domingo, 8 de junho de 2014
Refrigerante zero: amigo ou inimigo da dieta?
Não raro nós ouvimos que um estudo descobriu que um alimento que nós achávamos que fazia bem para a saúde, na verdade, faz mal. O ovo, por exemplo, uma hora é vilão e outra é herói. A bola da vez é o refrigerante diet – ou o rebatizado recentemente refrigerante zero.
Um novo estudo publicado na revista “Obesity”, da Sociedade da Obesidade (EUA), confirma que o consumo de bebidas dietéticas, como o refrigerante zero, pode ajudar as pessoas a perder peso.
Refrigerante zero ajuda a emagrecer ou é um tiro pela culatra?
Então refrigerante zero emagrece?
É o que os estudos mostram. James O. Hill, diretor executivo do Centro Anschutz de Saúde e Bem-Estar da Universidade de Colorado e coautor do estudo, explica que a descoberta contraria mitos surgidos nos últimos anos que afirmam exatamente o contrário – o aumento de peso. “Na verdade, aqueles que beberam refrigerante zero perderam mais peso e relataram sentir significativamente menos fome do que aqueles que beberam apenas água. Isso reforça que, se você está tentando perder peso, você pode desfrutar de bebidas diet”.
O estudo durou 12 semanas, contou com 303 participantes e é o primeiro ensaio clínico prospectivo e randomizado para comparar diretamente os efeitos de água e bebidas diet na perda de peso dentro de um programa comportamental focado no emagrecimento.
Realizada simultaneamente por pesquisadores da Universidade do Colorado e do Centro de Pesquisa em Obesidade e Educação da Universidade de Temple (EUA), a pesquisa mostra que os indivíduos que consumiram bebidas dietéticas perderam uma média de 6 quilos – 44% a mais do que o grupo de controle, que perdeu uma média de 4 quilos.
5 maneiras pelas quais sua dieta saudável pode estar te deixando cansado
Além disso, 64% dos participantes do grupo das bebidas dietéticas perdeu pelo menos 5% do seu peso corporal, em comparação com apenas 43% do grupo de controle. Foi comprovado que esta redução em 5% do peso corporal melhora significativamente a saúde, incluindo a redução do risco de doença cardíaca, pressão arterial elevada e diabetes do tipo 2. O estudo foi apoiado por uma concessão educacional irrestrita da Associação Americana de Bebidas.
Para John C. Peters, coautor do estudo e diretor de estratégia do Centro Anschutz, há muita desinformação a respeito do refrigerante zero, especialmente na internet. “Esta pesquisa permite que pessoas em dieta sintam-se confiantes de que as bebidas açucaradas de baixa ou nenhuma caloria podem desempenhar um papel importante e útil como parte de uma estratégia eficaz e abrangente perda de peso”.
Refrigerantes diet viciam?
Os participantes do estudo foram aleatoriamente designados para um dos dois grupos: um podia tomar bebidas dietéticas, como refrigerante zero, chás e águas aromatizadas, o outro apenas água. Com a exceção das opções de bebidas, os dois grupos seguiram um programa de dieta e exercício idêntico ao longo do estudo. Ambos os grupos notaram reduções na circunferência da cintura e na pressão arterial.
Porém, além de perder 44% mais peso do que o grupo controle, o grupo que consumia as bebidas dietéticas também relatou sentir significativamente menos fome, mostrou melhorias significativamente maiores nos níveis colesterol “ruim”, e viu uma redução significativa nos níveis de triglicerídeos. [Science Daily]
Antigripal Resfenol é proibido pela Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a distribuição, o comércio e o uso, em todo o país, do medicamento Resfenol, solução oral gotas, fabricado pela empresa Kley Hertz S.A. Indústria e Comércio.
A Anvisa cancelou o registro do medicamento, vendido como antigripal, sob a alegação de que o produto não apresenta estudos clínicos que comprovem sua eficácia.
A empresa fabricante fica responsável pelo recolhimento de todo o estoque existente no mercado.
Também foi suspenso pela Anvisa o Lote 09411231 do antibiótico Cefalexina 500mg comprimido, fabricado pelo Laboratório Teuto Brasileiro e com validade até janeiro de 2016, por apresentar oito comprimidos na embalagem que deveria ter dez.
O Lote 46199 do antiácido Kollangel 100ml suspensão oral (hidróxido de alumínio + hidróxido de magnésio), produzido pela empresa Natulab Laboratório S.A, foi suspenso pela agência por apresentar resultados insatisfatórios nos ensaios de aspecto e de contagem do número total de microrganismos mesófilos.
O produto CAMOMILAbaby C (suplemento de vitaminas C e D em cápsulas) também teve suspensas pela Anvisa a fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e utilização. O suplemento vitamínico estava sendo fabricado irregularmente pela D.S. Rodrigues Alimentos-ME, que não tem autorização de funcionamento para produção de medicamentos. A venda do produto era feita pela empresa Brascom Home Telemarketing Ltda. A empresa fabricante é responsável pelo recolhimento do produto. http://www.diariodasaude.com.br/
Veja o que muda com a regulamentação da Lei Antifumo
Foi regulamentada a Lei Antifumo, que estabelece ambientes fechados de uso coletivo 100% livres de tabaco.
O objetivo é proteger a população do fumo passivo e contribuir para diminuição do tabagismo entre os brasileiros.
De acordo com a nova regra, está proibido o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos e outros produtos derivados do tabaco em locais de uso coletivo, públicos ou privados, incluindo corredores de condomínios, restaurantes e clubes, mesmo que o ambiente esteja só parcialmente fechado por uma parede, divisória, teto ou até toldo. Os narguilés também estão vetados.
A norma também extingue os fumódromos e acaba com a possibilidade de propaganda comercial de cigarros até mesmo nos pontos de venda, permitindo somente a exposição dos produtos, acompanhada por mensagens sobre os malefícios provocados pelo fumo. A legislação anterior permitia as propagandas no display.
Outra obrigatoriedade prevista é o aumento dos espaços para os avisos sobre os danos causados pelo tabaco, que deverão aparecer em 100% da face posterior das embalagens e de uma de suas laterais. A partir de 2016, deverá ser incluído ainda texto de advertência adicional em 30% da parte frontal dos maços dos cigarros.
Veja abaixo as diferenças advindas da regulamentação da Lei Antifumo:
ANTES DA REGULAMENTAÇÃO
DEPOIS DA REGULAMENTAÇÃO
Não havia definição sobre o que poderia ser considerado local coletivo fechado, onde é proibido fumar.
O fumo é proibido em locais fechados de uso coletivo, mesmo que total ou parcialmente fechado em qualquer de seus lados, por uma parede, divisória, teto, toldo ou telhado.
Permitia áreas para fumantes ou fumódromos em ambientes fechados, públicos ou privados.
O fumo, em qualquer circunstância, está proibido em local coletivo fechado, abolindo áreas para fumantes ou fumódromos.
Não estabelecia condições para comercialização.
Os produtos devem ficar expostos no interior do estabelecimento comercial e 20% do mostruário visível ao público devem ser ocupados por mensagens de advertências sobre os males do fumo, a proibição da venda a menores de 18 anos, e a tabela de preços.
