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quinta-feira, 29 de maio de 2014

SUS oferece tratamento contra artrite reumatoide

O SUS (Sistema Único de Saúde) já está capacitado para atender todos os pacientes com artrite reumatoide, oferecendo gratuitamente um tratamento considerado de alto custo. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória que compromete várias articulações do corpo. As articulações ficam inchadas e impedem os movimentos das pernas, braços e mãos. "Havia um pedido da sociedade de pacientes com artrite reumatoide, que é uma doença progressiva, grave que muitas vezes não se consegue controle. Então o pleito para incluir novos medicamentos fez com que a gente analisasse um grupo de medicamentos novos para essa doença, justamente para aqueles pacientes que não tiveram sucesso com os tratamentos iniciais," declarou Clarice Petramale, do Ministério da Saúde. O tratamento para combater a artrite reumatoide no SUS é feito com medicamentos que diminuem a evolução da doença e evitam a ocorrência de danos irreversíveis nas articulações, além de aliviar as dores e melhorar a qualidade de vida do paciente. "No momento a gente tem no SUS todos os medicamentos necessários, todos os que estão no mercado no Brasil e no mundo para que sejam usados na artrite," completou Clarice. http://www.diariodasaude.com.br/

Todos são responsáveis pelo lixo

Todos são responsáveis pelo lixo Lixo acumulado no Rio de Janeiro. As grandes cidades são as que mais produzem lixo no Brasil. Foto: Tania Rego / Agência Brasil Mas o setor privado parece mais preparado para empreender as mudanças exigidas pela legislação Há uma discrepância entre a letra morta da lei e a prática na gestão dos resíduos sólidos. Embora a legislação determine as “responsabilidades compartilhadas”, o peso das operações recai quase absolutamente sobre os municípios, muitos deles despreparados para enfrentar o desafio. E há ainda a desinformação dos cidadãos médios sobre como fazer mais pela preservação do meio ambiente. A falta de comunicação geral entre os interessados, a burocracia e o despreparo de parte do setor público dificultam a adoção no ritmo desejado das políticas previstas no Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Pior para a sociedade: o fim dos lixões, previsto para 2014, não sairá do papel. Essas foram algumas das principais conclusões do evento Resíduos Sólidos – Embalagens Pós-Consumo, realizado em São Paulo em 7 de maio. Mais um seminário da série Diálogos Capitais, o debate nasceu de uma parceria entre CartaCapital, o Instituto Envolverde e o Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre) e reuniu autoridades, representantes do setor privado, ONGs e movimentos sociais. Convidada para proferir a palestra de abertura, Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, criticou a falta de diálogo entre os setores envolvidos na adoção do plano de resíduos. Segundo a ministra, deveríamos estar mais avançados a esta altura, com as cidades dedicadas à discussão sobre a maior eficiência na agenda ambiental (entrevista à pág. 46). “É urgente compreender o funcionamento do sistema de logística reversa de resíduos, quem são seus atores e como ele deve ser administrado pelos municípios.” O setor privado, os gestores públicos e as cooperativas de catadores precisam, diz a ministra, se organizar para oferecer um serviço de coleta seletiva e capacidade de logística reversa para garantir a segurança ambiental das cidades e dos ecossistemas afetados pela má gestão do lixo. Teixeira enfatizou a importância dos catadores em todo o processo de reciclagem. “Não faço uma reunião sem a presença deles. Hoje, tê-los à mesa é precondição de negociação.” Victor Bicca, presidente do Cempre, listou os três objetivos principais da instituição: promover o conceito de Gerenciamento Integrado do Resíduo Sólido