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sábado, 5 de junho de 2010

Estado autoriza investimento de R$ 50 milhões para frear desastres ambientais

A governadora Yeda Crusius autorizou, nesta sexta-feira, o repasse de R$ 50 milhões às cidades habilitadas ao Enfrentamento de Desastres Ambientais, conforme informações do Governo do Estado. A meta é reestruturar a rede de saúde municipal - Unidades Básicas, Hospitais, Pronto Atendimento e Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs), entre outros -, diminuindo a vulnerabilidade do sistema e proporcionando maior segurança para possíveis novos eventos.

A ação, no âmbito da Secretaria Estadual da Saúde, faz parte do Programa Estruturante Saúde Perto de Você, articulado como o Estruturante Nossas Cidades, dentro da transversalidade de áreas do governo estadual.

Os recursos deverão ser utilizados no investimento em equipamentos para a recuperação e reaparelhamento da Rede de Atenção à Saúde, como reposição ou conserto de equipamentos danificados ou, ainda, aquisição de novos equipamentos, como geradores. Com isso, o município estará preparado para possíveis desastres ambientais.

De setembro de 2009 a fevereiro de 2010, o Rio Grande do Sul sofreu eventos ambientais adversos marcantes, decorrentes de mudança climáticas, registrados pela Defesa Civil. Isto resultou em mais de 274 municípios em situação de emergência, com mais de 33 mil gaúchos ficando desabrigados e ocorrendo oito óbitos. Os estudos climatológicos nacionais e internacionais têm alertado para o aumento destes fenômenos, caracterizando o Estado como corredor para eventos climáticos agudos.

A governadora Yeda Crusius informou que o Decreto que organizou a Defesa Civil do Estado, em 2008, mostra que o Governo se organizou com antecedência para enfrentar o aumento dos eventos climáticos.

— Mas a complexidade e amplitude dos eventos que estão nos atingindo fazem com que continuemos agindo preventivamente, agora junto à rede de saúde municipal — afirmou.

Yeda Crusius destacou que hoje praticamente 100% dos municípios contam com coordenadorias capacitadas e articuladas com as regionais da Defesa Civil.

— Para tanto, repassamos veículos, equipamentos e efetivos treinados e em condições de agir com eficiência e rapidamente — salientou.

ZERO HORA.COM

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Saúde mental e espiritual! Quando não ver mais sentido nas coisas, crie um!

O segredo da vida está sempre em suas mãos.

Quantas vezes nossos olhos "estão vesgos" e vemos tudo torto? Precisamos desembaçar nossos olhos pra poder enxergar diferente. Damos "poder e valor" pra tantas coisas ao nosso redor, principalmente pras opiniões dos outros, os outros passam a ser um "oráculo" para nós! Buscamos que os outros nos orientem e esquecemos de dar poder e valor às nossas sensações, às nossas percepções.

Pare um pouco! Se não estiver mais vendo sentido nas coisas que está fazendo... crie um! Escute mais a voz do seu espírito. Pergunte-se o que verdadeiramente quer. Você conversa consigo mesmo? Tem tempo de escutar a parte que quer falar com você? Existem tantas vozes falando que você acaba sufocando a sua!

Quantos fardos desnecessários vamos levando pelo caminho... E esquecemos que fomos nós mesmos que os assumimos! Entramos em relacionamentos pesados, muitas vezes já com o nosso peso! Assumimos trabalhos opressores, com a desculpa de que precisamos sobreviver; entramos em "roubadas afetivas" por necessidade de sermos aceitos, por recebermos afeto instantâneo e o resultado é só vampirismo pra todos os lados... Vítimas de nós mesmos...

É uma pena que a maioria de nós continue se oprimindo, continue se violentando emocionalmente e espiritualmente com medo de perder o que, na verdade, nunca teve. E seguimos amarrados à dor e ao sofrimento. É provado pela medicina o crescente número de casos de depressão. As pessoas andam cada vez mais ansiosas e angustiadas.

Pergunte-se se vale a pena fazer tanto para sentir-se recompensado. Pergunte-se se vale a pena perder a alma por um sonho. Ao contrário: una sua alma a seu sonho! Tem que valer a pena! Tem que ter prazer e alegria na caminhada! Senão, algo está errado! Repense...

Podemos ser colecionadores de conquistas... mas se não as sentirmos, de que vale? Podemos ter o melhor emprego no tocante ao financeiro... mas se o cansaço rouba todas as nossas outras forças, de que vale? Podemos ter alguém ao nosso lado escolhido numa prateleira... mas se não nos integramos com essa pessoa, de que vale? Podemos estar cercados de gente por todo o lado, mas se não sabemos ter amigos e preservá-los, de que vale? Podemos achar que fazemos tudo por um filho... mas se não o abraçamos, se não temos tempo de rolar no chão com ele, de que vale? Podemos ter o dom da palavra e tocar as pessoas... mas se não aprendemos a ouvir os outros da mesma forma, de que vale?

Repense o sentido que está dando à sua vida... Repense sobre o que tem dando valor e poder... Se o que você acreditava ser certos anos atrás ainda tem o mesmo sentido. Se o sentido que ensinaram pra você é o seu sentido também. E que possamos transformar nossas lamentações em silêncio! Fale!!! Se realmente vale a pena...

Se for algo edificante pra você e para o outro! E que possamos olhar pro mais alto... Pense naquela pessoa mais silenciosa que você conhece... Silenciosa, não no sentido de ser quieta, mas aquela que você sabe não viver no barulho constante das emoções, que sabe transmitir pelo silêncio, pela janela da alma - os olhos.

Pense naquela pessoa que você admira e respeita, que está no seu convívio ou que brilha no seu coração como um Mestre ou apenas um exemplo pra você... Espelhe-se nela nesse momento...

Um lago é só um lago... Se jogarmos uma pedra nele modificamos tudo... Permita-se ser um lago... Simplesmente um lago... Permita-se ver o outro como um lago... Deixemos as pedras por um momento... deixemos os barulhos por um momento... E que dentro do silêncio, nesse estado, passemos a perceber o sentido das coisas, ou passemos a criar novos sentidos e novos caminhos!

Fernanda Lopes é Psicoterapeuta holística, palestrante motivacional, escritora e presidente da ONG - Associação Voluntários da Esperança.

Cientistas elucidam mecanismo antiobesidade de molécula da pimenta

O princípio ativo da pimenta, a molécula capsaicina, desencadeia reações moleculares que ajudam as células a eliminar gordura e perder peso, indica uma nova pesquisa.

O estudo, publicado no periódico acadêmico “Journal of Proteome Research”, confirmou que a capsaicina reduz a absorção de calorias pelas células e abriu caminho para elucidar o mecanismo por meio do qual o fenômeno ocorre. O trabalho relata experimento liderado por Jong Won Yun, da Universidade Daegu, da Coréia do Sul.

O cientista tratou ratos com capsaicina e uma dieta altamente gordurosa durante nove semanas. Comparados a roedores que não recebiam o composto, as cobaias sob ação do princípio ativo da pimenta ganharam 8% menos peso.

Os ratos que recebiam a capsaicina também mostraram alteração nos níveis de proteínas relacionadas à gordura. Como essas moléculas estão relacionadas à quebra de compostos no tecido adiposo do organismo, os cientistas acreditam que elas permitirão elucidar o mecanismo completo de ação da capsaicina. Isso ajudaria a criar novos “alvos” moleculares para eventuais drogas combaterem a obesidade.

(Fonte: Folha.com)

Campanha contra H1N1 acaba, mas cidades podem estender vacinação

O Ministério da Saúde emitiu nesta quarta-feira (2) uma recomendação aos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais e Municipais de Saúde para que os municípios continuem a vacinar contra a gripe H1N1 crianças acima de 2 anos e abaixo de 5 e adultos entre 30 e 39 anos. A campanha nacional de vacinação contra a gripe H1N1 foi encerrada nesta quarta.

O ministério pretende usar a campanha nacional contra a pólio, no próximo dia 12, para aumentar a vacinação na faixa etária de 2 a 5 anos, a mesma que vai ser imunizada contra a paralisia infantil. A vacinação de adultos entre 30 e 39 anos no mesmo dia será uma decisão de cada município.

Essas duas faixas etárias ficaram abaixo da meta de vacinação do ministério. Na faixa de 30 a 39 anos, foram atingidos 60% do público-alvo (17,5 milhões de vacinados) e na de 2 a 5 anos, foram atingidos apenas 10% (1 milhão de vacinados). A meta do ministério era imunizar pelo menos 80% de todos os públicos-alvo da campanha.

De janeiro a 8 de maio do ano passado, foram registradas 540 internações e 64 mortes em decorrência da gripe H1N1 –segundo o ministério, 18% dos casos graves e 30% dos óbitos foram em gestantes. Por conta disso, o ministério recomenda que gestantes procurem um posto para tomar a vacina, em qualquer momento da gravidez.

