sábado, 18 de maio de 2013
Embrião humano é clonado pela primeira vez
Mais de quinze anos depois da ovelha Dolly, o sonho - ou o pesadelo - de clonar um embrião humano acaba de se tornar realidade.
Em 2005, o cientista sul-coreano Woo Suk Hwang afirmou ter conseguido clonar células humanas, mas depois descobriu-se que seus dados eram falsos.
Em 2011, outra equipe criou células-tronco embrionárias humanas, mas os óvulos resultantes eram inviáveis, e não poderiam ser usados para clonagem.
Agora, Shoukhrat Mitalipov e Paula Amato, da Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, nos Estados Unidos, afirmam ter usado o DNA coletado de células da pele humana para criar células-tronco embrionárias, capazes de se transformar em qualquer outro tipo de célula no corpo.
A técnica é uma variação de um método comumente usado, chamado transferência de núcleo de célula somática, a mesma usada para clonar a ovelha Dolly, que morreu prematuramente.
A clonagem consiste no transplante do núcleo de uma célula, contendo o DNA de um indivíduo, em um óvulo que teve seu próprio material genético retirado.
O óvulo não fertilizado, então, se desenvolve e eventualmente produz células-tronco e, daí, pode se desenvolver normalmente.
O resultado prático é que torna-se possível clonar um ser humano, o que os cientistas afirmam não ser seu objetivo.
"Nossa pesquisa é direcionada para gerar células-tronco para uso em futuros tratamentos para combater doenças," disse o Dr. Mitalipov.
"Embora os avanços da transferência nuclear frequentemente levem à discussão pública sobre a ética da clonagem humana, este não é nosso foco, e nós não acreditamos que nossos resultados possam ser usados por outros [pesquisadores] para a clonagem reprodutiva humana."
Ética e clonagem humana
O argumento dos cientistas é que essas células-tronco poderiam ser utilizadas em pesquisas ou em terapias celulares sem as questões éticas envolvidas com a utilização de embriões naturais, abandonados em procedimentos de fertilização artificial.
Contudo, a falta de resultados mais consistentes e amplos das pesquisas com células-tronco - a maioria produz tumores, em vez dos tão esperados novos tecidos e órgãos sadios - deixou o caminho livre para a manifestação não apenas dos setores mais conservadores da sociedade, como também de membros da própria comunidade científica.
Entre os cientistas, a crítica é que outras fontes de células-tronco, não oriundas da clonagem humana, podem ser mais fáceis de obter, mais baratas, e menos sujeitas a controvérsias com a sociedade.
Por exemplo, o Prêmio Nobel de Medicina do ano passado foi concedido a pesquisas com células-tronco reprogramadas a partir de células adultas - as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas, ou iPS.
Esta é uma técnica que vem sendo preferida pelos cientistas há mais de 10 anos, uma linha de pesquisas que surgiu justamente como alternativa devido à rejeição da clonagem pela sociedade, em vistas do risco da clonagem humana.
Os argumentos dos autores da descoberta, sobre o não-uso de seus resultados para fins que eles não desejam, soam parecidos com os pedidos ingênuos de Santos Dumont para que o avião não fosse usado na guerra, ou mesmo patéticos como o pedido de Robert Oppenheimer para que o presidente Truman não usasse a bomba atômica que ele próprio havia criado.
Redação do Diário da Saúde
Derretimento de geleiras não-polares causa 30% da elevação do mar
Estudo publicado nesta quinta-feira (16) aponta que o derretimento das geleiras – que não se localizam nas regiões polares – foi responsável por 30% do aumento do nível do mar registrado entre os anos de 2003 e 2009. O trabalho envolveu 16 pesquisadores de 10 países e foi publicado pela revista “Science”.
Geleiras são áreas em que a quantidade de neve que se acumula é maior que a que derrete, o que leva à existência de um volume constante de gelo. Cerca de 99% do volume de gelo na Terra fica nas zonas polares, e o outro 1% se acumula nas geleiras, que ficam distribuídas pelos continentes, geralmente em áreas muito altas e montanhosas. Quando esse gelo derrete, dá origem a rios e a água chega, enfim, aos oceanos.
A pesquisa usou dados de satélite da Nasa obtidos entre 2003 e 2009 e, pela primeira vez, fez um cálculo preciso do efeito que as geleiras tiveram sobre o aumento do nível do mar – uma média de 0,7 milímetros por ano. É o mesmo volume que as geleiras dos dois polos despejaram juntas nos oceanos.
“Como a massa global dessas geleiras é relativamente pequena em comparação com o volume gigante de gelo na Groenlândia e na Antártica, as pessoas tendem a não se preocupar”, afirmou Tad Pfeffer, pesquisador da Universidade do Colorado, nos EUA, em material divulgado pela Nasa. No entanto, ele definiu essas formações hidrológicas como “um colaborador importante para o aumento do nível do mar”.
De acordo com as estimativas atuais, se todo o gelo das geleiras não-polares derretesse, o nível do mar subiria em 60 centímetros. Como base de comparação, o gelo acumulado na Groenlândia é suficiente para aumentar o nível do mar em 6 metros, e o da Antártica faria os oceanos subirem 60 metros. (Fonte: Globo Natureza)
Brasil registra 3 mil novos casos de leishmaniose por ano
A cada ano, quase 2 milhões de novos casos de leishmaniose são registrados no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde estima que quase 3 mil pessoas são contaminadas pela doença anualmente.
A doença, que era restrita às áreas de floresta e zonas rurais, tem avançado nas cidades, em função dos desmatamentos e da migração das famílias para os centros urbanos. O mosquito flebótomo, também conhecido como birigui ou mosquito-palha, busca alimentos nessas áreas e pica os cachorros, que acabam infectados pelo parasita leishmânia.
Hoje, há casos da leishmaniose nas 27 unidades da Federação. Os especialistas alertam para a presença da doença em cidades, como Belo Horizonte, Bauru (SP), municípios do interior paulista e em Brasília.
Em bairros nobres da capital do país, por exemplo, o número de animais sacrificados por apresentarem os sintomas da leishmaniose – como perda de peso, emagrecimento e conjuntivite – chama a atenção dos moradores.
“Perdi dois cachorros. Primeiro foi nossa labrador de pouco mais de 1 ano, que sempre foi muito ativa e nos chamou a atenção quando só ficava recolhida no canto e com conjuntivite. Em seguida, foi a poodle, que era criada dentro de casa, por isso duvidamos do diagnóstico e repetimos várias vezes até não ser mais possível descartar”, contou a funcionária pública Virgínia Oliveira.
Segundo ela, a partir desse dia, a família adotou novos hábitos. “Isso deixou todos muito tristes em casa. Hoje, todos os dias tiramos todas as frutas que caem no jardim, limpamos as fezes dos cachorros duas vezes por dia e plantamos várias mudas de citronela ao redor da casa”, contou.
A pedagoga Caren Queiroz também ficou sem alternativas quando o cachorro que a filha ganhou no Dia da Criança foi diagnosticado com a doença. “No começo, não sabíamos o que era. Ele teve umas feridas na pele e no nariz. Uma veterinária descuidada foi negligente e, com o exame de sangue em mãos, não notou que o teste para a doença havia dado positivo”, relatou.
“Quando um outro veterinário constatou que era um caso de leishmaniose, foi um dilema. Procurei todas as possibilidades para não ter de sacrificá-lo, mas não houve alternativa”, completou.
Mesmo polêmica, a decisão pela eutanásia animal ainda é a mais adotada pelos veterinários. Muitos especialistas no assunto informam que não há tratamento e cura para os animais, sem colocar os seres humanos em risco. Quando o mosquito pica um cachorro ou animal silvestre, como raposas e gambás contaminados, transmite o parasita para as pessoas também por uma picada.
