O desmatamento e a degradação florestal correspondem a aproximadamente 20% da emissão global de gases do efeito estufa – mais do que o setor de transporte do mundo inteiro, atrás apenas do setor de energia. Isto se deve principalmente pela expansão da agricultura, transformação de florestas em campos de pastagem, o desenvolvimento de obras de infraestrutura, e os efeitos destrutivos da exploração madeireira e incêndios florestais. Por isso é crucial focar em ações para a prevenção do desmatamento.
A nova metodologia – aprovada pelo Verified Carbon Standard (VCS) – permite aos projetos calcularem emissões evitadas por desmatamento tanto na borda (“de fronteira”) de grandes áreas, como por exemplo, em áreas agrícolas, quanto de maneira desigual (“mosaico”) dentro da floresta.
Um aspecto importante para finalizar a metodologia de “Desmatamento Não Planejado” foi a decisão de unir as duas metodologias que estavam sendo desenvolvidas separadamente pelo Banco Mundial e pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em conjunto com a Carbon Decisions International (CDI) e o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), com apoio financeiro da Marriott International. A fim de abordar uma série de cenários de desmatamento não planejado em países em desenvolvimento, esta nova metodologia preenche um nicho importante em comparação às demais metodologias de REDD.
“Unir a ‘metodologia de fronteira’ da FAS com a ‘metodologia de mosaico’ do Banco Mundial foi crucial para permitir o desenvolvimento de projetos de REDD tanto na Amazônia brasileira, como na África e na Indonésia”, comentou Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS. “Esta metodologia quebrou o ‘paradigma norte-sul’, colocando o ‘sul’ como líder nas discussões de alto nível”.
“Esta metodologia irá finalmente gerar um arranjo para recompensar atividades inovadoras que reduzem o desmatamento pelo mundo enquanto promove a conservação de hábitats naturais, criando empregos sustentáveis e contribuindo para o bem-estar de comunidades locais”, disse Ellysar Baroudy, Fundo Biocarbon do Banco Mundial. “Um exemplo do impacto que esta metodologia terá em comunidades locais é o inovador mecanismo financeiro estabelecido no projeto Ankeniheny-Zahamena em Madagascar, para financiar a proteção de 370 mil hectares de reservas naturais através da venda de créditos de carbono pelo o Fundo BioCarbon do Banco Mundial”.
De acordo com Lucio Pedroni, da CDI, esta metodologia é um importante avanço para todo mundo que trabalha para reduzir o desmatamento em áreas tropicais por meio de sua abordagem robusta e amplamente aplicável. “Muitos desenvolvedores de projetos estavam esperando a aprovação desta metodologia, e finalmente eles poderão finalizar sua documentação e registrar seus projetos no VCS”, diz.
O secretário executivo do IDESAM, Mariano Cenamo, disse que a colaboração trouxe importantes benefícios para o diálogo sobre REDD. “A aprovação desta metodologia mostra que há um alto nível de conhecimento científico e técnico apoiando os projetos de REDD no mercado de carbono voluntário”, diz.
Jeff Hayward, Diretor do Rainforest Alliance, que junto com o Bureau Veritas Certification, foi responsável pelo processo de dupla-validação da metodologia, disse: “Esta é uma metodologia inovadora de alta qualidade que permitirá a projetos de REDD estabelecerem linha de base crível e monitorarem as reduções de emissão”.
Victor Salviati da FAS destacou a importância dessa metodologia para o Brasil por tudo que as áreas tropicais, em particular, sofrem devido ao desmatamento não planejado. Para Gabriel Ribenboim, também da FAS, a metodologia representa um importante marco em um longo processo que começou como o projeto de REDD no Juma em 2008, e servirá como exemplo para projetos similares na Amazônia.
Enquanto os VCS atualmente têm nove metodologias no escopo de Agricultura, Floresta e Uso do Solo (AFOLU, em Inglês) – incluindo três metodologias relacionadas a projetos de REDD – esta metodologia é mais amplamente aplicável, abrindo a porta para um crescente número de projetos de REDD como, por exemplo, da África, a qual oportunamente será considerada nas discussões de REDD+ nas negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima na próxima Conferência das Partes a ser realizada em Durban, na África do Sul, em Dezembro de 2011.
http://www.institutocarbonobrasil.org.br/?id=728082
terça-feira, 26 de julho de 2011
Antártida pode voltar a ser região tropical, acredita pesquisadora
A cientista britânica Jane Francis afirmou que a Antártida era um paraíso tropical há 40 milhões de anos. O continente frio, que apresenta atualmente quatro quilômetros de gelo, passou a maior parte dos cem milhões de anos como uma região de clima quente e fauna rica.
Segundo a professora da Escola da Terra e Meio Ambiente da Universidade de Leeds, localizada no Reino Unido, durante a maior parte da história geológica da Antártida, o local estava coberto por bosques e desertos. “Muitos animais, incluindo dinossauros, viviam na região. Foi no passado geológico recente que o clima esfriou”, frisou Jane à BBC Mundo.
A especialista defende que a mudança de temperatura e as alterações geológicas do continente provavelmente foram causadas pelos elevados índices de dióxido de carbono na atmosfera. “Se continuarmos emitindo grandes quantidades de dióxido de carbono, esquentando o planeta, poderíamos chegar à mesma situação em que voltariam a aparecer animais e bosques na Antártida”, pontuou.
Dióxido de carbono na atmosfera
Cientistas asseguram que, há 50 milhões de anos, havia mais de mil partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono na atmosfera, o que esquentou o planeta a ponto de derreter todas as camadas de gelo.
Nos últimos anos, a quantidade de dióxido de carbono evoluiu cerca de 110 ppm, o que representou um crescimento significativo nas temperaturas globais. Os especialistas avisam que a continuidade do aumento do CO2 em dois ppm por ano resultará um grande problema quando forem acumulados 500 ppm – o derretimento de uma boa parte das calotas de gelo.
“A diferença é que no passado o aquecimento ocorreu devido a causas naturais como vulcões. E ocorreu em um período muito grande de tempo. Os animais e plantas tiveram tempo de se adaptar”, assinalou Jane Francis.
A pesquisadora explanou sobre a dificuldade de adaptação que os seres humanos vão ter com as mudanças bruscas na atmosfera. “O problema com a mudança climática atual, que está sendo provocada principalmente por fatores humanos, é que está ocorrendo muito depressa, em comparação a como poderia ocorrer em um período geológico normal. Por isso, não vamos ter muitas oportunidades para nos adaptar”, acrescentou.
Redução das emissões
Jane destacou que os governos de todo o mundo estão trabalhando para reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas os esforços precisam ser maiores. Em sua opinião, a humanidade deve se concentrar em fazer mais para evitar o aquecimento global.
* Publicado originalmente no site EcoD.
Segundo a professora da Escola da Terra e Meio Ambiente da Universidade de Leeds, localizada no Reino Unido, durante a maior parte da história geológica da Antártida, o local estava coberto por bosques e desertos. “Muitos animais, incluindo dinossauros, viviam na região. Foi no passado geológico recente que o clima esfriou”, frisou Jane à BBC Mundo.
A especialista defende que a mudança de temperatura e as alterações geológicas do continente provavelmente foram causadas pelos elevados índices de dióxido de carbono na atmosfera. “Se continuarmos emitindo grandes quantidades de dióxido de carbono, esquentando o planeta, poderíamos chegar à mesma situação em que voltariam a aparecer animais e bosques na Antártida”, pontuou.
Dióxido de carbono na atmosfera
Cientistas asseguram que, há 50 milhões de anos, havia mais de mil partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono na atmosfera, o que esquentou o planeta a ponto de derreter todas as camadas de gelo.
Nos últimos anos, a quantidade de dióxido de carbono evoluiu cerca de 110 ppm, o que representou um crescimento significativo nas temperaturas globais. Os especialistas avisam que a continuidade do aumento do CO2 em dois ppm por ano resultará um grande problema quando forem acumulados 500 ppm – o derretimento de uma boa parte das calotas de gelo.
“A diferença é que no passado o aquecimento ocorreu devido a causas naturais como vulcões. E ocorreu em um período muito grande de tempo. Os animais e plantas tiveram tempo de se adaptar”, assinalou Jane Francis.
A pesquisadora explanou sobre a dificuldade de adaptação que os seres humanos vão ter com as mudanças bruscas na atmosfera. “O problema com a mudança climática atual, que está sendo provocada principalmente por fatores humanos, é que está ocorrendo muito depressa, em comparação a como poderia ocorrer em um período geológico normal. Por isso, não vamos ter muitas oportunidades para nos adaptar”, acrescentou.
Redução das emissões
Jane destacou que os governos de todo o mundo estão trabalhando para reduzir as emissões de dióxido de carbono, mas os esforços precisam ser maiores. Em sua opinião, a humanidade deve se concentrar em fazer mais para evitar o aquecimento global.
* Publicado originalmente no site EcoD.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Bill Gates quer reinventar o vaso sanitário
Banheiro sem água e sem esgoto
A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou que irá custear uma pesquisa para "reinventar a privada".
O objetivo do projeto é desenvolver novas tecnologias para o processamento de dejetos humanos sem qualquer ligação a linhas de água, energia ou esgoto.
Para Gates, a privada ideal para os países em desenvolvimento deve ser auto-sustentável, de custo acessível e sem ligações a linhas de energia, água ou esgoto, que quase nunca estão disponíveis nas condições em que o novo sanitário deverá ser utilizado.
Plasma de micro-ondas
A tarefa de reinventar o vaso sanitário caberá a um grupo de cientistas e engenheiros da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, sob a coordenação do professor Georgios Stefanidis.
"Vamos aplicar a tecnologia de micro-ondas para transformar os dejetos humanos em eletricidade. A partir desta inovação, pretendemos idealizar o design e construir um protótipo modular para um banheiro completo que satisfaça as urgentes necessidades do mundo em desenvolvimento," afirmou Stefanidis.
Inicialmente os dejetos humanos serão secos. Em seguida, os resíduos sólidos serão gaseificados utilizando plasma, criado por micro-ondas em um reator apropriado.
Este processo vai gerar o chamado gás de síntese, uma mistura de monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2). O gás de síntese será então usado para alimentar um conjunto de células de combustível de óxidos sólidos (SOFC: solid oxide fuel cell) para a geração de eletricidade.
"Para que o processo seja energeticamente auto-suficiente, parte da eletricidade produzida será usada para ativar a gaseificação a plasma, enquanto o calor recuperado do fluxo de gás de síntese e dos gases de escape das células de combustível será usado para a secagem dos resíduos," explica o pesquisador.
Privada barata
Aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso ao saneamento básico. O impacto negativo dessa situação sobre a saúde dessas populações é enorme.
Para mudar esta situação, Bill Gates e sua esposa acreditam que a solução é reinventar o vaso sanitário.
E, como o projeto é voltado para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, uma das exigências é que o banheiro sem água e sem esgoto possa ser construído a custos acessíveis.
Redação do Site Inovação Tecnológica
A Fundação Bill & Melinda Gates anunciou que irá custear uma pesquisa para "reinventar a privada".
O objetivo do projeto é desenvolver novas tecnologias para o processamento de dejetos humanos sem qualquer ligação a linhas de água, energia ou esgoto.
Para Gates, a privada ideal para os países em desenvolvimento deve ser auto-sustentável, de custo acessível e sem ligações a linhas de energia, água ou esgoto, que quase nunca estão disponíveis nas condições em que o novo sanitário deverá ser utilizado.
Plasma de micro-ondas
A tarefa de reinventar o vaso sanitário caberá a um grupo de cientistas e engenheiros da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, sob a coordenação do professor Georgios Stefanidis.
"Vamos aplicar a tecnologia de micro-ondas para transformar os dejetos humanos em eletricidade. A partir desta inovação, pretendemos idealizar o design e construir um protótipo modular para um banheiro completo que satisfaça as urgentes necessidades do mundo em desenvolvimento," afirmou Stefanidis.
Inicialmente os dejetos humanos serão secos. Em seguida, os resíduos sólidos serão gaseificados utilizando plasma, criado por micro-ondas em um reator apropriado.
Este processo vai gerar o chamado gás de síntese, uma mistura de monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H2). O gás de síntese será então usado para alimentar um conjunto de células de combustível de óxidos sólidos (SOFC: solid oxide fuel cell) para a geração de eletricidade.
"Para que o processo seja energeticamente auto-suficiente, parte da eletricidade produzida será usada para ativar a gaseificação a plasma, enquanto o calor recuperado do fluxo de gás de síntese e dos gases de escape das células de combustível será usado para a secagem dos resíduos," explica o pesquisador.
Privada barata
Aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso ao saneamento básico. O impacto negativo dessa situação sobre a saúde dessas populações é enorme.
Para mudar esta situação, Bill Gates e sua esposa acreditam que a solução é reinventar o vaso sanitário.
E, como o projeto é voltado para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, uma das exigências é que o banheiro sem água e sem esgoto possa ser construído a custos acessíveis.
Redação do Site Inovação Tecnológica
Descoberto maior reservatório de água do universo
Duas equipes de astrônomos lideradas por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, descobriram o maior e mais distante reservatório de água já detectado no universo. A água, equivalente a 140 trilhões de vezes toda a água do oceano do mundo, envolve um enorme buraco de alimentação negro, chamado quasar, a mais de 12 bilhões de anos-luz de distância.
Astrônomos já haviam detectado vapor d’água, que é um sinal importante para investigar o universo, em outras partes do universo, mas não em tanta quantidade. “É uma demonstração de que a água está por todo o universo, ainda que em tempos mais antigos”, avaliou Matt Bradford, um cientista do Laboratório da Nasa, em Pasadena, Califórnia.
Quasares são objetos brilhantes e muito distantes no universo. Estão localizados nos núcleos de galáxias e são abastecidos com a energia de buracos negros. O APM 08279+5255, quasar observado nesta pesquisa, tem um buraco negro 20 bilhões de vezes mais massivo que o Sol e produz energia superior à energia de trilhões de sóis.
