sábado, 10 de outubro de 2015
El Niño pode levar a epidemias de dengue em grande escala, diz estudo
O fenômeno climático conhecido como El Niño pode desatar uma epidemia de dengue em grande escala no sudeste da Ásia – informaram pesquisadores internacionais nesta segunda-feira (5).
Verificou-se que os casos de dengue aumentaram no mesmo passo que a tendência de aquecimento dos oceanos, o que ocorre em alguns anos, mas não todos. Espera-se que a corrente do El Niño, que já começou e vai durar até o próximo ano, seja uma das mais intensas dos últimos 20 anos.
“As grandes epidemias de dengue ocorrem sem aviso prévio, o que pode sobrecarregar os sistemas de saúde pública”, disse o principal autor do estudo, Willem Van Panhuis, professor assistente de epidemiologia da escola de saúde pública da universidade de Pittsburgh.
“Nossas análises mostraram que as temperaturas elevadas podem criar as condições ideais para que uma epidemia de dengue de larga escala se propague”.
Os pesquisadores analisaram 18 anos de relatórios sobre a dengue no sudeste asiático, segundo o estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). A tendência foi observada no total de 3,5 milhões de casos reportados em oito países.
Altas temperaturas e proliferação do mosquito – Durante a última temporada particularmente forte do El Niño, que foi de 1997 a 1998, “a transmissão da dengue foi muito alta e coincidiu perfeitamente com as altas temperaturas, que permitiram que os mosquitos se reproduzissem mais rápido e propagassem o vírus da dengue com mais eficácia”, afirmou o estudo.
As altas temperaturas nas regiões tropicais e subtropicais foram provocadas pelo El Niño.
A dengue, causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, é responsável por cerca de 400 milhões de infecções ao ano. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a prevalência mundial da dengue aumentou dramaticamente nas últimas décadas e agora metade da população mundial está em risco. (Fonte: G1)
Mundo caminha para um aquecimento de 2,7º C
O planeta se encaminha para um aquecimento de 2,7º C até o fim do século, segundo os compromissos de redução de gases de efeito estufa anunciados pelos vários países, assinalou nesta quinta-feira (1º) um painel de analistas.
Apesar de exceder a meta fixada pela ONU de 2º C de aquecimento em relação ao nível pré-industrial, estes compromissos constituem um avanço em relação à previsão anterior de 3º C antecipada em setembro pelo mesmo painel, o Climate Action Tracker (CAT).
“A combinação dos planos climáticos nacionais, se aplicados, limitariam o aquecimento global a 2,7º C para o horizonte de 2100″, indicou o organismo, que reúne quatro centros de pesquisa.
É a primeira vez desde 2009, ano em que o CAT começou a avaliar as temperaturas com base nos compromissos climáticos nacionais, que o aquecimento previsível passar abaixo dos 3º C.
A ONU havia fixado a data de 1º de outubro para apresentar os compromissos visando à conferência sobre o clima (COP21) prevista em dezembro em Paris, apesar de isso não impedir que os países continuem apresentando compromissos.
No momento, um total de 140 países – entre 195 Estados membros da convenção da ONU sobre mudanças climáticas – apresentaram compromissos de redução de gases para 2025-2030. Representam 80% das atuais emissões de gases de efeito estufa.
O CAT analisou em detalhe até o momento 19 contribuições. As prometidas por Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Cingapura, África do Sul, Coreia do Sul e Rússia foram consideradas “inadequadas”.
As de Etiópia e Marrocos foram, ao contrário, qualificadas como “suficientes”. As de Brasil, China, União Europeia, Indonésia, México, Noruega e Estados Unidos apresentaram propostas qualificadas como “intermediárias” pelo CAT.
Nenhum país qualificou até o momento para a categoria “modelo” prevista pelos analistas.
O aquecimento atinge atualmente 0,8º C, quase a metade do caminho para o limite de 2º C.
As previsões do CAT incluem estimativas sobre a Índia, extrapoladas a partir de declarações oficiais, em vista de que este país ainda não apresentou uma contribuição formal.
Para atingir a meta de 2º C, as emissões de gases com efeito estufa deverão ser de 11 e 13 bilhões de toneladas equivalentes de CO2 (GtCO2e) a menos que as prometidas para 2025, diz o CAT, e de 15 a 17 GtCO2 a menos em 2030.
Com base nas contribuições atuais, as emissões totalizaram entre 52 e 54 GtCO2 em 2025, e entre 53 e 55 GtCO2e em 2030, além das quais 48 GtCO2e anuais.
É “pouco provável” que os compromissos dos países que ainda não apresentaram suas propostas consigam alcançar a meta dos 2º C, advertiu à AFP Bill Hare, analista da Climate Analytics, contribuinte do CAT. (Fonte: UOL)
Estudo aponta que nível do mar deve subir 36 cm no litoral de SP até 2050
Uma pesquisa internacional apontou que o nível do mar na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, deverá aumentar 36 centímetros até 2050. Além do volume de água, a principal mudança de cenário já ocorre na região da Ponta da Praia, onde a faixa de areia é cada vez menor por conta da erosão. A sensação de que o trecho está ‘encolhendo’ faz parte das mudanças climáticas que se intensificaram ao longo das últimas décadas e são alvo do estudo.
A projeção, considerada alarmante por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, pode ter os impactos ambientais, sociais e econômicos reduzidos com ações bem planejadas. Caso contrário, os danos podem chegar a mais de R$ 500 milhões.
Os fenômenos climáticos por conta do aquecimento global também estão sendo avaliados e detalhados nas cidades de Broward, nos Estados Unidos, e em Selsey, na Inglaterra.
Segundo os pesquisadores, o município do litoral paulista foi escolhido para representar o Brasil porque possui uma maior base de dados sobre o tema, inclusive com registros fotográficos ao longo dos anos.
Batizado de projeto Metrópole, as pesquisas em solo brasileiro tiveram início há cerca de dois anos. A previsão é que em 10 anos (2025) sejam 18 centímetros a mais e, em 35 anos (2050), o nível do mar esteja em torno de 35 ou 36 centímetros acima do nível médio dos anos 2000. “Nada catastrófico ou complicado, mas medidas devem ser tomadas para evitar problemas para a população”, afirma o Joseph Harari, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.
Mapeamento preciso – O trabalho no Brasil recebeu investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), após uma chamada pública do Fórum Belmont, um grupo internacional formado por agências e organizações que financiam investigações sobre alterações do meio ambiente.
O mapeamento das áreas críticas e projeções foram feitas com base em variações climáticas, levando também em conta as particularidades de cada região. Na tarde da última quarta-feira (30), grupos formado por autoridades públicas, professores universitários e especialistas se reuniram na Associação Comercial de Santos para apresentarem possíveis soluções, além de conter o agravamento da erosão na Ponta da Praia. A viabilidade das propostas será avaliada e divulgada em um Fórum em dezembro deste ano.
Ondas são problema – Segundo o oceanógrafo Harari, além da elevação do nível do mar, o que preocupa é a junção de vários fatores que podem intensificar o volume em grandes temporais, por exemplo. “O que compõe o nível do mar é a maré e a ressaca. Hoje já temos efeitos extremos, mas daqui dez anos acrescente mais 18 centímetros e, depois, mais 36 centímetros acima do nível médio atual e podem haver inundações de água”, explica.
Zona Noroeste e Sudeste – Para facilitar o estudo, o grupo escolheu dois setores da cidade de Santos que eles consideram ‘contrastantes’. Um deles é a região da Zona Noroeste, onde os problemas com enchentes são frequentes e há uma grande quantidade de palafitas (moradias construídas sobre água do rio ou mar).
Já o contraponto analisado é a região Sudeste do município, que vai desde o bairro Gonzaga, no Canal 3, até a Ponta da Praia. É justamente a área da cidade que tem sido afetada por constantes erosões e desperta ainda mais atenção pela ausência da faixa de areia.
“Os danos que estamos avaliando pela altura da onda seriam piores na região Sudeste, pois lá estão as maiores propriedades. Na região da Zona Noroeste também podem existir danos, mas o tipo do perfil de construção e população são diferentes. São áreas de contraste, por isso escolhemos as duas”, aponta o coordenador do projeto Metrópole e pesquisador do Cemaden/Inpe, José Antonio Marengo.
Planejamento – O modelo de pesquisa adotado com base em programas americanos pretende evitar grandes danos. De acordo com Marengo, se as soluções forem bem planejadas e antecipadas, é possível, por exemplo, evitar um prejuízo de R$ 500 milhões na faixa Sudeste.