No ano passado, foram registrados 2.051 óbitos em todo o país. Desse total, 1.539 (75%) ocorreram em pessoas com doenças crônicas e 189 entre gestantes. Adultos de 20 a 29 anos concentraram 20% dos óbitos (416, no total) e os de 30 a 39 concentraram 22% das mortes (454, no total).

(Fonte: G1)

Começa a exploração da energia dos oceanos

O processo de gerar energia renovável a partir das águas do oceano por meio da Conversão de Energia Térmica Oceânica (Ocean Thermal Energy Conversion), conhecida como OTEC (na sigla em inglês), vem sendo estudado a quase um século mas, embora várias usinas-piloto tenham sido construídas para provar que a tecnologia funciona, ela nunca foi colocada em operação comercial. Agora, entretanto, apesar dos altos custos envolvidos, várias companhias estão trabalhando para desenvolver projetos comerciais.

A OTEC gera energia explorando o diferencial de temperatura entre a água quente da superfície e a água fria das profundezas do oceano. A água da superfície é bombeada através de um trocador de calor, onde atinge um fluido com ponto de ebulição muito baixo, como a amônia, que se expande ao evaporar. O gás vaporizado move as turbinas que produzem eletricidade, antes de ser bombeado para um condensador, onde é resfriado pela água fria dos oceanos, fazendo com que retorne ao seu estado líquido. O líquido é então bombeado de volta para o trocador de calor com água quente para repetir o ciclo. Reportagem de Sonia Kolesnikov Jessop, no International Herald Tribune.

Para funcionar eficientemente, a tecnologia exige uma temperatura diferencial de pelo menos 20 graus Celsius. Ela pode ser encontrada em grandes extensões dos mares tropicais. “Cada grau adicional ajudará a produzir 15% mais energia”, diz Philippe Dubau, gerente geral da Pacific Otec, subsidiária da Pacific Petroleum, uma distribuidora de derivados de petróleo na Polinésia Francesa, Nova Caledônia e Vanuatu que vem entrando na setor da energia renovável.

De acordo com Kevin Joyce, consultor de energias renováveis da Black & Veatch, em Overland Park, Kansas, uma das características mais interessantes dessa tecnologia é que, diferentemente da maioria das fontes de energia, ela pode garantir um nível mínimo de fornecimento estável e confiável.

“Isso geraria eletricidade 24 horas por dia de uma forma previsível e confiável”, diz Joyce. “Outras tecnologias renováveis com esse tipo de recurso potencial, como a energia eólica ou solar, são intermitentes, o que significa que elas precisam da energia convencional para cobrir as falhas no fornecimento.”

Às vezes, diz ele, isso significa ter de construir mais usinas elétricas convencionais de resposta rápida para fornecer energia ao sistema quando as fontes renováveis falham. A OTEC, por outro lado, “pode evitar essa necessidade e até mesmo substituir algumas de nossas usinas de fornecimento constante”.

“Isso significa que há mais potencial para a redução de CO2 do que muitas outras tecnologias renováveis”, diz Joyce. E também existem outras vantagens. “A tecnologia é compacta em comparação à que é necessária para energia eólica ou solar”, diz ele, acrescentando que a usina ficará “no meio do oceano e longe da vista.”

A Pacific Otec está trabalhando com a DCNS, uma companhia de arquitetura naval e construção militar do governo francês, e a Xenesys, uma companhia japonesa especializada em dessalinização e na tecnologia de conversão de energia térmica, num estudo de viabilidade para uma usina comercial de OTEC no Taiti. O apoio financeiro para o projeto é fornecido pelos governos da França e da Polinésia Francesa, que estão pagando 50% e 18%, respectivamente, do custo do estudo de viabilidade.

O projeto tem como objetivo construir uma plataforma oceânica de OTEC, com uma capacidade de geração de 10 megawatts-hora, que será conectada à rede elétrica do Taiti e poderá produzir eletricidade suficiente para suprir 10% da demanda das ilhas”, disse Dubau.

“Estamos na mesma situação que as pessoas que construíram o primeiro motor a vapor”, diz ele. “Ainda há um caminho muito longo e difícil à frente, mas se conseguirmos, poderemos fazer algo interessante e relevante em termos de fornecimento de energia e água para as comunidades, então vale a pena tentar.”

O projeto do Taiti colocará uma usina OTEC de 25 metros de altura e submersa a 25 metros abaixo da superfície para evitar as ondas altas e correntezas fortes.

“Abaixo do nível do mar é muito mais estável”, disse Dubau. “O estudo de viabilidade não é para a tecnologia; nós sabemos que ela funciona. Também sabemos que o projeto da usina está correto. Mas o que precisamos fazer agora é projetar o melhor sistema energético considerando os dados do ambiente local; projetar a integração do processo no tipo de plataforma escolhida; e, é claro, estudar a viabilidade econômica do projeto inteiro.”

O trabalho de design e engenharia do estudo que durará um ano será supervisionado pela DCNS, e a Xenesys fornecerá a tecnologia do sistema de geração. Depois da fase da viabilidade, a DCNS deverá assumir um contrato para construir uma usina comercial, diz ele.

A ciência por trás da conversão de energia térmica foi explorada pela primeira vez na França no final do século 19 e uma usina experimental de OTEC foi construída e brevemente operada por um engenheiro francês, Georges Claude, em Cuba em 1930. Nos anos 70, durante a primeira crise do petróleo, vários países começaram a olhar mais seriamente para a tecnologia. Uma usina de teste foi construída com financiamento do governo norte-americano em Keahole Point no Havaí, e outra pela Tokyo Electric Power do Japão, na ilha de Nauru.

Nos anos 80, entretanto, os preços do petróleo caíram, e a atenção se desvaneceu.

“Não fazia sentido na época desenvolver a tecnologia”, disse Dubau. “Ela ainda é extraordinariamente cara porque exige muita inovação, não só no processo propriamente dito mas também na tubulação.”

Como a tecnologia usa um volume muito grande de água fria das profundezas do oceano, ela exige uma tubulação extremamente longa e de calibre largo. “São necessários materiais especiais para construir tubulações com três a cinco metros de diâmetro, o que é extraordinariamente grande, e os canos precisam ir até cerca de mil metros de profundidade, para pegar a água fria”, diz Dubau.

Michinaga Takeda, engenheiro da Xenesys para o projeto do Taiti, disse que sua companhia também havia feito alguns estudos preliminares para uma usina OTEC em terra em Cuba que utilizaria o calor dispensado por uma indústria de energia térmica para aumentar a temperatura da água da superfície do mar. Ele disse que a combinação da construção em terra e o uso do calor reciclado poderia resultar em custos menores e maior eficiência; mas o projeto foi interrompido por causa da dificuldade do governo cubano de encontrar fontes externas de financiamento.

Nos Estados Unidos, uma equipe de desenvolvimento de energias alternativas da Lockheed Martin está trabalhando atualmente no projeto de uma usina piloto, com uma capacidade de geração de energia de 5 a 10 megawatts, que poderá funcionar no Havaí em 2014. Mas embora o sistema tenha o mesmo tamanho do estudo de viabilidade da Pacific Otec no Taiti, o protótipo da Lockheed Martin servirá para validar tecnologias para usinas de OTEC muito maiores, com capacidade de gerar mais de 100 megawatts.

Usinas de OTEC maiores poderão se beneficiar com as lições aprendidas na construção e operação da usina piloto, antecipando melhorias como estratégias de manutenção, melhor monitoramento e controle do ciclo termodinâmico, diz Ted Johnson, diretor de desenvolvimento de energia alternativa da Lockheed Martin. A usina piloto também ajudaria a determinar o custo e os riscos técnicos de construir usinas bem maiores, com capacidade para 100 megawatts ou mais.

“Acho que nossa abordagem é diferente da deles”, disse Dubau. “Os EUA querem usar essas usinas para gerar eletricidade para sua base militar em Guam e Diego Garcia, por exemplo. Nós estamos querendo uma usina bem menor que atenderá às necessidades da pequena comunidade das ilhas.”

*Tradução: Eloise De Vylder

http://www.carbonobrasil.com/?id=725220

Cientistas criticam propostas de mudanças no Código Florestal

Especialistas criticaram na Câmara, em debate com deputados da Frente Parlamentar Ambientalista, as propostas de mudanças no Código Florestal em análise na Casa.

Por Brizza Cavalcante - Agência Câmara
O doutor em ecologia de paisagens e professor da Universidade de São Paulo (USP) Jean Paul Metzger apresentou um estudo científico sobre pontos em análise na possível reformulação do código. Ao contrário do que propõe o setor do agronegócio, ele defendeu, por exemplo, o aumento da largura das áreas de proteção permanente (APPs) ao longo de rios dos atuais 30 metros para, pelo menos, 100 metros.

Segundo ele, só assim as APPs vão contribuir para a conservação ambiental. Metzger também criticou as propostas de flexibilização do código no que diz respeito à possibilidade de junção das APPs com as áreas de reserva legalÁrea localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas.