(Fonte: Portal Terra)
Astrônomos já haviam detectado vapor d’água, que é um sinal importante para investigar o universo, em outras partes do universo, mas não em tanta quantidade. “É uma demonstração de que a água está por todo o universo, ainda que em tempos mais antigos”, avaliou Matt Bradford, um cientista do Laboratório da Nasa, em Pasadena, Califórnia.
Quasares são objetos brilhantes e muito distantes no universo. Estão localizados nos núcleos de galáxias e são abastecidos com a energia de buracos negros. O APM 08279+5255, quasar observado nesta pesquisa, tem um buraco negro 20 bilhões de vezes mais massivo que o Sol e produz energia superior à energia de trilhões de sóis.
(Fonte: Portal Terra)
Princípios e Objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, artigo de Antonio Silvio Hendges
A Lei 12.305/2010 que instituiu no país a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu princípios e objetivos que podem contribuir decisivamente para uma gestão correta e integrada dos diversos tipos de resíduos gerados, possibilitando aos agentes envolvidos contribuírem para o desenvolvimento sustentável, a preservação dos recursos naturais e a afirmação da cidadania.
A visão sistêmica precisa considerar as variáveis ambientais, sociais, culturais, econômicas, tecnológicas e de saúde pública, sendo a prevenção e a precaução fundamentais, assim como o princípio do poluidor que paga e do protetor que recebe. A ecoeficiência dos bens, produtos e serviços ao mesmo tempo em que trazem qualidade de vida devem reduzir os impactos ambientais e diminuir o consumo dos recursos naturais, estimularem a cooperação entre os poderes públicos, os setores empresariais e a sociedade que em conjunto tem a responsabilidade compartilhada pelos ciclos de vida dos produtos.
O reconhecimento dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis como bens econômicos e sociais capazes de gerarem trabalho, renda e cidadania, com respeito às diversidades locais e regionais e mecanismos de controle e informação sociais são princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição ambiental adequada dos rejeitos, a proteção à saúde pública e à qualidade ambiental, a adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas e estímulo a padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços são objetivos importantes que podem potencializar outros como a gestão integrada, a indústria da reciclagem e a redução do volume e da periculosidade dos resíduos sólidos.
A articulação das diferentes esferas dos poderes públicos entre si e com os setores empresariais para a cooperação técnica e financeira, a capacitação continuada na área de resíduos sólidos, a prioridade nas aquisições e contratações governamentais para produtos reciclados e recicláveis, bens, serviços e obras que considerem critérios e padrões ambientais e sociais sustentáveis também são objetivos importantes.
A integração dos trabalhadores com materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações de responsabilidade compartilhada, o estímulo à avaliação dos ciclos de vida dos produtos e da rotulagem ambiental, consumo sustentável e desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial que melhorem os processos produtivos e o reaproveitamento, inclusive energético, dos resíduos sólidos são objetivos indispensáveis à afirmação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
REFERÊNCIAS: – Lei 12.305, artigos 6º e 7º.
Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de Ciências e Biologia e Agente Educacional no RS. Email: as.hendges{at}gmail.com
EcoDebate
http://www.ecodebate.com.br
A visão sistêmica precisa considerar as variáveis ambientais, sociais, culturais, econômicas, tecnológicas e de saúde pública, sendo a prevenção e a precaução fundamentais, assim como o princípio do poluidor que paga e do protetor que recebe. A ecoeficiência dos bens, produtos e serviços ao mesmo tempo em que trazem qualidade de vida devem reduzir os impactos ambientais e diminuir o consumo dos recursos naturais, estimularem a cooperação entre os poderes públicos, os setores empresariais e a sociedade que em conjunto tem a responsabilidade compartilhada pelos ciclos de vida dos produtos.
O reconhecimento dos resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis como bens econômicos e sociais capazes de gerarem trabalho, renda e cidadania, com respeito às diversidades locais e regionais e mecanismos de controle e informação sociais são princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição ambiental adequada dos rejeitos, a proteção à saúde pública e à qualidade ambiental, a adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas e estímulo a padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços são objetivos importantes que podem potencializar outros como a gestão integrada, a indústria da reciclagem e a redução do volume e da periculosidade dos resíduos sólidos.
A articulação das diferentes esferas dos poderes públicos entre si e com os setores empresariais para a cooperação técnica e financeira, a capacitação continuada na área de resíduos sólidos, a prioridade nas aquisições e contratações governamentais para produtos reciclados e recicláveis, bens, serviços e obras que considerem critérios e padrões ambientais e sociais sustentáveis também são objetivos importantes.
A integração dos trabalhadores com materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações de responsabilidade compartilhada, o estímulo à avaliação dos ciclos de vida dos produtos e da rotulagem ambiental, consumo sustentável e desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial que melhorem os processos produtivos e o reaproveitamento, inclusive energético, dos resíduos sólidos são objetivos indispensáveis à afirmação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
REFERÊNCIAS: – Lei 12.305, artigos 6º e 7º.
Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de Ciências e Biologia e Agente Educacional no RS. Email: as.hendges{at}gmail.com
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ABC produz 2,3 mil toneladas de lixo por dia, mas recicla só 1%
A produção de resíduos sólidos urbanos no ABC atingiu a marca de 2,3 mil toneladas por dia em 2010. Entre os maiores produtores estão São Bernardo e Santo André, com média de 273,7 mil e 332,4 mil toneladas em 2010, respectivamente. Os gastos com coleta, transporte e armazenamento de material recolhido estão na casa de R$ 90,5 milhões anuais na região.
Apesar disso, apenas 1% de todo o lixo produzido no ABC vai para cooperativas de reciclagem. Como meio de diminuir o problema do espaço ocupado pelos resíduos, as duas maiores produtoras de lixo da região planejam usinas de incineração, apesar de especialistas divergirem em relação aos benefícios da medida. Em São Bernardo o equipamento deve sair em 2014. Já Santo André estuda a viabilidade.
Em São Bernardo, cada um dos 765,4 mil munícipes descarta cerca de 890 gramas de lixo por dia, volume que gera custo anual de R$ 42 milhões, sendo R$ 24 milhões com coleta, R$ 18 milhões com o aterro sanitário Lara, em Mauá, e R$ 1,5 milhão com a operação ‘cata bagulho’.
Santo André paga R$ 64,80 por tonelada de lixo produzido e encaminha cerca de 2,7 mil toneladas de resíduos para o aterro municipal mensalmente. Quinze estações de coleta espalhadas pela cidade cuidam do recolhimento de entulhos.
Os 386 mil moradores de Diadema produzem 9 mil toneladas de lixo por mês, o que gera gasto de R$ 15,2 milhões por ano com coleta, transbordo, transporte e destinação final para o aterro sanitário Lara, em Mauá. O município tem o programa Pé na Rua, que recolhe entulhos pela cidade, no entanto, não consegue especificar o gasto com a ação.
A produção de lixo em Mauá em 2010 foi de 91 mil toneladas, com gasto de R$ 6,7 milhões com transporte do lixo e R$ 6,7 milhões com o aterro. Já São Caetano produz média diária de 1,1 kg de lixo por pessoa, volume de 60 toneladas em 2010, com gasto médio de R$ 500 mil por ano.
Três municípios puxam queda na coleta
Enquanto o volume de lixo coletado no Brasil teve alta de 7,7% na comparação entre 2009 e 2010, em Santo André, São Bernardo e Diadema a quantidade resíduos sólidos armazenado caiu 12,7% neste período, segundo levantamento da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). A quantidade coletada nas três cidades caiu de 1,9 mil toneladas por dia em 2009 para 1,7 mil um ano depois.
O dado causa estranheza a Adriana Garcia Ferreira, coordenadora do departamento técnico da Abrelpe. “Não saberíamos explicar ao certo porque o volume de lixo coletado caiu no ABC, já que a tendência é universalização do serviço no Brasil e a coleta tem que funcionar”, comenta.
Semasa quer aterro completo em 2012
O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) quer começar 2012 com 40 mil metros do aterro sanitário em operação. Segundo Elídio Moreira, diretor de Resíduos Sólidos, no início de agosto a autarquia irá protocolar pedido de licença de intervenção na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). “Com a licença aprovada e em mãos teremos de quatro a seis meses de obras”, explica. “Essa é a nossa prioridade número um”, sustenta.
Em fevereiro deste ano, a Cetesb liberou a operação na área de 6 mil metros quadrados, impossibilitada desde maio de 2010 devido a irregularidades. Mesmo com o sinal verde para a área menor, o Semasa envia ao local apenas 10% dos resíduos sólidos da cidade. A quantia, segundo Moreira, é uma forma de prolongar até fevereiro de 2012 a sobrevida do atual espaço. Por mês, Santo André gera 27,7 mil toneladas de resíduos sólidos, dos quais 25 mil são destinados ao aterro Lara, em Mauá. Pela migração do lixo, são despendidos mensalmente R$ 1,6 milhão (R$ 65,80 por tonelada).
Se toda a projeção for ratificada, a cidade terá, a partir de 2012, uma área de 46 mil metros para o aterro sanitário, o que daria uma sobrevida de 13 anos. As últimas exigências da Cetesb para o espaço maior visam a implantação do sistema de drenagem de águas pluviais, instalação de drenos horizontais nas camadas de resíduos e a elaboração do programa de monitoramento geotécnico para a estabilidade do atual maciço. Segundo informações do portal do governo do Estado, a licença de operação, concedida a título precário, no início deste ano, é exclusiva para o recebimento de até 66.514 m³ de resíduos na porção oeste. A CETESB, segundo o texto, continua analisando o pedido feito pelo Semasa para concessão da Licença de Instalação referente à ampliação do aterro a uma segunda área de 39.805 m² contígua ao atual maciço.
Coleta seletiva é insuficiente
Todo mês a região destina para a reciclagem cerca de 760 toneladas de resíduos sólidos, ou seja, cerca de 1% de tudo que é produzido na região. A coleta seletiva na maioria dos municípios é realizada em trabalho conjunto com as cooperativas de triagem de recicláveis. Santo André é a cidade que mais se destaca em quantidade de resíduos coletados: 400 toneladas por mês.
A coleta seletiva está presente em 100% do município desde o ano 2000. Atualmente o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) desenvolve um projeto para a instalação de um condomínio da reciclagem ao lado do aterro municipal. O objetivo é destinar ao espaço os resíduos reunidos nas mais de 500 PEVs (Postos de Entrega Voluntária) espalhadas pela cidade.
O incentivo para os munícipes realizarem a triagem voluntariamente é uma das principais ferramentas dos municípios. Mauá possui 150 pontos de coleta, onde são recolhidos por mês 60 toneladas de lixo reciclável. Para a representante da Cooperma (Cooperativa de Reciclagem de Materiais de Mauá), Idinéia Bruno Ferreira, a conscientização existe, mas ainda é necessário mais responsabilidade referente ao assunto.
“As famílias estão cada vez mais conscientes, mas o problema vem de cima para baixo. As prefeituras e as empresas acabam misturando o lixo, o que dificulta cada vez mais o nosso trabalho”, denuncia. Para realizar uma triagem mais precisa, o município de São Caetano está em processo de implantação da coleta seletiva porta a porta nos bairros. O serviço é realizado uma vez por semana, acompanhado de orientação aos munícipes, em seis dos 15 bairros da cidade. Por mês, são coletadas 90 toneladas de resíduos recicláveis.
A coleta seletiva em Ribeirão Pires também é realizada através da coleta porta a porta, com arrecadação de 30 toneladas por mês. Embora seja o maior entre os municípios, São Bernardo recicla atualmente apenas 1% do lixo coletado (cerca de 180 toneladas por mês), no entanto, planeja implantar um novo sistema de coleta com o objetivo de atingir 10% até 2016.
Usina de incineração divide opiniões
O ABC terá, a partir de 2014, a primeira usina de incineração de resíduos sólidos. Instalado em São Bernardo, o equipamento poderá produzir 30 MW/h de energia, suficiente para iluminar todas as ruas e prédios públicos do município. Enquanto isso, a vizinha Santo André aguarda resultado de estudo feito por agência americana para instalar também usina.
Apesar da movimentação dos governos locais, a proposta gera debates e divide opiniões. Para o engenheiro Eleusis Di Creddo, conselheiro da ABLP (Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública), diversos países utilizam a incineração para diminuir os problemas ocasionados pela produção de resíduos sólidos e, consequentemente, gerar energia. “O aproveitamento energético dos resíduos apresenta algumas vantagens em relação à tecnologia do aterro sanitário, pois usinas podem ser implantadas mais próximas dos centros geradores de resíduos, permitem a redução significativa de peso e volume do lixo, alem de não emitirem gases do efeito estufa e não prejudicarem o meio ambiente”, afirma.
Segundo Di Creddo, apesar de benéfica, a usina se torna muitas vezes inviável devido ao alto custo. “São instalações de alto custo de implantação e operação. Precisam de grandes quantidades de resíduos e de uma complexa conjunção de valores de venda de energia para que se viabilizem”, completa. A estimativa é que a usina de São Bernardo receba aporte de R$ R$ 3,6 bilhões por meio de PPP (parceria público privada).
Ledo engano
Já a professora de Educação Ambiental e Meio Ambiente do Centro Universitário da Fundação Santo André, Angela Martins Baeder, integrante do comitê executivo do Projeto Brasil-Canadá (programa de cooperação entre os dois países para buscar soluções na questão de resíduos sólidos), as usinas não apresentam aspectos positivos. “Falar que a usina resolve o problema de destinação final do lixo é um ledo engano. Quando o lixo é incinerado ele não poderá mais se tornar matéria-prima da cadeia produtiva, um problema. Falar que o que for reciclável não será incinerado é mentira, pois o plástico e a borracha são as principais fontes de energia desta usinas”, explica.
