domingo, 16 de setembro de 2012
Medo da extinção assombra fórum global de conservação CLIPPINGMedo da extinção assombra fórum global de conservação
O maior fórum mundial de preservação da biodiversidade foi aberto na quinta-feira (6) na Coreia do Sul, sob a sombra do alerta de que o modelo negligente de desenvolvimento está arruinando a saúde do planeta, empurrando milhares de espécies para a extinção.
“Para salvar a Terra, todos os países devem trabalhar juntos, reconhecendo que compartilham um destino comum”, afirmou o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, durante a cerimônia de abertura do Congresso Mundial de Conservação.
Lee afirmou que o estado do mundo natural foi “severamente comprometido” com o desenvolvimento desenfreado, que reduz a biodiversidade, levando quase 20.000 espécies à beira da extinção.
“Nós não podemos imaginar formas de resolver as mudanças climáticas, a pobreza ou a falta de água, de comida e de recursos energéticos separadas da natureza”, acrescentou o presidente.
Mais de 8.000 autoridades governamentais, membros de ONGs, cientistas e diretores de empresas de 170 países estão no resort da ilha sul-coreana de Jeju para o congresso de 10 dias dedicado ao meio ambiente e à biodiversidade.
A conferência quadrienal é realizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), cujo presidente, Ashok Khosla, reforçou a necessidade de uma abordagem holística socioeconômica dos esforços de conservação.
“As políticas e as ações de preservação não podem ser bem sucedidas no longo prazo a menos que os países e as comunidades usem seus recursos de forma eficiente, distribuam os benefícios de forma justa e deem poder a seus cidadãos ativa e inclusivamente”, declarou Kosla.
A conferência é realizada tendo como pano de fundo alertas científicos de um risco de extinção em massa, quando espécies lutam para sobreviver em um mundo de habitats esgotados, afetadas pela caça e sufocadas pelas mudanças climáticas.
Em um relatório publicado durante a cúpula Rio+20 sobre sustentabilidade, em junho, a IUCN informou que das 63.837 espécies analisadas, 19.817 correm risco de extinção.
A atualização de sua “Lista Vermelha” identificou como ameaçadas 41% das espécies de anfíbios, 33% dos corais construtores de recifes, 25% dos mamíferos, 20% das plantas e 13% das aves.
Muitas delas são essenciais aos seres humanos, fornecendo alimento, trabalho e constituindo uma piscina genética para melhores cultivos e medicamentos, acrescentou o relatório da organização.
Especialistas afirmam que apenas uma parte dos milhões de espécies da Terra, muitas delas microscópicas, foram formalmente identificadas.
Nos últimos anos, biólogos descobriram novas espécies de rãs e aves em florestas tropicais, uma prova de que a biodiversidade do planeta é apenas parcialmente conhecida.
“Das espécies que conhecemos, centenas de extinções ocorreram entre aves e dúzias entre anfíbios; quanto aos invertebrados e aos insetos, realmente não sabemos quantos podemos ter perdido”, disse no mês passado Tim Blackburn, diretor do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres.
Os países-membros das Nações Unidas se comprometeram, ao assumirem as Metas de Desenvolvimento do Milênio, reduzir a taxa de perda da biodiversidade em 2010, mas estão longe da meta.
Após este fracasso, estabeleceram “um plano estratégico para a biodiversidade” segundo o qual prometeram evitar a extinção das “espécies mais conhecidas”.
Com 11.000 cientistas voluntários e mais de 1.000 funcionários pagos, a IUCN realiza milhares de estudos de campo ao redor do mundo para monitorar e ajudar a gerir os ambientes naturais. (Fonte: Portal iG)
Vaca estéril é clonada para impedir extinção da raça em SC
Pesquisadores do Laboratório de Reprodução Animal da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) clonaram uma vaca da raça Flamenga a partir de células da orelha de uma vaca estéril de 20 anos. A bezerra Brisa Serrana, que nasceu de cesariana nesta semana, em Lages, na Região Serrana do Estado, é fértil, principal objetivo do trabalho.
A raça Flamenga está em extinção no Brasil. O rebanho catarinense tem apenas 50 animais e está enfraquecido pelo cruzamento entre animais com parentesco próximo.
A clonagem foi a solução para fortalecer a espécie. O professor Alceu Mezzalira, 56, coordenador do laboratório, disse que “como os animais aqui existentes são geneticamente parecidos, eles poderiam gerar animais com algumas patologias. A vantagem de Brisa é que ela não possui parentes, portanto teremos a possibilidade de obter animais saudáveis para reprodução”.
O animal que doou a célula para clonagem foi a vaca Tina. Ela nasceu estéril, vítima da patologia Free Martin. Isto ocorre quando a fêmea sofre ação de hormônios masculinos e não desenvolve órgãos sexuais. A célula escolhida veio de uma raspagem na orelha da vaca. Depois do processamento, a célula foi implantada numa segunda vaca.
No mesmo experimento, 32 vacas foram fecundadas do mesmo jeito. Apenas três gestações vingaram. Em agosto do ano passado nasceu Primavera, mas tinha anomalias cardíacas e pulmonares. Morreu poucas horas depois de nascer. Há 10 dias outra vaca hospedeira manteve uma gestação até o final, mas o bezerro nasceu morto.
Segundo Mezzalira, “com cada experiência aprendemos um pouco”. O clone surgiu de uma parceria entre a UDESC e a estatal Epagri. (Fonte: Renan Antunes de Oliveira/UOL)
Relatório alerta para extinção de invertebrados no mundo
Desenterrar minhocas, admirar borboletas e coletar conchas de moluscos, tudo isso pode se tornar coisa do passado se nada for feito para proteger os invertebrados. Um relatório publicado pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), em conjunto com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês), revelou que um quinto dos invertebrados do mundo pode estar ameaçado de extinção.
Os invertebrados formam a base de muitos dos benefícios essenciais que a natureza oferece. As minhocas, por exemplo, reciclam nutrientes de resíduos, e os recifes de coral suportam milhares de formas de vida e as abelhas ajudam na polinização.
Mais de 12 mil invertebrados da Lista Vermelha da IUCN foram analisados por cientistas de conservação. As espécies que estão sob maior risco estão na água doce, depois vêm os invertebrados terrestres, e por último os marinhos. Os resultados deste grupo inicial de avaliações globais, regionais e nacionais fornecem informações importantes sobre o estado geral de invertebrados. Juntos, indicam que a situação de ameaça é provavelmente muito semelhante ao de vertebrados e plantas.
“Invertebrados constituem quase 80% das espécies do mundo, e um total de cinco espécies podem estar em risco de extinção”, explicou Ben Collen, chefe dos indicadores e unidades de avaliações da ZSL. “Enquanto o custo de salvá-los será caro, o custo da ignorância para a sua situação parece ser ainda maior”.
O maior risco de extinção está associado com espécies que são menos móveis e são encontradas apenas em pequenas áreas geográficas. Já as espécies de invertebrados que são mais móveis, como libélulas e borboletas, enfrentam uma ameaça semelhante ao das aves. Cerca de um décimo das espécies estão em risco.
