Segundo o relatório “Avaliação Global do Uso da Terra: Equilíbrio do Consumo com o Fornecimento Sustentável”, a necessidade de produzir alimentos para uma população global em crescimento levou a agricultura a ocupar 30% das terras do mundo, resultando em uma degradação e perda de biodiversidade em 23% dos solos globais.
“Como a terra é um recurso limitado, precisamos nos tornar mais eficientes na forma de produzir e consumir. As recomendações do relatório alertam líderes e contribuem para as discussões sobre o uso sustentável de recursos, incluindo novas metas para o desenvolvimento sustentável pós-2015”, afirmou o subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, no lançamento do documento.
O estudo foi produzido pelo International Resource Panel (IRP) com a participação de 27 cientistas, 33 representantes de governo e especialistas, e está disponível em inglês no site do Pnuma.
Fonte: Diário do Nordeste / ONU Brasil.
Extremos climáticos mostram que futuro já chegou
Temperaturas máximas recordistas no Brasil, secas e nevascas intensas no Hemisfério Norte atestam que mundo perde tempo precioso para mitigar efeitos do aquecimento
No dia 31 de janeiro, das 10 estações meteorológicas que indicavam as maiores temperaturas do mundo, seis estavam no Rio e outras três no Brasil. A campeã mundial foi Joinville, em Santa Catarina, onde a sensação térmica chegou a 52 graus. O Rio ficou em segundo, com 51. A única fora do Brasil foi El Vigia, na Venezuela. O ranking é do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), com base em informações de 4.232 estações acessadas pelo Inpe. Os que moram no Rio sentem isto na pele, agravado pela longa estiagem — as precipitações em janeiro foram de apenas 58mm, quando a média para o mês na cidade é de 202mm. Na terça-feira, a temperatura bateu novo recorde: 40,8 graus em Santa Cruz, com a sensação térmica de incríveis 57 graus.
Enquanto isso, nos EUA (Hemisfério Norte), nevascas das mais intensas já registradas criam problemas de todo o tipo. Nos últimos dias de janeiro, tempestades de neve atipicamente atingiram o Sul dos EUA, do Texas e Geórgia até as Carolinas, uma área de 60 milhões de habitantes. Sete pessoas morreram e o fechamento de rodovias e avenidas transformou Atlanta num caos. Na terça, 905 voos foram cancelados e 3.100 sofreram atrasos. Já no Alasca, a paisagem da costa muda rapidamente porque os lagos degelam mais cedo. Entre 1991 e 2011, a região perdeu 22% de sua camada de gelo, revelou estudo na revista “Cryosphere”, segundo o qual a causa são as mudanças climáticas.
Estudos americanos indicaram que a temperatura do planeta se manteve em alta em 2013. Segundo a Nasa, a média global foi de 14,6 graus centígrados, empatando com 2006 e 2009 como o sétimo ano mais quente desde 1880, quando as medições começaram. As temperaturas globais começaram a subir no final dos anos 1960, fenômeno associado ao acúmulo de gases estufa na atmosfera. A quantidade de dióxido de carbono é mais alta hoje do que em qualquer momento nos últimos 800 mil anos, adverte a Nasa.
Hoje, a maioria dos cientistas concorda que a ação humana contribui para as mudanças climáticas. Mas os principais líderes mundiais estão devendo muito em chegar a consensos que possibilitem ações essenciais para o futuro da Humanidade. Um grande avanço foi o governo dos EUA anunciar a criação de sete centros climáticos regionais para auxiliar fazendeiros e comunidades a enfrentar secas, inundações, incêndios e pestes. E a Agência de Proteção Ambiental (EPA) baixará normas severas para reduzir as emissões de termelétricas a carvão. Estão no caminho certo. No final de março, haverá nova avaliação do problema, com a divulgação, em Yokohama, no Japão, de novo relatório sobre o impacto das mudanças climáticas, elaborado por especialistas de mais de cem países reunidos no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Pode-se discutir em que proporção a Humanidade contribui para o aquecimento global. Porém, não se deveria mais colocar em dúvida a necessidade da redução das emissões de gases nocivos ao planeta.
Fonte: O Globo.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Por que as mordidas de gato são tão perigosas?
Os cães não são os únicos animais de estimação que às vezes mordem as mãos que os alimentam.
Os gatos também mordem, e quando atingem a mão, podem injetar bactérias profundamente nas articulações e tecidos, criadouros perfeitos para infecções.
Mordidas de gato nas mãos são tão perigosas que 1 em cada 3 pacientes com esses ferimentos têm que ser hospitalizados - e entre aqueles hospitalizados, dois terços têm que passar por cirurgia.
Mulheres de meia-idade são as vítimas mais comuns de mordidas de gatos, de acordo com um estudo da Clínica Mayo (EUA) abrangendo dados de três anos, e que acaba de ser publicado no Journal of Hand Surgery.
Perigo das mordidas de gato
Por que as mordidas de gatos são tão perigosas?
Não é que a boca dos gatos tenha mais germes do que a boca dos cães - na verdade, todo o drama está em suas presas.
"Os dentes dos cães são menos agudos, de forma que eles tendem a não penetrar muito profundamente, tendendo a deixar uma grande ferida depois de morder. Os dentes dos gatos são afiados e podem penetrar muito profundamente, não fazem uma ferida tão grande, mas podem semear bactérias na articulação e nas bainhas dos tendões," diz o Dr. Brian Carlsen, coordenador do estudo.
Assim, o que parece apenas um pequeno furo que vai cicatrizar logo transforma-se em um grande problema porque as bactérias entram na bainha do tendão ou na junta, onde podem crescer com relativa proteção do sangue e do sistema imunológico," acrescenta o Dr. Carlsen.
As bactérias injetadas por uma mordida de gato podem incluir uma cepa comum em animais e particularmente difícil de combater com antibióticos, diz ele.
Cirurgia reconstrutiva
No estudo, os pesquisadores verificaram que os pacientes com mordidas de gato nas mãos tiveram que ficar hospitalizados, em média, por três dias.
Pelo menos oito pacientes - entre os atendidos apenas no hospital onde o estudo foi feito - precisaram de mais de uma operação, e alguns precisaram de cirurgia reconstrutiva devido a um procedimento conhecido como desbridamento - o tecido infectado precisa ser removido.
As pessoas tendem a não dar importâncias às mordidas de gato porque frequentemente elas se parecem com uma alfinetada, enquanto mordidas de cães parecem muito piores, diz o Dr. Carlsen.
Isso é um erro, diz ele: "Mordidas de gato parecem muito benignas, mas como sabemos e como o estudo mostra, elas não são. Elas podem ser muito graves." http://www.diariodasaude.com.br/
Novo site permite denúncia anônima de crimes contra animais selvagens
O tráfico e caça ilegal de animais selvagens é extremamente difícil de se combater. Esses crimes muitas vezes passam despercebidos, mesmo que ameacem muitas espécies.
O lançamento da primeira plataforma segura para denunciar crimes contra a vida selvagem, WildLeaks, pretende mudar essa figura.
