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sábado, 5 de abril de 2014

Risco global da água

LEMBRA-SE DA SECA QUE ATINGIU OS EUA EM 2012? ELE FOI IMPORTANTE, MESMO QUE PESSOALMENTE NÃO O TENHA AFETADO. Na verdade, 53% do país estava lidando com o que o USDA chama de “seca moderada à extrema” até julho. Mais de 1.000 municípios foram declarados áreas de alerta federal. Aqueduto, um novo mapa do World Resources Institute (WRI), mostra que os problemas de água no mundo crescem de forma gritante. “Estamos vendo que a água e a falta dela está emergindo como um dos desafi os do século 21. Que é interessante agora é que estamos ouvindo que a preocupação a partir da comunidade empresarial e em todo o mundo”, diz Betsy Otto, Diretor do Aqueduto da WRI. 355bO projeto, criado como uma aliança de empresas como GE, Goldman Sachs, Shell e Procter & Gamble, é o mais detalhado mapa de alta resolução do estresse hídrico global disponível hoje. É também a primeira ferramenta de mapeamento de risco de água para incluir dados de águas subterrâneas. O mapa gratuito do WRI usa dados de 2010 (os dados mais atuais disponíveis) para medir uma série de categorias de risco da água em todo o mundo: o risco físico; variabilidade na água disponível, de ano para ano, o de ocorrências de inundação (quantas vezes e intensidade); severidade das secas (quanto tempo e quão grave), estresse, pressão poluição de águas subterrâneas, a demanda por tratamento de água, a cobertura da mídia sobre as questões da água (ou seja, quanta atenção é dada à água em uma determinada área), e muito mais. “A beleza da ferramenta é que ela permite que você olhe para os indicadores individuais, mas ricamente detalhe todos juntos e os agregue para dar uma imagem do risco global da água”, diz Otto. Se você não tiver certeza dos niveis que você quer ver, Aqueduto tem nove indicadores ponderados predeterminados, classifi cadas por setor da indústria – uma companhia de petróleo e gás, por exemplo, terá diferentes fatores de risco do que outro tipo de indústria. “Vamos definir o quadro de risco da água para falar com a comunidade empresarial e para o setor privado, mas estamos recebendo um bom feedback do setor público e ONGs que vão utilizar esta informação. Há uma escassez de boa informação global sobre onde nós estão os desafi os da água, e só vamos ser capaz de resolver os problemas de água se trouxermos o setor público e privado juntos”, diz Otto. Otto descobriu uma série de coisas marcantes ao montar o mapa. Lugares que tradicionalmente não tinham altos riscos de água – a costa leste dos Estados Unidos, o Centro-Oeste, Europa – agora tem médio risco elevado de água. Isso se deve as mudanças na demanda de água, padrões acentuados, o tempo, e abastecimento de água padrões. Ao mesmo tempo, informa que onde já existe alta competição pela água (isto é, Índia) existe um risco sério, quando combinado com uma variabilidade anual da água. veja os dados nos mapas interativos em: www.wri.org/our-work/project/aqueduct/aqueduct-atlas Fonte: verdeProFundo.org

Água da Antártica está desaparecendo

Grande massa de água profunda e fria está desaparecendo misteriosamente A água mais fria que flui ao redor da Antártica , no Oceano Antártico , está desaparecendo misteriosam ente a um ritmo elevado ao longo das últimas décadas. Esta massa de água é chamada Água Antártica de Fundo, e é formada em alguns locais distintos onde a água do mar é esfriada pelo ar e mais salgada pela formação de gelo (que deixa o sal na água descongelada). A água fria e salgada é mais densa que a água em torno dela, fazendo-a descer ao fundo do mar onde se espalha para o norte, enchendo a maior parte do oceano profundo em todo o mundo conforme lentamente se mistura com águas mais quentes acima dela. Correntes do oceano profundo do mundo todo desempenham um papel fundamental no transporte de calor e carbono ao redor do planeta, o que ajuda a regular o clima da Terra. Estudos anteriores indicaram que esta água profunda tornou-se mais quente e menos salgada ao longo das últimas décadas. Agora, um novo estudo revelou que significativamente menos água desse tipo se formou durante este tempo também. Oceanógrafos analisaram dados de temperatura coletados entre 1980 e 2011 a intervalos de 10 anos por um programa internacional de pesquisas oceanográficas no Oceano Antártico. Eles descobriram que Água Antártica de Fundo foi desaparecendo a uma taxa média de cerca de 8 milhões de toneladas por segundo ao longo das últimas décadas. O que está causando a redução e o que ela significa são coisas que os pesquisadores ainda não sabem. “Não temos certeza se a taxa de redução é parte de uma tendência de longo prazo ou de um ciclo”, disse o coautor do estudo, o oceanógrafo Gregory C. Johnson. Alterações na temperatura, teor de sal, oxigênio dissolvido e dióxido de carbono dissolvido dessa massa de água proeminente tem implicações importantes para o clima da Terra, incluindo as contribuições para o aumento do nível do mar e taxa de absorção de calor da Terra. “Precisamos continuar a medir a profundidade dos oceanos, incluindo as águas profundas do oceano, para avaliar o papel e a importância que essas mudanças desempenham no clima da Terra”, disse Johnson. Fonte: OurAmazingPlanet.

A História da Água Engarrafada - A grande mentira da Indústria

Mercado da água de garrafa ameaça meio ambiente

Poluentes gerados pela fabricação, transporte e descarte do produto contribuem para o aquecimento global. Por Maria Clara Serra O consumo anual de água mineral em garrafa no Brasil cresce em média cinco litros por pessoa desde 2010, atingindo 55 litros per capita em 2013. O país já é o quarto maior consumidor mundial do produto, atrás apenas de Estados Unidos, China e México. Mas enquanto as cifras do mercado se multiplicam — de acordo com a Associação Internacional de Água Engarrafada (IBWA, na sigla em inglês), só nos EUA, as empresas do setor faturaram US$ 11,8 bilhões em 2012 — a poluição gerada pelo processo de fabricação, transporte e descarte das garrafas causa grande impacto ambiental. Postado em 2010 pela militante americana Annie Leonard, o vídeo A História da Água Engarrafada circula até hoje na web e foi um dos grandes inspiradores de movimentos como o Água na Jarra, iniciativa criada em São Paulo no mesmo ano para incentivar o consumo de água da torneira. De acordo com Annie, esse crescimento é devido ao que ela chama de “demanda fabricada”. Há anos, ONGs internacionais alertam sobre um futuro em que a água potável seria rara e valeria “mais do que ouro”. Para garantir seu filão no mercado, as grandes empresas de alimentos e bebidas agiram rápido: questionaram a qualidade da água de torneira e investiram em publicidade para garantir que seu produto era a opção mais saudável. Segundo a IBWA, o setor de água engarrafada é o segundo maior anunciante dos EUA. O futuro chegou. Hoje, 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável, de acordo com a Whole World Water. A falta do recurso, reconhecido como direito universal, está relacionado à morte de uma criança a cada 15 segundos no mundo, segundo a Unicef. No Rio, uma garrafa de uso individual já chega a custar R$ 4. Além de doer no bolso e representar riscos para a saúde — na semana passada o “Journal of Epidemiology and Community Health” publicou artigo alertando para os perigos provocados pelo contato com substâncias químicas presentes no PET, como os ftalatos e o Bisfenol A (BPA) —, o aumento do consumo contribui para o aquecimento global e ainda gera um dos maiores problemas para os oceanos, o chamado microplástico. Ele altera a composição do ecossistema marinho, mata animais e ainda aumenta o risco de contaminação humana. — Para cada garrafa de água mineral produzida, são geradas 100 gramas de emissões de CO2 — afirma Wagner Victer, diretor presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). — Além disso, a água da torneira é muito mais regulamentada e fiscalizada do que as de garrafa, e custam 500 vezes menos. A ONG Água na Jarra tenta mudar esse cenário. Conscientiza a população de seu papel na diminuição da poluição gerada pelas garrafas e ainda ajuda restaurantes e estabelecimentos comerciais a incentivar o consumo de água da torneira entre seus clientes. — O impacto gerado pela água engarrafada é tão grande que é difícil mensurar. Após o consumo ele fica mais latente, já que o plástico é um resíduo de difícil tratamento — afirma Letycia Janot, fundadora da ONG e pós-graduada em Gestão Ambiental. — No pior dos cenários, quando as garrafas vão parar no meio da rua, o que acontece com alta frequência, acabam nos oceanos, que já possuem ilhas de plástico. Somente no Brasil, a produção de garrafas cresceu 14,5% em 2013. Apesar de o país ter uma das maiores taxas de reciclagem de PET — em 2012 foram recicladas 331 mil toneladas, 59% das embalagens descartadas, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) — o impacto no meio ambiente ainda é grande. Procurada pelo O GLOBO, a Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam) preferiu não se manifestar. Por pressão popular do movimento Rio $urreal, fiscais do Procon-RJ começaram a multar na semana passada os restaurantes que não disponibilizam jarras de água gratuitamente para seus clientes. A lei vale no estado do Rio há 19 anos, mas somente agora está sendo cobrada. De acordo com estudo realizado em 2011 pela Associação de Defesa dos Direitos do Consumidor, Proteste, a qualidade da água fornecida no Rio é boa antes ou depois de passar pela torneira. A utilização dos filtros é recomendável para evitar contaminações geradas nas cisternas ou caixas d’água, mas se a limpeza das mesmas for feita a cada seis meses, o consumo direto de água de torneira faz bem para o bolso, a saúde e o meio ambiente. Garrafinhas poluentes Fabricação. Os impactos gerados pela embalagem de politereftalato de etileno, ou PET, se iniciam com a extração do petróleo, a fabricação da pré-forma e a produção da garrafa. De acordo com Annie Leonard, no vídeo “A História da Água Engarrafada”, a cada ano, para suprir a demanda dos EUA, a indústria utiliza petróleo e energia suficientes para abastecer um milhão de carros, já que o produto tem que ser resistente o suficiente para ser transportado ao redor do planeta. Ciclo de vida. Para a análise do ciclo de vida das garrafas são considerados o consumo de recursos naturais e outras matérias-primas, como água (na produção), geração de efluentes líquidos (que acabam poluindo rios, mares e lençóis freáticos), emissões atmosféricas (de transporte e fabricação) e geração de resíduos sólidos. Segundo a 5Gyres, os “plásticos foram feitos para durar para sempre e desenhados para jogar fora”. Descarte. No caso do descarte correto da garrafa, os impactos após o consumo são causados pela atividade de coleta e transporte do lixo, principalmente as emissões atmosféricas (CO2). Quando chegam aos aterros sanitários, que não possuem capacidade suficiente para comportar a crescente geração de lixo, as garrafas demoram milhares de anos para serem absorvidas. Quando são descartadas diretamente na natureza, acabam parando em mares e rios, o que agrava o problema das enchentes. Reciclagem. Mesmo quando a garrafa é reciclada, ela gera impactos ambientais. De acordo com a tese de mestrado de Renata Bachmann Guimarães (Brasília 2007), utilizada como base pela ONG Água na Jarra, se considerarmos taxas de reciclagem por volta de 50% do consumo, uma garrafa PET gera aproximadamente oito vezes o seu próprio peso em resíduos, levando em conta as emissões atmosféricas, efluentes líquidos e resíduos sólidos. Oceanos. No mar, a ação da luz solar e das ondas quebra o plástico em partículas cada vez menores, chamadas microplástico, que nunca desaparecem completamente, segundo a 5Gyres. O microplástico age como esponja, absorvendo pesticidas, metais pesados e poluentes orgânicos persistentes (POPs), que causam disfunções hormonais, neurológicas e reprodutivas. Já existem ilhas de plástico no oceano nas quais o microplástico é tão abundante que se tornou parte do ecossistema. Plânctons e pequenos crustáceos se alimentam deles, se intoxicam, também intoxicando pequenos peixes que os consomem. O processo se repete até chegar a peixes maiores e, logo, ao homem.