O problema é o tratamento dado aos invertebrados. O professor Jonathan Baillie, diretor de Conservação da ZSL, explica que é dada mais importância na extinção de um leão ou elefante do que de um molusco, por exemplo. “A ecologia de vertebrados e as suas ameaças são razoavelmente bem documentados, e muitas vezes há mais esforço para conservá-los, do que com relação aos invertebrados”, alertou. (Fonte: Portal Terra)
Seca que levou 178 cidades cearenses a decretar emergência vai piorar, preveem especialistas
Há 75 dias sem chuva, a população do Semiárido no Ceará sofre com os efeitos da longa estiagem que afeta o estado. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), esta promete ser a mais rigorosa seca enfrentada pelo estado nos últimos 19 anos e a quinta pior da história. Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a situação ainda vai piorar.
Das 184 cidades cearenses, 178 já decretaram situação de emergência (o governo federal ainda analisa o decreto de quatro municípios). As mais afetadas ficam nas regiões do Sertão Central, Inhamuns e Jaguaribana onde, segundo a Defesa Civil estadual, vivem cerca de 2,5 milhões pessoas.
Para suprir a falta de água potável, o Exército está atendendo a 93 localidades com carros-pipa. Até o dia 10, mais 21 cidades começarão a ser atendidas por carros-pipa disponibilizados pela Defesa Civil do estado por meio de um convênio de R$ 8,3 milhões firmado com o Ministério da Integração Nacional. A expectativa é que este número aumente, já que, segundo a assessora técnica da Defesa Civil estadual Ioneide Araújo, o pior ainda está por vir.
“Com certeza, essa situação ainda vai se agravar. Ainda vamos entrar nos meses mais rigorosos da estiagem, e chuvas consolidadas mesmo, só a partir de fevereiro”, disse Ioneide à Agência Brasil, explicando que 154 municípios cearenses ficam em regiões caracterizadas como Semiárido, onde o período de chuvas só começa em fevereiro.
A preocupação da assessora é reforçada pela Funceme, cujo meteorologista, Namir Mello, informou que, no primeiro semestre deste ano, choveu 50% menos do que a média histórica para a época. Enquanto a média do período é 606,4 milímetros, este ano foram registrados apenas 299,2 milímetros. Fenômeno que, em um ano marcado pelo efeito La Niña – que normalmente torna as chuvas mais regulares no Semiárido nordestino –, pode ter sido provocado pela indefinição nas temperaturas no Oceano Atlântico. De acordo com a Funceme, isso pode ter afetado a zona de convergência intertropical, principal sistema causador de chuvas no Ceará.
“A situação vai se agravar porque choveu pouco no primeiro semestre do ano e a estação da seca vai até novembro. A partir de dezembro, poderemos ter algumas chuvas rápidas e esparsas, próximo ao litoral. Outra coisa é que, por causa da redução de 50% no volume de chuvas, há menos água armazenada nos pequenos açudes, que abastecem as comunidades isoladas e os pequenos produtores rurais. Daí a necessidade do uso de carros-pipa para esses lugares. Os grandes açudes que abastecem as cidades e perenizam os rios estão bem de água”, completou o meteorologista.
Em todo o estado, a falta de chuva também afetou as plantações, provocando o aumento do preço de produtos como o feijão e, consequentemente, da cesta básica de alimentos, conforme revelou um estudo desenvolvido por estudantes do Departamento de Economia da Universidade Regional do Cariri (Urca). Segundo o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), o engenheiro agrônomo José Maria Pimenta, os prejuízos dos produtores rurais com a seca já chega a R$ 1 bilhão e está prevista uma redução de 85% na safra de grãos A estiagem também está afetando o gado, mas, devido a programas estaduais que estimularam o registro, o tamanho do rebanho cresceu em comparação ao último levantamento.
Nesta terça-feira (4), o governo estadual e o Ministério do Desenvolvimento Social realizam uma cerimônia para marcar a instalação de mais uma cisterna de placa de cimento no Semiárido nordestino. Com a instalação do equipamento de armazenamento de água no Assentamento Estadual Serrote Feio, em Madalena, no Sertão Central cearense, chegará a 500 mil o número de cisternas de placas construídas no Semiárido nordestino, 60.820 delas só no Ceará. As cisternas de cimento custam a metade das de plástico e são mais duráveis. (Fonte: Alex Rodrigues/ Agência Brasil)
Manejo adequado e conscientização são armas para combater desertificação, que já atinge 15% do território brasileiro
Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do seu território sob risco de se transformar em deserto, pensar o uso correto da terra é cada vez mais urgente ao Brasil. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que a área suscetível chega a 15% do território nacional e envolve 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a conscientização dos agricultores sobre o manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Para isso, Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação.
“O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando [o problema]. E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia são fundamentais, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro”, argumentou.
Ele acrescentou que a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo.
“O homem do campo tem que entender que suas práticas têm impacto sobre a natureza, mas o homem da cidade também precisa saber que suas ações também têm consequências. É preciso não desperdiçar água em banhos demorados ou em lavagens prolongadas de carros, por exemplo, exaurir rios e mananciais, entre outros”, afirmou.
Segundo Naidison Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.
Menos conhecida e difundida é a saída encontrada pela pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, de 42 anos. Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade, de aproximadamente dois hectares, ela conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de 8 metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada.
“As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira”, contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes. (Fonte: Thais Leitão/ Agência Brasil)
Animais evoluem quando velhos genes aprendem novos truques
Há alguns anos, eu fiz uma caminhada com minha esposa, Jamie, pelo Santuário da Vida Selvagem de Cockscomb Basin, no Belize. A bela e rica reserva é famosa por sua população saudável de onças e, por isso, estávamos seguindo nosso guia de perto, atentos para os indícios da presença desses felinos. Nós vimos algumas pegadas e marcas de garras em árvores e, por isso, decidimos deixar a floresta antes do anoitecer.
Nós estávamos muito próximos do fim da trilha quando fomos surpreendidos por uma grande cobra, de cerca de 1,80 metros, passando bem na nossa frente. Belize tem muitas cobras, mais de 50 espécies. Algumas ficam enormes, tais como a impressionante jiboia, que é inofensiva.
Entretanto, aquela cobra não era inofensiva. Mesmo com pouca luz, o desenho triangular em suas costas me permitiu identificá-la rapidamente como uma fer-de-lance, a cobra mais perigosa do país.
Empolgado e feliz com o fato de que eu estivesse longe do alcance da cobra, peguei minha filmadora na mochila e liguei sua função noturna. Agora eu conseguia ver a incrível beleza da cobra na tela de LCD. Tentei me aproximar para filmar mais de perto, mas senti algo me agarrando pelas costas.
Era Jamie. Ela segurou minha mochila, acreditando que meu entusiasmo por cobra tivesse me deixado sem juízo. Ela não estava convencida de que estivéssemos fora do alcance da cobra, nem de que ela não iria se movimentar rapidamente em nossa direção. Eu usei o zoom e filmei sem sair do lugar.
Para filmar a cobra no escuro, tive de contar com a inovação e com a engenharia da Sony. O LED infravermelho da câmera gerava uma luz com um comprimento de onda superior ao que os olhos humanos são capazes de detectar; esses fótons chegaram até a cobra e voltaram para a câmera, sendo detectados por seus sensores infravermelhos e convertidos em imagem.