O WildLeaks é um espaço para pessoas com informação pertinente sobre tais crimes que podem manter-se anônimas e compartilhar o que sabem sem precisar ir diretamente a agências governamentais.
Segundo os criadores do projeto, denunciantes podem desempenhar um papel vital no fornecimento de informações privilegiadas que podem levar à identificação, prisão e acusação de criminosos, traficantes e funcionários governamentais corruptos.
Com a ajuda dessas pessoas, o cenário pode começar a ficar melhor para os mocinhos do que os bandidos – que hoje possuem muito mais informação e uma rede de contatos maior do que os que tentam os colocar atrás das grades.
A força por trás do WildLeaks é uma equipe chefiada pela Elephant Action League que também inclui organizações como a Agência de Investigação Ambiental do Reino Unido, a Oxpeckers Center da África do Sul, a EcoJust na Holanda, a Global Eye, que opera na África e Sudeste da Ásia, o 100Reporters e outras que preferem manter o anonimato por razões de segurança.
Como funciona
Segundo o líder do projeto, Andrea Crosta, apesar da semelhança no nome, o programa é diferente do famoso site WikiLeaks, primeiro porque não está atrás de segredos de Estado ou militares, e depois porque não irá automaticamente vazar informação para a mídia.
“As mensagens que recebermos serão avaliadas e verificadas e, então, decidiremos o que fazer com elas. Talvez iniciar uma investigação, talvez compartilhá-la com nossos contatos de confiança dentro da lei, ou talvez vazar para a mídia”, explica.
O sistema é capaz de receber informações de duas maneiras diferentes: confidenciais ou anônimas. Em ambos os casos, a informação é totalmente criptografada. A diferença entre os dois tipos é que a confidencial irá percorrer os https regulares, enquanto a submissão anônima irá percorrer a rede Tor, também chamada de darknet (porque às vezes é usada por bandidos).
Tor é um software composto de uma cadeia de proxies que trabalha para esconder o endereço IP original do usuário (sua identidade na internet), de modo que nenhuma outra terceira entidade possa ver o que você está fazendo. É um sistema muito seguro.
Em ambos os casos, a organização não saberá quem é o remetente ou onde ele está. A informação enviada é a mesma, só muda a partir do ponto de vista do remetente. Se, por exemplo, o remetente vive em um país com um regime repressivo, como a China, e está relatando um oficial corrupto, pode ser melhor baixar o navegador Tor.
Andrea reafirma que o WildLeaks não é uma agência governamental. Mesmo que você esteja parcialmente envolvido no crime que está denunciando, pode relatá-lo em completo anonimato.
Ajude o Brasil
A imensa biodiversidade brasileira torna nosso país um dos principais alvos dos traficantes de fauna silvestre. No mundo todo, o comércio ilegal de animais é a terceira maior atividade ilícita, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas – o lucro é de 10 a 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 24 a 48 mi) por ano, e o Brasil participa com 15% desse valor.
Cerca de 70% do comércio é para o consumo interno, e o restante é exportado. Este tráfico envolve um grande número de pessoas, de capturadores ou caçadores (geralmente pessoas muito pobres que conhecem o habitat dos animais) a grandes comerciantes.
O nosso maior problema são as aves – o Brasil ocupa o 2º lugar no mundo em espécies de aves ameaçadas. Em 2012, dos 14 mil animais silvestres que a Polícia Federal apreendeu em suas operações, cerca de 13 mil eram pássaros. São alvos principalmente aves com cotações altas no mercado internacional, como a arara-azul-de-lear e o papagaio-da-cara-roxa, e pássaros raros vendidos no comércio interno, como o pintassilgo, saíra-pintor, canário-da-terra e papagaio-verdadeiro.
Blue Hyacinth Macaw
Também são vítimas do comércio ilegal cobras, peixes ornamentais, macacos e até anfíbios. A captura ocorre geralmente em lugares em que há grande biodiversidade como a região Norte, o Pantanal e o Nordeste, especialmente nos estados do Maranhão, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Minas Gerais e região amazônica. Os grandes comerciantes ficam no eixo Rio – São Paulo.
A maioria dos animais capturados morre antes de chegar ao seu destino final. Crueldade demais para proveito de poucos, com consequências avassaladoras para o meio ambiente.
Mas você pode fazer a diferença.
Se possuir informações sobre algum desses crimes, envie uma mensagem ao WildLeaks, incluindo coisas como nomes e dados pessoais dos traficantes de animais selvagens, informações sobre eventos específicos, documentos que demonstram uma transação financeira ligada a um crime, nomes de navios ou empresas de transporte envolvidas no tráfico, nomes de compradores internacionais, funcionários públicos corruptos e até mesmo lojas e fábricas que lidam com produtos de animais selvagens ilegais.
O site possui versão em português, mas a tradução é automática e por isso não é perfeita. Quem entende inglês deve preferir usar essa linguagem. [NatGeo, AmbienteBrasil, CienciaeCultura, BelasAves]
Conheça 13 maneiras de reaproveitar sobras e cascas de frutas e vegetais
Cascas podem ser usadas em casa, na comida ou como produto de beleza
Após as refeições, a grande maioria das pessoas joga fora o que sobrou da comida. Isso acontece também após o consumo de frutas e demais vegetais. Mas já está se popularizando a ideia de que esses resíduos aparentemente inúteis podem ser aproveitados de diversas maneiras.
Há preconceitos. Muitos não apreciam o gosto ou a textura das cascas, sem contar que elas têm uma taxa maior de agrotóxicos. Mas ao mesmo tempo, eles têm nutrientes e fibras que são passíveis de reaproveitamento. Independentemente das opiniões, que podem variar, cascas de cítricos, batata, abacate sem o caroço e até mesmo as cascas dos queijos podem ser reaproveitadas. Todos esses alimentos podem ser reaproveitados de três modos: na casa, na comida ou como produto de beleza.
Aqui, mostraremos 13 maneiras de se reaproveitar esses alimentos. Se por acaso você não tiver tempo ou ajuda para fazer os produtos e aplicá-los ao novo fim, não tem problema, pois a maioria deles pode ser congelada para uso posterior. Vamos às receitas:
Casa
1. Limpeza de gordura: antes de usar os produtos considerados tóxicos, como detergentes, na cozinha, experimente o limão. Aplique, na área afetada pela gordura, os seguintes ingredientes: sal e bicarbonato de sódio. Então introduza limão espremido. Só tome cuidado para não utilizar a mistura em superfícies sensíveis, como as feitas de mármore. Atente também para, após a limpeza, lavar bem as mãos para que resíduos do limão não remanesçam em sua pele, pois o contato com o sol pode provocar queimaduras;
2. Limpeza interna de chaleira: sabe quando a parte interna da chaleira fica muito escura? Para limpar, encha-a com água e um punhado de cascas de limão e ponha-a para ferver. Assim que começar a borbulhar, desligue o fogo e deixe descansar por uma hora. Na sequência, é só escorrer e lavar bem;
3. Tecido corante: apesar de a fruta não ser tão comum no Brasil, cascas de romã são ótimos corantes vermelhos de tecido. Basta encher com água quente uma grande panela de aço inoxidável, adicionar cascas de romã e deixar em descanso durante a noite. Ferva a água com as cascas no dia seguinte e, em seguida, remova as cascas e adicione o tecido que você quer tingir de vermelho, mas ele precisa estar molhado. Ferva a roupa por uma hora e deixe-a esfriando durante mais uma noite. Remova-a da panela no dia seguinte, enxague em água fria e a partir daí lave-a com roupas de cores semelhantes;
4. Espante os mosquitos: Use em um daqueles velhos aparelhos repelentes de insetos que são ligados na tomada e substitua o tablete convencional por um pedaço de casca de laranja ou por alguma outra fruta cítrica qualquer;
Comida
5. Congele raspadinhas: se você fez um suco de limão, laranja ou de alguma outra fruta cítrica e as cascas sobraram, você pode ralá-las com um ralador e acondicioná-las no freezer em um recipiente adequado. Quando você tiver vontade, é só retirar as raspas do freezer e fazer sua raspadinha.