Eram permitidas propagandas comerciais de produtos fumígenos no display.
Fica proibida a propaganda comercial de produtos fumígenos em todo o território nacional. Será permitido apenas a exposição dos produtos nos locais de vendas.
Não fazia referência a situações de exceção com relação a cultos religiosos, locais de venda, em tratamentos de saúde, produções artísticas e pesquisa.
O fumo em lugares fechados é permitido em cinco situações, desde que adotadas condições de isolamento, ventilação e exaustão do ar, além de medidas de proteção ao trabalhador exposto:
- Em cultos religiosos caso faça parte do ritual;
- Em tabacarias sinalizadas;
- Em estúdios e locais de filmagem quando necessário à produção da obra;
- Em locais destinados à pesquisa e desenvolvimento de produtos fumígenos;
- Instituições de tratamento de saúde que tenham pacientes autorizados a fumar pelo médico que os assista.
Estabelecia que as embalagens deveriam conter advertências, especificando como local uma das laterais dos maços, carteiras ou pacotes.
As embalagens devem ter mensagens de advertência em 100% da face posterior das embalagens e de uma de suas laterais. E a partir de 2016, será incluído texto de advertência adicional sobre os malefícios do fumo em 30% da parte frontal das embalagens.
http://www.diariodasaude.com.br/
Governo proíbe fumo em locais fechados e amplia alerta nos maços
O Ministério da Saúde anunciou no sábado (31), Dia Mundial Sem Tabaco, novas regras de combate ao fumo, que incluem o fim da propaganda de cigarros, a extinção dos fumódromos em ambientes coletivos e a ampliação de mensagens de alerta em maços de cigarro vendidos no país.
A regulamentação da lei antifumo será publicada nesta segunda-feira (2) no “Diário Oficial da União” e as regras passarão a valer em até seis meses.
Segundo o governo, os fumantes não serão fiscalizados. Poderá ser punido somente o estabelecimento que desobedecer as normas. Locais de comércio e restaurantes, por exemplo, deverão orientar os clientes sobre a lei e pedir para que não fumem, podendo chamar a polícia quando alguém se recusar a apagar o cigarro.
A lei antifumo foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2011, após ter sido aprovada no Congresso Nacional, e desde então estava sem regulamentação, que define como e quando deve ser aplicada.
Conforme a lei, fica proibido o fumo em locais coletivos fechados em todo o país, com exceção das tabacarias e dos cultos religiosos.
Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o ponto principal da regulamentação é a definição de quais são os locais onde não poderá haver consumo e venda de tabaco. As regras preveem que as pessoas não poderão fumar em lugares públicos ou privados (acessíveis ao público) que possuam cobertura, teto, parede, divisórias ou toldos. Em varandas de restaurante com toldo, por exemplo, não será permitido o fumo, bem como na área coberta de pontos de ônibus. As normas também valem para narguilés ou qualquer tipo de fumígeno, mas não abrangem cigarros eletrônicos, pois, segundo Chioro, eles não são legais no Brasil.
Propaganda e embalagens – De acordo com as regras, qualquer propaganda de cigarro será proibida. Segundo Chioro, com a proibição de qualquer propaganda, inclusive em “displays” (painéis para anúncios), como ocorre hoje. A única forma de exibição dos maços deverá ser em locais de venda, mas, ainda assim, com 20% do espaço ocupado pela mensagem de alerta.
“É importante deixar claro que toda e qualquer propaganda de tabaco no Brasil, em relação a todos os produtos fumígenos, está proibida. Tudo em termos de propaganda sobre o que é fumável e legal no nosso país está proibido”, disse Chioro.
A partir de agora, 100% da face de trás da embalagem e uma das faces laterais terão que ter imagem e mensagem sobre os problemas relacionados ao fumo. A partir de janeiro de 2016, na parte frontal da embalagem, 30% do espaço será destinado a mensagens de alerta. Atualmente, este tipo de mensagem só é estampada na parte de trás dos maços de cigarro.
Fiscalização e punição – Os estabelecimentos que desrespeitarem as regras poderão receber advertência, multa, ser interditados e ter a autorização de funcionamento cancelada. As multas irão variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, de acordo com a infração. As vigilâncias sanitárias dos estados serão responsáveis pela fiscalização.
Segundo o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, a pessoa que estiver em um restaurante e se incomodar com o fato de alguém fumar deverá, primeiro, pedir ao estabelecimento que tome providências. Caso o responsável pelo restaurante se negue, a orientação é que a pessoa, então, denuncie o caso à Vigilância Sanitária.
Consumo e riscos – Pesquisa divulgada neste sábado pelo Ministério da Saúde diz que 11,3% dos adultos que vivem nas capitais do Brasil fumam. Em 2006, o índice era de 15,7%. Os homens são os que mais fumam, com índice de 14,4%. O percentual entre as mulheres é de 8,6%. Os fumantes passivos têm 30% a mais de chance de ter complicações respiratórias.
No ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 1,4 milhão de diárias por internação relacionada ao tabagismo, ao custo de R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos. A estimativa do governo é que, neste ano, sejam registrados 16,4 mil novos casos de câncer de pulmão.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou durante entrevista coletiva neste sábado que o tabagismo é responsável por 200 mil mortes no Brasil por ano. Além disso, está relacionado a 90% dos casos de câncer de pulmão; 85% das mortes por bronquite; 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio; 25% das doenças vasculares e 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer.
Entenda os males do cigarro – Segundo especialistas, o cigarro está associado a 26% das mortes por todos os tipos de câncer. No caso de tumores no pulmão, esse índice aumenta para 84%. Além desta doença, o cigarro pode causar alterações na voz, principalmente das mulheres, que podem adquirir uma voz grossa e totalmente diferente por infecção nas cordas vocais.
Em apenas um dia sem fumar, já é possível ter benefícios para a saúde, segundo a cardiologista Jaqueline Issa. É preciso ainda prestar atenção em outros sintomas de problemas na garganta, como dor, dificuldade para engolir ou respirar e sensação de caroço na região.
Segundo os médicos, o cigarro pode também afetar a tireoide, causando hipotireoidismo e levando ao ganho de peso, especialmente na região abdominal. Mulheres fumantes com mais de 50 anos, por exemplo, têm entre três a quatro vezes mais chances de ter hipotireoidismo que a população em geral.
Fora a alteração na voz e a rouquidão, o cigarro pode ainda causar também perda óssea nos dentes. Isso acontece porque a nicotina e outros componentes agridem a gengiva e a raiz dos dentes. (Fonte: G1)
Fusca elétrico criado por engenheiro pode rodar 100 km com apenas R$ 3,50
Os carros elétricos emitem menos gases de efeito estufa do que os convencionais, cujos motores são abastecidos por combustíveis fósseis. Contudo, esses veículos menos poluentes não são para qualquer bolso. Ao pensar nisso, o engenheiro paraguaio Mario Vernazza, de 25 anos, desenvolveu um fusca elétrico com tecnologia acessível a partir da busca de peças simples ao redor do mundo.