Pesquisadores brasileiros desenvolvem modelo sobre a origem da água na Terra

Resultados do estudo foram apresentados no encontro científico UK-Brazil-Chile Frontiers of Science, realizado no Reino Unido pela Royal Society, FAPESP e pelas academias Brasileira e Chilena de Ciências (Nasa) Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, em colaboração com colegas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto de Astrobiologia da agência espacial norte-americana (Nasa), desenvolveram um modelo mais preciso para determinar a origem da água e da vida na Terra. Realizado no âmbito do projeto de pesquisa “Dinâmica orbital de pequenos objetos”, apoiado pela FAPESP, o modelo foi descrito em um artigo publicado no The Astrophysical Journal, da Sociedade Americana de Astronomia, e apresentado nesta segunda-feira (24/02) no UK-Brazil-Chile Frontiers of Science. Organizado pela Royal Society, do Reino Unido, em conjunto com a FAPESP e as Academias Brasileira e Chilena de Ciências, o evento ocorre até quarta-feira (26/02) em uma propriedade da Royal Society em Chicheley, vilarejo do condado de Buckinghamshire, no sul da Inglaterra. E tem como objetivo fomentar a colaboração científica e interdisciplinar entre jovens pesquisadores brasileiros, chilenos e do Reino Unido em áreas de fronteira do conhecimento. “Desenvolvemos um modelo em que analisamos todas as possíveis fontes espaciais de água e estipulamos qual seria a provável contribuição de cada uma delas na quantidade total de água existente hoje na Terra”, disse à Agência FAPESP Othon Cabo Winter, pesquisador do Grupo de Dinâmica Orbital & Planetologia da Unesp de Guaratinguetá e coordenador do estudo. De acordo com Winter, até recentemente se acreditava que os cometas, ao colidir com a Terra durante a formação do Sistema Solar, haviam trazido a maior parte da água existente hoje no planeta. Simulações computacionais da quantidade de água que esses objetos celestes compostos de gelo podem ter fornecido para a Terra – baseadas em medições da quantidade de deutério (o hidrogênio mais pesado) da água deles – revelaram, no entanto, que os cometas não foram as maiores fontes. E que eles não poderiam ter contribuído com uma fração tão significativa de água para o planeta como se estimava, explicou Winter. 367bSonda rosetta, que deve ser o primeiro objeto a pousar em um cometa, o 67P/churyumov-gerasimenko 367c“Pelas simulações, a contribuição dos cometas no fornecimento de água para a Terra seria de, no máximo, 30%”, disse o pesquisador. “Mais do que isso é pouco provável”, afirmou Winter. No início dos anos 2000, segundo o pesquisador, foram publicados estudos internacionais que sugeriram que, além dos cometas, outros objetos planetesimais (que deram origem aos planetas), como asteroides carbonáceos – o tipo mais abundante de asteroides no Sistema Solar –, também poderiam ter água e fornecê-la para a Terra por meio da interação com planetas e embriões planetários durante a formação do Sistema Solar. A hipótese foi confirmada nos últimos anos por observações de asteroides feitas a partir da Terra e de meteoritos (pedaços de asteroides) que entraram na atmosfera terrestre. Outras possíveis fontes de água da Terra, também propostas nos últimos anos, são grãos de silicato (poeira) da nebulosa solar (nuvem de gás e poeira do cosmos relacionada diretamente com a origem do Sistema Solar), que encapsularam moléculas de água durante o estágio inicial de formação do Sistema Solar. Essa “nova” fonte, no entanto, ainda não tinha sido validada e incluída nos modelos de distribuição de água por meio de corpos celestes primordiais, como os asteroides e os cometas. “Incluímos esses grãos de silicato da nebulosa solar, com os cometas e asteroides, no modelo que desenvolvemos e avaliamos qual a contribuição de cada uma dessas fontes para a quantidade de água que chegou à Terra”, detalhou Winter. Simulações computacionais Segundo Winter, a água de cada uma dessas possíveis fontes para a Terra possui uma quantidade diferente de deutério – que pode ser utilizado como um indicador de origem da água. O pesquisador e seus colaboradores conseguiram estimar a contribuição de cada um desses objetos celestes com base nesse “certificado de origem” da água encontrada na Terra, por meio de simulações computacionais. Além disso, conseguiram determinar qual o volume de água que cada uma dessas fontes forneceu e em que momento fizeram isso durante a formação do planeta terrestre, uma vez que a contribuição de cada uma delas foi feita em períodos diferentes. “A maior parte veio dos asteroides, que deram uma contribuição de mais de 50%. Uma pequena parcela veio da nebulosa solar, com 20% de participação, e os 30% restantes dos cometas”, detalhou Winter. Os resultados das simulações feitas pelos pesquisadores também indicaram que grandes planetas, com grandes quantidades de água, como a Terra, podem ter sido formados entre 0,5 e 1,5 unidade astronômica – entre 75 milhões e 225 milhões de quilômetros de distância do Sol. “Essa faixa de distância do Sol, que nós chamamos de ‘zona habitável’, permite ter água no estado líquido”, disse Winter. “Fora dessa região é muito frio e a água ficaria congelada. Já mais próximo do Sol é muito quente e a água seria vaporizada”, explicou. As simulações também sugeriram que o modelo desenvolvido parece mais eficiente para determinar a quantidade e o momento da entrega de água para a Terra por esses corpos planetários do que modelos que indicam que a água foi transferida meramente por meio de meras colisões entre corpos celestes em início de formação (protoplanetários), afirmou Winter. “As informações parciais da possível contribuição de cada uma dessas fontes já existiam. Mas, até então, não tinham sido reunidas em um único modelo e não havia sido determinado quando e quanto contribuíram para a formação da massa de água na Terra”, disse. Importância de corpos menores Winter destacou em sua palestra na Inglaterra a importância da exploração de corpos menores, como asteroides e cometas, pelas missões espaciais. A última missão espacial para a exploração de asteroides, realizada pela agência espacial japonesa (Jaxa, na sigla em inglês) com a sonda Hayabusa para tirar amostras do asteroide Itokawa, resultou em diversos artigos em revistas como a Science e a Nature. O país oriental planeja lançar este ano a sonda espacial Hayabusa-2, para extrair amostras do subsolo do asteroide “1999JU3” em 2018 e trazê-las para a Terra em 2020. Por sua vez a agência espacial europeia (ESA) mantém no espaço a sonda Rosetta, que deve ser o primeiro objeto a pousar em um cometa, o 67P/Churyumov-Gerasimenko. E a Nasa também pretende realizar uma missão para captura de asteroide próximo da Terra. Já o Brasil pretende desenvolver e lançar em 2017 a sonda espacial Áster, para orbitar em 2019 um asteroide triplo, o 2001-SN263, formado por um objeto central, com 2,8 quilômetros de diâmetro, e outros dois menores com 1,1 quilômetro e 400 metros de diâmetro. “Nunca foi realizada uma missão para um sistema de asteroides desse tipo”, disse Winter. “Todas as missões foram feitas para observar um único asteroide”, afirmou. Ao explorar asteroides e cometas, em missões como essas, é possível explicar melhor as condições de formação da Terra e a aparição da vida no planeta, explicou o pesquisador. “Como são corpos celestes primordiais, os cometas e os asteroidespreservam informações sobre como era o Sistema Solar durante seu estágio de formação”, disse Winter. Um dos desafios para disponibilizar esses preciosos materiais geológicos para estudos científicos, contudo, é não apenas coletar, mas realizar uma curadoria cuidadosa das amostras, assegurando a gravação e o arquivamento de diversas informações relacionados a cada uma das espécimes, tais como as circunstâncias nas quais foram coletadas e os resultados de análises, destacou Caroline Smith, curadora da coleção de meteoritos do Museu de História Natural de Londres, na palestra que proferiu após Winter. De acordo com Smith, os meteoritos começaram a ser estudados cientificamente no final do século XVIII por cientistas como o físico alemão Ernest Chladni (1756-1827). O Museu Britânico começou a sua coleção de meteoritos 50 anos após ser fundado, em 1753, contou Smith. Desde então, com as amostras colhidas por missões realizadas por agências espaciais de diversos países, as coleções de instituições, como a do Museu de História Natural de Londres, têm se expandido muito rapidamente. “Em 1961 havia, aproximadamente, 2.100 meteoritos conhecidos, dos quais 40% possuíam o registro do momento e do lugar onde caíram”, disse Smith. “Em contrapartida, hoje, há 48 mil meteoritos conhecidos e apenas 2,4% têm o registro da queda”, contou Smith. O número cada vez maior de amostras de meteoritos coletadas e os estudos científicos realizados a partir deles têm imposto grandes desafios às equipes de curadoria desses objetos dos museus, avaliou a pesquisadora. “Alguns dos nossos atuais dilemas é manter o acesso à coleção e, ao mesmo tempo, preservar os meteoritos para as futuras gerações”, afirmou. O artigo A compound model for the origin of Earths’s water (doi:10.1088/0004-637X/767/1/54), de Winter e outros, pode ser lido no The Astrophysical Journal em iopscience.iop.org/0004-637X/767/1/54/article. Fonte: Agência FAPESP.