Para Angela, a solução está no investimento público. “A incineração não vai acabar com o lixo. Ele apenas será esquecido, pois ocupará menos espaço. O que é necessário é investimento público em campanhas de educação ambiental para fazer com que as pessoas participem mais da coleta seletiva e diminuam o consumo de produtos que não podem ser reciclados”, completa.
População dá exemplo de sustentabilidade
“A reciclagem gera emprego para todos. Antes apenas reciclávamos garrafas de plástico, agora fazemos varal deste produto e o próximo passo é fabricar vassouras com o mesmo material. Além de ajudar o meio ambiente, a ação gera mais emprego e renda”, revela Antônio Sérgio Almeida, ex-catador e agora motorista da fábrica de varal pet, em Diadema.
“O trabalho de coleta é um dos únicos que hoje não exige escolaridade. Mas não se pode deixar o catador só esperando o lixo chegar. Tem de incentivar para que a pessoa não fique dependendo apenas da cooperativa”., diz Claudinei Lima, integrante do Projeto Rede Gerando Renda - Catadores do ABC e coordenador de fábrica de varal pet, que emprega 6 pessoas em Diadema.
“Fundamos a empresa Vertas em 2009 e desde lá percebi que muito material eletrônico pode ser recuperado, com isso aproveitamos os recursos e evitamos desperdício. Conseguimos recuperar pelo menos 98% do material”., comenta Walmir Cristino, químico e proprietário da empresa de reciclagem de equipamentos eletrônicos Vertas, em Santo André.
“Trabalho com reciclagem há nove meses e hoje acredito que é possível viver do reaproveitamento dos materiais, como o plástico. Além de aprender como reaproveitar garrafas de plástico também faço a coleta seletiva em casa e trago os resíduos sólidos para a cooperativa”., conta Nelson Souza Matos, funcionário da fábrica de varal pet, em Diadema.
http://www.reporterdiario.com.br
Apesar disso, apenas 1% de todo o lixo produzido no ABC vai para cooperativas de reciclagem. Como meio de diminuir o problema do espaço ocupado pelos resíduos, as duas maiores produtoras de lixo da região planejam usinas de incineração, apesar de especialistas divergirem em relação aos benefícios da medida. Em São Bernardo o equipamento deve sair em 2014. Já Santo André estuda a viabilidade.
Em São Bernardo, cada um dos 765,4 mil munícipes descarta cerca de 890 gramas de lixo por dia, volume que gera custo anual de R$ 42 milhões, sendo R$ 24 milhões com coleta, R$ 18 milhões com o aterro sanitário Lara, em Mauá, e R$ 1,5 milhão com a operação ‘cata bagulho’.
Santo André paga R$ 64,80 por tonelada de lixo produzido e encaminha cerca de 2,7 mil toneladas de resíduos para o aterro municipal mensalmente. Quinze estações de coleta espalhadas pela cidade cuidam do recolhimento de entulhos.
Os 386 mil moradores de Diadema produzem 9 mil toneladas de lixo por mês, o que gera gasto de R$ 15,2 milhões por ano com coleta, transbordo, transporte e destinação final para o aterro sanitário Lara, em Mauá. O município tem o programa Pé na Rua, que recolhe entulhos pela cidade, no entanto, não consegue especificar o gasto com a ação.
A produção de lixo em Mauá em 2010 foi de 91 mil toneladas, com gasto de R$ 6,7 milhões com transporte do lixo e R$ 6,7 milhões com o aterro. Já São Caetano produz média diária de 1,1 kg de lixo por pessoa, volume de 60 toneladas em 2010, com gasto médio de R$ 500 mil por ano.
Três municípios puxam queda na coleta
Enquanto o volume de lixo coletado no Brasil teve alta de 7,7% na comparação entre 2009 e 2010, em Santo André, São Bernardo e Diadema a quantidade resíduos sólidos armazenado caiu 12,7% neste período, segundo levantamento da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). A quantidade coletada nas três cidades caiu de 1,9 mil toneladas por dia em 2009 para 1,7 mil um ano depois.
O dado causa estranheza a Adriana Garcia Ferreira, coordenadora do departamento técnico da Abrelpe. “Não saberíamos explicar ao certo porque o volume de lixo coletado caiu no ABC, já que a tendência é universalização do serviço no Brasil e a coleta tem que funcionar”, comenta.
Semasa quer aterro completo em 2012
O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) quer começar 2012 com 40 mil metros do aterro sanitário em operação. Segundo Elídio Moreira, diretor de Resíduos Sólidos, no início de agosto a autarquia irá protocolar pedido de licença de intervenção na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). “Com a licença aprovada e em mãos teremos de quatro a seis meses de obras”, explica. “Essa é a nossa prioridade número um”, sustenta.
Em fevereiro deste ano, a Cetesb liberou a operação na área de 6 mil metros quadrados, impossibilitada desde maio de 2010 devido a irregularidades. Mesmo com o sinal verde para a área menor, o Semasa envia ao local apenas 10% dos resíduos sólidos da cidade. A quantia, segundo Moreira, é uma forma de prolongar até fevereiro de 2012 a sobrevida do atual espaço. Por mês, Santo André gera 27,7 mil toneladas de resíduos sólidos, dos quais 25 mil são destinados ao aterro Lara, em Mauá. Pela migração do lixo, são despendidos mensalmente R$ 1,6 milhão (R$ 65,80 por tonelada).
Se toda a projeção for ratificada, a cidade terá, a partir de 2012, uma área de 46 mil metros para o aterro sanitário, o que daria uma sobrevida de 13 anos. As últimas exigências da Cetesb para o espaço maior visam a implantação do sistema de drenagem de águas pluviais, instalação de drenos horizontais nas camadas de resíduos e a elaboração do programa de monitoramento geotécnico para a estabilidade do atual maciço. Segundo informações do portal do governo do Estado, a licença de operação, concedida a título precário, no início deste ano, é exclusiva para o recebimento de até 66.514 m³ de resíduos na porção oeste. A CETESB, segundo o texto, continua analisando o pedido feito pelo Semasa para concessão da Licença de Instalação referente à ampliação do aterro a uma segunda área de 39.805 m² contígua ao atual maciço.
Coleta seletiva é insuficiente
Todo mês a região destina para a reciclagem cerca de 760 toneladas de resíduos sólidos, ou seja, cerca de 1% de tudo que é produzido na região. A coleta seletiva na maioria dos municípios é realizada em trabalho conjunto com as cooperativas de triagem de recicláveis. Santo André é a cidade que mais se destaca em quantidade de resíduos coletados: 400 toneladas por mês.
A coleta seletiva está presente em 100% do município desde o ano 2000. Atualmente o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) desenvolve um projeto para a instalação de um condomínio da reciclagem ao lado do aterro municipal. O objetivo é destinar ao espaço os resíduos reunidos nas mais de 500 PEVs (Postos de Entrega Voluntária) espalhadas pela cidade.
O incentivo para os munícipes realizarem a triagem voluntariamente é uma das principais ferramentas dos municípios. Mauá possui 150 pontos de coleta, onde são recolhidos por mês 60 toneladas de lixo reciclável. Para a representante da Cooperma (Cooperativa de Reciclagem de Materiais de Mauá), Idinéia Bruno Ferreira, a conscientização existe, mas ainda é necessário mais responsabilidade referente ao assunto.
“As famílias estão cada vez mais conscientes, mas o problema vem de cima para baixo. As prefeituras e as empresas acabam misturando o lixo, o que dificulta cada vez mais o nosso trabalho”, denuncia. Para realizar uma triagem mais precisa, o município de São Caetano está em processo de implantação da coleta seletiva porta a porta nos bairros. O serviço é realizado uma vez por semana, acompanhado de orientação aos munícipes, em seis dos 15 bairros da cidade. Por mês, são coletadas 90 toneladas de resíduos recicláveis.
A coleta seletiva em Ribeirão Pires também é realizada através da coleta porta a porta, com arrecadação de 30 toneladas por mês. Embora seja o maior entre os municípios, São Bernardo recicla atualmente apenas 1% do lixo coletado (cerca de 180 toneladas por mês), no entanto, planeja implantar um novo sistema de coleta com o objetivo de atingir 10% até 2016.
Usina de incineração divide opiniões
O ABC terá, a partir de 2014, a primeira usina de incineração de resíduos sólidos. Instalado em São Bernardo, o equipamento poderá produzir 30 MW/h de energia, suficiente para iluminar todas as ruas e prédios públicos do município. Enquanto isso, a vizinha Santo André aguarda resultado de estudo feito por agência americana para instalar também usina.
Apesar da movimentação dos governos locais, a proposta gera debates e divide opiniões. Para o engenheiro Eleusis Di Creddo, conselheiro da ABLP (Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública), diversos países utilizam a incineração para diminuir os problemas ocasionados pela produção de resíduos sólidos e, consequentemente, gerar energia. “O aproveitamento energético dos resíduos apresenta algumas vantagens em relação à tecnologia do aterro sanitário, pois usinas podem ser implantadas mais próximas dos centros geradores de resíduos, permitem a redução significativa de peso e volume do lixo, alem de não emitirem gases do efeito estufa e não prejudicarem o meio ambiente”, afirma.
Segundo Di Creddo, apesar de benéfica, a usina se torna muitas vezes inviável devido ao alto custo. “São instalações de alto custo de implantação e operação. Precisam de grandes quantidades de resíduos e de uma complexa conjunção de valores de venda de energia para que se viabilizem”, completa. A estimativa é que a usina de São Bernardo receba aporte de R$ R$ 3,6 bilhões por meio de PPP (parceria público privada).
Ledo engano
Já a professora de Educação Ambiental e Meio Ambiente do Centro Universitário da Fundação Santo André, Angela Martins Baeder, integrante do comitê executivo do Projeto Brasil-Canadá (programa de cooperação entre os dois países para buscar soluções na questão de resíduos sólidos), as usinas não apresentam aspectos positivos. “Falar que a usina resolve o problema de destinação final do lixo é um ledo engano. Quando o lixo é incinerado ele não poderá mais se tornar matéria-prima da cadeia produtiva, um problema. Falar que o que for reciclável não será incinerado é mentira, pois o plástico e a borracha são as principais fontes de energia desta usinas”, explica.
Para Angela, a solução está no investimento público. “A incineração não vai acabar com o lixo. Ele apenas será esquecido, pois ocupará menos espaço. O que é necessário é investimento público em campanhas de educação ambiental para fazer com que as pessoas participem mais da coleta seletiva e diminuam o consumo de produtos que não podem ser reciclados”, completa.
População dá exemplo de sustentabilidade
“A reciclagem gera emprego para todos. Antes apenas reciclávamos garrafas de plástico, agora fazemos varal deste produto e o próximo passo é fabricar vassouras com o mesmo material. Além de ajudar o meio ambiente, a ação gera mais emprego e renda”, revela Antônio Sérgio Almeida, ex-catador e agora motorista da fábrica de varal pet, em Diadema.
“O trabalho de coleta é um dos únicos que hoje não exige escolaridade. Mas não se pode deixar o catador só esperando o lixo chegar. Tem de incentivar para que a pessoa não fique dependendo apenas da cooperativa”., diz Claudinei Lima, integrante do Projeto Rede Gerando Renda - Catadores do ABC e coordenador de fábrica de varal pet, que emprega 6 pessoas em Diadema.
“Fundamos a empresa Vertas em 2009 e desde lá percebi que muito material eletrônico pode ser recuperado, com isso aproveitamos os recursos e evitamos desperdício. Conseguimos recuperar pelo menos 98% do material”., comenta Walmir Cristino, químico e proprietário da empresa de reciclagem de equipamentos eletrônicos Vertas, em Santo André.
“Trabalho com reciclagem há nove meses e hoje acredito que é possível viver do reaproveitamento dos materiais, como o plástico. Além de aprender como reaproveitar garrafas de plástico também faço a coleta seletiva em casa e trago os resíduos sólidos para a cooperativa”., conta Nelson Souza Matos, funcionário da fábrica de varal pet, em Diadema.
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O risco de jogar remédios no lixo
Programa ensina a descartar medicamento de forma correta
Rio - Quando o remédio deixa de ser usado ou acaba a validade onde jogá-lo fora? Segundo pesquisa da Unicamp, cerca de 98% das pessoas escolhem pia, vaso sanitário ou lixo comum para descartar os medicamentos. A atitude, entretanto, prejudica a saúde da população, alertam especialistas. Contra este problema, o Programa Descarte Consciente vem instalando lixeiras especiais para coleta de medicamentos em desuso. No Rio já são 17 postos e fora da cidade, mais três.
Segundo José Agostini Roxo, diretor-presidente da Brasil Health Service — idealizadora do programa com a Droga Raia e a Medley — remédios precisam receber tratamento especial. “No lixo comum há mais chance do medicamento contaminar o solo e a água. Isso pode causar problemas à saúde”, afirma Roxo.
De fato. De acordo com o infectologista da UFRJ Edmilson Migowski, jogar antibióticos no ambiente, por exemplo, pode criar bactérias mais resistentes àquela substância, tornando o combate mais difícil. “Já hormônios e substâncias cancerígenas também podem estar presentes na água que consumimos e são, nestas condições, prejudiciais”, completa o médico.
Após o descarte nas estações coletoras de resíduos de medicamentos, o lixo é monitorado até a sua destruição. A dona de casa Guiomar Martins, 68 anos, aprovou a coleta. “Guardar remédio velho é perigoso e jogar na pia também. É só separar o lixo e levar na lixeira da farmácia. Assim evitamos problemas de saúde e poluição do ambiente”, diz.
Coletores específicos
De acordo com José Roxo, a pessoa é orientada sobre o descarte na estação de coleta e por meio de um equipamento de autoatendimento. “A estação tem três coletores: um para pomadas e comprimidos; um para líquidos e sprays; e outro para caixas e bulas que serão recicladas”, explica.