6. Azeite cítrico: triture cascas de frutas cítricas com um pilão (em um vaso de metal ou de madeira) com um pouco de óleo. Coloque em um frasco com mais óleo e deixe descansando por seis horas. Depois desse período, acondicione em um recipiente limpo para uso em sua salada;
7. Fazer batatas fritas: misture cascas de batata com bastante suco de limão e azeite. Espalhe as cascas de batata em camadas em uma assadeira e leve ao forno na temperatura de 400 graus, mexendo de vez em quando até dourar (cerca de dez minutos). Tempere a gosto;
8. Faça uma sopa: Ferva cascas de batata, de cebola, de cenoura, além de alho poró e de outros vegetais a gosto para fazer uma bela sopa. Salsinha e cebolinha também vão bem nesse caldo;
9. “Algo a mais” na sopa ou no caldo verde: cascas de queijo podem ser acrescentadas a sopas ou caldos para dar um toque especial no sabor e na textura;
10. Adicionar queijo às verduras: cascas de queijo podem ser acrescentadas às verduras refogadas. O sabor fica excelente;
11. Açúcar mascavo suave: se você é vítima do açúcar mascavo endurecido, tente adicionar casca de limão para mantê-lo úmido e maleável.
Beleza
12. Esfoliação de açúcar da banana: coloque açúcar na casca da banana e esfregue-a suavemente em seu corpo . Em seguida, basta enxaguar no banho;
13. Hidratar: esfregue a parte carnuda da casca de um abacate em seu rosto e você terá um hidratante muito eficiente.
Fonte: eCycle.
Dor lombar: causas, alívio e tratamento
Sabe aquela dorzinha chata que às vezes aparece na parte inferior das costas, na região lombar? Todo mundo já sentiu alguma vez na vida. E, se não sentiu, você não perde por esperar. Isso porque a tal “dor lombar” está cada vez mais famosa nos consultórios médicos – a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que 85% da população sofrem ou vão sofrer deste incômodo.
Nossa bola de cristal está um pouco preguiçosa hoje, então não temos como prever se você vai entrar nessa estatística. Mas, se você souber quais são as principais causas, pode encontrar caminhos para passar bem longe desse mal.
Principais causas
A dor lombar ocorre quando alguma coisa não vai bem com a coluna vertebral. Geralmente, isso acontece quando um músculo ou nervo foi torcido ou estirado. Além disso, os discos intervertebrais, que ficam entre os ossos da coluna e são responsáveis pela nossa mobilidade, tendem a se desintegrar conforme a idade vai chegando, o que diminui a capacidade de absorção de impacto que a sua lombar tinha quando você era criança.
Às vezes, uma pressão sobre os nervos da coluna também pode dar uma sensação de queimação, o que causa dor. Ou seja: basicamente tudo relacionado a hérnia de disco, artrite, estiramento na coluna (também conhecido como estenose espinhal) e escoliose (problema na curvatura da coluna) pode acabar levando a culpa por uma dor lombar.
Mas como é possível judiar tanto assim da coluna?
Sim, a nossa coluna sofre. E muito mais do que você imagina. Os músculos da coluna podem ficar doloridos por conta de uma série de movimentos errados e/ou contínuos que fazemos no dia a dia e, pior: sem perceber. Por exemplo:
Levantar peso de forma errada;
Ficar muito tempo sentado e na postura errada;
Dormir de mal jeito;
Sedentarismo, excesso de peso, gravidez e estresse também estão relacionados entre as principais causas.
Alívio e Tratamento
A boa notícia é que existe solução para dor nas costas.
Se você sentir algumas pontadas ou dores após uma lesão, o indicado é fazer um bom repouso de um ou dois dias e tomar analgésicos. Depois, é só voltar para suas atividades normais.
Exercícios e alongamentos lombares também são muito eficientes para aliviar as dores.
Agora, se a sua dor lombar for daquelas persistentes, procurar um médico especialista é sempre a melhor alternativa. Ele irá indicar o melhor tratamento para o seu caso.
Por fim, é interessante saber que estudos recentes mostram que exercícios específicos voltados para a coluna podem reduzir significativamente a dor em pacientes cuja a causa não é especificada. Outros também comprovaram que a massagem é uma excelente aliada no combate à dor lombar. E, em 2013, uma pesquisa publicada no Clinical Journal of Pain descobriu que a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a treinar pacientes a lidar com a dor, também leva a melhorias significativas.
Prevenção
Já ouviu aquela história de que a melhor defesa é o ataque? Esse com certeza é um desses casos.
e você não pretende passar momentos incômodos na companhia da chatíssima dor lombar, o mais recomendado é que você mantenha boa postura – tanto para andar, sentar e até para dormir. E faça alongamentos antes de começar atividades físicas ou levantar grandes cargas de peso. Os efeitos podem até não ser comprovados, mas uma coisa a gente garante: você não perde nada em tentar. [LiveScience]
Dados sobre temperaturas mundiais são disponibilizados no Google Earth
As informações sobre temperatura de estações meteorológicas de todo o mundo estão agora ao alcance de qualquer internauta que utilizar o Google Earth, em uma iniciativa da Universidade de East Anglia (UEA) para tornar os registros sobre o clima mais acessíveis à população.
Os cientistas da universidade criaram uma alteração no programa para incluir informações da base de dados CRUTEM4, que contém registros de temperatura de cerca de seis mil estações meteorológicas. Ao todo, são aproximadamente 20 mil gráficos, que mostram informações desde 1850.
A interface da modificação mostra o globo dividido em quadriláteros verdes e vermelhos de 5º graus de latitude e longitude. Cada quadrilátero tem cerca de 550 quilômetros de extensão na linha do Equador, se tornando mais estreitos na direção dos polos Norte e Sul.
O layout, que lembra um tabuleiro de xadrez ou uma colcha de retalhos, cobre a maior parte da superfície do planeta e indica as áreas de terra em que há dados disponíveis de estações meteorológicas.