Com um investimento de aproximadamente US$ 15 mil em peças e testes, o modelo Fusca 85 do engenheiro se tornou, finalmente, elétrico. A ideia então foi fomentada em produtos já existentes e de baixo custo, comparados com outros carros elétricos. Com 12 baterias de 170 amperes e oito volts, capazes de mover o veículo a 120 km/h, o carregamento completo em uma tomada convencional varia entre oito e dez horas.
14 300x183 Fusca elétrico criado por engenheiro pode rodar 100 km com apenas R$ 3,50Em termos de consumo, do qual um litro de etanol equivale 100 km rodados, Vernazza afirmou ao jornal Gazeta do Povo que sua conta de luz subiu R$ 35 ao percorrer 800 km em um mês. Ou seja, se rodar 100 km, gasta apenas R$ 3,50.
O valor para transformar um carro comum em um modelo elétrico pode parecer elevado, mas o motorista certamente teria economia em longo prazo e ainda colaboraria com a redução da poluição.
* Publicado originalmente no site EcoD.
Como evitar hipertensão arterial durante a gravidez
Durante a gravidez, algumas mulheres ficam vulneráveis à pré-eclâmpsia, hipertensão arterial que pode aparecer geralmente a partir da 20ª semana de gestação.
O problema pode evoluir para a eclâmpsia, quando ocorre um descontrole da pressão arterial, colocando em risco a vida da mãe e a do feto.
De acordo com a coordenadora da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, a pré-eclâmpsia é a primeira causa de morte materna no Brasil.
Esther explica que o problema é mais comum durante a primeira gravidez.
"Por isso, as mulheres devem ficar atentas e acompanhar bem o pré-natal, em todas as consultas devem medir a pressão, ficar atenta a algum sintoma de dor de cabeça, a perna muito inchada ao levantar, estrelinhas na vista... Os profissionais de saúde do pré-natal vão orientar a mulher para que ela possa procurar os serviços de saúde caso ela apareça com alguns desses sintomas," explica ela.
Recentemente, cientistas da Noruega anunciaram uma descoberta que poderá se transformar no primeiro exame para detectar a pré-eclâmpsia.
Contudo, antes que este novo exame esteja disponível, e possa fazer parte da rotina do pré-natal, as grávidas devem tomar cuidados preventivos.
Dicas para as grávidas
Além de comparecer a todas as consultas do pré-natal, outra dica é manter bons hábitos alimentares durante a gestação, para evitar não apenas a pré-eclâmpsia, mas também outras complicações que podem surgir durante a gestação.
"A gravidez saudável depende de exercício físico e uma boa alimentação a base de frutas, legumes, proteínas, redução das frituras, das gorduras e do açúcar; usar o sal de forma comedida, lembrando que refrigerante tem sal, que bolacha, inclusive de doce tem sal, tudo que tem conservante tem sal; redução do café e, principalmente, álcool, drogas e cigarro," destaca Esther.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento integral às gestantes, como acesso ao pré-natal de alto risco, acesso rápido aos resultados, vinculação ao local em que será realizado o parto, além de orientar as mulheres sobre saúde sexual e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.
Agência Saúde
Brasileiro fumante consome 17 cigarros ao dia e 89% lamentam vício
Um estudo internacional feito em 20 países sobre políticas de controle de tabaco, conduzido pelo Canadá e que analisa dados do Brasil, aponta que o brasileiro fumante consome, em média, 17 cigarros por dia e que, se pudesse, não teria começado a fumar.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30). O Instituto Nacional de Câncer, o Inca, foi o responsável pela coleta de dados.
O levantamento foi feito em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre com 1.200 fumantes e 600 não fumantes. Dividida em duas fases, a primeira coleta de informações foi em 2009 e a segunda, entre 2012 e 2013.
De acordo com a pesquisa, 89% dos brasileiros que se declararam fumantes lamentam ter começado a fumar. O índice é o mesmo da Escócia e Austrália. No entanto, o maior percentual é o da Tailândia (96%).
Segundo o estudo, 80% dos brasileiros usuários de cigarro declararam que já tentaram parar de fumar e 54% dos fumantes alegaram ser dependentes do cigarro.
As razões mais comuns para os fumantes pensarem em desistir de fumar são a preocupação com a saúde, dar exemplo aos filhos, preocupação com o efeito da fumaça em não fumantes e as advertências sanitárias encontradas nos maços de cigarro.
Propaganda e políticas públicas – O relatório apontou ainda que, além do cigarro, outros produtos derivados do tabaco utilizados com maior frequência são os cigarros de cravo (13%), charutos (10%) e narguilé/cachimbos d’água (8%).
Os resultados mostram também que as leis aprovadas no Brasil, que proíbem a publicidade de cigarros nos pontos de venda, ainda não são cumpridas. Paralelamente, de acordo com o estudo, cresceu a exibição de cigarros em displays atraentes e iluminados em lojas, restaurantes e outros locais onde são vendidos, sem as advertências de saúde obrigatórias.
Uma alta porcentagem de fumantes (85%) e não fumantes (92%) concordou que o governo deveria fazer mais para combater os danos causados pelo tabagismo, incluindo ações para ajudar quem usa o cigarro a deixar o vício.
Os achados mostram também que os cigarros tornaram-se economicamente menos acessíveis entre 2009 e 2013, com uma redução média anual de 2%, considerando o número de cigarros fumados por dia, o preço pago na compra de cigarros, a renda familiar e o número de adultos na residência do fumante.
Dados Vigitel 2013 – O governo brasileiro havia divulgado em abril dados sobre fumantes no país. Segundo a pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, 11% da população brasileira se declarou fumante em 2013, 1% a menos que o índice Vigitel de 2012.
Além disso, entre 2006 e 2013, caiu em 28% o número de fumantes entre pessoas com idade acima de 18 anos. A redução da taxa foi ainda maior entre aqueles que fumam 20 ou mais cigarros por dia. Em 2006, o percentual era de 4,6% e em 2013, caiu para 3,4%.
Outro dado importante mostra que o consumo de cigarro é maior entre os homens do que entre as mulheres. Enquanto eles correspondem a 14,4%, elas, a 8,6%. (Fonte: G1)
Quase 90% dos brasileiros fumantes lamentam ter consumido primeiro cigarro
A maioria dos brasileiros fumantes (85% – 89%) lamenta ter dado início ao hábito. Os dados fazem parte da Pesquisa Internacional de Tabagismo (ITC, na sigla em inglês), apresentado hoje (30), em razão do Dia Mundial sem Tabaco, lembrado amanhã (31).
A militar aposentada Vânia Cristina da Costa, 55 anos, é uma das brasileiras que compõem essa estatística. Ela diz que começou a fumar aos 15 anos, por modismo, que se arrepende da decisão e tem medo das consequências.
“Cigarro é minha válvula de escape. Se eu estou estressada ou tenho um problema grave eu fumo e me acalmo. Aos 15 anos, quando comecei, era moda adolescente. Hoje me arrependo de ter começado a fumar, principalmente, por trabalhar na área de saúde. E tenho receio de ter um câncer de pulmão ou algo assim”, lamenta.
De acordo com a pesquisa, 54% dos brasileiros relatam um alto grau de dependência à nicotina.
Os dados mostram que mais de dois terços dos brasileiros fumantes têm uma opinião negativa em relação ao tabagismo e que 80% deles já tentou parar de fumar.