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Rio - Quando o remédio deixa de ser usado ou acaba a validade onde jogá-lo fora? Segundo pesquisa da Unicamp, cerca de 98% das pessoas escolhem pia, vaso sanitário ou lixo comum para descartar os medicamentos. A atitude, entretanto, prejudica a saúde da população, alertam especialistas. Contra este problema, o Programa Descarte Consciente vem instalando lixeiras especiais para coleta de medicamentos em desuso. No Rio já são 17 postos e fora da cidade, mais três.
Segundo José Agostini Roxo, diretor-presidente da Brasil Health Service — idealizadora do programa com a Droga Raia e a Medley — remédios precisam receber tratamento especial. “No lixo comum há mais chance do medicamento contaminar o solo e a água. Isso pode causar problemas à saúde”, afirma Roxo.
De fato. De acordo com o infectologista da UFRJ Edmilson Migowski, jogar antibióticos no ambiente, por exemplo, pode criar bactérias mais resistentes àquela substância, tornando o combate mais difícil. “Já hormônios e substâncias cancerígenas também podem estar presentes na água que consumimos e são, nestas condições, prejudiciais”, completa o médico.
Após o descarte nas estações coletoras de resíduos de medicamentos, o lixo é monitorado até a sua destruição. A dona de casa Guiomar Martins, 68 anos, aprovou a coleta. “Guardar remédio velho é perigoso e jogar na pia também. É só separar o lixo e levar na lixeira da farmácia. Assim evitamos problemas de saúde e poluição do ambiente”, diz.
Coletores específicos
De acordo com José Roxo, a pessoa é orientada sobre o descarte na estação de coleta e por meio de um equipamento de autoatendimento. “A estação tem três coletores: um para pomadas e comprimidos; um para líquidos e sprays; e outro para caixas e bulas que serão recicladas”, explica.
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O risco de jogar remédios no lixo
Programa ensina a descartar medicamento de forma correta
Rio - Quando o remédio deixa de ser usado ou acaba a validade onde jogá-lo fora? Segundo pesquisa da Unicamp, cerca de 98% das pessoas escolhem pia, vaso sanitário ou lixo comum para descartar os medicamentos. A atitude, entretanto, prejudica a saúde da população, alertam especialistas. Contra este problema, o Programa Descarte Consciente vem instalando lixeiras especiais para coleta de medicamentos em desuso. No Rio já são 17 postos e fora da cidade, mais três.
Segundo José Agostini Roxo, diretor-presidente da Brasil Health Service — idealizadora do programa com a Droga Raia e a Medley — remédios precisam receber tratamento especial. “No lixo comum há mais chance do medicamento contaminar o solo e a água. Isso pode causar problemas à saúde”, afirma Roxo.
De fato. De acordo com o infectologista da UFRJ Edmilson Migowski, jogar antibióticos no ambiente, por exemplo, pode criar bactérias mais resistentes àquela substância, tornando o combate mais difícil. “Já hormônios e substâncias cancerígenas também podem estar presentes na água que consumimos e são, nestas condições, prejudiciais”, completa o médico.
Após o descarte nas estações coletoras de resíduos de medicamentos, o lixo é monitorado até a sua destruição. A dona de casa Guiomar Martins, 68 anos, aprovou a coleta. “Guardar remédio velho é perigoso e jogar na pia também. É só separar o lixo e levar na lixeira da farmácia. Assim evitamos problemas de saúde e poluição do ambiente”, diz.
Coletores específicos
De acordo com José Roxo, a pessoa é orientada sobre o descarte na estação de coleta e por meio de um equipamento de autoatendimento. “A estação tem três coletores: um para pomadas e comprimidos; um para líquidos e sprays; e outro para caixas e bulas que serão recicladas”, explica.
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Rio - Quando o remédio deixa de ser usado ou acaba a validade onde jogá-lo fora? Segundo pesquisa da Unicamp, cerca de 98% das pessoas escolhem pia, vaso sanitário ou lixo comum para descartar os medicamentos. A atitude, entretanto, prejudica a saúde da população, alertam especialistas. Contra este problema, o Programa Descarte Consciente vem instalando lixeiras especiais para coleta de medicamentos em desuso. No Rio já são 17 postos e fora da cidade, mais três.
Segundo José Agostini Roxo, diretor-presidente da Brasil Health Service — idealizadora do programa com a Droga Raia e a Medley — remédios precisam receber tratamento especial. “No lixo comum há mais chance do medicamento contaminar o solo e a água. Isso pode causar problemas à saúde”, afirma Roxo.
De fato. De acordo com o infectologista da UFRJ Edmilson Migowski, jogar antibióticos no ambiente, por exemplo, pode criar bactérias mais resistentes àquela substância, tornando o combate mais difícil. “Já hormônios e substâncias cancerígenas também podem estar presentes na água que consumimos e são, nestas condições, prejudiciais”, completa o médico.
Após o descarte nas estações coletoras de resíduos de medicamentos, o lixo é monitorado até a sua destruição. A dona de casa Guiomar Martins, 68 anos, aprovou a coleta. “Guardar remédio velho é perigoso e jogar na pia também. É só separar o lixo e levar na lixeira da farmácia. Assim evitamos problemas de saúde e poluição do ambiente”, diz.
Coletores específicos
De acordo com José Roxo, a pessoa é orientada sobre o descarte na estação de coleta e por meio de um equipamento de autoatendimento. “A estação tem três coletores: um para pomadas e comprimidos; um para líquidos e sprays; e outro para caixas e bulas que serão recicladas”, explica.
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A logística do lixo
De todos os problemas que mais afligem o meio urbano no Brasil, o lixo desponta entre os itens prioritários na agenda municipal e ganha status como fonte de negócios.
Pela nova lei federal do setor, aprovada no ano passado, as prefeituras são obrigadas a elaborar planos para a gestão de resíduos até agosto de 2012, sem os quais não terão acesso a recursos da União. Aos aterros sanitários só poderá ser destinado o material não reciclável. E os lixões a céu aberto, existentes em mais da metade das cidades brasileiras, precisam estar erradicados em 2014.
As novas obrigações impõem mudanças de práticas gerenciais e planejamento, tanto por parte do governo, como das empresas. Surgem oportunidades para investimentos, com a perspectiva de uma nova política de incentivos para o setor - tema do seminário "Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos", que será realizado hoje em Salvador pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em parceria com o Valor.
Novos recursos serão injetados para ampliar a coleta seletiva nas residências, enterrar lixo em área adequada, instalar usinas de incineração para gerar energia, construir cooperativas de catadores e mobilizar a população. De acordo com estimativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), são necessários investimentos em torno de R$ 8,5 bilhões, nos próximos três anos, para a legislação sair do papel e mudar o cenário do lixo no País. O número representa quase metade do mercado nacional de limpeza urbana já instalado, que no ano passado teve faturamento de R$ 19 bilhões.
"Os planos municipais começam a definir os rumos dos investimentos", afirma Carlos Silva, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). "É grande a perspectiva de expansão diante do grande volume de lixo gerado no país ainda sem uma solução adequada", avalia o executivo, lembrando que o Reino Unido, por exemplo, produz 90% menos resíduos que o Brasil, mas tem números de mercado praticamente iguais. O faturamento brasileiro é quatro vezes inferior ao da China, de acordo com a Abrelpe.
O crescimento econômico, com reflexos no consumo e na maior geração de resíduos, desenha o cenário. De olho nas oportunidades, empresas do setor adotam a estratégia de orientar prefeituras na elaboração dos planos municipais de resíduos e nos caminhos para torná-los viáveis. Pela legislação, os estudos devem incluir um diagnóstico da situação do lixo, metas para redução e reciclagem, mapeamento dos principais geradores, educação ambiental, custos e modelos de coleta seletiva e indicadores para medir o desempenho do serviço. Com 21 itens em seu conteúdo mínimo, o plano pode ter versão simplificada para cidades com menos de 20 mil habitantes. "Mas a maioria dos municípios ainda está alheia a essa obrigação", diz Silva.
"Com a nova lei, a lógica da limpeza urbana, antes restrita à coleta e disposição em aterro, muda completamente", argumenta o executivo. O trabalho envolve também reduzir a geração, fazer a reciclagem e, em alguns casos, transformar o que não é reciclável em energia. Em sua opinião, "apenas acabar com os lixões não resolve o problema, que abrange outros desafios, como soluções para o alto custo da coleta seletiva e a incorporação de tecnologias". Para fechar a conta, Silva defende taxar a população pelo serviço do lixo, cobrança hoje adotada por apenas 4% dos municípios.
Segundo ele, os contratos de concessão com empresas de limpeza urbana devem se adaptar à lei. Uma possibilidade é a remuneração das empresas não mais por tonelada de lixo coletado, mas pela qualidade do serviço, aferida nas ruas por fiscais ou até por câmeras fotográficas, como em Paris. No Brasil, 80% da coleta municipal do lixo é operada por empresas, participação que no recolhimento dos materiais recicláveis é inferior a 10%, diz Abrelpe. A tendência é de ampliação, com participação de cooperativas de catadores. A lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos prioriza o acesso a recursos federais para municípios que façam parceria com essa força de trabalho.
Há diferentes modelos em jogo. Relatório da empresa de consultoria Pinheiro Pedro Advogados, que inspirou alguns itens da nova lei, indica a parceria público-privada como formato para tornar os investimentos viáveis, diante da falta de recursos públicos. "Os municípios não conseguirão atuar sozinhos", afirma o consultor Antônio Pinheiro, co-autor de um estudo em fase de conclusão para o Banco Mundial sobre a viabilidade econômica da gestão de resíduos no Brasil. "Sob o ponto de vista financeiro, aterros sanitários só são vantajosos quando recebem lixo em grande escala, acima de 250 toneladas por dia", informa o analista. A saída, segundo ele, é o consórcio de pequenos municípios para uso comum dessas áreas.
Em recente audiência pública no Senado, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, disse que as prefeituras dificilmente conseguirão cumprir os prazos da lei se não tiverem R$ 52 bilhões para transformar os lixões em aterros sanitários até 2014. "O prazo é apertado, factível para a contratação dos novos projetos, mas não para a sua execução", admite Nabil Bonduki, secretário de recursos hídricos e ambiente urbano do MMA.
Ele informa que o governo federal começou a assinar convênios com Estados para a elaboração de planos intermunicipais com meta de envolver 344 conjuntos de cidades em todo o País, ao custo estimado de R$ 190 milhões. "É o primeiro passo para a formação dos consórcios", explica Bonduki, para quem, até dezembro, o governo concluirá o plano nacional de resíduos. "A perspectiva é tratar o lixo como recurso e não como problema, o que exige racionalizar o uso dos aterros sanitários", diz.
"Faltam indicadores para sabermos o tamanho do atraso", adverte Maurício Broinizi, do Movimento Nossa São Paulo, entidade que tem planos de fazer um diagnóstico e mapeamento dos resíduos e cooperativas de catadores na capital paulista, em parceria com empresas. O objetivo é seguir o modelo de Los Angeles (EUA), que desde 2007 reduziu em 63% o lixo levado para aterros, mediante a aliança de governo e iniciativa privada. Em sua análise, a coleta seletiva no Brasil precisa de escala para permitir o desenvolvimento da indústria de reciclagem e o peso de São Paulo nesse processo, pelo tamanho da população e da riqueza econômica, seria decisivo.
(Valor Econômico)
http://www.revistadae.com.br/novosite/noticias_interna.php?id=5212
Pela nova lei federal do setor, aprovada no ano passado, as prefeituras são obrigadas a elaborar planos para a gestão de resíduos até agosto de 2012, sem os quais não terão acesso a recursos da União. Aos aterros sanitários só poderá ser destinado o material não reciclável. E os lixões a céu aberto, existentes em mais da metade das cidades brasileiras, precisam estar erradicados em 2014.
As novas obrigações impõem mudanças de práticas gerenciais e planejamento, tanto por parte do governo, como das empresas. Surgem oportunidades para investimentos, com a perspectiva de uma nova política de incentivos para o setor - tema do seminário "Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos", que será realizado hoje em Salvador pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em parceria com o Valor.
Novos recursos serão injetados para ampliar a coleta seletiva nas residências, enterrar lixo em área adequada, instalar usinas de incineração para gerar energia, construir cooperativas de catadores e mobilizar a população. De acordo com estimativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), são necessários investimentos em torno de R$ 8,5 bilhões, nos próximos três anos, para a legislação sair do papel e mudar o cenário do lixo no País. O número representa quase metade do mercado nacional de limpeza urbana já instalado, que no ano passado teve faturamento de R$ 19 bilhões.
"Os planos municipais começam a definir os rumos dos investimentos", afirma Carlos Silva, diretor da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). "É grande a perspectiva de expansão diante do grande volume de lixo gerado no país ainda sem uma solução adequada", avalia o executivo, lembrando que o Reino Unido, por exemplo, produz 90% menos resíduos que o Brasil, mas tem números de mercado praticamente iguais. O faturamento brasileiro é quatro vezes inferior ao da China, de acordo com a Abrelpe.
O crescimento econômico, com reflexos no consumo e na maior geração de resíduos, desenha o cenário. De olho nas oportunidades, empresas do setor adotam a estratégia de orientar prefeituras na elaboração dos planos municipais de resíduos e nos caminhos para torná-los viáveis. Pela legislação, os estudos devem incluir um diagnóstico da situação do lixo, metas para redução e reciclagem, mapeamento dos principais geradores, educação ambiental, custos e modelos de coleta seletiva e indicadores para medir o desempenho do serviço. Com 21 itens em seu conteúdo mínimo, o plano pode ter versão simplificada para cidades com menos de 20 mil habitantes. "Mas a maioria dos municípios ainda está alheia a essa obrigação", diz Silva.