Para que a fer-de-lance encontre sua presa no escuro, ela também conta com sensores infravermelhos. Mas essa capacidade, que ela compartilha com um seleto grupo de cobras, foi adquirida à moda antiga. Naturalmente, ela é fruto da evolução. A recente compreensão de como algumas cobras e outros tipos de animais detectam a luz infravermelha fornece alguns interessantes exemplos de como novos estilos de vida podem evoluir quando genes velhos aprendem novos truques.
Parente próxima da cascavel, a fer-de-lance é um tipo de cobra-covinha, membro de um grupo de cobras venenosas que possuem fossas profundas entre as narinas e os olhos. Essas fossas especializadas permitem que as cobras detectem luz infravermelha na forma de calor.
Os seres humanos e outros animais de sangue quente emitem calor na forma de radiação infravermelha. As cobras-covinha são tão boas em detectar esse tipo de radiação que algumas percebem a presença de uma presa em potencial a mais de um metro de distância.
Para entender como evoluíram os sistemas de detecção infravermelha das cobras, um grupo de cientistas liderado pelo professor David Julius, da Universidade da Califórnia em São Francisco, pesquisou possíveis proteínas de detecção de infravermelho em cascavéis-diamante ocidentais. Eles buscaram determinados genes ativos nas células nervosas que são conectados às fossas, conhecidos como neurônios trigêmeos.
Os cientistas descobriram um gene conhecido como TRPA1, que era 400 vezes mais ativo nos neurônios trigêmeos da cascavel do que em outros tipos de neurônios. Além disso, eles descobriram quem o gene TRPA1 não era muito ativo nos neurônios trigêmeos de cobras sem fossas. Essas duas evidências sugerem que o TRPA1 possa codificar a proteína envolvida na detecção de infravermelho.
A proteína TRPA1 era muito conhecida entre os cientistas. Alguns anos antes, o grupo de Julius havia identificado o TRPA1 como um receptor que leva nossa reação às moléculas que reagem à raiz-forte, assim como outros irritantes químicos, como o gás lacrimogênio.
Os genes do TRPA1 codificam um tipo de proteína receptora conhecido como canal de íons. Quando essa proteína é exposta a determinados produtos químicos, o canal se abre nos humanos e em outros mamíferos, permitindo que os íons passem para as células nervosas, dando início a uma sequência de eventos que produz um impulso nervoso.
Entretanto, Julius e seus colaboradores descobriram que nas cobras-covinha o TRPA1 evoluiu para se tornar sensível ao calor. Esse receptor não é ativo na maior parte das cobras com temperaturas inferiores a 37 graus (a temperatura normal do corpo humano), mas o receptor de TRPA1 das cascavéis-diamante é estimulado a cerca de 27 graus, criando uma “imagem térmica” da fonte de calor no cérebro da cobra, que usa a imagem para atacar sua presa.
As cobras-covinha não são os únicos animais, nem a única espécie de cobras, que possuem sensibilidade para a radiação infravermelha. As pítons e as jiboias também possuem fossas na cabeça, que são responsáveis por detectar calor, mas com estruturas diferentes. Julius e sua equipe descobriram que o TRPA1 também era extremamente ativo nos neurônios trigêmeos das fossas de pítons e jiboias, cerca de 65 e 170 vezes mais, respectivamente, em comparação com outros neurônios trigêmeos, e outras fossas de cobras. Da mesma maneira, esses receptores de TRPA1 eram de 5 e 8 graus Celsius mais sensíveis do que as cobras comuns.
Em ambos os grupos de cobras, mudanças na estrutura do receptor de TRPA1, além do surgimento de altos índices de expressão em suas células sensoriais, garantiram a criação de animais com detectores infravermelhos.
A grande distância evolutiva entre as cobras-covinha, as pítons e as jiboias indica que os dois grupos desenvolveram separadamente a sensibilidade à radiação infravermelha.
O que é mais importante a respeito da TRPV1 é que esse é o mesmo receptor que detecta a capsaicina, o ingrediente ativo da pimenta dedo-de-moça, em nossos nervos. É ela que causa a famosa sensação de queimação. Os cientistas descobriram que a forma específica desse receptor encontrada nos neurônios trigêmeos presentes em morcegos vampiros era muito mais sensível ao calor (cerca de 9 graus Celsius) do que nossos receptores de TRPV1, ou o receptor presente nos neurônios de morcegos frutívoros. Portanto, o receptor do morcego vampiro é capaz de detectar o calor de formas que outros morcegos e mamíferos não são capazes.
Tanto os genes do TRPA1 quanto os do TRPV1 têm centenas de milhões de anos, tendo surgido logo no princípio de nossa história evolucionária, quando os vampiros, cobras- covinha, pítons e jiboias eram espécies muito mais jovens. As histórias desses genes e desses animais, além da contínua reinvenção da sensibilidade à radiação infravermelha, demonstram como a evolução de novas capacidades não exige necessariamente novos genes, mas novas variações de genes muito antigos, além de novas formas de usá-lo.
Caso você esteja ansioso por conhecer criaturas tão inteligentes, as três espécies conhecidas de morcegos-vampiros também vivem em Belize. Na época, eu não contei isso para Jamie, mas agora ela sabe. (Fonte: Portal iG)
Apenas 766 municípios brasileiros fazem coleta seletiva de lixo
Dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas 766 realizam coleta seletiva de lixo. A conclusão é da pesquisa Ciclosoft 2012, desenvolvida pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), apresentada hoje no seminário “Politica Nacional de Resíduos Sólidos – A Lei na Prática”, no Rio de Janeiro.
O levantamento considera que o município realiza coleta seletiva quando pelo menos 10% da população faz a seleção do lixo e existe um trabalho de reciclagem, porta a porta ou por cooperativa.
Também é necessário que exista uma pessoa na prefeitura que responda pelo programa de reciclagem e que a ação tenha continuidade.
Apesar do baixo índice em relação ao total do país, o diretor-executivo do Cempre, André Vilhena, destacou o crescimento do número de municípios que fazem coleta seletiva, após a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. Naquele ano, apenas 443 municípios faziam coleta seletiva.
O crescimento nos últimos dois anos é maior do que na comparação entre 2010 e 2008, quando 405 municípios foram identificados como promotores de ações de coleta seletiva. “Tivemos um salto no envolvimento das prefeituras nas regiões Sudeste e Sul. Isso mostra que a lei começa a pegar na prática”, disse Vilhena.
O envolvimento das prefeituras e das empresas com a reciclagem do lixo foi destacada pelo secretário de recursos hídricos e ambiente urbano do Ministério do Meio Ambiente, Pedro Wilson. “Estamos percebendo um humor positivo da população em relação às políticas de resíduos sólidos”, disse.
Segundo ele, as pessoas acreditam que seja importante o compromisso empresarial com o desenvolvimento sustentável. (Fonte: Portal iG)
Cerrado pede socorro
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) deu início, neste sábado (1º), a programação especial que acontecerá ao longo do mês para chamar a atenção da sociedade e os habitantes da região sobre a necessidade de preservar o bioma cerrado, a savana mais rica do planeta, que vem sendo dilapidado pela ação do homem. No Jardim Botânico de Brasília, foi formalizada a criação do Centro de Excelência do Cerrado, criado como forma de forma de promover e incentivar a preservação ambiental, em solenidade que contou com a participação do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e do secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Roberto Cavalcanti, representando a ministra Izabella Teixeira.