Ainda de acordo com a pesquisa, a maioria dos fumantes brasileiros não quer fumar, mas está presa pela dependência e apoia o fortalecimento de ações de combate ao tabagismo.
1018 Quase 90% dos brasileiros fumantes lamentam ter consumido primeiro cigarro
A militar aposentada Vânia Cristina da Costa, 55 anos, diz que começou a fumar por modismo, aos 15 anos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar das dificuldades de largar o cigarro, o engenheiro de sistemas Cleto Praia, 63 anos, mostra que é possível parar.
“Comecei a fumar na adolescência parei e voltei a fumar várias vezes. Agora já tem nove anos que não fumo e não sinto vontade. Pode fumar do meu lado que não me incomodo”, disse.
“Depois que parei de fumar, tudo melhorou. Se eu não tivesse parado estaria morto, eu tinha muitos problemas respiratórios, fumava três maços num só dia e agora caminho duas horas por dia”, conta.
O estudo foi coordenado pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e desenvolvida em 20 países. No Brasil, foram ouvidas 1.830 pessoas de três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Edição: Lílian Beraldo
* Publicado originalmente no site Agência Brasil.
Corações e aspirinas
Considerado o documento mais completo da medicina egípcia, o Papiro de Ebers, escrito em 1534 a.C., já descrevia um tônico para controlar os sintomas da malária, preparado com a casca de uma árvore, a salix, conhecida entre nós como salgueiro.
O tônico da salix foi uma panaceia receitada durante séculos para abaixar a febre e aliviar dores nas juntas e em outras partes do corpo. A partir dos anos 200 d.C., por meio do comércio e das expedições militares, seu uso espalhou-se pelo mundo civilizado.
Em 1894, o químico Felix Hoffman, contratado pela alemã Bayer, conseguiu sintetizar o ácido acetilsalicílico, patenteado com o nome de aspirina.
Embora aceito universalmente como antitérmico e anti-inflamatório, seu mecanismo de ação só se tornou conhecido a partir dos anos 1970. Nessa época, foi identificada outra de suas propriedades: a de inibir a agregação das plaquetas. Graças a isso, passou a ser indicado na prevenção de doenças cardiovasculares.
Nos anos 1990, dezenas de ensaios com milhares de pacientes demonstraram que administrar doses baixas de ácido acetilsalicílico, depois de derrames cerebrais ou ataques cardíacos, reduz o risco de um segundo episódio (prevenção secundária).Por analogia, os médicos começaram a receitá-lo para pessoas que nunca tiveram doenças cardiovasculares, para diminuir o risco de desenvolvê-las.
No início deste mês, a agência americana que regula alimentos e medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), emitiu o seguinte parecer a respeito da prevenção primária: “Depois de exame cuidadoso dos grandes estudos, a FDA concluiu que os dados científicos não justificam o emprego de aspirina como medicação preventiva em pessoas que nunca tiveram ataque cardíaco, derrame cerebral ou outros problemas cardiovasculares, uso conhecido como prevenção primária”. E, acrescentou: “O benefício não está estabelecido, mas os riscos – como hemorragias gástricas e cerebrais – são evidentes”.
Para que os termos prevenção primária e prevenção secundária não provoquem confusões, é importante deixar claro que a contraindicação do ácido acetilsalicílico para pessoas saudáveis fica restrita apenas às que nunca apresentaram doenças cardiovasculares. Aquelas que já tiveram infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou obstruções arteriais devem ser mantidas em regimes de doses baixas diárias, para reduzir o risco de recidivas.
Ao lado da prevenção secundária, o ácido acetilsalicílico tem outra indicação importantíssima em cardiologia: quando administrado nas primeiras 24 horas depois de um infarto do miocárdio, reduz pela metade o risco de morte ou de ocorrer um segundo infarto.
Em caso de não haver médico por perto de alguém com dores no peito sugestivas de ataque cardíaco, não hesite: 2 a 3 comprimidos de 100 mg de ácido acetilsalicílico, imediatamente. Só fará mal se a pessoa for alérgica.
* Drauzio Varella é médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, formado pela Universidade de São Paulo.
** Publicado originalmente no site Carta Capital.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Devastação na Amazônia tem sido grosseiramente subestimada: estudo
De acordo com um novo estudo liderado pela Universidade de Lancaster e realizado por pesquisadores de 11 universidades e instituições de pesquisa no Brasil e no Reino Unido, o impacto humano sobre a floresta amazônica tem sido grosseiramente subestimado.
Os cientistas descobriram que a exploração madeireira e os incêndios nas florestas podem resultar em uma perda anual de 54 bilhões de toneladas de carbono na Amazônia brasileira, aumentando as emissões de gases de efeito estufa. Isto é equivalente a 40% da perda de carbono anual a partir do desmatamento.
Este é o maior estudo já feito para estimar a perda de carbono a partir da exploração madeireira e incêndios florestais ao nível do solo nos trópicos. Ele se baseou em dados de 70 mil amostras de árvores, solo, serapilheira (acúmulo de matéria orgânica morta em diferentes estágios de decomposição) e madeira morta de 225 locais na Amazônia oriental brasileira. Perigo duplo
A degradação florestal muitas vezes começa com a exploração madeireira de árvores caras como o mogno e o ipê. O abate e remoção dessas árvores de grande porte muitas vezes danifica dezenas de árvores vizinhas.
Uma vez que a floresta é derrubada pela exploração madeireira, muitas lacunas aparecem e todo o ambiente torna-se muito mais seco devido à exposição ao vento e sol, aumentando o risco de incêndios florestais.
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A combinação de extração seletiva de madeira e incêndios florestais transforma florestas virgens em um matagal espesso habitado apenas por árvores menores e videiras, que armazenam 40% menos carbono do que florestas não perturbadas pelo homem.
Até agora, as políticas para evitar a mudança climática nos trópicos têm se concentrado em reduzir as emissões de carbono a partir apenas do desmatamento, enquanto as emissões provenientes da degradação florestal também representam enorme perigo ao clima do planeta. A principal pesquisadora da pesquisa, Erika Berenguer, da Universidade de Lancaster, disse que os impactos do fogo e da exploração madeireira em florestas tropicais têm sido largamente ignorados pela comunidade científica e pelos políticos, que estão principalmente preocupados com o desmatamento. “Nossos resultados mostram como esses distúrbios podem degradar severamente a floresta, com enormes quantidades de carbono sendo transferidos de matéria vegetal para a atmosfera”, diz Berenguer. “As descobertas também chamam a atenção para a necessidade do Brasil de implementar políticas mais eficazes para a redução do uso do fogo na agricultura, já que os incêndios podem devastar propriedades privadas e fugir para florestas circundantes causando degradação generalizada. Fogo e extração ilegal de madeira precisam ser controlados [pelo governo]. Essa é a chave para alcançar o nosso compromisso nacional de redução das emissões de carbono”, argumenta a Dra. Joice Ferreira, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que participou do estudo.