"Com a nova lei, a lógica da limpeza urbana, antes restrita à coleta e disposição em aterro, muda completamente", argumenta o executivo. O trabalho envolve também reduzir a geração, fazer a reciclagem e, em alguns casos, transformar o que não é reciclável em energia. Em sua opinião, "apenas acabar com os lixões não resolve o problema, que abrange outros desafios, como soluções para o alto custo da coleta seletiva e a incorporação de tecnologias". Para fechar a conta, Silva defende taxar a população pelo serviço do lixo, cobrança hoje adotada por apenas 4% dos municípios.
Segundo ele, os contratos de concessão com empresas de limpeza urbana devem se adaptar à lei. Uma possibilidade é a remuneração das empresas não mais por tonelada de lixo coletado, mas pela qualidade do serviço, aferida nas ruas por fiscais ou até por câmeras fotográficas, como em Paris. No Brasil, 80% da coleta municipal do lixo é operada por empresas, participação que no recolhimento dos materiais recicláveis é inferior a 10%, diz Abrelpe. A tendência é de ampliação, com participação de cooperativas de catadores. A lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos prioriza o acesso a recursos federais para municípios que façam parceria com essa força de trabalho.
Há diferentes modelos em jogo. Relatório da empresa de consultoria Pinheiro Pedro Advogados, que inspirou alguns itens da nova lei, indica a parceria público-privada como formato para tornar os investimentos viáveis, diante da falta de recursos públicos. "Os municípios não conseguirão atuar sozinhos", afirma o consultor Antônio Pinheiro, co-autor de um estudo em fase de conclusão para o Banco Mundial sobre a viabilidade econômica da gestão de resíduos no Brasil. "Sob o ponto de vista financeiro, aterros sanitários só são vantajosos quando recebem lixo em grande escala, acima de 250 toneladas por dia", informa o analista. A saída, segundo ele, é o consórcio de pequenos municípios para uso comum dessas áreas.
Em recente audiência pública no Senado, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, disse que as prefeituras dificilmente conseguirão cumprir os prazos da lei se não tiverem R$ 52 bilhões para transformar os lixões em aterros sanitários até 2014. "O prazo é apertado, factível para a contratação dos novos projetos, mas não para a sua execução", admite Nabil Bonduki, secretário de recursos hídricos e ambiente urbano do MMA.
Ele informa que o governo federal começou a assinar convênios com Estados para a elaboração de planos intermunicipais com meta de envolver 344 conjuntos de cidades em todo o País, ao custo estimado de R$ 190 milhões. "É o primeiro passo para a formação dos consórcios", explica Bonduki, para quem, até dezembro, o governo concluirá o plano nacional de resíduos. "A perspectiva é tratar o lixo como recurso e não como problema, o que exige racionalizar o uso dos aterros sanitários", diz.
"Faltam indicadores para sabermos o tamanho do atraso", adverte Maurício Broinizi, do Movimento Nossa São Paulo, entidade que tem planos de fazer um diagnóstico e mapeamento dos resíduos e cooperativas de catadores na capital paulista, em parceria com empresas. O objetivo é seguir o modelo de Los Angeles (EUA), que desde 2007 reduziu em 63% o lixo levado para aterros, mediante a aliança de governo e iniciativa privada. Em sua análise, a coleta seletiva no Brasil precisa de escala para permitir o desenvolvimento da indústria de reciclagem e o peso de São Paulo nesse processo, pelo tamanho da população e da riqueza econômica, seria decisivo.
(Valor Econômico)
http://www.revistadae.com.br/novosite/noticias_interna.php?id=5212
Protocolo de Montreal deve aprovar pleito brasileiro
Uma equipe técnica do Ministério do Meio Ambiente estará na próxima semana em Montreal (Canadá), onde será decidido o repasse de US$ 20 milhões necessários para iniciar a execução do Programa Brasileiro de Eliminação de Hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) – composto que traz prejuízos à camada de ozônio, contribui para o efeito estufa e é amplamente utilizado em equipamentos de refrigeração.
“Tivemos a aprovação do nosso pleito pela Secretaria do Fundo Multilateral para Implementação do Protocolo de Montreal, que o recomendou ao Comitê Executivo”, conta a coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio, no MMA, Magna Luduvice. O ministério recebeu o comunicado no último dia 7, e sua negociação começou em 4 de abril. O Comitê Executivo se reunirá entre os dias 25 e 29 de julho.
O Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs começou a ser desenvolvido em março de 2009 e foi concluído em janeiro deste ano, depois de consultas públicas e com a participação do setor privado.
Magna Luduvice explica que os recursos do fundo devem ser aplicados em sua primeira fase, entre 2011 e 2015, para a eliminação dos HCFCs na fabricação das espumas usadas nos equipamentos de refrigeração.
O dinheiro, não reembolsável, servirá para a conversão da tecnologia de empresas nacionais. A estimativa é que outros US$ 14 milhões deverão ser investidos por multinacionais que atuam no Brasil, e que deverão bancar sua própria conversão.
“As decisões têm de ser acertadas pelos governos, para se eliminarem os gases prejudiciais à camada de ozônio e também de efeito estufa”, diz Anderson Alves, assessor de Projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud Brasil).
A instituição facilita as negociações do governo brasileiro junto ao Fundo Multilateral, e ainda contribui, por exemplo, com a contratação de profissionais, repasse de recursos e transferência de tecnologia para que o País alcance os resultados almejados.
Efeito estufa – Magna Luduvice cita outro momento importante dos encontros que ocorrerão no Canadá: “Os países vão discutir a emenda apresentada pelo Canadá, Estados Unidos, Austrália e Micronésia para a redução de outro composto, os hidrofluorcarbonos (HFC)”. A coordenadora explica que apesar dos HFCs não serem prejudiciais à camada de ozônio, a proposta é que sejam também controlados pelo Protocolo de Montreal por serem substâncias alternativas aos HCFCs.
(Fonte: Cristina Ávila/ MMA)
“Tivemos a aprovação do nosso pleito pela Secretaria do Fundo Multilateral para Implementação do Protocolo de Montreal, que o recomendou ao Comitê Executivo”, conta a coordenadora de Proteção da Camada de Ozônio, no MMA, Magna Luduvice. O ministério recebeu o comunicado no último dia 7, e sua negociação começou em 4 de abril. O Comitê Executivo se reunirá entre os dias 25 e 29 de julho.
O Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs começou a ser desenvolvido em março de 2009 e foi concluído em janeiro deste ano, depois de consultas públicas e com a participação do setor privado.
Magna Luduvice explica que os recursos do fundo devem ser aplicados em sua primeira fase, entre 2011 e 2015, para a eliminação dos HCFCs na fabricação das espumas usadas nos equipamentos de refrigeração.
O dinheiro, não reembolsável, servirá para a conversão da tecnologia de empresas nacionais. A estimativa é que outros US$ 14 milhões deverão ser investidos por multinacionais que atuam no Brasil, e que deverão bancar sua própria conversão.
“As decisões têm de ser acertadas pelos governos, para se eliminarem os gases prejudiciais à camada de ozônio e também de efeito estufa”, diz Anderson Alves, assessor de Projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud Brasil).
A instituição facilita as negociações do governo brasileiro junto ao Fundo Multilateral, e ainda contribui, por exemplo, com a contratação de profissionais, repasse de recursos e transferência de tecnologia para que o País alcance os resultados almejados.
Efeito estufa – Magna Luduvice cita outro momento importante dos encontros que ocorrerão no Canadá: “Os países vão discutir a emenda apresentada pelo Canadá, Estados Unidos, Austrália e Micronésia para a redução de outro composto, os hidrofluorcarbonos (HFC)”. A coordenadora explica que apesar dos HFCs não serem prejudiciais à camada de ozônio, a proposta é que sejam também controlados pelo Protocolo de Montreal por serem substâncias alternativas aos HCFCs.
(Fonte: Cristina Ávila/ MMA)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Chuva faz rio subir 13 metros acima do nível normal no RS
As chuvas desta quinta-feira (21) no Rio Grande do Sul elevaram o rio Caí 13,15 metros acima do nível normal na cidade gaúcha de São Sebastião do Caí, informou a Defesa Civil do município. Oito cidades foram atingidas pelas chuvas, e mais de mil pessoas estão desabrigadas no estado.
De acordo com a Defesa Civil, São Sebastião do Caí decretou situação de emergência em razão das enchentes. Desde a madrugada, as famílias que residem próximo ao rio Caí estão sendo deslocadas para a casa de familiares. O órgão avalia que o nível do rio pode chegar a 14 metros acima do normal.
Enchentes – As fortes chuvas que atingem o RS desde o fim de semana deixaram centenas de desabrigados, segundo a Defesa Civil estadual. Pelo menos oito cidades registraram alagamentos ou deslizamentos. Os municípios mais atingidos estão localizados nos vales do Caí e Paranhana, no caminho para a região serrana, conforme o major Ari Ferreira.
Igrejinha é a cidade com maior número de desabrigados e desalojados, chegando a 300 famílias (cerca de 1,5 mil pessoas). Alguns grupos isolados tiveram que ser retirados de casa por botes, com ajuda do Corpo de Bombeiros.
Outra cidade afetada é Caxias do Sul, onde uma casa desmoronou e uma criança foi soterrada. Segundo o major Ari, o bebê de um ano e dois meses foi resgatado com vida na quarta-feira (20) e está internado em um hospital, mas passa bem.
“Temos vários rios acima do nível normal e estamos monitorando e tirando pessoas de áreas de risco, principalmente na região do rio dos Sinos e Caí. Está chovendo forte desde o fim de semana e ainda não parou de chover”, afirmou o oficial mais cedo ao G1.
Em Parobé, inundações fizeram mais 180 pessoas saírem de casa. Também houve deslizamentos e enxurradas em Pinhal.
(Fonte: G1)
De acordo com a Defesa Civil, São Sebastião do Caí decretou situação de emergência em razão das enchentes. Desde a madrugada, as famílias que residem próximo ao rio Caí estão sendo deslocadas para a casa de familiares. O órgão avalia que o nível do rio pode chegar a 14 metros acima do normal.
Enchentes – As fortes chuvas que atingem o RS desde o fim de semana deixaram centenas de desabrigados, segundo a Defesa Civil estadual. Pelo menos oito cidades registraram alagamentos ou deslizamentos. Os municípios mais atingidos estão localizados nos vales do Caí e Paranhana, no caminho para a região serrana, conforme o major Ari Ferreira.
Igrejinha é a cidade com maior número de desabrigados e desalojados, chegando a 300 famílias (cerca de 1,5 mil pessoas). Alguns grupos isolados tiveram que ser retirados de casa por botes, com ajuda do Corpo de Bombeiros.
Outra cidade afetada é Caxias do Sul, onde uma casa desmoronou e uma criança foi soterrada. Segundo o major Ari, o bebê de um ano e dois meses foi resgatado com vida na quarta-feira (20) e está internado em um hospital, mas passa bem.
“Temos vários rios acima do nível normal e estamos monitorando e tirando pessoas de áreas de risco, principalmente na região do rio dos Sinos e Caí. Está chovendo forte desde o fim de semana e ainda não parou de chover”, afirmou o oficial mais cedo ao G1.
Em Parobé, inundações fizeram mais 180 pessoas saírem de casa. Também houve deslizamentos e enxurradas em Pinhal.
(Fonte: G1)
Chile enfrenta as piores nevascas dos últimos 30 anos
O Chile enfrenta uma das piores nevascas dos últimos 30 anos, o que levou o governo a declarar a região sul do país como zona de catástrofe.
Em algumas áreas, a neve acumulada chega a quase três metros. Vinte mil pessoas estão isoladas e sem eletricidade. Começa a faltar comida e o governo corre contra o tempo para levar ajuda.
(Fonte: G1)
Em algumas áreas, a neve acumulada chega a quase três metros. Vinte mil pessoas estão isoladas e sem eletricidade. Começa a faltar comida e o governo corre contra o tempo para levar ajuda.
(Fonte: G1)
Onda de calor mata mais de 20 pessoas nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a forte onda de calor já matou 22 pessoas. Sensação térmica de 50°C no estado de Dakota do Norte. A quanto será então que vai a temperatura no painel do carro? O suficiente para assar biscoitos e a moça ainda avisa: “Estão muito quentes para comer agora”.
Em Ohio, para refrescar as crianças, um homem não teve dúvidas: abriu o hidrante na calçada para criar um chafariz. “Eu estou fazendo de tudo para me refrescar, mas está difícil”, diz outro.
E no zoológico de Chicago, até os ursos ganharam picolés gigantes. Cerca de 140 milhões de americanos estão sofrendo com a onda de calor que já atinge 32 estados, onde foi até decretado estado de alerta. A região central do país é a mais afetada.
Segundo os meteorologistas, a temperatura subiu por causa de uma massa de ar quente e úmido que saiu do Golfo do México e estacionou sobre grande parte do país.
Ao todo, já foram confirmadas 22 mortes por causa da onda de calor. Em um hospital, dezenas de garrafas de água foram distribuídas pelo ambulatório. É para ajudar a seguir a principal recomendação dos médicos: manter a temperatura do corpo baixa e não fazer muitos exercícios durante o dia.
Por causa do calor, a prefeitura divulgou uma lista com 600 prédios públicos que estão equipados com potentes aparelhos de ar-condicionado. Do lado de dentro, a temperatura é de 21°C, mas fora chega a quase 40°C. A ideia das autoridades é fazer com que esses lugares sejam utilizados pelas pessoas para se refrescar um pouco durante o dia. As piscinas públicas estão lotadas.
E é de seus frequentadores que sai a melhor descrição para os últimos dias nos Estados Unidos: “Muito, muito quente!”, conta um menino.
(Fonte: G1)
Em Ohio, para refrescar as crianças, um homem não teve dúvidas: abriu o hidrante na calçada para criar um chafariz. “Eu estou fazendo de tudo para me refrescar, mas está difícil”, diz outro.