“Nós usamos um modelo para estudar as elevações do nível do mar e os impactos econômicos associados. O modelo é desenvolvido nos Estados Unidos e os modelos aplicados em Santos mostram projeções de elevação do nível do mar. Os danos associados na região Sudeste, que é a Ponta da Praia, estamos estimando em R$ 500 milhões. Mas o modelo não identifica se são propriedades particulares, casas ou hospitais”, acrescenta.
Da tempo de resolver – Já o responsável pelo oceanógrafo da USP, Joseph Harari, é mais comedido. Ele não acredita em catástrofes e prefere evitar um alarde desnecessário.
“Temos tempo mais que suficiente para tomar todas as providências necessárias para minimizar o efeito danoso, mas não há nenhum problema de catástrofe eminente. De jeito nenhum. Isso nós temos pelo menos de 10 a 20 anos com muita tranquilidade de ver várias alternativas, como construção de quebra mares, engorda de praias (reposição com areia), que a ciência tem todas as condições de resolver esses problemas com muita eficiência. Não há alarmismo”, enfatiza o oceanógrafo.
Ressaca – Além do nível do mar, as ressacas também têm sido registradas com maior frequência e danos nos últimos anos e devem aumentar. Célia Regina de Gouveia Souza, do Instituto de Geologia da USP, defende medidas que não tragam tantos prejuízos ao meio ambiente para conter o avanço do mar já que a função da praia, além do lazer, é proteger o continente contra erosão das ondas.
“Não é só jogar areia. A praia entra em erosão por algum desequilíbrio. Quanto menos você mexer, quanto menos você impactar, por exemplo, a colocação de um anteparo, seja lá um quebra-mar, enfim, tudo isso tem que ser muito bem avaliado, porque essas estruturas rígidas de proteção de costa, elas vão causar algum tipo de impacto no ambiente natural: seja na praia, seja no manguezal”, explica. (Fonte: G1)
O que você faz pelo meio ambiente?
Apesar das aparências, São Paulo também é Mata Atlântica e existe uma espécie que se esforça para proteger o seu habitat. A Carolina Tarrio e a Cecília Lotufo são dois ótimos exemplos dessa espécie conhecida como “Boa Praça”. Juntas ao seu bando, contribuem com a manutenção das praças das regiões da Lapa e Pinheiros. Elas são facilmente encontradas no último domingo do mês em algum piquenique comunitário. Descobertas há 6 anos, as duas mamães-corujas mostraram muita criatividade na hora de cuidar da sua prole”.
O texto que começa esse artigo abre também o novo episódio da série “Espécies da Mata Atlântica”, campanha da Fundação SOS Mata Atlântica que narra histórias reais de cidadãos que se mobilizam, cada um à sua maneira, em favor da preservação do meio ambiente e da Mata Atlântica.
No vídeo, conhecemos a história da Carolina e da Cecília, idealizadoras do Movimento Boa Praça, que promove piqueniques comunitários, a ocupação e revitalização dos espaços públicos, e é definido por elas como uma iniciativa de pessoas que querem viver em uma cidade mais humana.
A proposta é a seguinte: todo último domingo do mês, o movimento organiza um piquenique em uma praça. Assim, os vizinhos se conhecem e conversam sobre o que desejam para o bairro e a cidade, fazendo da praça o local ideal para um encontro de debate, lazer e inclusão. E todos assumem um compromisso: encerrar o dia com a praça melhor do que quando começou, ou seja, cada um, com suas habilidades, contribui um pouco com a revitalização do espaço, que pode ser uma coleta de lixo, pintura, instalação de equipamentos e reparos ou um mutirão de plantio, entre outras ações.
No vídeo da campanha, que vocês podem conferir aqui, a Carolina conta como é possível fazer coisas e transformar realidades, mesmo sem muitos recursos. “Muitas vezes bastam duas, três, quatro pessoas com vontade de mudar e começar fazendo. Não quero deixar isto para os meus filhos fazerem. Se eu quero que eles vivam num lugar melhor eu preciso agir agora. Não é pro futuro, é pra já”. E a Cecília completa: “A gente quer atuar no sentido de transformar não só a praça, mas transformar também o próprio cidadão na relação dele com o mundo”.
O caso inspirador do Boa Praça faz a gente refletir como existem inúmeras formas simples de fazer a diferença e de contribuir com a preservação e recuperação do meio ambiente, principalmente se pensarmos naquele local onde vivemos e que pode ser mais sadio. É aquela velha história que estamos acostumados a ouvir, e também a repetir, de que não basta ficar sentado no sofá esperando que o mundo se transforme num lugar melhor, o que a gente precisa é agir, propor, empreender e participar dessa mudança. Afinal, não dá mais para assistir à destruição da biodiversidade e da natureza seguir em frente, mesmo que ainda nem todos tenham se dado conta do que está acontecendo.
Nós acreditamos que cada um pode fazer algo, individual ou coletivamente, seja da forma que for. A sociedade civil organizada, formada por ONGs como a SOS Mata Atlântica e muitas outras organizações e iniciativas que desenvolvem atividades sem fins lucrativos nas diferentes áreas, faz parte de um movimento que sempre buscou contribuir nos processos de mudança para um Brasil melhor. Há vários bons exemplos e conquistas, mas ainda há muito por fazer para a construção de um futuro mais sustentável.
O trabalho de instituições profissionalizadas, que conta com um corpo técnico e recursos para desenvolver atividades, continua sendo fundamental, assim como também são as ações que você desenvolve. Todos ganham se somarmos esforços para defender e valorizar o meio ambiente, seja o que restou das nossas grandes florestas, como a Mata Atlântica, ou revitalizar aquele parque ou área verde próximos da nossa casa, que podem até parecer pequenos, mas que também são fundamentais para o bem estar e qualidade de vida na nossa cidade.
Você já parou para pensar como seria sua vida, sua rua e sua cidade se vivesse num local onde cuidar do meio ambiente fosse uma prioridade? Melhor: além de imaginar, você já faz algo para promover essa mudança?
Se você já luta pelo meio ambiente, cuidando de uma parque, monitoramento a qualidade da água de um rio, participando de algum mutirão, sendo voluntário em alguma ação ou até mesmo com atitudes mais simples como economizando água e o consumo de energia, você já faz parte desse movimento. Então, que tal fazer como a Carolina e a Cecília e dividir a sua história com a gente? Certamente sua história pode tocar pessoas que se identificarão com você e, assim, engajar ainda mais gente para essa causa.
Acesse www.gpsmataatlantica.org.br e compartilhe o que você já faz pelo meio ambiente e pela Mata Atlântica. Sua causa é a nossa!
* Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica; Fernando Meirelles é cineasta, produtor e ambientalista. A SOS Mata Atlântica é uma ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades. Saiba como apoiar as ações da Fundação.
** Publicado originalmente no site SOS Mata Atlântica.
Comer pimenta ajuda a viver mais
Comer pimenta e outros alimentos com gosto "quente" e picante pode ajudar a viver mais.
Dados da equipe do Dr. Lu Qi, um epidemiologista da Universidade de Tulane (EUA) vêm dar suporte a estudos anteriores, que mostraram que pimentas específicas, como a malagueta, podem ajudar a viver mais.
Acredita-se que alguns ingredientes ativos nas pimentas, como a capsaicina, ajudam a proteger o corpo humano contra doenças, ainda que haja riscos no consumo excessivo de pimenta.
Efeitos benéficos
"Mesmo entre aquelas [pessoas] que consumiram alimentos picantes com menos frequência, os efeitos benéficos podem ser observados," garante o Dr. Qi, que estudou mais de 500.000 adultos chineses ao longo de sete anos.
Os resultados indicaram que os participantes que ingerem alimentos condimentados com pimenta todos os dias reduzem seu risco de morte prematura em 14% em comparação com as pessoas que comem pimenta menos de uma vez por semana.
"Mesmo entre aquelas [pessoas] que consumiram alimentos picantes com menos frequência [um ou dois dias por semana], os efeitos benéficos podem ser observados. De fato, um aumento moderado dos alimentos picantes pode beneficiar" a saúde, disse Qi.
Capsaicina
O principal ingrediente ativo das pimentas identificado até agora pelos cientistas é a capsaicina.
Estudos mostram que capsaicina diminui o apetite, podendo reduzir o risco de obesidade e oferecer propriedades antibacterianas - a pimenta malagueta é a fonte de uma nova geração de analgésicos, por exemplo.