No mesmo local foi inaugurada a exposição itinerante Cerrado, com imagens captadas no Parque Nacional de Brasília pelos repórteres fotográficos Martim Garcia e Paulo de Araújo, da Assessoria de Comunicação Social do MMA. Houve, também, passeio ciclístico e sarau musical. Para o secretário Roberto Cavalcanti, o cerrado é um bioma estratégico para as políticas ambientais do Brasília. “O que acontecer com o cerrado vai definir os rumos do desenvolvimento sustentável no país”, disse. “Há uma grande importância tanto do ponto de vista biológico quanto do econômico”.
O Distrito Federal concentra, na opinião de Cavalcanti, os principais exemplares do bioma. “Grande parte da biodiversidade está aqui e Brasília tem a maior proporção de cerrado em áreas de proteção”, afirmou. “O Jardim Botânico de Brasília atrai um dos maiores grupos de pesquisas para o cerrado”.
Mais atividades – Como parte do mês do cerrado, de 12 a 16 de setembro acontece o Encontro dos Povos do Cerrado, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, com palestras, exposições e apresentação de filmes e vídeos. O objetivo é mobilizar a sociedade e os povos do cerrado para o estímulo de ações voltadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais do bioma.
A previsão dos organizadores é que o evento reúna cerca de mil representantes de comunidades e organizações da sociedade civil dos 14 estados abrangidos pelo cerrado. O evento terá uma extensa programação com palestras, mesas redondas, oficinas, audiência pública e outras atividades sobre temas relativos à conservação do bioma e à defesa de seus povos, além da feira de produtos sustentáveis desse bioma e de uma intensa programação cultural.
“Pretendemos divulgar para a sociedade civil as ações governamentais do Ministério do Meio Ambiente para o bioma cerrado, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento, a Política Nacional sobre Mudança do Clima e o Fundo Amazônia”, explica a analista ambiental do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento (DPCD/MMA), Larissa Malty.
Será realizado, ainda, o Grito do Cerrado, passeata pela Esplanada dos Ministérios, que pretende alertar a sociedade para o crescente processo de degradação do bioma e ameaça a seus povos, bem como chamar atenção para a urgência de se adotar ações voltadas à sua conservação e uso sustentável. No Congresso Nacional, haverá audiência pública sobre o tema, que deverá ocorrer logo após a Corrida de Toras entre as etnias indígenas, também na Esplanada.
Na quinta-feira (13/09), o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink, fará palestra sobre Fundo Amazônia, que pode destinar 20% dos seus recursos para ações de monitoramento do desmatamento em outros biomas e países.
No dia seguinte, haverá debates sobre o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento do Cerrado (PPCerrado); apresentação dos Projetos de Cooperação Internacional do Brasil com Alemanha e Reino Unido, pelo diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento (DPCD/MMA), Francisco Oliveira; e palestra sobre os recursos hídricos no Cerrado, feita pelo secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU), Pedro Wilson.
No sábado (15/09), além da troca de sementes, ocorrerá uma apresentação do Programa de Prevenção e Combate a Queimadas no Cerrado (Prevfogo), por representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Está prevista, ainda, exibição de vídeos do Circuito Tela Verde, material audiovisual destinado à educação ambiental, organizado pelo Departamento de Educação Ambiental do MMA. (Fonte: MMA)
Comida orgânica é mais nutritiva do que a convencional: mito ou realidade?
O fato de serem cultivados sem o uso de agrotóxicos ou de fertilizantes artificiais é um dos principais motivos que levam à compra de alimentos orgânicos. Contudo, há quem consuma esses produtos por acreditar que eles são mais nutritivos e menos suscetíveis a contaminação do que os convencionais. Será que essas vantagens todas são verdadeiras?
Para investigar essa crença, um grupo de pesquisadores analisou dados de mais de 200 estudos que comparavam os níveis de nutrientes e de contaminação em alimentos orgânicos e convencionais – incluindo frutas, grãos, vegetais e carnes. Resultado: não foram encontradas grandes diferenças entre os dois tipos de produtos.
Tanto alimentos orgânicos como convencionais apresentaram níveis similares (7% e 6% das amostras, respectivamente) de contaminação pela bactéria E. coli, por exemplo. No caso de carne de frango, 35% das amostras “orgânicas” (vindas de animais que foram criados sem uso rotineiro de antibióticos ou hormônios de crescimento) estavam contaminadas pela bactéria Salmonella, o que foi observado em 34% das demais amostras. No que diz respeito a valor nutricional, também não foram encontradas diferenças significativas.
Em dois outros quesitos, porém, os orgânicos levaram vantagem: presença de resíduos de pesticida e contaminação por bactérias resistentes a antibióticos. Naturalmente, poucas amostras (7%) dos alimentos orgânicos continham resíduos de pesticida, encontrados em 38% dos alimentos convencionais. Em relação ao segundo quesito, as amostras de carne de porco e frango vindas de animais criados pelos meios convencionais tinham 33% mais chances de conter bactérias resistentes a antibióticos.
Polêmicas à mesa
O uso rotineiro de antibióticos entre humanos pode, comprovadamente, abrir espaço para a proliferação de bactérias mais resistentes e, portanto, infecções mais graves. Contudo, os efeitos do consumo de carne de animais criados com uso constante de antibióticos sobre a saúde humana ainda não são claros.
Outro ponto controverso é a existência (ou não) de níveis seguros de pesticidas em alimentos consumidos. “Nós encontramos muito poucos estudos que comparavam a saúde de populações humanas que consumiam grande quantidade de orgânicos e de populações com dietas convencionais, por isso é difícil interpretar o significado clínico dos resultados”, explica a pesquisadora Crystal Smith-Spangler, da Escola de Medicina de Stanford (EUA). A grande variedade de métodos de cultivo de alimentos ou criação de animais analisados nos estudos também dificultou a interpretação dos dados.
Futuramente, disse Smith-Spangler, serão investigados os possíveis benefícios de uma exposição menor a pesticidas, em especial para grávidas e crianças.
http://hypescience.com
Mudança no gelo do mar do Ártico veio para ficar
Ainda há uma enorme massa de incertezas sobre como será o clima da Terra no fim deste século, mas as últimas semanas deixaram ao menos um fato claro: o Ártico nunca mais será o mesmo, para o bem e para o mal.
O indício mais forte vem da queda recorde na extensão do gelo marinho de verão. O gelo atingiu 4,1 milhões de quilômetros quadrados na semana passada, a menor medida feita por satélite desde que esse tipo de dado começou a ser recolhido, no fim dos anos 1970.
Jefferson Cardia Simões, diretor do Centro Polar e Climático da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), nem titubeia ao responder se o fenômeno veio para ficar: “Sim, é irreversível”, afirma ele.
Simões lembra ainda que o ineditismo da baixa no gelo ártico de verão provavelmente diz respeito a um período bem maior do que meros 30 e poucos anos.
“Embora os dados de satélite remontem a 1979, nós temos registros escritos da extensão do gelo entre as comunidades da Islândia, da Escandinávia e, mais recentemente, da Groenlândia”, diz o glaciologista gaúcho.
Esses dados indicam que o degelo é provavelmente o mais extenso em 500 anos, pelo menos, segundo Simões.