Municipal e a reciclagem pós-consumo e difundir a educação ambiental com foco na teoria dos três R (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). O também diretor de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil para a Copa do Mundo citou outros cinco pontos principais para o avanço da política de resíduos sólidos: coleta seletiva, educação ambiental, inclusão social, instrumentos econômicos e política industrial para o setor reciclador. A reciclagem, ressalta, é uma oportunidade para integrar setores marginalizados da sociedade, entre eles os catadores de lixo. O executivo criticou o peso dos impostos sobre a cadeia produtiva. A cobrança de tributos como o ICMS, afirma, precisa ser repensada. “Hoje, se comparar uma camisa de algodão e outra de pet reciclável é melhor comprar uma de algodão, que é mais barata. Ela usa, porém, uma matéria-prima não renovável, enquanto descartamos um material que poderia ser reutilizado”. A saída? “A gente precisa deixar a zona de conforto. As empresas realmente são muito reativas”. Paulo Pompilio, diretor do Grupo Pão de Açúcar, diz que o varejo está muito envolvido no tema. O engajamento teve início em 2001, quando foi criada uma parceria com a indústria. As diretrizes do grupo varejista se concentram na valorização dos indivíduos, consumo e oferta consciente, transformação na cadeia de valor, gestão do impacto ambiental e envolvimento da sociedade. O Pão de Açúcar tem um programa de coleta seletiva que atende a 200 lojas e centros de distribuição desde 2008. Firmou ainda uma parceria com a AES Eletropaulo para oferecer a troca voluntária de materiais recicláveis por descontos na conta do cliente. O material recebido é doado para 67 cooperativas de reciclagem parceiras e promove a geração de renda e a inclusão social. Mais de 8 mil trabalhadores são beneficiados direta e indiretamente a cada ano, detalhou o executivo. André Chevis, gerente de Marketing de Multivarejo do Grupo Pão de Açúcar, aponta o poder transformador do varejo. Desde 2001, destacou, mais de 72 mil toneladas de papel foram reaproveitadas. O consumidor compra, e leva o descarte para as estações de reciclagem e as caixas verdes. O GPA separa o material e o reaproveita, transformando-o em novas embalagens, que têm preço menor. Fernando Von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak, traçou uma radiografia do setor de reciclagem, baseado em pesquisas com cidadãos latino-americano. A poluição é um problema sério para 92% dos habitantes da região, mas 72% não sabem como fazer mais pelo meio ambiente. Nem sequer conhecem as técnicas de separação dos resíduos sólidos urbanos. O ciclo de vida das embalagens Tetra Pak, explica Von Zuben, está focado na preservação do meio ambiente, da produção da embalagem à educação do cliente, da relação com o varejo, o consumo e a coleta seletiva à triagem e reciclagem. A empresa trabalha atualmente com 600 cooperativas. “A reciclagem gera renda, emprego, impostos e menor impacto ambiental.” Em agosto de 2014 se encerra, ao menos na lei, o prazo para o fim dos lixões. O cenário real está, porém, bem distante das determinações da lei. Por qual motivo? Um deles, descreve o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, é a falta de gestores preparados nas cidades para imaginar alternativas menos poluentes. Maranhão prega uma mudança radical na forma de encarar e administrar os problemas. “Não podemos gerar resíduos de forma irresponsável ou consumir desenfreadamente.” Os representantes das cadeias produtivas de plástico, papel, alumínio e garrafas pet presentes no evento reivindicaram medidas governamentais capazes de auxiliar as empresas a elevar os níveis de reciclagem da cadeia produtiva. Segundo as entidades patronais, não há mais espaço para burocracia, demora na tomada de ações ou falta de direcionamento nas instâncias