E no zoológico de Chicago, até os ursos ganharam picolés gigantes. Cerca de 140 milhões de americanos estão sofrendo com a onda de calor que já atinge 32 estados, onde foi até decretado estado de alerta. A região central do país é a mais afetada.
Segundo os meteorologistas, a temperatura subiu por causa de uma massa de ar quente e úmido que saiu do Golfo do México e estacionou sobre grande parte do país.
Ao todo, já foram confirmadas 22 mortes por causa da onda de calor. Em um hospital, dezenas de garrafas de água foram distribuídas pelo ambulatório. É para ajudar a seguir a principal recomendação dos médicos: manter a temperatura do corpo baixa e não fazer muitos exercícios durante o dia.
Por causa do calor, a prefeitura divulgou uma lista com 600 prédios públicos que estão equipados com potentes aparelhos de ar-condicionado. Do lado de dentro, a temperatura é de 21°C, mas fora chega a quase 40°C. A ideia das autoridades é fazer com que esses lugares sejam utilizados pelas pessoas para se refrescar um pouco durante o dia. As piscinas públicas estão lotadas.
E é de seus frequentadores que sai a melhor descrição para os últimos dias nos Estados Unidos: “Muito, muito quente!”, conta um menino.
(Fonte: G1)
MMA seleciona projetos na Mata Atlântica até 30 de julho
Está aberta a Chamada Pública para seleção de projetos voltados para promoção das cadeias de produtos da sociobiodiversidade. Serão investidos R$ 640 mil em iniciativas de pesquisa e diretrizes para manejo sustentável do fruto da juçara, erva-mate e pinhão e de promoção da cadeia de valor do pinhão no centro-sul do estado do Paraná e região metropolitana de Curitiba.
Poderão participar organizações sem fins lucrativos, com mais de 12 meses de existência legal. O edital está disponível no endereço www.mma.gov.br/pda e as propostas devem ser enviadas até o dia 30 de julho de 2011.
Os temas que serão financiados inserem-se nas ações de implementação do Plano Nacional para Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB), coordenado conjuntamente pelos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pela Conab.
A chamada é do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), do Ministério do Meio Ambiente, que incentiva a experimentação de tecnologias sustentáveis, do fortalecimento da organização social e do gerenciamento de ações que conciliem a conservação dos recursos naturais com o desenvolvimento econômico e social com vistas à melhoria da qualidade de vida.
(Fonte: Carlos Américo/ MMA)
Poderão participar organizações sem fins lucrativos, com mais de 12 meses de existência legal. O edital está disponível no endereço www.mma.gov.br/pda e as propostas devem ser enviadas até o dia 30 de julho de 2011.
Os temas que serão financiados inserem-se nas ações de implementação do Plano Nacional para Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB), coordenado conjuntamente pelos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pela Conab.
A chamada é do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), do Ministério do Meio Ambiente, que incentiva a experimentação de tecnologias sustentáveis, do fortalecimento da organização social e do gerenciamento de ações que conciliem a conservação dos recursos naturais com o desenvolvimento econômico e social com vistas à melhoria da qualidade de vida.
(Fonte: Carlos Américo/ MMA)
Estresse da mãe afeta bebê no útero
De mãe para filho
O estresse de uma mãe pode afetar seu bebê ainda no útero, produzindo efeitos a longo prazo na vida da criança, sugerem pesquisadores alemães.
A equipe da Universidade de Kontanz, na Alemanha, observou que houve alterações biológicas em um receptor de hormônios associados ao estresse em fetos cujas mães estavam sob tensão intensa - por exemplo, por conviverem com um parceiro violento.
As alterações sofridas pelo feto podem fazer com que a própria criança seja menos capaz de lidar com o estresse mais tarde. Essas alterações foram associadas, por exemplo, a problemas de comportamento e doenças mentais.
Estresse extremo
As conclusões, baseadas em um estudo limitado feito com apenas 25 mulheres e seus filhos - hoje com idades entre 10 e 19 anos -, foram publicadas na revista científica Translational Psychiatry.
Os pesquisadores fazem algumas ressalvas: eles explicam que as circunstâncias das mulheres que participaram desse estudo eram excepcionais, e que a maioria das mulheres grávidas não seria exposta a graus tão altos de estresse durante um período tão longo.
A equipe enfatiza também que os resultados não são conclusivos, e que muitos outros fatores, entre eles o ambiente social em que a criança cresceu, podem ter desempenhado um papel nos resultados.
Mas os especialistas alemães suspeitam que o ambiente primordial, ou seja, o do útero, tenha papel crucial.
Resposta hormonal
O estudo envolveu análises dos genes das mães e dos filhos adolescentes para a identificação de padrões pouco comuns.
Alguns dos adolescentes apresentaram alterações em um gene em particular - o receptor de glucocorticoide (GR) - responsável por regular a resposta hormonal do organismo ao estresse.
Esse tipo de alteração genética tende a acontecer quando o bebê está se desenvolvendo, ainda no útero.
A equipe disse acreditar que ela seja provocada pelo estado emocional ruim da mãe durante a gravidez.
Sensibilidade ao estresse
Durante a gravidez, as mães participantes viveram sob ameaça constante de violência por parte de seus maridos ou parceiros.
Entre dez ou vinte anos mais tarde, quando os bebês, já adolescentes, foram avaliados, os especialistas constataram que eles apresentavam alterações genéticas no receptor GR não observadas em outros adolescentes.
A alteração identificada parece tornar o indivíduo mais sensível ao estresse, fazendo com que ele reaja à emoção mais rapidamente, dos pontos de vista mental e hormonal.
Essas pessoas tendem a ser mais impulsivas e podem ter problemas para lidar com suas emoções, explicam os pesquisadores - que fizeram entrevistas detalhadas com os adolescentes.
Sinal de um mundo perigoso
Um dos líderes da equipe da Universidade de Kontanz, Thomas Elbert, disse: "Nos parece que bebês que recebem de suas mães sinais de que estão nascendo em um mundo perigoso respondem mais rápido (ao estresse). Eles têm um limite mais baixo de tolerância ao estresse e parecem ser mais sensíveis a ele".
A equipe planeja agora fazer estudos mais detalhados, acompanhando números maiores de mulheres e crianças para verificar se suas suspeitas serão confirmadas.
Comentando o estudo, o médico Carmine Pariante, especialista em psicologia do estresse do Instituto de Psiquiatria do King's College London, disse que o ambiente social da mãe é de extrema importância para o desenvolvimento do bebê.
Segundo ele, durante a gravidez, o bebê é sensível a esse ambiente de uma forma única, "muito mais, por exemplo, do que após o nascimento. Como temos dito, lidar com o estresse da mãe e com a depressão durante a gravidez é uma estratégia importante, clínica e socialmente".
Michelle Roberts - BBC
O estresse de uma mãe pode afetar seu bebê ainda no útero, produzindo efeitos a longo prazo na vida da criança, sugerem pesquisadores alemães.
A equipe da Universidade de Kontanz, na Alemanha, observou que houve alterações biológicas em um receptor de hormônios associados ao estresse em fetos cujas mães estavam sob tensão intensa - por exemplo, por conviverem com um parceiro violento.
As alterações sofridas pelo feto podem fazer com que a própria criança seja menos capaz de lidar com o estresse mais tarde. Essas alterações foram associadas, por exemplo, a problemas de comportamento e doenças mentais.
Estresse extremo
As conclusões, baseadas em um estudo limitado feito com apenas 25 mulheres e seus filhos - hoje com idades entre 10 e 19 anos -, foram publicadas na revista científica Translational Psychiatry.
Os pesquisadores fazem algumas ressalvas: eles explicam que as circunstâncias das mulheres que participaram desse estudo eram excepcionais, e que a maioria das mulheres grávidas não seria exposta a graus tão altos de estresse durante um período tão longo.
A equipe enfatiza também que os resultados não são conclusivos, e que muitos outros fatores, entre eles o ambiente social em que a criança cresceu, podem ter desempenhado um papel nos resultados.
Mas os especialistas alemães suspeitam que o ambiente primordial, ou seja, o do útero, tenha papel crucial.
Resposta hormonal
O estudo envolveu análises dos genes das mães e dos filhos adolescentes para a identificação de padrões pouco comuns.
Alguns dos adolescentes apresentaram alterações em um gene em particular - o receptor de glucocorticoide (GR) - responsável por regular a resposta hormonal do organismo ao estresse.
Esse tipo de alteração genética tende a acontecer quando o bebê está se desenvolvendo, ainda no útero.
A equipe disse acreditar que ela seja provocada pelo estado emocional ruim da mãe durante a gravidez.
Sensibilidade ao estresse
Durante a gravidez, as mães participantes viveram sob ameaça constante de violência por parte de seus maridos ou parceiros.
Entre dez ou vinte anos mais tarde, quando os bebês, já adolescentes, foram avaliados, os especialistas constataram que eles apresentavam alterações genéticas no receptor GR não observadas em outros adolescentes.
A alteração identificada parece tornar o indivíduo mais sensível ao estresse, fazendo com que ele reaja à emoção mais rapidamente, dos pontos de vista mental e hormonal.
Essas pessoas tendem a ser mais impulsivas e podem ter problemas para lidar com suas emoções, explicam os pesquisadores - que fizeram entrevistas detalhadas com os adolescentes.
Sinal de um mundo perigoso
Um dos líderes da equipe da Universidade de Kontanz, Thomas Elbert, disse: "Nos parece que bebês que recebem de suas mães sinais de que estão nascendo em um mundo perigoso respondem mais rápido (ao estresse). Eles têm um limite mais baixo de tolerância ao estresse e parecem ser mais sensíveis a ele".
A equipe planeja agora fazer estudos mais detalhados, acompanhando números maiores de mulheres e crianças para verificar se suas suspeitas serão confirmadas.
Comentando o estudo, o médico Carmine Pariante, especialista em psicologia do estresse do Instituto de Psiquiatria do King's College London, disse que o ambiente social da mãe é de extrema importância para o desenvolvimento do bebê.
Segundo ele, durante a gravidez, o bebê é sensível a esse ambiente de uma forma única, "muito mais, por exemplo, do que após o nascimento. Como temos dito, lidar com o estresse da mãe e com a depressão durante a gravidez é uma estratégia importante, clínica e socialmente".
Michelle Roberts - BBC
Tecnologia chega aos exames de vista
Precisão dos exames de vista

Usando um controlador manual, o próprio paciente vai ajustando o sistema para que as imagens no espelho tenham a melhor qualidade possível.
Oftalmologistas e engenheiros finalmente se uniram para trazer algum progresso tecnológico para os tradicionais exames de vista.
Dependente de aparelhos antiquados e das avaliações subjetivas do paciente em um determinado momento do dia, em condições que nem de longe reproduzem seu dia-a-dia, os exames quase nunca resultam em óculos que dão a melhor visão possível.
"Nós sabemos há muito tempo que muitas prescrições feitas pelos métodos tradicionais realmente não otimizam a visão do paciente, mas até agora nós não tínhamos uma forma de fazer medições mais precisas ou usar a informações para produzir melhores lentes," resume o Dr. Keith Thompson, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos.
Segundo os especialistas, hoje, um em cada sete exames têm que ser refeitos porque o paciente não fica bem com os óculos resultantes.
Foróptero
A própria tecnologia trouxe uma maior exigência para a visão das pessoas: "é necessário uma visão afiada para lidar com as telas dos telefones celulares e gastar horas nos seus computadores," diz o médico.
Por isto, Thompson e seus colegas resolveram usar a tecnologia para criar um aparelho para exames de vista capaz de fazer medições precisas das necessidades de ajustes dos pacientes.
A tecnologia de fabricação de lentes evoluiu muito nos anos recentes, permitindo a fabricação de lentes para óculos e lentes de contato com uma precisão de grau muito grande.
Mas os equipamentos para realizar os exames, e o próprio procedimento do exame, não acompanharam esses avanços. O foróptero, por exemplo, aquele aparelho que é colocado à frente dos olhos do paciente para testar os graus das lentes, mudou muito pouco desde sua introdução, no início do século passado.
Exame de vista com alta tecnologia
O novo equipamento é capaz de fazer medições contínuas ao longo da escala, não se sujeitando aos "degraus" de 0,25 grau dos aparelhos tradicionais.
Ele é baseado no Analisador de Visão Humphrey, um conceito introduzido nos anos 1970.
Usando algoritmos de computador que não estavam disponíveis nos anos 1970, a equipe reprojetou o sistema óptico Humphrey. O sistema original de cabos e polias usado para mover as lentes foi substituído por microcontroladores e atuadores de precisão.
O resultado é um aparelho no qual o paciente senta-se em uma cadeira e olha para imagens mostradas em um espelho de alta qualidade, projetado para equipar telescópios.
Usando um controlador manual, o próprio paciente vai ajustando o sistema para que as imagens no espelho tenham a melhor qualidade possível, tudo de maneira natural, com liberdade de movimento da cabeça, sem ficar preso atrás do foróptero.
O sistema mede continuamente a miopia, hipermetropia e o astigmatismo, detectando aberrações ópticas que o foróptero não consegue detectar.
Quando o paciente fica satisfeito com a visão, o médico aperta um botão e imprime a receita com o grau totalmente otimizado.
Redação do Diário da Saúde

Usando um controlador manual, o próprio paciente vai ajustando o sistema para que as imagens no espelho tenham a melhor qualidade possível.
Oftalmologistas e engenheiros finalmente se uniram para trazer algum progresso tecnológico para os tradicionais exames de vista.
Dependente de aparelhos antiquados e das avaliações subjetivas do paciente em um determinado momento do dia, em condições que nem de longe reproduzem seu dia-a-dia, os exames quase nunca resultam em óculos que dão a melhor visão possível.
"Nós sabemos há muito tempo que muitas prescrições feitas pelos métodos tradicionais realmente não otimizam a visão do paciente, mas até agora nós não tínhamos uma forma de fazer medições mais precisas ou usar a informações para produzir melhores lentes," resume o Dr. Keith Thompson, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos.