A pesquisa será publicada na revista Global Change Biology em 3 de junho. [Phys]
Vírus chikungunya se propaga de forma rápida pelo Caribe
Hospitais e clínicas por todo o Caribe estão recebendo milhares de pessoas com os mesmos sintomas: fortes dores de cabeça, febre alta e tanta dor nas articulações que elas mal conseguem andar ou usar as mãos. O quadro é provocado pelo vírus chikungunya, que está se espalhando rapidamente pelos mosquitos nas ilhas da região, segundo a agência Associated Press. O primeiro caso transmitido na região foi confirmado em dezembro.
“Você sente nos seus ossos, nos dedos e nas mãos. É como se tudo estivesse se despedaçando”, disse Sahira Francisco, de 34 anos, à agência Associated Press enquanto ela e sua filha esperavam atendimento em um hospital em San Cristobal, uma cidade no sul da República Dominicana onde muitos casos foram registrados nos últimos dias.
O nome chikungunya é derivado de uma palavra africana que pode ser traduzida como “contorcido de dor”. Apesar de o vírus raramente ser fatal, ele é extremamente debilitante. “É terrível, eu nunca tive em toda a minha vida uma doença desse tipo”, disse Maria Norde, uma mulher de 66 anos confinada a uma cama na sua casa na ilha de Dominica. “Todas as minhas articulações estão doendo.”
Surtos de infecções pelo vírus têm afetado a população da África e da Ásia há muito tempo. Mas ele é novo no Caribe, onde o primeiro caso foi registrado em dezembro, provavelmente trazido por um viajante. Autoridades de saúde locais estão trabalhando agora para educar a população sobre a doença, acabar com os mosquitos e lidar com os casos existentes.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirma que há na região mais de 55 mil casos, entre suspeitos e confirmados, desde dezembro. O vírus também atingiu a Guiana Francesa, onde ocorreu a primeira transmissão confirmada na América do Sul continental.
Segundo a Opas, sete pessoas com o chikungunya já morreram, mas elas podem ter tido outros problemas de saúde que contribuíram para esse desfecho.
“Os números estão aumentando como uma bola de neve por causa das constantes movimentações de pessoas”, disse Jacqueline Medina, especialista do Instituto Tecnológico, na República Dominicana, onde alguns hospitais reportaram mais de 100 novos casos por dia.
O vírus é transmitido por duas espécies de mosquito, o Aedes aegypti, que também transmite a dengue, e o Aedes albopictus. É comum que ele seja transmitido por viajantes. Ele pode se espalhar para uma nova área se alguém tem o vírus circulando em seu sistema em um período que vai de 2 a 3 dias antes do início dos sintomas até 5 dias depois.
Durante anos, houve relatos de casos esporádicos de viajantes diagnosticados com chikungunya, mas sem transmissão local. Em 2007, houve um surto no norte da Itália, então autoridades de saúde previram que era apenas uma questão de tempo até o vírus se espalhar para o ocidente, segundo o médico Roger Nasci, dos Centros para Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos.
De 60% a 90% das pessoas infectadas apresentam sintomas. Em comparação, apenas 20% dos infectados por dengue têm sintomas. A boa notícia é que existe apenas um tipo de chikungunya, ao contrário da dengue, que tem quatro subtipos. Uma vez que a pessoa é infectada e pelo chikungunya e se recupera, ela se torna imune à doença.
No Brasil – Por enquanto, o Brasil só registrou casos importados de chikungunya, ou seja, pessoas que foram infectadas fora do país. Mas o surgimento de casos no Caribe e também na Guiana Francesa, que faz fronteira com o Amapá, deixou pesquisadores brasileiros em alerta. Para eles, o risco de transmissão da doença aqui é real.
Autoridades de saúde de Roraima e do Amapá estão atentas ao risco da chegada do vírus no país. No Amapá, uma visita de uma equipe de técnicos do Ministério da Saúde está prevista para traçar medidas de prevenção do vírus. (Fonte: G1)
Copa será responsável por emissão de 1,4 milhões de toneladas de CO2
A Copa do Mundo será responsável pela emissão de 1,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), uma das principais causas do efeito estufa, segundo cálculos oficiais divulgados nesta terça-feira (27).
As emissões serão produzidas pelo número elevado de aviões e automóveis em circulação, pelo aumento dos gastos energéticos e outros fatores diversos, explicou em entrevista coletiva a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
A ministra detalhou, no entanto, que todas essas emissões já foram compensadas no mercado de créditos de carbono, um mecanismo previsto no Protocolo de Kioto para minimizar as causas do efeito estufa e do aquecimento global.
É com esse mecanismo que países industrializados e empresas financiam projetos para reduzir as emissões de poluentes nos países mais pobres, em troca de créditos que são utilizados para cumprir suas próprias metas ambientais.
Dessa forma, Izabella garantiu que a Copa “está 100% mitigada das emissões diretas”, e acrescentou que esta é a primeira vez essa meta é alcançada em competições organizadas pela Fifa.
As ações favoráveis à preservação do meio ambiente durante o Mundial serão complementadas com o “Passaporte Verde”, uma iniciativa apresentada pelo governo no ano passado no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Trata-se de um programa que tem como objetivo mostrar aos turistas que eles também podem contribuir durante suas viagens para a conservação do meio ambiente e para melhorar a qualidade de vida das pessoas nos lugares visitados.
Nesse sentido, os turistas que vêm para o Mundial receberão informações sobre formas de consumo sustentável e regras de respeito à natureza, às tradições e aos valores socioculturais.
Os turistas que forem aos jogos também serão orientados pelos voluntários do evento a cuidar da separação de resíduos, um projeto que contará com a participação de diversas cooperativas de reciclagem. (Fonte: Terra)
Em abril, a humanidade bateu um recorde histórico perigoso
Pela primeira vez, a concentração mensal de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera superou o nivel de 400 partes por milhão (ppm), no mês de abril, em todo o hemisfério norte, segundo dados da Organização Mundial de Meteorologia (OMM).
Este limiar é de importância simbólica e científica e reforça a evidência de que a queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas poluentes são responsáveis pelo contínuo aumento de gases do efeito estufa, vilões do aquecimento global.
Em abril, a concentração média mensal de dióxido de carbono na atmosfera passou de 401,3 ppm, conforme dados do centro de Mauna Loa, no Havaí, a mais antiga estação de medição de CO2 e referência mundial.
Em 2013, o limite dos 400 ppm só foi superado um par de dias, no hemisfério norte, que tem mais fontes antropogênicas de CO2 do que o hemisfério sul.
As estações que monitoram a atmosfera global registraram as concentrações de CO2 recordes durante o máximo sazonal, que ocorre no início da primavera do hemisfério norte, antes do crescimento de vegetação que absorve CO2.
“Isso deve servir como alerta sobre os aumentos dos níveis de gases de efeito estufa que conduzem à mudança climática. Se quisermos preservar o nosso planeta para as gerações futuras, precisamos travar novas emissões desses gases retentores de calor”, advertiu o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. “O tempo está se esgotando.”
Embora os valores máximos de primavera no hemisfério norte já tenham cruzado o nível de 400 ppm, a concentração de CO2 média anual global só deve deve cruzar este limiar entre 2015 e 2016.
O CO2 é o gás de efeito estufa mais importante emitido pelas atividades humanas. Ele permanece na atmosfera por centenas de anos. Sua expectativa de vida nos oceanos é ainda maior.
