Vacina brasileira
Em 2011 poderão acontecer os primeiros testes em seres humanos de uma vacina brasileira contra a bactéria precursora da febre reumática, doença autoimune que provoca problemas cardíacos em cerca de 15 milhões de crianças todo os anos.
No Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), os testes com camundongos mostraram que a vacina imunizou de 80% a 100% dos animais.
Para que a expectativa se concretize no próximo ano, os cientistas precisam preparar a documentação a ser submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e esperar a resposta do órgão.
Dose adequada da vacina
Segundo a médica Luiza Guilherme, que está a frente do projeto, a vacina é fruto de uma pesquisa de 20 anos no Incor que custou cerca de R$ 10 milhões à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O medicamento precisa passar por pelo menos três fases de testes antes de chegar ao mercado, o que deve custar R$ 6 milhões nos próximos anos. Os testes, feitos com voluntários, vão mostrar com qual intensidade a vacina é capaz de induzir resposta no corpo humano e as reações que pode provocar.
O que é febre reumática
A febre reumática é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico causa dores nas articulações e passa a destruir válvulas do coração.
Ela atinge principalmente crianças e adolescentes de países pobres e começa com uma infecção na garganta pela bactéria Streptococcus pyogenes.
Se a infecção não é tratada, entre 1% e 5% das crianças adquirem dores nas articulações. Dessas, entre 30% e 40% vão desenvolver problemas cardíacos.
Os problemas acontecem por que as células do sistema imune aprendem a combater a proteína M, presente na superfície do S. pyogenes, mas a confundem com proteínas do coração e articulações.
Ação imunológica
Para fazer uma vacina contra a bactéria, os cientistas do Incor passaram a procurar por um trecho que sensibilizasse as células de defesa (linfócitos T e B) contra a bactéria.
Para isso, escolheram uma região de 100 aminoácidos na base da proteína M, mais próxima ao estreptococo. Essa base varia muito pouco nas cerca de 200 cepas (o equivalente bacteriano a raças) do S. pyogenes e não induz os linfócitos a destruírem proteínas do corpo humano.
Os cientistas fizeram 79 peptídeos (pedaços de proteína) muito parecidos, cada um com 20 aminoácidos da região selecionada. (veja na ilustração). Enquanto isso, recolheram amostras de linfócitos T de 260 pessoas e soro do sangue, que mede a reatividade dos linfócitos B, de 620 pessoas.
Eles passaram os anos de 2005 e 2006 testando cópias dos 79 peptídeos nas 880 amostras. No total, foram 69.520 análises. Depois dos testes, os pesquisadores encontraram na proteína M um trecho capaz de induzir o corpo a produzir anticorpos contra a bactéria e passaram a testá-la em animais.
Eficácia da vacina
Em dois testes diferentes, camundongos foram vacinados e receberam uma quantidade de bactérias suficiente para matá-los. Entre 80% e 100% dos animais resistiram.
Em um terceiro teste, colocaram o soro dos camundongos imunizados em uma cultura de células da faringe, onde injetaram bactérias. Os estreptococos não foram capazes de infectar as células. A vacina também funcionou em miniporcos.
Todo ano, 616 milhões são infectados pela bactéria e cerca de 15,6 milhões desenvolvem a doença, informa uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2005. No mesmo ano, a doença matou 283 mil crianças e adolescentes. No Brasil, o Ministério da Saúde identificou 10 milhões de infecções e 15 mil novos casos de doença cardíaca por ano.
"Esses números são subestimados", diz Luiza. "No Brasil, por exemplo, apenas alguns centros de saúde tem dados sobre a febre. Vários outros países da América Latina não mandam informações para a OMS."
A pesquisa foi desenvolvida com colaboradores ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Investigação em Imunologia.
Nilbberth Silva - Agência USP
domingo, 25 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Garimpeiro acha dente de elefante no sul da Amazônia
Um único dente achado por garimpeiros em Rondônia indica que a maior floresta tropical do mundo também já foi o lar do maior mamífero terrestre do planeta. A Amazônia de 45 mil anos atrás tinha elefantes, sugere uma nova pesquisa.
Mario Cozzuol, paleontólogo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mostrou as estruturas em forma de lâmina no fragmento de molar, que mede 12 cm. São reforços que ajudavam a estrutura dentária a triturar alimentos muito abrasivos.
“Só elefantes e capivaras têm dentes com essa estrutura laminar, mas os de capivara não passam de 5 cm. Se por acaso existiu uma capivara do tamanho sugerido por esse dente, o fóssil é mais notícia ainda”, brinca ele.
Cozzuol e sua ex-aluna Ednair Rodrigues do Nascimento, da Unir (Universidade Federal de Rondônia), apresentarão o achado no 7º Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Vertebrados, que acontece nesta semana no Rio.
Se estiverem corretos, cai por terra a ideia de que havia uma espécie de barreira impedindo a entrada de elefantes na América do Sul durante a Era do Gelo.
Parece, mas não é – Até hoje, o Brasil só parecia ter abrigado mastodontes, feras de tromba extintas que, embora se pareçam com elefantes, são parentes distantes desses últimos. “Sabia-se que elefantídeos haviam chegado à Costa Rica, mas não mais ao sul”, diz Cozzuol.
A coisa ainda estaria nesse pé se não fosse por Chico da Pampa, garimpeiro que, no começo dos anos 1990, doou o fóssil que achou em Porto Velho a Miguel Sant’Anna, do Laboratório de Paleontologia da Unir.
Anos depois, Nascimento estava catalogando fósseis no laboratório quando percebeu as estruturas laminares no dente. “Logo pensei em elefantes”, diz.
A análise confirmou a impressão, mas ainda não é possível saber a qual espécie exata pertence o dente. Uma possibilidade é que se trate de um Mammuthus columbi. Seria um mamute, portanto?
“Prefiro não usar a palavra “mamute”, porque as pessoas vão pensar num bicho peludo, e não era o caso”, diz Cozzuol. “O certo seria classificá-los como Elephas [gênero do elefante-asiático].”
Para os cientistas, o achado é só uma amostra da diversidade oculta de bichos da Amazônia pré-histórica. Essa fauna é desconhecida, em parte, por falta de pesquisas.
Por outro lado, as próprias condições de obtenção dos fósseis não são fáceis.”Quase todo o material está tão fundo que só aparece quando se escava para o garimpo de ouro”, explica Cozzuol.
O próprio dente de elefante é prova disso: no arenito que ainda recobre parte do fóssil, o paleontólogo aponta pequenos pontos brilhantes: são grãos do metal precioso.
(Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com)
Mario Cozzuol, paleontólogo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mostrou as estruturas em forma de lâmina no fragmento de molar, que mede 12 cm. São reforços que ajudavam a estrutura dentária a triturar alimentos muito abrasivos.
“Só elefantes e capivaras têm dentes com essa estrutura laminar, mas os de capivara não passam de 5 cm. Se por acaso existiu uma capivara do tamanho sugerido por esse dente, o fóssil é mais notícia ainda”, brinca ele.
Cozzuol e sua ex-aluna Ednair Rodrigues do Nascimento, da Unir (Universidade Federal de Rondônia), apresentarão o achado no 7º Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Vertebrados, que acontece nesta semana no Rio.
Se estiverem corretos, cai por terra a ideia de que havia uma espécie de barreira impedindo a entrada de elefantes na América do Sul durante a Era do Gelo.
Parece, mas não é – Até hoje, o Brasil só parecia ter abrigado mastodontes, feras de tromba extintas que, embora se pareçam com elefantes, são parentes distantes desses últimos. “Sabia-se que elefantídeos haviam chegado à Costa Rica, mas não mais ao sul”, diz Cozzuol.
A coisa ainda estaria nesse pé se não fosse por Chico da Pampa, garimpeiro que, no começo dos anos 1990, doou o fóssil que achou em Porto Velho a Miguel Sant’Anna, do Laboratório de Paleontologia da Unir.
Anos depois, Nascimento estava catalogando fósseis no laboratório quando percebeu as estruturas laminares no dente. “Logo pensei em elefantes”, diz.
A análise confirmou a impressão, mas ainda não é possível saber a qual espécie exata pertence o dente. Uma possibilidade é que se trate de um Mammuthus columbi. Seria um mamute, portanto?
“Prefiro não usar a palavra “mamute”, porque as pessoas vão pensar num bicho peludo, e não era o caso”, diz Cozzuol. “O certo seria classificá-los como Elephas [gênero do elefante-asiático].”
Para os cientistas, o achado é só uma amostra da diversidade oculta de bichos da Amazônia pré-histórica. Essa fauna é desconhecida, em parte, por falta de pesquisas.
Por outro lado, as próprias condições de obtenção dos fósseis não são fáceis.”Quase todo o material está tão fundo que só aparece quando se escava para o garimpo de ouro”, explica Cozzuol.
O próprio dente de elefante é prova disso: no arenito que ainda recobre parte do fóssil, o paleontólogo aponta pequenos pontos brilhantes: são grãos do metal precioso.
(Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com)
China nega ser o maior consumidor mundial de energia
A China rejeitou nesta terça-feira (20) que tenha se tornado o maior consumidor mundial de energia, à frente dos Estados Unidos, como indicaram os jornais Financial Times e Wall Street Journal citando uma autoridade da Agência Internacional de Energia (AIE).
Segundo a AIE, que representa os interesses dos países industrializados grandes consumidores de cru, a China consumiu em 2009 cerca de 2,252 bilhões de toneladas equivalentes em petróleo, 4% a mais do que os Estados Unidos.
Mas uma autoridade da Administração Nacional de Energia chinesa afirmou à imprensa que os dados da AIE não eram confiáveis.
“Os dados da AIE sobre o consumo de energia por parte da China não são confiáveis”, disse Zhou Xian, citado pela agência Nova China.
Citado pelo Financial Times, o chefe de Economia da AIE, Fatih Birol, ressaltou que “em 2000, os Estados Unidos consumiram duas vezes mais energia do que a China”.
“Agora, a China consome mais do que os Estados Unidos”, acrescentou.
“Os Estados Unidos chegaram a uma certa saturação no consumo de energia, mas também houve muitos esforços, em particular desde 2005, para usar a energia de um modo mais eficaz”, indicou Birol.
Nos últimos anos, a China desenvolveu uma política muito ativa no exterior para assegurar o abastecimento de energia, no momento em que o crescimento de sua economia é um dos mais fortes do mundo.
No ano passado, Pequim, maior poluidor mundial, anunciou na Cúpula de Copenhague sobre Mudanças Climáticas a sua vontade de manter a política destinada a melhorar a eficiência energética e a reduzir as emissões de gás carbônico (medidas por ponto PIB) em 40-45% até 2020, em comparação com os níveis de 2005.
Birol indicou ao Financial Times que, embora os Estados Unidos tenham melhorado sua eficiência energética em 2,5% por ano durante a última década, a China melhorou em 1,7% por ano.
A China também tem como objetivo diversificar suas fontes de energia, que atualmente ainda dependem em 70% de combustíveis fósseis.
(Fonte: Yahoo!)
Segundo a AIE, que representa os interesses dos países industrializados grandes consumidores de cru, a China consumiu em 2009 cerca de 2,252 bilhões de toneladas equivalentes em petróleo, 4% a mais do que os Estados Unidos.
Mas uma autoridade da Administração Nacional de Energia chinesa afirmou à imprensa que os dados da AIE não eram confiáveis.
“Os dados da AIE sobre o consumo de energia por parte da China não são confiáveis”, disse Zhou Xian, citado pela agência Nova China.
Citado pelo Financial Times, o chefe de Economia da AIE, Fatih Birol, ressaltou que “em 2000, os Estados Unidos consumiram duas vezes mais energia do que a China”.
“Agora, a China consome mais do que os Estados Unidos”, acrescentou.
“Os Estados Unidos chegaram a uma certa saturação no consumo de energia, mas também houve muitos esforços, em particular desde 2005, para usar a energia de um modo mais eficaz”, indicou Birol.
Nos últimos anos, a China desenvolveu uma política muito ativa no exterior para assegurar o abastecimento de energia, no momento em que o crescimento de sua economia é um dos mais fortes do mundo.
No ano passado, Pequim, maior poluidor mundial, anunciou na Cúpula de Copenhague sobre Mudanças Climáticas a sua vontade de manter a política destinada a melhorar a eficiência energética e a reduzir as emissões de gás carbônico (medidas por ponto PIB) em 40-45% até 2020, em comparação com os níveis de 2005.
Birol indicou ao Financial Times que, embora os Estados Unidos tenham melhorado sua eficiência energética em 2,5% por ano durante a última década, a China melhorou em 1,7% por ano.
A China também tem como objetivo diversificar suas fontes de energia, que atualmente ainda dependem em 70% de combustíveis fósseis.
(Fonte: Yahoo!)
Pesquisadores da UFF usam planta medicinal brasileira contra veneno da surucucu
Uma pesquisa apresentada na manhã desta terça-feira (20) pela Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que o barbatimão, uma planta medicinal da biodiversidade brasileira, pode neutralizar o veneno da cobra surucucu. A descoberta dessa propriedade do barbatimão pode significar um antídoto quase 50% mais barato do que o soro antiofídico usado atualmente.
De acordo com o orientador do estudo, o biomédico e professor do Instituto de Biologia da UFF André Lopes Fuly, a surucucu “é uma serpente que, apesar de registrar número de acidentes no Brasil pequeno [2% do total de mais de 49 mil casos registrados entre 2001 a 2006 pelo Ministério da Saúde], quando comparada com jararaca, responsável por 90% dos ataques, o índice de letalidade dela é bastante expressivo, três vezes mais letal que o da jararaca”.
Fuly destacou ainda que o baixo número de acidentes também compromete a produção do soro para o veneno da surucucu. Para o biomédico, a escassez de pesquisas é apenas um dos aspectos que justificam a busca por alternativas antiofídicas.
“O soro é produzido por três laboratórios públicos no Brasil [Instituto Vital Brazil, em Niterói; Instituto Butantã, em São Paulo, e Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte] e tem vantagens e desvantagens, como qualquer outro tratamento. A vantagem é que, apesar do índice elevado de acidentes [com cobras], o número de óbitos é baixo. Mas as desvantagens são importantes, como as reações alérgicas dos pacientes [de 30% a 40% dos casos], que podem evoluir para o óbito, o processo de produção e logística de transportes é caro e, ainda, o soro não reverte os efeitos do veneno com 100% de eficácia”, explicou Fuly.
A tese desenvolvida pelo pesquisador Rafael Cisne de Paula, sob a orientação do biomédico, revelou ainda que o barbatimão, já reconhecido pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) como medicamento fitoterápico com propriedades cicatrizantes e antidiarreicas, foi eficiente também na inibição do veneno da surucucu, mesmo depois de submetida ao aquecimento de 80 graus Celsius (°C).
“Dez gramas [da planta] podem ser compradas, na internet, por R$ 10. Dez gramas é uma quantidade razoável para fazer o chá e guardar, já que [o chá] não requer tantos cuidados como o soro para armazenamento. Isso já reduz muito o custo da logística e da produção”, explicou o orientador do estudo.
Fonte: Agencia Brasil
De acordo com o orientador do estudo, o biomédico e professor do Instituto de Biologia da UFF André Lopes Fuly, a surucucu “é uma serpente que, apesar de registrar número de acidentes no Brasil pequeno [2% do total de mais de 49 mil casos registrados entre 2001 a 2006 pelo Ministério da Saúde], quando comparada com jararaca, responsável por 90% dos ataques, o índice de letalidade dela é bastante expressivo, três vezes mais letal que o da jararaca”.
Fuly destacou ainda que o baixo número de acidentes também compromete a produção do soro para o veneno da surucucu. Para o biomédico, a escassez de pesquisas é apenas um dos aspectos que justificam a busca por alternativas antiofídicas.
“O soro é produzido por três laboratórios públicos no Brasil [Instituto Vital Brazil, em Niterói; Instituto Butantã, em São Paulo, e Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte] e tem vantagens e desvantagens, como qualquer outro tratamento. A vantagem é que, apesar do índice elevado de acidentes [com cobras], o número de óbitos é baixo. Mas as desvantagens são importantes, como as reações alérgicas dos pacientes [de 30% a 40% dos casos], que podem evoluir para o óbito, o processo de produção e logística de transportes é caro e, ainda, o soro não reverte os efeitos do veneno com 100% de eficácia”, explicou Fuly.
A tese desenvolvida pelo pesquisador Rafael Cisne de Paula, sob a orientação do biomédico, revelou ainda que o barbatimão, já reconhecido pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) como medicamento fitoterápico com propriedades cicatrizantes e antidiarreicas, foi eficiente também na inibição do veneno da surucucu, mesmo depois de submetida ao aquecimento de 80 graus Celsius (°C).
“Dez gramas [da planta] podem ser compradas, na internet, por R$ 10. Dez gramas é uma quantidade razoável para fazer o chá e guardar, já que [o chá] não requer tantos cuidados como o soro para armazenamento. Isso já reduz muito o custo da logística e da produção”, explicou o orientador do estudo.
Fonte: Agencia Brasil
Os Pampas podem se tornar patrimônio nacional
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) tem uma pauta de cem itens para votar no próximo dia 4 de agosto, entre eles, proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) que inclui os Pampas na lista dos biomas brasileiros. Na definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BGE), bioma é o conjunto de espécies animais e vegetais que compartilham uma diversidade biológica própria.
A proposta (PEC 5/09) também inclui, na mesma lista, o Cerrado e a Caatinga. O Senado já aprovou uma matéria tratando desses dois biomas. De autoria do senador Demóstenes Torres, a PEC 51/03 agora tramita na Câmara dos Deputados.
Desde que o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, a Eco-92, o respeito aos biomas vem ganhando espaço nas políticas públicas e estratégias de crescimento das empresas brasileiras, assim como nas campanhas realizadas por organizações não governamentais preocupadas com o meio ambiente.
Na justificação de sua proposta, o senador Paulo Paim afirma que, só em 2003, com base na análise das diferentes vegetações, foram tecnicamente definidos os sete biomas nacionais. São eles: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Costeiro, Caatinga, Pantanal e Campos Sulinos (Pampas).
Hoje a Constituição menciona apenas a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. Pelo projeto, a Serra do Mar não seria mais citada. Com a entrada de Cerrado, Caatinga e Pampas, a lista ficará com sete itens. O mapa dos biomas nacionais é referência para a fixação de políticas públicas diferenciadas e para o acompanhamento, pela sociedade, das ações de proteção ambiental conduzidas no país.
Relatora da matéria na CCJ, a senadora Marina Silva (PV-AC) afirma que a inclusão do conceito de bioma no planejamento de obras públicas, instalação e expansão de fábricas, fazendas, empreendimentos imobiliários, hoteleiros e turísticos poderá mudar a lógica de desenvolvimento do Brasil, que antes tratava o meio ambiente mais como problema que como solução para uma economia mais limpa e sustentável.