Segundo os especialistas, hoje, um em cada sete exames têm que ser refeitos porque o paciente não fica bem com os óculos resultantes.
Foróptero
A própria tecnologia trouxe uma maior exigência para a visão das pessoas: "é necessário uma visão afiada para lidar com as telas dos telefones celulares e gastar horas nos seus computadores," diz o médico.
Por isto, Thompson e seus colegas resolveram usar a tecnologia para criar um aparelho para exames de vista capaz de fazer medições precisas das necessidades de ajustes dos pacientes.
A tecnologia de fabricação de lentes evoluiu muito nos anos recentes, permitindo a fabricação de lentes para óculos e lentes de contato com uma precisão de grau muito grande.
Mas os equipamentos para realizar os exames, e o próprio procedimento do exame, não acompanharam esses avanços. O foróptero, por exemplo, aquele aparelho que é colocado à frente dos olhos do paciente para testar os graus das lentes, mudou muito pouco desde sua introdução, no início do século passado.
Exame de vista com alta tecnologia
O novo equipamento é capaz de fazer medições contínuas ao longo da escala, não se sujeitando aos "degraus" de 0,25 grau dos aparelhos tradicionais.
Ele é baseado no Analisador de Visão Humphrey, um conceito introduzido nos anos 1970.
Usando algoritmos de computador que não estavam disponíveis nos anos 1970, a equipe reprojetou o sistema óptico Humphrey. O sistema original de cabos e polias usado para mover as lentes foi substituído por microcontroladores e atuadores de precisão.
O resultado é um aparelho no qual o paciente senta-se em uma cadeira e olha para imagens mostradas em um espelho de alta qualidade, projetado para equipar telescópios.
Usando um controlador manual, o próprio paciente vai ajustando o sistema para que as imagens no espelho tenham a melhor qualidade possível, tudo de maneira natural, com liberdade de movimento da cabeça, sem ficar preso atrás do foróptero.
O sistema mede continuamente a miopia, hipermetropia e o astigmatismo, detectando aberrações ópticas que o foróptero não consegue detectar.
Quando o paciente fica satisfeito com a visão, o médico aperta um botão e imprime a receita com o grau totalmente otimizado.
Redação do Diário da Saúde
Mais da metade dos casos de Alzheimer podem ser evitados
Revisão do Alzheimer
Mais da metade de todos os casos da doença de Alzheimer poderiam ser evitados por meio de mudanças do estilo de vida e do tratamento ou prevenção de doenças crônicas.
Esta é a conclusão de um estudo conduzido pela Dra. Deborah Barnes, pesquisadora de saúde mental da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos.
O estudo, chamado de estudo de revisão, analisou de forma sistemática dados de pesquisas científicas realizadas por inúmeros grupos de pesquisa ao redor do mundo, envolvendo no total centenas de milhares de participantes.
Como evitar o Alzheimer
Barnes concluiu que, na média mundial, os principais fatores de risco para o Alzheimer que são modificáveis são, em ordem decrescente de importância:
baixa escolaridade
tabagismo
sedentarismo
depressão
hipertensão na meia-idade
diabetes
obesidade na meia-idade
Juntos, esses fatores de risco estão associados com 51 por cento dos casos de Alzheimer em todo o mundo (17,2 milhões de casos) e 54 por cento dos casos de Alzheimer nos Estados Unidos (2,9 milhões de casos).
Nos Estados Unidos, Barnes descobriu que os fatores de maior risco modificáveis apresentam-se em outra ordem: inatividade física, depressão, tabagismo, hipertensão na meia-idade, obesidade na meia-idade, baixa escolaridade e diabetes.
Mudanças de estilo de vida
"O que é entusiasmante é que isso sugere que algumas mudanças de estilo de vida muito simples, como o aumento da atividade física e deixar de fumar, podem ter um tremendo impacto na prevenção do Alzheimer e outras demências, nos Estados Unidos e no mundo," disse Barnes.
Barnes adverte que suas conclusões são baseadas no pressuposto de que existe uma relação causal entre cada fator de risco e a doença de Alzheimer.
"Nós estamos assumindo que, quando você altera o fator de risco, então você altera o risco," explicou ela. "O que precisamos fazer agora é descobrir se essa suposição é correta."
Os resultados do estudo foram publicados na conceituada revista The Lancet Neurology.
http://www.diariodasaude.com.br
Mais da metade de todos os casos da doença de Alzheimer poderiam ser evitados por meio de mudanças do estilo de vida e do tratamento ou prevenção de doenças crônicas.
Esta é a conclusão de um estudo conduzido pela Dra. Deborah Barnes, pesquisadora de saúde mental da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos.
O estudo, chamado de estudo de revisão, analisou de forma sistemática dados de pesquisas científicas realizadas por inúmeros grupos de pesquisa ao redor do mundo, envolvendo no total centenas de milhares de participantes.
Como evitar o Alzheimer
Barnes concluiu que, na média mundial, os principais fatores de risco para o Alzheimer que são modificáveis são, em ordem decrescente de importância:
baixa escolaridade
tabagismo
sedentarismo
depressão
hipertensão na meia-idade
diabetes
obesidade na meia-idade
Juntos, esses fatores de risco estão associados com 51 por cento dos casos de Alzheimer em todo o mundo (17,2 milhões de casos) e 54 por cento dos casos de Alzheimer nos Estados Unidos (2,9 milhões de casos).
Nos Estados Unidos, Barnes descobriu que os fatores de maior risco modificáveis apresentam-se em outra ordem: inatividade física, depressão, tabagismo, hipertensão na meia-idade, obesidade na meia-idade, baixa escolaridade e diabetes.
Mudanças de estilo de vida
"O que é entusiasmante é que isso sugere que algumas mudanças de estilo de vida muito simples, como o aumento da atividade física e deixar de fumar, podem ter um tremendo impacto na prevenção do Alzheimer e outras demências, nos Estados Unidos e no mundo," disse Barnes.
Barnes adverte que suas conclusões são baseadas no pressuposto de que existe uma relação causal entre cada fator de risco e a doença de Alzheimer.
"Nós estamos assumindo que, quando você altera o fator de risco, então você altera o risco," explicou ela. "O que precisamos fazer agora é descobrir se essa suposição é correta."
Os resultados do estudo foram publicados na conceituada revista The Lancet Neurology.
http://www.diariodasaude.com.br
Exame reduz risco de mortalidade em recém-nascidos
Fibronectina Fetal
Um estudo produzido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontou que o Teste Fibronectina Fetal, além de diminuir o número de internações em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ajuda a evitar partos prematuros e a mortalidade neonatal.
O teste consiste em detectar a presença de uma substância chamada fibronectina fetal no conteúdo vaginal da mãe, sendo aplicado entre a 22ª e a 34ª semanas de gestação.
De acordo com a Secretaria, caso seja aplicado junto ao exame de ultrassom vaginal, ele reduz, em caso de resultado negativo, para menos de 1% as chances de parto nas duas semanas seguintes a sua realização.
Risco de parto prematuro
O estudo foi feito com 63 gestantes no Hospital e Maternidade Interlagos. Em comum, elas apresentaram alto risco de prematuridade por conta gestações anteriores, cólicas abdominais, má formação uterina e contrações não acompanhadas de nítidas modificações cervicais e infecção urinária.
Segundo a pesquisa, após a realização do Teste Fibronectina Fetal, 86% das gestantes analisadas apresentaram resultado negativo. Isso significa que, apesar de apresentarem sinais e sintomas, elas não estavam em trabalho de parto, portanto não era necessário interná-las.
No caso dessas gestantes, o espaço entre a realização do exame para o parto foi, em média, de 20 dias, o que comprovou a eficiência do teste.
Já para as 14% das gestantes cujo resultado do teste foi positivo, indicando com isso a iminência de trabalho de parto, a internação foi indicada e o nascimento dos bebês aconteceu, em média, 11 dias após a realização do exame.
Evitando a prematuridade
"A principal utilidade desse teste é evitar que as gestantes sintomáticas passem por internações ou intervenções desnecessárias. Outro benefício do teste é ajudar a diminuir o número de partos prematuros que, só no primeiro semestre de 2010, correspondeu a cerca de 10% do número total de partos realizados no Hospital e Maternidade Interlagos.
Com isso, além de reduzir os custos com internações, conseguimos reduzir os riscos de mortalidade neonatal provocado por prematuridade", disse Sandra Sestokas, diretora do Hospital e Maternidade Interlagos.
Agência Fapesp
Um estudo produzido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo apontou que o Teste Fibronectina Fetal, além de diminuir o número de internações em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ajuda a evitar partos prematuros e a mortalidade neonatal.
O teste consiste em detectar a presença de uma substância chamada fibronectina fetal no conteúdo vaginal da mãe, sendo aplicado entre a 22ª e a 34ª semanas de gestação.
De acordo com a Secretaria, caso seja aplicado junto ao exame de ultrassom vaginal, ele reduz, em caso de resultado negativo, para menos de 1% as chances de parto nas duas semanas seguintes a sua realização.
Risco de parto prematuro
O estudo foi feito com 63 gestantes no Hospital e Maternidade Interlagos. Em comum, elas apresentaram alto risco de prematuridade por conta gestações anteriores, cólicas abdominais, má formação uterina e contrações não acompanhadas de nítidas modificações cervicais e infecção urinária.
Segundo a pesquisa, após a realização do Teste Fibronectina Fetal, 86% das gestantes analisadas apresentaram resultado negativo. Isso significa que, apesar de apresentarem sinais e sintomas, elas não estavam em trabalho de parto, portanto não era necessário interná-las.
No caso dessas gestantes, o espaço entre a realização do exame para o parto foi, em média, de 20 dias, o que comprovou a eficiência do teste.
Já para as 14% das gestantes cujo resultado do teste foi positivo, indicando com isso a iminência de trabalho de parto, a internação foi indicada e o nascimento dos bebês aconteceu, em média, 11 dias após a realização do exame.
Evitando a prematuridade
"A principal utilidade desse teste é evitar que as gestantes sintomáticas passem por internações ou intervenções desnecessárias. Outro benefício do teste é ajudar a diminuir o número de partos prematuros que, só no primeiro semestre de 2010, correspondeu a cerca de 10% do número total de partos realizados no Hospital e Maternidade Interlagos.
Com isso, além de reduzir os custos com internações, conseguimos reduzir os riscos de mortalidade neonatal provocado por prematuridade", disse Sandra Sestokas, diretora do Hospital e Maternidade Interlagos.
Agência Fapesp
Mudança climática e segurança alimentar
Conselho de Segurança da ONU ouviu argumentos de que a mudança climática é uma questão de segurança e paz em escala global. Mas não foi capaz de adotar uma decisão a esse respeito. O fato é que se tornaram fatores associados à segurança coletiva global.
Ao mesmo tempo, a FAO, o braço agrícola da ONU, convocou uma reunião de emergência para o próximo dia 25, para discutir socorro para duas regiões ao sul da Somália e uma ampla faixa do leste da África, incluindo Quênia e Etiópia, declaradas áreas de emergência alimentar. Estas regiões estão enfrentando a maior crise de fome dos últimos 20 anos, com 3,7 milhões de pessoas enfrentando o risco de morte por inanição. Elas estão passando por um período muito longo e agudo de seca.
É certo que a mudança climática, ou pelo menos as anomalias climáticas associadas a El Niño, tem um papel importante nessa nova onda de fome que assola uma parte da África. A seca já é em si um fator climático decisivo neste caso. A agricultura africana depende muito das chuvas sazonais. Além disso, o suprimento de alimentos no mercado global continua problemático e o preço dos alimentos em alta. E parte da quebra de safra e da alta de preços se explica por fatores climáticos. A produção da Rússia, do Meio-Oeste do EUA e da China foi afetada por fenômenos climáticos. Na Rússia, foi a seca de 2010. No EUA, enchentes este ano. Na China, enchentes, seguidas de severas secas. A FAO já alertou que o preço dos alimentos ficará em patamares elevados por muito tempo.
Outros fatores também contribuem para essa tragédia, pelo lado da segurança alimentar global. Segundo o Valor Econômico, economistas da University Purdue, no EUA, mostraram em estudo que:
“O atual período de estoques apertados e os preços relativamente altos deverão continuar nos próximos um ou dois anos.”
Para os autores desse estudo, “no fim das contas, a questão não é apenas se as ofertas mundiais podem acompanhar os recentes aumentos de demanda, mas se poderão manter o ritmo do crescimento da demanda ao longo do tempo”. Os preços dos alimentos subiram 39% nos últimos 12 meses, segundo a matéria, usando dados da FAO.
Os autores do estudo mencionado pelo Valor indicaram também a produção de etanol no cinturão do milho no EUA e a demanda por alimentos da China, como fatores mais específicos afetando os preços dos alimentos este ano. De fato, pela primeira vez, este ano, o uso de milho para etanol superou o uso para produção alimentar, que sempre foi o principal. Mas a elevação da demanda chinesa está diretamente ligada à redução da disponibilidade interna por causa dos fatores climáticos.
Por isso Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA, o programa ambiental da ONU, disse ao Conselho de Segurança que a fome e a elevação do nível do mar são ameaças à paz e à segurança globais.
O alto preço dos alimentos e a fome têm relação direta mesmo com a instabilidade política, como causa e como efeito. Na Somália, anos de conflito e guerra civil produziram um estado calamitoso, especialmente no Sul. Desde janeiro, quase 150 mil somalis fugiram dessas áreas, buscando abrigo no Quênia e na Etiópia, apenas agravando os problemas locais de segurança alimentar. Muitas crianças morreram no trajeto.
Já no Norte da África e no Oriente Médio, o alto preço dos alimentos foi um dos ingredientes das revoltas que ainda abalam Egito, Tunísia, Líbia, Marrocos e outros países.