Entre 20 mil e 40 mil pessoas morrem, por ano, no mundo, vítimas da leishmaniose, estima a OMS. No Brasil,foram mais de 2,7 mil mortes entre 2000 e 2011. Os maiores índices mortalidade foram registrados no Pará, no Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, em São Pualo, na Bahia e em Minas Gerais.
Os números, no entanto, ainda não foram suficientes para tirar a leishmaniose da lista de doenças negligenciadas no mundo. Apesar do tratamento gratuito, a eliminação ou simples redução de casos no país esbarra em gargalos. O diagnóstico é limitado. Tanto a população quanto os profissionais de saúde têm dificuldade em identificar os sintomas.No país, dados de 2011 apontam que a leishmaniose tegumentar americana (cutânea) atingiu 7,3 mil pessoas na Região Norte, 5,2 mil no Nordeste e 986 no Sudeste. (Fonte: Agência Brasil)
Sustentabilidade no campo
Como parte das iniciativas governamentais de apoio à agricultura familiar tradicional, sustentável e inclusiva, a unidade Semiárido da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) promove, na cidade de Petrolina (PE) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Workshop Agrobiodiversidade e Agroecologia no Nordeste. O encontro, que começou nesta quarta-feira (15) e segue até a sexta (17), avaliará programas em andamento de apoio à essas práticas agrícolas, estabelecer estratégias de parceria e articular a elaboração de propostas para a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica.
A técnica do Departamento de Agroextrativismo da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Cláudia de Souza, explica que o encontro é um dos cinco eventos que o MMA pretende realizar em parceria com a Embrapa. “Serão reuniões em cada uma das regiões brasileiras com o objetivo de estabelecer estratégias de parceria na Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica”, diz. O governo federal pretende submeter o tema à sociedade, com propósito de elaborar um plano nacional, previsto para ser lançado nos próximos meses, com ações de fortalecimento ao uso sustentável dos recursos naturais e da oferta e consumo de alimentos orgânicos.
Sustentabilidade - O papel dos agricultores familiares como fortalecedores da produção orgânica e de base ecológica também foi destacada. “Com esses encontros pretendemos promover o desenvolvimento dos agricultores familiares e dos assentados da reforma agrária, em bases sustentáveis, a partir da promoção de processos de pesquisas participativas, descentralizadas e com enfoque na agrobiodiversiade e agroecologia, levando em conta critérios de sustentabilidade ambiental”, acrescenta Cláudia de Souza. “Existem hoje, no Brasil, mais de 200 mil famílias inseridas na atividade de produção orgânica e agroecológica, daí a importância de políticas públicas que potencializem essas atividades”.
O desenvolvimento de comunidades de agricultores familiares no Piauí por meio do gergelim orgânico, pesquisas para avaliação e seleção de variedades tradicionais (crioulas) de milho junto aos agricultores familiares da Paraíba e manejo comunitário da agrobiodiversidade para o desenvolvimento sustentável de comunidades rurais do semiárido brasileiro também serão discutidos no encontro. O Macroprograma 6 da Embrapa – iniciativa de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar e à sustentabilidade do meio rural, também será foco dos debates.
Além de MMA e Embrapa, participam do evento representantes dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Desenvolvimento Agrário (MDA), Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da sociedade civil. (Fonte: MMA)
Insetos podem ajudar a combater a fome, diz ONU
A FAO, entidade das Nações Unidas que lida com alimentações e agricultura, está defendendo o consumo de insetos como arma na luta contra a fome no mundo.
E não se trata de "começar" a comer insetos: segundo o relatório, 2 bilhões de pessoas no planeta já complementam suas dietas com insetos, tais como besouros, gafanhotos e formigas.
A FAO afirma que a criação de insetos em escala industrial poderia contribuir para a segurança alimentar mundial.
Esses animais são altamente nutritivos, reproduzem-se com facilidade e velocidade, além de poderem ser usados como alimentos para peixes e gado, eventualmente mantendo as fontes mais nobres para os humanos.
Um relatório recente nos EUA mostrou preocupação com o crescente uso de grãos de consumo humano para a fabricação de rações para animais de estimação (pets), que estaria atingindo níveis que ameaçam o suprimento sustentável desses alimentos.
Há tempos cientistas defendem que comer carne de inseto é melhor para o meio ambiente - um suíno produz entre 10 e 100 vezes mais gases de efeito estufa por quilo do que o bicho da farinha, um verme comestível.
Segundo eles, a prática está na história humana - segundo a Bíblia, tanto João Batista quanto Jesus comeram insetos em seus retiros de meditação no deserto.
O insectólogo holandês Arnold van Huis defende a bandeira do consumo de insetos há anos. Segundo ele, a carne de insetos pode se tornar uma importante fonte de proteína.
A ONU agora parece estar encampando estes argumentos. A organização lançou um livro defendendo a ideia, intitulado Insetos comestíveis: as perspectivas futuras para a segurança alimentar e alimentação. www.diariodasaude.com.b
Novo Manual de Doenças Mentais chega cercado de polêmica
A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, ou DSM-5, conhecido como a "Bíblia da psiquiatria", será lançada neste fim de semana, nos EUA, cercada de muita polêmica.
Há meses, especialistas e leigos vêm discutindo como as mudanças previstas na nova edição manual, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association, ou APA, na sigla em inglês), poderão impactar o diagnóstico de doenças mentais.
Segundo seus críticos, o novo manual amplia ainda mais o número de doenças mentais, além de aumentar as chances de alguém ser diagnosticado com os transtornos já existentes, reduzindo o número de sintomas necessários para que um paciente se encaixe em determinado diagnóstico.
Com isso, cresceria o número de pessoas tratadas com medicamentos para transtornos mentais - e, consequentemente, o mercado para a indústria farmacêutica.
Uma das principais críticas é a de que o DSM-5 estaria transformando em doenças comportamentos até agora considerados comuns, como o sofrimento após a perda de alguém próximo (a partir de agora, o luto que durar mais de duas semanas será considerado sintoma de depressão), colocando em discussão a fronteira entre o que é considerado "normal" e o que pode ser definido como doença mental.
"As fronteiras da psiquiatria continuam a se expandir; a esfera do normal está encolhendo", disse o psiquiatra Allen Frances, que comandou a comissão responsável pela quarta edição do DSM, em uma carta ao jornal The New York Times.
"Como presidente da Força-Tarefa do DSM-IV, eu devo assumir responsabilidade parcial por essa inflação de diagnósticos. Decisões que pareciam fazer sentido foram exploradas por empresas farmacêuticas em campanhas de marketing agressivas e enganosas. Elas venderam a ideia de que problemas da vida cotidiana são na verdade doenças mentais, causadas por desequilíbrios químicos e curadas com uma pílula", diz Frances, que é professor emérito da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, e um dos maiores críticos do DSM-5.
Publicado desde 1952 pela APA, que é considerada a organização psiquiátrica mais influente do mundo, o DSM é usado por médicos de todo o planeta, inclusive do Brasil, além de servir como base para a classificação de doenças mentais incluídas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde.
Com tamanho impacto no diagnóstico e tratamento de doenças mentais no mundo todo, o DSM sempre foi alvo de polêmicas a cada nova edição. A última, de 1994, foi revisada em 2000.
"As edições anteriores foram provavelmente ainda piores que o DSM-5 vai ser", disse à BBC Brasil a psicóloga Paula Caplan, da Universidade de Harvard, que durante dois anos participou da comissão responsável pela elaboração da edição anterior.
Caplan diz ter abandonado a comissão "por questões éticas e profissionais" e por ter testemunhado o que classifica de "distorções" em pesquisas.
Ela aborda o tema no livro They Say You are Crazy: How the World's Most Powerful Psychiatrists Decide Who's Normal ("Eles dizem que você é louco: Como os psiquiatras mais poderosos do mundo decidem quem é normal", em tradução livre).
"Há pelo menos 20 anos, tem-se tratado como doença mental quase todo tipo de comportamento ou sentimento humano", diz Caplan.
Alguém defende?