Sedes da Copa do Mundo trocam experiências em gestão de resíduos

As cidades-sedes da Copa do Mundo 2014 trocaram, nesta quinta-feira (27), em Brasília, experiências no gerenciamento de resíduos da Copa das Confederações, realizada no ano passado, e apresentam projetos para o próximo evento, em junho. Os dois dias do encontro, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), proporcionarão aos municípios a oportunidade de conhecerem os acertos e os desafios vivenciados em 2013, além de facilitar o alinhamento entre os governos municipais, estaduais e federal. Nos municípios onde não houve jogos da Copa das Confederações, mas que participarão do Mundial, o seminário representa uma chance de, pela experiência dos demais, preverem suas ações de sustentabilidade. “É uma oportunidade de reunião multilateral para o aprendizado de todas as partes envolvidas”, afirmou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Ney Maranhão, durante a abertura do encontro. Segundo Maranhão, o MMA investiu na elaboração desse modelo, que envolve os catadores de material reciclável, construindo uma solução robusta para a gestão dos resíduos durante o evento. Segredo do sucesso - Para o secretário-executivo do MMA, Francisco Gaetani, a dimensão da inclusão é fundamental. “A articulação do governo federal com as cidades-sedes, os estados e as cooperativas de catadores é essencial para o sucesso da Copa 2014”, disse. A coordenadora do Comitê Interministerial para a Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Recicláveis da Presidência da República (CIISC), Daniela Metello, completou que o governo está empenhado na participação dos catadores, com trabalho social justo, que servirá de exemplo a ser perpetuado. As prefeituras das cidades-sedes apresentaram seus Planos Operacionais de Limpeza e Coleta executados na Copa das Confederações e a adaptação para a Copa do Mundo. Belo Horizonte, por exemplo, tem um projeto de gestão integrada de resíduos para a Copa, com três premissas: cidade limpa, tolerância zero para o lixo e coleta seletiva. Uma das ações consiste na patrulha de fiscalização e monitoramento dos serviços de limpeza a serem executados. As equipes percorrem a cidade, identificando pontos que necessitam de intervenção. Fotografam o local por smartphone ou tablet e acionam a central de serviços, que encaminha funcionários para solucionar o problema, de acordo com as prioridades. O superintendente de Limpeza Urbana de Belo Horizonte, Sidnei Bispo, convida os cidadãos a participarem da mobilização pela cidade mais limpa. “O melhor fiscal é o cidadão, que pode atuar em parceria com o governo”, afirmou. A prefeitura também realiza uma pesquisa de satisfação da população sobre os serviços prestados pela cidade. Outro exemplo é a parceria do governo do Distrito Federal com a Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (CENTCOOP-DF). Os catadores, juntamente com estudantes, foram capacitados para realizar ações de educação ambiental durante a Copa das Confederações e outros jogos, orientando os torcedores sobre o descarte adequado. Em Recife, durante as partidas, acontece o reforço na coleta seletiva. Na Copa das Confederações, por exemplo, foram instaladas 750 papeleiras para separação dos resíduos. Em Salvador, também há o reforço da coleta seletiva, com a instalação de estações de coleta solidária. A cidade tem a estimativa de receber 500 mil visitantes no período do Mundial. O encontro continua nesta sexta-feira (28), quando as cidades apresentarão seus Projetos de Coleta Seletiva Solidária para se alinharem às políticas do MMA. (Fonte: MMA)

Brasil vive um conflito por água a cada quatro dias

As disputas por recursos hídricos no Brasil atingiram um novo recorde histórico em 2013, segundo dados preliminares do levantamento anual feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), obtidos com exclusividade pela BBC Brasil. Foram identificados 93 conflitos por água em 19 Estados, o maior desde 2002, quando eles passaram a ser monitorados pelo órgão, que é ligado à Igreja Católica. Isso representa um conflito hídrico a cada quatro dias. No ano passado, houve um aumento de 17% no número de disputas em relação a 2012. Foi o segundo ano seguido de intensificação dos conflitos. Em 2012, houve 79 conflitos, um aumento de 16% em relação a 2011. Apropriação – No ano passado, a Bahia foi o Estado que mais teve disputas deste tipo, num total de 21. Em segundo lugar, ficou o Rio de Janeiro, com sete disputas. O Nordeste foi a região mais conflitante, com 37 casos registrados, seguido pelo Norte do país, com 27 casos. De acordo com a CPT, muitas destas disputas ocorrem para evitar a apropriação de recursos hídricos por empresas, como mineradoras e fazendas, ou para impedir a construção de barragens ou açudes. ‘Além da investida na Amazônia, com a construção de duas grandes hidrelétricas, de Belo Monte e Tapajós, o cerrado e a Mata Atlântica também têm sofrido com mais conflitos por causa de disputas de territórios entre comunidades pobres e grandes empresas de mineração e agricultores’, afirma Isolete Wichinieski, coordenadora nacional do CPT. Preservação – Muitas das disputas também ocorrem por ações de resistência, em geral coletivas, para garantir a preservação da fonte de água. ‘Hoje existe uma maior preocupação em preservar o meio ambiente, o que também gera mais embates’, afirma Wichinieski. O relatório completo sobre conflitos hídricos será divulgado pelo CPT no próximo mês. (Fonte: G1)