Mar não sobe – Recordes à parte, e daí? Uma coisa que não deve preocupar ninguém no caso do degelo marinho é o aumento do nível dos mares -como esse gelo já está no oceano, não faz diferença para o nível da água se ele está presente na forma sólida ou líquida.
Mas é claro que um mar ártico mais quente e com menos gelo tem repercussões consideráveis. A primeira é o que os cientistas chamam de feedback positivo: quanto menos gelo na água, mais o gelo que sobrou tende a derreter de vez.
Isso ocorre porque a água do mar, mais escura do que o gelo (é claro), absorve proporcionalmente mais radiação solar e esquenta ainda mais.
“Achávamos que o degelo visto hoje só iria ocorrer daqui a duas ou três décadas”, afirma Simões.
As vítimas mais óbvias de mudanças numa escala de tempo tão curta são ursos-polares, raposas-do-ártico e outros animais que dependem do gelo marinho como plataforma para caçar.
Por outro lado, frotas comerciais começam a ter imensas avenidas para carregar seus produtos pelo extremo norte do mundo. Frotas militares não precisarão mais de submarinos para atravessar o Ártico por baixo do gelo, o que pode ter implicações geopolíticas, lembra Simões.
E a exploração de petróleo em plataformas deve crescer em todos os países árticos, lembra o pesquisador. “Já vi tanto a Chevron quanto a Shell dizendo que pretendem investir por lá.”
Ceticismo - O climatologista americano Patrick “Pat” Michaels, do Centro para o Estudo da Ciência do Instituto Cato, vê como menos urgente a situação do Ártico. Ele afirma que as projeções atuais usadas pelo IPCC, o painel do clima da ONU, não são confiáveis.
“Os modelos usados pela ONU previram um aquecimento muito maior do que o que estamos vendo”, diz.
Outros especialistas que minimizam a mudança climática chegaram a afirmar que o recorde de degelo foi estimulado por tempestades que atingiram o Ártico e fragmentaram mais o gelo marinho. (Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com)
Nave Voyager faz 35 anos de viagens no limite do Sistema Solar
A sonda espacial Voyager-1, que acaba de completar 35 anos ainda na ativa, parecia estar prestes a celebrar um marco histórico: seu salto para o espaço interestelar.
Carregando um disco de ouro com imagens e sons da Terra e informações científicas, a nave marcou época por ser a primeira “mensagem na garrafa” cósmica enviada pelo nosso planeta -um recado para possíveis civilizações extraterrestres que derem a sorte de encontrá-la.
Agora, porém, cientistas estão em dúvida sobre sua localização -pode ser que ela ainda não esteja nas fronteiras do Sistema Solar, ao contrário do que se pensava.
O fenômeno que traça a fronteira entre a zona de influência do Sol e a exterior é o chamado vento solar: as partículas eletricamente carregadas emitidas por nossa estrela em alta velocidade.
Os cientistas da Voyager-1 achavam que a nave já tinha se aproximado da chamada heliopausa, onde o vento solar encontra o vento interestelar (vindo do resto da Via Láctea). Nessa fronteira, os dois se anulam.
Em abril de 2010, a nave parou de sentir o vento solar, e cientistas concluíram que a calmaria era sinal de que as partículas do Sol estavam sendo freadas pelas da região interestelar. A nave estaria exatamente na transição da heliopausa, prestes a saltar para fora do reino do Sol.
Para confirmar a descoberta, em 2011, os cientistas decidiram rotacionar a Voyager-1 para fazer mais medidas. Mesmo sendo incapaz de detectar o vento solar radial (vindo diretamente do Sol), a espaçonave deveria sentir o vento meridional (que ricocheteia na heliopausa e sopra perpendicularmente).
A tentativa, porém, foi em vão, relatou ontem Robert Decker, astrofísico da Universidade Johns Hopkins (EUA), na revista “Nature”. Os detetores da nave não estavam sentindo nem uma brisa.
“Concluímos que a Voyager-1 não está perto da heliopausa”, escreveu Decker. Existe a possibilidade, diz, de que essa região seja uma fronteira móvel e tenha se afastado ao longo de um ano.
O célebre disco de ouro das Voyagers foi idealizado pelo astrônomo pop star Carl Sagan (1934-1996). O comitê reunido por ele fez de tudo para que as instruções para tocar o disco pudessem ser entendidas por qualquer criatura com conhecimento científico avançado, usando como unidade o período de uma transição dos átomos de hidrogênio -os mais comuns e “básicos” do Universo.
À velocidade atual, a pobre nave precisará de 17 mil anos -mais ou menos o tempo que nos separa do auge da Idade do Gelo- para viajar um ano-luz completo. (Fonte: Rafael Garcia/ Folha.com)
Normatizadas comissões de ética para uso de animais em pesquisas científicas
Ética na pesquisa com animais
As instituições que fazem pesquisas científicas utilizando animais terão prazo de um ano para se adaptarem a uma série de normas fixadas pelo Conselho Nacional de Controle Animal (Concea) para o funcionamento das comissões de ética.
A resolução, publicada no Diário Oficial, fixa o funcionamento das comissões de ética e determina o cumprimento de medidas regulamentadas há quatro anos.
O uso de animais em pesquisas é um tema polêmico e estimula debates no Brasil e no exterior. Vários cientistas vêm propondo alternativas à experimentação com animais.
Pesquisa com animais não é mais necessária na era do genoma, diz associação
No Brasil, não há dados oficiais sobre o total de cobaias utilizadas nas pesquisas. Porém, os mais utilizados são os ratos e os camundongos, seguidos de coelhos, hamsters e aves.
Protocolos
Pela resolução, as comissões de ética devem ter entre os membros médicos veterinários, biólogos e professores.
Experiências científicas com animais precisarão de veterinário
Será cobrado um cadastro atualizado dos protocolos pedagógicos e científicos do órgão. O texto determina ainda que pode será paralisada e até suspensa uma pesquisa se houver irregularidade no uso dos animais.
O documento estabelece também que é possível substituir os integrantes de uma determinada comissão de ética de uso animal, se houver necessidade - mas não esclarece que necessidade pode ser essa.
Agência Brasil
Pela 1ª vez, vacina tem eficácia parcial contra a dengue
Pela primeira vez, uma vacina mostrou-se parcialmente eficaz contra o vírus da dengue, que afeta meio milhão de pessoas por ano, principalmente crianças nas zonas tropicais, e mata cerca de 10 mil delas. Segundo um estudo publicado na edição desta terça-feira da revista médica The Lancet, uma “vacina candidata” desenvolvida pela companhia farmacêutica francesa Sanofi Pasteur demonstrou eficácia de 30,2% em um teste de fase 2, realizado com 4 mil crianças da Tailândia.
O resultado pode parecer tímido, mas até hoje não há nem vacina, nem tratamento específico contra a dengue, doença provocada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, endêmica em todas as regiões tropicais e subtropicais do planeta.
O desenvolvimento de uma vacina contra a doença, também chamada de “gripe tropical”, é considerado complexo porque não existe um, e sim quatro subtipos de vírus de dengue que circulam paralelamente. “Nosso estudo representa a primeira prova de que uma vacina eficaz contra a dengue é possível”, comentou um dos autores do artigo, doutor Derek Wallace, da Sanofi Pasteur.