Marina diz, em seu relatório, que os Pampas são o único bioma brasileiro situado nos limites de um único Estado, que ocupa 63% do território gaúcho. Ela afirma que, por não ser uma formação florestal, os Pampas não têm sido tratados como área prioritária para conservação, tendo apenas 1% de seu território protegido. De acordo com a senadora, a biodiversidade dos Pampas tem declinado bastante em decorrência da expansão acelerada da atividade agropecuária naquela região.
Caatinga e Cerrado
Marina afirma ainda que o Cerrado hospeda as nascentes dos principais rios brasileiros e que só essa informação já é suficiente para justificar a necessidade de conservação dessa vegetação, que retém no solo as águas das chuvas, ajudando na reposição de água nas nascentes.
Ela também afirma que 57% do Cerrado já foram desmatados e que, a continuar nesse ritmo, dentro de 20 ou 30 anos, o bioma desaparecerá. De acordo com Marina Silva, a devastação põe em risco os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, Pará, Mato Grosso e outros por onde passam os rios e afluentes das bacias Amazônica, do São Francisco e do Paraná.
No mesmo relatório, ela define a Caatinga como único bioma exclusivamente brasileiro, que se adaptou ao clima semiárido do sertão nordestino com arbustos e árvores baixas, o que diminui a perda de água pela evaporação. Ela lembra que, há centenas de anos, a área sofre pelo uso inadequado e pelo manejo não sustentável, observando que o bioma perde por ano, de forma pulverizada, uma área de vegetação nativa equivalente a duas vezes a cidade de São Paulo.
Marina Silva considera esses biomas de rara importância, lembrando que protegê-los resultará em benefícios como incentivos fiscais, programas especiais de desenvolvimento sustentável e maior preservação ambiental.
A proposta de Paim altera o parágrafo 4º do artigo 225 da Constituição. Favorável à iniciativa, o parecer de Marina Silva inclui apenas uma emenda de redação, para substituir a expressão Campos Sulinos por Pampas. Se aprovado, o dispositivo ficará assim:
"Os biomas brasileiros Amazônia, Caatinga, Cerrado, Costeiro, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal são patrimônio nacional e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais".
Fonte: Agência Câmara
A proposta (PEC 5/09) também inclui, na mesma lista, o Cerrado e a Caatinga. O Senado já aprovou uma matéria tratando desses dois biomas. De autoria do senador Demóstenes Torres, a PEC 51/03 agora tramita na Câmara dos Deputados.
Desde que o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, a Eco-92, o respeito aos biomas vem ganhando espaço nas políticas públicas e estratégias de crescimento das empresas brasileiras, assim como nas campanhas realizadas por organizações não governamentais preocupadas com o meio ambiente.
Na justificação de sua proposta, o senador Paulo Paim afirma que, só em 2003, com base na análise das diferentes vegetações, foram tecnicamente definidos os sete biomas nacionais. São eles: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Costeiro, Caatinga, Pantanal e Campos Sulinos (Pampas).
Hoje a Constituição menciona apenas a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira. Pelo projeto, a Serra do Mar não seria mais citada. Com a entrada de Cerrado, Caatinga e Pampas, a lista ficará com sete itens. O mapa dos biomas nacionais é referência para a fixação de políticas públicas diferenciadas e para o acompanhamento, pela sociedade, das ações de proteção ambiental conduzidas no país.
Relatora da matéria na CCJ, a senadora Marina Silva (PV-AC) afirma que a inclusão do conceito de bioma no planejamento de obras públicas, instalação e expansão de fábricas, fazendas, empreendimentos imobiliários, hoteleiros e turísticos poderá mudar a lógica de desenvolvimento do Brasil, que antes tratava o meio ambiente mais como problema que como solução para uma economia mais limpa e sustentável.
Marina diz, em seu relatório, que os Pampas são o único bioma brasileiro situado nos limites de um único Estado, que ocupa 63% do território gaúcho. Ela afirma que, por não ser uma formação florestal, os Pampas não têm sido tratados como área prioritária para conservação, tendo apenas 1% de seu território protegido. De acordo com a senadora, a biodiversidade dos Pampas tem declinado bastante em decorrência da expansão acelerada da atividade agropecuária naquela região.
Caatinga e Cerrado
Marina afirma ainda que o Cerrado hospeda as nascentes dos principais rios brasileiros e que só essa informação já é suficiente para justificar a necessidade de conservação dessa vegetação, que retém no solo as águas das chuvas, ajudando na reposição de água nas nascentes.
Ela também afirma que 57% do Cerrado já foram desmatados e que, a continuar nesse ritmo, dentro de 20 ou 30 anos, o bioma desaparecerá. De acordo com Marina Silva, a devastação põe em risco os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, Pará, Mato Grosso e outros por onde passam os rios e afluentes das bacias Amazônica, do São Francisco e do Paraná.
No mesmo relatório, ela define a Caatinga como único bioma exclusivamente brasileiro, que se adaptou ao clima semiárido do sertão nordestino com arbustos e árvores baixas, o que diminui a perda de água pela evaporação. Ela lembra que, há centenas de anos, a área sofre pelo uso inadequado e pelo manejo não sustentável, observando que o bioma perde por ano, de forma pulverizada, uma área de vegetação nativa equivalente a duas vezes a cidade de São Paulo.
Marina Silva considera esses biomas de rara importância, lembrando que protegê-los resultará em benefícios como incentivos fiscais, programas especiais de desenvolvimento sustentável e maior preservação ambiental.
A proposta de Paim altera o parágrafo 4º do artigo 225 da Constituição. Favorável à iniciativa, o parecer de Marina Silva inclui apenas uma emenda de redação, para substituir a expressão Campos Sulinos por Pampas. Se aprovado, o dispositivo ficará assim:
"Os biomas brasileiros Amazônia, Caatinga, Cerrado, Costeiro, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal são patrimônio nacional e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais".
Fonte: Agência Câmara
Debate por redução de sódio nos alimentos
PROTESTE defende o controle no uso e redução pela indústria. Excesso tem sido recorrente em testes de alimentos, pondo em risco a saúde.
O excesso de sódio tem sido um problema recorrente nos testes alimentares feitos pela PROTESTE Associação de Consumidores e é fundamental um controle do uso para reduzir os riscos à saúde. Este é o posicionamento da Associação, que participa nesta quarta-feira (23), em Brasília, do I Seminário de Redução de Sódio nos Alimentos Processados, promovido pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-americana de Saúde.
O consumo médio do brasileiro corresponde ao dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 6 a 5 gramas diárias. Os inúmeros males que o produto pode causar à saúde levou a OMS a incluir o sal entre as substâncias que precisam ser reduzidas na alimentação.
Participam da discussão sobre as estratégias para redução de sódio nos alimentos processados o Ministério da Saúde, entidades de defesa do consumidor, e a indústria. Serão debatidas as ações governamentais para redução do consumo de sódio, além do monitoramento do conteúdo nutricional dos alimentos processados.
Entre os alimentos testados pela PROTESTE em que foi detectado excesso de sódio destacam-se o macarrão instantâneo , que chega a ter 90% da quantidade de sódio que um adulto pode consumir por dia. O salame, cuja porção de 40 g tem 2 g de sal (5¨%).Os alimentos de fast food, os combos infantis chegam a ter 400% do sódio que as crianças entre um e três anos necessitam num dia.As análises feitas também demonstraram que os pratos prontos desidratados chegam a ter 42% do total de sódio que pode ser consumido no dia por um adulto.
Molhos
Shoyu - apenas uma colher de sopa de molho shoyu traz quase toda a quantidade de sódio que um adulto deveria ingerir em um almoço. As crianças devem passar longe de pratos com ele.
Inglês – uma colher de sopa representa entre 6% e 16% das necessidades de sódio de um adulto em um almoço.
Pimenta - uma colher de sopa de molho de pimenta tem entre 11% e 22% das necessidades de sódio de um adulto em uma refeição.
Fast Food
Excesso de calorias, de gordura saturada, de sódio e de proteína. Essas foram as principais descobertas de nosso teste com combos de sanduíche de carne e de frango, com batata frita e refrigerante das cinco principais cadeias de fast-food do país para adultos e para crianças.
- combos infantis: não são adequados para crianças de nenhuma idade. Para crianças de 1-3 anos chegam a ter 400% do que necessitam num dia.
- combos adultos: chegam a ter 75% da quantidade de sódio que um adulto tem em um dia
Mortadela
Uma porção de 40 g tem 2 g de sal (5%)
Salame
3% de sal
Macarrão Instantâneo
Alguns produtos alcançam quase 100% do que um adulto deveria consumir desse nutriente em um dia inteiro. O que apresentou a menor quantidade de sódio, o Maggi Lamenitos, tem cerca de 60% do sódio que um adulto pode consumir no dia.
Exemplificando o gráfico ao lado, uma criança de 1 a 3 anos de idade deve consumidor 225 mg de sódio por dia. No entanto, o produto Maggi Lamenitos, que é o produto com menor teor de sódio do teste e é indicado ao público infantil, contém 1.479 mg!! Os demais produtos chegam a ter 2.140 mg de sódio, o que, indubitavelmente, traz malefícios à saúde dos consumidores.
Pratos Semi-prontos
Chegam a ter 42% do total de sódio que pode ser consumido no dia por um adulto.
Batata Palha
Uma batata palha, para ser considerada saudável, deveria trazer no máximo 0,3g de sal para cada 100g de batata. Mas a Sendas (E) apresenta 1,6g de sal para cada 100g. Níveis de sal acima de 1g não são aceitáveis, por isso, os produtos com valores acima desse nível não poderiam ser mais do que aceitáveis (C) na avaliação final. A Sendas, que ultrapassou em mais de 50% o limite de 1g, foi classificada como ruim.
Lasanha Congelada
Para se ter uma idéia, comendo uma porção de 325g de duas das marcas analisadas, o consumidor iria ingerir 60% de sua necessidade diária de sal.
Cereais Matinais
Apenas três marcas apresentaram, numa porção de 100g, níveis inferiores a 10% do valor diário recomendado para consumo. Uma porção de 30g dos demais produtos equivale a mais de 50% do que uma criança pode ingerir em um dia.
Molho para Salada
Na medição das quantidades de sal, o Taeq Ceasar Light (A) foi o molho que apresentou menos sal. O Jurema Parmesan, o Great Value Italian e o Uncle Bens Ervas Finas (C) têm quantidades um pouco mais elevadas de sal e devem ser consumidos com moderação.
Sopas
Em todas as sopas havia mais de 2g de sal por porção.
http://www.proteste.org.br/
O excesso de sódio tem sido um problema recorrente nos testes alimentares feitos pela PROTESTE Associação de Consumidores e é fundamental um controle do uso para reduzir os riscos à saúde. Este é o posicionamento da Associação, que participa nesta quarta-feira (23), em Brasília, do I Seminário de Redução de Sódio nos Alimentos Processados, promovido pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-americana de Saúde.
O consumo médio do brasileiro corresponde ao dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 6 a 5 gramas diárias. Os inúmeros males que o produto pode causar à saúde levou a OMS a incluir o sal entre as substâncias que precisam ser reduzidas na alimentação.
Participam da discussão sobre as estratégias para redução de sódio nos alimentos processados o Ministério da Saúde, entidades de defesa do consumidor, e a indústria. Serão debatidas as ações governamentais para redução do consumo de sódio, além do monitoramento do conteúdo nutricional dos alimentos processados.
Entre os alimentos testados pela PROTESTE em que foi detectado excesso de sódio destacam-se o macarrão instantâneo , que chega a ter 90% da quantidade de sódio que um adulto pode consumir por dia. O salame, cuja porção de 40 g tem 2 g de sal (5¨%).Os alimentos de fast food, os combos infantis chegam a ter 400% do sódio que as crianças entre um e três anos necessitam num dia.As análises feitas também demonstraram que os pratos prontos desidratados chegam a ter 42% do total de sódio que pode ser consumido no dia por um adulto.
Molhos
Shoyu - apenas uma colher de sopa de molho shoyu traz quase toda a quantidade de sódio que um adulto deveria ingerir em um almoço. As crianças devem passar longe de pratos com ele.
Inglês – uma colher de sopa representa entre 6% e 16% das necessidades de sódio de um adulto em um almoço.
Pimenta - uma colher de sopa de molho de pimenta tem entre 11% e 22% das necessidades de sódio de um adulto em uma refeição.
Fast Food
Excesso de calorias, de gordura saturada, de sódio e de proteína. Essas foram as principais descobertas de nosso teste com combos de sanduíche de carne e de frango, com batata frita e refrigerante das cinco principais cadeias de fast-food do país para adultos e para crianças.
- combos infantis: não são adequados para crianças de nenhuma idade. Para crianças de 1-3 anos chegam a ter 400% do que necessitam num dia.
- combos adultos: chegam a ter 75% da quantidade de sódio que um adulto tem em um dia
Mortadela
Uma porção de 40 g tem 2 g de sal (5%)
Salame
3% de sal
Macarrão Instantâneo
Alguns produtos alcançam quase 100% do que um adulto deveria consumir desse nutriente em um dia inteiro. O que apresentou a menor quantidade de sódio, o Maggi Lamenitos, tem cerca de 60% do sódio que um adulto pode consumir no dia.
Exemplificando o gráfico ao lado, uma criança de 1 a 3 anos de idade deve consumidor 225 mg de sódio por dia. No entanto, o produto Maggi Lamenitos, que é o produto com menor teor de sódio do teste e é indicado ao público infantil, contém 1.479 mg!! Os demais produtos chegam a ter 2.140 mg de sódio, o que, indubitavelmente, traz malefícios à saúde dos consumidores.
Pratos Semi-prontos
Chegam a ter 42% do total de sódio que pode ser consumido no dia por um adulto.
Batata Palha
Uma batata palha, para ser considerada saudável, deveria trazer no máximo 0,3g de sal para cada 100g de batata. Mas a Sendas (E) apresenta 1,6g de sal para cada 100g. Níveis de sal acima de 1g não são aceitáveis, por isso, os produtos com valores acima desse nível não poderiam ser mais do que aceitáveis (C) na avaliação final. A Sendas, que ultrapassou em mais de 50% o limite de 1g, foi classificada como ruim.
Lasanha Congelada
Para se ter uma idéia, comendo uma porção de 325g de duas das marcas analisadas, o consumidor iria ingerir 60% de sua necessidade diária de sal.
Cereais Matinais
Apenas três marcas apresentaram, numa porção de 100g, níveis inferiores a 10% do valor diário recomendado para consumo. Uma porção de 30g dos demais produtos equivale a mais de 50% do que uma criança pode ingerir em um dia.
Molho para Salada
Na medição das quantidades de sal, o Taeq Ceasar Light (A) foi o molho que apresentou menos sal. O Jurema Parmesan, o Great Value Italian e o Uncle Bens Ervas Finas (C) têm quantidades um pouco mais elevadas de sal e devem ser consumidos com moderação.
Sopas
Em todas as sopas havia mais de 2g de sal por porção.
http://www.proteste.org.br/
Tempero pronto: muito sódio e aditivos
A PRO TESTE testou os temperos prontos veja o resultado:
A maioria dos produtos testados por nós chegam próximo da quantidade diária máxima dessas substâncias.
Caldo em tablete ou em pó
Produto à base de galinha, galinha caipira (ambos testados por nós), carne de vaca, frango, bacon, costela, camarão ou legumes que, após dissolvido em água quente, serve para preparar caldos e muitas outras receitas e enriquecer molhos e temperos. Acondicionado em caixinhas ou cartuchos de papelão, potes plásticos ou de vidro, custa de R$ 1,06 (Kitano, em pó) a R$ 2,38 (Maggi, em tablete), por embalagem (preços de referência).
Produtos com mais gordura Knorr - Maggi Galinha - Jurema - Kitano - Etti - Maggi Galinha Caipira
Produtos com mais sódio - Sazon - Arisco - Kitano em pó - Jurema
Produto com mais glutamato monossódico - Kitano em pó - Arisco
Tempero de alho e sal
Destinado a temperar os alimentos durante o preparo. É encontrado em pó, em pasta ou cremoso, embalado em vidros, envelopes, potes e sacos plásticos. Custa de R$ 1,29 (Alho e Sal Sabor a Mi) a R$ 2,29 (Tempero Completo Alho e Sal Arisco), por embalagem (preços de referência).
Praticamente não apresenta gordura, sendo que os temperos de alho e sal Arisco, Kitano e Sabor a Mi têm gordura total zero. Quanto ao sódio, porém, de todos os temperos que testamos, os de alho e sal possuem os teores mais elevados em disparado.
A exceção ficou com o Knorr Tok, que, apesar de conter muito sódio, chega a ter menos do que alguns caldos de galinha. Em relação ao glutamato monossódico, Knorr Tok e Sabor a Mi ultrapassam o limite aceitável.
Tempero para aves, peixes e arroz
Esse tipo de tempero também possui teores baixos de gordura total. Mas o sódio está com tudo nesse produto, com destaque para o Maggi Fondor. O campeão de glutamato monossódico do teste foi o Sazon - Tempero para aves, peixes e arroz, que ultrapassou bastante o limite fixado pela legislação europeia. Maggi Fondor é o que traz menos dessa substância.
http://www.proteste.org.br
A maioria dos produtos testados por nós chegam próximo da quantidade diária máxima dessas substâncias.
Caldo em tablete ou em pó
Produto à base de galinha, galinha caipira (ambos testados por nós), carne de vaca, frango, bacon, costela, camarão ou legumes que, após dissolvido em água quente, serve para preparar caldos e muitas outras receitas e enriquecer molhos e temperos. Acondicionado em caixinhas ou cartuchos de papelão, potes plásticos ou de vidro, custa de R$ 1,06 (Kitano, em pó) a R$ 2,38 (Maggi, em tablete), por embalagem (preços de referência).
Produtos com mais gordura Knorr - Maggi Galinha - Jurema - Kitano - Etti - Maggi Galinha Caipira
Produtos com mais sódio - Sazon - Arisco - Kitano em pó - Jurema
Produto com mais glutamato monossódico - Kitano em pó - Arisco
Tempero de alho e sal
Destinado a temperar os alimentos durante o preparo. É encontrado em pó, em pasta ou cremoso, embalado em vidros, envelopes, potes e sacos plásticos. Custa de R$ 1,29 (Alho e Sal Sabor a Mi) a R$ 2,29 (Tempero Completo Alho e Sal Arisco), por embalagem (preços de referência).
Praticamente não apresenta gordura, sendo que os temperos de alho e sal Arisco, Kitano e Sabor a Mi têm gordura total zero. Quanto ao sódio, porém, de todos os temperos que testamos, os de alho e sal possuem os teores mais elevados em disparado.
A exceção ficou com o Knorr Tok, que, apesar de conter muito sódio, chega a ter menos do que alguns caldos de galinha. Em relação ao glutamato monossódico, Knorr Tok e Sabor a Mi ultrapassam o limite aceitável.