O tamanho da reserva varia de acordo com a região e o bioma: - Na Amazônia Legal: 80% em área de florestas, 35% em área de cerrado, 20% em campos gerais; - Nas demais regiões do país: 20% em todos os biomas, a fim de liberar mais espaço para a expansão agrícola. "Do ponto de vista biológico, isso é um absurdo, porque essas duas áreas têm funções totalmente distintas. As APPs protegem solos, recursos hídricos e áreas sensíveis, basicamente, enquanto a reserva legal tem uma função muito mais de proteção da biodiversidade e de uso sustentável de recursos naturais. Não se deve misturar essas duas coisas", ressaltou.

O doutor em ciências agrárias e professor da USP Gerd Spavorek defendeu a manutenção da atual legislação ambiental. Segundo ele, o Código Florestal pode ser aplicado de forma ainda mais rigorosa sem atrapalhar os interesses do agronegócio. Na avaliação do coordenador da frente parlamentar, deputado Sarney Filho (PV-MA), as opiniões desses especialistas deram um novo enfoque à análise dos argumentos que os ruralistas vêm apresentando como base científica para mudar a legislação.

Debate ampliado

O subprocurador geral da República Mário Guise reclamou que algumas áreas científicas ficaram de fora dos debates em torno de mudanças no código: "Há uma certa tendenciosidade no processo de coleta de informações para subsidiar a reformulação do código. É preciso ouvir os biólogos, que vão dizer o tamanho das áreas que precisam ser preservadas."

O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) também defendeu a ampliação do debate. "É fundamental ouvir o mundo científico, o Judiciário e o Ministério Público", sugeriu. Uma comissão especial da Câmara analisa propostas de mudanças ou de revogação do Código Florestal. A frente parlamentar quer demonstrar, no entanto, que é possível produzir e preservar o meio ambiente mantendo o respeito a essa legislação.

Agência Câmara/EcoAgência

Brasil recicla apenas 13% do que é jogado fora

Dados do Cempre, que representa 29 empresas, indicam que volume de lixo urbano reciclado passou de 5 milhões de toneladas em 2003 para 7,1 milhões de toneladas em 2008.

Por Rafael Faria - Jornal do Senado
Mesmo sem um marco regulatório, a reciclagem é uma atividade em expansão no Brasil. Dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), organização que representa 29 grandes empresas, indicam que o volume de lixo urbano reciclado passou de 5 milhões de toneladas em 2003 para 7,1 milhões de toneladas em 2008, o que corresponde a 13% dos resíduos gerados nas cidades. Se considerada apenas a fração seca do lixo (plástico, vidro, metais, papel e borracha), o índice de reciclagem subiu de 17% em 2004 para 25% em 2008. O setor já movimenta R$ 12 bilhões por ano.

Elemento fundamental para recuperar essa riqueza que seria desperdiçada é o catador de materiais. Há, de acordo com o Cempre, um milhão de catadores no país. O ganho médio proporcionado pela atividade é de 1,5 salário mínimo nas regiões Sudeste e Sul e de um salário mínimo no restante do país. O presidente do Cempre, Victor Bicca, destaca que a organização dos catadores em cooperativas tem sido um fator importante para a “inclusão social e a geração de renda de uma parte da sociedade que não tinha qualquer perspectiva”.

Com relação à reciclagem de alguns materiais, o Brasil já conquistou destaque internacional, observa Bicca. É o caso das latas de alumínio, em que o país tem a liderança mundial, e das garrafas PET, em que está em segundo lugar, atrás do Japão. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, na avaliação do especialista, que também é executivo da Coca-Cola, deve incentivar os convênios entre prefeituras e cooperativas de catadores e formalizar os modelos de reciclagem que já se revelaram bem-sucedidos, impulsionando o setor.

- O Brasil precisa dessa legislação o quanto antes. Todos nós estamos ávidos pela aprovação desse texto que está no Senado - afirma.

Agência Senado/EcoAgência

Municípios não têm buscado recursos do PAC para dar destino a resíduos sólidos

A destinação adequada dos resíduos sólidos foi apontada pelo superintendente nacional de Saneamento e Infraestrutura da Caixa Econômica Federal, Rogério Tavares, como uma das principais questões a serem enfrentadas pelo país, uma vez que os municípios brasileiros não dedicam a este tipo de serviço a mesma atenção que é dada à coleta de lixo.

“Por mais que tenhamos demandado financiamentos para esse tipo de serviço aos municípios, pouco tem sido feito por eles. Em geral, 90% da coleta [de lixo] é feita de forma adequada, mas essa preocupação não é estendida à destinação dos resíduos sólidos, que acabam em lixões não controlados”, disse o superintendente durante audiência pública que discute a lei que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

“A questão da destinação adequada desses resíduos precisa ser enfrentada de frente”, avalia o superintendente da Caixa. “Falta compromisso para que os municípios cumpram sua missão em relação ao plano de saneamento”, acrescentou o secretário de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski.

A lei de saneamento tem seu marco regulatório vigorando há três anos e obriga os municípios a organizarem a regulação e a fiscalização desses serviços.

“O PAC 1 [primeira versão do Programa de Aceleração do Crescimento] bem que tentou e disponibilizou crédito para a ajudar os municípios a dar destinação adequada para o lixo sólido. No entanto isso não despertou o interesse dos municípios, e poucos projetos foram apresentados”, afirmou Tavares.

(Fonte: Pedro Peduzzi/ Agência Brasil)

Legislaçao é incapaz de conter o Desmatamento: o exemplo da Araucaria

Araucaria angustifolia, também conhecida como pinheiro brasileiro, araucária ou pinho do Paraná representa mais de 40% dos indivíduos arbóreos da Floresta Ombrófila Mista (FOM), um dos mais exuberantes ecossistemas brasileiro, apresentando valores de abundância, dominância e freqüência bem superiores às demais espécies componentes desta associação. Neste ecossistema, a A. augustifolia ocorria naturalmente numa extensão de 200.000 mil Km2 entre a região sul e sudeste do Brasil, cobrindo, originalmente, 40% do estado Paraná, 31% de Santa Catarina, 25% do Rio Grande do Sul, e com manchas esparsas no sul de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esta importante condição fitossociológica torna a araucária espécie referência da FOM. Por essa razão os estudos devem se concentrar nesta espécie pioneira de modo que os resultados encontrados podem ser extrapolados para todo o ecossistema.

Em termos históricos, a exploração da araucária foi mais intensa a partir de 1934, atingindo seu auge no período de 1950 a 1970. Até a década de 70, ela foi o principal produto brasileiro de exportação na área florestal, respondendo com mais de 90% da madeira remetida para fora do país. Além da sua relação de proximidade com o desenvolvimento do Brasil, houve tempos em que os produtores rurais tinham orgulho de ensinar aos seus filhos a plantar e a manter vários exemplares nas suas propriedades. O produtor sempre foi, na sua grande maioria, um preservador natural desta espécie e não o vilão de sua devastação como erroneamente se coloca hoje. Os grandes cortes desta espécie aconteceram no passado e foram impulsionados pela qualidade da madeira e pela facilidade de se obter matéria prima para o desenvolvimento deste país. Devemos mencionar, inclusive, a importância dessa matéria-prima na construção de Brasília.

Atualmente, sua devastação esta ligada a um total desconhecimento da sua variabilidade genética e a políticas públicas punitivas e preconceituosas com aqueles que sempre tiveram orgulho em preservar a espécie, mas que hoje, diante da legislação vigente, e por uma questão de sobrevivência, preferem não se envolver com a araucária. Como a espécie está colocada na lista de extinção, o produtor além de não poder aproveitar economicamente a extração de seus frutos (como o pinhão, por exemplo), ainda corre o risco de ter sua área declarada área de conservação. Diante deste quadro, ela perdeu totalmente sua sustentabilidade, que é a maneira mais barata e sensata de se proteger uma espécie.

Essa realidade precisa ser revertida porque compromete a preservação de uma das espécies florestais com maior potencial produtivo e econômico (papel, palito de fósforo, artesanato, ecoturismo, agronegócio, paisagismo, móveis, alimentação) do Brasil, mas que, infelizmente, não pode ser aproveitada por conta de uma lacuna a ser preenchida na legislação atual.

O cenário atual revela que as unidades de conservação existentes não estão sendo eficazes no cumprimento de suas funções, seja pela falta de regularização fundiária ou por carência de pessoal capacitado, ou até mesmo pelas precárias condições das instituições que deveriam zelar pela sua conservação. Aliado ao problema da legislação, a situação é ainda mais séria quando se avalia a mudança de comportamento cultural da população, que na atualidade, veem a araucária como uma praga e não como fonte de rentabilidade para sua propriedade.