OMM: As altas temperaturas de 2013 confirmam o aquecimento global

O ano 2013 foi, junto com 2007, o sexto mais quente desde meados do século XIX, informou nesta segunda-feira a Organização Mundial da Meteorologia (OMM), segundo a qual este aumento de temperatura confirma que o aquecimento global, e portanto a mudança climática, está ocorrendo “sem lugar de dúvidas”. “Temos que levar em conta que em 2013 não ocorreu o fenômeno El Ninõ, que tende a aquecer mais o planeta. E apesar da ausência desse fenômeno, tivemos um aumento da temperatura global, isto demonstra que o aquecimento global está ocorrendo”, afirmou em entrevista coletiva o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. El Niño, e seu fenômeno oposto, La Niña, são responsáveis pelo aquecimento e esfriamento de extensas zonas do mar, respectivamente, e contribuem para o aumento das temperaturas do ar. Jarraud apresentou hoje a “Declaração sobre o Estado do Clima de 2013″, elaborada pela OMM e que contém detalhes sobre precipitações, inundações, secas, ciclones tropicais, a cobertura de gelo e o nível do mar em escala regional. Tanto em 2013 como em 2007, as temperaturas da superfície do oceano e da terra foram superiores em 0,50 graus centígrados a média de 1961 a 1990, e 0,03 graus centígrados mais altas que a média da década mais recente (2001-2010). Estes dados deixam sem argumentos os que ainda rebatem o fenômeno da mudança climática, explicou Jarraud, que disse que 13 dos 14 anos mais quentes dos quais se têm dados foram registrados no século XXI. Os mais calorosos de todos foram 2005 e 2010, com temperaturas mundiais superiores em 0,55 graus centígrados à média a longo prazo. “De fato, cada década em meio século é mais quente que a precedente”, afirmou Jarraud, que acrescentou que o aquecimento do ar ano a ano é menor do que se esperava, o que é algo muito positivo, mas o dos oceanos está crescendo. Os oceanos constituem uma proteção eficaz do sistema climático ao absorver e armazenar uma grande quantidade do excesso de carbono e de calor da atmosfera. O relatório revela que ao redor de 93% do excesso de calor apanhado pelo sistema terrestre entre 1971 e 2010 foi absorvido pelos oceanos. Antes do ano 2000, a maior parte do calor ficava entre os 700 metros de profundidade e a superfície; e desde então o calor foi armazenado entre os 700 metros e os 2000 metros, o que já causou danos nos corais, mariscos e em outros tipos de vida marinha. “Mas há outras consequências negativas. Por exemplo, na zona onde se gerou o tufão Haiyan (também conhecido como Yolanda), uma das tempestades mais intensas que tocaram a terra, e que devastou partes do centro das Filipinas, o nível do mar subiu 35 centímetros nos últimos 50 anos, e isso tem efeitos inegáveis”, declarou Jarraud. Em escala mundial, o nível do mar subiu em 19 centímetros desde o início do século XX, devido principalmente ao aumento da temperatura e ao degelo das geleiras. Por outro lado, em 2013 as temperaturas altas mais extremas se registraram na Austrália, que viveu o ano mais quente que se tenham dados. A OMM lembrou hoje que, em geral, o hemisfério sul sofreu com uma onda de calor muito intensa no ano passado que provocou fenômenos extremos e aparentemente opostos. Cabe lembrar que, por exemplo, em 2013 o nordeste do Brasil padeceu de uma seca devastadora, e o planalto brasileiro sofreu o maior déficit de chuva desde 1979, enquanto o sudeste do país sofreu intensas chuvas. A Argentina, por sua vez, experimentou um período extremamente quente de outubro a dezembro, incluindo o dezembro mais caloroso desde que são feitas as estatísticas, o que contribuiu para que 2013 fora o segundo ano mais quente (após 2012) desde que se têm dados. (Fonte: Terra)

Epidemia de ebola já matou mais de 50 pessoas na Guiné, diz governo

Uma epidemia de ebola que afeta desde 9 de fevereiro passado o sul da Guiné deixou pelo menos 59 mortos de um total de 80 casos registrados, segundo balanço atualizado dos serviços de saúde. “A epidemia de ebola, que afeta o sul da Guiné, principalmente as municipalidades de Gueckedu e Macenta, desde 9 de fevereiro, deixou pelo menos 59 mortos” afirmou neste sábado (22) à AFP Sakoba Keita, chefe de prevenção do ministério da Saúde e Higiene pública do país. “Estamos sobrecarregados, lutamos contra esta epidemia com os meios que temos e com a ajuda dos nossos parceiros (OMS, MSF, Unicef) e, embora seja difícil, vamos conseguir” controlar a situação, acrescentou o funcionário em alusão à Organização Mundial da Saúde, ao Fundo das Nações Unidas para a Infância e a ONG Médicos sem Fronteiras. Segundo a OMS, o vírus está entre os mais contagiosos e mortais entre os humanos. A doença, que provoca febre hemorrágica, ganhou este nome de um rio no norte da República Democrática do Congo (RDC), onde foi detectado pela primeira vez em 1976, quando o país ainda se chamava Zaire. Desde então, o ebola matou pelo menos 1.200 pessoas de 1.850 casos registrados. O vírus, da família Filoviridae (filovírus), tem cinco espécies (Zaire, Sudão, Costa do Marfim, Bundibudjo e Reston), e se transmite por contato direto com o sangue, os fluidos ou os tecidos dos indivíduos infectados. Suspeita-se que os ritos funerários, durante os quais os familiares e os amigos mantêm contato direto com o corpo do falecido, desempenhem um papel importante na transmissão, mas sabe-se também que o vírus ebola pode ser transmitido através da manipulação de animais, vivos ou mortos, portadores do vírus. Após um período de incubação que dura entre dois e 21 dias, a “febre hemorrágica do vírus ebola” se caracteriza frequentemente por uma brusca elevação da temperatura corporal, acompanhada de forte fraqueza, mialgias, cefaleias e dores de garganta. Completam os sintomas vômitos, diarreias, erupções cutâneas, insuficiência renal e hepática, bem como hemorragias, tanto internas quanto externas. Os casos graves são encaminhados para unidades de tratamento intensivo e os doentes, desidratados, devem ser mantidos no soro. Não existe qualquer tratamento ou vacina específica para a febre hemorrágica provocada pelo vírus ebola. Várias candidatas a vacinas estão em testes, mas ainda será preciso aguardar alguns anos antes de que uma vacina possa ser utilizada. Em 2011, cientistas americanos anunciaram ter desenvolvido uma vacina com eficácia de imunização de 80% em cobaias. Segundo a OMS, paralelamente um novo medicamento promissor está sendo estudado em laboratório. (Fonte: G1)