Tempero para aves, peixes e arroz
Esse tipo de tempero também possui teores baixos de gordura total. Mas o sódio está com tudo nesse produto, com destaque para o Maggi Fondor. O campeão de glutamato monossódico do teste foi o Sazon - Tempero para aves, peixes e arroz, que ultrapassou bastante o limite fixado pela legislação europeia. Maggi Fondor é o que traz menos dessa substância.
http://www.proteste.org.br
terça-feira, 20 de julho de 2010
Produção e consumo sustentável têm incentivo com a política de resíduos sólidos
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada pelo Senado no último dia 7, depois de duas décadas em tramitação no Legislativo, finalmente traz soluções para a correta destinação dos resíduos produzidos diariamente pelas empresas e pelos cidadãos.
Com a nova política, será possível fazer o rastreamento do produto desde sua fabricação até seu descarte que deverá seguir as normas ambientais vigentes. “Assim queremos aumentar a meta de reciclagem e mudar o comportamento do consumidor”, explica a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) abrirá consulta pública no próximo mês de agosto para o Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentável. Por meio da internet, os cidadãos brasileiros poderão fazer sugestões, críticas e comentários que vão orientar a implementação do Plano.
O aumento de reciclagem de resíduos sólidos é uma das prioridades apresentadas pelo MMA. Mas também estará em discussão diferentes temáticas como a educação para o consumo sustentável, as construções sustentáveis e o varejo de consumo sustentável. Para o setor público, serão debatidas as compras públicas sustentáveis e a agenda ambiental da administração pública (A3P).
Segundo a secretária, “o Ministério do Meio Ambiente procura fazer uma sinergia entre o plano nacional de produção e consumo sustentável com a recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos, além do Plano Nacional de Mudanças Climáticas”.
(Fonte: MMA)
Com a nova política, será possível fazer o rastreamento do produto desde sua fabricação até seu descarte que deverá seguir as normas ambientais vigentes. “Assim queremos aumentar a meta de reciclagem e mudar o comportamento do consumidor”, explica a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) abrirá consulta pública no próximo mês de agosto para o Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentável. Por meio da internet, os cidadãos brasileiros poderão fazer sugestões, críticas e comentários que vão orientar a implementação do Plano.
O aumento de reciclagem de resíduos sólidos é uma das prioridades apresentadas pelo MMA. Mas também estará em discussão diferentes temáticas como a educação para o consumo sustentável, as construções sustentáveis e o varejo de consumo sustentável. Para o setor público, serão debatidas as compras públicas sustentáveis e a agenda ambiental da administração pública (A3P).
Segundo a secretária, “o Ministério do Meio Ambiente procura fazer uma sinergia entre o plano nacional de produção e consumo sustentável com a recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos, além do Plano Nacional de Mudanças Climáticas”.
(Fonte: MMA)
Municípios se preparam para eliminar lixões
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que deve ser sancionada no próximo dia 2 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determina a eliminação dos lixões em quatro anos no Brasil. Para cumprir a lei, prefeitos de 14 municípios que lideram cidades das regiões Sul, Sudeste e Nordeste estiveram nesta segunda-feira (19) com o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Silvano Silvério. Eles vieram prestar contas de convênios que têm com o Ministério do Meio Ambiente para a construção de ações compartilhadas para a gestão conjunta do lixo.
O secretário recebeu representantes de Santana do Livramento, Bagé, Candiota, Capão da Canoa, Caxias (RS), Nova Odessa, Sumaré, Socorro, Amparo (SP), Casa Nova (BA), São Joaquim de Bicas, Betim (MG), Palmeiras e Ingazeira (PE). “Cada polo está em fase diferente no processo de criação de consórcios para a solução de problemas dos resíduos sólidos, que prevê aterros, galpões de triagem, compostagem”, citou Silvano Silvério. Segundo o secretário, os municípios se agregam em função de necessidades comuns, boas estradas para trânsito de resíduos, boa estrutura logística.
O diretor de Ambiente Urbano, Sérgio Gonçalves, explica que o país tem dois anos para criar o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que vai aprofundar as diretrizes gerais que foram desenhadas pela PNRS. Por sua vez, os planos municipais e locais vão detalhar o seu modo de execução. A Política Nacional aprovada pelo Senado, no último dia 7, valoriza as iniciativas de gestão compartilhada das soluções para o lixo e estimula a cooperação técnico-financeira entre os poderes federal, estadual e municipal.
Durante o dia de trabalho, os gestores públicos e técnicos do departamento de Ambiente Urbano trocaram informações sobre a situação atual da execução do objeto dos convênios, sendo cinco deles para apoio à elaboração de Planos Regionais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e outros oito para apoio ao fortalecimento dos Consórcios Públicos Intermunicipais. Também tiverem a oportunidade de tratar das dificuldades encontradas, trocar informações sobre avanços e buscar novas estratégias para a continuidade dos trabalhos.
(Fonte: MMA)
O secretário recebeu representantes de Santana do Livramento, Bagé, Candiota, Capão da Canoa, Caxias (RS), Nova Odessa, Sumaré, Socorro, Amparo (SP), Casa Nova (BA), São Joaquim de Bicas, Betim (MG), Palmeiras e Ingazeira (PE). “Cada polo está em fase diferente no processo de criação de consórcios para a solução de problemas dos resíduos sólidos, que prevê aterros, galpões de triagem, compostagem”, citou Silvano Silvério. Segundo o secretário, os municípios se agregam em função de necessidades comuns, boas estradas para trânsito de resíduos, boa estrutura logística.
O diretor de Ambiente Urbano, Sérgio Gonçalves, explica que o país tem dois anos para criar o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que vai aprofundar as diretrizes gerais que foram desenhadas pela PNRS. Por sua vez, os planos municipais e locais vão detalhar o seu modo de execução. A Política Nacional aprovada pelo Senado, no último dia 7, valoriza as iniciativas de gestão compartilhada das soluções para o lixo e estimula a cooperação técnico-financeira entre os poderes federal, estadual e municipal.
Durante o dia de trabalho, os gestores públicos e técnicos do departamento de Ambiente Urbano trocaram informações sobre a situação atual da execução do objeto dos convênios, sendo cinco deles para apoio à elaboração de Planos Regionais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e outros oito para apoio ao fortalecimento dos Consórcios Públicos Intermunicipais. Também tiverem a oportunidade de tratar das dificuldades encontradas, trocar informações sobre avanços e buscar novas estratégias para a continuidade dos trabalhos.
(Fonte: MMA)
Brasileiro cria catalisador reaproveitável para produzir biodiesel
Catalisador ácido
Pesquisa realizada no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP, testou com êxito a utilização de um novo tipo de catalisador para a produção de biodiesel, baseado em compostos ácidos.
O catalisador testado pelo químico Guilherme Tremiliosi pode ser recuperado e reaproveitado em novos processos de produção de biodiesel.
A substância também pode ser adicionada a um maior número de matérias-primas do que o catalisador básico, sem a necessidade de serem tratadas antes da reação.
Material híbrido
O catalisador utilizado é o ácido fosfo-túngstico, sob um suporte de ormosil (abreviação de organically modified silicates, silicatos organicamente modificados), um material híbrido, orgânico e inorgânico.
"Ele foi testado em óleo de soja com alto índice de acidez, que apresenta grandes dificuldades para seu emprego na produção de biodiesel", ressalta o químico. "O objetivo era obter um rendimento satisfatório na reação entre óleo, etanol e catalisador, que gera o combustível."
Atualmente, a produção de biodiesel no Brasil utiliza catalisadores básicos e homogêneos, que não podem ser reaproveitados. "O catalisador ácido permite maior versatilidade no uso de matérias-primas, sem necessidade de tratamento prévio, como sobras de óleo de cozinha ou óleos de plantas oleaginosas não comestíveis, como o crambe", conta o químico.
No experimento, o rendimento obtido chegou a 60% (ou seja, 60% do óleo utilizado se transformou em biodiesel), ainda abaixo do nível mínimo considerado ideal pelas indústrias, que é de 95%. "Além da reação ter sido realizada em laboratório, não houve ajustes nos parâmetros do processo reacional", observa o químico.
Recuperação do catalisador
Segundo Tremiliosi, o catalisador ácido tem potencial para chegar a 99% de rendimento. "Para chegar a esse nível, serão necessárias novas pesquisas para aprimorar a interação entre o ácido e o ormosil", avalia. "Ao mesmo tempo, é preciso otimizar os procedimentos envolvidos na reação."
Ele explica que devido ao fato de o catalisador ácido ser heterogêneo, ele pode ser regenerado. "Por filtração, ele é separado do biodiesel e reaproveitado em novos processos reacionais", descreve. "O catalisador básico em contato com a água produz sabão, que é muito difícil de ser separado do combustível."
O catalisador ácido também permite o uso de etanol que não seja totalmente anidro (sem moléculas de água). Tremiliosi afirma que a pesquisa não estimou os custos de produção do catalisador, mas que a possibilidade de reaproveitamento pode gerar uma redução. "Além disso, há a perspectiva de utilização com uma gama maior de matérias-primas", acrescenta.
De acordo com o pesquisador, as matérias-primas utilizadas no ormosil são produzidas no Brasil, mas não em grande escala. "Caso o catalisador ácido seja utilizado para a produção de biodiesel, existe a possibilidade de adaptar o volume de produção para atender o processo de produção do combustível", afirma o químico.
Júlio Bernardes - Agência USP
Pesquisa realizada no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP, testou com êxito a utilização de um novo tipo de catalisador para a produção de biodiesel, baseado em compostos ácidos.
O catalisador testado pelo químico Guilherme Tremiliosi pode ser recuperado e reaproveitado em novos processos de produção de biodiesel.
A substância também pode ser adicionada a um maior número de matérias-primas do que o catalisador básico, sem a necessidade de serem tratadas antes da reação.
Material híbrido
O catalisador utilizado é o ácido fosfo-túngstico, sob um suporte de ormosil (abreviação de organically modified silicates, silicatos organicamente modificados), um material híbrido, orgânico e inorgânico.
"Ele foi testado em óleo de soja com alto índice de acidez, que apresenta grandes dificuldades para seu emprego na produção de biodiesel", ressalta o químico. "O objetivo era obter um rendimento satisfatório na reação entre óleo, etanol e catalisador, que gera o combustível."
Atualmente, a produção de biodiesel no Brasil utiliza catalisadores básicos e homogêneos, que não podem ser reaproveitados. "O catalisador ácido permite maior versatilidade no uso de matérias-primas, sem necessidade de tratamento prévio, como sobras de óleo de cozinha ou óleos de plantas oleaginosas não comestíveis, como o crambe", conta o químico.
No experimento, o rendimento obtido chegou a 60% (ou seja, 60% do óleo utilizado se transformou em biodiesel), ainda abaixo do nível mínimo considerado ideal pelas indústrias, que é de 95%. "Além da reação ter sido realizada em laboratório, não houve ajustes nos parâmetros do processo reacional", observa o químico.
Recuperação do catalisador
Segundo Tremiliosi, o catalisador ácido tem potencial para chegar a 99% de rendimento. "Para chegar a esse nível, serão necessárias novas pesquisas para aprimorar a interação entre o ácido e o ormosil", avalia. "Ao mesmo tempo, é preciso otimizar os procedimentos envolvidos na reação."
Ele explica que devido ao fato de o catalisador ácido ser heterogêneo, ele pode ser regenerado. "Por filtração, ele é separado do biodiesel e reaproveitado em novos processos reacionais", descreve. "O catalisador básico em contato com a água produz sabão, que é muito difícil de ser separado do combustível."
O catalisador ácido também permite o uso de etanol que não seja totalmente anidro (sem moléculas de água). Tremiliosi afirma que a pesquisa não estimou os custos de produção do catalisador, mas que a possibilidade de reaproveitamento pode gerar uma redução. "Além disso, há a perspectiva de utilização com uma gama maior de matérias-primas", acrescenta.
De acordo com o pesquisador, as matérias-primas utilizadas no ormosil são produzidas no Brasil, mas não em grande escala. "Caso o catalisador ácido seja utilizado para a produção de biodiesel, existe a possibilidade de adaptar o volume de produção para atender o processo de produção do combustível", afirma o químico.
Júlio Bernardes - Agência USP
Cientistas contestam revisão do Código Florestal Brasileiro
Retrocesso ambiental
A revisão do Código Florestal brasileiro, em votação no Congresso Nacional, está provocando sérias preocupações na comunidade científica e suscitando diversas manifestações no Brasil e no exterior.
Com uma possível aprovação do relatório que propõe mudanças na legislação ambiental, o Brasil estaria "arriscado a sofrer seu mais grave retrocesso ambiental em meio século, com consequências críticas e irreversíveis que irão além das fronteiras do país", segundo carta redigida por pesquisadores ligados ao Programa Biota-FAPESP e publicada na sexta-feira (16/7), na revista Science.
O texto é assinado por Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luciano Verdade e Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.
Vegetação obrigatória
As novas regras, segundo eles, reduzirão a restauração obrigatória de vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965. Com isso, "as emissões de dióxido de carbono poderão aumentar substancialmente" e, a partir de simples análises da relação espécies-área, é possível prever "a extinção de mais de 100 mil espécies, uma perda massiva que invalidará qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade".
A comunidade científica, de acordo com o texto, foi "amplamente ignorada durante a elaboração" do relatório de revisão do Código Florestal. A mesma crítica foi apresentada em carta enviada por duas das principais instituições científicas do país, no dia 25 de junho, à Comissão Especial do Código Florestal Brasileiro na Câmara dos Deputados.
Assinada por Jacob Palis e Marco Antonio Raupp, respectivamente presidentes da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), a carta defende que o Código Florestal, embora passível de aperfeiçoamentos, é a "peça fundamental de uma legislação ambiental reconhecida com uma das mais modernas do mundo".
Reformulação do Código Florestal
A reformulação do código, segundo o texto, baseia-se na "premissa errônea de que não há mais área disponível para expansão da agricultura brasileira" e "não foi feita sobre a égide de uma sólida base científica, pelo contrário, a maioria da comunidade científica não foi sequer consultada e a reformulação foi pautada muito mais em interesses unilaterais de determinados setores econômicos".
Entre as consequências de uma aprovação da proposta de reformulação, a carta menciona um "aumento considerável na substituição de áreas naturais por áreas agrícolas em locais extremamente sensíveis", a "aceleração da ocupação de áreas de risco em inúmeras cidades brasileiras", o estímulo à "impunidade devido à ampla anistia proposta àqueles que cometeram crimes ambientais até passado recente", um "decréscimo acentuado da biodiversidade, a um aumento das emissões de carbono para a atmosfera" e o "aumento das perdas de solo por erosão com consequente assoreamento de corpos hídricos".
No dia 16 de junho, as lideranças da Câmara dos Deputados também receberam carta do geógrafo e ambientalista Aziz Nacib Ab'Sáber - professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP -, que fez duras críticas ao relatório de reformulação da legislação.
Reconhecido como um dos principais conhecedores do bioma amazônico, Ab'Sáber defendeu que "se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território". Segundo o geógrafo, a proposta foi apresentada anteriormente ao Governo Federal, mas a resposta era que se tratava de "uma ideia boa mas complexa e inoportuna".
No documento, Ab'Sáber afirma que "as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva". Segundo ele, "enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico".
Áreas de Proteção Permanente
De acordo com Joly, que é coordenador do Biota-FAPESP, caso a reformulação seja aprovada, o Código Florestal mudará para pior em vários aspectos. "Essas manifestações da comunidade científica vão continuar, porque a situação é muito grave. Se essas mudanças forem aprovadas teremos um retrocesso de meio século na nossa legislação ambiental, com consequências profundamente negativas em diversas dimensões", disse à Agência FAPESP.
Segundo ele, as mudanças terão impacto negativo sobre a conformação das Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reservas Legais (RL) e sobre o funcionamento da regularização de propriedades em situação ilegal. Atualmente, explica, os proprietários que não possuem RL ou APPs preservadas estão sujeitos a multas caso se recusem a recuperar as áreas degradadas, ou quando realizarem desmatamento ilegal. Nessas condições, podem até mesmo ter sua produção embargada.
"Mas se a proposta de mudança for aprovada, os Estados terão cinco anos, após a aprovação da lei, para criar programas de regularização. Nesse período ninguém poderá ser multado e as multas já aplicadas serão suspensas. Aqueles que aderirem à regularização poderão ser dispensados definitivamente do pagamento de multas. Ficarão livres também da obrigação de recuperar as áreas ilegalmente desmatadas", explicou.
Em relação às APPs, a legislação atual protege no mínimo 30 metros de extensão a partir das margens de rios, encostas íngremes, topos de morros e restingas. Quem desmatou é obrigado a recompor as matas.
Se a nova proposta for aprovada, a faixa mínima de proteção nas beiras de rios será reduzida a 15 metros. Topos de morro e áreas acima de 1.800 metros deixam de ser protegidas. As demais áreas, mesmo formalmente protegidas, poderão ser ocupadas por plantações, pastagens ou construções, caso tenham sido desmatadas até 2008 e forem consideradas "áreas consolidadas".
"As principais candidatas a se tornar áreas consolidadas são justamente as áreas irregularmente ocupadas, que sofrem com enchentes, deslizamentos, assoreamento e seca de rios. Como não haverá recuperação e as ocupações permanecerão, essas áreas serão condenadas a conviver eternamente com esses problemas, perpetuando tragédias como as de Angra dos Reis, do Vale do Itajaí e Alagoas", disse Joly.
Reserva Legal
No que diz respeito à RL, a lei atual impõe um mínimo de vegetação nativa em todas as propriedades: de 20% do tamanho dos imóveis situados em áreas de Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas e, na Amazônia Legal, 35% nas áreas de Cerrado e 80% nas de floresta. Quem não tem a área preservada precisa recuperar espécies nativas ou compensar a falta de reserva no imóvel com o arrendamento de outra área preservada situada na mesma bacia hidrográfica.
Com a nova proposta, as propriedades com até quatro módulos fiscais (20 a 440 hectares, dependendo da região do país) não precisam recuperar a área caso o desmatamento tenha ocorrido até a promulgação da lei. Nas demais propriedades será preciso recuperar a vegetação, mas o cálculo não será feito com base na área total do imóvel: a base de cálculo é a área que exceder quatro módulos fiscais.
Além disso, as compensações poderão ser feitas com áreas situadas a milhares de quilômetros da propriedade, desde que no mesmo bioma. O proprietário terá também a opção de fazer a compensação em dinheiro, com doação a um fundo para regularização de unidades de conservação.
"Como mais de 90% dos imóveis rurais têm até quatro módulos fiscais, boa parte deles concentrados no Sul e Sudeste, haverá grandes áreas do país em que simplesmente não haverá mais vegetação nativa, pois são essas áreas também que abrigam o maior número de APPs com ocupação 'consolidada'. Há ainda um grande risco de que propriedades maiores sejam artificialmente divididas nos cartórios para serem isentas da obrigação de recuperação - algo que já está ocorrendo", destacou Joly.