Para acessar os registros, o usuário deve clicar em um dos quadriláteros, que revelam então informações mensais, sazonais e anuais de temperatura. Mais detalhes podem ser adquiridos por download.
“A beleza de usar o Google Earth é que você pode ver instantaneamente onde as estações meteorológicas estão, dar zoom em países específicos e ver a base de dados de estações muito mais claramente”, comentou Tim Osborn, da Unidade de Pesquisa Climática da UEA. Osborn e seus colegas publicaram um trabalho que detalha seu projeto no periódico Earth System Science Data.
Tanta informação, contudo, pode estar suscetível a erros, como a localização exata das estações, já que a escala é pequena. Outro, por exemplo, é que há ‘falhas’ na interface, já que em áreas mais remotas – como a floresta amazônica ou o deserto do Saara – não há estações meteorológicas. Mas isso não preocupa os pesquisadores, pois eles afirmam que isso não influencia no mais importante, que são os registros climáticos.
“Essas falhas não são um problema do ponto de vista científico, porque os registros de temperatura não dependem da localização precisa de cada estação. Mas é algo que melhorará ao longo do tempo, à medida que mais informações detalhadas de localização se tornarem disponíveis. Encorajamos muito que as pessoas nos alertem para quaisquer registros que pareçam incomuns”, observou Osborn. Autor: Jéssica Lipinski - Fonte: Instituto CarbonoBrasil
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz cientista
James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível - e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século
Por Por Jeff Goodell
Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. "Gostaria de ser mais esperançoso", ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse - guerra, fome, pestilência e morte - parece deixá-lo animado. "Será uma época sombria", reconhece. "Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante."
Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. "Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria", sentencia Lovelock. "O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável." Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes - Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.
Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius - quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. "Nosso futuro", Lovelock escreveu, "é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane". E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. "Verde", ele me diz, só meio de piada, "é a cor do mofo e da corrupção."
Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia - a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está "vivo". Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é "uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade". Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. "Jim é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado", diz Branson. E completa: "Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção."
Lovelock sabe que prever o fim da civilização não é uma ciência exata. "Posso estar errado a respeito de tudo isso", ele admite. "O problema é que todos os cientistas bem intencionados que argumentam que não estamos sujeitos a nenhum perigo iminente baseiam suas previsões em modelos de computador. Eu me baseio no que realmente está acontecendo."
Quando você se aproxima da casa de Lovelock em Devon, uma área rural no sudoeste da Inglaterra, a placa no portão de metal diz, claramente: "Estação Experimental de Coombe Mill. Local de um novo hábitat. Por favor, não entre nem incomode".
Depois de percorrer algumas centenas de metros em uma alameda estreita, ao lado de um moinho antigo, fica uma casinha branca com telhado de ardósia onde Lovelock mora com a segunda mulher, Sandy, uma norte-americana, e seu filho mais novo, John, de 51 anos e que tem incapacidade leve. É um cenário digno de conto de fadas, cercado de 14 hectares de bosques, sem hortas nem jardins com planejamento paisagístico. Parcialmente escondida no bosque fica uma estátua em tamanho natural de Gaia, a deusa grega da Terra, em homenagem à qual James Lovelock batizou sua teoria inovadora.
A maior parte dos cientistas trabalha às margens do conhecimento humano, adicionando, aos poucos, nova informações para a nossa compreensão do mundo. Lovelock é um dos poucos cujas idéias fomentaram, além da revolução científica, também a espiritual. "Os futuros historiadores da ciência considerarão Lovelock como o homem que inspirou uma mudança digna de Copérnico na maneira como nos enxergamos no mundo", prevê Tim Lenton, pesquisador de clima na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Antes de Lovelock aparecer, a Terra era considerada pouco mais do que um pedaço de pedra aconchegante que dava voltas em torno do Sol. De acordo com a sabedoria em voga, a vida evoluiu aqui porque as condições eram adequadas: não muito quente nem muito frio, muita água. De algum modo, as bactérias se transformaram em organismos multicelulares, os peixes saíram do mar e, pouco tempo depois, surgiu Britney Spears.
Na década de 1970, Lovelock virou essa idéia de cabeça para baixo com uma simples pergunta: Por que a Terra é diferente de Marte e de Vênus, onde a atmosfera é tóxica para a vida? Em um arroubo de inspiração, ele compreendeu que nossa atmosfera não foi criada por eventos geológicos aleatórios, mas sim devido à efusão de tudo que já respirou, cresceu e apodreceu. Nosso ar "não é meramente um produto biológico", James Lovelock escreveu. "É mais provável que seja uma construção biológica: uma extensão de um sistema vivo feito para manter um ambiente específico." De acordo com a teoria de Gaia, a vida é participante ativa que ajuda a criar exatamente as condições que a sustentam. É uma bela idéia: a vida que sustenta a vida. Também estava bem em sintonia com o tom pós-hippie dos anos 70. Lovelock foi rapidamente adotado como guru espiritual, o homem que matou Deus e colocou o planeta no centro da experiência religiosa da Nova Era. O maior erro de sua carreira, aliás, não foi afirmar que o céu estava caindo, mas deixar de perceber que estava. Em 1973, depois de ser o primeiro a descobrir que os clorofluocarbonetos (CFCs), um produto químico industrial, tinham poluído a atmosfera, Lovelock declarou que a acumulação de CFCs "não apresentava perigo concebível". De fato, os CFCs não eram tóxicos para a respiração, mas estavam abrindo um buraco na camada de ozônio. Lovelock rapidamente revisou sua opinião, chamando aquilo de "uma das minhas maiores bolas fora", mas o erro pode ter lhe custado um prêmio Nobel.
No início, ele também não considerou o aquecimento global como uma ameaça urgente ao planeta. "Gaia é uma vagabunda durona", ele explica com freqüência, tomando emprestada uma frase cunhada por um colega. Mas, há alguns anos, preocupado com o derretimento acelerado do gelo no Ártico e com outras mudanças relacionadas ao clima, ele se convenceu de que o sistema de piloto automático de Gaia está seriamente desregulado, tirado dos trilhos pela poluição e pelo desmatamento. Lovelock acredita que o planeta vai recuperar seu equilíbrio sozinho, mesmo que demore milhões de anos. Mas o que realmente está em risco é a civilização. "É bem possível considerar seriamente as mudanças climáticas como uma resposta do sistema que tem como objetivo se livrar de uma espécie irritante: nós, os seres humanos", Lovelock me diz no pequeno escritório que montou em sua casa. "Ou pelo menos fazer com que diminua de tamanho."
Se você digitar "gaia" e "religion" no Google, vai obter 2,36 milhões de páginas - praticantes de wicca, viajantes espirituais, massagistas e curandeiros sexuais, todos inspirados pela visão de Lovelock a respeito do planeta. Mas se você perguntar a ele sobre cultos pagãos, ele responde com uma careta: não tem interesse na espiritualidade desmiolada nem na religião organizada, principalmente quando coloca a existência humana acima de tudo o mais. Em Oxford, certa vez ele se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e "deixasse que Deus tomasse conta da Terra". Como Lovelock explicou a ela, "se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar".