A Araucária foi colocada na lista de espécies em extinção para supostamente ser protegida e para disciplinar a conservação e o uso do bioma da mata atlântica e seus ecossistemas, uma vez que não existiam critérios técnicos cientificamente embasados sobre a situação da espécie. Esta medida foi um verdadeiro tiro no pé, com as instituições públicas brasileiras insistindo em tentar reverter o desmatamento através de políticas repressoras, o que historicamente não funcionou em nenhum país onde estas medidas foram tomadas.

Para reverter este quadro é necessário cumprir com a Resolução nº. 317 do CONAMA que determina a elaboração de um plano Estadual, devidamente registrado no órgão ambiental competente para adequar a legislação vigente, e fixar critérios técnicos, cientificamente embasados que irão garantir a sustentabilidade da exploração comercial da espécie e ao mesmo tempo a manutenção da diversidade genética das populações, servindo de base para nortear políticas públicas e desenvolver estratégias de conservação e uso sustentável da espécie.

Esse estudo passa a ser instrumento indispensável para sobrevivência da espécie porque irá permitir que ela se torne auto-sustentável. Além disso, acredito que tal expediente deve ser combinando estratégias de conservação in situ e ex situ auxiliado por ferramentas moleculares. A conservação in situ permite preservar e estudar esta espécie no seu ambiente natural, formando um elo importante entre seus principais remanescentes. A conservação ex situ, por sua vez, é aconselhável porque ela pode garantir a sobrevivência da espécie e preservar a variabilidade genética existente nos fragmentos onde a conservação in situ não está garantida.

No entanto, para reverter o quadro calamitoso em se encontra a Araucária, ações rápidas de governo devem ser executadas paralelamente, como por exemplo: liberar o plantio comercial da espécie em áreas de agricultura, facilmente delimitadas pelo georeferenciamento via internet e de domínio público. Para melhorar o controle sobre as áreas liberadas para plantios comerciais, que não podem sobrepor às áreas de conservação, cabe ao estado disponibilizar imagens de satélite com alta resolução, dentro do bioma, que sofrem mais pressão antrópica e disponibilizar para o controle público as áreas onde os plantios estão liberados.
Com ações neste sentido teremos a população como parceira na conservação do nosso patrimônio florestal e participando justamente dos lucros e benefícios de possuir ecossistemas com tanta biodiversidade e que devem ser sustentavelmente utilizados para melhorar a qualidade de vida da nossa gente.

(*) Bióloga geneticista. Atualmente, faz doutorado na UFPR/ Embrapa Florestas na área de melhoramento florestal, com ênfase na seleção de resistência patógeno/hospedeiro. É sócia da Biogenomika Tecnologia em DNA, empresa incubada na UFPR.

http://noticias.ambientebrasil.com.br

terça-feira, 1 de junho de 2010

O que é Semana do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado em 5 de junho. A data foi recomendada pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em 1972, em Estocolmo, na Suécia. Por meio do decreto 86.028, de 27 de maio de 1981, o governo brasileiro também decretou que neste período em todo território nacional se promovesse a Semana Nacional do Meio Ambiente.

Atualmente, a causa ambiental está sendo o centro de muitas discussões entre órgãos públicos, iniciativa privada, organizações não governamentais e comunidades locais. Tomar atitudes individuais em prol da preservação do meio ambiente é um grande passo nessa grande luta que se estende por todo o mundo, ajudando a desenvolver a economia e a qualidade de vida das pessoas.

A responsabilidade social tem impulsionado a cada ano a participação das Instituições, principalmente as educacionais que buscam difundir o conhecimento a cerca do Meio Ambiente em busca do tão sonhado desenvolvimento sustentável.

José Carlos da Fonseca Maciel
Biólogo

Escovar pouco os dentes aumenta risco de doenças cardíacas

Gengiva e coração

Pessoas que não escovam os dentes ao menos duas vezes por dia aumentam em 70% as chances de ter doenças cardíacas, de acordo com um estudo da University College London, publicado na última edição da revista especializada British Medical Journal.

O estudo feito nos últimos oito anos com mais de 11 mil adultos da Escócia confirmou pesquisas anteriores que associavam doenças na gengiva a problemas cardíacos.

Entupimento das artérias

Já se sabia que inflamações na boca e nas gengivas têm um papel importante no entupimento de artérias, um dos fatores que levam a doenças cardíacas.

No entanto, esta foi a primeira vez que se confirmou que a frequência da escovação tem influência no risco de doenças cardíacas.

Os participantes do estudo deram informações sobre seus hábitos de higiene oral, bem como se fumavam, faziam atividades físicas e visitas frequentes ao dentista.

Além disso, também foram coletadas amostras de sangue e informações sobre o histórico de cada paciente e de doenças cardíacas na família.

Eventos cardiovasculares

Ao todo, seis em cada dez pessoas afirmaram ir ao dentista uma vez a cada seis meses, e sete em dez afirmaram escovar os dentes duas vezes por dia.

Ao longo dos oito anos de pesquisa foram registrados 555 "eventos cardiovasculares", como infartes, dos quais 170 foram fatais.

Levando em conta fatores que aumentam o risco de doenças cardíacas, como classe social, obesidade, fumo e histórico familiar, os pesquisadores descobriram que aqueles que escovam os dentes duas vezes por dia correm menos riscos.

Higiene bucal e doenças do coração

A pesquisa foi coordenada por Richard Watt, da University College London. Ele afirma que ainda são necessários mais estudos para verificar se a relação entre higiene oral e doenças cardiovasculares é "causal ou meramente um marcador de risco".

O assessor científico da Associação Dentária Britânica, Damien Walmsley, afirmou que ainda não está claro se existe uma relação definitiva de causa e efeito entre higiene oral e doenças cardíacas.

"Qualquer que seja a posição verdadeira, pode-se dizer com certeza que se as pessoas escovarem os dentes duas vezes por dia com pasta de dente com flúor, visitar o dentista regularmente e restringir o consumo de doces à hora da refeição, vai ajudar muito a manter as gengivas e dentes em bom estado por toda a vida."

http://www.diariodasaude.com.br

Indústria do fumo busca cada vez mais as mulheres jovens

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a indústria tabagista tem concentrado seus esforços em conquistar mais consumidores do sexo feminino e nos países em desenvolvimento.

Em uma declaração divulgada nesta segunda-feira, por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco, a organização disse que, em algumas economias emergentes, já há mais mulheres do que homens jovens que fumam regularmente.

Segundo a OMS, isso é uma realidade em países como Bulgária, Chile, Colômbia, Uruguai, Croácia, México, República Tcheca, Nigéria e Nova Zelândia.

O fumo é a maior causa de mortes evitáveis do mundo, matando mais de cinco milhões de pessoas por ano. Destas, em média 1,5 milhões são mulheres.

Mulheres fumantes

A OMS estima que, atualmente, apenas 20% do total de fumantes no mundo são do sexo feminino.

"Sabemos que a propaganda do cigarro cada vez mais se direciona às mulheres jovens", disse o diretor-geral assistente para doenças não contagiosas e saúde mental da OMS, Ala Alwan.

A indústria tabagista, de acordo com a entidade, procura difundir a imagem de que consumir cigarro é elegante e está na moda.

Para a diretora-geral da OMS, Margaret Chan,"as tendências em alguns países são extremamente preocupantes. O uso do tabaco não é libertador nem glamoroso. É viciante e mortal".

Câncer de garganta

À medida que diminuem as possibilidades de comercialização e de promoção do cigarro em países ricos, devido a restrições na lei, a indústria volta suas atenções para o mundo em desenvolvimento, diz a OMS.

Em nações mais pobres, cigarros são distribuídos gratuitamente em discotecas e concertos de música.

Para tentar contrabalançar a imagem difundida pelas propagandas publicitárias, a OMS lançou uma série de pôsteres que mostram a verdade nada glamorosa sobre o fumo.

Os cartazes falam do mau hálito, dos dedos manchados e do câncer da garganta, entre outras consequências.

Demografia do fumo

Segundo a OMS, uma pessoa morre a cada seis segundos no mundo vítima do cigarro.

Em linhas gerais, três quartos (75%) da população que fuma no mundo - cerca de um bilhão de pessoas - vivem em nações asiáticas.

A China está em primeiro lugar, com cerca de 350 milhões de fumantes, seguida pela Índia, com 290 milhões.

Impostos são a forma mais efetiva de reduzir o uso do tabaco, especialmente entre os jovens e os pobres, diz a OMS.

Os cálculos citados pela organização são de que um aumento de 10% nos impostos diminua o consumo em 4% em países de alta renda e em 8% em países de baixa e média renda.

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=industria-fumo-mulheres-jovens&id=5334&nl=nlds

Lei de reciclagem pressiona mudança de hábitos de empresas e consumidores

A questão ambiental está deixando o plano da conscientização para virar lei no Brasil. Após 19 anos de tramitação, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determina a responsabilidade de toda a cadeia produtiva sobre o processo de coleta, reciclagem e restituição dos descartes sólidos ­ incluindo eletroeletrônicos -, foi aprovado na Câmara dos Deputados em março, segue para o Senado e deve entrar em vigor até o início de 2011. Este processo pode ser acelerado com a intenção do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em estabelecer uma resolução similar, bem como com iniciativas do Estado de São Paulo para começará a definir metas para o descarte de lixo eletrônico.