Desta vez, porém, as críticas vieram até da maior organização de pesquisa em saúde mental do mundo, o National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental, ou NIMH, na sigla em inglês), ligado ao governo norte-americano.
Na semana passada, o diretor do NIMH, Thomas Insel, anunciou que o instituto está "reorientando suas pesquisas" e se distanciando das categorias do DSM.
"A fraqueza (do DSM) é sua falta de fundamentação", escreveu Insel em seu blog. "Seus diagnósticos são baseados no consenso sobre grupos de sintomas clínicos, não em qualquer avaliação objetiva em laboratório."
"Os pacientes com doenças mentais merecem algo melhor", disse Insel, ao mencionar o Projeto de Pesquisa em Domínio de Critérios (Research Domain Criteria, ou RDoC, na sigla em inglês), em que o NIMH pretende desenvolver um sistema de classificação de doenças mentais mais preciso, que inclua genética, ciência cognitiva "e outros níveis de informação".
Problema psiquiátrico
Em resposta às críticas de Insel, o presidente do grupo que elabora o DSM-5, David Kupfer, professor de psiquiatria na Universidade de Pittsburgh, disse que esforços como o do RDoC são "vitais para o contínuo progresso da nossa compreensão coletiva dos transtornos mentais", mas ressaltou que "não podem nos servir aqui e agora e não podem substituir o DSM-5".
"O novo manual (DSM-5) representa o mais sólido sistema atualmente disponível para classificar doenças (mentais). Reflete o progresso que fizemos em várias áreas importantes", disse Kupfer.
Na verdade, é difícil se livrar do DSM.
Para que recebam reembolso das seguradoras de saúde por tratamentos, os pacientes precisam que as doenças das quais sofrem sejam diagnosticadas oficialmente.
"O impacto do DSM é muito amplo", disse à BBC Brasil o psicoterapeuta Gary Greenberg, autor do livro The Book of Woe: The DSM and the Unmaking of Psychiatry ("O livro do Infortúnio: O DSM e o desfazer da psiquiatria", em tradução livre).
"As pessoas não deveriam se preocupar especificamente com o DSM-5, as versões anteriores já fizeram seu estrago. O que o DSM-5 está fazendo é chamar a atenção para os problemas atuais da psiquiatria, mas isso deve preocupar mais os psiquiatras do que os pacientes", disse. Com informações da BBC
Brasileiros criam material 10 vezes melhor para matar bactérias e fungos
O professor acredita que, pela potência do material, ele possa vir a se tornar comercial em poucos meses.
Pesquisadores da UFSCar e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um novo tipo de material artificial com capacidade dez vezes maior de matar bactérias e fungos, comparando-se com os produtos encontrados atualmente no mercado.
Chamado tungstato de prata, o material também tem propriedades fotoluminiscente e fotodegradante, responsáveis por tratar compostos prejudiciais ao ser humano que podem ser encontrados na água, por exemplo, além de poder oferecer avanços nas áreas da saúde, cerâmica, em propriedades eletrônicas de materiais, estrutura eletrônica e química.
O material, originário da prata, surgiu após a sintetização de dois compostos do metal, o molibdato, que atua no metabolismo da bactéria, e o tungstato, responsável por inibir o desenvolvimento da bactéria.
Durante o processo, os pesquisadores perceberam que a exposição desse material a um microscópio de transmissão, onde há uma quantidade maior de elétrons, foi notada uma propriedade inédita na literatura científica, o crescimento de prata na presença de elétrons.
Bactericida e fungicida
Testando o caráter bactericida do material desenvolvido, também foi constatado que este pode funcionar como fungicida.
O material conseguiu matar fungos, como a Cândida, por exemplo, que causa infecções graves nos seres humanos, de maneira muito mais rápida comparada aos poucos compostos capazes de exterminar esse tipo de microrganismo.
"Alguns produtos encontrados no mercado, atualmente, podem demorar anos para agir," afirma o coordenador do estudo na UFSCar, professor Elson Longo.
Normalmente, materiais bactericidas e fungicidas são aplicados em embalagens, bebedouros e até em secadores de cabelo.
Esse tipo de composto também poderá ser aplicado em tintas para paredes de hospitais para estarem imunes a bactérias e, agora com o tungstato de prata, também de fungos.
O pesquisador também conta que o produto passará a ser desenvolvido em escala semi-industrial para novos testes.
O professor acredita que, pela potência do material, ele possa vir a se tornar comercial em poucos meses.
"Já que esse material é muito mais eficaz, não há concorrência no mercado. Quando a eficácia é semelhante aos demais, se trabalha com o preço do material para que ele possa ser competitivo no mercado, mas como o sistema é muito eficaz, não há concorrência. É um produto mais caro, mas muito mais eficiente", afirma Longo.Com informações da UFSCar
O modelo hidroelétrico está se esgotando no Brasil?
Polêmicas envolvendo a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia e seus impactos socioambientais, incluindo a questão indígena, dão a sensação de que o modelo hidroelétrico está se esgotando. Soma-se a isso a vulnerabilidade das usinas ao humor do clima. A falta de chuvas tem levado os reservatórios a níveis preocupantes, que obrigam o acionamento das termelétricas.
Para especialistas em energia, o país deve continuar priorizando a construção de novas usinas hidroelétricas. Segundo o professor Nivalde de Castro, diretor do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel/UFRJ), a justificativa é simples: “Trata-se de uma fonte que temos em abundancia, barata e limpa”, afirmou durante evento em Foz do Iguaçu realizado pelo movimento Planeta Sustentável.
Atualmente, o país conta com 972 usinas, que somam 82,5GW, ou 65,7% da capacidade da matriz energética brasileira. Na prática, quase 90% da energia que consumimos vem de usinas hidrelétricas. Mas a forma como a expansão do setor está acontecendo, diz o especialista, não tem permitido construir usinas com reservatórios, como se fazia antes, por esbarrar em limites legais.
Justamente para suprir a ausência de reservatório ao longo do ano nas usinas a fio d’água, é preciso de fontes complementares. De acordo com o especialista, o país precisa investir em fontes renováveis como bioeletricidade e eólica, mas para ter segurança, também é preciso contar com termelétricas. “As outras fontes são intermitentes”, explica.
Mais de 100 usinas previstas para a Amazônia – Na visão de Cláudio Sales, do Instituto Acende Brasil, para aproveitar a competitividade de seus recursos naturais e desenvolver seu potencial hidroelétrico, o país tem um desafio grande: aprender a lidar sem atropelos com a questão indígena.
Na Amazônia, o potencial hidrelétrico brasileiro é de 250 mil MW. Já foram aproveitados 35% desse potencial. Mais de 100 usinas estão previstas para região. Acontece que boa parte das regiões promissoras estão em áreas de reservas indígenas.
“Dos 19.673MW de potencia adicional previstos no Plano Decenal de Energia 2021, 16.089MW (82%) interferem em terras indígenas”, diz. Sales destaca, entretanto, que segundo a constituição o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas.
Mas o Brasil ainda não regulamentou esse processo de consulta aos povos indígenas, ressalta. “Para fazer tem que fazer direito, não de forma atropelada, como está acontecendo com Belo Monte”, afirma.
Segundo Pedro Bara, líder da Estratégia de Infraestrutura da Iniciativa Amazônia Viva do WWF, envolver a sociedade e promover o debate qualificado em torno dos interesses, necessidades e urgência de se implantar grandes projetos de infraestrutura em áreas conservadas da Amazônia é imprescindível uma vez que as consequência afetarão a todos.
“Não podemos sair fazendo projeto sem olhar o big picture, é uma Bacia só na Amazônia. Ainda não caiu a ficha do setor elétrico”, critica. A realização de consultas públicas e debates é um passo importante para viabilizar a participação da sociedade na construção de um modelo sustentável para a região, defende. (Fonte: Exame.com)
Cientistas descobrem 15 novas espécies de aves na Amazônia
Um grupo de 15 novas espécies de aves que vivem na Amazônia brasileira foi descrito por cientistas de três instituições do Brasil e uma dos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que essa quantidade identificada é a maior da ornitologia brasileira dos últimos 140 anos.