legislativas. “Monitoramos perto de 285 projetos de lei. Desses, 90% são estapafúrdios. Não servem para nada”, disparou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Pet, Auri Marçon. Pedro Vilas Boas, diretor da área de produtos e reciclagem da Indústria Brasileira de Árvores, novo nome da antiga Bracelpa, reafirmou as reclamações. “O poder público parece não fazer a sua parte nessa responsabilidade compartilhada. O fim dos lixões que deveria ser em 2014 não acontecerá. Temos aí os sistemas de coleta seletiva e a necessidade da desoneração da cadeia. Se isso não acontecer, poderemos ter recuo na reciclagem.” Diretor do Cempre, André Vilhena afirmou que ficou para trás o tempo em que o governo se queixava de falta de recursos dos municípios para realizar a coleta seletiva de resíduos sólidos. “Não há falta de dinheiro hoje. Temos prefeituras que fazem ótimos trabalhos. Porto Alegre faz coleta seletiva há 25 anos. Com bons trabalhos, a iniciativa privada se sente motivada a criar ações.” Aa companhias acumulam vários bons exemplos. Atualmente, 500 empresas estão envolvidas na reciclagem de pet. O faturamento anual do setor chega a 1,6 bilhão de reais. “Reciclamos quase 60% do material, ou 400 mil toneladas. A boa notícia é que a reciclagem de pet cresceu mais do que o pet virgem. O desafio é continuar a crescer. O maior gargalo é a coleta. Em certas épocas do ano, as recicladoras trabalham com mais de 30% de ociosidade”, descreve Marçon. São Paulo, ao menos, promete se esforçar na melhora desse indicador. A prefeitura estuda uma forma de remunerar os trabalhadores responsáveis pela coleta dos materiais recicláveis na cidade, garantiu o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro Chiovetti. “Temos um investimento aprovado pelo BNDES no valor de 42 milhões de reais para a capacitação e a qualificação dos trabalhadores. ONGs, universidades e entidades vão gerenciar as melhoras das condições das cooperativas. Entendemos tratar-se de um modelo ousado, novo.” A prefeitura tem a intenção de reduzir de 98,2% para 20% o volume de resíduos despejado nos aterros sanitários da cidade nos próximos 20 anos. A medida atende ao pedido de Roberto Laureano, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, outro participante dos debates. “Precisamos de investimento na ponta.” Além de chamar atenção para o aumento de recursos, Laureano afirmou que a maior efetividade da reciclagem depende da ampliação do processo de formação técnica dos catadores, segundo cada área de atuação ou produto com o qual trabalham. A capital paulista, garante Simão Pedro, tem um plano de coleta seletiva para os próximos 20 anos, com produção média de um quilo de resíduos por habitante ao dia. O secretário afirmou ainda que há dois grandes aterros em São Paulo, 22 cooperativas de catadores e 40 pontos de recepção de coleta seletiva de lixo, que atendem 40% dos bairros. Diretor da Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade, Renault Castro afirma que o índice de reciclagem de latas de bebidas, de 3% em 1991, saltou para 98% no ano passado. É o maior percentual do mundo. Os principais consumidores são a indústria automotiva e o setor de siderurgia. O investimento desde o início dos anos 1990 chega a 1 bilhão de dólares. Paulo Henrique Rangel Teixeira, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico, enxerga muitos desafios para o setor. Existem atualmente 815 empresas, que geram 23 mil empregos, com faturamento de 2,5 bilhões de reais. O índice de reciclagem mecânica é de apenas 2%, embora o plástico represente 20% do resíduo sólido urbano. O potencial econômico da reciclagem, calcula Teixeira, é de 5,8 bilhões de reais. Prova de que, além de melhorar o meio ambiente, a boa gestão dos resíduos sólidos é um excelente negócio. * Colaborou Rafael Nardini. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.