Em um País que registra mais de 10 milhões de microcomputadores vendidos ao ano e que possui 179 milhões de celulares habilitados, com um índice de renovação de aparelhos a cada 18 meses, não é surpreendente que o potencial de geração de lixo eletrônico tenha chamado a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU).

A explosão de consumo das nações emergentes fez com que a ONU emitisse um alerta em fevereiro deste ano: China, Índia, além de África e América Latina estarão entre os principais geradores do lixo eletrônico no mundo na próxima década. O diferencial positivo do Brasil, segundo o relatório, é a possibilidade do País implantar novas tecnologias de reciclagem por ainda ter um mercado do tipo informal e pequeno.

Se a regulamentação ambiental tira o atraso de empresas brasileiras e multinacionais em relação a práticas estabelecidas há anos em países da Europa e nos Estados Unidos, também pressiona toda a cadeia produtiva e de distribuição a seguir diretrizes ambientais e investir pesadamente em políticas sustentáveis para não perder mercado. Quem não cuidar do e-lixo será, literalmente, descartado, alerta o diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), André Vilhena. Segundo ele, o plano valoriza empresas que adotam práticas sustentáveis junto ao consumidor. “As empresas que investem em ecodesign e reciclagem tinham um diferencial competitivo negativo, que deve ser equilibrado com a legislação”, afirma Vilhena.

Na visão da Itautec, que possui uma política de reciclagem do ciclo de produtos desde 2003, o PNRS traz conceitos diferentes de responsabilidade compartilhada ao setor. “Fabricantes, distribuidores, consumidores e governo têm uma parcela de responsabilidade”, ressalta. “Não adianta o fornecedor criar uma polícia de coleta se o consumidor não participar”, acrescenta.

Os exemplos de adoção de políticas sustentáveis entre empresas como Dell, HP, Itautec, Nokia, Positivo e mais recentemente da Philips, também vão ajudar a detalhar as regras do PNRS para cada setor. “O texto é abrangente e depende de acordos setoriais. Estas experiências vão ajudar na elaboração dos acordos”, afirma.

Os exemplos práticos de empresas de eletroeletrônicos no Brasil revelam que o marco regulatório ambiental exige uma série de definições. Entre elas estão custos de transporte e tributação de resíduos em um país com dimensões continentais, conscientização do consumidor sobre descarte, geração de mão-de-obra, formalização de empresas recicladoras, fiscalização e punições.

Tudo se transforma

O que já é certo no mercado é a abertura de oportunidades para companhias que investem em separação e reciclagem de componentes eletrônicos, como Umicore e Oxil. “Hoje, poucas empresas nos procuram pela falta de exigência e legislação para o tema”, afirma a diretora executiva da Oxil Manufatura Reserva, Akiko Ribeiro. “A partir da aprovação da lei acreditamos que haverá maior procura”, observa a executiva.

Com a nova legislação, essas companhias devem elevar ganhos de escala na extração de metais nobres contidos especialmente em placas eletrônicas e na reutilização de materiais. Ouro, prata, paládio, alumínio, cobre, estanho e zinco estão entre os metais nobres e básicos extraídos entre mais de 60 componentes encontrados em celulares, baterias e placas de circuito impresso reciclados pela Umicore Brasil. Para chegar aos metais que a empresa comercializa no mercado internacional, eletrônicos de empresas como Itautec e Motorola são separados localmente e seguem para o efetivo processo de recuperação na sede da empresa na Bélgica.

“Chegamos a reciclar até 17 tipos de metais diferentes para extrair um metal nobre”, informa o gerente de desenvolvimento de negócios da Umicore Brasil, Ricardo Rodrigues. Neste processo, também é preciso contabilizar o descarte dos metais pesados e prejudiciais ao meio ambiente como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio, observa o executivo. “O valor do metal que conseguimos extrair depende do lote. Como nosso interesse é somente o metal, lotes com celulares mais novos, que possuem maior quantidade de plástico, podem não compensar o processo”, afirma.

Com a nova lei de resíduos sólidos, a empresa também espera elevar o volume de itens reciclados no Brasil. “No ano passado exportamos em torno de 200 toneladas de materiais eletrônicos, um crescimento de 30% em relação a 2008″, compara Rodrigues. Já a Oxil recicla uma média de 800 a 1,2 mil toneladas mensais de componentes de eletroeletrônicos, incluindo monitores, de 50 empresas clientes incluindo HP, Lexmark, Mabe e Philips.

Para estas empresas, que investem pesado na recuperação de matérias-primas de eletroeletrônicos, a pedra no sapato são os recicladores informais, que hoje recebem 90% dos eletroeletrônicos descartados no Brasil, segundo estimativas da Hewlett-Packard. Na avaliação de Rodrigues, o PNRS deve estabelecer maior fiscalização e controle sobre quem manipula material reciclado, incluindo uma certificação rigorosa dos parceiros de reciclagem.

“Uma coisa é mandar uma empresa fazer a descaracterização e dizer que destinou. Outra é a empresa informar para qual reciclador enviou a placa, o componente de plástico e saber como ele descarta o resíduo. É importante ter um processo transparente”, defende.

Geração de empregos

Na visão da professora Tereza Cristina Carvalho, que dirige o Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir) na Universidade de São Paulo (USP), a legislação abre oportunidades de emprego na separação de componentes recicláveis de eletroeletrônicos. “Quanto melhor classificado o material, mais valor ele tem no mercado”, pondera.

Tendo em vista que o mercado de reciclagem de eletrônicos no País ainda é recente, há espaço para que empresários recebam incentivos neste setor, destaca o gerente de sustentabilidade da Itautec, João Redondo. “Embora o relatório da ONU indique um grande volume de geração de resíduos no Brasil, o mercado ainda não atraiu ninguém que recicle placas no Brasil e esse é o material mais nobre em geração de resíduos em um computador”.

No início de abril, o Cedir começou a receber doações de eletrônicos de pessoas físicas e a ampliar os postos de coleta em outras unidades de ensino ligadas à USP. Com a operação de coleta, separação e venda de materiais recicláveis, o centro espera recuperar, em três anos, o investimento realizado na infraestrutura de reciclagem, mas precisa ampliar sua equipe.

A ideia de gerar empregos na área de reciclagem de eletrônicos foi um dos motivadores da criação de um Laboratório de Sustentabilidade (LASU) na USP.

Entre abril e maio deste ano, o LASU começará a promover pesquisas ligadas à reciclagem de eletroeletrônicos e incentivar a iniciativa privada da elaboração de projetos sustentáveis.

O descarte de pequenos volumes é problema no País, há uma exigência mínima de volume de resíduos eletrônicos para venda para grandes recicladoras, observa Tereza. “Não adianta juntar quilos. As empresas aceitam duas toneladas de resíduos, no mínimo – é muito volume para componentes plásticos, por exemplo, o que gera o problema de armazenamento”, afirma a diretora do Cedir.

“Como o Brasil é o país emergente que mais gera lixo eletrônico – meio quilo de e-lixo por pessoa ao ano, enquanto a China, em segundo, gera 230 gramas ­ acho que conseguiria encabeçar a dianteira da reciclagem do lixo eletrônico, se as empresas souberem aproveitar as oportunidades”, analisa Tereza.

Atualmente, a diretora do Cedir discute um projeto de capacitação de jovens para o primeiro emprego na separação de materiais recicláveis, junto ao Projeto Jovem Aprendiz e a uma grande rede varejista brasileira cujo nome ela não quis revelar.

Tributação verde

Para incentivar empresas que investem ou terão de planejar seus orçamentos para criar redes de coleta, logística reversa e conscientização do consumidor, o setor eletroeletrônico pede uma contrapartida em incentivos fiscais. O comitê de empresas de eletroeletrônicos criado pelo Cempre, em outubro de 2009, para acompanhar as discussões sobre reciclagem no País, propõe créditos em IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para cada tonelada reciclada na produção do material novo, informa André Vilhena.

Em meados de março, o então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, também destacou a importância das medidas econômicas para incentivar políticas de reciclagem, como a aplicação de impostos diferenciados para produtos que consomem menos energia e usam materiais reciclados.

“A economia tem de entrar no clima”, defendeu Minc. Segundo ele, a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para Estados que abrigam programas de reciclagem também vem sendo discutida junto ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, especialmente para os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, que possuem mais atividade na área. “Mas estamos trabalhando com cautela para evitar uma guerra fiscal ambiental”, ponderou.

Outra questão ligada a impostos é a tributação que reincide sobre os eletroeletrônicos em forma de resíduos. Na Ericsson, a política de coleta (take back) de equipamentos vendidos a operadoras envolve a emissão de uma nota fiscal do cliente atestando que o equipamento é um ativo em descarte, explica o gerente de sustentabilidade da empresa, Jesus Luz. “A operadora vende o equipamento descartado para a Ericsson como sucata”, conta.