Segundo os cientistas, ele foi responsável por 85% do aumento no forçamento radiativo, indicador utilizado para avaliar o conjunto de fatores que causam alterações climáticas, ao longo da década 2002-2012.
Entre 1990 e 2013, houve um aumento de 34% no forçamento radiativo por causa de gases de efeito estufa, de acordo com os últimos números da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).
Segundo o Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM, a quantidade de CO2 na atmosfera chegou a 393,1 partes por milhão em 2012, ou 141% do nível pré-industrial, de 278 partes por milhão.
A quantidade de CO2 na atmosfera tem aumentado, em média, 2 partes por milhão por ano nos últimos 10 anos. (Fonte: Exame.com)
Aumento do nível dos mares ameaça locais históricos dos EUA
A elevação do nível dos mares, provocada pelo derretimento do gelo polar devido ao aquecimento global, ameaça vários lugares históricos dos Estados Unidos, como a Estátua da Liberdade e o Centro Espacial Kennedy, alertou um relatório divulgado nesta terça-feira (20).
“Podemos quase recontar a História dos Estados Unidos através destes lugares”, afirmou Adam Markham, pesquisador da organização privada União dos Cientistas Preocupados (UCS, na sigla em inglês), co-autor do informe “National Landmarks at Risk” (Locais Históricos Nacionais em Risco, em tradução literal).
O relatório aponta 30 tesouros nacionais americanos ameaçados pelas águas, mas também por incêndios no oeste dos Estados Unidos, onde estes incidentes têm sido cada vez mais frequentes devido a secas que climatologistas associam ao aquecimento global.
Além da Estátua da Liberdade e do Centro Espacial Kennedy, de onde partiram os primeiros homens a pisar na Lua, o documento citou Jamestown, na Virgínia, onde foi fundada a primeira colônia britânica no continente americano e que “será, provavelmente, submersa pela elevação do oceano até o fim do século”, antecipou o UCS.
“O Forte Monroe, na Virgínia, que teve um papel crucial durante a Guerra da Secessão, será uma ilha daqui a 70 anos”, acrescentou Adam Markham, destacando, ainda, que “o Castelo de São Marcos, em Saint Augustine, na Flórida, é muito vulnerável”. Esse é o mais antigo forte construído nos Estados Unidos.
O castelo de São Marcos enfrenta riscos crescentes de inundação e, sem que proteções sejam erguidas, será completamente cercado pelas águas porque, segundo projeções da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), o nível do Oceano Atlântico deve aumentar 91 centímetros até 2100, em uma estimativa conservadora.
O aumento do nível dos mares e a ameaça de tempestades mais violentas também deixam em risco o centro histórico de Anápolis, em Maryland; o de Charleston, na Carolina do Sul; e o de Boston em Massachusetts, advertiram os autores do relatório, segundo o qual muitos outros tesouros arqueológicos no resto do mundo também estão vulneráveis.
A Sociedade Americana de Arqueologia (SAA), que tem a missão de preservar as riquezas arqueológicas em todo o mundo, também publicou um comunicado nesta terça pedindo grande atenção para a preservação desses locais.
A Nasa avalia como as mudanças climáticas afetam o Centro Espacial Kennedy e muitos outros locais também ameaçados, e elabora planos para se proteger. Cinco dos sete principais centros da agência espacial americana estão situados ao longo da costa, já que a proximidade da água necessária para o lançamento de veículos espaciais fora de zonas habitadas.
Muitos desses centros já sofreram importantes prejuízos com a elevação dos mares, a erosão costeira e os furacões, acrescentou o informe.
“Segundo o escritório de planejamento e desenvolvimento da Nasa, a elevação do nível dos oceanos é a maior ameaça à continuidade das operações do Centro Espacial Kennedy”, indicou o relatório da UCS.
Para conter as mudanças climáticas e ganhar tempo para melhor preservar todos os locais ameaçados, é indispensável reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), principal gás de efeito estufa derivado das atividades humanas, insistiram os autores.
De acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), limitar o aquecimento do clima a 2°C com base na era pré-industrial ainda é possível, mas exige uma ação rápida para reduzir as emissões de CO2 de 40% a 70% até 2050.
“Reduzir as emissões de carbono de forma significativa e rapidamente pode retardar o ritmo de elevação do nível dos oceanos, além de limitar o aumento das temperaturas terrestres e a extensão da temporada de incêndios”, insistiu Angela Anderson, diretora de programas para o clima e energia da UCS. (Fonte: Terra)
Cana-de-açúcar começa a virar cana-de-óleo
Se quiser manter sua liderança no campo dos biocombustíveis, o Brasil terá pisar fundo no acelerador das pesquisas.
Cientistas norte-americanos anunciaram um passo importante para transformar a cana-de-açúcar em uma verdadeira usina de energia.
Usando técnicas de manipulação genética e biologia sintética, eles aumentaram a taxa fotossintética da cana-de-açúcar em 30% e, mais importante, transformaram a planta, conhecida por sua produção de açúcar e álcool, em uma cultura produtora de óleo.
O professor Stephen Long, da Universidade de Illinois, afirma que estes são apenas os primeiros passos de uma iniciativa que visa transformar a cana e o sorgo - duas das plantas mais produtivas que se conhece - em verdadeiras "biousinas" para produção de combustível.
Cana que produz óleo
Segundo Long, a soja não é produtiva o suficiente para atender as necessidades de produção de combustíveis renováveis.
"A cana-de-açúcar e o sorgo são plantas extremamente produtivas e, se você puder fazê-las acumular óleo em suas hastes, em vez de açúcar, isso lhe daria muito mais óleo por hectare," disse ele.
A equipe introduziu genes que aumentaram a produção de óleo natural da cana-de-açúcar para cerca de 1,5%.
"Isso pode não parecer muito, mas a 1,5% um canavial na Flórida produziria cerca de 50% mais óleo por hectare do que a mesma área plantada com soja. Isso é óleo suficiente para viabilizar a colheita," disse ele.
A equipe afirma que a técnica poderá permitir aumentar o teor de óleo da cana-de-açúcar até cerca de 20%.
Óleo, fotossíntese e resistência ao frio
Utilizando engenharia genética, os pesquisadores também aumentaram a eficiência fotossintética da cana-de-açúcar e do sorgo em 30%.
Para viabilizar o cultivo da cana-de-açúcar em zonas mais frias, eles estão cruzando a planta com Miscanthus, uma gramínea perene que cresce até no Canadá.
"O novo híbrido é mais tolerante ao frio do que a cana-de-açúcar, mas outros cruzamentos serão necessários para restaurar os outros atributos da cana," disse Long.
"Nosso objetivo é fazer com que a cana produza mais bio-óleo, seja mais produtiva com mais fotossíntese e seja mais tolerante ao frio," concluiu ele.
Redação do Site Inovação Tecnológica
Cientistas criam "árvores moles" para indústria do papel
Cientistas introduziram modificações genéticas em árvores para tornar mais fácil a produção de papel e de biocombustíveis.
Segundo eles, isso significa que será necessário usar menos produtos químicos e menos energia, além do que essas indústrias produzirão menos poluentes ambientais.