Gaia oferece uma visão cheia de esperança a respeito de como o mundo funciona. Afinal de contas, se a Terra é mais do que uma simples pedra que gira ao redor do sol, se é um superorganismo que pode evoluir, isso significa que existe certa quantidade de perdão embutida em nosso mundo - e essa é uma conclusão que vai irritar profundamente estudiosos de biologia e neodarwinistas de absolutamente todas as origens.
Para Lovelock, essa é uma idéia reconfortante. Considere a pequena propriedade que ele tem em Devon. Quando ele comprou o terreno, há 30 anos, era rodeada por campos aparados por mil anos de ovelhas pastando. E ele se empenhou em devolver a seus 14 hectares um caráter mais próximo do natural. Depois de consultar um engenheiro florestal, plantou 20 mil árvores - amieiros, carvalhos, pinheiros. Infelizmente, plantou muitas delas próximas demais, e em fileiras. Agora, as árvores estão com cerca de 12 metros de altura, mas em vez de ter ar "natural", partes do terreno dele parecem simplesmente um projeto de reflorestamento mal executado. "Meti os pés pelas mãos", Lovelock diz com um sorriso enquanto caminhamos no bosque. "Mas, com o passar dos anos, Gaia vai dar um jeito."
Até pouco tempo atrás, Lovelock achava que o aquecimento global seria como sua floresta meia-boca - algo que o planeta seria capaz de corrigir. Então, em 2004, Richard Betts, amigo de Lovelock e pesquisador no Centro Hadley para as Mudanças Climáticas - o principal instituto climático da Inglaterra -, convidou-o para dar uma passada lá e bater um papo com os cientistas. Lovelock fez reunião atrás de reunião, ouvindo os dados mais recentes a respeito do gelo derretido nos pólos, das florestas tropicais cada vez menores, do ciclo de carbono nos oceanos. "Foi apavorante", conta.
"Mostraram para nós cinco cenas separadas de respostas positivas em climas regionais - polar, glacial, floresta boreal, floresta tropical e oceanos -, mas parecia que ninguém estava trabalhando nas conseqüências relativas ao planeta como um todo." Segundo ele, o tom usado pelos cientistas para falar das mudanças que testemunharam foi igualmente de arrepiar: "Parecia que estavam discutindo algum planeta distante ou um universo-modelo, em vez do lugar em que todos nós, a humanidade, vivemos".
Quando Lovelock estava voltando para casa em seu carro naquela noite, a compreensão lhe veio. A capacidade de adaptação do sistema se perdera. O perdão fora exaurido. "O sistema todo", concluiu, "está em modo de falha." Algumas semanas depois, ele começou a trabalhar em seu livro mais pessimista, A Vingança de Gaia, publicado no Brasil em 2006. Na sua visão, as falhas nos modelos climáticos computadorizados são dolorosamente aparentes. Tome como exemplo a incerteza relativa à projeção do nível do mar: o IPCC, o painel da ONU sobre mudanças climáticas, estima que o aquecimento global vá fazer com que a temperatura média da Terra aumente até 6,4 graus Celsius até 2100. Isso fará com que geleiras em terra firme derretam e que o mar se expanda, dando lugar à elevação máxima do nível de mar de apenas pouco menos de 60 centímetros. A Groenlândia, de acordo com os modelos do IPCC, demorará mil anos para derreter.
Mas evidências do mundo real sugerem que as estimativas do IPCC são conservadoras demais. Para começo de conversa, os cientistas sabem, devido aos registros geológicos, que há 3 milhões de anos, quando as temperaturas subiram cinco graus acima dos níveis atuais, os mares subiram não 60 centímetros, mas 24 metros. Além do mais, medidas feitas por satélite recentemente indicam que o Ártico está derretendo com tanta rapidez que a região pode ficar totalmente sem gelo até 2030. "Quem elabora os modelos não tem a menor noção sobre derretimento de placas de gelo", desdenha o estudioso, sem sorrir.
Mas não é apenas o gelo que invalida os modelos climáticos. Sabe-se que é difícil prever corretamente a física das nuvens, e fatores da biosfera, como o desmatamento e o derretimento da Tundra, raramente são levados em conta. "Os modelos de computador não são bolas de cristal", argumenta Ken Caldeira, que elabora modelos climáticos na Universidade de Stanford, cuja carreira foi profundamente influenciada pelas idéias de Lovelock. "Ao observar o passado, fazemos estimativas bem informadas em relação ao futuro. Os modelos de computador são apenas uma maneira de codificar esse conhecimento acumulado em apostas automatizadas e bem informadas."
Aqui, em sua essência supersimplificada, está o cenário pessimista de Lovelock: o aumento da temperatura significa que mais gelo derreterá nos pólos, e isso significa mais água e terra. Isso, por sua vez, faz aumentar o calor (o gelo reflete o sol, a terra e a água o absorvem), fazendo com que mais gelo derreta. O nível do mar sobe. Mais calor faz com que a intensidade das chuvas aumente em alguns lugares e com que as secas se intensifiquem em outros. As florestas tropicais amazônicas e as grandes florestas boreais do norte - o cinturão de pinheiros e píceas que cobre o Alasca, o Canadá e a Sibéria - passarão por um estirão de crescimento, depois murcharão até desaparecer. O solo permanentemente congelado das latitudes do norte derrete, liberando metano, um gás que contribui para o efeito estufa e que é 20 vezes mais potente do que o CO2... e assim por diante. Em um mundo de Gaia funcional, essas respostas positivas seriam moduladas por respostas negativas, sendo que a maior de todas é a capacidade da Terra de irradiar calor para o espaço. Mas, a certa altura, o sistema de regulagem pára de funcionar e o clima dá um salto - como já aconteceu muitas vezes no passado - para uma nova situação, mais quente. Não é o fim do mundo, mas certamente é o fim do mundo como o conhecemos.
O cenário pessimista de Lovelock é desprezado por pesquisadores de clima de renome, sendo que a maior parte deles rejeita a idéia de que haja um único ponto de desequilíbrio para o planeta inteiro. "Ecossistemas individuais podem falhar ou as placas de gelo podem entrar em colapso", esclarece Caldeira, "mas o sistema mais amplo parece ser surpreendentemente adaptável." No entanto, vamos partir do princípio, por enquanto, de que Lovelock esteja certo e que de fato estejamos navegando por cima das cataratas do Niagara. Simplesmente vamos acenar antes de cair? Na visão de Lovelock, reduções modestas de emissões de gases que contribuem para o efeito estufa não vão nos ajudar - já é tarde demais para deter o aquecimento global trocando jipões a diesel por carrinhos híbridos. E a idéia de capturar a poluição de dióxido de carbono criada pelas usinas a carvão e bombear para o subsolo? "Não há como enterrar quantidade suficiente para fazer diferença." Biocombustíveis? "Uma idéia monumentalmente idiota." Renováveis? "Bacana, mas não vão nem fazer cócegas." Para Lovelock, a idéia toda do desenvolvimento sustentável é equivocada: "Deveríamos estar pensando em retirada sustentável".