Na avaliação de João Redondo, da Itautec, a nova política de resíduos também vai ajudar os estados a legislar sobre o assunto de maneira uniforme, simplificando a criação e o cumprimento de normas. “Temos 16 Estados tentando legislar sobre eletroeletrônico com diferentes exigências legais e que não se falam”, explica.

Meta estadual

A criação de metas de reciclagem para cada setor da indústria é outro fator não contemplado pela legislação nacional, mas figura em nova resolução paulista sobre a destinação do lixo sólido (resolução 24/2010). A determinação faz parte da Lei Estadual de Resíduos Sólidos (Lei Estadual nº12.300) assinada pelo Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, em 30 de março.

Ela define que o fabricante, importador ou canal de distribuição que comercializa produtos nos limites do Estado ofereça informações ao consumidor sobre o descarte correto do produto, crie uma rede de coleta e destinação e declare mensalmente os resíduos destinados à reciclagem em relação ao volume colocado no mercado. “Queremos é que indústria provoque uma lógica econômica neste mercado”, afirma o coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA), Casemiro Tércio Carvalho.

Segundo ele, as metas de cada setor serão estabelecidas até o fim do ano, em consulta com entidades setoriais como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “No mercado de garrafas PET, por exemplo, sabemos que o índice de reciclagem está acima de 53% no Brasil”, afirma. O cumprimento da nova lei será fiscalizado pela Cetesb e as empresas que não se adequarem estão sujeitas a multas medidas em Unidade Fiscal do Estado de São Paulo (UFESP), no valor de 15,85 reais cada. O objetivo principal, ressalta Carvalho, não é multar. “O pano de fundo é melhorar indicadores de reciclagem. Não adianta sair multando”, pondera.

Na avaliação de Carvalho, a nova resolução também deve colaborar com a coleta de microcomputadores sem marca, que podem ser levados para reciclagem em grandes redes varejistas, por exemplo. “É uma solução que valoriza o ponto de venda dessas empresas”, ressalta. Neste sentido, a SMA tenta firmar acordos com a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e iniciou contatos com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio).

Greenwash

A nova legislação nacional também deve limpar o mercado brasileiro do marketing verde de fachada, mais conhecido como greenwash, alerta o diretor de operações da HP para o Mercosul, Kami Saidi , que é responsável pela sustentabilidade ambiental da empresa. “Há empresas que vendem a ideia de sustentabilidade, mas não aplicam os processos corretos”, critica. Na visão de Saidi, com as novas regras do governo, a separação entre o marketing e a prática sustentável deve ficar mais visível ao consumidor. “O fato de você plantar uma árvore para cada produto vendido não é sustentável.Você pode estar fazendo bem à natureza, mas tem de contar ao cliente o que está fazendo com o seu produto”.

O Greenpeace está na cola das empresas que não cumprem metas de redução de componentes tóxicos em seus equipamentos. Além de divulgar seu ranking verde atualizado, a organização não-governamental chega a cobrar pessoalmente que as empresas sigam suas metas.

Com uma regulamentação, observam os especialistas, o grande ativista do mercado brasileiro será o consumidor. Além de questionar o destino ambiental da próxima máquina que adquirir para sua casa ou empresa, também será responsável pelo descarte adequado de seus eletrônicos. Redondo, da Itautec, acrescenta que grande parte dos clientes já tem colocado características ambientais entre as exigências para a aquisição de novos produtos, entrando em conformidade com características ambientais internacionais. “E não custa mais caro”, garante o executivo. O ciclo sustentável ideal, segundo ele, não deve afetar o bolso do cliente.

Campanhas de incentivo junto ao consumidor são fundamentais para que o ciclo de reciclagem ganhe força no Brasil, afirma o diretor de diretor de pós-venda da Nokia do Brasil, Luiz Xavier. “Hoje, apenas 3% dos aparelhos são destinados pelo consumidor para reciclagem. A empresa vai fazer o papel dela, mas o usuário também precisa ter um pouco de conscientização sobre a escolha e o descarte destes produtos”, completa Ricardo, da Umicore. “Um pequeno gesto faz com que a gente faça a coisa certa”, finaliza.


Fonte: IDG Now

A destinação final de pneus e a questão ambiental

Com o crescimento econômico experimentado pelo país nos últimos anos, a venda de carros atingiu níveis históricos, trazendo consigo preocupações que vão muito além do aumento das emissões de gases poluentes na atmosfera. Trata-se dos pneus, cujo tempo de decomposição no ambiente pode durar vários séculos. Desta forma, a destinação irregular desses produtos pode gerar danos gravíssimos ao ambiente e às populações humanas.

No rol dos deveres dos fabricantes e importadores de pneus novos, está a necessidade de informar ao IBAMA, no prazo máximo de 1 ano, a destinação adequada dos pneus inservíveis. Nesse aspecto, a Resolução nº 416/2009 inovou ao acrescentar expressamente a possibilidade de suspensão da liberação de importação em caso do não fornecimento dessas informações ao IBAMA.

"Ciente dos impactos ambientais ocasionados pelo descarte irregular de pneus em meio urbano, a Resolução CONAMA nº 416/2009 conferiu aos fabricantes e importadores de pneus a obrigação de implantar, nos municípios acima de cem mil habitantes, pelo menos um ponto de coleta de pneus usados, enquanto a cargo dos estabelecimentos de comercialização de pneus restou o recebimento e armazenagem temporária de pneus usados entregues pelo consumidor, sem qualquer custo, no ato da troca de um pneu usado por um novo ou reformado", explica a advogada Maria Alice Doria.

"Institui também a nova Resolução o dever de elaborar um plano de gerenciamento de coleta, armazenamento e destinação de pneus inservíveis (PGP) por parte dos importadores e fabricantes de pneus novos. O plano deverá explicitar as estratégias a serem adotadas para a coleta de pneus inservíveis, a indicação e descrição das unidades de armazenagem, modalidades de destinação final a serem aplicadas e licenças ambientais envolvidas em todo o processo", explica a especialista em Direito Ambiental, Maria Alice Doria.

http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=119303

Novo Atlas revela desmate de 20.867 hectares só nos últimos dois anos

O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica teve lançamento ontem, véspera do Dia Nacional da Mata Atlântica. Foram avaliados 94.912.769 hectares, ou 72% da área total do Bioma Mata Atlântica.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Fundação SOS Mata Atlântica divulgaram dados parciais do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica” para o período de 2008-2010, por ocasião do Dia Nacional da Mata Atlântica, celebrado hoje (27).

Neste período, foram desmatados ao menos 20.867 hectares de cobertura florestal nativa, ou a metade do município de Curitiba, no Paraná. Para este resultado foram atualizados os mapas de 9 dos 17 Estados onde a Mata Atlântica ocorre: GO, ES, MG, MS, PR, RJ, RS, SC e SP; e a avaliação do período dos municípios destes nove Estados.

Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina foram os que mais desmataram no período, sendo que os cinco municípios que mais perderam cobertura florestal nativa são de Minas Gerais. Os dados foram apresentados durante coletiva online promovida pela SOS Mata Atlântica, da qual participaram Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica; Flávio Jorge Ponzoni, coordenador técnico do estudo pelo INPE; e Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação.

Para a realização desta sexta edição do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que considera o novo Mapa da Área da Aplicação da Lei 11.428 de 2006, publicada pelo IBGE (2008) e divulgada no começo de 2009, foram avaliados 94.912.769 hectares, ou 72% da área total do Bioma Mata Atlântica, nos estados de Goiás, Minas Gerais (avaliado em 80%), Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul (avaliado em 80%), Paraná (avaliado em 90%), Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os Estados do Nordeste ainda não puderam ser incluídos nesta atualização devido aos elevados índices de cobertura de nuvens e a previsão é que seus dados sejam divulgados até o final deste ano.

Os dados levantados no período de 2008-2010, que totalizaram 94.912.769 hectares, mostram que entre os nove Estados analisados os que possuem desflorestamentos mais críticos são Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, que perderam 12.524 hectares, 2.699 hectares e 2.149 hectares, respectivamente. A estes números somam-se desflorestamentos de 1.897 hectares no Rio Grande do Sul, 743 hectares em São Paulo, 315 hectares no Rio de Janeiro, 161 em Goiás, 160 no Espírito Santo e 154 hectares no Mato Grosso do Sul, totalizando 20.867 hectares de floresta nativa suprimida. No que se refere ao desmatamento dos ecossistemas costeiros, dos nove Estados avaliados, São Paulo foi o único a perder 65 hectares de vegetação de restinga.