A substância parece também ajudar a proteger contra diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e outras condições, além de reduzir as inflamações, a pressão arterial e o estresse oxidativo.
O estudo foi publicado no British Medical Journal.
Diário da Saúde
Esmalte dos dentes é herança dos peixes, diz estudo
O esmalte de nossos dentes, responsável pelo sorriso brilhante das estrelas, provém das escamas dos peixes – é o que diz um estudo publicado nesta quarta-feira (23) pela revista britânica Nature.
O esmalte é um tecido dentário presente exclusivamente nos vertebrados. Mas a ganoína, tecido que lembra o esmalte, está presente nas escamas de inúmeros peixes fósseis e alguns peixes primitivos que vivem até hoje.
Mas quem veio primeiro: a ganoína ou o esmalte?
Para responder a esta questão, pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados e de Paleontologia (IVPP) de Pequim, avaliaram os dados provenientes de dois campos de pesquisa bastante diferentes: a paleontologia e a genômica.
O estudo genético do Lépisostés (Lepisosteus), um dos raros peixes ainda vivos que apresentam ganoína, revelou a presença de dois dos três genes que codificam as proteínas do esmalte. “Isso nos permite concluir que a ganoína é um tipo de esmalte”, explicou à AFP Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala.
Por outro lado, os pesquisadores estudaram dois peixes fósseis, o Psarolepis e o Andreolepis, com mais de 400 milhões de anos, e descobriram a presença de esmalte em suas escamas. Mas não em seus dentes.
Resulto: originalmente, o esmalte estava presente na superfície do corpo, mas não nos dentes.
“O esmalte, que para nós é sinônimo de tecido dentário, não é originado nos dentes”, garante Ahlberg. “Ele evoluiu sobre a superfície do corpo dos vertebrados, provavelmente de suas escamas, e colonizou os dentes bem mais tarde”.
O estudo informa que outras análises de peixes primitivos serão necessárias para confirmar a época e o mecanismo que permitiu ao esmalte colonizar os dentes. (Fonte: UOL)
Metas para ingestão de potássio e sal estão fora de compasso, diz estudo
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para consumo de sódio e potássio estão fora de compasso, indica um estudo realizado em quatro países.
Como há muitos alimentos nos quais ambos os elementos estão presentes, atingir as recomendações tem sido difícil, porque a tendência geral das dietas modernas é consumir sal demais e potássio de menos.
O nível recomendados de consumo diário de potássio é de um mínimo de 3.510 mg, equivalente a seis batatas ou nove xícaras de leite. Já o nível máximo de consumo de potássio é de 2000 mg, menos de uma colher de chá de sal.
Após fazer uma sondagem em pacientes nos EUA, Reino Unido, México e França, pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que mais de 99% das pessoas falham em cumprir ao menos umas das duas recomendações.
Os franceses, que tiveram o melhor índice, têm apenas 0,5% de sua população ingerindo níveis adequados de sódio e potássio. Os americanos, os piores, têm 0,1%.
Um dos problemas é regular, por exemplo, o consumo de leite, que é uma boa fonte de potássio, mas também tem sódio. Elevar o consumo de batata também é um problema, porque muitas pessoas têm o hábito de comê-las com muito sal.
Uma maneira de ajutsar o consumo de potássio, então, seria comendo frutos cítricos e raízes como beterraba. Em países mais pobres, porém, isso é difícil de implementar em políticas de saúde pública, porque esses alimentos adicionam um custo extra na dieta.
No plano individual, porém, não é difícil construir uma dieta adequada. A nutricionista da Sociedade Brasileira de Hipertensão Márcia Simas explica no vídeo abaixo como obter os níveis adequados de sódio e potássio.
Adam Drewnowski, médico que liderou o estudo, afirma que as diretrizes da OMS não são praticáveis hoje e precisam ser mais razoáveis. Mas ele afirma que o número de pessoas que cumprem as recomendações pode subir um pouco com uma política mais rigorosa de controle do sódio.
A quantidade de sal em comida processada, por exemplo, precisa ser mais bem regulamentada, porque o custo de fazer isso é menor que o de elevar o conteúdo de potássio dos alimentos. As conclusões da pesquisa foram descritas em estudo na revista médica inglesa “BMJ Open”. (Fonte: G1)
Adivinhe qual será o ano mais quente da história
2015 está na pole position para levar o título de ano mais quente já registrado – e não mostra sinais de que irá diminuir o ritmo na reta final.
Agosto foi o sexto mês do ano a estabelecer um recorde de calor, de acordo com novos dados do Centro Nacional de Informação Ambiental (NCEI) dos EUA, divulgados no dia 17. Como agosto é verão no hemisfério norte, cinco destes meses também apareceram entre os 10 meses mais quentes que o NCEI já registrou.
De acordo com cálculos realizados usando temperaturas até julho, este ano tem uma chance de 97% de ser o ano quente já registrado, roubando o título de 2014. Esse percentual deverá ser revisto com o novo recorde de agosto.
“Isto continua uma tendência que temos visto desde a última parte de 2014, uma tendência de temperatura muito quente em relação à história”, afirma Deke Arndt, o chefe da divisão de monitoramento do clima do NCEI.
A razão para o recorde deste ano ser tão certo é porque têm sido registrados meses ultraquentes desde janeiro, e as temperaturas não têm mostrado sinais de abrandamento. Em um gráfico que mostra os seis anos mais quentes no registro que Arndt compara a uma corrida de cavalos, fica claro que 2015 é o garanhão favorito do aquecimento global. O planeta teria que presenciar uma onda gigantesca de frio em 2015 não ser o ano mais quente já registrado.
“Nós teríamos que ver algum comportamento de resfriamento realmente incomum”, diz Arndt.
Águas quentes são culpa do aquecimento global
Este ano superou todos os outros anos do início ao fim por ter o calor recorde dos oceanos a seu favor. Agosto estabeleceu o recorde de temperaturas mais quentes já registradas no mar, embora as áreas de terra também estejam mais quentes. Os oceanos são muito lentos para responder às mudanças de temperatura. É em parte por isso que é tão improvável que 2015 perca o título de ano mais quente da história.
Décadas de aquecimento induzido pelo homem levaram o planeta a este ponto. São 368 meses seguidos de calor acima do normal e já fazem mais de 100 anos desde que o planeta teve um ano com recorde de frio. Arndt afirma que o fenômeno El Niño está essencialmente ajudando o planeta a estabelecer o recorde.
Como o El Niño deve persistir até pelo menos o início de 2016 e continuar sua influência sobre o aquecimento global, é possível que 2015 também tenha um curto reinado como o mais quente já registrado. [Live Science]
Cirurgia inédita combate sequelas do AVC
Estimulação cerebral elétrica
Pesquisadores e médicos de Medicina da USP realizaram uma intervenção cirúrgica inédita em termos mundiais para amenizar as sequelas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi).
A cirurgia foi feita na região do cerebelo, responsável pela coordenação dos movimentos e da marcha.
A técnica envolve a estimulação cerebral elétrica por intermédio de eletrodos implantados sobre a região afetada pelo derrame.
"Uma paciente de 52 anos de idade, submetida ao procedimento em abril de 2014, apresenta melhora significativa na marcha, escrita e manipulação de objetos", explica o professor Manoel Jacobsen Teixeira.
Neuroestimulador
Na cirurgia, um cabo-eletrodo, constituído de fios condutores com eletrodos em suas pontas, foi implantado no cérebro da paciente. Uma extensão, conectada ao cabo-eletrodo, passou sob a pele desde a cabeça, pescoço até a parte superior do peito, onde foi implantado o neuroestimulador, que produz os pulsos elétricos necessários à estimulação.
Esses pulsos elétricos, de baixa intensidade, são transportados para a região alvo do cerebelo, com ajustes feitos pelo médico por intermédio de um programador externo.
A estimulação dessa região por pulsos elétricos bloqueia os sinais que causam os sintomas motores incapacitantes da doença e o paciente consegue ter maior controle sobre seus movimentos corporais e coordenação, com melhora na qualidade de vida.
Acidente Vascular Cerebral Isquêmico
O AVCi, conhecido popularmente como derrame, é uma das principais causas de morte e de incapacidade no mundo e no Brasil.
A técnica cirúrgica adotada pelos neurocirurgiões do Hospital das Clínicas deverá revolucionar o tratamento, que ainda está longe de ser satisfatório, incluindo medicamentos e reabilitação física.