Os cientistas reuniram dados de trabalhos feitos anteriormente, além de análises genéticas e comparações morfológicas, para chegar à conclusão de que se tratavam de novas espécies que vivem no bioma amazônico, um dos que possui a maior biodiversidade do mundo.
As novas espécies foram encontradas no sul da Amazônia, em áreas dos estados do Amazonas, Pará, Acre, além de trechos de Rondônia e Mato Grosso. Quase todas vivem em áreas próximas de rios, como o Tapajós, Madeira, Roosevelt e Purus, ou em regiões isoladas, ora com vegetação alta, ora com mata rasteira, conhecida como campina ou campos amazônicos.
Segundo Luis Silveira, professor doutor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos pesquisadores do trabalho, os artigos científicos serão publicados entre o fim de junho e começo de julho em um volume especial da publicação “Handbook of the birds of the world”, especializada em detalhar novas aves de diversas partes do mundo.
Dados como nomes científico ou informações sobre localização e hábitos das espécies não puderam ser antecipados pelos pesquisadores. Não há imagens registradas de todas as aves, já que, em alguns casos, foram feitas apenas observações e, posteriormente, ilustrações que serão divulgadas no livro.
O G1 teve acesso a 12 dos 15 nomes populares da aves, além da avaliação sobre a situação destas espécies na natureza.
Para se obter tal informação, Silveira explica que é feito um cálculo baseado em três fatores: tamanho efetivo da população, pressão sofrida pelo habitat e características próprias da história deste animal.
Mais descobertas – Silveira afirma que o número de novas espécies na Amazônia pode aumentar nos próximos anos, já que outros animais que aparentemente ainda não foram descritos já foram localizados pelos cientistas em incursões pela floresta. “Dessa nova leva, devemos ter mais cinco novas espécies de aves descritas nos próximos anos”, explica.
Das 15 novas aves, 11 só são encontradas no Brasil. As demais podem ser vistas também no Peru e na Bolívia. Porém, a descoberta vem acompanhada de um alerta: ao menos quatro espécies já são consideradas vulneráveis na natureza: o arapaçu-barrado-do-xingu, o arapaçu-do-tapajós, o poiaeiro-de-chicomendes e a cancao-da-campina.
Outra coincidência alarmante é que os membros recém-descritos da fauna brasileira vivem em uma região denominada “Arco do Desmatamento”, trecho que compreende uma faixa entre a Bolívia e o Brasil, que passando por Mato Grosso, Pará e Rondônia, e é conhecida pelas altas taxas de destruição da floresta e queimadas devido ao avanço dos centros urbanos e ao aumento das atividades agropecuárias.
“Várias destas espécies são bichos com hábitos especializados. Qualquer alteração nesses pontos específicos pode representar sua eliminação. Queremos chamar a atenção para esse volume de descobertas para que se possa tomar uma decisão mais sábia e sustentável para o uso deste bioma”, afirma.
Nova gralha pode desaparecer – Uma das espécies consideradas vulneráveis é a gralha cancão-da-campina, que vive em uma área de campina amazônica, entre os rios Madeira e Purus, ao sul de Manaus (AM).
O ornitólogo Mario Cohn-Haft, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), tenta desde 1998 obter informações desta ave, descoberta por acaso durante uma expedição.
Em 2005 ele conseguiu mais dados sobre esta espécie, apesar de descrevê-la apenas agora. No entanto, segundo ele, a população desta ave já estaria sentindo uma queda no número de indivíduos devido ao avanço das atividades humanas.
Essas gralhas vivem no limite entre os campos amazônicos e áreas de floresta densa. Seu habitat é, justamente, o limite entre essas vegetações rasteira e alta. No entanto, de acordo com o pesquisador, as áreas abertas em que essas aves são encontradas – que não são trechos desmatados, mas terrenos naturalmente savanizados – são alvos frequentes da agricultura e da pecuária.
“Há uma lógica popularmente divulgada, mas sem efeito científico, de que campos abertos podem ser usados para a agropecuária, pois não seriam caracterizados como áreas de desmate e não afetariam o meio ambiente. Converter qualquer ambiente natural em uma diferente estrutura altera a biodiversidade daquela região”, explica Cohn-Haft.
Outras ameaças citadas pelo cientista são a proximidade da área com a rodovia federal BR 319, que liga Manaus a Porto Velho, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau em Rondônia, além da expansão agropecuária e atividades mineradoras em municípios como Humaitá, Boca do Acre (no AM).
“A Amazônia realmente tem uma diversidade grande. Mesmo tendo um dos grupos de aves mais conhecidos, descobrir novas espécies ‘debaixo do nosso nariz’ chama a atenção para a riqueza da floresta. A Amazônia continua oferecendo surpresas, muito além do que imaginávamos”, afirma o cientista.
Os trabalhos foram feitos por cientistas e estudantes de pós-graduação da USP, do Inpa, além do Museu Paraense Emílio Goeldi, de Belém (PA), e do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania, dos Estados Unidos. (Fonte: G1)
Animais têm dieta reforçada com pinhão para afastar o frio no RS
Para espantar o frio que chegou ao Rio Grande do Sul nesta quinta-feira, com temperatura e sensação térmica negativas, os animais do zoológico de Gramado, na Serra, ganharam um reforço na dieta: o pinhão. O fruto integra o cardádio de primatas, ouriços, papagaios, maitacas, gralhas e araras que vivem no local. Além do pinhão, os animais contam com sistemas de aquecimento e cobertores. Nesta quinta-feira (16) pela manhã, o município de Gramado registrou 6ºC, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
“Inserindo o pinhão na dieta, estamos recriando o habitat e proporcionando enriquecimento ambiental”, explica o veterinário Renan Stadler, responsável técnico do Gramadozoo. Ele espera recriar o habitat e proporcionar um enriquecimento ambiental, principalmente para aves oriundas das florestas de araucárias, como a gralha-azul e o papagaio-charão. “Com a dieta reforçada, nosso índice de internação hospitalar é zero”, diz.
A onda de frio segue nos próximos dias no Rio Grande do Sul, e a previsão indica um amanhecer mais gelado na sexta-feira (17). Podem ser registradas mínimas negativas novamente nos Campos de Cima da Serra Geral e na Campanha.
A maior parte dos municípios deve começar o dia com temperaturas entre 0°C e 5°C. Nesta quinta-feira, 20 municípios bateram recorde de frio em 2013. (Fonte: G1)
Aparição de água-viva rara no litoral norte de SP preocupa ambientalistas
A presença de uma espécie exótica de água-viva em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, preocupa pesquisadores da cidade. A medusa, nativa do oceano pacífico, tem sido encontrada em diversos lugares do mundo e pode causar problemas no ecossistema da região, já que é considerada invasiva na costa brasileira.
A aparição da espécie Phyllorhiza Punctata, conhecida como água-viva australiana manchada, foi constatada no início do mês na praia do Itaguá. “Pescadores e pessoas nos acionaram falando do aumento de águas-vivas. No local, constatamos e identificamos essa espécie. Posteriormente também confirmamos com outros pesquisadores”, disse o oceanógrafo Hugo Gallo, ao G1.
O pesquisador afirmou que a espécie possivelmente tenha aparecido no litoral norte de São Paulo trazida pela água de lastro dos navios. “É importante abrirmos uma discussão nesse sentido com os órgãos ambientais, visto que o porto de São Sebastião pode passar por ampliação e o movimento desses navios deve aumentar consideravelmente”.
Ainda de acordo com o oceanógrafo, a aparição da medusa no litoral norte preocupa os ambientalistas. “Toda espécie exótica causa preocupação. A introdução da espécie inspira cuidados e pode causar problemas ao ecossistema. Ela se alimenta de zooplâncton, ovos e larvas de espécies de peixes nativos, e é considerada invasiva na costa brasileira. O problema é a proliferação massiva”, explicou ao G1.