Em Minas Gerais, a taxa de desmatamento anual aumentou em 15%: no último levantamento, a taxa anual de desflorestamento no Estado era de 10.909 hectares, e os dados de 2008-2010 apontam uma taxa de desmatamento de 12.524 hectares. Minas Gerais possuía originalmente 46% do seu território (ou 27.235.854 ha) cobertos pelo Bioma Mata Atlântica, e agora restam apenas 9,64% do Bioma, ou 2.624.626 hectares, no Estado. “Minas Gerais teve 80% de sua área avaliada, o que pode levar o número de desmatamento a ser ainda maior”, explica Flávio Ponzoni.

No Paraná, apesar de o desflorestamento ainda continuar, a taxa anual de desmatamento diminuiu em 19%: de 3.326 hectares no período de 2005-2008, para 2.699 hectares no período de 2008-2010. O Paraná possuía 98% de seu território (ou 19.667.485 hectares) no Bioma Mata Atlântica, e agora possui 10,52% (2.068.985 hectares). 90% da Mata Atlântica nativa no Estado do Paraná foi avaliada.

Santa Catarina diminuiu a taxa de desmatamento em 75%: de 8.651 hectares, o desflorestamento caiu para 2.149 hectares. Santa Catarina está inserido 100% no Bioma Mata Atlântica (9.591.012 hectares), e hoje restam apenas 23,37%, ou 2.241.209 hectares.

Já o Rio Grande do Sul aumentou a taxa de desmatamento anual: desflorestou 83% a mais. A taxa, que era de 1.039 hectares/ano no período de 2005-2008, passou para 1.897 hectares. O Estado possuía 48% do seu território (ou 13.759.380 hectares) no Bioma, e hoje restam apenas 7,31% (1.006.247 hectares).
Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo são áreas críticas para a Mata Atlântica, pois são os estados que mais possuem remanescentes florestais em seus territórios e acabam trazendo grandes desmatamentos em números absolutos. “No caso de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, é preciso que os governos federal e estaduais atuem firmemente, acompanhados sempre de perto pela sociedade, para diminuir e até zerar estes números pensando em políticas públicas para valorizar a floresta e que promovam o desenvolvimento de negócios que sejam aliados à conservação, como o turismo sustentável, assim como invistam em educação ambiental”, reforça Marcia.

http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRlVONlYHp0MXxmVaN2aKVVVB1TP

Copa e Olimpíada: economizar água para conquistar taça ambiental

O consultor Paulo Costa explica porque o Brasil precisa adotar programas de uso racional da água.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora neste 5 de junho, se apresenta como uma oportunidade rara para unir a preservação ambiental à realização da Copa 2014 e à Olimpíada 2016. A atenção do mundo estará, cada vez mais, centrada em nosso país, nos próximos seis anos. Temos pela frente, assim, a grande oportunidade de firmar nossa imagem diante do restante do planeta como um país que ruma celeremente para ingressar no mundo desenvolvido, em todas as acepções da palavra. Entre elas, certamente está a da preocupação com o meio ambiente, entre outras questões relevantes, ou seja, uma nação marcada pela preocupação socioambiental.

Assim, a Copa 2014 e os Jogos Olimpícos de 2016 podem – e devem – marcar o Brasil como um país que se preocupa e desenvolve ações ambientais consistentes. Para isto, porém, estamos bastante atrasados. É preciso lembrar que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano, ou seja, restam disponíveis apenas 0,7% desse total. O Brasil detém cerca de 13% da água doce disponível no mundo, mas 54% desse total localizam-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por km2 do país. Daí, a preocupação do resto do mundo com os cuidados ambientais em nosso país. O dois maiores e mais midiáticos eventos esportivos mundiais são uma oportunidade para que o Brasil desempenhe um belo papel também na área ambiental.

Nesse sentido, um dos setores mais visados pelos cerca de 600 mil turistas e 3 mil jornalistas estrangeiros que, estima-se, virão ao Brasil para a Copa 2014, será o ambiental. E também para os cerca de 3 milhões de turistas brasileiros previstos para a Copa. Na questão da economia no uso da água, uma das mais importantes devido à necessidade de preservar esse líquido essencial à vida e cada vez mais escasso, nosso país ainda está muito atrasado. Em uma área extremamente visada pelos turistas e jornalistas estrangeiros, devido ao contato diário e pessoal que terão durante sua estada no país, a de hotelaria, estamos ainda bastante mal na fita. O parque hoteleiro nacional possui hoje aproximadamente 25 mil meios de hospedagem, e deste universo 18 mil são hotéis e pousadas, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). No geral, 70% são empreendimentos de pequeno porte. Isto representa mais de um milhão de empregos e a oferta de aproximadamente um milhão de apartamentos em todo o país. Estima-se que a hotelaria nacional tenha um faturamento da ordem de U$ 2 bilhões de dólares/ano.

Desses cerca de 25 mil estabelecimentos de hospedagem, pode-se estimar que 60%, ou o equivalente a 15 mil empresas, não têm instalações adequadas para o uso racional da água, ou seja, desperdiçam muita água. Um dos desafios que o setor hoteleiro, em conjunto com entidades da hotelaria, governos, fabricantes de equipamentos hidrossanitários e outros envolvidos têm para a Copa/Olimpíada é o de criar uma normatização para a rede hoteleira. Isto porque as pesquisas e estudos realizados em estabelecimentos de hospedagem indicam que o chuveiro é responsável por 70% do consumo de água nesses estabelecimentos. E a possibilidade de economizar fortemente nessa área é enorme, com ações bastante simples e baratas: a instalação de um restritor de vazão, que custa em média R$ 20,00, permitiria reduzir o consumo de 25 litros/minuto a 10 litros por minuto – uma economia de até 60%!

Com o desenvolvimento de uma norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) relativa às instalações hidrossanitárias em estabelecimentos de hospedagem, o que hoje é uma recomendação econômico-ambiental, passaria a ser uma obrigação das empresas do setor. Elas, sem dúvida, seriam as maiores beneficiadas, do ponto de vista econômico e de imagem, mas também o meio ambiente e a sociedade brasileira ganhariam, e muito, com essa iniciativa.

*Paulo Costa é diretor da H2C, consultoria especializada em projetos e implementação de programas de uso racional da água.

www.copa2014.org.br

Estudo aponta problemas ambientais no litoral norte do RS

Um estudo desenvolvido pelo Ministério Público estadual e federal do Rio Grande do Sul aponta uma série de desobediências à legislação ambiental no litoral norte gaúcho. Segundo o projeto, que demandou quase dois anos de pesquisas, em um período de 30 anos, o processo de urbanização ocupou irregularmente quase toda a faixa litorânea entre o Balneário de Quintão e o município de Torres, na divisa com Santa Catarina.

A urbanização irregular viola a legislação, que determina a preservação de pelo menos 300 m a partir da linha frontal das dunas primárias - mais próximas do mar. Segundo o diagnóstico do MP, a construção de imóveis sem respeitar a faixa de proteção altera o ciclo dos ventos e, consequentemente, modifica a formação geológica e a biodiversidade da região. Além disso, há extração clandestina de areia sobre a área. Tudo isso representa um risco, porque as dunas costeiras exercem funções ambientais importantes: estabilizam a linha de costa, protegem o lençol freático, constituem barreira natural contra as ressacas do mar e são habitat para diferentes espécies da fauna e da flora.

Segundo o biólogo Luiz Fernando de Souza, que participou do estudo, há problemas também na proliferação de condomínios, que, além de destruírem ambientes naturais do litoral, também não estão acompanhados de uma rede adequada para tratamento do esgoto sanitário.

"Cria-se uma estrutura para receber 700 mil pessoas por apenas 60 dias no ano todo. Toda esta estrutura fica ociosa nos outros 10 meses, e não há como mantê-la. Estamos acabando com uma região para usufruir dela por dois meses", afirma o biólogo.

Motivada pelo estudo, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) está fazendo a revisão do zoneamento econômico e ecológico do litoral norte. Uma reunião entre representantes do Ministério Público, da Fepam e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) deve acontecer em junho para tratar do tema. O MP deve definir no futuro ações judiciais ou extrajudiciais, para fixar medidas que reduzam a degradação ambiental na região.

http://noticias.terra.com.br

Pesquisa em saúde ganha portal na internet

Produção científica em saúde

A produção científica dos 14 órgãos (entre institutos e unidades) ligados à Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo será reunida na internet no Saúde-SP Portal de Revistas, já disponível na internet.

De acordo com Sueli Gonsalez Saes, dos 14 órgãos, oito são de pesquisa (Adolfo Lutz, Butantan, Clemente Ferreira, Dante Pazzanese de Cardiologia, de Infectologia Emílio Ribas, de Saúde, Lauro de Souza Lima e Pasteur) e os demais são centros de vigilância epidemiológica, vigilância sanitária e outros.

"O portal busca dar visibilidade às produções científicas desses órgãos ligados à Secretaria, ampliando o acesso ao nosso banco de dados sobre saúde pública. Não havia uma unidade editorial nas publicações, mas agora queremos padronizá-las e indexá-las", disse Sueli.