A proposta de reformulação proíbe a fragmentação das propriedades. Mas, segundo Joly, a fiscalização e coibição é extremamente difícil e, por isso, a anistia não ficará restrita às pequenas propriedades. "Os poucos que forem obrigados a recompor áreas desmatadas poderão fazer isso com espécies exóticas em até metade da propriedade, ou optar por arrendar terras baratas em locais distantes, dificultando a fiscalização", disse.
Fronteira agrícola
Ricardo Ribeiro Rodrigues, que coordenou o programa Biota-FAPESP de 2004 a 2008, criticou o principal argumento para a defesa da reforma do Código Florestal: a alegação de que não existe mais área disponível para expansão da agricultura brasileira.
"O principal erro desse código novo é que ele não considera as áreas que foram disponibilizadas para a agricultura historicamente, mas que são de baixa aptidão agrícola e por isso são subutilizadas hoje, sem papel ambiental e com baixo rendimento econômico, como os pastos em alta declividade", afirmou.
Segundo ele, o entorno das rodovias Dutra e D. Pedro, na região da Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, são exemplos de áreas de uso agrícola inadequado que poderiam ser revertidas para florestas nativas, para compensação de RL de fazendas com elevada aptidão agrícola. "Se isso não for feito, essas áreas continuarão sendo mal utilizadas. Podemos encontrar exemplos semelhantes em todo o território brasileiro", disse.
Outro impacto negativo da proposta de modificação do Código para a restauração, segundo Rodrigues, é a anistia proposta para as APPs irregulares. "Quem degradou as APPs não vai precisar recuperar e, pior, poderá continuar usando a área desmatada. Quem preservou vai ser punido", explicou.
Segundo ele, um inventário produzido pelo Biota-FAPESP este ano mostra que mais de 70% dos remanescentes florestais no Brasil estão fora das Unidades de Conservação e se localizam em propriedades privadas. "Se não tivermos mecanismos legais para a conservação dessas áreas - como a RL e APP do código atual - elas vão ser degradadas depois da moratória de 5 anos determinada na proposta de alteração do Código", afirmou.
Qualidade da água
A reformulação do Código Florestal deverá diminuir a eficiência dos mecanismos legais de proteção ambiental. Uma das consequências mais graves será o impacto na qualidade da água. De acordo com José Galiza Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia, de São Carlos (SP), com o solo mais exposto, haverá um aumento da erosão e do assoreamento de corpos d'água, além da contaminação de rios com fertilizantes e agrotóxicos.
"A preservação de mosaicos de vegetação, florestas ripárias - ou matas ciliares - e de áreas alagadas é fundamental para a manutenção da qualidade da água de rios, lagos e represas. Essa vegetação garante a capacidade dos sistemas para regular o transporte de nutrientes e o escoamento de metais e poluentes. Esses processos atingem tanto as águas superficiais como as subterrâneas", disse à Agência FAPESP.
O processo de recarga dos aquíferos, segundo Tundisi, também depende muito da cobertura vegetal. A vegetação retém a água que, posteriormente, é absorvida pelos corpos d'água subterrâneos. Com o desmatamento, essa água escoa e os aquíferos secam.
Tundisi criticou também a diminuição da delimitação das áreas preservadas em torno de rios. "Essa delimitação de faixas marginais é sempre artificial, seja qual for a metragem. Não é possível estabelecer de forma geral uma área de preservação de 15 metros dos dois lados do leito dos rios. Seria preciso delimitar caso a caso, porque a necessidade de preservação varia de acordo com a ecologia do entorno e os padrões de inundação do sistema. A delimitação deve ter caráter ecológico e não se basear em metragens", ressaltou.
A modificação na legislação, para Tundisi, vai na contramão das necessidades de preservação ambiental. "Seria preciso preservar o máximo possível as bacias hidrográficas. Mas o projeto prevê até mesmo o cultivo em várzeas, o que é um desastre completo. Enquanto existem movimentos mundiais para a preservação de várzeas, nós corremos o risco de ir na contramão", afirmou.
Para Tundisi, com o impacto que provocará nos corpos d'água, a aprovação da modificação no Código Florestal prejudicará gravemente o próprio agronegócio. "Se não mantivermos as áreas de proteção, a qualidade da água será afetada e não haverá disponibilidade de recursos hídricos para o agronegócio. Fazer um projeto de expansão do agronegócio às custas da biodiversidade é uma atitude suicida", disse.
A agricultura deverá ser prejudicada também com o aumento do preço da água. "Trata-se de algo cientificamente consolidado: o custo do tratamento da água aumenta à medida que diminui a proteção aos mananciais", disse o cientista.
Expansão agrícola
Luiz Antonio Martinelli, pesquisador do Cena-USP e professor convidado da Universidade de Stanford, afirma que o Código Florestal, criado em 1965, de fato tem pontos que necessitam de revisão, em especial no que diz respeito aos pequenos agricultores, cujas propriedades eventualmente são pequenas demais para comporta a presença da APPs e a RL.
"Mas, qualquer que seja a reformulação, ela deve ter uma base científica sólida. Essa foi a grande falha da modificação proposta, que teve o objetivo político específico de destruir 'empecilhos' ambientais à expansão da fronteira agrícola a qualquer custo", disse Martinelli.
Segundo ele, o argumento central da proposta de reformulação foi construído a partir de um "relatório cientificamente incorreto encomendado pelo Ministério da Agricultura a uma instituição de pesquisa brasileira".
"O relatório concluía que não haveria área suficiente para a expansão agrícola no país, caso a legislação ambiental vigente fosse cumprida ao pé da letra. O documento, no entanto, foi produzido de forma tão errônea que alguns pesquisadores responsáveis por sua elaboração se negaram a assiná-lo", apontou.
O principal argumento para as reformas, segundo o pesquisador, baseia-se na alegação de que há um estrangulamento da expansão de terras agrícolas, supostamente bloqueado pelas APP e RL. Para os proponentes da mudança, esses mecanismos de proteção ambiental tornam a legislação atual excessivamente rigorosa, bloqueando o avanço do agronegócio. Esse bloqueio, no entanto, não existe, afirma. "A falácia desse argumento foi cientificamente desmontada."
Martinelli cita estudo coordenado por Gerd Sparovek, pesquisador da Esalq-USP, que usou sensoriamento remoto para concluir que a área cultivada no Brasil poderá ser praticamente dobrada se as áreas hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade forem realocadas para o cultivo agrícola.
"Melhorando a eficiência da pecuária em outras áreas por meio de técnicas já conhecidas, não há qualquer necessidade de avançar sobre a vegetação natural protegida pelo Código Florestal atual", disse.
As pastagens ocupam hoje, segundo Martinelli, cerca de 200 milhões de hectares, com aproximadamente 190 milhões de cabeças de gado. "Caso dobremos a lotação de uma para duas cabeças de gado, liberamos cerca de 100 milhões de hectares. A área ocupada pelas três maiores culturas - soja, milho e cana - cobrem uma área aproximada de 45 milhões de hectares. Portanto, com medidas simples de manejo podemos devolver para a agricultura uma área equivalente ao dobro ocupado pelas três maiores culturas brasileiras", afirmou.
A operação não seria tão simples, segundo o pesquisador, já que envolve questões de preço da terra e mercado agrícola, por exemplo. Mas a aproximação dá uma ideia de como é possível gerar terras agriculturáveis sem derrubar nenhuma árvore.
Para o pesquisador do Cena-USP, a maior parte das reformulações propostas têm o único propósito de aumentar a área agrícola a baixo custo. "O mais paradoxal é que as mudanças beneficiam muito mais os proprietários de grandes extensões de terra do que pequenos produtores", disse.
Martinelli afirmou ainda que não acredita que as mudanças no Código Florestal possam beneficiar o desenvolvimento da produção de alimentos no Brasil. Segundo ele, se houvesse preocupação real com a produção de alimentos, o governo deveria ampliar e facilitar o crédito ao pequenos produtores, investir em infraestrutura - como estradas e armazenamento - para auxiliar o escoamento desses produtos e, principalmente, investir maciçamente em pesquisas que beneficiassem essas culturas visando a aumentar sua produtividade.
"Quem sabe com um aumento considerável na produtividade pequenos agricultores pudessem manter suas áreas de preservação permanente e suas áreas de reserva legal, gerando vários serviços ambientais que são fundamentais para a agricultura", disse.
Eventos
No dia 7 de julho, a SBPC reuniu em sua sede em São Paulo um grupo de cientistas ligados à temática do meio ambiente para iniciar uma análise aprofundada sobre o assunto, do ponto de vista econômico, ambiental e científico.
O evento teve a participação de Raupp, Ab'Sáber, Joly, Martinelli, Rodrigues, além de Ladislau Skorupa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Carlos Afonso Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e João de Deus Medeiros, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Os cientistas formaram um grupo de trabalho para emitir pareceres sobre as mudanças do Código Florestal. Na Reunião Anual da SBPC, que será realizada em Natal (RN) entre 25 e 30 de julho, uma mesa-redonda discutirá o tema.
Outra reunião, prevista para a segunda quinzena de agosto, deverá sistematizar todas as sugestões do grupo em um documento a ser divulgado nos meios de comunicação e encaminhado aos congressistas.
No dia 3 de agosto, o programa BIOTA-FAPESP realizará o evento técnico-científico "Impactos potenciais das alterações do Código Florestal Brasileiro na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos". Na oportunidade, especialistas farão uma avaliação dos possíveis impactos que as alterações do Código terão sobre grupos taxonômicos específicos (vertebrados e alguns grupos de invertebrados), bem como em termos de formações (Mata Atlântica e Cerrado) e de serviços ecossistêmicos (como ciclos biogeoquímicos e manutenção de populações de polinizadores).
Fábio de Castro - Agência Fapesp
A revisão do Código Florestal brasileiro, em votação no Congresso Nacional, está provocando sérias preocupações na comunidade científica e suscitando diversas manifestações no Brasil e no exterior.
Com uma possível aprovação do relatório que propõe mudanças na legislação ambiental, o Brasil estaria "arriscado a sofrer seu mais grave retrocesso ambiental em meio século, com consequências críticas e irreversíveis que irão além das fronteiras do país", segundo carta redigida por pesquisadores ligados ao Programa Biota-FAPESP e publicada na sexta-feira (16/7), na revista Science.
O texto é assinado por Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luciano Verdade e Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.
Vegetação obrigatória
As novas regras, segundo eles, reduzirão a restauração obrigatória de vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965. Com isso, "as emissões de dióxido de carbono poderão aumentar substancialmente" e, a partir de simples análises da relação espécies-área, é possível prever "a extinção de mais de 100 mil espécies, uma perda massiva que invalidará qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade".
A comunidade científica, de acordo com o texto, foi "amplamente ignorada durante a elaboração" do relatório de revisão do Código Florestal. A mesma crítica foi apresentada em carta enviada por duas das principais instituições científicas do país, no dia 25 de junho, à Comissão Especial do Código Florestal Brasileiro na Câmara dos Deputados.
Assinada por Jacob Palis e Marco Antonio Raupp, respectivamente presidentes da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), a carta defende que o Código Florestal, embora passível de aperfeiçoamentos, é a "peça fundamental de uma legislação ambiental reconhecida com uma das mais modernas do mundo".
Reformulação do Código Florestal
A reformulação do código, segundo o texto, baseia-se na "premissa errônea de que não há mais área disponível para expansão da agricultura brasileira" e "não foi feita sobre a égide de uma sólida base científica, pelo contrário, a maioria da comunidade científica não foi sequer consultada e a reformulação foi pautada muito mais em interesses unilaterais de determinados setores econômicos".
Entre as consequências de uma aprovação da proposta de reformulação, a carta menciona um "aumento considerável na substituição de áreas naturais por áreas agrícolas em locais extremamente sensíveis", a "aceleração da ocupação de áreas de risco em inúmeras cidades brasileiras", o estímulo à "impunidade devido à ampla anistia proposta àqueles que cometeram crimes ambientais até passado recente", um "decréscimo acentuado da biodiversidade, a um aumento das emissões de carbono para a atmosfera" e o "aumento das perdas de solo por erosão com consequente assoreamento de corpos hídricos".
No dia 16 de junho, as lideranças da Câmara dos Deputados também receberam carta do geógrafo e ambientalista Aziz Nacib Ab'Sáber - professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP -, que fez duras críticas ao relatório de reformulação da legislação.
Reconhecido como um dos principais conhecedores do bioma amazônico, Ab'Sáber defendeu que "se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território". Segundo o geógrafo, a proposta foi apresentada anteriormente ao Governo Federal, mas a resposta era que se tratava de "uma ideia boa mas complexa e inoportuna".
No documento, Ab'Sáber afirma que "as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva". Segundo ele, "enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico".
Áreas de Proteção Permanente
De acordo com Joly, que é coordenador do Biota-FAPESP, caso a reformulação seja aprovada, o Código Florestal mudará para pior em vários aspectos. "Essas manifestações da comunidade científica vão continuar, porque a situação é muito grave. Se essas mudanças forem aprovadas teremos um retrocesso de meio século na nossa legislação ambiental, com consequências profundamente negativas em diversas dimensões", disse à Agência FAPESP.
Segundo ele, as mudanças terão impacto negativo sobre a conformação das Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reservas Legais (RL) e sobre o funcionamento da regularização de propriedades em situação ilegal. Atualmente, explica, os proprietários que não possuem RL ou APPs preservadas estão sujeitos a multas caso se recusem a recuperar as áreas degradadas, ou quando realizarem desmatamento ilegal. Nessas condições, podem até mesmo ter sua produção embargada.
"Mas se a proposta de mudança for aprovada, os Estados terão cinco anos, após a aprovação da lei, para criar programas de regularização. Nesse período ninguém poderá ser multado e as multas já aplicadas serão suspensas. Aqueles que aderirem à regularização poderão ser dispensados definitivamente do pagamento de multas. Ficarão livres também da obrigação de recuperar as áreas ilegalmente desmatadas", explicou.
Em relação às APPs, a legislação atual protege no mínimo 30 metros de extensão a partir das margens de rios, encostas íngremes, topos de morros e restingas. Quem desmatou é obrigado a recompor as matas.
Se a nova proposta for aprovada, a faixa mínima de proteção nas beiras de rios será reduzida a 15 metros. Topos de morro e áreas acima de 1.800 metros deixam de ser protegidas. As demais áreas, mesmo formalmente protegidas, poderão ser ocupadas por plantações, pastagens ou construções, caso tenham sido desmatadas até 2008 e forem consideradas "áreas consolidadas".
"As principais candidatas a se tornar áreas consolidadas são justamente as áreas irregularmente ocupadas, que sofrem com enchentes, deslizamentos, assoreamento e seca de rios. Como não haverá recuperação e as ocupações permanecerão, essas áreas serão condenadas a conviver eternamente com esses problemas, perpetuando tragédias como as de Angra dos Reis, do Vale do Itajaí e Alagoas", disse Joly.
Reserva Legal
No que diz respeito à RL, a lei atual impõe um mínimo de vegetação nativa em todas as propriedades: de 20% do tamanho dos imóveis situados em áreas de Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas e, na Amazônia Legal, 35% nas áreas de Cerrado e 80% nas de floresta. Quem não tem a área preservada precisa recuperar espécies nativas ou compensar a falta de reserva no imóvel com o arrendamento de outra área preservada situada na mesma bacia hidrográfica.
Com a nova proposta, as propriedades com até quatro módulos fiscais (20 a 440 hectares, dependendo da região do país) não precisam recuperar a área caso o desmatamento tenha ocorrido até a promulgação da lei. Nas demais propriedades será preciso recuperar a vegetação, mas o cálculo não será feito com base na área total do imóvel: a base de cálculo é a área que exceder quatro módulos fiscais.
Além disso, as compensações poderão ser feitas com áreas situadas a milhares de quilômetros da propriedade, desde que no mesmo bioma. O proprietário terá também a opção de fazer a compensação em dinheiro, com doação a um fundo para regularização de unidades de conservação.
"Como mais de 90% dos imóveis rurais têm até quatro módulos fiscais, boa parte deles concentrados no Sul e Sudeste, haverá grandes áreas do país em que simplesmente não haverá mais vegetação nativa, pois são essas áreas também que abrigam o maior número de APPs com ocupação 'consolidada'. Há ainda um grande risco de que propriedades maiores sejam artificialmente divididas nos cartórios para serem isentas da obrigação de recuperação - algo que já está ocorrendo", destacou Joly.
A proposta de reformulação proíbe a fragmentação das propriedades. Mas, segundo Joly, a fiscalização e coibição é extremamente difícil e, por isso, a anistia não ficará restrita às pequenas propriedades. "Os poucos que forem obrigados a recompor áreas desmatadas poderão fazer isso com espécies exóticas em até metade da propriedade, ou optar por arrendar terras baratas em locais distantes, dificultando a fiscalização", disse.
Fronteira agrícola
Ricardo Ribeiro Rodrigues, que coordenou o programa Biota-FAPESP de 2004 a 2008, criticou o principal argumento para a defesa da reforma do Código Florestal: a alegação de que não existe mais área disponível para expansão da agricultura brasileira.
"O principal erro desse código novo é que ele não considera as áreas que foram disponibilizadas para a agricultura historicamente, mas que são de baixa aptidão agrícola e por isso são subutilizadas hoje, sem papel ambiental e com baixo rendimento econômico, como os pastos em alta declividade", afirmou.
Segundo ele, o entorno das rodovias Dutra e D. Pedro, na região da Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, são exemplos de áreas de uso agrícola inadequado que poderiam ser revertidas para florestas nativas, para compensação de RL de fazendas com elevada aptidão agrícola. "Se isso não for feito, essas áreas continuarão sendo mal utilizadas. Podemos encontrar exemplos semelhantes em todo o território brasileiro", disse.
Outro impacto negativo da proposta de modificação do Código para a restauração, segundo Rodrigues, é a anistia proposta para as APPs irregulares. "Quem degradou as APPs não vai precisar recuperar e, pior, poderá continuar usando a área desmatada. Quem preservou vai ser punido", explicou.
Segundo ele, um inventário produzido pelo Biota-FAPESP este ano mostra que mais de 70% dos remanescentes florestais no Brasil estão fora das Unidades de Conservação e se localizam em propriedades privadas. "Se não tivermos mecanismos legais para a conservação dessas áreas - como a RL e APP do código atual - elas vão ser degradadas depois da moratória de 5 anos determinada na proposta de alteração do Código", afirmou.
Qualidade da água
A reformulação do Código Florestal deverá diminuir a eficiência dos mecanismos legais de proteção ambiental. Uma das consequências mais graves será o impacto na qualidade da água. De acordo com José Galiza Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia, de São Carlos (SP), com o solo mais exposto, haverá um aumento da erosão e do assoreamento de corpos d'água, além da contaminação de rios com fertilizantes e agrotóxicos.