As principais ameaças à qualidade da água no Brasil

A falta de tratamento de esgoto e a poluição oriunda da indústria e agricultura são as principais ameaças à qualidade da água no Brasil. Segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica, a água é ruim ou péssima em 40% dos 96 rios, córregos e lagos avaliados em sete estados brasileiros. A pesquisa, divulgada por ocasião do Dia Mundial da Água (22/03), mostra que a situação é preocupante no bioma da Mata Atlântica, principalmente em áreas urbanizadas. Apenas 11% dos rios e mananciais foram classificados como bons – todos localizados em áreas de proteção ambiental e de mata ciliar preservada. Em 49% dos rios, a água é regular. A pesquisa foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Cantarina e Rio Grande do Sul. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), 76% dos corpos d’água apresentam qualidade boa; 6% foram classificados como ruim e apenas 1% como péssimo. Em áreas urbanas, a parcela considerada boa cai para 24%. As águas de qualidade ruim e péssima sobem para 32% e 12%, respectivamente. Apesar de serem os principais centros de poluição, as cidades grandes possuem maior infraestrutura de saneamento básico, ressalta o professor de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG Marcos von Sperling. “A cobertura de saneamento das cidades pequenas é normalmente bem inferior às cidades grandes. No Brasil, um quarto dos municípios tem até cinco mil habitantes e são muito frágeis em termos de administração. E é até inviável do ponto de vista financeiro fazer o tratamento e cobrar por ele. São populações com renda familiar muito baixa”, afirma. Informação – A ANA alerta para a falta de informação sobre a qualidade dos recursos hídricos no Brasil. A agência realiza o diagnóstico a partir de dados das redes estaduais, mas apenas 17 das 27 unidades da federação fazem o monitoramento da água. Outra dificuldade é que não há uma padronização no trabalho de coleta de dados. Segundo a agência, apenas 658 pontos de análise tiveram uma série histórica longa o suficiente para realização do estudo. Nestes casos, 8% apresentaram tendência de melhoria na qualidade da água e 5%, de piora. Para diminuir a falta de informação, a agência lançou na quinta-feira (20) a Rede Nacional de Monitoramento de Qualidade das Águas, que deve padronizar os dados e procedimentos de coleta. O objetivo é subsidiar a definição de políticas públicas e a gestão dos recursos hídricos. “A qualidade da água hoje é insuficientemente monitorada. Não temos um retrato do país. São várias as entidades de gestão da água, públicas e privadas, em âmbito federal, estadual e municipal. Estamos nos adaptando a essa imensa fragmentação do sistema brasileiro”, defende Maurrem Vieira, especialista em recursos hídricos da ANA. Os especialistas são unânimes em afirmar que o maior problema da qualidade da água no país é a falta de tratamento de esgoto. Mesmo com poucos dados disponíveis, a especialista em recursos hídricos da ANA Renata Bley diz que as tendências de melhora identificadas são “resultado, principalmente, de investimentos em coleta e tratamento de esgoto nas regiões metropolitanas”. Apenas 37,5% do esgoto gerado no Brasil é tratado, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. A coleta é realizada para 48,1% da população. Para Maurrem Vieira, é preciso investir mais no tratamento de esgoto: “Expandimos o serviço e, paralelamente, a população cresce. É como se fosse uma corrida, que por enquanto estamos ganhando.” Um estudo do Instituto Trata Brasil e do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, lançado na quarta-feira (19), indica que o país é o 112° no mundo em termos de evolução e cobertura de saneamento. “A expansão de 4,1% ao ano perdeu velocidade nesta década de 2010 – na anterior, era de 4,6% ao ano – o que nos distancia ainda mais da já longínqua meta do governo federal de universalizar os serviços em 2030”, afirma o instituto em nota. Problemas ambientais – Um dos principais problemas ambientais causados pelo esgoto não tratado é a falta de oxigênio nos rios. Os dejetos contêm matéria orgânica, que serve de alimento para bactérias. No processo, elas consomem oxigênio, baixando o nível do gás na água. Em regiões urbanas, é comum encontrar rios praticamente sem oxigênio, onde o odor é forte e a fauna aquática não consegue sobreviver. Outra dificuldade recorrente é o crescimento exacerbado de algas em lagoas e represas, causado pela presença de nitrogênio e fósforo, que são nutrientes para esses organismos. “As algas mudam a coloração do corpo d’água e prejudicam bastante a qualidade”, afirma Marcos Von Sperling. As principais causas de poluição, além do esgoto, são os lançamentos da industria e da agricultura, que geram rejeitos químicos nocivos, como os agrotóxicos, por exemplo. Por fim, há a poluição difusa, cuja origem é difícil de verificar e pode incluir qualquer dejeto. “Vai desde o sofá velho ao cachorro morto, tudo vai parar nos córregos”, diz Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. A falta de tratamento de esgoto tem consequências graves para a saúde pública do país. “Nos dejetos há diversos organismos patogênicos, como bactérias, vírus, protozoários e vermes, que causam uma série de doenças”, explica o professor Marcos Von Sperling. Ainda que o tratamento da água seja realizado corretamente, há outros usos dos recursos hídricos que podem disseminar doenças. “Se a pessoa nadar em um rio sujo, comer alimentos lavados ou irrigados com água contaminada, ela pode ser infectada”, lembra. Segundo o estudo do Instituto Trata Brasil, foram notificadas 340 mil internações por infecções gastrointestinais no Brasil em 2013. Mais de 170 mil foram de crianças de até 14 anos de idade. A pesquisa aponta que a universalização do saneamento traria uma economia anual de 27,3 milhões de reais para os cofres públicos apenas com as internações. Água em casa – A poluição dos rios e represas com esgoto e rejeitos químicos nocivos também pode afetar a qualidade da água que chega às casas. “O risco é sempre maior quando tratamos uma água bruta muito poluída”, defende Von Sperling. “As estações de tratamento de água não estão preparadas para o esgoto. São processos diferentes. Por isso, se o material é jogado sem tratamento em uma área de captação de água, pode sim haver problemas”, argumenta Pedro Mancuso, professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP. Além do risco para a saúde, a poluição encarece o tratamento de água, afirma Von Sperling. “Os processos convencionais se tornam insuficientes e é preciso empregar métodos mais caros”, diz. Ainda que a qualidade da água varie muito no Brasil, inclusive dentro de uma mesma cidade, os especialistas consideram que ela é satisfatória. “Temos o primo pobre, que é o tratamento de esgoto, e o primo rico, que é o tratamento da água”, assegura Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica. Os estudiosos concordam que as caixas d’água são um ponto fraco do sistema, que não está presente em outros países, onde o abastecimento é feito direto da estação para as residências. Segundo eles, a água tratada é de qualidade, mas pode se deteriorar nos encanamentos e reservatórios das casas e edifícios. Eles também elogiam a legislação, considerada moderna. “A portaria é boa, mas ela é difícil de ser cumprida em regiões afastadas e sem estrutura. Onde ela é seguida o tratamento é eficiente, como costuma acontecer nas companhias estaduais”, diz Pedro Mancuso. (Fonte: Terra)

sábado, 29 de março de 2014

DESCUBRA 9 BENEFÍCIOS DO VINAGRE DE MAÇÃ

Perda de peso, controle do diabetes, melhora na digestão e até do humor... Esses são apenas alguns dos benefícios trazidos por esse tempero que tem todo jeito de remédio 1. Leva à perda de peso Um de seus compostos mais importantes é o ácido acético, que atua queima de calorias. “Além disso, promove a sensação de saciedade, dada a presença das quercetinas”, explica a nutricionista Camilla Coelho. “Elas atuam mais ou menos como as fibras, retardando o esvaziamento gástrico”, completa. Um trabalho publicado na revista Bioscience, Biotechnology and Biochemistry (2009) comprova: após observar 175 pessoas obesas que consumiram o vinagre diluído em água por 12 semanas, antes das refeições, concluíram que houve redução de 10% da gordura visceral e do peso corporal do grupo. 2. Previne o diabetes Um dos benefícios mais pesquisados e promissores é a redução da glicose do sangue. Um estudo publicado em 2004 na revista Diabetes Care, da American Diabetes Foundation, revalidado em 2007, mostrou que tomar duas colheres de sopa de vinagre, antes das refeições, aumenta a sensibilidade à insulina. Diabéticos têm essa sensibilidade reduzida, o que também diminui sua capacidade de absorver a glicose, que fica solta no sangue provocando danos. 3. Diminui a rigidez articular “O ácido acético apresenta uma ação quelante, ou seja, ajuda a eliminar os cristais de minerais que se depositam nas articulações e causam a rigidez em toda a região”, diz Tamara Marazacki, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), 4. estimula a digestão Por ter sabor amargo e adstringente, ativa as enzimas digestivas e auxilia no processo natural do metabolismo dos alimentos. Auxilia também no refluxo e na azia causados pela pouca produção de ácido clorídrico (ácido gástrico) pelo organismo. “Normalmente estes sintomas são relacionados ao excesso de ácido, mas muitas vezes a raiz do problema é a falta dele”, explica Lina Alvarado. 5. amigo do seu fígado Na Ásia, o vinagre é visto como um desintoxicante e tem ação positiva sobre o sistema hepático. Ainda de acordo com a medicina oriental, além de beneficiar o fígado, melhora também o humor, que está associado diretamente ao funcionamento desse órgão em especial. 6. Age sobre os pruridos da pele Esse vinagre tem ação antisséptica e antifúngica. Na milenar medicina ayurvédica, ele é usado como meio restaurador da acidez natural da pele, melhorando assim o prurido (comichão ou sensação que leva o indivíduo a coçar-se). A melhor forma de usá-lo nesse caso é diluí-lo em um banho morno, ou aplicando-o diretamente sobre a região afetada. 7-Aumenta o brilho dos cabelos O vinagre tem um efeito semelhante ao condicionador, aumentando o brilho porque ajuda a equilibrar o ph dos fios. A indicação é diluir meia colher de sopa em um copo de água e jogar sobre as madeixas duas ou três vezes por semana. 8. reduz o colesterol De acordo com a médica nutróloga Tamara Mazaracki, “Estudos indicam que indivíduos que consomem diariamente vinagre de maçã apresentam uma redução nas taxas de LDL, o mau colesterol, e dos triglicerídeos, moléculas de gordura que circulam pelo sangue.” 9. Desintoxica o corpo Por auxiliar no equilíbrio alcalino-ácido do sistema fluído do organismo, leva a um processo de desintoxicação. Embora o gosto seja ácido, o resultado no corpo após a digestão é alcalino, possibilitando um equilíbrio no ph do sangue. Quando seu ph está ligeiramente alcalino, torna-se mais fácil a eliminação de substâncias que levam ao estresse metabólico. “O ácido málico presente no vinagre é o que confere a ele suas propriedades terapêuticas. Sua ação benéfica se dá, em parte, porque ele participa do chamado ciclo de Krebs, um conjunto de reações responsáveis pela produção de energia no interior das células”, explica a nutricionista Ana Maria Desideri (SP). Revista VivaSaúde Edição 124

sábado, 22 de março de 2014

Raiva pode aumentar risco de infarto

Ter um ataque de raiva pode elevar o risco de sofrer um infarto ou um derrame. Os rompantes de fúria podem funcionar como um gatilho para esses episódios cardiovasculares. As duas horas subsequentes a uma explosão de cólera concentram os maiores riscos para a saúde do indivíduo que perde o controle das próprias emoções. Os resultados foram publicados na revista científica European Heart Journal por Elizabeth Mostofsky e sua equipe da Universidade de Harvard (EUA). Agora o grupo pretende fazer novas pesquisas para entender como funciona essa conexão e descobrir se estratégias para liberar o estresse podem evitar essas complicações. Ataque de raiva e ataque do coração Nas duas horas imediatamente subsequentes ao ataque de raiva, o risco de uma parada cardíaca aumentou cinco vezes e o de derrame mais de três vezes. Pessoas que já tenham histórico de doenças cardíacas também apresentam uma elevação do risco de saúde depois de passarem por episódios de descontrole emocional. No lado positivo, o risco de complicações por um ataque de raiva na população é relativamente baixo - a chance de um indivíduo sofrer uma parada cardíaca atinge uma a cada 10 mil pessoas com baixo risco cardiovascular que tenham rompantes de fúria uma vez por mês. Para pessoas com alto risco cardiovascular, o risco aumenta para quatro em cada 10 mil. Mas, segundo pesquisadores, o risco é cumulativo, o que significa que indivíduos com temperamento explosivo têm chance maior de sofrer tais problemas. Especialistas já constataram que o estresse crônico pode contribuir para um ataque cardíaco ao aumentar a pressão sanguínea, mas também porque muitas pessoas reagem de forma insalubre a crises de estresse - fumando ou bebendo muito álcool, por exemplo. Os pesquisadores afirmaram que valeria a pena testar a eficácia de estratégias que evitem ou combatam o estresse, como ioga por exemplo. http://www.boasaude.com.br/