Três fatos pouco conhecidos sobre a alergia

Você é alérgico e por isso evita ficar ao ar livre para fugir dos grãos de pólen ou da poeira? Esta talvez não seja a melhor atitude. Há alguns equívocos comuns sobre alergias que podem significar que você está tornando as coisas piores para si mesmo. É o que alerta o Dr. Nabeel Farooqui, alergista da Universidade do Estado de Ohio (EUA). Alergia nas roupas de cama Se você jogou fora seus travesseiros de penas naturais em favor de produtos sintéticos antialérgicos é bom saber que geralmente não são as penas as culpadas por suas alergias. "Esse material é cuidadosamente lavado e enfiado dentro de invólucros costurados muito firmemente. Os materiais sintéticos frequentemente têm costuras mais soltas, que podem permitir que se junte mais poeira, mofo e pêlos. E é a isso que as pessoas frequentemente são alérgicas - não às penas propriamente ditas," disse o Dr. Farooqui. Ele recomenda que você use roupas de cama, travesseiros e almofadas do material que você achar mais confortável - e lave tudo regularmente em água quente para minimizar a poeira e os alérgenos de pêlos. Você também pode tentar usar mantas antiácaros no colchão. Mofo tóxico Esporos de fungos estão em todos os lugares e, embora algumas pessoas possam ser sensíveis a altos níveis de mofo, eles geralmente não são problemas de saúde tão sérios quanto se pensa, diz o médico. Farooqui diz que, se você é sensível a níveis elevados de esporos de mofo, evite agitar material orgânico, adubo ou folhas em decomposição. Nos ambientes fechados, identifique vazamentos de água e outras fontes de umidade e conserte-as. O mofo em superfícies duras pode ser limpo com água sanitária diluída. Materiais absorventes, como gesso, carpete ou forros precisam ser substituídos. O tipo frequentemente descrito como "bolor negro tóxico" (Stachybotrys chartarum), na verdade não é tóxico. "Esse tipo de mofo geralmente não se dispersa no ar para ser respirado porque é pegajoso por crescer em um ambiente úmido," disse Farooqui. "Tem havido estudos para analisar a toxicidade deste mofo, mas não foram encontradas evidências. Entretanto, mofos normalmente pioram a asma e os sintomas da alergia." Animais hipoalergênicos Os amantes dos animais que forem alérgicos aos membros de quatro patas da família podem ser orientados a adotar animais de raça pura ou filhotes vendidos como hipoalergênicos, mas Farooqui diz que você não deve esperar que os sintomas da alergia desapareçam completamente. "Para resumir, animais completamente hipoalergênicos simplesmente não existem," diz ele. "A pele não é o problema. Os alérgenos estão nos pêlos dos animais de estimação, e são derivados de proteínas na pele, na saliva e na urina. Aconselhamos as pessoas a lavar seu animal de estimação regularmente. Mantenha o quarto como zona proibida para animais de estimação e use um filtro de ar. Se você continuar tendo sintomas, converse com seu médico para ver se você é um candidato a medicamentos ou vacinas de alergia." Cientistas descobrem como gatos provocam alergias Embora não haja consenso entre os cientistas, há indícios de que algumas alergias possam ser hereditárias. Quando um dos pais tem uma alergia, há uma chance de 3 em 10 de que a criança também terá. Quando ambos os pais têm alergia, há uma chance de 7 em 10 de seu filho também terá.Redação do Diário da Saúde