Além dos problemas ambientais, as águas-vivas podem causar queimaduras em banhistas. Nesses casos, é importante que o banhista não esfregue o local para não espalhar o veneno na pele, enxague com água salgada ou soro fisiológico e procure rapidamente o atendimento médico.
O pesquisador disse ainda que o último registro da espécie na costa brasileira aconteceu em 2006. Em 2000, a ocorrência desta água-viva causou problemas no ecossistema do Golfo do México. Três espécies foram levadas ao Aquário de Ubatuba e estão em exposição ao público. “O objetivo é a gente acompanhar a espécie e analisar também o desenvolvimento em cativeiro”. (Fonte: G1)
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Cãibras: por que sentimos e como evitar?
Não importa se você é atleta ou sedentário, se tem 20 ou 60 anos. Certamente, alguma vez na vida, já sentiu seu músculo contrair involuntariamente e pensou: cãibra! Mas você sabe qual é a causa disso?
Segundo Nicholas Morrissey, cirurgião vascular no NewYork-Presbyterian Hospital/Columbia University Medical Center (EUA), a desidratação, seja pela ingestão de líquidos insuficiente ou exercício contínuo e pesado, é uma das principais causas da dor. “A falta de líquidos provoca uma perda de eletrólitos, sódio, potássio e cálcio, para citar alguns, e se os eletrólitos estão fora de sintonia, você pode ter espasmos”, explica o médico.
Outra causa para o desequilíbrio de eletrólitos e, consequentemente, para as cãibras, é o consumo excessivo de álcool. Além disso, ficar em pé durante muito tempo ou andar sobre superfícies duras e as toxinas ingeridas por fumantes também são fatores que podem resultar em cãibras repentinas.
Mas se estes espasmos musculares aparecem apenas eventualmente, não há com o que se preocupar, garante Morrisey. “Eles podem ser chatos, mas se não aumentarem em incidência, não consideramos um problema sério”.
Porém, se as cãibras persistirem e o fator desidratação for descartado, o médico indica uma investigação mais aprofundada, com exames de sangue, pois o desconforto pode estar ligado a outros problemas, que exigem acompanhamento específico de endocrinologistas, reumatologistas ou, se problemas de circulação estão envolvidos, um médico vascular.
De acordo com ele, algumas atitudes simples ajudam a evitar estas dores: manter-se hidratado e, com isso, manter um bom equilíbrio de eletrólitos é fundamental. Para as pessoas que tendem a ter cãibras musculares durante a noite, ele sugere algumas medidas preventivas, como a ingestão de bebidas isotônicas, que possuem eletrólitos, e também exercícios de fortalecimento muscular antes de dormir.http://hypescience.com/
Planeta está em ‘zona de perigo’ com alta concentração de CO2, diz ONU
A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, que superou pela primeira vez a marca de 400 partes por milhão (ppm) na última semana, deixa o planeta em uma “zona de perigo”, advertiu nesta segunda-feira (13) a secretária-executiva para o clima das Nações Unidas, Christiana Figueres.
“Com 400 ppm de CO2 na atmosfera, superamos o limite histórico e entramos em uma zona de perigo”, afirma Figueres, citada em um comunicado divulgado em Bonn, na Alemanha, sede da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês).
“O mundo tem que acordar e perceber o que isto significa para a segurança dos seres humanos, para seu bem-estar e seu desenvolvimento econômico”, completa Figueres, que destacou também que “ainda existe uma oportunidade para evitar os piores efeitos da mudança climática” e fez um pedido à comunidade internacional para dar uma “resposta política capaz de enfrentar este desafio”.
Ela lembrou também da rodada de negociação climática entre os países, que deve ocorrer no fim do ano na Polônia, que terá como foco a construção de um novo plano global para conter as altas taxas de CO2 na atmosfera.
O novo tratado (ou protocolo) está previsto para ser assinado em 2015 e entrar em vigor a partir de 2020 – tempo de espera considerado longo por nações vulneráveis para assumir compromissos mais firmes. Ele substituirá o Protocolo de Kyoto, único acordo já ativo pelo qual parte dos países ricos se compromete a reduzir seus gases estufa.
Limite simbólico – Na última quinta-feira (9), o observatório situado no vulcão de Mauna Loa, no Havaí, registrou uma concentração de CO2 de 400,03 ppm, informou a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês).
Apesar desta ser uma medida pontual, a média anual de 2013 deve superar os 400 ppm, um número simbólico que marca uma tendência inquietante do planeta para o aquecimento, segundo os analistas.
O objetivo fixado pela comunidade internacional em 2009 é manter o aquecimento global a uma elevação máxima da temperatura de 2 ºC em relação aos níveis registrados antes da era industrial. Caso os 2 ºC sejam superados, os cientistas consideram que o planeta entrará em um sistema climático marcado pelos fenômenos extremos.
Com uma média anual de 400 ppm de concentração de CO2, o aquecimento global previsto será de pelo menos 2,4 ºC, segundo o relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). E as perspectivas são pessimistas: as emissões de CO2 na atmosfera não param de aumentar e, caso a tendência persista, a temperatura pode aumentar entre 3 e 5 graus.
Emissões descontroladas – Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado no ano passado alertou que, mesmo se até 2020 os países aplicarem políticas públicas que ajudem a reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o limite máximo proposto pelos cientistas para aquela data terá sido ultrapassado.
De acordo com o relatório “A lacuna das emissões”, em tradução livre do inglês, mesmo que todos os países cumpram nos próximos oito anos o que foi prometido em acordos climáticos firmados em conferências da ONU, eles ainda emitiriam 8 bilhões de toneladas (gigatoneladas) de gases a mais que o limite proposto para 2020.
O teto de emissões fixado por cientistas para 2020 é de 44 gigatoneladas de CO2 equivalente (medida que soma a concentração de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros gases).
No entanto, há um cenário pior, caso nada seja feito. Se nos próximos oito anos nenhum governo cumprir o que prometeu e as políticas verdes deixarem de ser vistas como prioridade – acrescentando ainda o desenvolvimento econômico previsto para o período, as emissões de gases ultrapassariam em 14 gigatoneladas o limite calculado pelos cientistas. (Fonte: Globo Natureza)
Vírus mutante da pneumonia pode ser transmitido entre humanos
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma nova variação do coronavírus (NCoV) pode ser transmitida entre humanos.
Segundo a organização, o vírus, que provoca pneumonia, provavelmente é transmitido pelo "contato próximo entre as pessoas".
Desde 2012, foram 33 casos confirmados na Europa e no Oriente Médio, com 18 mortes, causados pela nova mutação do vírus.
O Ministério da Saúde da França havia acabado de confirmar um segundo caso de contaminação pelo vírus - este, provavelmente transmitido de um indivíduo a outro.
Na Arábia Saudita, mais duas pessoas morreram em decorrência da infecção pelo mesmo vírus.
Pelas informações disponíveis até agora, embora cause primariamente pneumonia, a infecção também pode se tornar fatal quando o vírus leva o paciente à falência renal.
A OMS expressou preocupação com alguns focos de casos do novo coronavírus e com seu potencial de proliferação.
"A maior preocupação é com o fato de diferentes focos em diferentes países confirmarem a hipótese de transmissão de pessoa para pessoa em caso de contato próximo", informou a OMS em nota.
O novo coronavírus é um vírus diferente, mas é da mesma família daquele que causou uma epidemia de síndrome respiratória aguda grave (SARS) a partir da Ásia em 2003. Com informações da BBC
Aplicativos de smartphone burlam lei e exibem propagandas de cigarro
Cigarro – todos nós sabemos seus males, e, se temos mais de 18 anos, podemos decidir conscientemente se queremos ou não nos submeter a eles.