Conhecida como estimulação cerebral profunda, a cirurgia é semelhante ao procedimento realizado na doença de Parkinson, porém a estimulação é feita em local diferente, no núcleo subtalâmico, estrutura do cérebro envolvida no programa motor e na velocidade dos movimentos - no AVC é estimulado o núcleo denteado, estrutura envolvida na coordenação dos movimentos.
Informações da USP
Cidades brasileiras com melhores índices de saneamento são premiadas
As cidades brasileiras com melhores indicadores na coleta, no tratamento de esgoto e na redução de perdas no abastecimento foram premiadas na quarta-feira (30), durante seminário promovido pelo Instituto Trata Brasil. Os resultados dos municípios basearam-se no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Foram selecionadas 16 cidades consideradas exemplos de sucesso para o restante do país no saneamento. Nelas, o tratamento do esgoto atinge a média de 76,1%, enquanto a média nacional é 39%. No topo do ranking está a cidade de Maringá (PR), com 94% do esgoto tratado.
A coleta de esgoto nas 16 localidades chega a 95,11%, muito superior à média nacional, que é 48,6%. Cidades do interior paulista, como Franca e Limeira, e a capital mineira Belo Horizonte têm 100% do esgoto coletado.
O secretário nacional de Saneamento Ambiental, Paulo Ferreira, destaca a disparidade entre esses municípios exemplares e aqueles mais isolados, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Ele diz que ficou chocado ao perceber que ainda existem cidades brasileiras onde não há um banheiro sequer. “São situações dramáticas que ocorrem no saneamento, que pensávamos que só existiam na África”, acrescentou.
Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Édsion Carlos, não é correto justificar a falta de banheiros entre essa população simplesmente por estar afastada dos grandes centros, em regiões do semiárido. “Nós temos que encontrar uma forma de atender a essas pessoas, porque sabemos que isso acarreta muitos problemas de saúde e ao meio ambiente”.
Perdas na distribuição – As perdas nas redes de distribuição de água, em razão de fraudes no sistema, erros de leitura dos hidrômetros e vazamentos, são, em média, 37% no país. O percentual é ainda mais elevado nos estados do Amapá (76%) e Amazonas (72%).
Umas das cidades consideradas modelo na redução de perdas é Campinas, no interior paulista, onde o percentual é 15%. Lina Adani, gerente de Controle de Perdas e Sistemas da Sanasa, empresa municipal responsável pela distribuição de água, explica que a boa gestão levou à eficiência.
De acordo com ela, os investimentos começaram há 21 anos, após um financiamento feito pela Sanasa com o Bando Mundial, em que uma das exigências era justamente reduzir as perdas. “Entre as ações que mais causaram impacto está o trabalho em hidrômetros, que é a caixa registradora”. Os hidrômetros com submedição ou com vida útil ultrapassada geravam prejuízo para a Sanasa.
A cidade passou a instalar hidrômetros em uma caixa lacrada e diminuiu as perdas físicas de água, reduzindo também a pressão na rede, principalmente durante a noite. Lina lembra que havia 1,4 mil quilômetros de rede que se rompiam constantemente por estar com tubulações velhas. Com a diminuição da pressão, inclusive durante o dia, a tubulação passou a romper menos. “Com a queda nas perdas, pudemos investir na troca dessa rede”. (Fonte: Agência Brasil)
Crise econômica paralisa ciência brasileira, diz revista ‘Nature’
A “Nature”, uma das revistas científicas mais renomadas do mundo, publicou artigo em sua edição desta semana abordando os efeitos da crise econômica brasileira na produção científica do país.
O artigo, intitulado “Brazilian Science paralysed by economic slump” (a ciência brasileira paralisada pela crise econômica), traz entrevistas com pesquisadores e coordenadores de laboratórios e instituições em várias cidades do Brasil, que relatam dificuldades para lançar novos projetos, cortes de verbas nos projetos existentes e até problemas para pagar despesas básicas como contas de luz e limpeza.
O texto cita como pano de fundo a desaceleração do crescimento em 2013 e a estagnação em 2014. “No último ano, cortes federais e estaduais nas verbas científicas paralisaram as pesquisas”, afirma.
Segundo a revista, o orçamento para 2016 apresentado pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso em setembro piora a situação, pois propõe 24% menos verba para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em relação a 2015 e congela as bolsas do programa de intercâmbio internacional Ciência sem Fronteiras.
“As instituições batalham para manter o funcionamento de seus laboratórios, comprar equipamentos e pagar despesas de viagem para pesquisas de campo e congressos”, afirma o artigo, citando também que a depreciação do real subiu o preço dos importados, como reagentes e equipamentos.
Outras fontes de financiamento – A “Nature” escreve ainda, com base em relatos de pesquisadores, a menor participação em congressos, como o encontro da Sociedade Brasileira de Genética em Águas de Lindoia, que teve menos da metade dos frequentadores que o normal.
O artigo reproduz declarações do MCTI de que o ministro Aldo Rebelo tenta buscar novas fontes de financiamento. Como exemplo, cita um pedido de financiamento de US$ 2 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em um esforço para reavivar os gastos com ciência brasileira.
Mas mostra também a preocupação dos pesquisadores entrevistados de que “o pior ainda esteja por vir”. “Temos que fazer tudo o que pudermos para salvar a ciência brasileira”, disse um deles à revista. (Fonte: G1)
multa para quem jogar lixo na rua pode ser adotada em todo o país
Para os parlamentares, o projeto contribuirá para educar a população com relação ao correto descarte dos resíduos sólidos. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Para os parlamentares, o projeto contribuirá para educar a população com relação ao correto descarte dos resíduos sólidos. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
A cobrança de multa de quem jogar lixo em via pública, já adotada em algumas cidades, como no Rio de Janeiro, pode passar a valer em todos os municípios e no Distrito Federal. A prática está prevista no Projeto de Lei do Senado (PLS) 523/2013, que integrou pauta da reunião de terça-feira, 29 de setembro, da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).
Segundo informações da Agência Senado, o projeto modifica a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) para explicitar a proibição de descarte irregular de lixo em via pública e para determinar que os municípios e o Distrito Federal devem fixar multas para quem descumprir a regra, além de regulamentar a forma correta de descarte de resíduos sólidos.
O relator na CMA, senador Jorge Viana (PT-AC), apresentou voto favorável à proposta, apresentada pelo ex-senador Pedro Taques. Para Jorge Viana, “sanções pecuniárias ainda são ações pedagógicas e preventivas necessárias para se evitar condutas indesejadas”. Ele considera que o projeto contribuirá para educar a população com relação ao correto descarte dos resíduos sólidos.
A matéria será votada em decisão terminativa na CMA.
* Publicado originalmente no site EcoD.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Mulheres, na verdade, não precisam menstruar
Para muitas mulheres, a eliminação do sangue menstrual é um efeito colateral bem-vindo de vários contraceptivos hormonais disponíveis no mercado.
No entanto, há um monte de confusão e desinformação sobre a parada da menstruação – se isso pode ter consequências negativas para a saúde da mulher, ou não. De acordo com especialistas em saúde, não há nada de errado em não menstruar.
O design da pílula
A pílula combinada, o típico contraceptivo oral, contém estrogênio e progesterona, hormônios que trabalham principalmente para parar a ovulação, posteriormente impedindo que o revestimento do útero engrosse da maneira que faria se o corpo estivesse sendo preparando para um potencial bebê.
No entanto, um ciclo típico de pílula também inclui alguns dias sem comprimidos. A queda nos níveis de hormônio faz com que o útero se forre, alertando a mulher com o que é conhecido como uma “hemorragia de privação” – embora normalmente ainda seja referida como menstruação. Assim, não é de se admirar que muitas mulheres prefiram ignorar a pausa, evitando, assim, esta “falsa menstruação”.
O especialista em ciência reprodutiva James Segars, da Universidade Johns Hopkins, disse que a única razão pela qual mulheres sangram enquanto tomam a pílula é por design, não por necessidade. Segundo ele, os fabricantes de pílula perguntaram às mulheres o que elas queriam quando as estavam desenvolvendo, e as mulheres disseram que queriam ter um período para confirmar que não estavam grávidas.
Pode parar a menstruação
Ou seja: se você quiser não menstruar mais, tudo bem. Não há nenhuma razão médica para se preocupar com o sangramento mensal, exceto, claro, a paz de espírito. De acordo com Segars, para a maioria das mulheres, ter um período mensal é reconfortante, mas certamente não é necessário.
Pelos padrões evolutivos, as fêmeas humanas sofrem demais, porque a maioria dos outros mamíferos não menstrua, e quando o fazem, é algo muito menos frequente.
