quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Casos de coqueluche aumentam em todo o mundo
O número de casos de coqueluche no Distrito Federal aumentou, seguindo a tendência de crescimento mundial dos últimos três anos. Até julho deste ano foram confirmados 89 casos na capital federal. Em todo o ano passado, foram registrados 119 casos.
Segundo o Ministério da Saúde, apesar do aumento dos casos da doença no mundo, principalmente nos EUA e Europa, no Brasil os casos diminuíram em 2014, na comparação com o ano passado. Até 14 de junho deste ano foram registrados 2.544 casos da doença, redução de 24% se comparado ao mesmo período de 2013, quando foram identificados 3.369 casos.
A imunização contra a coqueluche é oferecida para crianças na rede pública. O calendário de vacinas começa com a pentavalente, administrada aos 2 meses, 4 meses e 6 meses. A criança recebe ainda dois reforços com a vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche). O primeiro reforço da imunização é aos 15 meses e o segundo aos 4 anos.
Segundo a gerente do Núcleo de Controle de Doenças Imunopreviníveis, Ana Luiza Grisoto, ao longo do tempo as pessoas vão perdendo a imunidade da vacina e os adultos acabam contaminando as crianças – os mais atingidos são os bebês menores de 1 ano, que ainda não estão com o calendário vacinal completo.
“A transmissão é pelo contato direto, então a própria mãe pode passar para o filho. No adulto, os sintomas são mais leves e às vezes passam despercebidos, mas no bebê, eles são muito mais severos”, disse a gerente.
Por isso, o Ministério da Saúde quer incluir no calendário nacional aa vacina tríplice acelular (DTPa). A previsão é que ela esteja disponível até o final deste ano para gestantes, preferencialmente a partir da 27ª semana de gestação. O objetivo é reduzir a transmissão da coqueluche entre recém-nascidos e garantir proteção indireta nos primeiros meses de vida.
A coqueluche é uma doença infecciosa aguda, transmitida pelo contato direto de pessoa doente, através de gotículas de secreção eliminadas por tosse, espirro ou ao falar. Compromete especificamente o aparelho respiratório (traqueia e brônquios) e se caracteriza por acessos de tosse seca. (Fonte: Agência Brasil)
OMS declara epidemia de ebola uma emergência de saúde internacional
A epidemia de ebola que assola a África Ocidental agora constitui um risco para a saúde internacional, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Essa epidemia, que é o pior surto do vírus da história, já tomou a vida de 961 pessoas, sendo que 1.779 foram infectadas, segundo estima a última atualização da OMS. “A resposta internacional coordenada é considerada essencial para parar e reverter a propagação internacional do ebola”, disse a OMS em um comunicado na última sexta-feira (8). Apesar de todos os países com transmissão de ebola – até agora Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa – declararem emergência nacional, não deve haver nenhuma proibição geral de viagens ou de comércio internacional.
Prevenção
O ebola não tem cura comprovada e não há vacina para prevenir a infecção, de forma que o tratamento se concentra em aliviar os sintomas como febre, vômitos e diarreia, que podem contribuir para desidratação grave.
Keiji Fukuda, diretor de segurança sanitária da OMS, destacou que, com as medidas certas para lidar com pessoas infectadas, a propagação do vírus – que é transmitido através do contato direto com fluidos corporais – poderia ser interrompida. “Esta não é uma doença misteriosa. Esta é uma doença infecciosa que pode ser contida. Não é um vírus que se espalha pelo ar”, explica.
Fukuda disse que é importante que qualquer pessoa com ebola seja imediatamente tratada e mantida em isolamento por um mês. “Com base em estudos científicos, as pessoas que têm a infecção podem disseminar o vírus por até 30 dias”, disse.
Dificuldades
Segundo a OMS, em parte, o surto ainda não foi contido por causa da fraqueza dos sistemas de saúde nos países atualmente afetados, que não têm recursos humanos, financeiros e materiais para lidar com ele.
Até agora, as três medidas conhecidas para parar surtos de Ebola – controle de infecção hospitalar, conhecimento da comunidade sobre os riscos de infecção e rastreamento de afetados – parecem não ter sido suficientemente aplicadas.
“Se não nos unirmos em solidariedade global para ajudar esses países, eles vão regredir muitos anos”, disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS. Ela observou que as três nações mais atingidas apenas começaram a se reconstruir após “anos de conflitos e dificuldades”.
Uma forma de ajudar esses países é oferecer aos africanos uma droga experimental que foi usada para tratar dois voluntários de programas de caridade dos EUA infectados na Libéria. No último sábado (9), o missionário espanhol Miguel Pajares também recebeu a medicação no seu país.
A decisão de usar o medicamento experimental para curar americanos e europeus quando quase mil africanos já morreram gerou um debate ético. A OMS pediu que especialistas em ética médica avaliassem essa semana a possibilidade de usar a droga, chamada ZMapp, no oeste da África.
Vacina
A OMS também anunciou que pretende testar uma vacina contra o vírus a partir do próximo mês. Os primeiros testes clínicos devem ocorrer nos Estados Unidos em setembro.
Se os resultados forem positivos, a injeção pode estar disponível até 2015. [Reuters, Gizmodo, ZH, ZH2, Publico]
Perguntas e respostas sobre o Ebola
1 - O que é a doença causada pelo vírus Ebola?
A doença do vírus Ebola (anteriormente conhecida como febre hemorrágica Ebola) é uma doença grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. A doença afeta os seres humanos e primatas não-humanos (macacos, gorilas e chimpanzés).
O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos: um em uma aldeia perto do rio Ebola, na República Democrática do Congo, e outro em uma área remota do Sudão. A origem do vírus é desconhecida, mas os morcegos frugívoros (Pteropodidae) são considerados os hospedeiros prováveis do vírus Ebola.
2 - Como as pessoas são infectadas com o vírus?
O Ebola é introduzido na população humana por meio de contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de animais infectados. Na África, os surtos provavelmente originam-se quando pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes florestais e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos ou na floresta.
3 - O vírus Ebola passa de pessoa para pessoa?
Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem Ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas. A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas.
A infecção também pode ocorrer se a pele ou membranas mucosas de uma pessoa saudável entrarem em contato com objetos contaminados com fluidos infecciosos de um paciente com Ebola, como roupa suja, roupa de cama ou agulhas usadas. Cerimônias fúnebres em que os enlutados têm contato direto com o corpo da pessoa falecida, como é comum em comunidades rurais de alguns países africanos, também podem desempenhar um papel importante na transmissão do Ebola. Pessoas que morreram de Ebola devem ser manipuladas apenas por quem esteja usando roupas de proteção e luvas. O corpo deve ser enterrado imediatamente.
O vírus Ebola não é transmitido pelo ar.
4 - Quais os riscos para os profissionais de saúde que cuidam dos doentes?
Os profissionais de saúde têm sido frequentemente expostos ao vírus ao cuidar de pacientes com Ebola na África. Isso acontece quando eles não usam adequadamente equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras. Os profissionais de saúde devem seguir rigorosamente as precauções de controle de infecção recomendados. Além dos cuidados usuais, os trabalhadores de saúde devem aplicar estritamente as medidas de controle de infecção recomendadas para evitar a exposição a sangue infectado, fluidos ou ambientes ou objetos contaminados - como a roupa suja de um paciente ou agulhas usadas:
· devem usar equipamentos de proteção individual, tais como aventais, luvas, máscaras e óculos de proteção ou protetores faciais;
· não devem reutilizar equipamentos ou roupas de proteção, a menos que tenham sido devidamente desinfectados;
· devem trocar as luvas ao passar de um paciente para outro.
Procedimentos invasivos que podem expor os médicos, enfermeiros e outros à infecção devem ser realizados sob estritas condições de segurança. Os pacientes infectados devem ser mantidos separados dos outros pacientes e pessoas saudáveis tanto quanto possível.
A dificuldade de manter esses padrões adequados nos serviços de saúde dos países africanos acometidos tem propiciado a infecção em profissionais de saúde.
5 - Quando uma pessoa passa a transmitir o vírus a outra?
O período em que a pessoa infectada pode transmitir só inicia após o surgimento dos sintomas. Durante o período de incubação, a pessoa não transmite o Ebola. As pessoas podem infectar outras enquanto seu sangue e secreções contiverem o vírus. Por esta razão, os pacientes infectados têm que ser cercados de cuidados específicos para evitar que profissionais de saúde ou parentes e amigos que os visitam no hospital entrem em contato com o sangue e secreções.
6 - Quem corre mais risco?
Durante um surto, como o que agora ocorre na Libéria, Serra Leoa e Guiné, as pessoas com maior risco de infecção são:
· profissionais de saúde que atendem pacientes sem que as medidas de proteção estejam adotadas;
· membros da família ou outras pessoas que têm contato próximo com as pessoas infectadas;
· pessoas que têm contato direto com os corpos dos mortos como parte de cerimônias fúnebres; e
· caçadores que entram em contato com animais mortos encontrados na floresta.
7 - Quais são os sinais e sintomas do Ebola?
O Ebola produz uma doença grave. O início súbito de febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta são os sinais e sintomas típicos. Isto é seguido por vômitos, diarreia, disfunção hepática, erupção cutânea, insuficiência renal e, em alguns casos, hemorragia tanto interna como externa. O período de incubação, ou o intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas, pode variar de dois até 21 dias. Os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando começam a apresentar os sintomas. Eles não são contagiosos durante o período de incubação. A confirmação dos casos de Ebola é feita por exames laboratoriais específicos.
8 - Qual é o tratamento?