Entretanto, em um primeiro momento, o teste (objeto de um primeiro comunicado da empresa farmacêutica em julho) se revelou decepcionante, com uma taxa de eficácia “menor do que a projetada”, segundo o artigo. Mas em um segundo momento, os pesquisadores se deram conta de que a vacina candidata, denominada “CYD-TDV”, tinha sido perfeitamente eficaz contra três dos quatro subtipos do vírus.
Assim, a taxa de eficácia foi estabelecida entre 60% e 90% para os sorotipos DEN-1, DEN-3 e DEN-4. Apenas o vírus do sorotipo DEN-2 “resiste aos efeitos da vacina”. “Contra este sorotipo, nenhuma proteção foi obtida com este teste, apesar da imunogenicidade (reação imunológica) satisfatória”, escreveram os pesquisadores da Sanofi, que assinam o artigo em conjunto com acadêmicos e clínicos tailandeses.
“Esta falta de eficácia junto ao DEN-2 (…) é surpreendente e deverá ser objeto de novas pesquisas”, continuaram. O especialista americano em dengue Scott Halstead se questionou sobre a eficácia final desta vacina “parcialmente eficaz”, levando em conta o fato de que os quatro subtipos de vírus circulam paralelamente.
Será preciso utilizar “modelos matemáticos” para saber como esta vacina eficaz contra três dos quatro sorotipos “se comportará se for utilizada”, indicou o especialista em comentário publicado na revista. Enquanto aguarda, a Sanofi iniciou um teste mais amplo, agora com mais de 30 mil voluntários, em seu estudo de fase 3. Os voluntários foram recrutados em dez países de Ásia e América Latina.
O objetivo é testar a mesma “vacina candidata” em “diferentes contextos epidemiológicos” com a esperança de evidenciar um “benefício significativo”. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas são infectadas todos os anos com o vírus da dengue, das quais 500 mil, sobretudo crianças, desenvolvem a forma hemorrágica, que costuma exigir hospitalização e que é fatal em 2,5% dos casos, em média.
“A incidência da dengue avançou de forma espetacular” nos últimos anos, reporta a OMS, destacando um aumento preocupante das transmissões em áreas urbanas e a expansão para áreas mais temperadas, como a Europa. Segundo o artigo, o teste do Sanofi vai ao encontro dos objetivos estabelecidos pela OMS de reduzir à metade a mortalidade por dengue até 2020. (Fonte: Portal Terra)
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Chuvas na Amazônia diminuirão de 12% a 21% até 2050
O desmatamento em grande escala da Floresta Amazônica provocará uma diminuição das chuvas de até 12% durante a estação úmida e de até 21% durante a estação seca, com previsão para o ano de 2050, segundo estudo britânico publicado nesta quarta-feira pela revista “Nature”.
“As florestas aumentam a quantidade de chuva que gera o vento, e com nosso trabalho observamos que o desmatamento na Amazônia pode causar uma grande redução do volume de chuva no Brasil”, explicou à Agência Efe Dominick Spracklen, químico e autor do artigo principal da publicação.
Spracklen e sua equipe de cientistas da Universidade de Leeds, da Inglaterra, estudaram como a densidade das florestas afeta o volume de chuvas entre os trópicos, a partir de dados obtidos por satélite.
A vegetação leva a umidade da terra em direção à atmosfera, no processo conhecido como evapotranspiração, influenciando na quantidade de chuva.
O grupo de Spracklen descobriu que o vento que atravessa áreas densas da floresta produz, dias depois, o dobro de chuvas que o ar que circula entre uma vegetação menos espessa.
A Floresta Amazônica e as florestas tropicais do Congo são os lugares onde a vegetação tem maior efeito sobre o regime de chuvas, detalhou Spracklen.
Quando as florestas são substituídas por gramados ou plantações, a umidade do solo diminui, reduzindo a quantidade de chuvas.
Ao combinar os dados do estudo com o ritmo de desmatamento atual da Floresta Amazônica, Spracklen disse que as chuvas devem ser reduzidas em até 12% na bacia amazônica durante a estação úmida e até 21% durante a estação seca no ano de 2050.
O desmatamento de algumas partes da Floresta Amazônica reduzirá as chuvas tanto ali como em outras regiões, como a bacia do rio da Prata, onde segundo o especialista, as chuvas diminuirão 4%.
Os especialistas temem que essas mudanças prejudiquem o setor agrícola, que gera US$ 15 bilhões por ano na Amazônia, assim como à indústria hidrelétrica, que produz na região 65% da eletricidade do Brasil.
Estima-se que a cada ano sejam desmatados 50 mil km² de mata entre os trópicos. (Fonte: Portal Terra)
Cerrado pede socorro
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) deu início, neste sábado (1º), a programação especial que acontecerá ao longo do mês para chamar a atenção da sociedade e os habitantes da região sobre a necessidade de preservar o bioma cerrado, a savana mais rica do planeta, que vem sendo dilapidado pela ação do homem. No Jardim Botânico de Brasília, foi formalizada a criação do Centro de Excelência do Cerrado, criado como forma de forma de promover e incentivar a preservação ambiental, em solenidade que contou com a participação do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e do secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, Roberto Cavalcanti, representando a ministra Izabella Teixeira.
No mesmo local foi inaugurada a exposição itinerante Cerrado, com imagens captadas no Parque Nacional de Brasília pelos repórteres fotográficos Martim Garcia e Paulo de Araújo, da Assessoria de Comunicação Social do MMA. Houve, também, passeio ciclístico e sarau musical. Para o secretário Roberto Cavalcanti, o cerrado é um bioma estratégico para as políticas ambientais do Brasília. “O que acontecer com o cerrado vai definir os rumos do desenvolvimento sustentável no país”, disse. “Há uma grande importância tanto do ponto de vista biológico quanto do econômico”.
O Distrito Federal concentra, na opinião de Cavalcanti, os principais exemplares do bioma. “Grande parte da biodiversidade está aqui e Brasília tem a maior proporção de cerrado em áreas de proteção”, afirmou. “O Jardim Botânico de Brasília atrai um dos maiores grupos de pesquisas para o cerrado”.
Mais atividades – Como parte do mês do cerrado, de 12 a 16 de setembro acontece o Encontro dos Povos do Cerrado, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, com palestras, exposições e apresentação de filmes e vídeos. O objetivo é mobilizar a sociedade e os povos do cerrado para o estímulo de ações voltadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais do bioma.
A previsão dos organizadores é que o evento reúna cerca de mil representantes de comunidades e organizações da sociedade civil dos 14 estados abrangidos pelo cerrado. O evento terá uma extensa programação com palestras, mesas redondas, oficinas, audiência pública e outras atividades sobre temas relativos à conservação do bioma e à defesa de seus povos, além da feira de produtos sustentáveis desse bioma e de uma intensa programação cultural.
“Pretendemos divulgar para a sociedade civil as ações governamentais do Ministério do Meio Ambiente para o bioma cerrado, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento, a Política Nacional sobre Mudança do Clima e o Fundo Amazônia”, explica a analista ambiental do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento (DPCD/MMA), Larissa Malty.