A razão pela qual o útero de uma mulher derrama todo o seu forro mês após mês é impedir que um embrião se grude em sua parede. Longe de oferecer um abraço carinhoso, o endométrio é um solo letal, onde apenas os embriões mais fortes sobrevivem. Mas esses interesses concorrentes (entre o útero e embrião) significam que o corpo precisa de uma maneira de se livrar de quaisquer embriões que morram ou fiquem presos.
A solução, para primatas superiores, foi liberar todo o endométrio superficial depois de cada ovulação que não resultou em uma gravidez saudável. Mas, como outras adaptações evolutivas, essa solução não é perfeita. Para algumas mulheres, a menstruação vêm com cólicas excruciantes e enxaquecas, endometriose e outras dificuldades.
Por todas estas razões, bem como pela simples conveniência, parar a menstruação é ótimo.
“Não há nenhuma razão médica para uma mulher ter que menstruar todos os meses”
Esta é uma afirmação da especialista em saúde da mulher, Alyssa Dweck, mas poderia muito bem ser música para os ouvidos.
Então, se você optar por soluções hormonais para parar a menstruação, de uma perspectiva científica, provavelmente vai ficar bem. [sciencealert]
Do papel ao lixo eletrônico, tudo se recicla
Quem passa em frente à Rua Nova Pátria, em Cotia (SP), não imagina o que acontece no galpão que fica ao lado de uma quadra de esportes. Parte do que é descartado pela população da cidade ganha o destino certo: a reciclagem. No local funciona a Coopernova Cotia Recicla, cooperativa fundada em 2008 que reúne 32 participantes (22 mulheres e dez homens).
No galpão, com o apoio de apenas duas prensas e uma empilhadeira, eles reciclam, por mês, cerca de 40 toneladas de papelão; 30 toneladas de papel misto; 10 toneladas de vidro; três toneladas de embalagens cartonadas (caixas de leite, sucos e molhos), 1.500 quilos de latas de alumínio, e centenas de componentes de lixo eletrônico (monitores, computadores, impressoras e mouses).
Referência EducaRES – A Coopernova foi uma das cooperativas contempladas pelo projeto “Lixo Eletrônico e Responsabilidade Socioambiental”, apoiado pelo Fundo Socioambiental Caixa e realizado pelo Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, reconhecido como prática de referência EducaRES, ferramenta digital do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Desde a sua criação, em 2013, a EducaRES vem divulgando ações que ajudem a enfrentar os desafios da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei 12.305/10) proporcionando aos gestores, catadores de material reciclável e cidadãos em geral, a oportunidade de buscar boas iniciativas de todas as regiões do País. Atualmente existem 200 iniciativas cadastradas na plataforma.
Objetivos - O projeto, que foi iniciado em julho de 2013 e terminou em julho deste ano, teve como objetivo principal gerar renda para cooperativas de catadores, a partir da capacitação técnica dos cooperados e estruturação física das cooperativas para processamento adequado de resíduos eletrônicos (computadores, impressoras e mouses).
Além disso, a iniciativa teve como meta colocar à disposição da população uma forma ambientalmente segura e socialmente justa de destinar seus equipamentos eletrônicos sem uso; facilitar a inserção das cooperativas na logística reversa dos resíduos eletroeletrônicos (REE), uma diretriz da PNRS e do Decreto 7.404/10; e reduzir o risco de contaminação do meio ambiente por resíduos tóxicos.
Inspiração - De acordo com estudo desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/ONU), o Brasil apresenta-se como maior produtor per capita de lixo eletrônico entre países emergentes e em desenvolvimento, resultando em 96,8 mil toneladas de lixo eletrônico ao ano – sendo o setor bancário um grande consumidor de equipamentos eletroeletrônicos.
Tendo em vista a abrangência nacional da Caixa, a sua ampla rede de atendimento e os avanços tecnológicos, a instituição identificou que o estoque de equipamentos eletroeletrônicos sem uso era elevado, o que demandava uma solução ambientalmente correta. Paralelamente, também constatou que as cooperativas não estavam preparadas para executar essa atividade.
Somando a isso, havia a necessidade de atender ao marco regulatório de resíduos sólidos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece a responsabilidade compartilhada na destinação final dos REE (fabricantes, distribuidores e consumidores), além do estímulo à participação de catadores no processo de gestão resíduos sólidos. A partir de todas essas questões, a Caixa resolveu desenvolver o projeto em parceria com o GEA.
Capacitações – O projeto apresentou resultados em todos os aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Foram estruturadas e capacitadas sete cooperativas (localizadas em São Paulo, Salvador, Recife e no Distrito Federal) para coletar, processar e comercializar resíduos eletrônicos, utilizando parte de resíduos da Caixa.
Foram capacitados 79 catadores pelo Instituto GEA, apoiado pelo Laboratório de Sustentabilidade da Universidade de São Paulo (Lassu). As capacitações abordaram os seguintes temas: riscos de contaminação durante a manipulação de resíduos eletrônicos, gestão administrativa do negócio e internalização de informações sobre toda a documentação necessária para comercializar esse material com empresas certificadas.
Segundo a presidente da Coopernova, Marli Monteiro, a partir das capacitações os cooperados passaram a trabalhar com mais segurança e mais higiene. “O descarte e o manuseio corretos das embalagens proporcionam mais saúde e mais renda ao trabalhador”, afirmou. “Ao higienizar as embalagens antes de descartá-las, a população mostra uma preocupação com quem vai trabalhar com elas”.
Lixo eletrônico - Após as capacitações técnicas, as cooperativas foram equipadas com ferramentas, mobiliário e equipamentos de segurança, para que pudessem atuar com os resíduos eletrônicos de forma profissionalizada e segura.
Foi só a partir desse momento que a Caixa passou a destinar os seus resíduos eletrônicos a essas cooperativas, que fizeram sua desmontagem e venderam os componentes para empresas especializadas, que fornecem documento comprovando a destinação final adequada. Segundo Marli Monteiro, durante a vigência do projeto a cooperativa passou a receber cerca de 300 monitores e 300 CPUs por mês da instituição.
Todos os cooperados que integram as cooperativas tiveram um aumento da renda proveniente da reciclagem do lixo eletrônico. Marli conta que os cooperados da Coopernova recebem, em média, renda de R$ 1.500,00 e que boa parte do valor vem desse tipo de material, normalmente muito procurado pelo mercado. “Não é só uma questão de valor”, enfatizou. “O lixo eletrônico é um dos que mais traz danos ao meio ambiente.”
Foram também colocadas à disposição do público 26 caixas coletoras nas regiões contempladas para resíduos eletrônicos provenientes da população, em condomínios residenciais e comerciais, mercados, aeroportos, empresas públicas e privadas.
Resultados - No total, 17.965 equipamentos eletrônicos foram destinados pela Caixa às cooperativas e 300 doados pela população. A comercialização desses equipamentos, após tratamento adequado, gerou um total de R$ 220 mil para as cooperativas. O descarte adequado desses equipamentos permitiu que pelo menos duas toneladas de chumbo fossem recicladas, evitando a contaminação do meio ambiente.
Segundo a presidente do Instituto GEA, Ana Maria Luz, o projeto só teve resultados positivos e serviu como exemplo a outras empresas, pois demonstrou, na prática, que é viável considerar as cooperativas de catadores como destinatários dos seus resíduos eletrônicos.
Essa ação socioambiental tem um grande alcance e beneficia não só os catadores, mas a população em geral. “Adotando esse mesmo procedimento, as empresas podem ainda antecipar-se à entrada em vigor da política nacional de resíduos sólidos, implementando a logística reversa de eletrônicos com viés social”, destacou.
Considerando os resultados exitosos do projeto, a Caixa iniciará uma segunda fase, que consistirá na expansão para Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Goiânia, além de Brasília, Recife, Salvador e São Paulo. Serão tratados, além de eletroeletrônicos, mobiliários, equipamentos de uso, de segurança e de tecnologia da informação (TI). Outras 22 cooperativas participarão, sendo capacitados e instrumentalizados 420 cooperados.
As cooperativas e cooperados da primeira fase também receberão capacitação. O outro diferencial dessa próxima fase consistirá na estruturação de uma rede apoio para que a comercialização seja realizada de forma integrada com outras cooperativas locais.