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Todos são responsáveis pelo lixo

Lixo acumulado no Rio de Janeiro. As grandes cidades são as que mais produzem lixo no Brasil. Há uma discrepância entre a letra morta da lei e a prática na gestão dos resíduos sólidos. Embora a legislação determine as “responsabilidades compartilhadas”, o peso das operações recai quase absolutamente sobre os municípios, muitos deles despreparados para enfrentar o desafio. E há ainda a desinformação dos cidadãos médios sobre como fazer mais pela preservação do meio ambiente. A falta de comunicação geral entre os interessados, a burocracia e o despreparo de parte do setor público dificultam a adoção no ritmo desejado das políticas previstas no Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Pior para a sociedade: o fim dos lixões, previsto para 2014, não sairá do papel. Essas foram algumas das principais conclusões do evento Resíduos Sólidos – Embalagens Pós-Consumo, realizado em São Paulo em 7 de maio. Mais um seminário da série Diálogos Capitais, o debate nasceu de uma parceria entre CartaCapital, o Instituto Envolverde e o Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre) e reuniu autoridades, representantes do setor privado, ONGs e movimentos sociais. Convidada para proferir a palestra de abertura, Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, criticou a falta de diálogo entre os setores envolvidos na adoção do plano de resíduos. Segundo a ministra, deveríamos estar mais avançados a esta altura, com as cidades dedicadas à discussão sobre a maior eficiência na agenda ambiental (entrevista à pág. 46). “É urgente compreender o funcionamento do sistema de logística reversa de resíduos, quem são seus atores e como ele deve ser administrado pelos municípios.” O setor privado, os gestores públicos e as cooperativas de catadores precisam, diz a ministra, se organizar para oferecer um serviço de coleta seletiva e capacidade de logística reversa para garantir a segurança ambiental das cidades e dos ecossistemas afetados pela má gestão do lixo. Teixeira enfatizou a importância dos catadores em todo o processo de reciclagem. “Não faço uma reunião sem a presença deles. Hoje, tê-los à mesa é precondição de negociação.” Victor Bicca, presidente do Cempre, listou os três objetivos principais da instituição: promover o conceito de Gerenciamento Integrado do Resíduo Sólido Municipal e a reciclagem pós-consumo e difundir a educação ambiental com foco na teoria dos três R (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). O também diretor de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil para a Copa do Mundo citou outros cinco pontos principais para o avanço da política de resíduos sólidos: coleta seletiva, educação ambiental, inclusão social, instrumentos econômicos e política industrial para o setor reciclador. A reciclagem, ressalta, é uma oportunidade para integrar setores marginalizados da sociedade, entre eles os catadores de lixo. O executivo criticou o peso dos impostos sobre a cadeia produtiva. A cobrança de tributos como o ICMS, afirma, precisa ser repensada. “Hoje, se comparar uma camisa de algodão e outra de pet reciclável é melhor comprar uma de algodão, que é mais barata. Ela usa, porém, uma matéria-prima não renovável, enquanto descartamos um material que poderia ser reutilizado”. A saída? “A gente precisa deixar a zona de conforto. As empresas realmente são muito reativas”. Paulo Pompilio, diretor do Grupo Pão de Açúcar, diz que o varejo está muito envolvido no tema. O engajamento teve início em 2001, quando foi criada uma parceria com a indústria. As diretrizes do grupo varejista se concentram na valorização dos indivíduos, consumo e oferta consciente, transformação na cadeia de valor, gestão do impacto ambiental e envolvimento da sociedade. O Pão de Açúcar tem um programa de coleta seletiva que atende a 200 lojas e centros de distribuição desde 2008. Firmou ainda uma parceria com a AES Eletropaulo para oferecer a troca voluntária de materiais recicláveis por descontos na conta do cliente. O material recebido é doado para 67 cooperativas de reciclagem parceiras e promove a geração de renda e a inclusão social. Mais de 8 mil trabalhadores são beneficiados direta e indiretamente a cada ano, detalhou o executivo. André Chevis, gerente de Marketing de Multivarejo do Grupo Pão de Açúcar, aponta o poder transformador do varejo. Desde 2001, destacou, mais de 72 mil toneladas de papel foram reaproveitadas. O consumidor compra, e leva o descarte para as estações de reciclagem e as caixas verdes. O GPA separa o material e o reaproveita, transformando-o em novas embalagens, que têm preço menor. Fernando Von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak, traçou uma radiografia do setor de reciclagem, baseado em pesquisas com cidadãos latino-americano. A poluição é um problema sério para 92% dos habitantes da região, mas 72% não sabem como fazer mais pelo meio ambiente. Nem sequer conhecem as técnicas de separação dos resíduos sólidos urbanos. O