No entanto, haja quanta discussão houver, a lei decidiu que crianças e adolescentes não estão preparados para tomar essa decisão, e que a propaganda deste produto deve ser restrita – e os números mostram que é por uma boa razão.Pesquisas apontam que 90% dos fumantes começam a fumar antes dos 21 anos. Além disso, nos últimos quinze anos, a idade em que meninas e meninos começam a fumar está cada vez mais baixa. Obviamente atenta a essa tendência, a indústria do tabaco dirige sua publicidade para crianças e adolescentes.
No Brasil, a propaganda do cigarro é proibida a não ser pela exposição dos produtos nos locais de vendas, desde que acompanhada das cláusulas de advertência. A lei impõe outras condições, mas, no geral, impede o estímulo ao consumo do cigarro e cita que a propaganda não pode associar ideias ou imagens de maior êxito na sexualidade das pessoas, insinuando o aumento de virilidade ou feminilidade de pessoas fumantes.Será que isso é exagero?
Um exemplo marcante das consequências da propaganda comercial do tabaco remete aos comerciais de uma marca de cigarro estrelados por um camelo simpático de óculos escuros em cima de uma moto, criado pela R. J. Reinolds, exibidos nos EUA em 1988.
Três anos depois de lançada a campanha, diversos estudos mostraram que as crianças e adolescentes eram capazes de reconhecer o personagem e associá-lo à marca de cigarro. Um desses estudos mostrou que o camelo era tão conhecido pelas crianças de seis anos quanto o Mickey.
Levantamentos concluíram que o número de adolescentes compradores da marca do camelo aumentou de 0,5% para 32%. No mesmo período, as vendas da marca subiram de US$ 6 milhões para US$ 476 milhões (cerca de R$ 12,3 a 980,9 mi).
Resumindo: fumantes começam a fumar na infância e na adolescência, e uma boa parte o faz por conta de propagandas.
Mas estamos seguros, porque elas são proibidas, certo? Não. A lei tem um grande inimigo: a internet. Um estudo de 2012 feito pela Universidade de Sydney (Austrália) e publicado na revista Tobacco Control mostrou que a indústria do tabaco está usando aplicativos de smarphone – um meio que tem alcance global, inclusive e principalmente a crianças e adolescentes – para promover seus produtos.
Aplicativos fumáveis
A disponibilidade de conteúdo pró-fumo em aplicativos parece estar violando o artigo 13 da Convenção de Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), que proíbe a publicidade e promoção de produtos de tabaco em todos os meios de comunicação.
Em fevereiro de 2012, os cientistas pesquisaram a disponibilidade de aplicativos “pró-fumo” nas duas das maiores lojas de aplicativos para smartphones (Apple e Android Market) existentes, usando palavras-chaves “fumaça”, “cigarro”, “charuto”, “fumar” e “tabaco”.
Aplicativos que explicitamente forneceram informações sobre marcas de tabaco, onde comprar produtos, imagens de marcas de ou cigarros e quaisquer sugestões para fumantes foram definidos como “pró-fumo”.
Os pesquisadores encontraram 107 aplicativos pró-fumo. Alguns continham imagens explícitas de marcas de cigarros, outros imagens que se pareciam com marcas existentes. Alguns ainda permitiam ao usuário simular o fumo. Ao todo, 48 foram classificados como “simulação de fumo”; 42 como “loja/marcas”; 9 como “aplicativos de bateria de cigarro”, pois mostravam um cigarro aceso para demonstrar a quantidade de bateria disponível; 6 como “papel de parede de fundo”; 1 como “defesa do fumo” e 1 como “fornecimento de informações”.
42 dos aplicativos estavam no Android Market e tinham sido baixados por 6 milhões de pessoas. Os aplicativos mais populares foram os de simulação de fumo da Android.
Os pesquisadores reconhecem que alguns dos aplicativos de simulação reivindicam ajudar a cessação do tabagismo (a simulação serve para substituir o fumo), apesar de não haver evidências que mostram que esta abordagem funciona. De qualquer maneira, eles foram incluídos na contagem porque se assemelhavam a marcas de cigarros ou porque foram publicados sob os títulos de “entretenimento”, “jogos”, ou “estilo de vida”.
Porque isso é um problema
Em 2011, o número de assinantes de telefonia móvel atingiu pouco menos de 6 bilhões – 2,5 vezes mais do que o número total de assinantes de internet -, e smartphones representam cerca de um em cada três aparelhos no mundo desenvolvido.
Os jovens são particularmente vulneráveis a essas propagandas, por causa da popularidade dos smartphones entre esta faixa etária, bem como o apelo dos aplicativos.
O órgão regulador de telecomunicações do Reino Unido, Ofcom, descobriu em 2011 que quase metade dos adolescentes pesquisados possuía um smartphone. Uma análise feita pela Nielsen Company mostrou que no segundo trimestre de 2010, adolescentes americanos assinantes de telefonia móvel aumentaram sua frequência de download de aplicativos de 26% para 38%, em comparação ao ano anterior.
“Conteúdo pró-fumo, incluindo imagens de marca de cigarro explícitas, é promovido em aplicativos de smartphones, que estão alcançando milhões de usuários, incluindo adolescentes e crianças. Lojas de aplicativos precisam explorar maneiras de regular esse conteúdo”, concluem os pesquisadores.
Segundo eles, as lojas de aplicativos têm uma moral (e provavelmente) uma responsabilidade legal de garantir que tenham a infraestrutura para cumprir com a medida da OMS e outras leis que restringem a publicidade de tabaco a menores de idade.[MedicalXpress, TC, Planalto, DrauzioVarella]
Consulta pública sobre plano de mudanças climáticas começa em julho
Em dois meses, os brasileiros vão poder apresentar sugestões para que os diversos setores da economia do país, como a indústria e o setor de transportes, reduzam as emissões de gases de efeito estufa. A primeira versão revisada do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que deve incluir essas metas, deve ser colocada em consulta pública na internet e em encontros regionais a partir de julho.
“A nova versão vai trazer um grande avanço em relação ao que já está proposto no plano anterior”, garantiu Karen Cope, diretora de Licenciamento e Avaliação Ambiental da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, ligada ao Ministério do Meio Ambiente. Segundo ela, os planos setoriais já começaram a ser implantados.
Se conseguir consolidar todas as contribuições apresentadas pela população, o governo deve apresentar a versão final do plano até o fim do ano. O documento deveria ter sido concluído no ano passado.
O prazo para revisão estava previsto na versão original do plano, elaborado em 2008. No final de 2010, com a criação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, o governo decidiu que o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas deveria incorporar os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas. Pelo mesmo decreto que instituiu a política, o prazo para que os planos setoriais fossem apresentados era 15 de dezembro de 2011. Mas, as metas de alguns setores, como os de saúde e mineração, ainda não foram divulgadas.
Esta semana, representantes do Observatório do Clima e do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento cobraram a apresentação de planos de quatro setores. Apesar do apelo do governo pelas contribuições do grupo, as 700 organizações que formam a rede se recusam a participar do processo sem um rascunho desses textos.
O argumento é que não poderiam comentar o conteúdo sem ter acesso a mais informações. As organizações entregaram uma carta à ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, pedindo o texto final dos documentos que preveem metas da indústria, dos transportes, da saúde e da mineração.
Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, que integra as duas organizações, reconhece que o Brasil avançou com o plano de 2008, mesmo que a política de mudanças climáticas só tenha sido instituída depois. Mas, segundo ele, a desarmonia nas datas dos dois documentos acabou fazendo com que não houvesse estratégia.
“Não é plano de ação que nos leva a um processo de desenvolvimento de baixo carbono, e não trouxe inovação. O plano não tem metas, apenas alguns objetivos específicos”, disse, destacando a redução de perda de floresta que tem avançado, conforme mostram levantamentos de satélites e operações de fiscalização e combate ao crime ambiental. Os movimentos sociais cobram documento com metas e ações precisas e claras. (Fonte: Agência Brasil)
Países amazônicos querem romper ‘dependência científica’ dos mais ricos
A maior parte do conhecimento e da informação científica que existe sobre a Amazônia é produzida por países alheios à região, uma realidade que a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) está disposta a mudar.