Por outro lado, ativistas do meio ambiente lançaram preocupações sobre o cruzamento dessas "árvores moles" com espécies nativas, o que poderia ser desastroso para o meio ambiente.
Árvores geneticamente modificadas
"Um dos maiores obstáculos para a indústria de papel e celulose, bem como para a indústria de biocombustíveis, é um polímero encontrado na madeira, conhecido como lignina," explica Shawn Mansfield, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá.
A lignina é uma parte substancial da parede celular da maioria das plantas e dificulta o processamento da madeira para a fabricação de celulose, papel e biocombustíveis.
Atualmente, a lignina precisa ser removida, um processo que emprega produtos químicos e energia e gera uma porção de poluentes.
A solução apresentada pelo Dr. Mansfield e sua equipe consiste em utilizar a engenharia genética para modificar a lignina, tornando-a mais fácil de quebrar.
Eles descobriram um gene em uma planta chamada angélica chinesa que muda a consistência da lignina, tornando-a mais fácil de quebrar, e introduziram esse gene em álamos, uma das árvores mais exploradas comercialmente no hemisfério norte.
Seus resultados indicaram que é possível extrair quase o dobro da quantidade de açúcar das plantas geneticamente modificadas em comparação com o álamo natural.
Árvores raquíticas
Outros pesquisadores já haviam tentado resolver o problema da lignina reduzindo sua quantidade nas árvores introduzindo genes supressores.
No entanto, o que eles obtiveram foram árvores raquíticas ou suscetíveis ao vento, neve, pragas e patógenos - em uma palavra, árvores mais fracas.
Segundo o Dr. Mansfield, a modificação genética é de fato uma questão controversa, mas, no caso das árvores, é possível inibir a proliferação dos genes nas florestas naturais.
Suas propostas, porém, parecem ser tão frágeis quanto as árvores que ele está produzindo: cortar as árvores antes que elas atinjam a maturidade sexual, não cultivá-las próximo às florestas naturais ou tentar tornar as árvores estéreis. Redação do Site Inovação Tecnológica
Com fracasso da Lei da Inovação, Brasil terá Código de Ciência, Tecnologia e Inovação
Lançada em 2002 como o grande avanço que faria deslanchar a inovação tecnológica no Brasil, a Lei da Inovação já caducou.
Desde então, houve a disseminação da prática de transferência de recursos a fundo perdido do governo para a iniciativa privada e a transformação da FINEP em banco da inovação.
Nada deu resultado, já que o que se viu no período foi a desindustrialização brasileira - o déficit tecnológico da indústria brasileira cresceu a níveis históricos.
Em busca de novas fontes de recursos públicos e menos prestações de contas - eventualmente sob o rótulo de "menos burocracia" -, a "comunidade da inovação" brasileira prepara outro arcabouço legal, acenando com bandeiras como tentar tirar o Brasil da categoria de exportador de matérias-primas minerais e agrícolas.
Código para a Ciência, Tecnologia e Inovação
O conjunto de leis que vão integrar o novo Código para a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) está em tramitação no Congresso Nacional.
Não faltam críticas ao projeto, incluindo a de que o Código da Ciência é só para ricos.
O chamado Código de CT&I é constituído pelo Projeto de Lei (PL) 2.177/2011, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 290, o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para o setor e a elaboração da Lei da Biodiversidade, a cargo do Ministério do Meio Ambiente.
Segundo o deputado Sibá Machado (PT-AC), relator do PL 2.177, a Lei da Biodiversidade é tão complexa que foi decidido deixá-la por último. "Se trouxermos ao debate agora, não vai andar e travar as outras propostas que estão mais adiantadas", justifica.
Machado explica que, inicialmente, percebeu-se que era necessário ajustar a Constituição e atualizar termos para amparar melhor as mudanças previstas nos outros projetos. Aprovada em abril na Câmara dos Deputados, a PEC 290 agora está no Senado, e Machado acredita que pode ser votada antes das eleições.
Já o PL 2.177, em tramitação na Câmara, deve ficar para depois das eleições. "Ele modifica e amplia a base conceitual para a CT&I, acaba sendo a lei regulamentar para a mudança que as pesquisas precisam", explica o deputado. O texto do RDC ainda está na Casa Civil e deve ir ao Congresso por meio de um projeto de lei.
Propostas
Entre as modificações previstas no código, estão uma abertura maior na relação com a iniciativa privada, a flexibilização dos recursos, com a definição do que é custeio e o que é investimento em pesquisas e a definição dos conceitos de atividade meio e atividade fim.
As propostas incluem ainda a ampliação do teto do Simples Nacional para micro e pequenas empresas inovadoras e o aumento do banco de horas para pesquisadores da rede pública - que limita o pagamento a pesquisadores pelo Ministério da Educação.
"Hoje, a lei no Brasil só permite 120 horas por ano [de banco de horas]. Em qualquer outro país desenvolvido - Estados Unidos, Japão, China - são 420 horas por ano. Estamos propondo 416 horas por ano, e o Ministério da Educação concorda. Nós queremos um Brasil que se desenvolva fortemente e há uma eclosão de jovens saindo das universidades para montar as próprias empresas", disse Sibá Machado. http://www.inovacaotecnologica.com.br/
Mineração no fundo do mar vai começar
Mina oceânica
Os planos para abrir a primeira mina do mundo no fundo do oceano estão significativamente mais próximos de se tornarem realidade.
Uma empresa de mineração canadense concluiu um acordo com o governo de Papua Nova Guiné para começar a minerar uma área no fundo do mar.
O projeto polêmico pretende extrair minérios de cobre, ouro e outros metais valiosos de uma profundidade de 1.500 metros.
Enquanto muitos apontam para os "tesouros minerais" no fundo do mar, ambientalistas dizem que a mineração no fundo do oceano será devastadora, causando danos duradouros à vida marinha.
A mineração normal causa danos localizados ao meio ambiente, mas há legislação em todos os países para controlar esses impactos.
Só recentemente a ONU publicou as primeiras regras para tentar normatizar a mineração no fundo do mar.
Minérios submarinos
A mina terá como alvo uma área de fontes hidrotermais onde águas superaquecidas e altamente ácidas emergem do fundo do mar e encontram a água muito mais fria e alcalina do oceano, forçando-a a depositar altas concentrações de minerais.
O resultado é que o fundo do mar na região está coberto de minérios que são muito mais ricos em ouro e cobre do que os minérios encontrados nas minas terrestres, sejam superficiais ou subterrâneas.
Durante décadas, a ideia de minerar esses depósitos - assim como os nódulos ricos em minerais encontrados mais espalhados pelo fundo do mar - tem sido inviabilizada por causa do desafio de engenharia e dos altos custos.
Mas o boom nas operações de petróleo e gás nas últimas décadas levou ao desenvolvimento de uma série de tecnologias avançadas que permitem a exploração em grandes profundidades, ao mesmo tempo em que uma demanda aquecida por metais valiosos tem feito os preços globais das commodities minerais disparar.
A empresa Nautilus Minerals tem estado de olho nos minérios do fundo do mar ao largo de Papua Nova Guiné desde os anos 1990. O projeto ficou parado não por questões técnicas, mas devido a desentendimentos com o governo daquele país.