Não há tratamento específico que cure o Ebola. Alguns tratamentos experimentais têm sido testados, mas ainda não estão disponíveis para uso geral. Os pacientes de Ebola requerem tratamento de suporte intensivo, realizado em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Eles geralmente ficam desidratados e precisam de fluidos intravenosos ou de reidratação oral com soluções que contenham eletrólitos. Alguns pacientes podem se recuperar se receberem tratamento médico adequado. Para ajudar a controlar a propagação do vírus, as pessoas suspeitas ou confirmadas de ter a doença devem ser isoladas de outros pacientes e tratadas por profissionais de saúde usando equipamentos de proteção.
9 - Como prevenir a infecção pelo Ebola?
Atualmente não há nenhuma vacina para a doença do vírus Ebola. Várias vacinas estão sendo testadas, mas nenhuma delas está disponível para uso clínico no momento. Nos países onde existe transmissão do Ebola, a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas doentes ou com o corpo de pessoas falecidas em decorrência dessa doença, durante rituais de velório.
10 - É seguro viajar durante um surto?
A Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições de viagens para os países que apresentam transmissão porque o risco de infecção para os viajantes é muito baixo, já que a transmissão de pessoa a pessoa só se dá com o contato direto com os fluidos corporais ou secreções de um paciente infectado. Além disso, a transmissão ocorre, principalmente, em vilas e povoados de áreas rurais. Pessoas que viajam a trabalho para as capitais ou cidades desses países devem evitar qualquer contato com animais ou com pessoas doentes. Os profissionais de saúde que viajam para as áreas com transmissão, nesses países, devem seguir estritamente as medidas recomendadas pela OMS para o controle da infecção. Os brasileiros que residem nos países onde há transmissão do Ebola (Libéria, Serra Leoa e Guiné) devem evitar deslocamentos para as áreas rurais e vilas onde estão ocorrendo os casos, ficar alerta às informações e recomendações prestadas pelos Ministérios da Saúde desses países e evitar contato com animais ou pessoas doentes.
11. É possível termos casos de Ebola no Brasil?
Pelas características da infecção pelo Ebola, a possibilidade de ocorrer uma disseminação global do vírus é muito baixa. Desde sua descoberta em 1976, o vírus tem produzido, ocasionalmente, surtos em um ou mais países africanos, sempre muito graves pela alta letalidade, mas, autolimitados. A seriedade do atual surto é a sua extensão, atingindo três países e a demora em se atingir seu controle. Isso ocorre pela precariedade dos serviços de saúde nas áreas em que ocorre a transmissão, que não dispõem de equipamentos básicos de proteção aos profissionais de saúde e aos demais pacientes, bem como pelas práticas e tradições culturais de manter pacientes em casa, inclusive escondendo sua condição das autoridades sanitárias, e a realização de rituais de velórios em que os parentes e amigos têm bastante contato com o corpo do falecido.
No Brasil, não há circulação natural do vírus Ebola em animais silvestres, como em várias regiões da África.
12 - Como é feita a detecção de casos?
Como o período de transmissibilidade só começa depois que a pessoa inicia os sintomas e como todo caso de Ebola produz sintomas fortes que exigem que o doente procure um serviço de saúde, a detecção de casos pode ser feita oportunamente em locais com serviços de saúde e sistemas de vigilância estruturados, facilitando a interrupção da transmissão. Se uma pessoa vier de um país onde ocorre transmissão e apresentar a doença durante a viagem, a equipe de bordo aplica as normas internacionais vigentes, visando a proteção dos demais passageiros e informa às autoridades sanitárias do aeroporto ou porto de destino para a remoção e transporte do paciente ao hospital de referência, em condições adequadas.
13 - O que fazer se um viajante proveniente desses países africanos apresentar sintomas já no nosso país?
No caso de o viajante realizar o deslocamento durante o período de incubação, no qual a infecção ainda é indetectável, e só apresentar os sintomas da doença depois da chegada ao país, o serviço de saúde que for procurado por esse paciente deverá notificar imediatamente o caso para a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A partir da identificação de que se trata de um caso suspeito, já são adotadas as medidas para proteção dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao caso, bem como para evitar que a infecção seja transmitida para outras pessoas.
O Ministério da Saúde recebe informações diárias da OMS para avaliar a situação do surto de Ebola na África ocidental e recomendar as medidas adequadas para a proteção de nosso país. Agência Saúde
Casos de dengue e Chikungunya na VE mobilizam coordenações em RR
Diante das confirmações de epidemia de dengue em oitos estados da Venezuela e 30 casos de febre chikungunya, Roraima está em alerta devido questões geográficas. Os dados foram divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS).
O gerente do Núcleo Estadual de Controle de Febre Amarela e Dengue, Joel Lima, informou que a Venezuela está muito próxima do Brasil, e é comum o trânsito de famílias roraimenses para o país vizinho, por questões turísticas, comerciais e outros motivos de viagem. “Por isso, essa realidade nos deixa na condição de alerta, já que não podemos descartar a possibilidade de transmissão das referidas doenças”, disse.
Ele explicou que atualmente circulam na Venezuela os quatro sorotipos de Dengue. “Por conta dessa realidade no país vizinho, não descartamos a possibilidade de reintrodução do vírus tipo 3 no estado, uma vez que os últimos registros do vírus foram em 2008, e de 2009 até o momento, nasceram mais de 53 mil crianças, e elas estão suscetíveis à contaminação pelo vírus tipo 3, além dos adultos que não foram infectados pelo dengue tipo 3, até 2008, quando foi registrada o fim de circulação. É importante dizer que cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. Ou seja, na vida, a pessoa só pode ter dengue quatro vezes”, esclareceu.
Além da dengue, a gerência estadual se preocupa ainda com a possibilidade de introdução do vírus Chikungunya, por conta dos 30 casos confirmados no país vizinho. “São pessoas que foram infectadas e adoeceram dentro do próprio país, ou seja, não se trata de casos importados. Por isso, com a proximidade com a Venezuela nos deixa em um estado de monitoramento”, complementou.
Histórico – Roraima já registrou a circulação dos 4 sorotipos, em momentos diferentes. Na década de 80, circularam os sorotipos 1 e 4; na década de 90, houve registro dos sorotipos 1, 2 e 3. Em 2010, foi confirmada a reintrodução do sorotipo 4 e permanência dos vírus circulantes 1 e 2, período em que o estado enfrentou uma epidemia com o registro de mais de 11 mil notificações.
Nos últimos anos, a dengue vem apresentando um quadro de controle e redução dos casos. O número notificações no primeiro semestre deste ano é 40% menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior. São 735 notificações contra 1.233 no mesmo período de 2013. Quanto aos casos confirmados, foram 42 até o mês de maio, contra 326 no mesmo período do ano anterior.
Prevenção – O Núcleo Estadual de Controle de Febre Amarela e Dengue orienta os cuidados que a serem seguidos, entre eles, se puder evitar viagens ao país vizinho, e se proteger ao máximo com repelentes. Nos casos de viagem, pulverizar os quartos durante a estadia na Venezuela, se tiver mosquiteiro utilizar com frequência, e ao retornar ficar atento a possíveis sinais, como dor de cabeça, dor no corpo e febre.
Se isso ocorrer, procurar uma unidade de saúde mais próxima e informar que esteve na Venezuela ou em outro país. “No momento, a primeira iniciativa que deve ser adotada é a precaução, de forma que a população mantenha medidas de controle, que são as mesmas, no que se refere a prevenção e tratamento da dengue e chikungunya, uma vez que a forma de transmissão é a mesma, pelo mosquito Aedes Aegypti”, finalizou Joel Lima. (Fonte: G1)
Brasil doará R$ 1 milhão à OMS para ajuda no combate ao ebola
O Brasil doará R$ 1 milhão à Organização Mundial da Saúde (OMS) para ajudar no combate ao surto de ebola na África Ocidental, anunciou nesta sexta-feira o ministro da Saúde, Arthur Chioro.
O país sul-americano também enviará 15 toneladas de remédios e material médico aos três principais países afetados, Guiné, Serra Leoa e Libéria, informou Chioro.
Apesar de a OMS ter declarado hoje o surto de ebola na África Ocidental como uma emergência pública sanitária internacional, o Ministério da Saúde considerou “improvável” que o vírus chegue ao Brasil e afirmou que não há risco de transmissão no país neste momento.
No entanto, o Ministério da Saúde elevou de zero a dois o nível de ativação do Centro de Operações de Emergências, que atuará caso se confirme a chegada de alguma pessoa infectada pelo vírus ebola.
Os pacientes cuja contaminação for detectada serão transferidos diretamente ao hospital de referência de cada estado através de equipes do Sistema de Atendimento Médico de Urgências (Samu).
Chioro insistiu que o governo vigia os aeroportos e portos do país para tentar identificar possíveis casos de ebola para impedir a chegada da doença ao país.
O Brasil não restringiu as viagens, mas recomendou que os brasileiros não se desloquem para áreas rurais nos países de risco.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, comentou que o governo buscará fora do país qualquer cidadão que possa estar infectado pela doença.
A partir de amanhã, sábado, o governo divulgará nos aeroportos internacionais brasileiros mensagens para que os passageiros vindos do exterior que apresentem sintomas de febre hemorrágica busquem imediatamente um posto de saúde. (Fonte: Info Online)
Salve as baleias, salve a Terra!
Ao longo de mil anos de caça generalizada às grandes baleias, os seres humanos eliminaram entre dois terços e 90% das grandes populações destes animais. A biomassa total de baleias do planeta pode ter sido reduzida em até 85%. Algumas espécies se saíram pior do que outras: as baleias azuis, os maiores animais que habitam a Terra atualmente, foram reduzidas a apenas 1% de seus números históricos no hemisfério sul.