Será realizado, ainda, o Grito do Cerrado, passeata pela Esplanada dos Ministérios, que pretende alertar a sociedade para o crescente processo de degradação do bioma e ameaça a seus povos, bem como chamar atenção para a urgência de se adotar ações voltadas à sua conservação e uso sustentável. No Congresso Nacional, haverá audiência pública sobre o tema, que deverá ocorrer logo após a Corrida de Toras entre as etnias indígenas, também na Esplanada.
Na quinta-feira (13/09), o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink, fará palestra sobre Fundo Amazônia, que pode destinar 20% dos seus recursos para ações de monitoramento do desmatamento em outros biomas e países.
No dia seguinte, haverá debates sobre o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento do Cerrado (PPCerrado); apresentação dos Projetos de Cooperação Internacional do Brasil com Alemanha e Reino Unido, pelo diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento (DPCD/MMA), Francisco Oliveira; e palestra sobre os recursos hídricos no Cerrado, feita pelo secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU), Pedro Wilson.
No sábado (15/09), além da troca de sementes, ocorrerá uma apresentação do Programa de Prevenção e Combate a Queimadas no Cerrado (Prevfogo), por representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Está prevista, ainda, exibição de vídeos do Circuito Tela Verde, material audiovisual destinado à educação ambiental, organizado pelo Departamento de Educação Ambiental do MMA. (Fonte: MMA)
Apenas 766 municípios brasileiros fazem coleta seletiva de lixo
Dos mais de 5.500 municípios brasileiros, apenas 766 realizam coleta seletiva de lixo. A conclusão é da pesquisa Ciclosoft 2012, desenvolvida pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), apresentada hoje no seminário “Politica Nacional de Resíduos Sólidos – A Lei na Prática”, no Rio de Janeiro.
O levantamento considera que o município realiza coleta seletiva quando pelo menos 10% da população faz a seleção do lixo e existe um trabalho de reciclagem, porta a porta ou por cooperativa.
Também é necessário que exista uma pessoa na prefeitura que responda pelo programa de reciclagem e que a ação tenha continuidade.
Apesar do baixo índice em relação ao total do país, o diretor-executivo do Cempre, André Vilhena, destacou o crescimento do número de municípios que fazem coleta seletiva, após a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010. Naquele ano, apenas 443 municípios faziam coleta seletiva.
O crescimento nos últimos dois anos é maior do que na comparação entre 2010 e 2008, quando 405 municípios foram identificados como promotores de ações de coleta seletiva. “Tivemos um salto no envolvimento das prefeituras nas regiões Sudeste e Sul. Isso mostra que a lei começa a pegar na prática”, disse Vilhena.
O envolvimento das prefeituras e das empresas com a reciclagem do lixo foi destacada pelo secretário de recursos hídricos e ambiente urbano do Ministério do Meio Ambiente, Pedro Wilson. “Estamos percebendo um humor positivo da população em relação às políticas de resíduos sólidos”, disse.
Segundo ele, as pessoas acreditam que seja importante o compromisso empresarial com o desenvolvimento sustentável. (Fonte: Portal iG)
Manejo adequado e conscientização são armas para combater desertificação, que já atinge 15% do território brasileiro
Com aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados do seu território sob risco de se transformar em deserto, pensar o uso correto da terra é cada vez mais urgente ao Brasil. Dados do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostram que a área suscetível chega a 15% do território nacional e envolve 1.488 municípios em nove estados da Região Semiárida do Nordeste brasileiro, do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
De acordo com o coordenador da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Naidison Batista, a conscientização dos agricultores sobre o manejo adequado da terra somada à difusão de tecnologias adaptadas ao Semiárido são elementos fundamentais para combater o processo de desertificação no país. Para isso, Batista defende o uso das técnicas agroecológicas no combate e prevenção à desertificação.
“O enfrentamento desse processo tem que ser feito por meio da prevenção e não remediando [o problema]. E nessa luta, a aplicação das práticas da agroecologia são fundamentais, porque elas preconizam o cuidado com a terra, a compreensão de que é preciso usufruir dela sem esgotá-la, sem objetivar apenas o lucro”, argumentou.
Ele acrescentou que a lógica do agronegócio, baseada na monocultura e no uso de agrotóxicos, contribui em grande parte para a degradação do solo, mas alertou que toda a humanidade é responsável por tentar conter esse processo.
“O homem do campo tem que entender que suas práticas têm impacto sobre a natureza, mas o homem da cidade também precisa saber que suas ações também têm consequências. É preciso não desperdiçar água em banhos demorados ou em lavagens prolongadas de carros, por exemplo, exaurir rios e mananciais, entre outros”, afirmou.
Segundo Naidison Batista, já existem muitas tecnologias sendo usadas no Semiárido e com resultados positivos. Uma delas, o Programa Um Milhão de Cisternas, implementado pela ASA, em parceria com o governo federal, agências de cooperação e empresas privadas, permite captar a água da chuva para consumo humano por meio de cisternas de placas de cimento. A infraestrutura, com capacidade para 16 bilhões de litros de água, já está presente nas casas de aproximadamente 600 mil famílias.
Menos conhecida e difundida é a saída encontrada pela pequena agricultora paraibana Angineide de Macedo, de 42 anos. Após acompanhar o processo de degradação de sua propriedade, de aproximadamente dois hectares, ela conheceu, com a ajuda de uma organização não governamental local, os benefícios do cultivo do nim indiano. A planta, que tem crescimento rápido e atinge uma altura de 8 metros em três anos, ajudou a reverter as consequências da desertificação no local e a salvar a plantação de ervas medicinais que, segundo a agricultora, estava bastante prejudicada.
“As plantas não resistiam muito, porque o sol castigava e elas morriam. Agora, com o nim, elas têm sombra e ficam protegidas do vento. As crianças também melhoraram, porque agora têm sombra para brincar e não ficam tão doentes com a poeira”, contou ela, que também planta em sua propriedade hortaliças e legumes. (Fonte: Thais Leitão/ Agência Brasil)
CUIDADO, MUITO CUIDADO! Lata de refrigerante congelado explode em rosto de menino
Em dias quentes, algumas pessoas apressadas costumam colocar o refrigerante no congelador para que ele fique gelado mais rápido. Foi exatamente isso que um menino chinês fez. Mas na hora de abrir sua latinha de Coca, que já estava congelada, a parte superior de alumínio voou em seu rosto e o feriu gravemente. Ele queria apenas se refrescar, mas acabou com 38 pontos na face.
O fato foi relatado pela mãe do menino no site Sina Weibo (uma espécie de Twitter usado na China) no dia 26 de agosto. Ela narrou o fato e colocou fotos dos ferimentos para alertar pessoas que moram com crianças sobre os perigos de congelar refrigerante. “Este acidente nos ensinou uma grande lição. Famílias com crianças pequenas, por favor, tenham cuidado. Não coloquem refrigerantes no congelador”, disse ela.
Quando bebidas gaseificadas são congeladas, não é apenas a água que se expande em forma de gelo. O gás de dióxido de carbono é comprimido para fora do líquido, e quando este se solidifica, a pressão sobre as paredes da latinha aumenta ainda mais.
Se alguém esquece uma lata de refrigerante no congelador por muito tempo, geralmente ela explode lá dentro. O congelador fica sujo e pegajoso, mas pelo menos a explosão não fere ninguém. O garoto chinês teve azar de pegar a lata justamente quando ela atingiu sua massa crítica.