Saiba mais – Mais de 200 experiências sobre educação ambiental e comunicação social com resíduos sólidos estão disponíveis na plataforma virtual EducaRES. Essa ferramenta digital tem o objetivo de divulgar ações que ajudem a enfrentar os desafios da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) proporcionando aos gestores, catadores de material reciclável e cidadãos em geral, a oportunidade de buscar boas iniciativas de todas as regiões do país.
Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente lançou edital público que selecionou 84 ações de referência. Foram escolhidas até 30 experiências de cada segmento (sociedade civil, poder público e setor privado).
As propostas selecionadas foram reconhecidas como “Práticas de Referência EducaRES” e aparecerem de forma diferenciada na plataforma. As experiências também serão recomendadas pelo Ministério do Meio Ambiente como referência para compor materiais pedagógicos e técnicos de publicações e processos formativos, presenciais ou a distância, produzidos pelos governos no âmbito federal, distrital, estadual e municipal. (Fonte: MMA)
MMA debate substâncias químicas perigosas
O Ministério do Meio Ambiente participará da 4ª Conferência Internacional de Gestão de Substâncias Químicas (International Conference on Chemicals Management-ICCM), que começa na próxima segunda-feira (28/09) e seguirá até o dia 2 de outubro em Genebra, na Suíça.
O encontro tratará sobre gestão e monitoramento de produtos químicos artificiais perigosos para a saúde e para o meio ambiente, que fazem parte da composição de objetos presentes no dia a dia das populações de todo o mundo, como eletroeletrônicos, roupas e tintas.
A diretora de Qualidade Ambiental na Indústria, Letícia Carvalho, vai representar a ministra Izabella Teixeira em evento de ministros dos países que fazem parte do acordo global, que é denominado como Abordagem Estratégica da Gestão Internacional de Substâncias Químicas (Strategic Approach to International Chemicals Management-SAICM).
O encontro ocorrerá nos dias 1° e 2 de outubro, e será palco de debates sobre as diversas formas como setores de governo – por exemplo, saúde, agricultura, trabalho e meio ambiente – podem ser articulados para se alcançarem resultados positivos na gestão eficiente de produtos químicos perigosos.
Recomendação - “O SAICM não é um acordo vinculante, com obrigações para as partes, mas recomenda que, até 2020, os países produzam e utilizem os produtos químicos de forma adequada, minimizando impactos na saúde e no meio ambiente”, relata o gerente de Segurança Química do MMA, Alberto Rocha, que também estará em Genebra.
Rocha explica que o SAICM reúne não apenas governos, mas também o setor privado, organizações não governamentais e comunidade científica, em fóruns com igualdade de participação de todos. Esse acordo é uma instância de debates e alinhava todos os acordos internacionais que tratam de substâncias químicas perigosas específicas – as Convenções de Brasileia, Roterdã, Estocolmo e Minamata – estimulando o intercâmbio entre eles e também colocando em discussão substâncias que também são perigosas, mas que ainda não fazem parte desses tratados.
As substâncias químicas perigosas estão presentes em uma multiplicidade de produtos usados pelas pessoas, e que representam ameaça de contaminação do meio ambiente e também dos seres humanos. Fazem parte da lista, elementos como o chumbo, que compõe tintas para pintura de paredes, e vários metais pesados altamente tóxicos que são usados na fabricação de equipamentos eletrônicos. Esses serão alguns dos assuntos que estarão na pauta desta 4ª ICCM.
Será também debatida a inclusão de alguns tipos de agrotóxicos na categoria de “assunto de preocupação” para que os países adotem medidas para a sua substituição gradual, até que sejam eliminados no mundo. A proposta de inclusão é da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Evento brasileiro – Durante a 4ª ICCM, o MMA, realizará evento paralelo, na próxima quarta-feira (30/09), em parceria com especialistas da Suécia e Sérvia, para discussão dos principais desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento para a consolidação das leis nacionais de controle às substâncias perigosas. Estarão presentes representantes do PNUMA e da International Council of Chemicals Associations (ICCA), associação internacional da indústria química.
A SAICM foi endossada pelos países em setembro de 2002, na Conferência Mundial pelo Desenvolvimento Sustentável (Rio+10, em Johannesburgo, na África do Sul. Entre os seus objetivos estão o combate ao tráfico internacional de substâncias perigosas, redução dos riscos de contaminação, disseminação de conhecimento sobre o assunto, governança entre países e estímulo à cooperação técnica. (Fonte: MMA)
As promessas ambientais do Brasil para o mundo
Cumprir a lei florestal só em 2030, alcançar metas para energias renováveis menores que as já praticadas e efetuar grandes investimentos em fontes fósseis são algumas das contradições
Neste domingo, 27 de outubro, a Presidente Dilma anunciou, em assembléia da ONU, os planos que o Brasil deve submeter oficialmente como sua contribuição no combate às mudanças do clima – e as metas apresentam pontos de incoerência preocupantes.
Para o governo, chegaremos em 2030 emitindo 1,33 bilhões de toneladas de carbono, número 33% maior do que as projeções do que seria possível fazer segundo proposta de organizações da sociedade civil. Apesar de ficarem aquém do desejável, o formato de metas absolutas e o fato de apresentar números de redução para os anos de 2025 e 2030 são bons indicadores. Porém, na área de florestas, setor do país que mais emite gases que aquecem o planeta, o governo derrapa e a conta não fecha, o que coloca boa parte do plano em suspensão.
“O discurso do governo impressiona a plateia, principalmente quando comparado com o deserto de promessas de muitos outros países. Mas quando olhamos com o cuidado necessário, a parte de florestas é baseada em premissas falhas e continua permitindo o desmatamento, além de perder oportunidades no setor de energia”, diz Marcio Astrini, do Greenpeace.
Florestas
Na parte de florestas, o plano se baseia em implementar a lei (código florestal), mas só daqui 15 anos, deixando claro que até lá permitirá novos desmatamentos compensados com replantio. Para o governo, isso seria suficiente para reduzir drasticamente as emissões do setor. Mas a conta não fecha.
Segundo estudo publicado na revista Science, os professores da Universidade Federal de Minas Gerais, Britaldo Soares e Raoni Rajao afirmam que a simples implementação da lei de florestas não será capaz de deter a perda de cobertura florestal, podendo, inclusive, permitir que mais de 88 milhões de hectares sejam liberados para o desmatamento, aumentando nossa conta de emissões.
Compensar áreas legalmente autorizadas indica que o desmatamento continuará, e a taxas não determinadas. Além disso, o replantio de novas áreas desmatadas não compensam economicamente, visto que é muito mais custoso do que preservá-las. A proposta de novos desmatamento perde ainda mais sentido devido ao fato de que o Brasil já detém áreas abertas em quantidade suficiente para assegurar o aumento da produção de alimentos sem a necessidade de novas derrubadas de vegetação.
Soma-se a isso o problema de que o caminho escolhido pelo governo para resolver a situação das florestas simplesmente ignora instrumentos como a criação de unidades de conservação e terras indígenas, que são seguramente a maneira mais eficiente de frear o desmatamento.
“Além da conta do plano para florestas não fechar, o anunciado traz um problema ainda mais grave, que é moral, ao ter como meta cumprir a legislação daqui a 15 anos (em 2030). Na prática, isso significa que, em sua gestão, o crime florestal vingará e ainda sentencia que os outros próximos três mandatos presidenciais seguirão o mesmo caminho. Tudo isso em um momento do país no qual as pessoas não aguentam mais ouvir falar em crime e má gestão. O exemplo é negativo e vem da Presidente. Lamentável”, completa Astrini.
Energia
Para energia, a meta de alcançar 23% das fontes eólica, solar e biomassa na matriz elétrica de 2030 é positiva, mas fica abaixo do ritmo atual de contratação dessas fontes em leilões. Para chegar nesse patamar, a contratação média anual necessária seria de 3,1 GW, mas, só em 2015, já contratamos 3,7 GW. A intenção de reduzir o consumo de eletricidade de 2030 em 10% por conta de medidas de eficiência energética não representa novidade, pois já vinha do Plano Nacional de Eficiência Energética.
O que fica mal explicado é a partir de quando e como o governo pretende mudar os rumos que vem adotando no setor até o momento.
Até agora, as medidas efetivas para o setor se concentraram em carbonizá-lo com políticas como o subsidio da gasolina, que levou ao declínio acentuado da indústria da cana, nos descontos no IPI para incentivar o uso de carros em detrimento de investimentos em transporte público, na negação de linhas de crédito para a energia solar distribuída e tecnologias de smartgrids. O plano decenal de energia, que é a expressão mais clara da visão do governo para a área, prevê que 70% de investimentos do setor para a próxima década ocorrerão em fontes fósseis.