Fora a óbvia loucura dessa matança desenfreada, assassinar tantas baleias pode ser um erro ecológico que vai custar caro, inclusive para a sobrevivência do ser humano e do próprio planeta como nós o conhecemos. Com a diminuição do número de baleias, todo o ecossistema oceânico sofre alterações – uma das mais importantes dessas mudanças foi a diminuição na retenção de carbono. Sem as baleias para equilibrar o sistema de diversas maneiras diferentes, o carbono que ficava lá no fundo do mar subiu para a atmosfera.Em um artigo recente na revista Frontiers in Ecology and Enviroment, o economista ecológico Joe Roman e alguns colegas descreveram quatro comportamentos básicos das baleias que são vitais para a saúde dos oceanos e para o futuro da nossa Terra cada vez mais quente, que foram desaparecendo conforme esses animais também foram.A boa notícia é que, segundo o estudo, a caça às baleias está diminuindo e as populações dos grandes cetáceos estão lentamente se recuperando.
Baleias são predadoras
O fato das baleias consumirem toneladas – literalmente – de alimentos ajuda a manter o carbono sob o oceano, em vez de deixar que ele chegue na atmosfera, onde lentamente cozinha a Terra, produzindo o famoso efeito estufa.
Isso porque a quantidade de alimentos necessária para permitir que apenas uma baleia azul sobreviva é o suficiente para alimentar sete baleias Minke ou 1.500 pinguins. Na verdade, quando o número de baleias diminuiu, outras espécies, como pinguins e focas antárticas, tiveram um grande crescimento populacional, já que havia de repente muito mais comida para eles comerem. Mas, apesar da capacidade de 1.500 pinguins de comer a mesma comida que uma única baleia azul, sua biomassa equivale a apenas 8% da baleia. A maior biomassa das baleias azuis permite que os ecossistemas marinhos armazenem mais carbono simplesmente porque estes animais – e suas carcaças, quando eles morrem – são maiores. Em outras palavras, pela mesma quantidade de comida, as grandes baleias permitem que os oceanos retenham uma quantidade maior de carbono do que animais menores jamais poderiam fazer.
Baleias são presas
Baleias são grandes, e as grandes baleias, como a baleia azul e a cachalote, são maiores ainda, mas isso não lhes fornece proteção contra todos os predadores. Por elas serem tão grandes, uma única baleia representa uma recompensa em energia e recursos para qualquer criatura grande, poderosa ou teimosa o suficiente para caçá-las.
Os fósseis fornecem evidências de que o antigo (e extinto) tubarão megalodonte caçava as grandes baleias, e ambos os relatos históricos e modernos verificam que as orcas fazem o mesmo. A alta frequência de arranhões e marcas da maioria das espécies de baleias grandes afirmam uma longa e generalizada utilização de baleias como presas.
Quando as baleias assassinas foram forçadas a encontrar outras fontes de energia, muitas se voltaram para mamíferos marinhos menores, como focas, leões marinhos e lontras marinhas. A diminuição de lontras do mar fez com que sua principal fonte de alimento, os ouriços do mar, de repente ficassem sem uma pressão de predação significativa. Logo, as populações de ouriço do mar no Oceano Pacífico norte floresceram e, como resultado, as florestas de algas que eles usam como alimento começaram a declinar.
O declínio das florestas de algas não só mudou substancialmente os ecossistemas locais, tanto em termos de biodiversidade e biomassa, mas também reduziu a capacidade dos ecossistemas marinhos de manter carbono. Assim como florestas terrestres, florestas de algas são um importante reservatório de carbono, um modo pelo qual ele pode ser sequestrado e ficar longe da atmosfera.
Baleias vão ao banheiro
Todo mundo faz isso, mas baleias fazem para valer. As baleias e outros mamíferos marinhos encontram comida nas profundezas dos oceanos – cachalotes mergulham nos mais sombrios e profundos mares para encontrar lulas -, mas, em seguida, retornam à superfície para ejetar seus resíduos, liberando grandes quantidades de nitrogênio e ferro na água por meio de plumas fecais. Isso permite o crescimento de fitoplâncton perto da superfície do mar. Eventualmente, esses fitoplânctons afundam, transferindo pelo menos 200 mil toneladas de carbono por ano da atmosfera para o fundo do mar.
Baleias não percorrem apenas grandes distâncias em profundidade; elas também migram horizontalmente em toda a superfície do planeta. As baleias de barbatana têm algumas das maiores migrações no mundo, movendo-se entre a alimentação em altas latitudes ao parto em latitudes mais baixas. Durante a lactação, as fêmeas liberam todo o nitrogênio que elas têm armazenado em sua gordura corporal enquanto ele é queimado para manter a sua energia. Assim, de acordo com uma estimativa, baleias azuis transportam 88 toneladas de nitrogênio por ano a partir de suas áreas de alimentação de alta latitude perto do Alasca ou Antártida até os trópicos, onde elas dão à luz a seus filhotes.
Antes da caça comercial começar, esse número teria estado mais perto de 24 mil toneladas de nitrogênio. Isso permitiria o crescimento de mais fitoplâncton, o que teria fornecido o sequestro de um adicional de 140 mil toneladas de carbono por ano.
Roman chama a transferência de nutrientes e produtos químicos através das baleias de “bomba de baleia” e “grande cinturão de transporte das baleias”, para descrever os processos verticais e horizontais, respectivamente. Com a recuperação das populações de baleias, escreve ele, esses processos podem permitir que os nossos oceanos comecem lentamente a agir como o grande reservatório de carbono da Terra, mais uma vez.
As baleias são meras mortais
As baleias podem ser criaturas magníficas, mas acabam morrendo. Uma vez que elas são feitas principalmente de proteínas e lipídios, baleias mortas fornecem pequenos banquetes para moradores das profundezas, um lugar que é em grande parte desprovido de nutrientes e energia. Depois que uma baleia cinzenta de 40 toneladas tem o seu último suspiro, ela afunda silenciosamente, trazendo cerca de 2 milhões de gramas de carbono junto com ela. Ao todo, a morte natural de baleias atualmente transfere cerca de 190 mil toneladas de carbono por ano da atmosfera para o fundo do mar.
Mas isso é uma estimativa baseada em populações de baleias de hoje, que só agora começaram a se recuperar. Se grandes populações de baleias forem restauradas a seus tamanhos pré-caça, o aumento da exportação de carbono seria “comparável em magnitude aos hipotéticos projetos destinados a mitigar a mudança climática”, afirma Romano. A conservação das baleias teria o mesmo efeito, em termos de sequestro de carbono, que realizar o projeto de fertilização do oceano com ferro e nitrogênio, que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) descreveu em 2007 como “especulativo” e “sem um quadro institucional claro para a implementação”.
E isso importa?
Baleias oferecem mais serviços ao ecossistema além do seu papel na transferência global de carbono. Na verdade, Roman e seus colegas reconhecem que a contribuição de baleias para fluxos globais de carbono é de fato relativamente pequena em comparação com outros processos. Ainda assim, um esforço contínuo para a conservação das baleias “pode ajudar a amortecer os ecossistemas marinhos de tensões desestabilizadoras”, diz ele.
Quando você remove grandes predadores em massa de seus habitats, coisas ruins tendem a acontecer. Quando os lobos foram expulsos de Yellowstone, nos EUA, a população de alces explodiu porque eles já não eram suprimidos pelos seus caçadores naturais. Mas mais alces fez com que as plantas que eles comiam ficassem escassas – ninguém pensou em plantar mais alimento quando expulsou os lobos. E os ursos, castores e bisões, que comiam muitas das mesmas plantas que o alce, de repente se viram sem comida suficiente. Todo o ecossistema de Yellowstone mudou.
Quando os lobos foram reintroduzidos, a cadeia alimentar começou a se estabelecer em seu antigo equilíbrio. A população de alces foi mantida em xeque. O número de castores e bisões aumentou. Os lobos, que já foram vistos como animais que apenas causavam incômodo, começaram a ser encarados por ambientalistas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas como parte fundamental do meio ambiente local.
Da mesma forma, o comércio pensa nas baleias como grandes fontes para se ganhar dinheiro. A partir da caça de grandes baleias são extraídos carne, óleo, barbatanas e espermacete, uma substância cerosa encontrada na cabeça dos cachalotes, usada em velas, pomadas e como lubrificante.
Mas, agora, elas estão se tornando cada vez mais reconhecidas pelos serviços que prestam ao ecossistema. Só agora cientistas começam a quantificar empiricamente o quanto as baleias são importantes para a saúde dos ecossistemas oceânicos. Esperamos que isso sirva para mudar a atitude dos humanos em relação a elas. [Io9]
domingo, 10 de agosto de 2014
Projetos buscam otimizar uso da água na agricultura
Visando a economia de água, três pesquisas do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, buscam formas de reduzir sua utilização nas atividades agrícolas. Para a irrigação, a equipe do professor professor Tarlei Arriel Botrel desenvolveu um microtubo de comprimento variável. Outro estudo, realizado por Luiz Fernando Novello, especialista em gerenciamento ambiental e funcionário do Departamento, testou a viabilidade da captação de água das chuvas nos edificios do campus de Piracicba. Os riscos das variações climáticas para o futuro da produção de cana-de-açúcar são pesquisados pela pós-graduanda Helena Maria Soares Pinto, orientada pelo professor Fabio Marin.
O microtubo de comprimento variável, acessível ao produtor e já aplicado em várias culturas, permite que a vazão de água no momento da irrigação por gotejamento seja uniforme em cada parte do terreno, independente do desnível ou da perda da pressão por conta da energia de atrito durante a passagem da água dentro do tubo. “A vazão uniforme se dá porque, para cada necessidade, o microtubo tem seu comprimento ajustado. Adaptando cada planta a um microtubo diferente, mesmo com a variação da pressão devido a algum desnível, todas as partes do terreno recebem a mesma quantidade de água. Essa é a maneira que encontramos para manter uma irrigação uniforme”, explica Botrel.