A retirada, na visão dele, significa que está na hora de começar a discutir a mudança do lugar onde vivemos e de onde tiramos nossos alimentos; a fazer planos para a migração de milhões de pessoas de regiões de baixa altitude, como Bangladesh, para a Europa; a admitir que Nova Orleans já era e mudar as pessoas para cidades mais bem posicionadas para o futuro. E o mais importante de tudo é que absolutamente todo mundo "deve fazer o máximo que pode para sustentar a civilização, de modo que ela não degenere para a Idade das Trevas, com senhores guerreiros mandando em tudo, o que é um perigo real. Assim, podemos vir a perder tudo".
Até os amigos de Lovelock se retraem quando ele fala assim. "Acho que ele está deixando nossa cota de desespero no negativo", diz Chris Rapley, chefe do Museu de Ciência de Londres, que se empenhou com afinco para despertar a consciência mundial sobre o aquecimento global. Outros têm a preocupação justificada de que as opiniões de Lovelock sirvam para dispersar o momento de concentração de vontade política para impor restrições pesadas às emissões de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa. Broecker, o paleoclimatologista de Columbia, classifica a crença de Lovelock de que reduzir a poluição é inútil como "uma bobagem perigosa".
"Eu gostaria de poder dizer que turbinas de vento e painéis solares vão nos salvar", Lovelock responde. "Mas não posso. Não existe nenhum tipo de solução possível. Hoje, há quase 7 bilhões de pessoas no planeta, isso sem falar nos animais. Se pegarmos apenas o CO2 de tudo que respira, já é 25% do total - quatro vezes mais CO2 do que todas as companhias aéreas do mundo. Então, se você quer diminuir suas emissões, é só parar de respirar. É apavorante. Simplesmente ultrapassamos todos os limites razoáveis em números. E, do ponto de vista puramente biológico, qualquer espécie que faz isso tem que entrar em colapso."
Mas isso não é sugerir, no entanto, que Lovelock acredita que deveríamos ficar tocando harpa enquanto assistimos o mundo queimar. É bem o contrário. "Precisamos tomar ações ousadas", ele insiste. "Temos uma quantidade enorme de coisas a fazer." De acordo com a visão dele, temos duas escolhas: podemos retornar a um estilo de vida mais primitivo e viver em equilíbrio com o planeta como caçadores-coletores ou podemos nos isolar em uma civilização muito sofisticada, de altíssima tecnologia. "Não há dúvida sobre que caminho eu preferiria", diz certa manhã, em sua casa, com um sorriso aberto no rosto enquanto digita em seu computador. "Realmente, é uma questão de como organizamos a sociedade - onde vamos conseguir nossa comida, nossa água. Como vamos gerar energia."
Em relação à água, a resposta é bem direta: usinas de dessalinização, que são capazes de transformar água do mar em água potável. O suprimento de alimentos é mais difícil: o calor e a seca vão acabar com a maior parte das regiões de plantações de alimentos hoje existentes. Também vão empurrar as pessoas para o norte, onde vão se aglomerar em cidades. Nessas áreas, não haverá lugar para quintais ajardinados. Como resultado, Lovelock acredita, precisaremos sintetizar comida - teremos que criar alimentos em barris com culturas de tecidos de carnes e vegetais. Isso parece muito exagerado e profundamente desagradável, mas, do ponto de vista tecnológico, não será difícil de realizar.
O fornecimento contínuo de eletricidade também será vital, segundo ele. Cinco dias depois de visitar o centro Hadley, Lovelock escreveu um artigo opinativo polêmico, intitulado: "Energia nuclear é a única solução verde". Lovelock argumentava que "devemos usar o pequeno resultado dos renováveis com sensatez", mas que "não temos tempo para fazer experimentos com essas fontes de energia visionárias; a civilização está em perigo iminente e precisa usar a energia nuclear - a fonte de energia mais segura disponível - agora ou sofrer a dor que em breve será infligida a nosso planeta tão ressentido".
Ambientalistas urraram em protesto, mas qualquer pessoa que conhecia o passado de Lovelock não se surpreendeu com sua defesa à energia nuclear. Aos 14 anos, ao ler que a energia do sol vem de uma reação nuclear, ele passou a acreditar que a energia nuclear é uma das forças fundamentais no universo. Por que não aproveitá-la? No que diz respeito aos perigos - lixo radioativo, vulnerabilidade ao terrorismo, desastres como o de Chernobyl - Lovelock diz que este é dos males o menos pior: "Mesmo que eles tenham razão a respeito dos perigos, e não têm, continua não sendo nada na comparação com as mudanças climáticas".
Como último recurso, para manter o planeta pelo menos marginalmente habitável, Lovelock acredita que os seres humanos podem ser forçados a manipular o clima terrestre com a construção de protetores solares no espaço ou instalando equipamentos para enviar enormes quantidades de CO2 para fora da atmosfera. Mas ele considera a geoengenharia em larga escala como um ato de arrogância - "Imagino que seria mais fácil um bode se transformar em um bom jardineiro do que os seres humanos passarem a ser guardiões da Terra". Na verdade, foi Lovelock que inspirou seu amigo Richard Branson a oferecer um prêmio de US$ 25 milhões para o "Virgin Earth Challenge" (Desafio Virgin da Terra), que será concedido à primeira pessoa que conseguir criar um método comercialmente viável de remover os gases responsáveis pelo efeito estufa da atmosfera. Lovelock é juiz do concurso, por isso não pode participar dele, mas ficou intrigado com o desafio. Sua mais recente idéia: suspender centenas de milhares de canos verticais de 18 metros de comprimento nos oceanos tropicais, colocar uma válvula na base de cada cano e permitir que a água das profundezas, rica em nutrientes, seja bombeada para a superfície pela ação das ondas. Os nutrientes das águas das profundezas aumentariam a proliferação das algas, que consumiriam o dióxido de carbono e ajudariam a resfriar o planeta. "É uma maneira de contrabalançar o sistema de energia natural da Terra usando ele próprio", Lovelock especula. "Acho que Gaia aprovaria."
Oslo é o tipo perfeito de cidade para Lovelock. Fica em latitudes do norte, que ficarão mais temperadas na medida em que o clima for esquentando; tem água aos montes; graças a suas reservas de petróleo e gás, é rica; e lá já há muito pensamento criativo relativo à energia, incluindo, para a satisfação de Lovelock, discussões renovadas a respeito da energia nuclear. "A questão principal a ser discutida aqui é como manejar as hordas de pessoas que chegarão à cidade", Lovelock avisa. "Nas próximas décadas, metade da população do sul da Europa vai tentar se mudar para cá."
Nós nos dirigimos para perto da água, passando pelo castelo de Akershus, uma fortaleza imponente do século 13 que funcionou como quartel-general nazista durante a ocupação da cidade na Segunda Guerra Mundial. Para Lovelock, os paralelos entre o que o mundo enfrentou naquela época e o que enfrenta hoje são bem claros. "Em certos aspectos, é como se estivéssemos de novo em 1939", ele afirma. "A ameaça é óbvia, mas não conseguimos nos dar conta do que está em jogo. Ainda estamos falando de conciliação."