Conhecimento em saúde pública

O objetivo é oferecer acesso a textos completos das coleções de periódicos, de modo a ampliar e divulgar o conhecimento técnico e científico produzido no âmbito da saúde pública no Estado de São Paulo.

"Hoje dispomos de cerca de 46 mil registros, entre artigos, livros, teses, manuais técnicos, entre outros. É uma base de dados científica e técnica de produção institucional desses 14 órgãos. As demais bases científicas de dados em saúde, como Lilacs, Medline e Cochrane, estão disponíveis, junto com todos os outros serviços que a rede oferece", explicou.

O sucesso da Rede deu origem ao Portal de Revistas como parte de um projeto de 2009, cujo objetivo foi ampliar os serviços de informação da RIC. Segundo Sueli, no Portal de Revistas foram priorizados, no primeiro momento, os periódicos que já estavam disponíveis eletronicamente.

"Mas a ideia é reunir as 24 publicações, entre boletins e revistas, produzidas pelas instituições da Secretaria. O objetivo é indexar todas as publicações elegíveis e transformá-las em revistas de alto impacto", disse.

Biblioteca científica eletrônica

Os periódicos seguirão a metodologia da biblioteca científica eletrônica SciELO (Scientific Electronic Library On-line), programa criado em 1997 pela FAPESP em parceria com a Bireme.

"Queremos organizar e padronizar os títulos na metodologia SciELO, para que se tornem indexáveis no futuro e componham a coleção da SciELO. Mas, para isso, precisamos atender os critérios exigidos", explicou Sueli.

A rede SciELO disponibiliza coleções do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Venezuela, Bolívia, México, Costa Rica, Paraguai, Peru e Uruguai, além de Espanha, Portugal e, desde 2009, África do Sul, que optou por adotar a plataforma para publicação dos seus periódicos científicos.

A rede só indexa e publica periódicos com veiculação regular, com controle de qualidade por revisão de pares e que concordem em manter seu conteúdo totalmente aberto e com acesso gratuito. Além disso, a rede permite o acesso ágil às coleções de periódicos, com várias estratégias de pesquisa, como lista alfabética de títulos, busca por autor, por assuntos ou por palavras.

"A Revista do Instituto Adolfo Lutz e a Hansenologia Internationalis, do Instituto Lauro de Souza Lima, já são indexadas em suas áreas. Mas a proposta é unificá-las na metodologia SciELO para, além de conseguir mais visibilidade, ter, por exemplo, acesso aos indicadores bibliométricos", disse Sueli.

Digitalização de revistas

Segundo a coordenadora, além de indexar todas as publicações dos institutos e unidades ligados à Secretaria da Saúde, os próximos passos incluem fazer a digitalização das revistas mais antigas. "Até 2000, a Revista do Adolfo Lutz só existia na forma impressa", contou.

O grupo envolvido no projeto realizou cursos de capacitação na metodologia Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) da Bireme para publicação eletrônica de periódicos científicos para bibliotecárias e os editores de revista científica.

"Embora tenha como público-alvo pesquisadores, médicos e profissionais de saúde, o objetivo é abarcar os diferentes tipos de público, para que a informação sobre saúde seja útil a todos", disse.

Cinco títulos já estão disponíveis no Saúde-SP, no endereço http://periodicos.ses.sp.bvs.br.

Sucesso dos biocombustíveis requer mudança no uso da terra

A questão não é se os biocombustíveis são a solução para os problemas de suprimento sustentável de energia, mas como eles devem ser implantados.

A afirmação fez parte das conclusões do Workshop Scientific Issues on Biofuels, realizado pela FAPESP nesta semana.

Adoção dos novos combustíveis

As maneiras como os novos combustíveis serão implantados e quais são mais viáveis são questões que dependem das características de cada país, as quais devem ser respeitadas, de acordo com os especialistas presentes.

Mesmo os motivos que levam à adoção desses combustíveis são diversos e têm pesos diferentes para cada nação: o preço mais baixo em relação a outras fontes energéticas, como solar, eólica e hidrogênio; a necessidade de mitigar as emissões de gases de efeito estufa; ou o fato de ser a única alternativa viável no curto prazo para substituir os combustíveis fósseis são alguns exemplos.

Um dos principais desafios para a expansão no uso dos biocombustíveis está no início da cadeia produtiva: as mudanças no uso da terra. Segundo os pesquisadores, ainda é necessário aumentar a qualidade e a confiabilidade dos dados coletados nessa área, fundamentais para avaliar a sustentabilidade da produção.

Dinâmica agrícola

A produção brasileira de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, foi utilizada como exemplo por Joaquim Seabra, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), e Leila Harfuch, do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), para ilustrar a questão.

"O Brasil é muito grande e possui diferentes dinâmicas agrícolas, o que torna a medição um problema complexo", disse Leila. Para complicar, os diferentes parâmetros de medição também produzem resultados diversos, dificultando a análise.

Para contornar o problema, a pesquisadora propõe acrescentar outras fontes de dados provenientes de microrregiões. Entre os dados a serem aprimorados estão os índices de expansão e de substituição das lavouras.

A precisão desses números é fundamental, entre outras razões, para determinar o balanço de gases de efeito estufa e se está ocorrendo ou não degradação de áreas naturais em favor da agricultura.

Impacto das plantações de cana-de-açúcar

O impacto de plantações de cana-de-açúcar no ciclo do carbono, por exemplo, depende do tipo de cobertura que existia no local da lavoura.

Heitor Cantarella, do Instituto Agronômico de Campinas, apresentou dados que mostram que a cana-de-açúcar absorve mais carbono em relação às pastagens. No entanto, se a plantação substituir uma floresta, a nova cobertura vegetal vai absorver menos carbono.

Outra conclusão do evento foi a de que o Brasil precisa melhorar os modelos dinâmicos utilizados para estudar o uso da terra. Esses modelos precisam aumentar em número e também testar mais cenários.

Também foi ressaltada a necessidade de pesquisas mais abrangentes que abordem as diversas relações envolvidas na produção de biocombustíveis, como as questões que envolvem agricultura, florestas, bioenergia, ecossistemas e ciclo de gases estufa, entre outros.

Sucesso do biocombustível

Mesmo com esses obstáculos, o Brasil foi destacado pelos pesquisadores presentes no workshop como um caso exemplar de sucesso na implantação de biocombustível, devido à sua experiência com o etanol da cana-de-açúcar.

Utilizando apenas 1% das terras aráveis, as plantações de cana brasileiras substituem cerca de 30% da gasolina consumida no país, de maneira economicamente viável e sem a necessidade de subsídios, destacaram os relatores na conclusão do evento.

Segundo eles, os aspectos sociais da produção da cana-de-açúcar também têm melhorado no país, que apresenta dados de evolução da escolaridade entre as gerações de trabalhadores da cana-de-açúcar.

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Projetos ambientais para a Copa de 2014 já somam R$ 24 bilhões

BRASÍLIA - Já existem 86 projetos ambientais aprovados em diversos níveis de governo como parte dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, com investimentos que somam R$ 24 bilhões. Doze estão vinculados a obras nos estádios das cidades-sede, 53 são de mobilidade urbana, 14 para aeroportos e sete para portos.


DivulgaçãoProjeto ambiental do Arena da Amazônia custará R$ 6 milhõesA informação é do coordenador da Câmara de Meio Ambiente da Copa, Cláudio Langone, que participou da Primeira Oficina de Licenciamento Ambiental dos Empreendimentos Prioritários para a Copa de 2014, que ocorreu em Brasília nesta sexta-feira, 28, e contou com a participação de representantes do governo federal, dos Estados e dos municípios.

Durante os debates, o representante do Amazonas, Emanuel Guerra, defendeu a tese de que os investimentos feitos pelos Estados e municípios em meio ambiente sejam recompensados com algum tipo de benefício fiscal, a exemplo das isenções de impostos concedidas pelo governo federal para a Federação Internacional de Futebol (Fifa), para empresas associadas e para gastos com material nas obras dos estádios.

Segundo Emanuel Guerra, esses custos são altos e não há previsão de reembolso pelo governo federal. "A minha proposta é que, em vez de essa conta ficar para o Estado ou o município, haja uma fórmula para que eles possam receber de volta esses recursos, que são muito grandes. Só o projeto ambiental do Amazonas para o novo estádio que será construído para a Copa, a Arena da Amazônia, vai custar R$ 6 milhões", afirma.

Na oficina, foram discutidos os procedimentos para licenciamento ambiental dos projetos que serão executados nas 12 cidades-sede do evento: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife e Salvador.

O coordenador da Câmara de Meio Ambiente da Copa, Cláudio Langone, informou que a oficina vai produzir um documento com no máximo dez sugestões ao governo federal sobre as questões envolvendo licenciamento ambiental para a Copa.

Langone disse que o objetivo é evitar que eventuais divergências entre os responsáveis pelas obras e os órgãos de meio ambiente ou o Ministério Público acabem na Justiça e atrasem o cronograma determinado pela Fifa.

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