Segundo o acordo assinado agora, o governo de Papua Nova Guiné terá uma participação de 15% na mina oceânica, contribuindo com US$ 120 milhões para cobrir os custos da operação. Primeira mina no fundo do mar
A mina, conhecida como Solwara-1, será escavada por uma frota de máquinas robóticas controladas a partir de um navio na superfície.
O plano consiste em quebrar a camada superior do fundo do mar de modo que o minério possa ser bombeado para cima como uma lama.
Para quebrar as rochas e raspar o fundo do mar será empregada a maior máquina da mina, um triturador pesando 310 toneladas, que trabalhará 24 horas por dia.
De acordo com a Nautilus, a mina terá um impacto ambiental mínimo, o equivalente a cerca de 10 campos de futebol e com foco em uma área que é suscetível de ser rapidamente recolonizada pela vida marinha.
Mas esta será a primeira tentativa de extrair minério do fundo do oceano, de modo que a operação - e as garantias da empresa sobre os impactos - serão vigiados de muito perto.
Informações da BBC
China e Índia revelam planos ambiciosos para energia solar
Chineses desejam triplicar sua capacidade instalada até 2017; governo indiano pretende usar solar para resolver o problema do país de ter 400 milhões de pessoas ainda sem acesso à eletricidade.
Já há algum tempo a Ásia tem aparecido como o grande destaque mundial quando o assunto é a expansão das energias renováveis, e novos anúncios nos últimos dias reforçam ainda mais essa posição de liderança.
O governo chinês divulgou que pretende triplicar sua capacidade solar instalada para alcançar 70 GW até 2017. Para se ter uma noção da quantidade de energia que isso significa, o recorde de consumo no Brasil, batido em janeiro deste ano, foi de pouco mais de 80 GW.
“A nova meta deverá ser facilmente alcançada se a China continuar com o atual ritmo de construção de instalações solares”, afirmou Wang Xiaoting, analista da Bloomberg New Energy Finance.
A China está expandindo o uso da energia solar em uma taxa sem precedentes. Em 2010, o país possuía apenas 5 GW, e, no ano passado, a marca já estava acima dos 20 GW.
No entanto, a geração limpa de energia ainda representa uma pequena parcela da matriz chinesa. Em 2013, a fatia das fontes alternativas era de apenas 9%. A estimativa é que essa porcentagem suba para 11,4% em 2015 e 15% até 2020.
Índia
A recente eleição de Narendra Modi para o cargo de primeiro-ministro foi saudada por muitos grupos ambientalistas como o possível começo de uma nova era para uma Índia de baixo carbono. Isso porque, quando Modi governou o estado de Gujarat, colocou em prática algumas das leis e programas mais inovadores em termos de energias limpas da história da Índia.
Em uma demonstração de que o novo primeiro-ministro deve mesmo distanciar seu país da dependência do carvão, oficiais do governo afirmaram que Modi expandirá a capacidade solar indiana de forma que pelo menos uma lâmpada em cada residência seja alimentada por esse tipo de energia até 2019.
O objetivo central de Modi seria levar eletricidade para os 400 milhões de indianos que ainda não têm acesso à rede elétrica.
Segundo Narendra Taneja, um dos responsáveis pelas políticas de energia do Partido do Povo Indiano, do qual o novo primeiro-ministro é filiado, as fontes limpas serão a prioridade do governo.
“A solar, em particular, tem o potencial de criar empregos e suprir a demanda por eletricidade em residências que estão distantes da rede de distribuição”, afirmou Taneja à Bloomberg.
A capacidade solar instalada atualmente na Índia é de 2,6 GW. O governo anterior fixou como objetivo elevar essa marca para 20 GW até 2022, mas esse número deve aumentar com Modi no poder.
Enquanto isso, no Brasil, a capacidade solar instalada conectada à rede é de pouco mais de 13 MW, ou 0,013 GW, segundo o Banco de Informações de Geração (BIG) da ANEEL.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
Brasil poderá ter centro de pesquisa de "ciência aberta"
A criação de um centro de pesquisa básica no Brasil, em um modelo ciência aberta (sem direitos de propriedade intelectual), voltado à produção de conhecimentos relevantes para a descoberta de novos fármacos e para o avanço da agricultura foi debatida em um evento realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A proposta foi apresentada a pesquisadores, estudantes e agências de fomento brasileiras por representantes do Structural Genomics Consortium (SGC), uma parceria público-privada que reúne cientistas, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos de apoio à pesquisa.
"O SGC tem hoje sede na Universidade de Toronto (Canadá) e na Universidade de Oxford (Reino Unido). Nosso sonho é criar um terceiro centro na Unicamp e expandir nosso campo de pesquisa - hoje focado em biomedicina - para a ciência de plantas", disse Aled Edwards, fundador e presidente do grupo.
Epigenética
O consórcio foi criado em 1999 com o objetivo de promover pesquisa básica em áreas consideradas de alto risco, como epigenética, para as quais seria difícil obter financiamento pelos métodos tradicionais.
"Na época, todas as empresas farmacêuticas estavam fazendo exatamente as mesmas pesquisas sobre proteínas e, então, pensamos: por que não unir os investimentos em uma única empreitada e compartilhar os resultados? Concordamos que nada seria patenteado e todos os dados seriam de acesso público. A propriedade intelectual não é algo ruim, mas quando você declara uma zona livre de patentes o conhecimento flui", disse Edwards.
Nos últimos anos, pesquisadores ligados ao SGC descreveram a estrutura de mais de 1.200 proteínas, com implicações para o desenvolvimento de terapias contra câncer, diabetes, obesidade e transtornos psiquiátricos. Estima-se que o custo das pesquisas necessárias para desvendar cada uma das proteínas seja de aproximadamente US$ 1 milhão.
Sondas químicas
"Decidimos então usar esse conhecimento para desenhar compostos sintéticos - as chamadas sondas químicas - que funcionam como inibidores de enzimas. São moléculas capazes de se ligar de forma bastante seletiva a proteínas sinalizadoras, como as quinases, que controlam importantes funções, tanto no organismo humano como nos animais e nas plantas", explicou Edwards.
As sondas químicas são ferramentas de pesquisa usadas para desvendar o papel biológico das quinases e os mecanismos de sinalização celular. Mais de 500 quinases diferentes foram identificadas no genoma humano, mas apenas cerca de 40 foram bem estudadas.
"Essas sondas químicas são caras e difíceis de criar. Apenas as grandes indústrias farmacêuticas têm a estrutura necessária. Se tratarmos essas ferramentas como produtos comerciais, a academia não terá acesso a elas e não conseguiremos desvendar os mistérios da biologia. Por outro lado, se as fornecermos aos acadêmicos gratuitamente, isso beneficiará a indústria no longo prazo", disse Edwards.
"Tudo que pedimos em troca é que o conhecimento gerado com o uso dos nossos inibidores seja de acesso público. A ideia é que mais cientistas façam experimentos para avançar o conhecimento sobre biologia básica. Isso nos ajudará a tomar melhores decisões em relação a quais alvos investir nos projetos de desenvolvimento de fármacos e a otimizar recursos", disse David Drewry, diretor de Biologia Química da GSK e um dos palestrantes do evento. Agência Fapesp
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