"A preservação de mosaicos de vegetação, florestas ripárias - ou matas ciliares - e de áreas alagadas é fundamental para a manutenção da qualidade da água de rios, lagos e represas. Essa vegetação garante a capacidade dos sistemas para regular o transporte de nutrientes e o escoamento de metais e poluentes. Esses processos atingem tanto as águas superficiais como as subterrâneas", disse à Agência FAPESP.
O processo de recarga dos aquíferos, segundo Tundisi, também depende muito da cobertura vegetal. A vegetação retém a água que, posteriormente, é absorvida pelos corpos d'água subterrâneos. Com o desmatamento, essa água escoa e os aquíferos secam.
Tundisi criticou também a diminuição da delimitação das áreas preservadas em torno de rios. "Essa delimitação de faixas marginais é sempre artificial, seja qual for a metragem. Não é possível estabelecer de forma geral uma área de preservação de 15 metros dos dois lados do leito dos rios. Seria preciso delimitar caso a caso, porque a necessidade de preservação varia de acordo com a ecologia do entorno e os padrões de inundação do sistema. A delimitação deve ter caráter ecológico e não se basear em metragens", ressaltou.
A modificação na legislação, para Tundisi, vai na contramão das necessidades de preservação ambiental. "Seria preciso preservar o máximo possível as bacias hidrográficas. Mas o projeto prevê até mesmo o cultivo em várzeas, o que é um desastre completo. Enquanto existem movimentos mundiais para a preservação de várzeas, nós corremos o risco de ir na contramão", afirmou.
Para Tundisi, com o impacto que provocará nos corpos d'água, a aprovação da modificação no Código Florestal prejudicará gravemente o próprio agronegócio. "Se não mantivermos as áreas de proteção, a qualidade da água será afetada e não haverá disponibilidade de recursos hídricos para o agronegócio. Fazer um projeto de expansão do agronegócio às custas da biodiversidade é uma atitude suicida", disse.
A agricultura deverá ser prejudicada também com o aumento do preço da água. "Trata-se de algo cientificamente consolidado: o custo do tratamento da água aumenta à medida que diminui a proteção aos mananciais", disse o cientista.
Expansão agrícola
Luiz Antonio Martinelli, pesquisador do Cena-USP e professor convidado da Universidade de Stanford, afirma que o Código Florestal, criado em 1965, de fato tem pontos que necessitam de revisão, em especial no que diz respeito aos pequenos agricultores, cujas propriedades eventualmente são pequenas demais para comporta a presença da APPs e a RL.
"Mas, qualquer que seja a reformulação, ela deve ter uma base científica sólida. Essa foi a grande falha da modificação proposta, que teve o objetivo político específico de destruir 'empecilhos' ambientais à expansão da fronteira agrícola a qualquer custo", disse Martinelli.
Segundo ele, o argumento central da proposta de reformulação foi construído a partir de um "relatório cientificamente incorreto encomendado pelo Ministério da Agricultura a uma instituição de pesquisa brasileira".
"O relatório concluía que não haveria área suficiente para a expansão agrícola no país, caso a legislação ambiental vigente fosse cumprida ao pé da letra. O documento, no entanto, foi produzido de forma tão errônea que alguns pesquisadores responsáveis por sua elaboração se negaram a assiná-lo", apontou.
O principal argumento para as reformas, segundo o pesquisador, baseia-se na alegação de que há um estrangulamento da expansão de terras agrícolas, supostamente bloqueado pelas APP e RL. Para os proponentes da mudança, esses mecanismos de proteção ambiental tornam a legislação atual excessivamente rigorosa, bloqueando o avanço do agronegócio. Esse bloqueio, no entanto, não existe, afirma. "A falácia desse argumento foi cientificamente desmontada."
Martinelli cita estudo coordenado por Gerd Sparovek, pesquisador da Esalq-USP, que usou sensoriamento remoto para concluir que a área cultivada no Brasil poderá ser praticamente dobrada se as áreas hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade forem realocadas para o cultivo agrícola.
"Melhorando a eficiência da pecuária em outras áreas por meio de técnicas já conhecidas, não há qualquer necessidade de avançar sobre a vegetação natural protegida pelo Código Florestal atual", disse.
As pastagens ocupam hoje, segundo Martinelli, cerca de 200 milhões de hectares, com aproximadamente 190 milhões de cabeças de gado. "Caso dobremos a lotação de uma para duas cabeças de gado, liberamos cerca de 100 milhões de hectares. A área ocupada pelas três maiores culturas - soja, milho e cana - cobrem uma área aproximada de 45 milhões de hectares. Portanto, com medidas simples de manejo podemos devolver para a agricultura uma área equivalente ao dobro ocupado pelas três maiores culturas brasileiras", afirmou.
A operação não seria tão simples, segundo o pesquisador, já que envolve questões de preço da terra e mercado agrícola, por exemplo. Mas a aproximação dá uma ideia de como é possível gerar terras agriculturáveis sem derrubar nenhuma árvore.
Para o pesquisador do Cena-USP, a maior parte das reformulações propostas têm o único propósito de aumentar a área agrícola a baixo custo. "O mais paradoxal é que as mudanças beneficiam muito mais os proprietários de grandes extensões de terra do que pequenos produtores", disse.
Martinelli afirmou ainda que não acredita que as mudanças no Código Florestal possam beneficiar o desenvolvimento da produção de alimentos no Brasil. Segundo ele, se houvesse preocupação real com a produção de alimentos, o governo deveria ampliar e facilitar o crédito ao pequenos produtores, investir em infraestrutura - como estradas e armazenamento - para auxiliar o escoamento desses produtos e, principalmente, investir maciçamente em pesquisas que beneficiassem essas culturas visando a aumentar sua produtividade.
"Quem sabe com um aumento considerável na produtividade pequenos agricultores pudessem manter suas áreas de preservação permanente e suas áreas de reserva legal, gerando vários serviços ambientais que são fundamentais para a agricultura", disse.
Eventos
No dia 7 de julho, a SBPC reuniu em sua sede em São Paulo um grupo de cientistas ligados à temática do meio ambiente para iniciar uma análise aprofundada sobre o assunto, do ponto de vista econômico, ambiental e científico.
O evento teve a participação de Raupp, Ab'Sáber, Joly, Martinelli, Rodrigues, além de Ladislau Skorupa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Carlos Afonso Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e João de Deus Medeiros, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Os cientistas formaram um grupo de trabalho para emitir pareceres sobre as mudanças do Código Florestal. Na Reunião Anual da SBPC, que será realizada em Natal (RN) entre 25 e 30 de julho, uma mesa-redonda discutirá o tema.
Outra reunião, prevista para a segunda quinzena de agosto, deverá sistematizar todas as sugestões do grupo em um documento a ser divulgado nos meios de comunicação e encaminhado aos congressistas.
No dia 3 de agosto, o programa BIOTA-FAPESP realizará o evento técnico-científico "Impactos potenciais das alterações do Código Florestal Brasileiro na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos". Na oportunidade, especialistas farão uma avaliação dos possíveis impactos que as alterações do Código terão sobre grupos taxonômicos específicos (vertebrados e alguns grupos de invertebrados), bem como em termos de formações (Mata Atlântica e Cerrado) e de serviços ecossistêmicos (como ciclos biogeoquímicos e manutenção de populações de polinizadores).
Fábio de Castro - Agência Fapesp
Tratamento precoce da AIDS pode reduzir mortes em 20%
Coquetel preventivo
As mortes relacionadas à Aids podem ser reduzidas em 20% nos próximos cinco anos se os doentes iniciarem seus tratamentos mais cedo, de acordo com novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A organização recomendou o início do tratamento com coquetéis de drogas antes que o vírus HIV debilite seriamente o sistema imunológico do paciente.
A OMS passa a recomendar que o tratamento seja iniciado quando a contagem das células de defesa do organismo (com a glicoproteína CD4) for de 350 células por milímetro cúbico de sangue, em vez de 200, e independentemente dos sintomas.
As primeiras novas diretrizes da OMS para o tratamento da Aids em quatro anos foram divulgadas na Conferência Internacional sobre a doença que se realiza em Viena, na Áustria.
Tratamentos contra a AIDS
A OMS diz que mais de cinco milhões de pessoas recebiam tratamento para a infecção com o HIV no final de 2009, cerca de um milhão a mais do que em 2008, o maior aumento já registrado em um único ano.
As novas regras da OMS, se seguidas, aumentariam o número de pessoas recebendo tratamento para 15 milhões até 2015.
A organização calcula que cerca de 4 milhões de infectados não conseguem acesso ao tratamento contra a doença, mesmo segundo os velhos critérios.
Iniciar o tratamento mais cedo poderia prevenir doenças como a tuberculose, a maior causa de morte entre os infectados com o HIV, dizem especialistas.
"Como o tratamento reduz o nível de vírus no corpo, isso também significa que pessoas soropositivas têm menos possibilidade de passar o vírus aos parceiros", diz o diretor para Aids da OMS, Gottfried Hirnschall.
Investimento no futuro
As novas diretrizes da OMS significam um aumento dos custos dos tratamentos, mas especialistas dizem que elas representariam também economia com internações hospitalares, maior produtividade, menos crianças órfãs e queda no número de novas infecções.
"Os investimentos que fazemos hoje podem salvar não apenas vidas, mas economizar milhões de dólares no futuro", disse o porta-voz da agência da ONU para a Aids, Bernhard Schwartlander.
Presentes na conferência em Viena, o ex-presidente americano Bill Clinton e o fundador da Microsoft Bill Gates disseram que, nesta época de crise financeira, organizações que combatem a Aids devem se esforçar mais para convencer os doadores.
Gates também disse à BBC que os custos para lidar com doentes poderiam ser melhor gerenciados.
http://www.diariodasaude.com.br
As mortes relacionadas à Aids podem ser reduzidas em 20% nos próximos cinco anos se os doentes iniciarem seus tratamentos mais cedo, de acordo com novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A organização recomendou o início do tratamento com coquetéis de drogas antes que o vírus HIV debilite seriamente o sistema imunológico do paciente.
A OMS passa a recomendar que o tratamento seja iniciado quando a contagem das células de defesa do organismo (com a glicoproteína CD4) for de 350 células por milímetro cúbico de sangue, em vez de 200, e independentemente dos sintomas.
As primeiras novas diretrizes da OMS para o tratamento da Aids em quatro anos foram divulgadas na Conferência Internacional sobre a doença que se realiza em Viena, na Áustria.
Tratamentos contra a AIDS
A OMS diz que mais de cinco milhões de pessoas recebiam tratamento para a infecção com o HIV no final de 2009, cerca de um milhão a mais do que em 2008, o maior aumento já registrado em um único ano.
As novas regras da OMS, se seguidas, aumentariam o número de pessoas recebendo tratamento para 15 milhões até 2015.
A organização calcula que cerca de 4 milhões de infectados não conseguem acesso ao tratamento contra a doença, mesmo segundo os velhos critérios.
Iniciar o tratamento mais cedo poderia prevenir doenças como a tuberculose, a maior causa de morte entre os infectados com o HIV, dizem especialistas.
"Como o tratamento reduz o nível de vírus no corpo, isso também significa que pessoas soropositivas têm menos possibilidade de passar o vírus aos parceiros", diz o diretor para Aids da OMS, Gottfried Hirnschall.
Investimento no futuro
As novas diretrizes da OMS significam um aumento dos custos dos tratamentos, mas especialistas dizem que elas representariam também economia com internações hospitalares, maior produtividade, menos crianças órfãs e queda no número de novas infecções.
"Os investimentos que fazemos hoje podem salvar não apenas vidas, mas economizar milhões de dólares no futuro", disse o porta-voz da agência da ONU para a Aids, Bernhard Schwartlander.
Presentes na conferência em Viena, o ex-presidente americano Bill Clinton e o fundador da Microsoft Bill Gates disseram que, nesta época de crise financeira, organizações que combatem a Aids devem se esforçar mais para convencer os doadores.
Gates também disse à BBC que os custos para lidar com doentes poderiam ser melhor gerenciados.
http://www.diariodasaude.com.br
ANS quer criar plano de saúde para idosos
Calote dos Planos de Saúde
Ainda este ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai inscrever na Dívida Ativa da União operadoras de planos de saúde, que acumularam dívidas de R$ 40 milhões com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a legislação brasileira, os planos de saúde são obrigados a ressarcir o SUS quando um segurado recorre ao sistema público, em vez de ser atendido pela rede particular conveniada.
A ANS não divulgou, no entanto, quantas das 1.480 operadoras que atuam no mercado brasileiro serão incluídas na Dívida Ativa. Segundo a ANS, a dívida total dos planos de saúde com o SUS pode chegar a R$ 370 milhões. De acordo com o novo diretor-presidente da agência, Maurício Ceschin, uma das prioridades é agilizar a cobrança dessa dívida.
Credor lento
Atualmente, o tempo médio entre o uso do serviço do SUS e a cobrança da dívida é de quatro anos, porque é necessária uma investigação para saber, por exemplo, se o cliente não estava em um período de carência do plano quando usou o serviço público.
Ceschin quer reduzir esse tempo para, no máximo, um ano. "Como o processo é complexo e moroso, a cobrança ainda demora bastante tempo. Minha meta é chegar ao final da minha gestão, daqui a dois anos e meio, com o prazo máximo de um ano".
Nos últimos seis anos, apenas R$ 115 milhões foram pagos pelos planos de saúde ao SUS, a título de ressarcimento. Para dar celeridade aos processos, a ANS já contratou 89 servidores.
Planos de saúde para idosos
Outra prioridade de Ceschin é diz respeito ao alto custo dos planos de saúde para idosos. Estima-se que o número de idosos no país triplicará nos próximos 40 anos.
Segundo Ceschin, os idosos que, em geral, recebem menos do que os trabalhadores na ativa, pagam as mensalidades mais caras nos planos de saúde.
Ceschin afirmou que a ANS está estudando uma forma de financiar os idosos, através da criação de uma espécie de "fundo de saúde", que será formado por um percentual da mensalidade paga às operadoras privadas.
Quando envelhecer, o cliente teria dinheiro suficiente para evitar o pagamento de mensalidades mais caras. "Na medida que parte do que você paga é capitalizada para seu futuro, você tende a pagar menos em idade avançada", explicou Ceschin.
A ANS também está estudando a criação de um sistema de informações de saúde em tempo real pela internet, que reunirá dados sobre o histórico de saúde dos clientes de planos de saúde. Segundo Ceschin, com o sistema, o cliente terá mais liberdade pois poderá acessar dados que hoje ficam sob controle dos médicos.
Agência Brasil
Ainda este ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai inscrever na Dívida Ativa da União operadoras de planos de saúde, que acumularam dívidas de R$ 40 milhões com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a legislação brasileira, os planos de saúde são obrigados a ressarcir o SUS quando um segurado recorre ao sistema público, em vez de ser atendido pela rede particular conveniada.
A ANS não divulgou, no entanto, quantas das 1.480 operadoras que atuam no mercado brasileiro serão incluídas na Dívida Ativa. Segundo a ANS, a dívida total dos planos de saúde com o SUS pode chegar a R$ 370 milhões. De acordo com o novo diretor-presidente da agência, Maurício Ceschin, uma das prioridades é agilizar a cobrança dessa dívida.
Credor lento
Atualmente, o tempo médio entre o uso do serviço do SUS e a cobrança da dívida é de quatro anos, porque é necessária uma investigação para saber, por exemplo, se o cliente não estava em um período de carência do plano quando usou o serviço público.
Ceschin quer reduzir esse tempo para, no máximo, um ano. "Como o processo é complexo e moroso, a cobrança ainda demora bastante tempo. Minha meta é chegar ao final da minha gestão, daqui a dois anos e meio, com o prazo máximo de um ano".
Nos últimos seis anos, apenas R$ 115 milhões foram pagos pelos planos de saúde ao SUS, a título de ressarcimento. Para dar celeridade aos processos, a ANS já contratou 89 servidores.
Planos de saúde para idosos
Outra prioridade de Ceschin é diz respeito ao alto custo dos planos de saúde para idosos. Estima-se que o número de idosos no país triplicará nos próximos 40 anos.
Segundo Ceschin, os idosos que, em geral, recebem menos do que os trabalhadores na ativa, pagam as mensalidades mais caras nos planos de saúde.
Ceschin afirmou que a ANS está estudando uma forma de financiar os idosos, através da criação de uma espécie de "fundo de saúde", que será formado por um percentual da mensalidade paga às operadoras privadas.
Quando envelhecer, o cliente teria dinheiro suficiente para evitar o pagamento de mensalidades mais caras. "Na medida que parte do que você paga é capitalizada para seu futuro, você tende a pagar menos em idade avançada", explicou Ceschin.
A ANS também está estudando a criação de um sistema de informações de saúde em tempo real pela internet, que reunirá dados sobre o histórico de saúde dos clientes de planos de saúde. Segundo Ceschin, com o sistema, o cliente terá mais liberdade pois poderá acessar dados que hoje ficam sob controle dos médicos.
Agência Brasil
Gel vaginal diminui risco de contaminação pelo HIV
Tenofovir
Um gel vaginal com propriedades microbicidas que está sendo testado na África do Sul conseguiu diminuir de maneira significativa o risco de mulheres que o utilizaram de se infectarem com o vírus HIV, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista científica Science.
O gel, que contém o medicamento antirretroviral Tenofovir, usado no tratamento da Aids, diminuiu em 39%, em média, a chance de as mulheres que o utilizaram de se infectarem com o vírus.
Entre as mulheres que usaram o medicamento com mais frequência, a diminuição do risco de contrair a doença chegou a 54%.
Herpes genital
Se os resultados da pesquisa se confirmarem, esta será a primeira vez que um gel microbicida se mostrou eficiente na prevenção à doença. Um outro teste, realizado em 2009, mostrou uma proteção contra HIV de apenas 30%.
O novo medicamento poderia ser utilizado por mulheres cujos parceiros se recusam a usar preservativos.
Segundo os pesquisadores, também foi constatada uma redução da incidência de herpes genital entre as mulheres que utilizaram o gel.
O estudo é resultado de uma pesquisa de três anos feita pela fundação Centre for the Aids Programme of Research in South Africa (Caprisa) e foi apresentado nesta segunda-feira durante uma conferência internacional sobre Aids que está sendo realizada em Viena, capital da Áustria.
Gel vaginal
De acordo com os pesquisadores, o gel se mostrou eficiente e seguro quando utilizado 12 horas antes da relação sexual e 12 horas depois da mesma por mulheres entre 18 e 40 anos de idade.
Segundo Salim Abdool Karim, um dos autores da pesquisa, entre as 889 mulheres envolvidas nos testes - realizados na cidade sul-africana de Durban e também em um pequeno vilarejo rural - a grande maioria utilizou o gel conforme recomendado.