Anvisa proíbe venda de suplemento proteico para atletas

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a distribuição e a comercialização, em todo o território nacional, do lote 156/12 do produto Suplemento Proteico para Atletas, fabricado pela empresa Vulgo Suplementos Indústria de Alimentos Ltda. A medida vale para o produto da marca 100% Whey Protein, com data de fabricação de 02/12/2012 e data de validade de 02/12/2014. De acordo com a decisão, a medida foi tomada levando em consideração laudo emitido pela Fundação Ezequiel Dias que apresentou resultado insatisfatório para ensaio de carboidratos. Segundo a análise, o produto contém uma quantidade de carboidratos mais de 20% superior ao valor declarado em seu rótulo. Em fevereiro, a Anvisa proibiu a venda de 20 lotes de suplemento de proteína, pois a composição real dos produtos era diferente da informada na rotulagem, o que caracterizou fraude contra o consumidor e prática desleal de comércio. Alguns desses produtos também apresentaram alterações no ensaio de carboidratos.http://www.diariodasaude.com.br/

Os males da chupeta e como ela pode comprometer seu filho para o resto da vida

Ainda na ressaca do carnaval, não sai da nossa cabeça a marchinha “Mamãe Eu Quero”, na qual é sugerida “dar chupeta pro bebê não chorar”. Mas será que este é o método mais indicado – e com menos contraindicações – para acalmar seu filho? Muito se passou entre a data da composição da música (1937) e hoje em dia. E uma dessas mudanças diz respeito justamente à utilização indiscriminada da aparentemente inocente chupeta. Se antes o objeto era usado praticamente sem restrições para acalmar as crianças pequenas e fazer com que parassem de chorar, agora já sabemos que não é bem assim. A dependência da chupeta faz com que o instinto básico de sucção no peito não seja plenamente suprido, assim como as necessidades afetivas do bebê, uma vez que o motivo real do choro silenciado fica sem resposta. Mesmo com esse conhecimento geral, muito pais ainda insistem na prática, seja pela praticidade, seja pela falta de informação de quais são as reais consequências de um uso muito frequente da chupeta. Por isso, separamos os maiores malefícios desse costume, e como ele pode atrapalhar a vida de seu filho para o resto da vida: 5. O hábito de chupar chupeta interfere negativamente sobre a amamentação Pesquisas científicas comprovam que as crianças que param de mamar antes usam chupeta com mais frequência do que aquelas que são amamentadas por um período maior de tempo, sugerindo uma relação entre esses dois fatos. Além disso, a sucção feita em um bico artificial leva à perda da tonicidade e a alteração dos músculos da face (principalmente dos lábios e da língua), o que acaba confundindo a criança e a leva a não ser mais capaz de mamar o peito da mãe da maneira correta. Também existem evidências de que o uso de chupeta diminui a produção de leite da mãe, uma vez que o bebê procura menos pelo peito. Esse fato pode até mesmo interferir no ganho de peso da criança. Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a crianças é um dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno, uma cartilha elaborada pela Unicef em parceria com a Organização Mundial da Saúde e recomendada pelo Ministério da Saúde do Brasil. 4. Seu uso causa deformações na estrutura óssea da boca e do rosto Como já indicamos no tópico acima, o costume de chupar chupeta acaba causando deformações no desenvolvimento das estruturas da boca e do rosto, intimamente ligadas ao esforço repetitivo e artificial imposto pela chupeta. O lábio superior da criança pode ficar encurtado, enquanto o lábio inferior pode se tornar flácido e virado para fora. Outras modificações como a pele do queixo mais enrugada ou a língua menos tonificada alteram a fisiologia da região da mandíbula. De acordo com a cirurgiã-dentista especialista em odontopediatria, Andréia Stankiewicz, os ossos da face crescem de forma desarmônica, enquanto as arcadas e os ossos nasais sofrem estreitamento e desvios (como o desvio de septo). “Isso também prejudica as funções de deglutição, mastigação, fala e respiração, se tornando um obstáculo mecânico à cura de uma série de patologias, especialmente as ‘ites’: rinite, sinusite, amidalite, bronquite, etc”, conta. Outra afetada, segundo Andréia, é a mandíbula, que mantém a posição do nascimento, ou seja, o queixo não cresce, prejudicando a estética e a fisiologia. Segundo pesquisa brasileira de 2006, as crianças com hábitos de chupar chupeta ainda apresentam 12 vezes mais chances de desenvolver problemas de mordida do que crianças sem esse hábito. E mais de 70% dos bebês acostumados com a chupeta apresentam algum tipo de problema de mordida, como mordida cruzada, profunda, etc. 3. Mito: a chupeta não é menos nociva do que o dedo Existe um consenso falso de que a chupeta é uma alternativa melhor para os bebês do que chupar os próprios dedos. Apenas 10% das crianças chupam o dedo prolongadamente, enquanto entre 60 e 82% chupam chupeta e 4,1% associam os dois hábitos. Não que os 10% estejam certos, mas o que surpreende aqui é que uma significativa maioria dos pais acha que está fazendo a coisa certa nessa substituição – mas não está. “Ao contrário do que se costuma acreditar, porém, os danos causados pela sucção prolongada do dedo ou da chupeta são bem semelhantes”, afirma a cirurgiã-dentista. O dedo, no entanto, ainda sai na frente porque se assemelha mais ao peito, tem calor, odor e consistência mais parecidos com o do mamilo e fica praticamente na mesma posição do bico do peito dentro da cavidade bucal do bebê. “O bebê chupa o dedo desde a barriga, durante o seu desenvolvimento, e especialmente nos períodos de desconforto e irritação provocados pelo nascimento dos dentes. Nessa fase devemos proporcionar variedade de estímulos, como alimentos de consistência dura, mordedores, além de brincadeiras diversas, atenção e carinho, a fim de que o hábito cesse espontaneamente”, aconselha Andréia. A persistência do hábito de chupar o dedo, porém, não é frequente em crianças bem amamentadas: mais de 80% das crianças que recebem aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida não apresentam esses hábitos, acrescenta a dentista. 2. A chupeta força a respiração pela boca, que causa diversos problemas de saúde Aprendemos desde cedo que devemos respirar sempre pelo nariz, onde o ar é devidamente filtrado e entra em nosso organismo de maneira correta. O costume de se chupar chupeta, contudo, favorece a respiração errada, pela boca. E isso acaba ocasionando diversos problemas mais para frente na vida da criança. Começando pelo mais direto. Uma vez que o ar inspirado não passa pelo processo de filtragem, aquecimento e umedecimento ao qual é submetido se inspirado pelo nariz, o sistema respiratório acaba se tornando mais suscetível a doenças em geral. A respiração bucal também ocasiona alterações físicas, problemas nutricionais e de crescimento, alterações fonoaudiológicas e do sono, como ronco, apneia, pesadelos, terror noturno, enurese noturna (o famoso “xixi na cama”) e bruxismo, além de problemas na arcada dentária (principalmente no encaixe da mordidas), desvios ortopédicos e posturais. A cirurgiã-dentista Andréia Stankiewicz ainda completa que problemas comportamentais e emocionais, como problemas de aprendizado, distúrbios de ansiedade, impulsividade, fobias, agitação, cansaço, hiperatividade e baixa autoestima também podem ser desenvolvidos pela criança acostumada à chupeta devido à má respiração. 1. Hábitos antigos são difíceis de perder Ok, compreendi que a chupeta não faz tão bem para o meu filho quanto eu pensava. Mas agora ele já está acostumado a ela… O que fazer? Outro fator complicador nessa história é o fato de que, uma vez que o bebê “pega” a chupeta, não é fácil para ele se livrar dela. “A remoção repentina ou abrupta da chupeta pode gerar efeitos psicológicos complexos e difíceis de mensurar, e pode levar à substituição por hábitos de sucção do dedo, do lábio ou da língua, de roer unhas ou outros”, informa Andréia. No decorrer da vida, os hábitos podem ser substituídos por comer demais, fumar ou outros transtornos compulsivos. E seu efeitos são observados desde cedo. A solução? “A necessidade de sucção do bebê deve ser suprida no peito”, defende ela. “A amamentação deve ser realizada de forma exclusiva até os 6 meses e continuada até os 2 anos de idade ou mais. A decisão de introduzir ou não chupeta é da família, mas cabe aos profissionais oferecerem aos pais subsídios para que tomem uma decisão consciente e informada a esse respeito”, conclui. Os cinco tópicos discutidos aqui são apenas as características mais marcantes e principais consequências do uso prolongado da chupeta em bebês e crianças. No entanto, há muito mais, desde o prejuízo à correta maturação funcional do sistema que engloba as estruturas bucais ligadas à mandíbula, passando pelo refluxo do conteúdo alimentar presente no estômago para o esôfago. Existem também preocupações relativas às chupetas em si, como a inexistência, no mercado, de bicos anatomicamente comparáveis ao bico do peito. Se você quiser se aprofundar ainda mais no assunto, clique aqui. [Comunidade AMS]

Comer menos leva a viver mais: mito ou realidade?