“Poderia ser mais ousado. Mas o problema maior é que, no discurso, o plano apresenta um rumo, e na prática, os investimentos do governo ocorrem em outro”, afirma Astrini.
Agricultura
Não ficou claro quais serão os resultados em termos de redução para o setor. Iniciativas como a recuperação de áreas de pastagens e a promoção de modelos que combinem florestas e agricultura, com baixo carbono, já existem e são bem-vindas, mas, até o momento, não saíram do papel. Dos bilhões destinados anualmente para o setor, apenas uma ínfima parcela tem como objetivo promover a diminuição das emissões.
Este é um setor dos mais importantes. Na pecuária, por exemplo, poderemos ter uma solução matricial, que é resolver o problema de emissões entéricas, além de liberar áreas para o desenvolvimento da agricultura e diminuir a pressão sobre a floresta.
Eliminar o desmatamento, investir em renováveis e na melhoria de nossa agricultura não é um favor que fazemos ao mundo. É um investimento na garantia do nosso desenvolvimento e um benefício econômico ao país. Devemos perseguir estas metas independente do que os outros países farão e de toda essa discussão em torno da crise climática, pois é vantajoso do ponto de vista social, econômico e para nosso desenvolvimento.
Caso não cheguemos à um acordo, seremos um dos países mais impactados pelas alterações climáticas, o que trará consequências desastrosas para a economia, visto que boa parte dela é baseada na produção de alimentos, vulnerável ao clima, assim como nossa energia, que depende de estabilidade hídrica. Nesse contexto, as mudanças climáticas cobrararão uma conta que irá recair sobre os mais pobres. Acima de tudo, a questão climática é um problema social, ainda mais para o Brasil, e devemos liderar essa agenda. Qualquer falta de ambição em clima prejudicará diretamente as populações mais vulneráveis. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Greenpeace Brasil.
ONU lança Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para transformar o mundo
Os 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, composta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
"A nova agenda é uma promessa dos líderes para a sociedade mundial. É uma agenda para acabar com a pobreza em todas as suas formas, uma agenda para o planeta", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no discurso de abertura da Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.
O discurso do secretário da ONU precedeu a adoção formal do documento Transformando Nosso Mundo, composto por 17 objetivos e 169 metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Veja os objetivos que serão perseguidos em mudança dessa transformação mundial.
Fome e nutrição
Os objetivos 1 e 2 propõem acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; e erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável, respectivamente. Os objetivos ampliam a abordagem de temas vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), mas agora com alcance mundial, especialmente o primeiro. A meta é mais ambiciosa que a proposta nos ODM, que falava em reduzir pela metade o número de pobres e daqueles que passavam fome.
"Isso é absolutamente desafiador, mas temos a visão muito clara de que é possível que esta seja a primeira geração capaz de acabar com a pobreza no mundo. A gente tem essa oportunidade. Há uma série de soluções disponíveis para chegarmos lá", disse Haroldo Machado Filho, assessor da ONU.
Bem-estar, educação e igualdade de gênero
Os objetivos seguintes preveem cuidado com todas as doenças e bem-estar das pessoas (Objetivo 3), garantia de educação inclusiva e de boa qualidade e oportunidades de aprendizagem (Objetivo 4) e igualdade de gênero e importância do empoderamento de mulheres e meninas (Objetivo 5).
Água potável
"A partir do Objetivo 6, que propõe que se assegure a disponibilidade de água potável e saneamento básico para todos, são incluídas outras dimensões que não apareciam antes", ressalta Machado.
Energia e emprego
Os objetivos 7, 8 e 9 propõem acesso a energia barata e sustentável; promoção do crescimento econômico sustentado, com emprego pleno e trabalho decente para todos e criação de soluções para o desenvolvimento sustentável.
Redução da desigualdade
A assessora internacional da Associação Brasileira de Organizações não governamentais (Abong), Maira Vannuchi, avalia que o Objetivo 10, que propõe a redução da desigualdade dentro dos países e entre eles, é o mais importante para o Brasil, por propor o enfrentamento das desigualdades sociais e econômicas históricas. "Ele toca na ferida do Brasil, na questão estrutural. A gente reconhece nele um ponto que precisa ser resolvido no país, por ser a fonte das principais violações de direitos humanos e injustiças sociais".
Violência
O Objetivo 11 traz à tona a questão da violência e da insegurança nas cidades, propondo que os assentamentos humanos sejam inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis, segundo o assessor.
Consumo sustentável
Para o assessor Haroldo Machado, os objetivos são desafiadores para os países desenvolvidos. "O Objetivo 12, por exemplo, quer assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis, problema sério em países ricos, que agora têm o desafio importante de repensar seus modelos de desenvolvimento", exemplifica.
Meio ambiente
Haroldo Machado aponta que a Agenda 2030 inova ao colocar objetivos específicos para a questão ambiental, (13,14 e 15), que tratam do aquecimento do planeta, a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade. "Porque os nossos esforços para o desenvolvimento podem ser todos anulados se realmente houver aumentos significativos de temperatura e outros efeitos adversos da mudança do clima no planeta," justifica.
O Objetivo 16 prevê metas para a promoção de sociedades pacíficas e para que todos tenham acesso à justiça. O Objetivo 17 é o último e trata da execução das metas dos ODS, propondo o fortalecimento dos meios de implementação e a construção de parceria global para o desenvolvimento sustentável.
Agência Brasil
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: o elo entre o curto e o longo prazo
A Agenda 2030 trata aspectos cruciais em termos de educação, moradia, segurança alimentar, prestação de serviços básicos, desenvolvimento urbano, proteção social e gestão de riscos de catástrofes. Foto: Shutterstock
A Agenda 2030 trata aspectos cruciais em termos de educação, moradia, segurança alimentar, prestação de serviços básicos, desenvolvimento urbano, proteção social e gestão de riscos de catástrofes. Foto: Shutterstock
“Hoje, no contexto da Agenda 2030, nossa região dispõe de novos e melhores instrumentos e de uma sólida institucionalidade para realizar um processo transformador e superar o traço mais acentuado de nossa região: a desigualdade. Tal e como destaca a Nova Agenda, nossa obrigação é não deixar ninguém para trás”, lembra a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.
No dia 25 de setembro, em Nova York, os Países-membros da Organização das Nações Unidas adotarão oficialmente a chamada Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030, que constitui um marco no processo global de construção de sociedades mais igualitárias capazes de viver em harmonia com o meio ambiente.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que incluem esta Agenda substituirão os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que guiaram os esforços dos países durante os últimos 15 anos. A diferença entre ambas as agendas é importante para a América Latina e o Caribe: os ODS abordam várias dimensões da desigualdade, o principal problema de nossa região.
A Agenda 2030 engloba os três pilares do desenvolvimento sustentável e trata aspectos cruciais para a Região em termos de educação, moradia, segurança alimentar, prestação de serviços básicos, desenvolvimento urbano, proteção social e gestão de riscos de catástrofes. Engloba, também, o conceito de bens de interesse coletivo, como a proteção dos oceanos, da atmosfera e da biodiversidade.
Os novos objetivos acordados pelos países com a participação de outros atores em um processo democrático sem precedentes exigem transformações importantes, que já foram alertadas pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que nos últimos anos conclamou os países a realizar uma mudança estrutural em suas formas de produção e consumo – privilegiando setores mais intensivos em conhecimento e ambientalmente sustentáveis –, e a estabelecer, pactos sociais abrangentes com visão de longo prazo.
A Nova Agenda Global propõe pela primeira vez a erradicação da extrema pobreza para 2030 e considera como historicamente tem afirmado a CEPAL, que o emprego digno e de qualidade é a chave mestra para alcançar um desenvolvimento mais inclusivo. O emprego com direitos deve caminhar junto com a industrialização e a inovação tecnológica para melhorar a produtividade e a eficiência na utilização dos recursos.
Em assuntos de gênero ocorrem avanços relevantes ao propor as três dimensões da autonomia das mulheres necessárias para alcançar a plena igualdade: a autonomia econômica, política e física. Propõe-se eliminar todas as formas de violência contra a mulher, outorgar igual acesso aos recursos econômicos e reconhecer e valorizar o trabalho não remunerado. Incorpora-se, também, o enfoque de gênero nos outros ODS.