Além do medicamento, os pesquisadores forneceram preservativos e orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis às participantes do estudo. As mulheres também passaram por testes mensais para detectar a presença do HIV.
Trinta meses após o início das pesquisas, 98 mulheres haviam sido infectadas com o HIV - 38 no grupo de estava utilizando o novo gel e 60 no grupo para o qual foram fornecidos placebos (substâncias sem efeitos farmacológicos utilizadas para controle em pesquisas).
"Isto mostra uma incidência 39% menor no grupo que utilizou o (gel com) Tenofovir", disse Karim.
Queda na eficiência
Segundo o pesquisador, o gel diminuiu o risco de incidência de HIV em cerca de 50% nos 12 primeiros meses, mas a eficiência caiu depois disso.
Ele afirmou que as mulheres que utilizaram o gel de forma "consistente" se mostraram menos propensas a se infectarem.
Ainda de acordo com o pesquisador, uma das vantagens do novo produto seria seu preço baixo.
Esperança
Michel Sidibé, diretor-executivo do Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV/Aids) comemorou os resultados da pesquisa e destacou o fato de ela levar a um método de prevenção que pode ser controlado pelas mulheres, independente de seus parceiros.
"Nós estamos dando esperanças às mulheres. Pela primeira vez nós estamos vendo resultados de uma opção de prevenção ao HIV controlada por mulheres", disse.
A diretora-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Margareth Chan, também comemorou os resultados e disse esperar que eles sejam confirmados por outras pesquisas.
"Assim que eles se mostrarem seguros e eficientes, a OMS irá trabalhar com governos e parceiros para acelerar o acesso a esses produtos", disse.
http://www.diariodasaude.com.br
Um gel vaginal com propriedades microbicidas que está sendo testado na África do Sul conseguiu diminuir de maneira significativa o risco de mulheres que o utilizaram de se infectarem com o vírus HIV, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista científica Science.
O gel, que contém o medicamento antirretroviral Tenofovir, usado no tratamento da Aids, diminuiu em 39%, em média, a chance de as mulheres que o utilizaram de se infectarem com o vírus.
Entre as mulheres que usaram o medicamento com mais frequência, a diminuição do risco de contrair a doença chegou a 54%.
Herpes genital
Se os resultados da pesquisa se confirmarem, esta será a primeira vez que um gel microbicida se mostrou eficiente na prevenção à doença. Um outro teste, realizado em 2009, mostrou uma proteção contra HIV de apenas 30%.
O novo medicamento poderia ser utilizado por mulheres cujos parceiros se recusam a usar preservativos.
Segundo os pesquisadores, também foi constatada uma redução da incidência de herpes genital entre as mulheres que utilizaram o gel.
O estudo é resultado de uma pesquisa de três anos feita pela fundação Centre for the Aids Programme of Research in South Africa (Caprisa) e foi apresentado nesta segunda-feira durante uma conferência internacional sobre Aids que está sendo realizada em Viena, capital da Áustria.
Gel vaginal
De acordo com os pesquisadores, o gel se mostrou eficiente e seguro quando utilizado 12 horas antes da relação sexual e 12 horas depois da mesma por mulheres entre 18 e 40 anos de idade.
Segundo Salim Abdool Karim, um dos autores da pesquisa, entre as 889 mulheres envolvidas nos testes - realizados na cidade sul-africana de Durban e também em um pequeno vilarejo rural - a grande maioria utilizou o gel conforme recomendado.
Além do medicamento, os pesquisadores forneceram preservativos e orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis às participantes do estudo. As mulheres também passaram por testes mensais para detectar a presença do HIV.
Trinta meses após o início das pesquisas, 98 mulheres haviam sido infectadas com o HIV - 38 no grupo de estava utilizando o novo gel e 60 no grupo para o qual foram fornecidos placebos (substâncias sem efeitos farmacológicos utilizadas para controle em pesquisas).
"Isto mostra uma incidência 39% menor no grupo que utilizou o (gel com) Tenofovir", disse Karim.
Queda na eficiência
Segundo o pesquisador, o gel diminuiu o risco de incidência de HIV em cerca de 50% nos 12 primeiros meses, mas a eficiência caiu depois disso.
Ele afirmou que as mulheres que utilizaram o gel de forma "consistente" se mostraram menos propensas a se infectarem.
Ainda de acordo com o pesquisador, uma das vantagens do novo produto seria seu preço baixo.
Esperança
Michel Sidibé, diretor-executivo do Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV/Aids) comemorou os resultados da pesquisa e destacou o fato de ela levar a um método de prevenção que pode ser controlado pelas mulheres, independente de seus parceiros.
"Nós estamos dando esperanças às mulheres. Pela primeira vez nós estamos vendo resultados de uma opção de prevenção ao HIV controlada por mulheres", disse.
A diretora-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Margareth Chan, também comemorou os resultados e disse esperar que eles sejam confirmados por outras pesquisas.
"Assim que eles se mostrarem seguros e eficientes, a OMS irá trabalhar com governos e parceiros para acelerar o acesso a esses produtos", disse.
http://www.diariodasaude.com.br
Identificadas células cerebrais que controlam a respiração
Controle da respiração
Técnicas para controlar a respiração, como em ioga ou meditação, por exemplo, estão se tornando populares como alternativa para tentar relaxar e diminuir o estresse.
Mas como é mesmo que o cérebro controla a respiração?
Segundo um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, são as células conhecidas como astrócitos que têm um papel central na regulação da respiração.
Astrócitos
Astrócitos são células com formato de estrela (daí o nome) encontradas no cérebro e na medula espinhal.
Até então, achava-se que os astrócitos fossem personagens passivos e secundários na fisiologia cerebral, mas a equipe do Dr. Alexander Gourine, da Universidade College London, na Inglaterra, encontrou indícios de que essas células multitarefas são protagonistas no controle químico-sensorial envolvido na respiração.
Os autores do estudo, publicado na edição online da revista Science, descobriram que os astrócitos cerebrais são capazes de perceber alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro.
Com essa capacidade, essas células podem ativar redes neuronais envolvidas na respiração, localizadas no cérebro, de modo a aumentar a respiração de acordo com a atividade e o metabolismo do organismo.
Células da respiração
Os astrócitos fazem isso ao liberar trifosfato de adenosina (ATP), um mensageiro químico que estimula centros respiratórios no cérebro a aumentar a respiração para que a quantidade a mais de dióxido de carbono seja removida do sangue e eliminada pela expiração.
Os resultados do estudo, segundo seus autores, podem ajudar a entender melhor os mecanismos responsáveis por problemas respiratórios como asma, enfisema e até a sensação de fôlego curto causada pelo estresse ou por doenças cardiovasculares.
"A pesquisa identifica os astrócitos cerebrais como elementos fundamentais nos circuitos cerebrais que controlam funções vitais como a respiração e indica que eles são realmente as estrelas do cérebro", disse Gourine.
Agência Fapesp
Técnicas para controlar a respiração, como em ioga ou meditação, por exemplo, estão se tornando populares como alternativa para tentar relaxar e diminuir o estresse.
Mas como é mesmo que o cérebro controla a respiração?
Segundo um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, são as células conhecidas como astrócitos que têm um papel central na regulação da respiração.
Astrócitos
Astrócitos são células com formato de estrela (daí o nome) encontradas no cérebro e na medula espinhal.
Até então, achava-se que os astrócitos fossem personagens passivos e secundários na fisiologia cerebral, mas a equipe do Dr. Alexander Gourine, da Universidade College London, na Inglaterra, encontrou indícios de que essas células multitarefas são protagonistas no controle químico-sensorial envolvido na respiração.
Os autores do estudo, publicado na edição online da revista Science, descobriram que os astrócitos cerebrais são capazes de perceber alterações nos níveis de dióxido de carbono e de acidez no sangue e no cérebro.
Com essa capacidade, essas células podem ativar redes neuronais envolvidas na respiração, localizadas no cérebro, de modo a aumentar a respiração de acordo com a atividade e o metabolismo do organismo.
Células da respiração
Os astrócitos fazem isso ao liberar trifosfato de adenosina (ATP), um mensageiro químico que estimula centros respiratórios no cérebro a aumentar a respiração para que a quantidade a mais de dióxido de carbono seja removida do sangue e eliminada pela expiração.
Os resultados do estudo, segundo seus autores, podem ajudar a entender melhor os mecanismos responsáveis por problemas respiratórios como asma, enfisema e até a sensação de fôlego curto causada pelo estresse ou por doenças cardiovasculares.
"A pesquisa identifica os astrócitos cerebrais como elementos fundamentais nos circuitos cerebrais que controlam funções vitais como a respiração e indica que eles são realmente as estrelas do cérebro", disse Gourine.
Agência Fapesp
Cientistas criam mosquito transgênico imune à malária
Mosquito transgênico
Cientistas nos Estados Unidos conseguiram desenvolver um mosquito transgênico resistente à malária, segundo um estudo divulgado na revista científica PloS Pathogens.
Os pesquisadores da Universidade do Arizona introduziram um gene que afeta o aparelho digestivo do inseto, impedindo o desenvolvimento do parasita da malária.
Os cientistas incluíram uma marcação fluorescente no gene para certificar-se de que as larvas do inseto haviam sido efetivamente modificadas.
A mudança na constituição do mosquito também diminuiria sua expectativa de vida.
"Esta foi a primeira vez que conseguimos bloquear completamente o desenvolvimento do parasita no mosquito", disse Michael Riehle, um dos pesquisadores.
Mosquito contra a malária
O objetivo, segundo os pesquisadores, é introduzir o mosquito modificado no meio ambiente para que ele substitua o inseto que carrega a doença.
"Antes de fazermos isto, temos que de alguma forma dar vantagens competitivas aos mosquitos (transgênicos) sobre os que carregam a doença", disse Riehle.
Uma das possibilidades é garantir que o gene modificado seja transmitido a novas gerações e se espalhe por toda a população de insetos.
Preocupações éticas
Outra opção seria tornar os mosquitos geneticamente imunes a toxinas usadas contra os insetos que portam a malária.
Mas existem preocupações éticas a respeito de soltar insetos modificados no ambiente. Especialistas dizem que, além dos entraves científicos, é preciso avaliar efetivamente os riscos e benefícios para a espécie humana e a natureza.
http://www.diariodasaude.com.br
Cientistas nos Estados Unidos conseguiram desenvolver um mosquito transgênico resistente à malária, segundo um estudo divulgado na revista científica PloS Pathogens.
Os pesquisadores da Universidade do Arizona introduziram um gene que afeta o aparelho digestivo do inseto, impedindo o desenvolvimento do parasita da malária.
Os cientistas incluíram uma marcação fluorescente no gene para certificar-se de que as larvas do inseto haviam sido efetivamente modificadas.
A mudança na constituição do mosquito também diminuiria sua expectativa de vida.
"Esta foi a primeira vez que conseguimos bloquear completamente o desenvolvimento do parasita no mosquito", disse Michael Riehle, um dos pesquisadores.
Mosquito contra a malária
O objetivo, segundo os pesquisadores, é introduzir o mosquito modificado no meio ambiente para que ele substitua o inseto que carrega a doença.
"Antes de fazermos isto, temos que de alguma forma dar vantagens competitivas aos mosquitos (transgênicos) sobre os que carregam a doença", disse Riehle.
Uma das possibilidades é garantir que o gene modificado seja transmitido a novas gerações e se espalhe por toda a população de insetos.
Preocupações éticas
Outra opção seria tornar os mosquitos geneticamente imunes a toxinas usadas contra os insetos que portam a malária.
Mas existem preocupações éticas a respeito de soltar insetos modificados no ambiente. Especialistas dizem que, além dos entraves científicos, é preciso avaliar efetivamente os riscos e benefícios para a espécie humana e a natureza.
http://www.diariodasaude.com.br
Explicado efeito do brócolis contra o câncer de próstata
Brócolis contra o câncer
O brócolis tem mostrado efeitos protetores contra uma série de doenças, do câncer de mama até a asma.
Ele também atua inibindo o desenvolvimento do câncer de próstata, mas até agora os cientistas não sabiam como o vegetal agia no organismo para produzir esse efeito protetor.
Esse mecanismo acaba de ser decifrado por uma equipe internacional de cientistas, chefiada pelo Dr. Richard Mithen, do Instituto de Pesquisas Alimentares da Inglaterra. A descoberta foi publicada no último exemplar da revista Molecular Cancer.
Sulforafano
Os cientistas descobriram que o efeito benéfico do brócolis deve-se ao sulforafano, um composto químico presente no vegetal que interage com as células que não possuem um gene chamado PTEN, reduzindo as chances do desenvolvimento do câncer de próstata ou retardando seu desenvolvimento.
O grupo realizou uma série de experimentos com tecidos da próstata humana e com modelos animais do câncer de próstata para estudar as interações entre a expressão do gene PTEN e a atividade anticâncer do sulforafano.
"O PTEN é um gene supressor do tumor, e a sua deleção ou inativação pode iniciar a carcinogênese prostática, ou aumentar a probabilidade de progressão do câncer. Nós demonstramos aqui que o sulforafano tem efeitos diferentes dependendo se o gene PTEN está presente ou não," explica Mithen.
Competição celular
Os cientistas constataram que, em células que expressam o PTEN, a ingestão de sulforafano não tem nenhum efeito sobre o desenvolvimento do câncer de próstata.
Em células que não expressam o gene, no entanto, o sulforafano torna as células "menos competitivas", oferecendo uma explicação de nível molecular para como consumir brócolis pode reduzir o risco de incidência de câncer de próstata, ou de sua progressão, se ele já tiver-se instalado.
Redação do Diário da Saúde
O brócolis tem mostrado efeitos protetores contra uma série de doenças, do câncer de mama até a asma.
Ele também atua inibindo o desenvolvimento do câncer de próstata, mas até agora os cientistas não sabiam como o vegetal agia no organismo para produzir esse efeito protetor.
Esse mecanismo acaba de ser decifrado por uma equipe internacional de cientistas, chefiada pelo Dr. Richard Mithen, do Instituto de Pesquisas Alimentares da Inglaterra. A descoberta foi publicada no último exemplar da revista Molecular Cancer.
Sulforafano
Os cientistas descobriram que o efeito benéfico do brócolis deve-se ao sulforafano, um composto químico presente no vegetal que interage com as células que não possuem um gene chamado PTEN, reduzindo as chances do desenvolvimento do câncer de próstata ou retardando seu desenvolvimento.
O grupo realizou uma série de experimentos com tecidos da próstata humana e com modelos animais do câncer de próstata para estudar as interações entre a expressão do gene PTEN e a atividade anticâncer do sulforafano.
"O PTEN é um gene supressor do tumor, e a sua deleção ou inativação pode iniciar a carcinogênese prostática, ou aumentar a probabilidade de progressão do câncer. Nós demonstramos aqui que o sulforafano tem efeitos diferentes dependendo se o gene PTEN está presente ou não," explica Mithen.
Competição celular
Os cientistas constataram que, em células que expressam o PTEN, a ingestão de sulforafano não tem nenhum efeito sobre o desenvolvimento do câncer de próstata.
Em células que não expressam o gene, no entanto, o sulforafano torna as células "menos competitivas", oferecendo uma explicação de nível molecular para como consumir brócolis pode reduzir o risco de incidência de câncer de próstata, ou de sua progressão, se ele já tiver-se instalado.
Redação do Diário da Saúde
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Brasileiros desenvolvem método inédito para reciclagem de plástico
Buscando uma forma de minimizar os efeitos ambientais negativos do excesso de plástico descartado, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) desenvolveram uma nova técnica de reciclagem desse material.
Testes realizados no Laboratório de Modelagem, Simulação e Controle de Processos da instituição mostraram que é possível criar resinas plásticas produzidas a partir do reaproveitamento de até 40% de material plástico já utilizado.
Polimerização em suspensão
O método escolhido pela equipe foi a reciclagem com produção in situ, que possibilita incorporar materiais plásticos usados a plásticos virgens no próprio ambiente da reação química.
Por meio da polimerização em suspensão, foram realizadas misturas moleculares de poliestireno reciclado e de poliestireno virgem, usando copos descartáveis.
"A técnica é simples. Basicamente dissolvemos o plástico usado numa solução com reagentes e depois adicionamos o material direto no reator para fazer mais plástico", diz o professor José Carlos Pinto, responsável pelo projeto.
Ao contrário de outras técnicas de reciclagem, como a mecânica, esse método mantém a qualidade do produto final, pois a adição de plásticos reciclados não interfere no andamento da reação química de polimerização.
"O plástico usado foi reincorporado como matéria-prima do processo sem grandes transformações químicas. As propriedades finais do produto são similares às propriedades dos polímeros não-reciclados", assinala.
Reciclagem de isopor
Além de copos descartáveis, a técnica pode ser empregada com outras famílias de materiais à base de poliestireno, de poliacrilatos, de polimetacrilatos e de poliacetatos, como aqueles utilizados para fabricar capas de CD, isopor, interiores de geladeira e carcaças de televisão, entre outros produtos.
"O próximo passo é testar a técnica com cargas de isopor recicladas. O isopor não é biodegradável, mas pode ser facilmente reciclado e utilizado para fabricar isopor novo", adianta José Carlos.
A Coppe já encaminhou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a solicitação de patente para a nova técnica, que poderia ser facilmente incorporada ao setor produtivo para uso em escala industrial, devido ao seu baixo custo. "Para as fábricas se adaptarem a essa tecnologia, precisariam apenas fazer pequenos ajustes, como adicionar na linha de produção um recipiente para misturar o plástico reciclado com os reagentes", explica.
Impactos da reciclagem do plástico
De acordo com o professor José Carlos Pinto, a reciclagem é a melhor resposta diante do debate sobre usar ou não usar o plástico. "A questão maior não é se devemos usar ou não o plástico, mas o que devemos fazer com ele depois do seu ciclo de uso", destaca o engenheiro químico, lembrando que o plástico deve ser tratado como uma matéria-prima potencialmente reutilizável, e não como lixo.
O professor ressalta os impactos ambientais positivos da transformação de plástico em plástico. "A reciclagem contribui para reduzir a quantidade de material descartado no meio ambiente, pois o utiliza como matéria-prima para produzir novos materiais plásticos. Ao ser reciclado, se economiza o petróleo que seria utilizado para fazer plástico novo e isso certamente contribui para a redução da emissão de carbono na atmosfera", diz.
A reciclagem do plástico também pode resultar em consideráveis impactos econômicos e sociais. "A reciclagem pode estimular a valorização econômica dos resíduos plásticos. Eles têm baixo valor agregado, apesar de serem derivados do petróleo, e por isso são facilmente descartados pela população", avalia. "Ela também pode gerar empregos por incentivar a coleta seletiva de plástico por cooperativas de catadores de lixo".
Plásticos
Plásticos são materiais formados pela união de grandes cadeias moleculares chamadas polímeros, que por sua vez são formadas por moléculas menores, chamadas monômeros.