A insegurança alimentar tem a ver, também, com profundos e históricos desequilíbrios distributivos internos e globais, como Amartya Sen já mostrava há três décadas, em seu excelente estudo sobre a seca e a morte por inanição na região do Sahel. Os setores mais ricos da sociedade consomem além da conta, os mais pobres não conseguem pagar e às vezes sequer ter acesso aos produtos alimentares.
Sen mostrou como essa desigualdade distributiva operava internamente. Hoje está claro que o aumento do bem-estar em regiões emergentes (China, Brasil, Índia) mais o aumento do consumo nos países ricos fazem com que tanto a produção doméstica seja consumida em maior quantidade, reduzindo os excedentes exportáveis, como esses países se tornem os principais importadores desse excedente. Como têm mais renda real disponível, importam quase toda a produção alimentar em circulação no mercado mundial, deixando praticamente nada para os mais pobres, que têm menor poder de compra.
Esse problema distributivo não tem a ver com escolhas morais. É estrutural: a renda cresce, as pessoas saem do território da pobreza, passam a consumir mais; as pessoas em estratos superiores fazem upgrade de suas cestas alimentares e demandam mais alimentos nas faixas superiores de preços. Cria-se essa cadeia diferenciada de consumo de pessoas que têm óbvio direito ao alimento produzido domesticamente e importado que podem comprar. Com seu consumo estão estimulando investimentos e geração de emprego e renda dentro e fora de seus países. Esse movimento, em si positivo, tem como efeito colateral totalmente involuntário, em um contexto de limites físicos, climáticos e econômicos à produção agrícola, o aumento dos preços e a redução da oferta de alimentos acessíveis aos mais pobres.
O Conselho de Segurança não conseguiu aprovar mais que uma declaração quase simbólica, de “preocupação” com o possível risco que a mudança climática representa para a segurança e a paz mundiais.
Mas é evidente, a olho nu, que essa ameaça é concreta e já há eventos resultantes dela. É impossível imaginar, por exemplo, a pacificação da África, sem que o problema da pobreza e da fome aguda sejam enfrentados. E esse enfrentamento demanda envolvimento e recursos dos grandes atores globais, ricos e emergentes. Está claro que o agravamento das condições climáticas afetará a produção agrícola global e imporá um quadro de insegura alimentar com alto poder de gerar conflitos disseminados. Sem falar dos imigrantes climáticos e fugitivos da fome e dos conflitos, que passam a representar um problema social e político nos países receptores.
A agenda climática é indissociável da agenda da pobreza e da fome. Todas elas são uma óbvia questão de bem-estar e de segurança global.
Publicado originalmente no site Ecopolítica.
Ao mesmo tempo, a FAO, o braço agrícola da ONU, convocou uma reunião de emergência para o próximo dia 25, para discutir socorro para duas regiões ao sul da Somália e uma ampla faixa do leste da África, incluindo Quênia e Etiópia, declaradas áreas de emergência alimentar. Estas regiões estão enfrentando a maior crise de fome dos últimos 20 anos, com 3,7 milhões de pessoas enfrentando o risco de morte por inanição. Elas estão passando por um período muito longo e agudo de seca.
É certo que a mudança climática, ou pelo menos as anomalias climáticas associadas a El Niño, tem um papel importante nessa nova onda de fome que assola uma parte da África. A seca já é em si um fator climático decisivo neste caso. A agricultura africana depende muito das chuvas sazonais. Além disso, o suprimento de alimentos no mercado global continua problemático e o preço dos alimentos em alta. E parte da quebra de safra e da alta de preços se explica por fatores climáticos. A produção da Rússia, do Meio-Oeste do EUA e da China foi afetada por fenômenos climáticos. Na Rússia, foi a seca de 2010. No EUA, enchentes este ano. Na China, enchentes, seguidas de severas secas. A FAO já alertou que o preço dos alimentos ficará em patamares elevados por muito tempo.
Outros fatores também contribuem para essa tragédia, pelo lado da segurança alimentar global. Segundo o Valor Econômico, economistas da University Purdue, no EUA, mostraram em estudo que:
“O atual período de estoques apertados e os preços relativamente altos deverão continuar nos próximos um ou dois anos.”
Para os autores desse estudo, “no fim das contas, a questão não é apenas se as ofertas mundiais podem acompanhar os recentes aumentos de demanda, mas se poderão manter o ritmo do crescimento da demanda ao longo do tempo”. Os preços dos alimentos subiram 39% nos últimos 12 meses, segundo a matéria, usando dados da FAO.
Os autores do estudo mencionado pelo Valor indicaram também a produção de etanol no cinturão do milho no EUA e a demanda por alimentos da China, como fatores mais específicos afetando os preços dos alimentos este ano. De fato, pela primeira vez, este ano, o uso de milho para etanol superou o uso para produção alimentar, que sempre foi o principal. Mas a elevação da demanda chinesa está diretamente ligada à redução da disponibilidade interna por causa dos fatores climáticos.
Por isso Achim Steiner, diretor executivo do PNUMA, o programa ambiental da ONU, disse ao Conselho de Segurança que a fome e a elevação do nível do mar são ameaças à paz e à segurança globais.
O alto preço dos alimentos e a fome têm relação direta mesmo com a instabilidade política, como causa e como efeito. Na Somália, anos de conflito e guerra civil produziram um estado calamitoso, especialmente no Sul. Desde janeiro, quase 150 mil somalis fugiram dessas áreas, buscando abrigo no Quênia e na Etiópia, apenas agravando os problemas locais de segurança alimentar. Muitas crianças morreram no trajeto.
Já no Norte da África e no Oriente Médio, o alto preço dos alimentos foi um dos ingredientes das revoltas que ainda abalam Egito, Tunísia, Líbia, Marrocos e outros países.
A insegurança alimentar tem a ver, também, com profundos e históricos desequilíbrios distributivos internos e globais, como Amartya Sen já mostrava há três décadas, em seu excelente estudo sobre a seca e a morte por inanição na região do Sahel. Os setores mais ricos da sociedade consomem além da conta, os mais pobres não conseguem pagar e às vezes sequer ter acesso aos produtos alimentares.
Sen mostrou como essa desigualdade distributiva operava internamente. Hoje está claro que o aumento do bem-estar em regiões emergentes (China, Brasil, Índia) mais o aumento do consumo nos países ricos fazem com que tanto a produção doméstica seja consumida em maior quantidade, reduzindo os excedentes exportáveis, como esses países se tornem os principais importadores desse excedente. Como têm mais renda real disponível, importam quase toda a produção alimentar em circulação no mercado mundial, deixando praticamente nada para os mais pobres, que têm menor poder de compra.
Esse problema distributivo não tem a ver com escolhas morais. É estrutural: a renda cresce, as pessoas saem do território da pobreza, passam a consumir mais; as pessoas em estratos superiores fazem upgrade de suas cestas alimentares e demandam mais alimentos nas faixas superiores de preços. Cria-se essa cadeia diferenciada de consumo de pessoas que têm óbvio direito ao alimento produzido domesticamente e importado que podem comprar. Com seu consumo estão estimulando investimentos e geração de emprego e renda dentro e fora de seus países. Esse movimento, em si positivo, tem como efeito colateral totalmente involuntário, em um contexto de limites físicos, climáticos e econômicos à produção agrícola, o aumento dos preços e a redução da oferta de alimentos acessíveis aos mais pobres.
O Conselho de Segurança não conseguiu aprovar mais que uma declaração quase simbólica, de “preocupação” com o possível risco que a mudança climática representa para a segurança e a paz mundiais.
Mas é evidente, a olho nu, que essa ameaça é concreta e já há eventos resultantes dela. É impossível imaginar, por exemplo, a pacificação da África, sem que o problema da pobreza e da fome aguda sejam enfrentados. E esse enfrentamento demanda envolvimento e recursos dos grandes atores globais, ricos e emergentes. Está claro que o agravamento das condições climáticas afetará a produção agrícola global e imporá um quadro de insegura alimentar com alto poder de gerar conflitos disseminados. Sem falar dos imigrantes climáticos e fugitivos da fome e dos conflitos, que passam a representar um problema social e político nos países receptores.
A agenda climática é indissociável da agenda da pobreza e da fome. Todas elas são uma óbvia questão de bem-estar e de segurança global.
Publicado originalmente no site Ecopolítica.
Saúde do homem
Todo mundo conhece um pouco sobre as diferentes mudanças físicas, mentais e psicossociais que as mulheres passam quando se tornam mães, e seus potenciais reflexos sobre a saúde. Até mesmo o cérebro passa a ser diferente com a maternidade (cérebro de mãe é turbinado mesmo). Já o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens é um tema ainda pouco explorado pela ciência.
A paternidade no mundo contemporâneo extrapola o modelo estereotipado do pai provedor trabalhando fora e a mãe em casa cuidando dos filhos. Hoje em dia não são raros os pais que moram sozinhos com os filhos, pais que cuidam da casa enquanto a mãe que é provedora e trabalha fora, pais que moram longe dos filhos, pais numa relação homossexual, e outras variações de paternidade que pareceriam exceções à regra algumas décadas atrás.
E será que a paternidade exerce alguma influência sobre a saúde dos homens? Os filhos podem ser um fator positivo na vida dos homens como fonte de satisfação e realização, e até de atividade física, já que muitos homens retornam à atividade esportiva incentivados pela chance de fazê-la junto aos filhos. Inclusive, atividade física junto ao filho é mais comum com o pai do que com a mãe. Por outro lado, a paternidade pode trazer efeitos negativos se, por exemplo, o homem encará-la com culpa por não viver junto ao filho ou se o homem tiver que trabalhar além dos seus limites desejáveis depois que a conta com os filhos passou a ficar mais cara, deixando de cuidar de sua própria saúde e às vezes até se sentindo penalizado. A forma como o homem vive a paternidade, além de poder influenciar seus hábitos de vida, e consequentemente sua saúde, pode influenciar também o desenvolvimento psíquico de seus filhos e a própria saúde do relacionamento conjugal. Pesquisas ainda revelam que pais com filhos que apresentam doenças crônicas apresentam mais chance de estresse na relação conjugal e separação e também maior chance de desemprego.
Mas os estudos sobre o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens ainda estão no começo. O conhecimento, até o momento, foi muito focado no impacto psicossocial nos primeiros anos após o nascimento do filho, e estudos têm sido desenvolvidos para avaliar essa questão mais no longo prazo. O fator paternidade deve começar a ser levado em conta no cuidado da saúde do homem, com recomendações de equilíbrio entre trabalho e família integradas às habituais orientações de hábitos saudáveis de vida. Uma pesquisa recente envolvendo milhares de americanos revelou que o consumo de gordura total e saturada por adultos é maior nos lares com crianças.
Uma maior atenção ao lado pai do homem tem o potencial de promover sua saúde, e certamente promoverá mais saúde aos seus filhos também. Recentemente, a academia americana de pediatria passou a recomendar aos pediatras que estimulem os pais a participarem mais do dia a dia dos filhos, já que são inúmeras as evidências da forte influência do pai sobre o desenvolvimento dos filhos, do ponto de vista social, psíquico e cognitivo.
* Ricardo Teixeira é doutor em Neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília.
Publicado originalmente no blog do autor ConsCiência no Dia-a-Dia.
A paternidade no mundo contemporâneo extrapola o modelo estereotipado do pai provedor trabalhando fora e a mãe em casa cuidando dos filhos. Hoje em dia não são raros os pais que moram sozinhos com os filhos, pais que cuidam da casa enquanto a mãe que é provedora e trabalha fora, pais que moram longe dos filhos, pais numa relação homossexual, e outras variações de paternidade que pareceriam exceções à regra algumas décadas atrás.
E será que a paternidade exerce alguma influência sobre a saúde dos homens? Os filhos podem ser um fator positivo na vida dos homens como fonte de satisfação e realização, e até de atividade física, já que muitos homens retornam à atividade esportiva incentivados pela chance de fazê-la junto aos filhos. Inclusive, atividade física junto ao filho é mais comum com o pai do que com a mãe. Por outro lado, a paternidade pode trazer efeitos negativos se, por exemplo, o homem encará-la com culpa por não viver junto ao filho ou se o homem tiver que trabalhar além dos seus limites desejáveis depois que a conta com os filhos passou a ficar mais cara, deixando de cuidar de sua própria saúde e às vezes até se sentindo penalizado. A forma como o homem vive a paternidade, além de poder influenciar seus hábitos de vida, e consequentemente sua saúde, pode influenciar também o desenvolvimento psíquico de seus filhos e a própria saúde do relacionamento conjugal. Pesquisas ainda revelam que pais com filhos que apresentam doenças crônicas apresentam mais chance de estresse na relação conjugal e separação e também maior chance de desemprego.
Mas os estudos sobre o efeito da paternidade sobre a saúde dos homens ainda estão no começo. O conhecimento, até o momento, foi muito focado no impacto psicossocial nos primeiros anos após o nascimento do filho, e estudos têm sido desenvolvidos para avaliar essa questão mais no longo prazo. O fator paternidade deve começar a ser levado em conta no cuidado da saúde do homem, com recomendações de equilíbrio entre trabalho e família integradas às habituais orientações de hábitos saudáveis de vida. Uma pesquisa recente envolvendo milhares de americanos revelou que o consumo de gordura total e saturada por adultos é maior nos lares com crianças.
Uma maior atenção ao lado pai do homem tem o potencial de promover sua saúde, e certamente promoverá mais saúde aos seus filhos também. Recentemente, a academia americana de pediatria passou a recomendar aos pediatras que estimulem os pais a participarem mais do dia a dia dos filhos, já que são inúmeras as evidências da forte influência do pai sobre o desenvolvimento dos filhos, do ponto de vista social, psíquico e cognitivo.
* Ricardo Teixeira é doutor em Neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília.
Publicado originalmente no blog do autor ConsCiência no Dia-a-Dia.
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