Por isso, quando for se refrescar, prefira colocar o refrigerante em um copo na geladeira, mas fora do congelador. Ou beber um líquido não gaseificado, que pelo menos não irá explodir no seu rosto, mesmo que congele.
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Conceito de “água virtual” deve nortear consumo sustentável
Em Estocolmo inicia-se a Semana Mundial da Água. Especialistas sugerem modelo global de sustentabilidade para agricultura, considerando o enorme volume de água “invisível”, exportado junto com alimentos. “Água é vida. É o coração da economia verde. Por isso, temos que falar sobre eficiência no uso da água”, enfatiza Kenza Robinson. Ela é a secretária das Nações Unidas para Água e trabalha no Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (Undesa).
A água é usada em todos os lugares. No setor energético, a força da água é encarada como um meio para se produzir energia sem prejuízo à natureza, e sem acelerar a mudança climática global. A indústria precisa de grande quantidade de água para diversos produtos. Até mesmo na produção de um dos microchips usados no computador, são necessários 32 l de água, para um automóvel, a média é de 400 mil l.
A grande reciclagem – Porém, o setor que mais necessita de água é a agricultura, consumindo 70% dos recursos hídricos do mundo. A água não é usada somente na produção de alimentos, mas também nas culturas destinadas a atender à crescente demanda por biocombustíveis e rações de animais. Os recursos globais de água são parte de um gigantesco processo de reciclagem; nunca se produz mais água, a quantidade disponível é sempre a mesma.
Portanto, a questão se resume a quão eficiente é o uso da água, aponta Benedikt Haerlin, da Fundação para o Futuro da Agricultura. “Na verdade, o ponto decisivo é a forma como mantemos a água no solo e nas plantas, em todo o ecossistema, antes de ela ser evaporada e o ciclo se reiniciar”, afirma o jornalista e especialista em Agricultura em entrevista à Deutsche Welle. Haerlin é também integrante da Comissão Internacional para o Futuro da Alimentação.
Dimensão virtual – Haerlin assegura que, com solos saudáveis e agricultura sustentável, também seria possível alimentar de forma saudável a população mundial crescente. Então sustentabilidade significa também incluir nos cálculos a chamada “água virtual”. Ela é a que está incluída em cada produto e também é exportada, invisivelmente, junto com os produtos agrícolas.
Portanto, numa região seca como a Somália, por exemplo, são necessários 18 mil l de água para produzir 1 kg de trigo. Na Eslováquia, essa mesma quantidade é colhida com 465 l. Assim, de acordo com Haerlin, trata-se de adaptar o sistema total de produção alimentar à quantidade de água disponível no local onde se produz.
“Por exemplo, a Alemanha importa água de regiões nas quais esse recurso é muito mais restrito do que aqui para nós, por exemplo, na forma de soja.” Pois, como lembra Haerlin, a produção dessa leguminosa consome um grande volume de líquido. “No fundo, o comércio dessa água virtual deve ser direcionado para onde falta água, não para onde há mais dinheiro.”
Ajuste da agricultura – Segundo Haerlin, a adoção desta ideia significaria o abandono das grandes monoculturas, que causam impacto negativo ao ciclo global da água. Em comparação com cultivos mistos, pouca água é armazenada no solo de monoculturas. Além disso, muitas monoculturas dependem de sistemas artificiais de irrigação. Por isso, seria necessário adaptar o sistema global de produção de alimentos à água disponível em cada região.
Acima de tudo, de acordo com Kenza Robinson, da ONU, é necessário se pensar nos recursos hídricos numa perspectiva de longo prazo, do mesmo modo como hoje são encarados outros recursos por exemplo, os combustíveis fósseis. “A água é um direito humano, está acima de todos os outros recursos. Ela tem uma posição especial e por isso precisamos encará-la de forma global”. A World Water Week, em Estocolmo, vai de 26 a 31 de agosto. (Fonte: Portal Terra)
A verdadeira razão para a gestação durar 9 meses
Os nove meses de gestação podem parecer infinitos para os futuros papais que estão ansiosos para ver o rosto de seu filho. Mas é pouco tempo para que haja um avançado desenvolvimento do cérebro: o cérebro dos bebês humanos tem apenas 30% do tamanho que irão atingir quando forem adultos, em comparação com 40% dos filhotes de chipanzés.
Esse é um dos motivos que torna os bebês totalmente dependentes de adultos, com pouca capacidade cognitiva e motora em comparação a outros filhotes de primatas. A realidade é que seria necessário um período de gestação de 18 a 21 meses, ao invés de nove, para que o cérebro dos bebês crescesse o suficiente para que eles se desenvolvessem mais rapidamente depois de nascer, de acordo com o zoólogo Adolf Portmann.
Por anos, os cientistas acreditavam que os nove meses de gestação eram decorrentes do “dilema obstétrico”. Os humanos se diferenciam dos outros animais pelo tamanho de seu cérebro e pela capacidade de andar ereto. Entretanto, se o cérebro do bebê se desenvolvesse durante uma gestação que durasse mais do que nove meses, pesquisadores acreditavam que seria necessário que a mãe tivesse um quadril mais largo para que o filho tivesse espaço para sair pelo canal do parto. Entretanto, com um quadril mais largo, teoricamente as mulheres poderiam não andar de forma bípede.
Nova teoria
Um novo estudo realizado pelo pesquisador Holly Dunsworth, da Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos, indica que o período de gestação não tem ligação direta com o tamanho do quadril da mãe, mas com seu metabolismo. O primeiro problema com o “dilema obstétrico” é que não há nenhuma evidência de que quadris largos interferem na locomoção. Anna Warrener, pesquisadora da Universidade de Harvard (EUA), estudou como a largura do quadril interfere o modo como mulheres andam em esteiras. Ela descobriu que não há correlação entre quadris mais largos e locomoção menos eficiente.
De acordo com Dunsworth, a duração da gestação entre vários mamíferos tem a ver com o tamanho total do corpo da mãe e de sua taxa metabólica. O pesquisador acredita que o nascimento humano acontece quando a mãe não tem condições de colocar mais energia na gestação para crescimento do feto. Ou seja, a energia da mãe é a principal restrição evolutiva na gestação, e não o tamanho do quadril feminino.
Zona de perigo metabólico
Analisando dados metabólicos de mulheres grávidas, pesquisadores descobriram que as mulheres dão à luz quando estão prestes a entrar em uma zona de perigo metabólico. Há um limite de número de calorias que podemos queimar a cada dia. Durante a gravidez, as mulheres se aproximam desse limite energético e dão à luz antes de alcançá-lo.
Essas restrições metabólicas ajudam a explicar por que os bebês humanos são tão impotentes em comparação com nossos parentes primatas, como os chimpanzés. Um bebê chimpanzé, por exemplo, começa a andar em um mês, enquanto os bebês humanos não andam até completarem pelo menos sete meses.
Mas para um ser humano dar à luz a um bebê com o mesmo nível de desenvolvimento dos filhotes de chipanzé, seriam necessários 16 meses de gestação – o que faria com que as mães cruzassem a zona de perigo metabólica. Em outras palavras, uma gestação tão longa seria impossível do fisiologicamente, independentemente do tamanho no quadril.
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