Além da economia de água, o baixo custo também é um benefício. “O microtubo é mais fácil de adquirir e de construir do que o gotejador tradicional. Então temos a economia de água aliada à redução de custos”, acrescenta Botrel. Luiz Fernando Novello, especialista em gerenciamento ambiental e funcionário do Departamento de Engenharia de Biossistemas, realizou uma pesquisa abrangendo o campus Luiz de Queiroz da USP, em Piracicaba, para avaliar o potencial da captação de água de chuva para fins não potáveis no período de outubro de 2013 a março de 2014. Observando o tamanho significativo da maioria dos telhados dos prédios do campus, o objetivo foi identificar o quanto estas coberturas — em teoria — seriam capazes de captar água da chuva.
Segundo Novello, para chegar ao resultado, foi necessário avaliar três fatores — a área de captação, a precipitação local e a demanda dessa água de chuva. “Minha demanda por água foi a de fins não potáveis, que são as utilizadas em vasos sanitários, mictórios, irrigação de jardim, lavagem de calçada, tratores, maquinários agrícolas e irrigação de pequenas estufas, e também na parte de laboratórios, para fins de uso em destiladores”, explica.
Captação
Para avaliar a área de captação, o especialista utilizou as plantas baixas de vários prédios do campus. Para avaliar a precipitação, Novello fez levantamento estatístico dos dados do posto meteorológico da Esalq. “Trabalhei com estes dados para determinar a probabilidade de menor ocorrência de chuva em cada mês”, conta. Posterior às análises, Novello concluiu que a captação de água e seu uso no campus era possível. “Durante o período estudado utilizei 38% dos prédios da Esalq somados com 100% dos prédios do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena). No total, a área analisada captaria 40% do consumo de água da Esalq referente ao período de outubro a março”, afirma. O especialista diz ainda que, no caso do Cena, por serem edificações mais próximas e maiores, no período chuvoso a água armazenada lá corresponderia a 90% do consumo de água não potável total da instituição.
No trabalho também foi sugerido que as próximas edificações da Esalq sejam construídas pensando na coleta de água de chuva. “A Esalq gera conhecimento e difunde. Esta ação em relação a água de chuva seria um exemplo a ser seguido por outras instituições, assim como pela população”. Em contrapartida, para uso residencial, Novello faz a ressalva de que o aproveitamento só é viável em residências se houver demanda por água não potável, a não ser que seja feito um tratamento na água para consumo em outras finalidades. “Aqui na Esalq, essa demanda já existe, e os benefícios ambientais e financeiros também foram comprovados por meio da pesquisa”, conclui.
Orientada pelo professor Fabio Marin, Helena Maria Soares Pinto está desenvolvendo, em sua dissertação no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Sistemas Agrícolas, uma pesquisa sobre os riscos da produção de cana-de-açúcar no estado de São Paulo no futuro, baseando-se em variações climáticas. “O foco da pesquisa é identificar o risco da produção no futuro, comparando modelos de projeção para garantir mais clareza nos resultados”, explica.
Helena conta que para simular a produção de cana-de-açúcar no período entre 2040 e 2070, precisou levantar uma série de informações. “É uma simulação por meio de softwares que são alimentados por banco de dados sobre clima, solo e genética do cultivo. Todas essas informações são do período de 1980 a 2010, e funcionam como parâmetro para o futuro”. Segundo a pesquisadora, os dados climáticos necessários são sobre a chuva, precipitação máxima e mínima e radiação. “Esse é um dos principais entraves da minha dissertação porque dados climáticos de séries longas são complicados de serem encontrados. No estado de São Paulo, apenas 10 municípios possuem dados climáticos de qualidade”.
Segundo a mestranda, foram utilizados dois simuladores — o DSSAT, desenvolvido na África do Sul e o APSIN, desenvolvido na Austrália. Helena conta que cada software apresenta uma variação nas projeções em relação aos dados climáticos fornecidos como parâmetro. “Trabalhar com projeções climáticas em um curto período já é algo complicado. Em relação a um longo período existem muitas variações e, quando trabalhamos com mais de um simulador, é possível obter mais certeza sobre os resultados”. Entre os resultados fornecidos pelos simuladores estão a produtividade, a massa seca e biomassa da cana-de-açúcar.
Até o presente momento, o estudo aponta um futuro parcialmente positivo para a cana-de-açúcar. “Os próximos 30 anos serão de produtividade para a cana-de-açúcar por conta do aumento de gás carbônico na região, que é um importante insumo para o cultivo. Em contra partida, as condições climáticas gerais apontadas revelaram até agora um aumento na temperatura média de 1,8º a 3,6º, o que indica déficit hídrico, por aumento da temperatura e diminuição da chuva”, conclui.
* Publicado originalmente no site Agência USP.
10 números assustadores que revelam o descaso do Brasil com o lixo
Terminou no último sábado, 2 de agosto, o prazo para que o Brasil encerrasse o descarte irregular de lixo, conforme determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010. Mas o cenário de gestão de resíduos pouco se alterou nestes quatro anos.
Em 2013, o país gerou 76 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Quase metade disso foi parar em lixões ou em aterros de baixa segurança, colocando em risco a saúde do meio ambiente e da população. Pior, quase 10% de todos os resíduos que produzimos no ano passado sequer foi coletado pelos municípios, sendo lançado em rios e áreas clandestinas.
A política do laissez-faire com relação ao manejo do lixo resulta em situações como a que deixou atônita a população da região de Salto, em Sorocaba, na semana passada. Por conta da estiagem severa, o Rio Tietê, que corta o centro da cidade, transformou-se num fio de água e expôs toneladas de lixo acumulado ao longo de décadas.
Exame.com listou 10 números que mostram como o Brasil ainda cuida muito mal do seu lixo. Os dados são do novo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2013. O estudo anual foi lançado nesta semana pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
informações do Exame.com.
‘Cratera do fim do mundo’ alerta para efeitos da mudança climática
A conhecida “cratera do fim do mundo”, que se formou no norte da Sibéria e cuja imagem atraiu mais de 9 milhões de visitas no YouTube, não é única e é um fenômeno natural que corrobora a mudança climática, segundo os cientistas.
“A cratera confirma que a mudança climática é real. O extraordinário é que este fenômeno, à vista natural, tenha ocorrido em um espaço de tempo tão curto, perante nossos olhos”, comentou à Agência Efe Leonid Rijvanov, doutor em Geologia pela Universidade de Tomsk.
Normalmente, os fenômenos geológicos são resultado de processos de centenas ou milhares de anos, mas os “buracos negros”, como também são conhecidas as crateras aparecidas na península de Jamal (que significa “Fim da Terra” em língua aborígine) são relativamente recentes.
“São consequência direta do aquecimento de nosso planeta, que provoca o derretimento dos gelo perpétuos que cobrem a tundra siberiana. Porém não é algo catastrófico, já que a Sibéria é um lugar muito sensível às mudanças”, afirmou.
Rijvanov lembrou que o gelo contém gás e, quando se reduz a espessura da superfície gelada, esse gás sai disparado como se tratasse de fumarolas nas zonas vulcânicas e cria esses buracos com formas tão perfeitas, que parecem feitas pelo homem, por extraterrestres ou um meteorito, como se comenta nas redes sociais.
A famosa cratera, que se encontra a cerca de 30 quilômetros da cidade de Bovanenkovo, cativou especialistas e neófitos por seu tamanho – mais de 60 metros de diâmetro e 20 de grossura em sua boca.
O fato de que perto do buraco se encontre uma das maiores jazidas de petróleo e gás da Rússia, e que seu operador seja a gigante Gazprom inquietou os ecologistas, mas a passagem dos dias parece ter acalmado os ânimos dos mais exaltados.
Uma das primeiras a chegar à região em helicóptero no dia 17 de julho foi a geóloga Marina Leibman, da Academia de Ciências da Rússia, que ficou ‘impressionada’ com a perfeição da cratera.
“Não há rastro de que algo possa ter caído do céu ou de uma explosão. O que vimos ao redor é uma tundra absolutamente virgem. Não vimos sinais de presença humana, nem lixo e nem sequer rastros de pastores de renas”, disse.
“Se aproximar é perigoso, já que o gelo que forma as bordas da cratera derrete continuamente e a superfície contígua é extremamente escorregadia”, relatou a geóloga.
Um operador que a acompanhava conseguiu fazer um vídeo com a ajuda de uma corda, mas após 50 metros de descida nem sequer tinha alcançado o fundo do buraco, que supostamente está coberto de água.
“De maneira preliminar, se pode dizer que na cratera há uma concentração mais alta que o normal de metano, mas em um máximo de 9,8%, por isso que é muito inflamável. E os níveis de radiação também eram normais”, detalhou Leibman.
Quanto às hipóteses, Leibman descarta terminantemente que o buraco tenha sido provocado por um rio subterrâneo e vincula o fenômeno com o aquecimento dos últimos anos, em particular em 2012.
“O aquecimento pode ter provocado a libertação de maiores volumes de gás. As mudanças de temperatura na superfície terrestre não estão sincronizadas com as do ar”, explicou.
A cientista acredita que quando essa camada de 80% de gelo perpétuo esteve mais perto da superfície do que o habitual, devido ao aquecimento, surgiu esse intrigante buraco.
“Como a superfície é quase impermeável, a pressão do gás aumentou e nessa situação pôde ter ocorrido um vazamento”, declarou.
Os especialistas lembraram que a temperatura do gelo perpétuo siberiano é de cerca de 10 graus abaixo de zero, enquanto o gás está a cerca de 30 graus centígrados, motivo pelo qual essa parece a versão mais factível do fenômeno aparentemente de ficção científica.
Na mesma região de Yamalo-Nenets foi encontrado outro desses buracos, embora seu diâmetro seja menor que o do anterior, 15 metros, e no fundo do mar de Barents existem centenas deles, segundo os especialistas.
A coordenadora do programa ártico do Greenpeace Rússia, Yevguenia Belakova, afirmou à Agência Efe que o metano tem um efeito estufa maior do que outros gases e que sua presença é outro fator que contribui em grande medida à mudança climática no Ártico.