A resposta para uma vida cada vez mais longa é um dos grandes enigmas do nosso tempo. E se você é uma dessas pessoas que quer viver até os 100 anos ou mais, e com qualidade de vida, vai gostar de saber sobre essa nova teoria evolutiva publicada na BioEssays. De acordo com os novos estudos, o caminho para uma vida mais longa deve ser percorrido diariamente, e a chave para esse envelhecimento saudável pode ser uma dieta pobre em nutrientes. “Pobre”? Sim, você leu certo Os cientistas sabem já há muitas décadas que a restrição severa de alimentos reduz a incidência de doenças de idade (como câncer), prolongando a vida. Segundo a Dra. Margo Adler, bióloga evolucionista da UNSW (Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália), esse efeito foi demonstrado em laboratórios do mundo todo, em espécies de moscas e camundongos, e inclusive há evidências de que também acontece em primatas. E a teoria mais aceita é que “passar fome” ativa mecanismos de sobrevivência do corpo, o que nos levaria a uma vida mais longa. A restrição alimentar também leva ao aumento das taxas de reciclagem celular e mecanismos de reparo do organismo. A nova teoria dos pesquisadores da UNSW é, então, que esse efeito evoluiu para ajudar animais a continuarem se reproduzindo quando os alimentos estão escassos. Eles precisam de menos comida para sobreviver porque os nutrientes armazenados nas células podem ser reciclados e reutilizados. Esse efeito poderia explicar o aumento do tempo de vida de animais de laboratório em dietas muito pobres em nutrientes, pois o aumento da reciclagem celular reduz a deterioração do organismo e o risco de câncer. E este é o aspecto mais intrigante do ponto de vista da saúde humana. “Embora esse tempo a mais de vida possa ser um simples efeito colateral da restrição de nutrientes, uma melhor compreensão destes mecanismos de reciclagem podem ser uma promessa de vidas mais longas e mais saudáveis para os seres humanos”, esclarece Dra. Adler. Quem sabe, em um futuro não tão distante, existam medicamentos que reproduzam esse efeito. Além de prolongar, isso iria facilitar muito a nossa vida. [MedicalXpress]

Maioria dos rios brasileiros tem baixa qualidade, aponta estudo

Estudo divulgado nesta quarta-feira (19) pela organização SOS Mata Atlântica analisou a qualidade da água de 96 rios, córregos e lagos de 7 estados das regiões Sul e Sudeste e aponta que 41% desses cursos d’água foram classificados como ruins e péssimos. Apenas 11% dos rios e mananciais mostraram boa qualidade – todos eles localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas. As principais fontes de poluição e contaminação, segundo a ONG, são decorrentes da falta de tratamento de esgoto doméstico, produtos químicos lançados nas redes públicas e da poluição proveniente do lixo. Em São Paulo, foram feitas 34 coletas em rios das 32 subprefeituras da cidade. O levantamento apontou que em fevereiro deste ano 23,53% dos rios tinham qualidade péssima, 58,82% estavam com qualidade ruim e 17,65% tinham qualidade regular. Nenhum rio teve índice bom ou ótimo. A qualidade do Lago do Ibirapuera foi classificada como ruim, assim como a água da represa Billings, na região de Cidade Ademar. Outros nove cursos d’água, como o Rio Tamanduateí, no trecho da Sé, o Riacho Podre e o Córrego do Oratório, na Vila Prudente, tinham qualidade péssima. No Rio de Janeiro, foram analisados 15 pontos de coleta também em fevereiro e 100% das amostras eram ruins e regulares. A água dos canais do Jockey, no Jardim Botânico, e do Mangue, na Vila Isabel, do Rio Comprido, no bairro de mesmo nome, e do Rio Joana, na Vila Isabel, foi classificada como de qualidade ruim. Os córregos e rios da capital fluminense desaguam diretamente no mar. Em alguns casos, a água passa por um tratamento prévio antes de se encaminharem para emissários submarinos, que também lançam os efluentes no oceano, mas longe da costa. “Os dados têm o principal objetivo de alertar para que coloquemos a água numa agenda estratégica para a sociedade e para os governantes. Para que o assunto vire pauta das eleições para criação de políticas públicas”, disse Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. Evolução na preservação – O estudo fez uma comparação entre 2010 e 2014 de 88 pontos em 34 cidades de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o relatório, o número de rios de qualidade péssima caiu de 15 para 7 no período; cursos d’água classificados como bom eram 5 e agora são 15; pontos analisados que tinham classificação regular caíram de 50 para 37. No entanto, a quantidade de rios de qualidade ruim subiu de 18 para 29. “Não é que aumentou o ruim. Tivemos a diminuição da quantidade de classificações péssima”, disse Gustavo Veronesi, um dos organizadores do levantamento. Água para o Sistema Cantareira – Na coletiva, a porta-voz da SOS Mata Atlântica comentou sobre a reunião entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a presidente Dilma Rousseff, que debateu uma possível transposição do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro e o Vale do Paraíba. Alckmin se reuniu com Dilma em Brasília e pediu que a água do rio, que é interestadual, fosse despejada no Sistema Cantareira, que está em estado crítico devido à escassez das chuvas. A medida depende da autorização Agência Nacional de Águas (ANA). Segundo Malu, o assunto da transposição já está em debate há 8 anos e é considerado um método arriscado para sanar o problema de falta de água. Para ela, isso “não deve ser discutido no gabinete da presidente, mas sim com os integrantes das bacias hidrográficas”. Ela compara o risco de transpor o Paraíba do Sul ao que aconteceu quando a represa Billings foi criada. Segundo Malu, canais do Rio Tietê foram desviados para formar o reservatório, que ajuda na geração de energia da Baixada Santista, mas acabou “matando o Rio Pinheiros, que agora recebe muito esgoto”. Guerra pela água – Toda essa discussão, segundo ela, faz com que o Brasil e a Região Metropolitana de São Paulo sejam vistos por organizações internacionais como um dos locais com alto potencial de conflito pelo uso da água. “Essa disputa entre Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Minas Gerais faz com que cada gota da água seja preciosa”, explica. Sobre a viabilidade do projeto de transposição do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira – que receberia investimentos para construção de canais e túneis para passagem da água – Malu Ribeiro disse que é preciso avaliar a viabilidade do projeto com um estudo de impacto ambiental. (Fonte: G1)

Nasa conclui que Amazônia absorve mais gás carbônico do que emite

Um estudo concluído pela Agência Espacial Americana (Nasa) resolveu um longo debate a respeito do papel da floresta amazônica em relação ao aquecimento global. Pesquisadores se perguntavam se a floresta seria capaz de absorver uma quantidade maior de dióxido de carbono (CO2) do que ela emite naturalmente. A resposta obtida pela pesquisa da Nasa divulgada nesta terça-feira (18) mostra que a Amazônia realmente ajuda a reduzir o aquecimento global. O CO2 é um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, que leva ao aumento da temperatura terrestre. Enquanto as árvores vivas absorvem o dióxido de carbono da atmosfera ao longo de seu crescimento, as árvores mortas devolvem o gás para a atmosfera no período de sua decomposição. A hipótese de que a floresta estaria emitindo mais gás do que absorvendo surgiu na década de 1990, quando se descobriu que enormes áreas da floresta costumam morrer devido a intensas tempestades. Antes do estudo da Nasa, medições desse balanço entre emissão e absorção do CO2 na floresta amazônica só tinham sido feitas em pequenas porções da floresta, o que tornava os resultados questionáveis. Para este estudo, a Nasa combinou técnicas de análise de imagens de satélite, medidas coletadas no local e outras tecnologias. A pesquisa concluiu que a emissão total de dióxido de carbono pela floresta durante um ano é de 1,9 bilhões de toneladas. Já a absorção foi estimada por meio de medidas do crescimento da floresta em diferentes cenários. De acordo com a Nasa, em todos os cenários, a absorção de CO2 por árvores vivas superou a emissão por árvores mortas, indicando que o efeito geral da floresta é a absorção. Uma das estratégias que tornou o levantamento possível foi o desenvolvimento de técnicas para identificar árvores mortas em imagens de sensoriamento remoto. Nas imagens de satélite, por exemplo, as árvores mortas aparecem em cores diferentes em comparação às árvores vivas. O estudo, publicado nesta terça-feira (18) na revista científica “Nature Communications”, foi liderada pelo pesquisador Fernando Espírito-Santo, da Nasa, e contou com a colaboração de outros 21 pesquisadores de cinco países. (Fonte: G1)