Estima-se que no Brasil pelo menos 2,2 milhões de toneladas de plástico pós-consumo (descartados após o uso) se acumulam anualmente, segundo dados da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos - entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor para divulgar a importância dos plásticos na vida moderna e promover sua utilização ambientalmente correta.
http://www.inovacaotecnologica.com.br
Testes realizados no Laboratório de Modelagem, Simulação e Controle de Processos da instituição mostraram que é possível criar resinas plásticas produzidas a partir do reaproveitamento de até 40% de material plástico já utilizado.
Polimerização em suspensão
O método escolhido pela equipe foi a reciclagem com produção in situ, que possibilita incorporar materiais plásticos usados a plásticos virgens no próprio ambiente da reação química.
Por meio da polimerização em suspensão, foram realizadas misturas moleculares de poliestireno reciclado e de poliestireno virgem, usando copos descartáveis.
"A técnica é simples. Basicamente dissolvemos o plástico usado numa solução com reagentes e depois adicionamos o material direto no reator para fazer mais plástico", diz o professor José Carlos Pinto, responsável pelo projeto.
Ao contrário de outras técnicas de reciclagem, como a mecânica, esse método mantém a qualidade do produto final, pois a adição de plásticos reciclados não interfere no andamento da reação química de polimerização.
"O plástico usado foi reincorporado como matéria-prima do processo sem grandes transformações químicas. As propriedades finais do produto são similares às propriedades dos polímeros não-reciclados", assinala.
Reciclagem de isopor
Além de copos descartáveis, a técnica pode ser empregada com outras famílias de materiais à base de poliestireno, de poliacrilatos, de polimetacrilatos e de poliacetatos, como aqueles utilizados para fabricar capas de CD, isopor, interiores de geladeira e carcaças de televisão, entre outros produtos.
"O próximo passo é testar a técnica com cargas de isopor recicladas. O isopor não é biodegradável, mas pode ser facilmente reciclado e utilizado para fabricar isopor novo", adianta José Carlos.
A Coppe já encaminhou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a solicitação de patente para a nova técnica, que poderia ser facilmente incorporada ao setor produtivo para uso em escala industrial, devido ao seu baixo custo. "Para as fábricas se adaptarem a essa tecnologia, precisariam apenas fazer pequenos ajustes, como adicionar na linha de produção um recipiente para misturar o plástico reciclado com os reagentes", explica.
Impactos da reciclagem do plástico
De acordo com o professor José Carlos Pinto, a reciclagem é a melhor resposta diante do debate sobre usar ou não usar o plástico. "A questão maior não é se devemos usar ou não o plástico, mas o que devemos fazer com ele depois do seu ciclo de uso", destaca o engenheiro químico, lembrando que o plástico deve ser tratado como uma matéria-prima potencialmente reutilizável, e não como lixo.
O professor ressalta os impactos ambientais positivos da transformação de plástico em plástico. "A reciclagem contribui para reduzir a quantidade de material descartado no meio ambiente, pois o utiliza como matéria-prima para produzir novos materiais plásticos. Ao ser reciclado, se economiza o petróleo que seria utilizado para fazer plástico novo e isso certamente contribui para a redução da emissão de carbono na atmosfera", diz.
A reciclagem do plástico também pode resultar em consideráveis impactos econômicos e sociais. "A reciclagem pode estimular a valorização econômica dos resíduos plásticos. Eles têm baixo valor agregado, apesar de serem derivados do petróleo, e por isso são facilmente descartados pela população", avalia. "Ela também pode gerar empregos por incentivar a coleta seletiva de plástico por cooperativas de catadores de lixo".
Plásticos
Plásticos são materiais formados pela união de grandes cadeias moleculares chamadas polímeros, que por sua vez são formadas por moléculas menores, chamadas monômeros.
Estima-se que no Brasil pelo menos 2,2 milhões de toneladas de plástico pós-consumo (descartados após o uso) se acumulam anualmente, segundo dados da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos - entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor para divulgar a importância dos plásticos na vida moderna e promover sua utilização ambientalmente correta.
http://www.inovacaotecnologica.com.br
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Pimenta. Santo remédio!
O Ministério do Bom-humor adverte: consumir pimentas e pimentões alivia dor de cabeça, melhora a circulação e não faz mal para o estômago.
Um molho especial de pimenta caiu na mesa de Marcos Cury, num bar, em Campinas, no interior do Estado de São Paulo e virou o centro das atenções. Ele criou cinco misturas para utilizar em salgados e lanches, nas reuniões com os amigos. A mesa ao lado experimentou, o boca-a-boca atraiu outros fregueses do bar e as encomendas só fizeram aumentar. O blend ganhou nome e embalagem — “Ardência no Regaço” — e obrigou o representante de material de engenharia a virar empresário.
Hoje, a pimenta é o principal fruto dos Cury em uma das maiores empresas de conservas e condimentos finos do País. Representa 50% das 20 toneladas de tudo que é produzido no sítio da família, em Morungaba, vizinha a Campinas. A produção já tem certificação como cultura orgânica, com reconhecimento internacional, e é exportada para países da Europa e Ásia, além de ser distribuída em 800 pontos de vendas no Brasil.
A família Cury prospera com bom-humor e praticamente sem dor-de-cabeça. E não é força de expressão. Essas são duas das propriedades terapêuticas das pimentas, segundo o clínico geral Alexandre Feldman. “Existem estudos demonstrando a eficácia da capsaicina e da piperina — componentes químicos, respectivamente, da pimenta vermelha e da pimenta-do-reino — na prevenção a dores de cabeça. Essas substâncias também possuem propriedades anticâncer. Comer pimenta ainda ‘provoca’ bem-estar, devido à estimulação à liberação de endorfinas, fabricadas no cérebro e responsáveis por sensações agradáveis, gerando bom humor”, explica.
Feldman conta que maias, astecas, hindus e várias tribos africanas sempre foram comedores de pimenta, hábito hoje disseminado entre seus descendentes, no México, Índia, África e nordeste do Brasil (por influência africana). O médico é um defensor das pimentas e incentivador de seu consumo como remédio e na prevenção de doenças. As substâncias químicas que tornam as pimentas ardidas são capazes de combater dores crônicas, por sua ação antiinflamatória. A recomendação é experimentar sem medo do sabor picante e, assim, acostumar, pouco a pouco. A alimentação deve ser saudável e o tempero das refeições, moderado, mas qualquer tipo de pimenta serve.
Funciona contra enxaqueca, por exemplo. Alexandre Feldman tem uma receita caseira publicada no livro Enxaqueca, finalmente uma saída, de sua autoria. “Já recebi, através do meu site, relatos de pessoas que utilizam chá de pimenta, com sucesso, quando têm dores de cabeça. É só misturar 6 ou 7 grãos de pimenta-do-reino em uma xícara de água fervendo, deixar por 10 minutos e tomar em seguida”, assegura. E contesta algumas crenças populares: “Dizem que pimenta provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróidas. Tudo isso é mito e nunca foi demonstrado na literatura médico-científica”.
Sejam destinadas à Medicina ou à culinária, as pimentas e os pimentões garantem alta variedade de opções. As espécies nativas são todas do gênero Capsicum, da família Solanaceae. Cerca de 12 mil hectares delas são cultivados anualmente no país, gerando recursos da ordem de US$ 1,5 milhão, somente na comercialização de sementes, segundo estatísticas da Embrapa Hortaliças. A área de cultivo brasileira, no entanto, é considerada insignificante se comparada à chinesa, cerca de 8.400 vezes maior.
“O Brasil ainda é pouco competente na produção de pimenta, principalmente a malagueta. A Índia é a maior produtora dessa pimenta brasileira. O País não acordou: tem tudo para ser o maior produtor do mundo e não é”, desabafa a jornalista Rosa Nepomuceno, autora do livro Viagem ao Fabuloso Mundo das Especiarias. Para ela, a malagueta é a verdadeira “pequena notável” porque está inserida na culinária e no cultivo em escala mundial.
E quando se pensa no conhecimento sobre a diversidade genética das espécies nativas brasileiras, então, a defasagem é ainda mais grave. Mesmo sendo origem de grande número de espécies do gênero Capsicum, com áreas importantes de ocorrência tanto na Mata Atlântica como na Amazônia, o Brasil ainda engatinha nas pesquisas. Estudos da Embrapa Hortaliças recomendam programas de melhoramento das coleções de germoplasma de todo o gênero. Falta conhecimento sobre resistência a doenças, sabor, aroma, cor, tipo de fruto ou produtividade.
A própria Embrapa procura preencher a imensa lacuna com o projeto Capsicum, uma expedição de pesquisadores que foi a campo em busca de espécies silvestres, semidomesticadas e domesticadas. Informações relevantes foram levantadas e incorporadas à literatura técnica sobre as pimentas brasileiras. Os pesquisadores verificaram que o número de espécies silvestres brasileiras parece ser maior do que o referido em bibliografia; expandiu-se, consideravelmente, o conhecimento sobre a distribuição geográfica de algumas espécies; o Sudeste brasileiro foi confirmado como o maior centro de diversidade para espécies silvestres do gênero; acrescentaram-se informações sobre a estrutura de populações; as espécies silvestres brasileiras apresentam uma dispersão diferente daquelas semidomesticadas.
Além da informação, a qualidade e a quantidade do material coletado permitirão o estabelecimento, senão da única, da maior coleção de espécies silvestres de Capsicum. Quem sabe assim o brasileiro acorda para o valor ardido de uma de suas melhores aliadas de mesa. Como diria o filósofo Aristóteles, “a natureza não faz nada sem propósito”.
Uma família famosa
A batata (Solanum tuberosum), a beringela (Solanum melongena), o tabaco (Nicotiana tabacum), o tomate (Lycopersicon esculentum) e as pimentas (Capsicum sp.) pertencem à mesma família vegetal: as solanáceas. Trata-se de uma grande família, espalhada por todo o planeta, com mais de 90 gêneros e cerca de 3.000 espécies. Apesar da distribuição mundial, a maioria das espécies se concentra na América do Sul, na América Central e na Austrália. Na sua grande maioria, são ervas e arbustos.
A palavra solanácea vem do latim solari – consolar ou aliviar – devido às propriedades calmantes (narcóticas) de algumas espécies. Outras são venenosas e terapêuticas: o tabaco (rico em alcalóides e com propriedades inseticidas), a mandrágora ou Mandrake (Mandragora officinarum), a belatona (Atropa belladonna, de onde extrai- se a atropina), a erva do diabo do escritor Carlos Castañeda e as daturas (Datura inoxia, D. stramonium), ricas em estramônio e escopolamina.
Entre pimentas e pimentões – verdes, vermelhos, doces e tipo caiena – são mais de 20 espécies do gênero Capsicum, com grande variedade de tamanho, cor, forma e pungência, como a pimenta malagueta (Capsicum frutescens); a rocoto (Capsicum pubescens); a pimenta vermelha, cambuci, fina, dedo de moça (Capsicum baccatum); a pimenta jalapeña (Capsicum annuum), e a pimenta de passarinho, de cheiro ou de bode (Capsicum chinense), que apesar do nome é originária das Américas.
Muitas são silvestres e outras totalmente domesticadas pelo homem. Entre as cultivadas no Brasil, apenas uma veio da Ásia: a pimenta-do-reino, que, a rigor, não é uma pimenta como as outras: pertence à família das piperáceas (seu nome científico é Piper nigrum) e tem princípios ativos bem diferentes. Na América do Sul, a maior diversidade de espécies do gênero Capsicum encontra-se na Mata Atlântica entre o Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
(Evaristo E. de Miranda é doutor em Ecologia e pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite)
Tesouro do descobrimento
Cristóvão Colombo descobriu as pimentas em 1492. Diego Alvarez Chanca, médico a bordo da segunda expedição de Colombo (de 1493), embarcou as primeiras plantas de Capsicum para a Espanha. Em 1494, escreveu sobre os efeitos medicinais destas plantas. Levadas pelos portugueses para a Europa, África e Ásia, já no século 16 uma variedade de pimenta em Goa (Índia) era chamada de Pernambuco, documentando sua origem. O Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria de Portugal, de 1507, apresentava diversas receitas de carnes com pimenta.
Outro registro histórico é do alemão Hans Staden, prisioneiro dos índios tupinambás entre 1547 e 1555. Ele fez um relato bastante circunstanciado das pimentas: “Há duas qualidades de pimenta naquela terra. Uma é amarela, outra vermelha. Ambas as qualidades crescem, porém, da mesma maneira.
Quando a pimenta está verde tem o tamanho do fruto da roseira brava, que cresce no espinheiro. O pimenteiro é um pequeno arbusto de mais ou menos uma braça de alto. Tem pequenas folhas e fica cheio de pimenta. A pimenta tem gosto ardido. Os selvagens a colhem e secam ao sol”.
Staden relatou o uso da pimenta como alimento – “Quando os índios cozinham peixe ou carne põem dentro habitualmente pimenta verde” – e como arma de guerra – “Quando o vento sopra, fazem uma grande fogueira e lançam dentro um montão de pés de pimenta. Se a fumaça dá de encontro às cabanas, o inimigo tem que sair então para fora”. Séculos depois, o mesmo princípio é empregado no spray de pimenta utilizado pela polícia e em armas de defesa pessoal.
Dentre os primeiros e principais registros científicos sobre a pimenta está o trabalho de Leonhartus Fuchsius de 1543: De historia stirpium. Ele contém a descrição e três desenhos da pimenteira, muito detalhados. Os frutos e sementes da pimenta espalharam-se pelo mundo e foram incorporados à culinárias dos mais diversos povos. Hoje, só a China planta mais de 700 mil hectares de pimenta e os tailandeses e coreanos estão entre os maiores consumidores do mundo: 5 a 8 gramas por pessoa/dia. A palavra pimenta tornou-se sobrenome no Brasil e em Portugal, e tanto pimenta como pimenteiras designam rios, bairros e cidades de Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo.
Cultive sua preferida em casa
More em apartamento ou em casa, você pode cultivar pimentas e pimentões em vasos e jardineiras. As dicas dos cuidados necessários são do paisagista e fotógrafo Du Zuppani:
» As pimenteiras são vendidas em lojas especializadas e supermercados. Se preferir, compre sementes, plante a meio centímetro da superfície e, quando germinar, escolha a melhor muda e elimine as outras
» A medida mínima do vaso é de 20 cm de diâmetro e 30 cm de altura
» Os vasos ou jardineiras devem ficar em lugares de bastante claridade ou com algumas horas de sol
» No fundo do vaso coloque 2 cm de pedra brita ou caco de telhas para a drenagem
» Utilize composto já pronto ou faça o seu: 70% de terra, 20% de areia e 10% de terra orgânica
» Molhe duas a três vezes por semana. Quando a terra estiver úmida adie uma rega
» Se observar anomalia no desenvolvimento, avalie se a planta não está em local inadequado
» Se quiser guardar sementes para novo plantio, tire do fruto, embrulhe em jornal e deixe secar em lugar fresco
Capriche na conserva
Ingredientes:
1 copo de vinagre branco
1 copo de cachaça
1 colher (de sopa) de açúcar
1 colher (de chá) de sal
Cerca de 500 g de pimentas selecionadas
Modo de preparo:
Faça o branqueamento das pimentas, ou seja, coloque-as na água fervente e deixe em torno de 20 segundos. Retire e mergulhe em água gelada. Seque as pimentas. Faça uma calda com o vinagre, a cachaça e o açúcar, levando esta mistura para ferver por 2 minutos. Coloque as pimentas num vidro esterilizado e jogue por cima a calda quente. Se quiser, tempere com dente de alho ou cebola, para enriquecer o sabor. Tampe o vidro. Forre a panela com um pano, coloque água à temperatura ambiente. Coloque o vidro, tampado, de boca para baixo, sobre o pano. Deixe ferver em fogo brando. Apague o fogo e retire o vidro da água somente depois de esfriar, para não estourar.
Pão delícia
Ingredientes:
50 gramas de fermento biológico
2 colheres de sobremesa de açúcar
_ lata de creme de leite
200 ml de leite
_ xícara de cerveja
_ xícara de óleo de milho
1 xícara de água morna
2 ovos inteiros
1 colher (de sopa) de sal
1 pimentão amarelo
1 pimentão vermelho
1 pimentão verde
1 pitada de bicarbonato de sódio
Modo de preparo:
Dissolva o fermento em um pouco de água e misture os ovos. Acrescente a cerveja, o sal e o creme de leite, misturando tudo muito bem. Aos poucos, coloque a farinha. Sove a massa (mole), ‘rasgando’ por 5 minutos. Separe em três partes iguais. Bata no liquidificador cada pimentão (com casca e cru) com uma pitada de bicarbonato de sódio. Acrescente à massa 6 colheres de sopa do pimentão batido: uma cor de pimentão para cada parte da massa. Coloque farinha, se necessário, até que solte da mão. Deixe crescer por 20 a 30 minutos. Divida ao meio cada uma das três partes. Pegue uma parte de cada cor e faça rolos para uma forma grande de pão (10x30x8cm). Asse em forno médio por 30 a 40 minutos.
http://eptv.globo.com/emissoras/NOT,0,0,306558,Pimentas+um+santo+remedio.aspx
Um molho especial de pimenta caiu na mesa de Marcos Cury, num bar, em Campinas, no interior do Estado de São Paulo e virou o centro das atenções. Ele criou cinco misturas para utilizar em salgados e lanches, nas reuniões com os amigos. A mesa ao lado experimentou, o boca-a-boca atraiu outros fregueses do bar e as encomendas só fizeram aumentar. O blend ganhou nome e embalagem — “Ardência no Regaço” — e obrigou o representante de material de engenharia a virar empresário.
Hoje, a pimenta é o principal fruto dos Cury em uma das maiores empresas de conservas e condimentos finos do País. Representa 50% das 20 toneladas de tudo que é produzido no sítio da família, em Morungaba, vizinha a Campinas. A produção já tem certificação como cultura orgânica, com reconhecimento internacional, e é exportada para países da Europa e Ásia, além de ser distribuída em 800 pontos de vendas no Brasil.
A família Cury prospera com bom-humor e praticamente sem dor-de-cabeça. E não é força de expressão. Essas são duas das propriedades terapêuticas das pimentas, segundo o clínico geral Alexandre Feldman. “Existem estudos demonstrando a eficácia da capsaicina e da piperina — componentes químicos, respectivamente, da pimenta vermelha e da pimenta-do-reino — na prevenção a dores de cabeça. Essas substâncias também possuem propriedades anticâncer. Comer pimenta ainda ‘provoca’ bem-estar, devido à estimulação à liberação de endorfinas, fabricadas no cérebro e responsáveis por sensações agradáveis, gerando bom humor”, explica.