Naquele tempo, como hoje, o que mais choca Lovelock é a ausência de liderança política. Apesar de respeitar as iniciativas de Al Gore para conscientizar as pessoas, não acredita que nenhum político tenha chegado perto de nos preparar para o que vem por aí. "Em muito pouco tempo, estaremos vivendo em um mundo desesperador, comenta Lovelock. Ele acredita que está mais do que na hora para uma versão "aquecimento global" do famoso discurso que Winston Churchill fez para preparar a Grã-Bretanha para a Segunda Guerra Mundial: "Não tenho nada a oferecer além de sangue, trabalho, lágrimas e suor". "As pessoas estão prontas para isso", Lovelock dispara quando passamos sob a sombra do castelo. "A população entende o que está acontecendo muito melhor do que a maior parte dos políticos."
Independentemente do que o futuro trouxer, é provável que Lovelock não esteja por aí para ver. "O meu objetivo é viver uma vida retangular: longa, forte e firme, com uma queda rápida no final", sentencia. Lovelock não apresenta sinais de estar se aproximando de seu ponto de queda. Apesar de já ter passado por 40 operações, incluindo ponte de safena, continua viajando de um lado para o outro no interior inglês em seu Honda branco, como um piloto de Fórmula 1. Ele e Sandy recentemente passaram um mês de férias na Austrália, onde visitaram a Grande Barreira de Corais. O cientista está prestes a começar a escrever mais um livro sobre Gaia. Richard Branson o convidou para o primeiro vôo do ônibus espacial Virgin Galactic, que acontecerá no fim do ano que vem - "Quero oferecer a ele a visão de Gaia do espaço", diz Branson. Lovelock está ansioso para fazer o passeio, e planeja fazer um teste em uma centrífuga até o fim deste ano para ver se seu corpo suporta as forças gravitacionais de um vôo espacial. Ele evita falar de seu legado, mas brinca com os filhos dizendo que quer ver gravado na lápide de seu túmulo: "Ele nunca teve a intenção de ser conciliador".
Em relação aos horrores que nos aguardam, Lovelock pode muito bem estar errado. Não por ter interpretado a ciência erroneamente (apesar de isso certamente ser possível), mas por ter interpretado os seres humanos erroneamente. Poucos cientistas sérios duvidam que estejamos prestes a viver uma catástrofe climática. Mas, apesar de toda a sensibilidade de Lovelock para a dinâmica sutil e para os ciclos de resposta no sistema climático, ele se mostra curiosamente alheio à dinâmica sutil e aos ciclos de resposta no sistema humano. Ele acredita que, apesar dos nossos iPhones e dos nossos ônibus espaciais, continuamos sendo animais tribais, amplamente incapazes de agir pelo bem maior ou de tomar decisões de longo prazo que garantam nosso bem-estar. "Nosso progresso moral", diz Lovelock, "não acompanhou nosso progresso tecnológico."
Mas talvez seja exatamente esse o motivo do apocalipse que está por vir. Uma das questões que fascina Lovelock é a seguinte: A vida vem evoluindo na Terra há mais de 3 bilhões de anos - e por que motivo? "Gostemos ou não, somos o cérebro e o sistema nervoso de Gaia", ele explica. "Agora, assumimos responsabilidade pelo bem-estar do planeta. Como vamos lidar com isso?"
Enquanto abrimos caminho no meio dos turistas que se dirigem para o castelo, é fácil olhar para eles e ficar triste. Mais difícil é olhar para eles e ter esperança. Mas quando digo isso a Lovelock, ele argumenta que a raça humana passou por muitos gargalos antes - e que talvez sejamos melhores por causa disso. Então ele me conta a história de um acidente de avião, anos atrás, no aeroporto de Manchester. "Um tanque de combustível pegou fogo durante a decolagem", recorda. "Havia tempo de sobra para todo mundo sair, mas alguns passageiros simplesmente ficaram paralisados, sentados nas poltronas, como tinham lhes dito para fazer, e as pessoas que escaparam tiveram que passar por cima deles para sair. Era perfeitamente óbvio o que era necessário fazer para sair, mas eles não se mexiam. Morreram carbonizados ou asfixiados pela fumaça. E muita gente, fico triste em dizer, é assim. E é isso que vai acontecer desta vez, só que em escala muito maior."
Lovelock olha para mim com olhos azuis muito firmes. "Algumas pessoas vão ficar sentadas na poltrona sem fazer nada, paralisadas de pânico. Outras vão se mexer. Vão ver o que está prestes a acontecer, e vão tomar uma atitude, e vão sobreviver. São elas que vão levar a civilização em frente."
(Tradução de Ana Ban)
Fonte: RollingStones Brasil.
Lavar lixo reciclável é desnecessário e desperdiça água, dizem especialistas
Quem tem o hábito de lavar o lixo doméstico antes de destiná-lo à reciclagem está gastando água com algo desnecessário, explicam especialistas ouvidos pelo G1. Lavar itens como caixas de leite longa vida, potes de iogurte, garrafas PET ou de vidro para retirar restos de alimentos não ajuda no processo de reciclagem e gera mais esgoto – que muitas vezes não é coletado e tratado.
Esses materiais de qualquer forma serão novamente lavados quando chegarem às cooperativas, onde ocorre o processo de separação do papel, plástico, vidro e metal, que, posteriormente, serão destinados às indústrias de reciclagem.
“Em qualquer processo de reciclagem, o resíduo será submetido a um processo de higienização. Não há necessidade de uma lavagem aprofundada do material”, explica Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
A melhor maneira de preservar o lixo reciclável dentro de casa de maneira higiênica (sem uso de água), até que passe o caminhão para recolher, é guardá-lo em recipientes fechados, que evitam o surgimento de moscas e a emissão de odores, explica Emilio Maciel Eigenheer, especialista em resíduos sólidos.
Brasil, um país de lixões – Apesar de a lavagem de material reciclado ser um desperdício de água, quando se trata do tratamento de resíduos sólidos, esse problema ambiental ainda é pequeno em comparação com a existência de quase 3 mil lixões. O país ainda recicla apenas 1,4% das 189 mil toneladas de lixo que gera por dia. Segundo o governo federal, dos 5.564 municípios brasileiros, somente 766 fazem coleta seletiva.
Apesar de a reciclagem no país ser um mercado bilionário – em 2012 a coleta, a triagem e o processamento de materiais em indústrias geraram faturamento de R$ 10 bilhões – o Brasil perde R$ 8 bilhões ao ano ao enterrar, em aterros e lixões, materiais que poderiam ser reciclados.
Os dados são do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), associação dedicada à promoção da gestão integrada do lixo. Mas esses números podem mudar com a implantação da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010 e que tem previsão para entrar em vigor a partir de agosto deste ano.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os instrumentos da PNRS (que eliminam de vez todos os lixões e obriga as prefeituras a instalar aterros sanitários) ajudarão a alcançar o índice de 20% na reciclagem de resíduos já em 2015.