ciclo de vida das embalagens Tetra Pak, explica Von Zuben, está focado na preservação do meio ambiente, da produção da embalagem à educação do cliente, da relação com o varejo, o consumo e a coleta seletiva à triagem e reciclagem. A empresa trabalha atualmente com 600 cooperativas. “A reciclagem gera renda, emprego, impostos e menor impacto ambiental.” Em agosto de 2014 se encerra, ao menos na lei, o prazo para o fim dos lixões. O cenário real está, porém, bem distante das determinações da lei. Por qual motivo? Um deles, descreve o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, é a falta de gestores preparados nas cidades para imaginar alternativas menos poluentes. Maranhão prega uma mudança radical na forma de encarar e administrar os problemas. “Não podemos gerar resíduos de forma irresponsável ou consumir desenfreadamente.” Os representantes das cadeias produtivas de plástico, papel, alumínio e garrafas pet presentes no evento reivindicaram medidas governamentais capazes de auxiliar as empresas a elevar os níveis de reciclagem da cadeia produtiva. Segundo as entidades patronais, não há mais espaço para burocracia, demora na tomada de ações ou falta de direcionamento nas instâncias legislativas. “Monitoramos perto de 285 projetos de lei. Desses, 90% são estapafúrdios. Não servem para nada”, disparou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Pet, Auri Marçon. Pedro Vilas Boas, diretor da área de produtos e reciclagem da Indústria Brasileira de Árvores, novo nome da antiga Bracelpa, reafirmou as reclamações. “O poder público parece não fazer a sua parte nessa responsabilidade compartilhada. O fim dos lixões que deveria ser em 2014 não acontecerá. Temos aí os sistemas de coleta seletiva e a necessidade da desoneração da cadeia. Se isso não acontecer, poderemos ter recuo na reciclagem.” Diretor do Cempre, André Vilhena afirmou que ficou para trás o tempo em que o governo se queixava de falta de recursos dos municípios para realizar a coleta seletiva de resíduos sólidos. “Não há falta de dinheiro hoje. Temos prefeituras que fazem ótimos trabalhos. Porto Alegre faz coleta seletiva há 25 anos. Com bons trabalhos, a iniciativa privada se sente motivada a criar ações.” Aa companhias acumulam vários bons exemplos. Atualmente, 500 empresas estão envolvidas na reciclagem de pet. O faturamento anual do setor chega a 1,6 bilhão de reais. “Reciclamos quase 60% do material, ou 400 mil toneladas. A boa notícia é que a reciclagem de pet cresceu mais do que o pet virgem. O desafio é continuar a crescer. O maior gargalo é a coleta. Em certas épocas do ano, as recicladoras trabalham com mais de 30% de ociosidade”, descreve Marçon. São Paulo, ao menos, promete se esforçar na melhora desse indicador. A prefeitura estuda uma forma de remunerar os trabalhadores responsáveis pela coleta dos materiais recicláveis na cidade, garantiu o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro Chiovetti. “Temos um investimento aprovado pelo BNDES no valor de 42 milhões de reais para a capacitação e a qualificação dos trabalhadores. ONGs, universidades e entidades vão gerenciar as melhoras das condições das cooperativas. Entendemos tratar-se de um modelo ousado, novo.” A prefeitura tem a intenção de reduzir de 98,2% para 20% o volume de resíduos despejado nos aterros sanitários da cidade nos próximos 20 anos. A medida atende ao pedido de Roberto Laureano, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, outro participante dos debates. “Precisamos de investimento na ponta.” Além de chamar atenção para o aumento de recursos, Laureano afirmou que a maior efetividade da reciclagem depende da ampliação do processo de formação técnica dos catadores, segundo cada área de atuação ou produto com o qual trabalham. A capital paulista, garante Simão Pedro, tem um plano de coleta seletiva para os próximos 20 anos, com produção média de um quilo de resíduos por habitante ao dia. O secretário afirmou ainda que há dois grandes aterros em São Paulo, 22 cooperativas de catadores e 40 pontos de recepção de coleta seletiva de lixo, que atendem 40% dos bairros. Diretor da Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade, Renault Castro afirma que o índice de reciclagem de latas de bebidas, de 3% em 1991, saltou para 98% no ano passado. É o maior percentual do mundo. Os principais consumidores são a indústria automotiva e o setor de siderurgia. O investimento desde o início dos anos 1990 chega a 1 bilhão de dólares. Paulo Henrique Rangel Teixeira, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico, enxerga muitos desafios para o setor. Existem atualmente 815 empresas, que geram 23 mil empregos, com faturamento de 2,5 bilhões de reais. O índice de reciclagem mecânica é de apenas 2%, embora o plástico represente 20% do resíduo sólido urbano. O potencial econômico da reciclagem, calcula Teixeira, é de 5,8 bilhões de reais. Prova de que, além de melhorar o meio ambiente, a boa gestão dos resíduos sólidos é um excelente negócio. ** Publicado originalmente no site Carta Capital.