É vital para a região fortalecer a mobilização interna de recursos para implementar esta Agenda, considerando que as taxas de poupança e arrecadação de impostos são em geral baixas e que reduziu-se o acesso a fontes de financiamento externas tradicionais, como a ajuda oficial ao desenvolvimento. Nossos países, também, enfrentam o desafio de canalizar mais eficazmente os fluxos de financiamento privado, assim como de desenvolver mecanismos inovadores de financiamento.
O desenvolvimento sustentável exige uma considerável ação coletiva. Uma Agenda como a que estamos acordando hoje, exige “descolonizar” os acordos multilaterais de desenvolvimento, já que a governança global deve ser universal e inclusiva e refletir os interesses, as necessidades e os objetivos da comunidade internacional em seu conjunto. Isto é um desafio ainda maior se são considerados àqueles relacionados com a mudança climática e a assimetria da arquitetura financeira internacional.
Aproveitando as potencialidades da revolução tecnológica, a Agenda 2030 deve focar em processos participativos e transparentes, que vão do nacional para o regional e do regional ao mundial.
A CEPAL se aproxima de suas primeiras sete décadas de vida dedicada, como sempre, a propor caminhos para o desenvolvimento econômico, social e ambiental da América Latina e do Caribe. Nesse marco, vemos os ODS como um elo entre o curto e o longo prazo. Hoje, no contexto da Agenda 2030, nossa região dispõe de novos e melhores instrumentos e de uma sólida institucionalidade para realizar um processo transformador e superar o traço mais acentuado de nossa região: a desigualdade. Tal e como destaca a Nova Agenda, nossa obrigação é não deixar ninguém para trás. (ONU Brasil/ #Envolverde)
* Alicia Bárcena é secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) da ONU.
** Publicado originalmente no site ONU Brasil.
Degradação ambiental ameaça a saúde humana
Avanços obtidos nas últimas décadas, como aumento da expectativa de vida, podem ser revertidos pela rápida e contínua perda da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, indicam relatórios globais. Foto: Shutterstock
Avanços obtidos nas últimas décadas, como aumento da expectativa de vida, podem ser revertidos pela rápida e contínua perda da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, indicam relatórios globais. Foto: Shutterstock
A contínua e rápida degradação dos sistemas naturais observada em todo o planeta coloca em risco a saúde humana e pode reverter conquistas obtidas nas últimas décadas, como o aumento da expectativa de vida.
O alerta é de dois relatórios globais publicados simultaneamente nos últimos meses – um no fim de junho pelo Secretariado da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e o outro no mês seguinte pela Rockefeller Foundation, dos Estados Unidos, em colaboração com a revista Lancet, do Reino Unido.
As duas publicações foram lançadas no Brasil no dia 24 de setembro, durante o painel “Planetary health: a challenge for individual health”, realizado no campus da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista.
“Os dois relatórios se complementam e resumem o atual conhecimento científico sobre as relações entre saúde e meio ambiente”, disse Braulio Ferreira de Souza Dias, secretário executivo da CDB, em sua palestra durante o evento.
Intitulado Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health, o relatório lançado pela CDB em colaboração com a OMS aponta que a degradação ambiental tem causado o declínio da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos no mundo, como o fornecimento de água, alimentos e ar limpo.
O declínio desses serviços ecossistêmicos representa um risco crescente para a saúde humana e para a sustentabilidade econômica do planeta, avaliam os autores do documento.
“Diferentemente das mudanças climáticas, que podem se manifestar por meio de eventos extremos muito perceptíveis, como maior frequência de secas e inundações, a perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos pela degradação ambiental é um processo lento, contínuo e pouco visível. Por isso, a maior parte das pessoas não se dá conta disso”, afirmou Dias.
O relatório indica que a contínua degradação ambiental já causou a perda de mais de 80% da vegetação herbácea, além de 90% de todas as áreas úmidas e dos estoques de peixes de maior porte no mundo.
Além disso, também resultou na perda de mais de 90% da variedade genética de espécies de trigo, arroz e frutas, como maçã, nas últimas décadas.
“A perda dessa diversidade de cultivares está tornando a população mundial mais vulnerável a surtos de pragas agrícolas e a um colapso na oferta de alimentos”, disse Dias.
Segundo ele, muitos dos fatores que estão causando a degradação ambiental mundialmente são os mesmos que estão levando à perda de qualidade da saúde humana.
Entre esses fatores estão as mudanças no uso da terra, sobre-explotação de recursos biológicos, poluição, dispersão de espécies exóticas e invasoras, além das mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos.
Os desequilíbrios nos ecossistemas causados por essas formas de degradação ambiental provocam surtos de doenças, como as causadas por ebola e hantavírus, aponta o relatório.
“O empobrecimento de ecossistemas leva à proliferação de organismos que são hospedeiros ou vetores de doenças. Há, claramente, uma relação entre doenças e desequilíbrios de ecossistemas”, afirmou Dias.
Os barbeiros (Triatoma infestans), que transmitem a doença de Chagas, por exemplo, preferem se acomodar em palmeiras – plantas que se proliferam em áreas que sofreram degradação ambiental.
Ao desmatar uma área de floresta, as palmeiras rebrotam e facilitam a proliferação do inseto, explicou Dias.
Já o vibrião (Vibrio cholerae) responsável por causar a cólera está presente em todas as zonas costeiras do mundo inteiro, geralmente sem causar problemas.
A poluição resultante de eutrofização – excesso de nutrientes – que chega a zonas costeiras causa um fenômeno chamado maré vermelha e a destruição de microcrustáceos que habitavam aquela região, exemplificou Dias.
“O recente surto de ebola, na África, também está associado à quebra do equilíbrio da relação humana com os ecossistemas”, afirmou.
“O consumo de carne de animais silvestres por populações pobres no interior de áreas florestais, em razão da falta de opção de outros alimentos, está fazendo com que entrem em contato com a doença causada pelo vírus ebola e outras zoonoses”, avaliou.
Ações urgentes
O relatório Safeguarding human health in the Anthropocene epoch, da Rockefeller Foundation em parceria com a Lancet, ressalta que os perigos apresentados à espécie humana em razão da degradação ambiental exigirão uma ação coletiva urgente, tanto em nível global como local, e a cooperação será indispensável.
A Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada este fim de semana na sede da ONU, em Nova York – em que os países passaram a adotar oficialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) –, e a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), em Paris, no início de dezembro, representam uma janela de oportunidades para colocar em pauta a discussão sobre os impactos da degradação ambiental na saúde na agenda global, avaliam os autores do relatório.
“É necessário que os países se empenhem em atacar as causas das mudanças ambientais, promovendo padrões sustentáveis e equitativos de consumo, controlando o crescimento de suas populações e que usem o poder das novas tecnologias para promover mudanças”, disse Sir Andy Haines, professor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, em sua palestra por videconferência durante o evento.
Algumas das medidas apontadas pelo relatório para diminuir os impactos da degradação ambiental na saúde humana são proteger os recursos hídricos, combater e reduzir o desperdício de alimentos, investir em planos escaláveis e modelos de financiamento para a implementação de energias renováveis e incentivar o investimento regional em infraestrutura de transporte urbano.
Os investimentos em transporte público urbano podem ser benéficos tanto para a saúde cardiovascular das populações como também para a saúde ambiental, ressaltam os autores do relatório.
“As soluções devem se basear na redefinição de prosperidade, com foco na melhoria da qualidade de vida e na promoção da saúde, juntamente com o respeito pela integridade dos ecossistemas”, disse Haines.
O encontro teve a participação de José Goldemberg, presidente da FAPESP, e de representantes da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, da USP e dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein.
Na avaliação de Goldemberg, a pesquisa científica pode auxiliar muito na busca de soluções para a diminuição de causas da degradação ambiental, que, eventualmente, podem contribuir com outras áreas, além da saúde.
A descoberta de que a palha da cana-de-açúcar poderia ser usada para gerar eletricidade fez com que a prática da queima da planta para a colheita manual fosse substituída pela colheita mecanizada da cana crua nos canaviais no Estado de São Paulo, exemplificou.
“O aproveitamento desse subproduto da cana-de-açúcar contribuiu para diminuir a poluição, está ajudando a gerar lucros para as usinas e produzir eletricidade para o país”, avaliou Goldemberg.
“É preciso olhar para as causas e consequências da degradação ambiental, que podem resultar em soluções como essa”, afirmou.
O relatório Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health pode ser acessado aqui.
E o relatório Safeguarding human health in the Anthropocene epoch pode ser acessado aqui. (Agência Fapesp/ #Envolverde)
* Por Elton Alisson, da Agência Fapesp.
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