No que todos estão de acordo é na necessidade de enviar uma expedição científica permanente para estudar a região – já que poderia haver “bolsas de gás”, que seriam muito perigosas se forem detectadas em zonas habitadas ou jazidas de hidrocarbonetos -, a fim de prever a formação destes buracos negros. (Fonte: G1)
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Ebola: OMS e Ministério da Saúde divergem quanto a riscos
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, disse que o surto do vírus ebola está se expandindo mais rapidamente do que os esforços para controlá-lo.
"Se a situação continuar a piorar, as consequências podem ser catastróficas em termos de perda de vidas e também socioeconômicos, e há riscos de propagação para outros países", alertou.
Segundo a diretora, este surto é de longe o maior da história de quase quatro décadas da doença, tanto em número de casos (1.323), quanto de mortes registradas (729).
A diretora da OMS adiantou que alguns países terão que impor restrições de locomoção e de reuniões públicas, dependendo da situação epidemiológica. Para ela, a reunião de hoje deve marcar um ponto de mudança na resposta ao surto. A OMS já havia anunciado apoio financeiro de US$100 milhões para combater o alastramento do ebola.
Margaret destacou que a doença está ocorrendo em áreas com maior movimento populacional, e tem demonstrado capacidade de se espalhar por meio de viagens aéreas. Casos estão ocorrendo em áreas rurais de difícil acesso, mas também em capitais densamente povoadas, disse a diretora.
Ebola no Brasil
Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, os fiscais de vigilância sanitária nos portos, aeroportos e fronteiras do Brasil estão treinados para identificar, caso chegue ao país, qualquer pessoa com suspeita de contágio pelo vírus ebola.
Ao contrário do alerta da diretora da OMS, no entanto, o ministro afirmou que não há recomendação específica nem risco de transmissão global do vírus: "Queremos insistir: não há recomendação e não há risco de transmissão global, segundo a Organização Mundial da Saúde [OMS]. Por enquanto, não há recomendação de restrição de viagens," disse o ministro.
O ministro disse que os brasileiros que viajam para os países afetados pela epidemia devem seguir todas as recomendações das autoridades locais, mas que não há, por enquanto, nenhuma orientação para a interrupção de viagens ou voos. "É importante que tomem os cuidados que chamamos de biossegurança: não entrar em contato com secreção, com vômito", defendeu.
Ebola em médicos e enfermeiros
Segundo a OMS, outra questão de grande preocupação é que o surto de ebola está afetando um grande número de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, um dos recursos mais importantes para conter um surto. Até o momento, mais de 60 profissionais de saúde morreram depois de trabalhar com pacientes infectados pelo vírus ebola.
Para Margaret Chan, apesar da inexistência de uma vacina ou terapia curativa, os surtos de ebola podem ser contidos com a detecção precoce e isolamento dos casos, com o rastreio dos infectados e procedimentos rigorosos de controle de infecção. Ela destacou que o início rápido do tratamento aumenta as chances de sobrevivência.
O vírus ebola é transmitido por contato direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados. Os principais sintomas são hemorragias, vômitos e diarreias. A taxa de mortalidade da doença varia entre 25 e 90%. Esta é a primeira vez que se identifica e se confirma uma epidemia de ebola na África Ocidental, até agora sempre registradas em países da África Central. Agência Brasil
Veículos do Samu terão medicamento para infarto
Tenecteplase
As ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passarão a contar com medicamentos trombolíticos, que podem diminuir em até 17% o número de mortes por infarto agudo do miocárdio.
O tenecteplase é um medicamento aplicado de forma muito simples. Mesmo assim, as equipes das ambulâncias receberão treinamento adicional para a tarefa.
"O infarto é a obstrução, o entupimento da artéria coronária, a artéria do coração. A partir do momento em que a artéria entope, o músculo do coração para de funcionar, o coração para de funcionar e a pessoa pode ter uma parada cardíaca. Com esse medicamento, o trombo se dissolve na hora, e o coração volta a ter circulação e não há parada cardíaca", explicou José Eduardo Fogolin Passos, do Ministério da Saúde.
Segundo ele, se o sistema de atendimento levar menos de uma hora para desobstruir a artéria do paciente, há 15% de risco de morte. Caso a desobstrução ocorra em até duas horas, o risco de morte pode dobrar.
Trombolítico
Estudos sugerem que cidades que usam esse medicamento no sistema móvel de atendimento podem reduzir em até 17% o número de mortes por infarto.
Quando o paciente escapa da morte depois de um infarto, ele ainda pode ficar com sequelas, como insuficiência cardíaca, devido à perda de um músculo cardíaco, situação que o trombolítico também pode evitar.
Todas as ambulâncias do Samu que tenham médicos, e até mesmo embarcações e o atendimento aéreo da rede pública de municípios que aderirem ao sistema receberão verba para comprar o medicamento.
Algumas prefeituras já usam o tenecteplase, mas, com a nova norma, o Ministério da Saúde passa financiar o medicamento.
O custo do medicamento para todo o Brasil está estimado em R$ 8,5 milhões anuais.Agência Brasil
Confirmado o primeiro caso de febre chikungunya em Goiás
Goiás confirmou o primeiro caso de febre chikungunya, doença viral semelhante à dengue. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse ao G1 que a paciente, com idade entre 35 e 40 anos, “ainda é monitorada, passa bem e não teve consequências graves da infecção”. Ela contraiu o vírus em viagem à República Dominicana.
Já o outro caso suspeito da doença em Goiás foi descartado. Segundo a SMS, a paciente de 34 anos, que também havia viajado à República Dominicana, foi diagnosticada com uma virose e não com o vírus chikungunya. Os dois casos foram avaliados pelo Instituo Evandro Chagas, localizado no Pará, que é referência neste tipo de exame.
Alerta – A enferma chegou a Goiânia em 1ª de julho, quando começou a sentir os sintomas da doença, como fortes dores de cabeça, prostração, diarreia, vômitos, febre alta e dor nas articulações, principalmente nos pés e nas mãos. Segundo Amorim, a paciente procurou a Secretaria Municipal de Saúde dois dias depois, após ler em jornais e sites de notícias sobre o primeiro caso suspeito de chikungunya no estado, que, agora, foi descartado.
Depois de a mulher procurar a secretaria, todos os procedimentos necessários foram tomados para que o vírus não fosse transmitido. Por isso, para a diretora de vigilância em saúde da SMS, Flúvia Amorim, não há risco de que alguma pessoa tenha sido infectada em Goiânia.
Mesmo assim, o órgão continua “em alerta”. Amorim orienta àqueles que viajarem a países da América Central ou da África e apresentarem sintomas parecidos com a dengue a procurar uma unidade de saúde. “Como os sintomas são praticamente os mesmos, o paciente pode fazer confusão entre chikungunya e dengue. A pessoa não deve se automedicar e precisa procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível e comunicar ao médico que se deslocou desses países”, orienta Flúvia.
Transmissão – O vírus da chikungunya é transmitido por duas espécies de mosquito, o Aedes aegypti, que também transmite a dengue, e o Aedes albopictus, que é encontrado na zona rural. A diretora em vigilância em saúde ressalta que ainda não há registro de pessoas infectadas no Brasil. Até o momento, as ocorrências se deram por casos de pessoas que viajaram para outros países e contraíram a doença.
Pesquisadores ainda não desenvolveram nenhuma vacina ou remédio para curar a enfermidade. O tratamento é paliativo, já que há apenas medicamentos para aliviar os sintomas. Uma vez que a pessoa é infectada pelo chikungunya e se recupera, ela se torna imune à doença. (Fonte: G1)
Mudança climática: o que o Brasil pode fazer já
Promover energias solar e eólica. Construir ferrovias e metrôs. Veja como multiplicam-se alternativas viáveis — desde que questionemos mito interesseiro da impotência social
Desde o início da hegemonia neoliberal, tornou-se um hábito justificar a continuidade da situação existente ou das políticas em curso pela ideia de que “não há alternativa”. É uma ideia que não precisa de provas: é afirmada como um dogma de fé. No entanto, em nenhum período da história este fenômeno – a falta de alternativas – aconteceu. O Império Romano caiu, a Idade Média acabou, o III Reich – “de mil anos” – foi derrotado, as próprias teses neoliberais ruíram com a crise mundial de 2008.
Todos se lembram da famosa afirmação, repetida por todos os governos e ideólogos até a eclosão da crise, de que o Estado não tinha mais recursos para os gastos com saúde, educação, aposentadoria, etc. No entanto, quando os grandes bancos e multinacionais quebraram, foi o Estado que os salvou, com os recursos que, supostamente, não existiam. Descobrimos, na ocasião, que estes recursos eram muito maiores do que qualquer um de nós, leigo, poderia imaginar: trilhões de dólares públicos foram usados para salvar instituições privadas, as mesmas que haviam causado a crise.
Traduzindo: há sempre alternativas. Os que negam sua possibilidade são aqueles que ganham com a continuidade do que já existe.
O mesmo se pode dizer da atual crise ecológica. As pessoas comuns sabem que estamos vivendo uma situação extremamente grave, que não tínhamos antes: sabem-no através dos jornais – falados, escritos, televisados – e também por experiência própria, em razão dos eventos extremos que têm nos atingido. Desde chuvas e inundações extraordinárias, capazes de destruir cidades inteiras, até secas prolongadas, inclusive na Amazônia, assim como longos períodos de temperaturas fora do comum.
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês), constituído por 2.500 cientistas de todo o mundo, tem nos advertido repetidamente, com dados cada vez mais precisos, de que a humanidade está caminhando para o desastre – se não tomarmos logo providências, se não mudarmos o modelo de desenvolvimento que temos hoje. No entanto, os governos parecem viver em outro mundo: não sabem ou não querem saber de crise ecológica, de mudanças climáticas, de aquecimento global. A cada reunião internacional, as decisões tomadas são mais distantes daquelas que são necessárias.