Desmatamento agravou crise da água em São Paulo

chuva falta 250 Desmatamento agravou crise da água em São Paulo Depois de atingir o menor nível já registrado – apenas 8,4% da sua capacidade –, o sistema Cantareira, principal fornecedor de água da região metropolitana de São Paulo, vai em busca das últimas gotas. Na última quinta-feira (15), a Sabesp iniciou uma operação emergencial para recuperar o chamado “volume morto” do reservatório. A crise no abastecimento de água não se deve apenas ao calor recorde e ao menor índice de chuvas já registrado nos últimos 84 anos. Especialistas defendem que o desmatamento em bacias hidrográficas contribui para diminuir a quantidade e a qualidade das águas, tanto superficiais quanto subterrâneas. “Nós temos apenas 30% de área com florestas preservadas nesse manancial [Sistema Cantareira]. O restante precisa ser recuperado ou têm uso inadequado de solo”, afirma a coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro. Resultados de um experimento feito pela ONG desde 2007 – que restaura uma floresta num centro em Itu, interior de São Paulo – comprovam essa relação. “Em 2012, apenas cinco anos depois, foi verificado que o nível dos lençóis freáticos subiu 20% e o dos reservatórios, 5%”, argumenta Ribeiro. Estudos apontam que a floresta atua como reguladora do ciclo hidrológico, atenuando os impactos de eventos climáticos extremos, como secas e enchentes. “A floresta aumenta a resiliência dos mananciais. O desmatamento não é causa da seca, mas, se houvesse maior cobertura vegetal, o esgotamento dos reservatórios poderia ser evitado”, diz Ribeiro. O problema, entretanto, não está restrito a São Paulo. De acordo com um levantamento inédito do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, os reservatórios considerados críticos pela Agência Nacional de Águas (ANA) perderam em média 80% de sua cobertura florestal. “Ainda estamos detalhando o estudo, mas já podemos perceber que uma das semelhanças entre os mananciais críticos em relação ao abastecimento de água é o desmatamento”, explica o coordenador geral do Pacto e diretor para Mata Atlântica da Conservação Internacional, Beto Mesquita. A pesquisa inclui as capitais do litoral do país, além de Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo, bem como cidades do interior paulista, como Sorocaba e Campinas. O papel da floresta A floresta tem uma série de funções no ciclo hidrológico. Quando a chuva cai num terreno com cobertura vegetal, a água infiltra lentamente no solo, até atingir os lençóis freáticos. Aos poucos, ela aflora nas nascentes e enche os rios, até chegar às represas. “A floresta quebra a energia da chuva, porque parte da água fica na cobertura das árvores e atinge o chão devagar. Além disso, o solo da mata é muito poroso, com matéria orgânica e raízes. Por isso, há mais espaço interno e maior capacidade de armazenamento”, explica Mesquita. Ele aponta também que, por essa característica, o solo da floresta libera um fluxo de água mais constante, mesmo durante uma estiagem. Malu Ribeiro ressalta que o desmatamento ao redor do Cantareira está prejudicando a oferta de água na região. “O sistema está localizado no fundo do vale do Rio Jaguari, que tem um conjunto de nascentes na Serra da Mantiqueira. O desmatamento no curso dos rios até o reservatório faz com que essas nascentes desapareçam e os cursos d’água não consigam se recuperar.” Enchentes e assoreamento Onde não há floresta, a infiltração da chuva no terreno é mais difícil. Num solo de pastagem, por exemplo, a quantidade de água escoada é até 20 vezes maior que em área de vegetação, segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Philip Fearnside. Por esse motivo, em período de muita precipitação, áreas desmatadas estão mais sujeitas a enchentes. A água escoa rapidamente e em quantidade, enchendo os rios e represas, muitas vezes de forma desastrosa. Neste processo, a água carrega consigo muito material orgânico, erodindo o terreno e assoreando os reservatórios. “Esse é um problema grave no Brasil e principalmente no Sistema Cantareira, porque perdemos a capacidade de reservar água. Quando chove muito, o excedente acaba sendo jogado fora”, argumenta Ribeiro. Segundo Mesquita, por evitar o assoreamento, a floresta aumenta a vida útil do reservatório, além de prolongar o tempo de abastecimento durante uma seca. Umidade e qualidade da água Outra importante função da floresta é reter água da atmosfera. Na bacia do Rio Guandu, no estado do Rio de Janeiro, 30% da água é incorporada ao sistema por essa via, segundo estudo da Conservação Internacional. “Quando vêm a neblina e nuvens carregadas, quanto mais floresta tiver em regiões montanhosas, maior a retenção de água”, diz Mesquita. A floresta contribui para manter a umidade do ar, através da transpiração das plantas. “Cerca de 30% da água na atmosfera vêm das florestas. Num reservatório, se o ar está seco, isso também aumenta a evaporação na represa”, alerta o presidente e pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia de São Carlos, José Galízia Tundisi. A vegetação também participa no ciclo hidrológico, atuando como um filtro para manter a qualidade da água. “A floresta retém metal pesado em suas raízes e matéria em suspensão. Ela também filtra a atmosfera e diminui a quantidade de partículas que podem cair na água”, afirma Tundisi. Um levantamento deste ano da Fundação SOS Mata Atlântica em sete estados também comprova essa relação entre floresta e a qualidade da água. Dos 177 pontos avaliados, apenas 19 (11%), localizados em áreas protegidas e de matas ciliares preservadas, tiveram bons resultados. Publicado originalmente no site SOS Mata Atlântica.

sábado, 17 de maio de 2014

Quanta água devemos tomar por dia?