“É uma grande deficiência que se deve resolver, pois sabemos da Amazônia do ponto de vista e dos interesses deles”, disse o diplomata surinamês Robby Ramlakhan, secretário-geral da OTCA, que é formada por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
Segundo dados em poder desse organismo regional, 70% de todos os estudos científicos sobre a Amazônia são produzidos pelos Estados Unidos, países da União Europeia (UE) e outros alheios à região.
Dos 30% restantes, a maioria é produzido no Brasil, mas em grandes centros urbanos distantes da região amazônica, onde ficam instituições científicas que são responsáveis por somente 3% dos estudos.
Essa geração de conhecimento nos países mais desenvolvidos favorece em muitos casos grandes laboratórios transnacionais, que se valem dessa informação para patentear produtos baseados nas propriedades da flora amazônica, que são obtidos com comunidades locais que não ganham nada em troca.
Para dar uma reviravolta nessa realidade, Ramlakhan explicou que os países-membros da OTCA se comprometeram a reforçar a ação desse organismo através da criação de um Observatório regional e uma rede de institutos científicos que serão destinados a estudar a região do ponto de vista “próprio”.
A decisão foi tomada em reunião de chanceleres e autoridades da OTCA realizada no dia 3 de maio na cidade de Coca, no coração da selva equatoriana, e segundo Ramlakhan representa um compromisso com “a identidade e a soberania” amazônica.
A informação gerada pelo Observatório, que pretende ser uma referência em assuntos de biodiversidade e recursos naturais, servirá para definir ações a favor da proteção do “conhecimento tradicional” e também será a base para elaborar políticas públicas para a região, explicou o diplomata surinamês.
Na reunião de Coca também foi acertado fortalecer o orçamento da OTCA, que atualmente é de US$ 1,6 milhão anuais e só dá para cobrir as despesas básicas de funcionamento.
Segundo Ramlakhan, a ideia é que o orçamento permita custear os diversos projetos que esse organismo desenvolve, que até agora são financiados totalmente pelos países mais desenvolvidos, entre os quais citou Alemanha e Holanda.
“Se se fala de soberania não se pode depender de financiamento externo”, argumentou o secretário-geral da OTCA.
Nesse sentido, os países amazônicos encorajarão suas empresas públicas e privadas a participar do financiamento de projetos de pesquisa e proteção do ecossistema, mas também de inclusão e desenvolvimento social.
“A população amazônica quer emprego e melhorar sua renda, e para isso é necessário incorporar à agenda regional planos de combate à pobreza e de inclusão produtiva, que incorporem a Amazônia às economias nacionais”, disse Ramlakhan.
O primeiro passo nessa direção foi dado pelo Brasil, que através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) doou US$ 12 milhões para a instalação de um sistema de controle da cobertura florestal, que facilitará as ações contra o desmatamento.
“Esse exemplo deve ser seguido pelos outros países amazônicos, que em maior ou menor medida também estão em condições de fazer aportes financeiros para proteger um ecossistema que é de todos”, concluiu Ramlakhan. (Fonte: Terra)
Tipo de agrotóxico suspeito de matar abelhas no mundo é usado no país
Está em discussão no Brasil a possível proibição de defensivos agrícolas neonicotinoides, produtos sob suspeita de serem nocivos para abelhas, insetos que têm registrado um aumento da taxa de mortalidade em diversas partes do mundo.
O governo alega que não há motivo para pânico no país, mesmo após a decisão da União Europeia em proibir por dois anos a comercialização desses agrotóxicos e receber notícias alarmantes de mortes de abelhas nos Estados Unidos.
No fim de abril, a UE votou por implantar uma moratória de dois anos, valendo a partir de julho, para este grupo químico de inseticidas, que emprega compostos como a clotianidina, a imidacloprida e o tiametoxam. A decisão foi tomada mesmo com manifestações contrárias do setor agrícola, que alega não haver dados suficientes sobre o impacto destes produtos nas populações de abelhas.
Já os Estados Unidos, que também analisam o emprego desses compostos, divulgaram no começo de maio que quase um terço das abelhas de colônias morreu no último inverno (2012-2013) e, nos últimos seis anos, as taxas de mortalidade atingiram 30,5%. A exposição a inseticidas é uma das hipóteses avaliadas pelo Departamento de Agricultura do país.
Colônias em colapso – De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), apesar de preocupante, a situação do Brasil não é alarmante.
Segundo Marcio Freitas, coordenador geral de avaliação de substâncias químicas do Ibama, a possível relação do uso dos neonicotinoides (que tem origem na molécula de nicotina) com as mortes de abelhas começou ser discutida internacionalmente partir de 2008.
Há três anos o instituto investiga o impacto de inseticidas na apicultura nacional. Entre 2010 e 2012, identificou mais de cem casos de mortes em massa de abelhas pelo país, e todas elas estariam relacionadas à pulverização de agrotóxicos.
Investigações científicas publicados em periódicos como a “Nature” sugerem que tais produtos provocam uma intoxicação nas abelhas, um fenômeno chamado de “distúrbio do colapso das colônias”, quando os insetos não retornam às colmeias e morrem fora dela, após o corpo sofrer um “curto-circuito” devido à excessiva exposição aos componentes químicos.
Prejuízo na economia – Em 19 de julho de 2012, uma portaria publicada no “Diário Oficial da União” proibiu temporariamente a pulverização de defensivos com clotianidina, imidacloprida e tiametoxam por via aérea, até que uma reavaliação dos produtos fosse feita.
Porém, explica Freitas, por ser prejudicado com a medida, o setor agrícola do país, incluindo o Ministério da Agricultura, se mobilizou contra a decisão, que foi alterada por uma nova portaria, desta vez publicada em janeiro deste ano. A regra também valia para o fipronil.
Com isso, as culturas de soja, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar poderiam continuar a pulverização com agrotóxicos neonicotinoides na safra 2012/2013, exceto no período de floração, mas teriam que notificar apicultores ao menos 48 horas antes de as aplicações ocorrerem. “O setor agrícola elencou uma série de prejuízos econômicos se o uso desses produtos fosse interrompido”, disse Freitas.
Em termos globais, os serviços de polinização prestados pelas abelhas, no ecossistema ou nos sistemas agrícolas, são avaliados US$ 54 bilhões/ano.
Ainda segundo Freitas, apesar de o Brasil utilizar os mesmos tipos de agrotóxicos empregados na Europa e nos EUA, a decisão de seguir o caminho da União Europeia, vetando de vez os produtos, causaria um impacto muito maior na agricultura brasileira. Para ele, a Europa tem uma quantidade muito menor de insetos e, por isso, a percepção da redução ficou amplificada.
De acordo com o representante do Ibama, produtoras de defensivos já realizam testes adaptados à realidade brasileira, seguindo metodologias criadas na Europa. “Vamos saber se, de fato, o uso desses defensivos causa a toxicidade crônica das abelhas. Isso pode determinar a alteração na condição do registro desses produtos, levando à proibição ou limitação de uso para determinadas culturas”, explica Freitas.
Resultados sobre a reavaliação dos compostos químicos devem ser divulgados até o fim do ano, segundo o Ibama. Inicialmente, apenas a imidacloprida está em análise. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura pesquisa compostos alternativos para substituir defensivos agrícolas neonicotinoides.
Risco para a polinização – Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), estima-se que 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo sejam polinizadas por alguma espécie de abelha.
Em termos globais, os serviços de polinização prestados por estes insetos – seja no ecossistema ou nos sistemas agrícolas – são avaliados em US$ 54 bilhões por ano.