Mas há alternativas, são viáveis e todo governo é capaz de implementá-las. Melhor: elas são mais viáveis que as políticas atualmente em curso, elas são mais baratas do que o que se está fazendo e são mais saudáveis do que o que vivemos hoje. Elas são a solução para muitos problemas atuais. Vamos ver alguns exemplos.
Estamos vivendo uma crise de energia elétrica, causada por insuficiência de chuvas. Para fazer face às dificuldades, o governo apela para as termelétricas, que são mais caras e mais poluentes. No entanto, haveria uma solução muito mais barata e eficaz para enfrentar a instabilidade das chuvas. Seria a utilização de uma fonte que o Brasil tem de sobra, muito mais que qualquer país do Norte: o sol. O Brasil poderia continuar usando a energia hidrelétrica que tem, mas poderia complementá-la com a energia solar, porque nós temos sol o ano inteiro, numa proporção que poucos países no mundo têm. Dados do Atlas Solarimétrico do Brasil indicam que, dada a média anual de radiação, se apenas 5% dessa energia fosse aproveitada, toda a demanda brasileira por eletricidade poderia ser atendida1.
O sol é uma fonte gratuita e durável. Só precisa de alguns equipamentos para gerar energia. Estes equipamentos, se produzidos em quantidade, se tornam baratos e perfeitamente acessíveis. Lester Brown, especialista na temática, revela que, na China, em 2010, cento e vinte milhões de famílias já usavam aquecedores solares, que eram produzidos por cinco mil empresas e cujo custo correspondia a 150 euros (algo como 450 reais)2. Se o país quisesse, poderia propor às empresas que fabricam chuveiros elétricos que produzissem aquecedores solares, facilitando empréstimos e abrindo uma linha de crédito para os consumidores. Isto traria uma enorme economia de energia elétrica. Com uma vantagem: depois de instalado o equipamento, o consumidor não gasta nada, a não ser sua manutenção. A fonte, como lembramos, é gratuita.
Poderíamos estabelecer como norma que toda construção (e toda reforma de um prédio) exigisse a instalação de equipamentos captadores de energia solar. Assim como, em algumas estradas do país, a iluminação noturna é garantida por painéis solares, os painéis poderiam cobrir as casas e edifícios e garantir a energia de que necessitam.
Para aqueles que moram no campo, em casas distantes da cidade, a energia solar tem a vantagem de não precisar de longas linhas de transmissão para poder funcionar: cada casa pode ter seu próprio “gerador” de energia.
Mais: o Brasil poderia abrir uma linha de financiamento de pesquisa nas universidades federais para desenvolver a tecnologia da energia solar.
Um segundo exemplo, bem concreto, nestes tempos de Copa do Mundo e de preocupação com a mobilidade urbana. Há grandes cidades no mundo onde, durante a semana, as pessoas não precisam usar carro: elas dispõem de um meio de transporte rápido e seguro, que é o metrô. Além do mais, dispõem de uma ampla frota de ônibus. E o sistema de transporte público é completado por bondes (tramways) na cidade e ferrovias interurbanas. Com isso, é possível deixar o transporte individual para utilização secundária ou para lazer e reduzir radicalmente os engarrafamentos e a perda de tempo nos trajetos diários para o trabalho. Não adianta construir novas vias e viadutos enquanto o número de carros nas ruas não diminuir. Temos de investir em transporte público de qualidade: prioritariamente em trilhos (linhas de metrô cobrindo toda a cidade, bondes, trens interurbanos). E, secundariamente, em ônibus.
Para o transporte entre as cidades e regiões – tanto de pessoas como de mercadorias -, temos de começar a mudar a nossa matriz, priorizando as ferrovias – mais seguras, mais duráveis, capazes de um volume de carga muito maior.
E, nas cidades, facilitar o uso da bicicleta, com ciclovias e normas de trânsito para garantir a segurança dos ciclistas. Há países onde a bicicleta é o meio normal de transporte da maioria das pessoas. E contribui para a sua saúde.
Em suma, se insistirmos no modelo de desenvolvimento que temos hoje, se continuarmos produzindo e consumindo do modo como fazemos hoje, caminharemos para cenários ambientais dramáticos e mudanças climáticas desastrosas. Já estamos assistindo ao princípio destas mudanças, mas tudo se passa como se isso fosse natural e inevitável. Os “mercadores da dúvida” têm tido sucesso: eles têm conseguido manter a incerteza sobre o aquecimento global e sobre nossa responsabilidade quanto a ele 3.
–
1Greenpeace Brasil (www.greenpeace.org.br). [R]evolução energética – a serviço de um desenvolvimento limpo, dezembro de 2010.
2Lester Brown, Basculement: comment éviter l’éffondrement économique et environnemental. Bernin, Souffle Court Éditions; Paris, Rue de l’Échiquier, 2011 (cf. www.earthpolicyinstitute.org).
3Oreskes, Naomi e Conway, Erik M. Les marchands de doute. Ou : Comment une poignée de scientifiques ont masqué la vérité sur des enjeux de société tels que le tabagisme et le réchauffement climatique. Paris, Éd. Le Pommier, 2012 (Os mercadores da dúvida. Ou: Como um punhado de cientistas mascararam a verdade sobre problemas sociais tais como o tabagismo e o aquecimento global).
* Publicado originalmente no site Abong e retirado do site Outras Palavras.
EUA testarão vacina experimental contra ebola em humanos
Virologistas americanos esperam poder testar, em breve, uma vacina experimental contra o ebola, que, se for bem sucedida, pode imunizar até 2015 os trabalhadores de saúde que estão na linha de fogo enquanto a África sofre a maior epidemia da doença.
As primeiras tentativas de desenvolver uma vacina contra a febre hemorrágica começaram pouco depois da descoberta da doença, em 1976, mas a falta de investimento por parte da indústria farmacêutica estancou estes esforços.
No entanto, no próximo mês, os Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos (NIH) começarão a fazer os primeiros testes em humanos de uma vacina que se mostrou promissora nas experiências em macacos.
“Estamos começando a discutir alguns acordos com empresas farmacêuticas para acelerar (as pesquisas)”, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos.
“Ela poderá estar disponível em 2015 para os trabalhadores de saúde que estão expostos a grandes riscos”, acrescentou. Enquanto isso, a epidemia de Ebola no oeste da África está sobrecarregando o sistema de saúde da região e superando os esforços de contenção.
O vírus provoca dores, febre, vômitos, diarreia e hemorragias. Desde março, matou 60% dos infectados, ou seja, 729 pessoas, segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde.
A vacina existe, mas não há mercado – Até agora, não se conseguiu convencer as companhias farmacêuticas a investir em uma vacina contra o Ebola.
“Com surtos esporádicos, que afetam normalmente um pequeno número de pessoas na África Central, não existe realmente um mercado comercial” para uma vacina contra o ebola, escreveram Andrea Marzi e Heinz Feldmann, do Laboratório de Virologia do NIAID, em artigo científico publicado em abril.
No entanto, “há várias plataformas de vacinas prontas para testes clínicos”. Algumas destas vacinas já demonstraram ter de 80% a 90% de eficácia em testes feitos com macacos, e nenhuma teve efeitos colaterais que ameaçassem a vida dos primatas, explicou o professor da Universidade de Cambridge, Peter Walsh.
Mas o processo foi comprometido, já que os reguladores dizem não ser ético inocular em humanos hoje afetados na África vacinas que ainda não passaram por todas as fases de experimentação.
“Este argumento – de que não é ético usar vacinas sem licença – é simplesmente estapafúrdio”, disse Walsh à AFP, acrescentando que o NIAID está há uma década trabalhando nesta vacina. “O ético é tratá-los, vaciná-los. É o que seria lógico. O escandaloso é que não o façamos”, disse.
Problemas logísticos – Mesmo se uma vacina ou um tratamento experimental fosse distribuído nos países afetados – Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa – várias perguntas ainda precisam ser respondidas em relação à forma de proceder.
Marzi e Feldman disseram em seu artigo que os surtos de ebola exigiriam “a vacinação e a proteção dos funcionários de saúde locais e de outros grupos com alto risco de contágio, como familiares”.
Esta estratégia exige que a imunização seja de ação rápida e de fácil acesso e que as doses estejam disponíveis em grandes quantidades, fornecidas pela indústria ou pelas reservas federais.
Também há interrogações com relação a quanto uma vacina pode ser útil, explicou Herve Raoul, especialista em patógenos e pesquisador do Instituto Médico Francês de Saúde, (Inserm).
“Não estou certo de que vacinar toda a população faça sentido”, disse ele à AFP. “O ideal seria desenvolver um antiviral que ajude as pessoas doentes a superar a fase mais aguda da doença”, acrescentou. Mas essa medicação não existe hoje.
Enquanto isso, os especialistas só podem aconselhar medidas preventivas, como isolar os pacientes infectados, tomar precauções extremas para evitar o contato com fluidos corporais e enterrar rapidamente os mortos.
No entanto, Walsh tem a esperança de que a epidemia atual cause alguma mudança. “As coisas acontecem graças às crises”, disse. “Quando acontece algo terrível, é uma oportunidade para fazer algo que em outras circunstâncias não seria politicamente possível”, acrescentou. (Fonte: G1)
Chefe da OMS diz que ebola está fora de controle, mas pode ser barrado
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, disse que o surto de ebola no oeste africano está fora de controle, mas pode ser barrado. Segundo a agência de notícias Reuters, Chan falou para os presidentes da Guiné, Libéria, Serra Leoa e Costa do Marfim em uma reunião nesta sexta-feira (1º).
“Esse encontro precisa ser um marco de mudança na resposta ao surto”, disse ela, segundo uma transcrição da OMS. “[O vírus] está se movimentando mais rápido do que nossos esforços para controlá-lo. Se a situação continuar a se deteriorarm as consequências serão catastróficas em termos de vidas perdidas, mas também de problemas sócio-econômicos e de alto risco de se espalhar para outros países.”
Balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o número de casos aumentou para mais de 1.300 na África Ocidental. No total, até 27 de julho, 729 pessoas morreram vitimadas pelo ebola, entre elas 47 em apenas quatro dias.
Entre 23 e 27 de julho, foram registrados 122 novos casos (confirmados, prováveis e suspeitos) e foram notificadas 57 mortes na Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, acrescentou a OMS.
A organização anunciou nesta quinta que lançará, junto com os governos da região, um plano de resposta ao ebola com US$ 100 milhões em recursos. (Fonte: G1)
Governo não prorrogará prazo para lei que extingue lixões
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta quinta-feira (31) que o governo federal não determinará a prorrogação do prazo para o início da aplicação da lei que proíbe o uso de lixões no país. Mais de metade dos municípios do país não tomaram as medidas necessárias para cumprir a determinação, que é conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos. O prazo de adequação é até este sábado (2).
A lei foi sancionada em 2010 e determina que as prefeituras deveriam ter concluído, até 2 agosto deste ano, a destinação adequada para o lixo que não possui qualquer possibilidade de reaproveitamento. Entre as medidas possíveis estão a construção de aterro sanitário ou a incineração com baixo impacto ambiental. Sem o cumprimento da lei, os municípios ficam sujeitos a multas e ações na Justiça por crime ambiental.
“O governo entende que o assunto é tão importante que não se trata de prorrogar prazo. A decisão é manter prazo e nos colocarmos à disposição do Congresso para manter o diálogo”, disse Izabella Teixeira. De acordo com a ministra, o governo federal irá se reunir, no próximo dia 22, com autoridades do Ministério Público Federal nos estados para decidir soluções para o caso de municípios que estão descumprindo a nova norma.
De acordo com Ministério do Meio Ambiente (MMA), somente 2.202 municípios, de um total de 5.570, estabeleceram medidas para garantir a destinação adequada do lixo que não pode ser reciclado ou usado em compostagem. Em alguns estados, como Roraima, o Ministério Público tem questionado as ações que estão sendo pelo governo local para o cumprimento da lei.
A ministra evitou falar que os municípios que não cumprem a lei estão em situação irregular. Eles correspondem a cerca de 60% do total do municípios do país, mas produzem o equivalente a aproximadamente 40% do volume de lixo, segundo o MMA. “Esses [mais de] 3.000 municípios estariam, não sei se irregulares. [Estariam] em situação de questionamento”, disse a ministra.
Recursos disponíveis – O MMA informou que nos últimos quatro anos foram disponibilizados R$ 1,2 bilhão para que estados e municípios realizassem o planejamento das ações e iniciassem medidas para se adequarem à nova legislação de resíduos sólidos. No entanto, segundo Izabella Teixeira, cerca de 50% foi efetivamente aplicado, devido ao que ela chamou de “dificuldades operacionais”.
A ministra explicou que, em alguns casos, municípios deixaram de acessar os recursos de investimento na aplicação da lei por terem não terem apresentado um projeto executivo. Em outras ocasiões, a liberação foi suspensa devido à má aplicação.
“São situações de incapacidade técnica de municípios, incapacidade de acessar recursos. Há situações, inclusive, que podem ser resolvidas entendendo melhor a integração dos planos municipais”, declarou Izabella. “O que temos visto é intenção de construir soluções. Há uma grande preocupação de prefeitos em resolver isso, porque ninguém quer ter problema ambiental”, completou.
Pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, as autoridades que desobedecem as determinações previstas na norma ficam submetidas a punições previstas na lei de crimes ambientais, que inclui multas que variam de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. Atualmente, somente três estados possuem plano de resíduos sólidos: Ceará, Maranhão e Rio de Janeiro. O ministério não divulgou o total de municípios que já têm o plano definido. (Fonte: G1)
Ambientalista pede rigor na aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos
O fim do prazo para que os municípios acabem com os lixões e passem a armazenar os resíduos sólidos em aterros sanitários, previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos, no próximo sábado (2), é um marco importante para a política ambiental brasileira, segundo o ambientalista carioca Mário Moscatelli, que há 25 anos se dedica a reflorestar e fiscalizar áreas de manguezais no Rio de Janeiro, principalmente no entorno da Baía de Guanabara.
“A lei é ótima. Não dá para aceitar, em pleno século 21, que a oitava economia do mundo, um país de megadiversidade como o Brasil, tenha ainda uma disposição inadequada de resíduos. Isto gera contaminação do solo, da água, do ar, dos animais e das pessoas, em um verdadeiro caos”, avaliou.
Apesar de apoiar a lei, Moscatelli ressaltou a importância de fiscalizar seu cumprimento, punindo e multando com rigor os infratores.
“O que falta, por parte da classe política, é vontade de implementar a lei. É preciso perder a certeza da impunidade. Porque se o prefeito ou o secretário de Meio Ambiente tiverem a certeza de que, se não cumprirem a lei, irão presos, tenho certeza de que eles estarão mais atentos ao assunto. Estarão buscando recursos e se mobilizando. A impunidade é um estímulo à não materialização das políticas públicas”.
Moscatelli costuma sobrevoar a Baía de Guanabara e fotografar os crimes ambientais que flagra. Muitas das denúncias são publicadas em sua página no Facebook. Ele também é convidado frequente em programas de rádio, onde faz suas denúncias.
“No Rio, disseram que não há mais lixões. Eu discordo. O chorume, de onde vier, gera impactos e contamina o meio ambiente. Na Baía de Guanabara ainda tem lixões, nos municípios de Duque de Caxias e São Gonçalo”, apontou ele, citando vários casos de vazadouros clandestinos, depósitos irregulares de lixo e restos de obras que poluem o meio ambiente e aterram manguezais.
Uma das primeiras intervenções de Moscatelli, ainda na década de 1990, foi replantar árvores no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da cidade. Hoje, as árvores de mangue plantadas pelo ambientalista são habitat para dezenas de espécies de animais, que reencontraram ali um pouco do verde perdido com a urbanização da região. (Fonte: Agência Brasil)
Agentes enfrentam obstáculos e medo no combate ao ebola
Agentes de saúde envolvidos no combate ao surto do vírus ebola enfrentam dificuldades para atuar nas regiões mais remotas da África Ocidental.
Mais de 670 pessoas já morreram, mas em muitos vilarejos a população ainda trata médicos com desconfiança. Mesmo nos centros de tratamento, as chances de sobrevivência dos pacientes são pequenas.
Em Gueckadou, no sudeste da Guiné, das 152 pessoas atendidas, até o dia 23 de julho, 111 haviam morrido. Destas, 20 foram enterradas em covas sem identificação.
Uma das mortes mais recentes foi a de um bebê de quatro meses, cuja mãe, que lhe passou o ebola, morrera semanas antes.
“Estava com ele pouco antes de morrer, lhe dei uma mamadeira. Saí por alguns minutos para um descanso e quando fui chamada de volta o encontrei morto. Fiquei arrasada”, afirmou à “BBC” a enfermeira Adele Milimouno, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Primeiro caso – Geckadou foi a localidade em que o primeiro caso de ebola foi confirmado, em março. De lá para cá, a epidemia se tornou a pior da história, segundo autoridades sanitárias.
A MSF e a Cruz Vermelha Internacional, que, juntos, contam com cerca de 400 agentes, dizem que a situação continua fora de controle.
Na semana passada, a Nigéria se tornou o quarto país a confirmar um morte causada pelo vírus letal.
Apesar do enorme número de mortes, a enfermeira Adele Milimouno diz que os sobreviventes lhe dão forças para continuar o trabalho.
“Eu reúno toda a coragem para vir trabalhar e tentar salvar a minha comunidade”, afirmou Milimouno, que foi recrutada em um dos vilarejos da região. “Tenho orgulho do meu trabalho. Conseguimos salvar cerca de 40 pessoas.”
Os obstáculos são ainda maiores no povoado de Kollobengou, a 12 km do centro de tratamento. Da última vez que agentes sanitários tentaram entrar lá, foram atacados e advertidos a não voltar mais. Muitos acreditam que os médicos estão espalhando a doença pelas comunidades para coletar órgãos dos mortos.
Medo – Outros acreditam que o vírus existe, mas têm medo de pedir ajuda.
Depois de semanas de negociações com líderes comunitários e mais uma morte, os moradores admitiram a entrada dos médicos.
Uma equipe da “BBC” acompanhou a visita dos especialistas. Ao chegarem na aldeia, o medo era visível: poucos são os que se arriscam a sair de suas casas.
O representante das autoridades locais pediu a palavra e fez um apelo para que os moradores deixassem os temores de lado e colaborassem com os agentes sanitários. Entre as medidas mais imediatas está a distribuição de sabonete e cloro. O vírus pode ser facilmente eliminado através de uma boa higiene pessoal.
Mas a região tem problemas mais básicos. “Como vamos nos lavar todo o tempo se não temos água limpa para usar?”, pergunta um morador.
Incubação – Ao todo, 48 pessoas entraram em contato direto com infectados pelo ebola. Eles serão monitorados diariamente por três semanas, o período de incubação do vírus, para verificar se não foram infectados.
Outros dois povoados próximos a Gueckadou sequer permitiram a entrada dos médicos.
Mas o avanço é palpável. Há dois meses, eram 28 os vilarejos que não aceitavam a ajuda dos agentes sanitários.
Um funcionário da OMS, Tarik Jasarevic, culpa em parte a comunicação confusa das autoridades no início dos surtos pela resistência dos moradores ao auxílio.
“As pessoas ouviram dizer que não há vacina ou tratamento para ebola, então muitos pensaram: ‘para que vou até um centro de tratamento, se nem existe tratamento?’”