Feldman conta que maias, astecas, hindus e várias tribos africanas sempre foram comedores de pimenta, hábito hoje disseminado entre seus descendentes, no México, Índia, África e nordeste do Brasil (por influência africana). O médico é um defensor das pimentas e incentivador de seu consumo como remédio e na prevenção de doenças. As substâncias químicas que tornam as pimentas ardidas são capazes de combater dores crônicas, por sua ação antiinflamatória. A recomendação é experimentar sem medo do sabor picante e, assim, acostumar, pouco a pouco. A alimentação deve ser saudável e o tempero das refeições, moderado, mas qualquer tipo de pimenta serve.
Funciona contra enxaqueca, por exemplo. Alexandre Feldman tem uma receita caseira publicada no livro Enxaqueca, finalmente uma saída, de sua autoria. “Já recebi, através do meu site, relatos de pessoas que utilizam chá de pimenta, com sucesso, quando têm dores de cabeça. É só misturar 6 ou 7 grãos de pimenta-do-reino em uma xícara de água fervendo, deixar por 10 minutos e tomar em seguida”, assegura. E contesta algumas crenças populares: “Dizem que pimenta provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróidas. Tudo isso é mito e nunca foi demonstrado na literatura médico-científica”.
Sejam destinadas à Medicina ou à culinária, as pimentas e os pimentões garantem alta variedade de opções. As espécies nativas são todas do gênero Capsicum, da família Solanaceae. Cerca de 12 mil hectares delas são cultivados anualmente no país, gerando recursos da ordem de US$ 1,5 milhão, somente na comercialização de sementes, segundo estatísticas da Embrapa Hortaliças. A área de cultivo brasileira, no entanto, é considerada insignificante se comparada à chinesa, cerca de 8.400 vezes maior.
“O Brasil ainda é pouco competente na produção de pimenta, principalmente a malagueta. A Índia é a maior produtora dessa pimenta brasileira. O País não acordou: tem tudo para ser o maior produtor do mundo e não é”, desabafa a jornalista Rosa Nepomuceno, autora do livro Viagem ao Fabuloso Mundo das Especiarias. Para ela, a malagueta é a verdadeira “pequena notável” porque está inserida na culinária e no cultivo em escala mundial.
E quando se pensa no conhecimento sobre a diversidade genética das espécies nativas brasileiras, então, a defasagem é ainda mais grave. Mesmo sendo origem de grande número de espécies do gênero Capsicum, com áreas importantes de ocorrência tanto na Mata Atlântica como na Amazônia, o Brasil ainda engatinha nas pesquisas. Estudos da Embrapa Hortaliças recomendam programas de melhoramento das coleções de germoplasma de todo o gênero. Falta conhecimento sobre resistência a doenças, sabor, aroma, cor, tipo de fruto ou produtividade.
A própria Embrapa procura preencher a imensa lacuna com o projeto Capsicum, uma expedição de pesquisadores que foi a campo em busca de espécies silvestres, semidomesticadas e domesticadas. Informações relevantes foram levantadas e incorporadas à literatura técnica sobre as pimentas brasileiras. Os pesquisadores verificaram que o número de espécies silvestres brasileiras parece ser maior do que o referido em bibliografia; expandiu-se, consideravelmente, o conhecimento sobre a distribuição geográfica de algumas espécies; o Sudeste brasileiro foi confirmado como o maior centro de diversidade para espécies silvestres do gênero; acrescentaram-se informações sobre a estrutura de populações; as espécies silvestres brasileiras apresentam uma dispersão diferente daquelas semidomesticadas.
Além da informação, a qualidade e a quantidade do material coletado permitirão o estabelecimento, senão da única, da maior coleção de espécies silvestres de Capsicum. Quem sabe assim o brasileiro acorda para o valor ardido de uma de suas melhores aliadas de mesa. Como diria o filósofo Aristóteles, “a natureza não faz nada sem propósito”.
Uma família famosa
A batata (Solanum tuberosum), a beringela (Solanum melongena), o tabaco (Nicotiana tabacum), o tomate (Lycopersicon esculentum) e as pimentas (Capsicum sp.) pertencem à mesma família vegetal: as solanáceas. Trata-se de uma grande família, espalhada por todo o planeta, com mais de 90 gêneros e cerca de 3.000 espécies. Apesar da distribuição mundial, a maioria das espécies se concentra na América do Sul, na América Central e na Austrália. Na sua grande maioria, são ervas e arbustos.
A palavra solanácea vem do latim solari – consolar ou aliviar – devido às propriedades calmantes (narcóticas) de algumas espécies. Outras são venenosas e terapêuticas: o tabaco (rico em alcalóides e com propriedades inseticidas), a mandrágora ou Mandrake (Mandragora officinarum), a belatona (Atropa belladonna, de onde extrai- se a atropina), a erva do diabo do escritor Carlos Castañeda e as daturas (Datura inoxia, D. stramonium), ricas em estramônio e escopolamina.
Entre pimentas e pimentões – verdes, vermelhos, doces e tipo caiena – são mais de 20 espécies do gênero Capsicum, com grande variedade de tamanho, cor, forma e pungência, como a pimenta malagueta (Capsicum frutescens); a rocoto (Capsicum pubescens); a pimenta vermelha, cambuci, fina, dedo de moça (Capsicum baccatum); a pimenta jalapeña (Capsicum annuum), e a pimenta de passarinho, de cheiro ou de bode (Capsicum chinense), que apesar do nome é originária das Américas.
Muitas são silvestres e outras totalmente domesticadas pelo homem. Entre as cultivadas no Brasil, apenas uma veio da Ásia: a pimenta-do-reino, que, a rigor, não é uma pimenta como as outras: pertence à família das piperáceas (seu nome científico é Piper nigrum) e tem princípios ativos bem diferentes. Na América do Sul, a maior diversidade de espécies do gênero Capsicum encontra-se na Mata Atlântica entre o Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
(Evaristo E. de Miranda é doutor em Ecologia e pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite)
Tesouro do descobrimento
Cristóvão Colombo descobriu as pimentas em 1492. Diego Alvarez Chanca, médico a bordo da segunda expedição de Colombo (de 1493), embarcou as primeiras plantas de Capsicum para a Espanha. Em 1494, escreveu sobre os efeitos medicinais destas plantas. Levadas pelos portugueses para a Europa, África e Ásia, já no século 16 uma variedade de pimenta em Goa (Índia) era chamada de Pernambuco, documentando sua origem. O Livro de Cozinha da Infanta Dona Maria de Portugal, de 1507, apresentava diversas receitas de carnes com pimenta.
Outro registro histórico é do alemão Hans Staden, prisioneiro dos índios tupinambás entre 1547 e 1555. Ele fez um relato bastante circunstanciado das pimentas: “Há duas qualidades de pimenta naquela terra. Uma é amarela, outra vermelha. Ambas as qualidades crescem, porém, da mesma maneira.
Quando a pimenta está verde tem o tamanho do fruto da roseira brava, que cresce no espinheiro. O pimenteiro é um pequeno arbusto de mais ou menos uma braça de alto. Tem pequenas folhas e fica cheio de pimenta. A pimenta tem gosto ardido. Os selvagens a colhem e secam ao sol”.
Staden relatou o uso da pimenta como alimento – “Quando os índios cozinham peixe ou carne põem dentro habitualmente pimenta verde” – e como arma de guerra – “Quando o vento sopra, fazem uma grande fogueira e lançam dentro um montão de pés de pimenta. Se a fumaça dá de encontro às cabanas, o inimigo tem que sair então para fora”. Séculos depois, o mesmo princípio é empregado no spray de pimenta utilizado pela polícia e em armas de defesa pessoal.
Dentre os primeiros e principais registros científicos sobre a pimenta está o trabalho de Leonhartus Fuchsius de 1543: De historia stirpium. Ele contém a descrição e três desenhos da pimenteira, muito detalhados. Os frutos e sementes da pimenta espalharam-se pelo mundo e foram incorporados à culinárias dos mais diversos povos. Hoje, só a China planta mais de 700 mil hectares de pimenta e os tailandeses e coreanos estão entre os maiores consumidores do mundo: 5 a 8 gramas por pessoa/dia. A palavra pimenta tornou-se sobrenome no Brasil e em Portugal, e tanto pimenta como pimenteiras designam rios, bairros e cidades de Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo.
Cultive sua preferida em casa
More em apartamento ou em casa, você pode cultivar pimentas e pimentões em vasos e jardineiras. As dicas dos cuidados necessários são do paisagista e fotógrafo Du Zuppani:
» As pimenteiras são vendidas em lojas especializadas e supermercados. Se preferir, compre sementes, plante a meio centímetro da superfície e, quando germinar, escolha a melhor muda e elimine as outras
» A medida mínima do vaso é de 20 cm de diâmetro e 30 cm de altura
» Os vasos ou jardineiras devem ficar em lugares de bastante claridade ou com algumas horas de sol
» No fundo do vaso coloque 2 cm de pedra brita ou caco de telhas para a drenagem
» Utilize composto já pronto ou faça o seu: 70% de terra, 20% de areia e 10% de terra orgânica
» Molhe duas a três vezes por semana. Quando a terra estiver úmida adie uma rega
» Se observar anomalia no desenvolvimento, avalie se a planta não está em local inadequado
» Se quiser guardar sementes para novo plantio, tire do fruto, embrulhe em jornal e deixe secar em lugar fresco
Capriche na conserva
Ingredientes:
1 copo de vinagre branco
1 copo de cachaça
1 colher (de sopa) de açúcar
1 colher (de chá) de sal
Cerca de 500 g de pimentas selecionadas
Modo de preparo:
Faça o branqueamento das pimentas, ou seja, coloque-as na água fervente e deixe em torno de 20 segundos. Retire e mergulhe em água gelada. Seque as pimentas. Faça uma calda com o vinagre, a cachaça e o açúcar, levando esta mistura para ferver por 2 minutos. Coloque as pimentas num vidro esterilizado e jogue por cima a calda quente. Se quiser, tempere com dente de alho ou cebola, para enriquecer o sabor. Tampe o vidro. Forre a panela com um pano, coloque água à temperatura ambiente. Coloque o vidro, tampado, de boca para baixo, sobre o pano. Deixe ferver em fogo brando. Apague o fogo e retire o vidro da água somente depois de esfriar, para não estourar.
Pão delícia
Ingredientes:
50 gramas de fermento biológico
2 colheres de sobremesa de açúcar
_ lata de creme de leite
200 ml de leite
_ xícara de cerveja
_ xícara de óleo de milho
1 xícara de água morna
2 ovos inteiros
1 colher (de sopa) de sal
1 pimentão amarelo
1 pimentão vermelho
1 pimentão verde
1 pitada de bicarbonato de sódio
Modo de preparo:
Dissolva o fermento em um pouco de água e misture os ovos. Acrescente a cerveja, o sal e o creme de leite, misturando tudo muito bem. Aos poucos, coloque a farinha. Sove a massa (mole), ‘rasgando’ por 5 minutos. Separe em três partes iguais. Bata no liquidificador cada pimentão (com casca e cru) com uma pitada de bicarbonato de sódio. Acrescente à massa 6 colheres de sopa do pimentão batido: uma cor de pimentão para cada parte da massa. Coloque farinha, se necessário, até que solte da mão. Deixe crescer por 20 a 30 minutos. Divida ao meio cada uma das três partes. Pegue uma parte de cada cor e faça rolos para uma forma grande de pão (10x30x8cm). Asse em forno médio por 30 a 40 minutos.
http://eptv.globo.com/emissoras/NOT,0,0,306558,Pimentas+um+santo+remedio.aspx
Selos verdes confundem consumidor
Estudo indica que há 600 certificações com atributos de sustentabilidade no País; maioria é criada pela própria empresa que fabrica o produto madeira a alimentos, a profusão de selos verdes no mercado confunde o consumidor. No Brasil, levantamento recente realizado pelas consultorias Unomarketing, Mob Consult e Ideia Sustentável apontou a existência de 600 selos verdes ou com atributos de sustentabilidade - grande parte é de selos colocados pelas próprias empresas, sem auditoria ou verificação independente.
Um outro estudo, internacional, reforça a ideia: o World Resources Institute (WRI), entidade com sede em Washington (EUA), mapeou a existência de 340 selos socioambientais em 42 países. Menos de um terço dos selos pesquisados monitora os reais impactos sociais e ambientais da cadeia produtiva.
Na definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a certificação ambiental atesta, por meio de uma marca inserida na embalagem, que determinado produto ou serviço apresenta menor impacto ambiental em relação a outros disponíveis no mercado. Mas a grande fonte de dúvidas para quem vai às compras é a confiabilidade dos selos. "Há uma grande quantidade de selos autodeclarados: eles não são auditados de maneira independente e contam apenas com a chancela da própria empresa que comercializa os produtos", diz Ricardo Voltolini, da consultoria Ideia Sustentável.
Isso ocorre, em parte, porque não há no Brasil um órgão ou entidade que faça o papel de dar aval às certificações que existem no mercado. Entidades como a ABNT e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) são responsáveis pela emissão de alguns selos, como o Procel - de eficiência energética para eletrodomésticos. Já certificações conhecidas no mercado internacional, como FSC (manejo florestal) e Ecocert (orgânicos), passam por auditorias feitas por organismos independentes.
Ao mesmo tempo, a questão ambiental vem se tornando uma ferramenta de marketing importante para as empresas, que passam a usar os termos "eco", "orgânico" ou "natural" para vender produtos. "Esse tipo de propaganda na embalagem mais confunde que orienta", diz Voltolini. Para fugir das armadilhas, é preciso buscar informação. "O consumidor deve ler os rótulos com atenção, pesquisar, buscar referências", diz. Ele explica que, embora o porcentual de consumidores brasileiros que levem em conta as questões socioambientais na hora de ir às compras seja pequeno - 21% -, a tendência de certificação ambiental é um fenômeno global.
Um exemplo é o Japão, onde existem mais de 3 mil produtos certificados à disposição do consumidor.
Tendência. O mercado para produtos verdes está longe de ser irrisório. Segundo dados do estudo A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e divulgado ontem em Londres, o mercado para produtos agrícolas certificados, que em 2008 estava orçado em mais de US$ 40 bilhões, alcançará US$ 210 bilhões em 2020.
De olho no consumidor mais consciente, empresas brasileiras de setores como cosméticos, têxteis, siderurgia, pneus reformados, gráficas e até de fraldas descartáveis estão buscando uma certificação ambiental mais padronizada. A ABNT tem um programa de certificação chamado Qualidade Ambiental, que, apesar de existir há 17 anos, só passou a receber pedidos das indústrias em 2009. As primeiras certificações verdes da ABNT devem ser emitidas ainda neste ano.
Segundo Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro, o consumidor brasileiro já utiliza os selos como um fator de decisão de compra. Ele cita como principal exemplo o selo Procel, emitido pelo Inmetro. "Hoje, 78% dos consumidores levam o selo de economia de energia em conta na tomada de decisão de compra e 40% aceitariam pagar mais pelo produto com selo."
Além de economia de energia, o Inmetro certifica produtos de origem florestal - selo Cerflor - e também alimentos, como frutas, dentro de critérios de sustentabilidade.
Carros. O Inmetro também avalia, com o Ibama, os critérios para a emissão de um selo verde para carros. A ideia, segundo Lobo, é unir, em uma única certificação, dados referentes ao consumo de combustível dos veículos e também as emissões de poluentes. "Seria uma espécie de Procel para carros", explica. As primeiras reuniões entre os órgãos para discutir a proposta ocorrem neste mês.
http://www.estadao.com.br
Um outro estudo, internacional, reforça a ideia: o World Resources Institute (WRI), entidade com sede em Washington (EUA), mapeou a existência de 340 selos socioambientais em 42 países. Menos de um terço dos selos pesquisados monitora os reais impactos sociais e ambientais da cadeia produtiva.
Na definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a certificação ambiental atesta, por meio de uma marca inserida na embalagem, que determinado produto ou serviço apresenta menor impacto ambiental em relação a outros disponíveis no mercado. Mas a grande fonte de dúvidas para quem vai às compras é a confiabilidade dos selos. "Há uma grande quantidade de selos autodeclarados: eles não são auditados de maneira independente e contam apenas com a chancela da própria empresa que comercializa os produtos", diz Ricardo Voltolini, da consultoria Ideia Sustentável.
Isso ocorre, em parte, porque não há no Brasil um órgão ou entidade que faça o papel de dar aval às certificações que existem no mercado. Entidades como a ABNT e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) são responsáveis pela emissão de alguns selos, como o Procel - de eficiência energética para eletrodomésticos. Já certificações conhecidas no mercado internacional, como FSC (manejo florestal) e Ecocert (orgânicos), passam por auditorias feitas por organismos independentes.
Ao mesmo tempo, a questão ambiental vem se tornando uma ferramenta de marketing importante para as empresas, que passam a usar os termos "eco", "orgânico" ou "natural" para vender produtos. "Esse tipo de propaganda na embalagem mais confunde que orienta", diz Voltolini. Para fugir das armadilhas, é preciso buscar informação. "O consumidor deve ler os rótulos com atenção, pesquisar, buscar referências", diz. Ele explica que, embora o porcentual de consumidores brasileiros que levem em conta as questões socioambientais na hora de ir às compras seja pequeno - 21% -, a tendência de certificação ambiental é um fenômeno global.
Um exemplo é o Japão, onde existem mais de 3 mil produtos certificados à disposição do consumidor.
Tendência. O mercado para produtos verdes está longe de ser irrisório. Segundo dados do estudo A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e divulgado ontem em Londres, o mercado para produtos agrícolas certificados, que em 2008 estava orçado em mais de US$ 40 bilhões, alcançará US$ 210 bilhões em 2020.
De olho no consumidor mais consciente, empresas brasileiras de setores como cosméticos, têxteis, siderurgia, pneus reformados, gráficas e até de fraldas descartáveis estão buscando uma certificação ambiental mais padronizada. A ABNT tem um programa de certificação chamado Qualidade Ambiental, que, apesar de existir há 17 anos, só passou a receber pedidos das indústrias em 2009. As primeiras certificações verdes da ABNT devem ser emitidas ainda neste ano.
Segundo Alfredo Lobo, diretor de qualidade do Inmetro, o consumidor brasileiro já utiliza os selos como um fator de decisão de compra. Ele cita como principal exemplo o selo Procel, emitido pelo Inmetro. "Hoje, 78% dos consumidores levam o selo de economia de energia em conta na tomada de decisão de compra e 40% aceitariam pagar mais pelo produto com selo."
Além de economia de energia, o Inmetro certifica produtos de origem florestal - selo Cerflor - e também alimentos, como frutas, dentro de critérios de sustentabilidade.
Carros. O Inmetro também avalia, com o Ibama, os critérios para a emissão de um selo verde para carros. A ideia, segundo Lobo, é unir, em uma única certificação, dados referentes ao consumo de combustível dos veículos e também as emissões de poluentes. "Seria uma espécie de Procel para carros", explica. As primeiras reuniões entre os órgãos para discutir a proposta ocorrem neste mês.
http://www.estadao.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)