De acordo com José Gomercindo Correa da Cunha, presidente da Câmara setorial do Mel no Ministério da Agricultura, a mortalidade de abelhas preocupa várias entidades e os produtores de mel, que são cerca de 350 mil.
“No Brasil temos as abelhas africanizadas (resultantes do cruzamento de abelhas africanas e europeias), além de 150 espécies nativas, que produzem polinização especializada e contribuem com a biodiversidade. Já existem defensivos menos agressivos ao meio ambiente. Essa sinalização da Europa certamente será acompanhada de perto”, disse Cunha.
‘Celeiro do mundo’ – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um aumento no uso de agrotóxicos entre 2000 e 2009, quando a relação de quilos por hectare aumentou de 3 kg para mais de 3,5 kg. Em 2010, o país ultrapassou a marca de um milhão de toneladas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em 2008, o Brasil se destacou como o maior consumidor do produto no mundo, respondendo por 86% da quantidade de agrotóxico vendida na América Latina.
Entre os agrotóxicos mais usados no país destacam-se os herbicidas (71,1%), os inseticidas (66,4%) e os fungicidas (55,3%).
De acordo com Ricardo Camargo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, a atual prática agrícola do Brasil oferece risco a todos os animais polinizadores (insetos, aves e mamíferos).
“Não há prática sustentável, mas sim aplicação massiva de defensivos, com muita gente usando doses acima dos limites permitidos e materiais que já foram banidos em outros países”, explica.
“Toda a biodiversidade está sendo prejudicada quando se passa um pesticida, que pode tentar matar um agente, mas pode impactar o seu redor. Usa-se muito a informação de que o Brasil é o celeiro do mundo, mas a que preço estamos nisso?”, complementa o pesquisador. (Fonte: G1)
Brasil luta para evitar extinção da onça-pintada
Na lista dos animais ameaçados de extinção, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, a onça-pintada se transformou em símbolo de ações de preservação. Considerado o maior felino do continente americano, a espécie se concentra principalmente no Brasil. O país busca trabalhar num programa internacional de conservação da espécie que abrange todos os países onde ela ocorre.
A intenção é elaborar uma estratégia de ação em conjunto com pesquisadores para envolver toda a sociedade num programa de proteção da espécie. Não é possível estimar a quantidade de indivíduos de onça-pintada no país, segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap). O tamanho da Amazônia e da população do Pantanal dificultam o trabalho. Na Mata Atlântica e na Caatinga, a espécie está criticamente ameaçada. Há uma população muito pequena do animal e a necessidade de ações urgentes para conservação.
Se não forem tomadas medidas imediatas, em 80 anos, a espécie deve estar extinta em algumas regiões da Mata Atlântica, alerta o chefe do Cenap, Ronaldo Morato. Para evitar que isso ocorra, há diferentes ações e grupos voltados à preservação da onça-pintada no Brasil. A identificação de áreas prioritárias para conservação do animal é uma das ações iniciais. O Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Pintada inclui 25 áreas de conservação. Apesar do trabalho, “a espécie continua na categoria ameaçada de extinção. Ainda não conseguimos modificar esse status”, lamenta Morato. Proteger a espécie e diminuir os impactos sobre ela é um dos objetivos do Cenap, órgão vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Segundo especialistas, um dos principais desafios da preservação da espécie é a perda de território e o comprometimento do habitat natural da onça-pintada, já que muitas das áreas foram afetadas pelo desmatamento. A transformação do ambiente natural da espécie em atividades agropecuárias ou pastagens nativas é crítica para o animal.
A caça predatória também se configura como um desafio a ser superado. Fatores econômicos e culturais envolvem a perseguição à onça-pintada, já que, entre os peões, a caça ao animal é vista como um ato de bravura. A educação ambiental sobre a importância da espécie torna-se um aliado do trabalho de preservação. A intenção é atingir as comunidades próximas de onde o animal ocorre. Em locais onde há criação de gado, o animal entra em conflito com produtores rurais.
“A onça acaba matando o gado para se alimentar. Muitas vezes esse conflito termina na morte do animal”, alerta. A falta de informação torna a relação com o animal conflituosa, daí a necessidade de um trabalho ambiental que mostre a importância de mantê-lo: “É um animal que ao mesmo tempo é adorado como um deus e odiado como um diabo. As pessoas têm medo, acham que ele pode atacar.” Um trabalho muito forte nesse sentido é feito pela ONG Escola da Amazônia, que trabalha para promover a relação entre homem e onças.
Equilíbrio dos ecossistemas – Os grandes predadores, no caso dos felinos, desempenham um papel ecológico considerado fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. Eles são os chamados “topo de cadeia alimentar”, agem como “reguladores”. Esses animais atuam na regulação do tamanho populacional de outras espécies. Por isso, a ameaça de extinção da onça-pintada pode contribuir para um crescimento desenfreado da população de outros animais, como veados e porcos-do-mato por exemplo.
Em algumas regiões, são observados casos típicos de explosões da população de capivara e de doenças relacionadas a esse aumento populacional, como febre maculosa, que pode afetar humanos.
Uma alternativa de quem pesquisa o tema é usar a onça como atrativo para turistas, a exemplo do que fazem países na África, onde esta é a principal fonte de renda para diferentes comunidades. “Pregamos que o animal vale mais vivo do que morto”, define Ronaldo. Para ele, o turismo de avistamento de animais pode ser implementado no país. No Pantanal, há um projeto piloto de transformação de uma propriedade em ponto de referência para turismo de avistamento de animais. A ideia é expandir para todo o Pantanal e mostrar para os proprietários da região que se pode ter retorno econômico com a presença da onça.
Sobre o animal – A onça-pintada é considerada um símbolo da biodiversidade brasileira. O mamífero exerce fascínio sobre a população desde os tempos pré-colombianos. A cultura dos povos ancestrais esteve vinculada ao animal. Os grande felinos são símbolos onde eles ocorrem. “Os tigres na Índia e na China; os leões na África; os leopardos na África e na Ásia; A onça-pintada, em toda a extensão onde ela ocorre. São animais esteticamente muito bonitos, símbolos de força e beleza”, explica Morato.
A onça é o maior carnívoro da América do Sul. Pode medir mais de dois metros e pesar quase 160 quilos. No Brasil, é encontrada principalmente na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Além do Brasil, também está presente em praticamente toda a América do Sul, do norte da Argentina ao sul dos Estados Unidos. Em cada uma das áreas, o animal está ameaçado em algum grau de intensidade. O predador está no topo da cadeia alimentar e é exclusivamente carnívoro. É responsável por importante função ecológica, por regular espécies presas, como capivaras e jacarés. A onça é uma das 627 espécies da fauna ameaçada de extinção, segundo oLivro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. (Fonte: Terra)
OMS diz que novo vírus pode ser transmitido de pessoa a pessoa
A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou neste domingo (12) que parece provável que o novo coronavírus, que tirou a vida de 18 pessoas no Oriente Médio e na Europa, seja transmitido entre pessoas por meio de contato próximo. O coronavírus é da mesma família viral que protagonizou o surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês) que varreu o mundo, partindo da Ásia no início de 2003, e que matou 775 pessoas.
No entanto, de acordo com informações da agência de notícias Reuters, o diretor-geral assistente da OMS, Keiji Fukuda, disse a jornalistas em Riad — em pronunciamento após visita à Arábia Saudita, palco da maior série de infecções — que não há evidência de que o vírus é capaz de sustentar “transmissão generalizada em comunidades”.
Contudo, ele acrescentou: “O que mais preocupa é o fato de que as diferentes manifestações vistas em vários países, cada vez mais apoiam a hipótese de que quando há contato próximo, esse novo coronavírus pode ser transmitido de pessoa a pessoa”.
Um especialista em saúde pública, que recusou-se a ser identificado devido à sensibilidade do assunto, disse que “contato próximo” nesse contexto significa compartilhar um mesmo espaço pequeno e fechado com uma pessoa infectada por um período prolongado. (Fonte: G1)
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