“Depois, algumas pessoas acabaram indo, mas muitas morreram. Então, ficou a ideia de que sair do seu povoado é morte certa”, disse Jasarevic.
Ele afirma que faltou insistir na maior chance de sobrevivência daqueles que vão a um centro de tratamento e no fato de que essa é também uma forma de prevenir o contágio do resto da família.
Embora autoridades digam que o número de infectados na região de Gueckadou e imediações esteja caindo, o vírus está longe de estar controlado.
Diariamente, milhares de pessoas cruzam as fronteiras da Guiné rumo a Serra Leoa e Libéria. Em apenas três dias, entre 20 e 23 de julho, foram registrados 71 novos casos em Serra Leoa e outros 25 na Libéria, em comparação aos 12 reportados na Guiné. (Fonte: G1)
Aquecimento global: 5 efeitos assustadores que podem impactar sua vida
O agravamento do aquecimento global é uma realidade que já havia sido prevista anos e anos atrás. Afinal, saber que ele iria acontecer era mais ou menos tão fácil quanto somar dois mais dois. E, mesmo assim, pouco (ou quase nada) se fez e faz para diminuir seu ritmo ou minimizar seus efeitos. E falando em efeitos…
Os efeitos do agravamento do aquecimento global
Quais são eles, exatamente? O vídeo abaixo enumera alguns de forma bem humorada, é verdade. Mas se eles se tornarem de fato realidade, não vai ter tanta graça assim.
Em resumo, os efeitos assustadores são:
1. A vida ficaria confusa
As mudanças climáticas promovidas pelo agravamento do aquecimento global podem, e provavelmente vão, causar uma confusão gigantesca na organização dos ecossistemas. Várias espécies vão perder seus habitats naturais, muitas delas serão extintas. Muito lugares ficarão alagados e outros irão padecer com a seca – o que nos leva ao segundo efeito assustador do aquecimento global.
2. Redistribuição mundial de fornecimento de água e colheita
“Redistribuição”, na verdade, é um termo bem generoso. Falando assim parece que as plantações de arroz vão gentilmente levantar acampamento e procurar um novo lugar para se desenvolverem. Não é bem assim. O que vai acontecer é que nossos alimentos básicos não terão as condições necessárias para crescer e, portanto, faltará alimento. Então, você pode questionar, comeremos os animais, certo? Mas, se os animais não tiverem o que comer, logo eles serão extintos também. Ninguém se reproduz com fome. Aliás, bem pelo contrário. As espécies morrem quando estão com fome. O mesmo acontecerá com a gente, seres humanos.
3. Espécies serão extintas pelo derretimento do gelo polar
As calotas polares vão derreter, como já estão fazendo. Só que vão derreter de verdade, provocando a extinção não apenas dos animais que vivem no gelo, como também a de animais que vivem em áreas que serão alagadas por todo esse gelo que vai virar água. E, claro, populações inteiras que vivem na costa do mar, ou bem perto dela, também podem começar a se despedir. As Filipinas, a Indonésia e até a rica cidade de Nova York estão entre as regiões ameaçadas.
4. Acidificação dos oceanos
Não que seja possível classificar os efeitos do agravamento do aquecimento global em uma escala de “menos pior” para “muito pior”. Mas se alguém me pedisse para fazer isso, a acidificação dos oceanos com certeza estaria em um lugar perto do topo da minha lista. Isso porque, com o aumento da temperatura do nosso planeta, uma mudança no pH da água é esperada, que por sua vez acaba matando diversas espécies e inclusive tem potencial para acabar com toda a vida marinha. É algo como matar o mar.
5. A Circulação Termoalina seria interrompida
A Circulação Termoalina é a circulação oceânica global, movida pela diferença de densidade entre as águas dos oceanos. Com o agravamento do aquecimento global, essa diferença de densidade pode não ser suficiente para dar força a essa circulação, que pode parar. Com isso, todo o clima do mundo iria mudar. Não sabemos exatamente como, mas coisa boa certamente não seria. O que é mais provável é que as águas do oceano fiquem estagnadas, o que provocaria uma extinção em massa das espécies marinhas. Sem oxigênio, nas águas haveria uma proliferação de bactérias anaeróbias que produzem sulfeto de hidrogênio em grande escala. Esse sulfeto de hidrogênio cheira mais ou menos como ovo MUITO podre.
Resumindo, o que o vídeo proclama é o seguinte: tudo vai morrer e a Terra vai ficar cheirando como se 20 bilhões de ovos podres estivessem espalhados pela nossa superfície. Não parece bom, não é?
Que tal pedirmos para os governos fazerem alguma coisa? [iflscience]
Faltam líderes para enfrentar crise ecológica e ambiental, diz Sérgio Besserman
Vivemos um período especial da história. Nos próximos 20 a 30 anos, a humanidade terá de fazer escolhas inéditas sobre o futuro que desejará ter, quais os valores que serão passados para as próximas gerações, como produzir e consumir, e como deixará o planeta para a sobrevivência de seus semelhantes e descendentes.
A atual escassez de lideranças, seja nos níveis local, regional ou global, deve ser uma preocupação, pois, por meio delas é que seria possível enfrentar as crises ecológica e ambiental, que já começam a causar graves consequências sociais (tempestades, inundações, furacões, estiagens prolongadas, etc) em todo o mundo. Sem falar nas guerras e sérios conflitos armados entre países, diante dos quais as estruturas das Nações Unidas se mostram frágeis.
Estas observações foram feitas por Sérgio Besserman, economista, ambientalista, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e membro do Conselho Diretor da WWF Brasil, na palestra proferida na quarta-feira, 30 de julho, no segundo dia do Seminário Sebrae de Sustentabilidade em Cuiabá.
O tema da palestra foi “Liderança e Gestão Sustentável”. Cerca de 350 pessoas estiveram presentes no Centro de Eventos do Pantanal. Desde a Revolução Industrial, os hábitos e o modo de vida da sociedade humana mudaram totalmente, disse Besserman. Se por um lado se passou a viver mais, devido ao desenvolvimento científico que gerou antibióticos e vacinas, por outro a produção industrial e o consumo cresceram velozmente, especialmente no século 20, sem considerar o ritmo da natureza para repor os recursos naturais (matérias primas).
A ciência econômica não se preocupava com o capital natural e o tratava como bem infinito, até que por volta da segunda metade do século 20 os cientistas começaram a apresentar estudos sobre o ritmo insustentável do crescimento econômico e da população mundial.
Questão social
Para Besserman, as populações menos favorecidas são as que mais sofrem os efeitos do desequilíbrio ambiental e consequências como o aquecimento global e a falta de água. As mudanças climáticas, que devem provocar o aumento da temperatura na Terra em 2 graus, nos próximos anos, e a extinção acelerada de espécies são sinais de muitos problemas pela frente.
Para a economia, é certamente uma grande preocupação, pois as matérias primas serão cada vez mais caras, escassas e os processos produtivos terão de se tornar muito mais eficientes. Ficará muito mais difícil ser competitivo e ter um negócio sustentável.
“Os economistas se esqueceram de que não existe almoço grátis”, disse Besserman, brincando. “Achamos que podíamos usar os recursos naturais sem se preocupar, que nunca iam faltar. Pensávamos que seria possível sempre substituir capital natural por capital humano, que a tecnologia resolveria tudo. Era uma ideia imbecil, fruto da onipotência narcísica do homem”, disparou.
Perdendo a guerra
O palestrante citou as grandes conferências da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável – Estocolmo (1972), Rio-92 e Rio+20 – como marcos dos debates mundiais sobre o tema. Ele lamenta que apesar das informações, dos alertas dos cientistas, dos estudos que apontam os perigos do aquecimento global e da extinção acelerada das espécies, países, governos e mercado continuam encarando devagar os problemas.
“Estamos longe de ganhar esta guerra”, enfatizou Besserman. Ele se referiu ao estudo Limites da Terra, da Universidade de Estocolmo de 2009, segundo o qual doze limites do planeta estão sendo ultrapassados. Três deles e mais graves são: escassez de nitrogênio no solo, mudanças climáticas e crise da biodiversidade.
Tempos distintos
Segundo geólogos, os impactos que a humanidade está promovendo e possíveis consequências equivaleriam a cinco dos maiores apocalipses da história, citou o economista. “No nosso curtíssimo tempo de existência, estamos provocando uma severa crise na natureza”, resumiu.
O tempo da natureza e do cosmos é outro e não significa que o homem vai destruir o planeta, acrescentou. Estamos dificultando o futuro e a nossa própria sobrevivência. Em termos de oportunidades para os negócios, Besserman falou que nos próximos dez a vinte anos, haverá uma janela pequena de escolhas. O momento de tentar recuperar o que foi perdido já se foi. De agora em diante, resta procurar se adaptar e ser recipiente às mudanças que vão ocorrer. As principais consequências serão sentidas na agricultura, nas cidades e na saúde.
As grandes empresas estão estudando as mudanças climáticas e planejando seus negócios e investimentos de acordo com as previsões de temperatura e transformações de culturas e processos produtivos. Os pequenos negócios precisam se preparar também. “Vamos escolher continuar a fazer negócio como fazemos e deixar a temperatura do planeta subir até 6 graus ou vamos mudar tudo?”, provocou Besserman.
Taxação dos serviços
Ele finalizou a palestra sugerindo a inserção do custo do aquecimento global nos produtos e serviços. “Não tem outra saída. Consumo consciente é bom para resolver o atrito, mas preço é o que resolverá”, ressaltou.
Para o economista, ao pagar pelo custo do aquecimento do planeta, consumidores e empreendedores iriam exigir que lideranças regionais, nacionais e globais surgissem e atuassem contra as mudanças climáticas e a crise da biodiversidade de maneira concreta. “A crise ecológica e ambiental causará problemas humanos principalmente para os mais pobres. Será uma crise social”, profetizou.
* Publicado originalmente no site Centro Sebrae de Sustentabilidade.
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