Telhas solares que substituem painéis solares

O mercado da arquitetura sustentável esta em franca expansão, sempre com o aparecimento de novas tecnologias.Uma dessas novidades são as telhas solares que vem conquistando o público no quesito estética. Cada vez mais os fabricantes procuram unir a funcionalidade juntamente com a estética e é o que esta acontecendo no mercado de painéis solares. A rejeição do público aos modelos grandes e pesados dos painéis solares que acima de tudo prejudicavam a estética do telhados fez com que as empresas italianas Area Industrie Ceramiche e REM aprimorasssem suas tecnologias criando a Tegola Solare. Essa telha com componentes mais leves permitiu que a tecnologia solar fosse gradualmente incorporanda aos materiais tradicionais, com isso obteve-se ganhos de eficiência e estética. A Tegola Solare é uma telha cerâmica normal à qual foram embutidas quatro células fotovoltáicas. A montagem é feita como a de qualquer outro telhado e a superfície “solar” é adaptável às necessidades do utilizador já que o fabricante disponibiliza também o mesmo modelo em telhas “comuns”. Em caso de dano, apenas se substitui a telha, operação fácil e barata pela própria natureza modular do telhado tradicional. A fiação segue sob o telhado para o conversor. Segundo o fabricante, uma área de 40 m² gera cerca de 3kw de energia. Um telhado que atenda a função adicional de fornecimento de energia renovável é uma opção a se considerar, você vai economizar uma boa quantia de dinheiro na conta de serviços de luz e gás. O investimento que pode parecer alto no início, é salvo depois de alguns meses de não pagamento de contas. No mercado existe uma variedade destas telhas solares que têm materiais que as tornam mais flexível e podem assumir qualquer forma. Um telhado completo, ou parcialmente coberto com estas telhas solares podem facilmente satisfazer as necessidades de energia de uma família. Essas telhas são como os painéis solares são construídas para converter a luz solar em energia e manter a estética e a harmonia. Em Veneza, é onde a maioria dessas peças foram colocadas. Várias empresas americanas e européias têm desenvolvido vários modelos que permite ser instalado em qualquer telhado. Veneza é uma das principais cidades que já tem estes telhados solares. No entanto, eles ainda são mais caros do que os painéis convencionais e mais difíceis de encontrar instaladores isso na Europa quanto ao Brasil esperamos que essa tecnologia chegue o mais breve possível aqui, vai depender muito da sociedade civil cobrar dos seus governates uma política mais clara e sustentável com relação a matriz energética brasileira. Fonte: EccaPlan.

Cientistas partem rumo ao Grande Depósito de Lixo do Pacífico

Quase todos sabem que o plástico não é totalmente decomposto e que a cada dia se acumula mais na natureza. Grande parte desse material descartado tem como destino certo os mares e oceanos e sua concentração é tão alta que formou uma verdadeira ilha flutuante do tamanho da Inglaterra e que se encontra à deriva no oceano Pacífico. Chamada de “O Grande Depósito de Lixo do Pacífico” (The Great Pacific Garbage Patch), a ilha de plástico se localiza a 1600 km a oeste da Califórnia, em uma área de vórtices ciclônicos criados pela alta pressão das correntes de ar, que produzem uma espécie de redemoinho que atrai e aprisiona o material plástico flutuante. Não se sabe exatamente como o fenômeno do Grande Depósito de Lixo teve origem, mas estima-se que desde a década de 1950 a quantidade de material aprisionado vem crescendo à razão de 10 vezes a cada década e hoje está estimado em cerca de 5 milhões de toneladas de plástico. Segundo os especialistas, a maior parte do lixo ali presente é proveniente de países altamente industrializados, especialmente Japão e áreas da costa oeste americana. Com o objetivo de entender um pouco mais sobre o fenômeno, um grupo de pesquisadores partiu nesta terça-feira rumo à montanha de lixo plástico, com o objetivo de estudar mais de perto as características da ilha. "Esse é o tipo de problema que não está ao alcance dos olhos, mas tem impactos devastadores sobre o oceano", disse Mary Crowley, co-fundadora do projeto Kaisei, uma expedição feita em parceria com o Instituto de Oceanografia Scripps, ligado à Universidade da Califórnia. Crowley navega no Pacífico há mais de 40 anos e diz que a cada dia que passa mais e mais detritos plásticos são vistos. "Sejam garrafas plásticas, barris, brinquedos, material de pesca, todo o tipo de material plástico é observado até mesmo nas ilhas e praias mais remotas", disse. Além da expedição Kaisei, outro navio com 20 pesquisadores a bordo partiu no último domingo em direção à ilha. Chamada New Horizon, a expedição é financiada pela Universidade da Califórnia e deverá permanecer na região por tempo indeterminado. Os cientistas farão os primeiros levantamentos de como o plástico acumulado afeta a fauna e a flora marinha, além de realizarem estudos preliminares sobre a viabilidade de limpeza da ilha de lixo. "Vamos tentar mapear as áreas com maior concentração de material e começar a compreender um pouco mais sobre o problema", disse Miriam Goldstein, cientista chefe da expedição Scripps. "A equipe de pesquisadores estudarão principalmente o efeito do plástico sobre os fitoplânctons e o possível impacto sobre a alimentação dos cardumes de pequenos peixes. Limpeza difícil No entender de Holly Bamford, cientista ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, NOAA, a limpeza do oceano pode ser praticamente impossível. Segundo Bamford, a maior parte dos plásticos é formada por pedaços muito pequenos, que se quebram ainda mais devido à incidência dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol, produzindo minúsculos fragmentos similares a confetes. De acordo com Bamford, esses micro-fragmentos se espalham muito rapidamente e bilhões deles flutuam abaixo da superfície em uma esteira de lixo que já atinge o norte do Havaí, mas podem se espalhar ainda mais devido às correntes e época do ano. "A localização dos fragmentos é muito difícil de ser determinada. Até entendermos melhor a extensão do dano, o tamanho dos fragmentos e como se movimentam, não seremos capazes de afirmar como esse lixo será removido". Segundo o programa ambiental das Nações Unidas, estima-se que no Pacífico Central existem até 6 quilos de lixo plástico para cada quilo de plâncton e cerca de 46 mil peças de plástico para cada quilômetro quadrado de oceano. Fonte: Apolo 11.

Conheça as doenças causadas pelo “não tratamento” do esgoto

Investir em saneamento básico é investir em saúde. A cada R$ 1,00 gasto com tratamento de esgoto, são economizados R$ 4,00 em saúde pública. O esgoto encanado é tão importante para melhorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015) é reduzir pela metade o número de pessoas sem rede de esgoto. Isso porque a ausência de tratamento de esgoto traz doenças que afetam pessoas de todas as idades, mas as crianças são as mais prejudicadas. Estas doenças são causadas principalmente por microrganismos patogênicos de origem entérica, animal ou humana, presentes em água contaminada. Conheça algumas delas: Febre Tifóide: Doença infecciosa que causa febre contínua, mal-estar, manchas rosadas no tronco, tosse seca, prisão de ventre e comprometimento dos tecidos linfóides. Febre Paratifóide: É semelhante à Febre Tifóide, mas menos letal. É causada por infecção bacteriana, com apresentação de febre contínua, eventual aparecimento de manchas róseas no tronco e diarréia. Shigeloses: Infecção bacteriana aguda no intestino grosso. Apresenta febre, náuseas e, às vezes, vômitos, cólicas e tenesmo (sensação dolorosa na bexiga ou na região anal). Em casos graves, as fezes apresentam sangue, muco e pus. Cólera: Doença intestinal bacteriana aguda, com diarreia aquosa abundante, vômitos ocasionais, rápida desidratação, acidose, câimbras musculares e colapso respiratório, podendo levar o paciente a morte em um período de 4 à 48 horas, se não houver tratamento. Hepatite A: Febre, mal-estar geral, falta de apetite, náuseas e dores abdominais seguidas de icterícia. A convalescença é prolongada e a gravidade aumenta com a idade, porém há recuperação total sem sequelas. Amebíase: Infecção causada por um protozoário parasita que atinge os intestinos. As enfermidades variam desde uma disenteria aguda e fulminante, com febre e calafrios e diarreia sanguinolenta ou mucóide (disenteria amebiana), até um mal-estar abdominal leve e diarreia com sangue e muco alternando com períodos de estremecimento ou remissão. Giardíase: Diarreia crônica com cheiro forte, fraqueza e cólicas abdominais, graças às toxinas que libera. Gera um quadro de deficiência vitamínica e mineral e, em crianças, pode causar a morte, se não houver tratamento. Leptospirose: Ocorre com mais frequência em épocas de chuva ou alagamento, pode apresentar uma simples gripe e até complicações hepáticas e renais graves. Inúmeras outras doenças também são causadas pela falta de tratamento de esgoto, como: poliomelite, diarreia por vírus, ancilostomíase (amarelão), ascaridíase (lombriga), teníase, cisticercose, filariose (elefantíase), esquistossomose, etc. Por isso é importante cobrar das autoridades a construção e a manutenção de redes de esgoto e seu tratamento, e a população tem de fazer a disposição correta do efluente doméstico, pois conforme foi apresentado, o saneamento básico precário atinge diretamente a saúde da população, além de causar sérios impactos ao meio ambiente. Fonte: Tera Ambiental.