Para Silva Filho, mesmo a lei entrando em vigor ainda vai faltar ao governo investir na educação da população para o tema da reciclagem. Segundo uma pesquisa feita pela Abrelpe com 2 mil pessoas, 88% dos entrevistados se disseram favoráveis e propensos em ajudar o meio ambiente por meio da separação de resíduos. Porém, todos alegaram que não receberam orientação de como fazê-la.
“Falta orientação para esclarecer dúvidas básicas, como se eu preciso lavar o pote de margarina ou se posso jogar o papelão que veio a pizza, mesmo com gordura, para a reciclagem. Isso acaba prejudicando o sistema de coleta seletiva. O poder público tem que dar essa instrução”, explica.
O cesto azul é para jogar o papel. No vermelho, vai o plástico. O verde é para o vidro e o amarelo é para o metal. Isso é o que muitas vezes se aprende a respeito da reciclagem. No entanto, essa separação não funciona de fato no Brasil, pois o lixo chegará na cooperativa e será misturado.
Segundo os especialistas ouvidos pelo G1, a implantação das lixeiras coloridas foi uma tentativa de trazer para o país o hábito da reciclagem da forma como foi criado e consolidado em países desenvolvidos, onde a coleta ocorre por item.
No Japão, por exemplo, há um calendário para recolhimento de cada material reciclável, algo que no Brasil estaria fora de cogitação devido ao custo elevado da coleta multifrações, como é conhecida a técnica, que custa de quatro a seis vezes mais que a coleta dual, quando o lixo é separado apenas em reciclável e orgânico.
“O ideal é separar o lixo seco [aquele que pode ser reciclado] do lixo úmido [materiais orgânicos como restos de comida e materiais não recicláveis, como papel higiênico] e deixar o resto para a cooperativa fazer”, explica Sandro Mancini, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em reciclagem de resíduos sólidos.
“[Ter os cestos coloridos] é um gasto extra e um desestímulo à população, que quando vê esse monte de lixeiras coloridas, acaba misturando todo o lixo e colocando-o em um único cesto. Precisamos repensar essa medida”, aponta Silva Filho. (Fonte: G1)
Toxicologistas discutem efeito cancerígeno de corante usado em refrigerantes
Na semana passada, a entidade Consumer Reports divulgou um estudo sobre o uso de diversos níveis de um corante caramelo, conhecido como 4-metilimidazol (4-MEI), presente em muitas bebidas populares.
O relatório usou frases como "risco para a saúde" e "potencial cancerígeno", deixando muitos se perguntando se seus refrigerantes favoritos devem ser abandonados devido a um risco de câncer.
Esta é uma pergunta que os toxicologistas podem ajudar a responder.
"Nosso trabalho como toxicologistas é ajudar a realizar e interpretar os resultados de uma variedade de estudos que avaliam o perigo potencial de produtos naturais, químicos ambientais e drogas, para dar às pessoas as informações necessárias para que elas tomem decisões pessoais bem informadas," disse Lois Lehman-McKeeman, presidente da Sociedade de Toxicologia dos Estados Unidos.
Tem havido muitos estudos toxicológicos do 4-MEI - também chamado de corante caramelo IV - ao longo dos anos, mas com relação ao estudo realizado pelo Programa Nacional de Toxicologia, citado no artigo do Consumer Reports, há alguns detalhes acerca de como o estudo foi conduzido que são importantes para a compreensão dos resultados:
O 4-MEI foi administrado a camundongos e a ratos ao longo de suas vidas de dois anos através do seu alimento, de forma que a exposição ao produto químico foi oral, a mesma que acontece em seres humanos pela ingestão de bebidas carbonatadas.
Foram testados diferentes níveis, ou doses, de 4-MEI. Um princípio básico da toxicologia é que a dose faz o veneno. O nível em que ocorre a exposição é fundamental para compreender se um produto químico representa um risco para a saúde. Da mesma forma, quanto maior a dose, maior a probabilidade do efeito adverso.
Efeitos diferentes
Os ratos que foram expostos apenas às doses mais altas de 4-MEI (não às doses mínimas ou moderadas) apresentaram uma incidência maior de leucemia do que o grupo controle. Os camundongos, porém, não apresentaram esse resultado.
Por outro lado, nos camundongos expostos às doses mais altas de 4-MEI, foi observado um aumento nas taxas de tumores do pulmão. Mais uma vez, os ratos não apresentaram esse resultado.
A conclusão é que o corante caramelo 4-MEI em doses elevadas é potencialmente cancerígeno tanto para camundongos quanto para ratos, mas de maneiras diferentes.
Este estudo é um lembrete claro de que todas as espécies animais, incluindo os humanos, respondem de forma diferente a substâncias químicas específicas, especialmente em doses que são altas o suficiente para alterar os processos fisiológicos normais.
"Os dados que mostram efeitos em modelos animais são úteis porque estes resultados podem indicar que serão necessários mais estudos para confirmar que o agente pode afetar o ser humano, mas o cuidado é sempre incentivado quando se tenta extrapolar os resultados entre espécies," disse a Dra. Lehman-McKeeman.
O problema é que a quase totalidade dos testes de biossegurança e toxicidade são feitos usando animais.
Society of Toxicology
EUA vão implantar polos agrícolas para combater mudança climática
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira a implantação de polos agrícolas regionais para combater as mudanças climáticas e seus efeitos, em um momento em que o sudoeste do país sofre com uma seca sem precedentes.
O secretário da Agricultura, Tom Vilsack, informou por meio de comunicado que serão instalados sete centros em regiões diferentes e estes reunirão representantes de organizações federais e associações profissionais envolvidas com o tema.
Estes centros “tratarão os riscos crescentes” resultantes das mudanças climáticas, como “os incêndios, as espécies invasivas, as cheias devastadoras e a seca”.
A ideia é “traduzir a ciência e a pesquisa em informações para os agricultores, os pecuaristas e os produtores florestais, sobre a forma de adaptar e ajustar” suas atividades às alterações do clima, segundo a fonte.
Em meados de janeiro, o governador da Califórnia (oeste) decretou estado de emergência devido à seca que afeta o estado e que poderia ser mais a mais grave do do último século, o que ameaça com a perda de colheitas e incêndios florestais devastadores.
O nível de muitos reservatórios d’água no sudoeste, como o Lago Mead, que abastece Las Vegas (Nevada), também se encontra no nível mais baixo.
A luta contra o aquecimento global estava entre as grandes promessas de Barack Obama durante sua campanha presidencial de 2008, mas o tema ficou em segundo plano após o fracasso de um projeto de lei no Congresso, no começo de seu primeiro mandato.
As medidas anunciadas por Vilsack se inscrevem na continuidade do discurso sobre o estado da União, proferido por Obama em 28 de janeiro. Na ocasião, o presidente repetiu que “as mudanças climáticas são um fato demonstrado” e prometeu tomar medidas unilaterais, sem esperar o Congresso, para promover seu programa. (Fonte: G1)
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