É comum ouvir na imprensa que devemos tomar pelo menos dois litros de água por dia. Esse mito já foi derrubado em vários estudos, que mostraram que precisamos ingerir dois litros de líquidos, mas não necessariamente de água - há muita água nos alimentos. De acordo com o Guia Alimentar da População Brasileira, a quantidade de água que precisamos ingerir diariamente é variável, dependendo de fatores como a idade e o peso da pessoa, a atividade física que ela realiza e o clima e a temperatura do ambiente onde ela vive. Para algumas pessoas, a ingestão de dois litros de água por dia pode ser suficiente, outras precisarão de três ou quatro litros ou mesmo mais, como no caso dos esportistas. A recomendação do Guia com relação à quantidade de água que devemos ingerir é extremamente simples: a quantidade que o organismo pedir. Água nos alimentos Já ingerirmos água quando consumimos alimentos e preparações culinárias. Por exemplo, a maioria das verduras e legumes cozidos ou na forma de saladas têm mais do que 90% do seu peso em água. A maioria das frutas contém entre 80% e 90% de água, assim como o leite e a maioria das sopas. Após o cozimento, macarrão, batata ou mandioca têm cerca de 70% de água. Um prato de feijão com arroz é constituído de dois terços de água e preparações à base de carne têm em geral mais de metade do seu peso em água. O guia ressalta que refrigerantes e vários tipos de bebidas adoçadas possuem alta proporção de água, no entanto, não são opções saudáveis, pois são repletos de açúcar e vários aditivos, razão pela qual não podem ser considerados fontes adequadas para hidratação. http://www.diariodasaude.com.br/

Cigarros eletrônicos serão objeto de regulação

02 de maio de 2014 (Bibliomed). O FDA – Food and Drug Administration – dos Estados Unidos deve regulamentar o uso e venda de cigarros eletrônicos . As principais propostas nas regras federais incluem a proibição da venda de e-cigarros e charutos para menores, especialmente pela Internet, e também exigir que os fabricantes de e-cigarros e charutos entreguem ao FDA a lista de ingredientes utilizados em seus produtos. Ao mesmo tempo , as novas regras não proíbem qualquer sabores de e-cigarros ou charutos, e também não afetam o marketing dos e-cigarros. Os e-cigarros explodiram em um negócio de bilhões de dólares , praticamente sem supervisão federal ou proteção para os consumidores. As novas regras irão demorar pelo menos mais um ano antes de entrar em vigor. O projeto de regulamentação é muito menos restritivo do que as regras sobre os cigarros tradicionais. A agência está preocupada com as crianças que têm acesso tanto aos e-cigarros e charutos com sabor. Na publicidade, as empresas de e- cigarros não poderão reivindicar os seus produtos como sendo uma alternativa saudável ao fumo. Há um período de 75 dias de consulta pública sobre a recolha das propostas da FDA . Fonte: FDA – Federal and Drug Administration Cigarros eletrônicos podem ajudar a parar de fumar 06 de setembro de 2013 (Bibliomed). Pesquisadores da Onassis Cardiac Surgery Center, na Grécia, realizaram um estudo para comparar os efeitos dos cigarros eletrônicos e-cigarros quando comparados aos dos cigarros convencionais. O estudo envolveu 60 indivíduos saudáveis que foram avaliados para a reserva de velocidade de fluxo coronariano (CFVR) e para o índice de resistência vascular coronariano (CVRI). Metade dos participantes era fumante (30), sendo que nesses o CFVR e CVRI foram medidos em resposta à administração de adenosina, de 20 a 30 minutos depois de fumar dois cigarros e depois de usar um cigarro eletrônico. A outra metade dos participantes era composta por pacientes que não fumavam cigarros convencionais a, pelo menos, um mês. Esses foram submetidos aos mesmos testes, de 20 a 30 minutos após o uso de um cigarro eletrônico. O não uso de tabaco neste grupo foi medido através de testes de níveis de carboxihemoglobina. Os resultados mostraram que os e-cigarros tinham efeitos menos nocivos sobre a saúde do coração do que os cigarros convencionais. De acordo com um dos coordenadores do estudo, Dr. Konstantinos Farsalinos, o cigarro eletrônico apresenta-se como uma alternativa aos fumantes que desejam largar o vício, pois apresentam concentrações menores dos produtos químicos do tabaco. Os cigarros eletrônicos são dispositivos alimentados por bateria desenvolvidos com o objetivo de imitar a ação de fumar, incluindo a entrega de nicotina, teoricamente sem os efeitos tóxicos do tabagismo, por isso, Sr. Farsalinos ressalta que esse não é indicado para a população não fumante, pois pode levar ao vício. O estudo foi apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que ocorreu em Amsterdã, na Holanda, de 31 de agosto a 04 de setembro. Fonte: Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, Amsterdã, Holanda, 31 de agosto a 04 de setembro

Novo vírus da gripe é descoberto em pinguins na Antártica

Um novo tipo de gripe aviária foi detectado pela primeira vez em pinguins na Antártica, embora o vírus pareça não estar afetando os animais, informaram, nesta terça-feira, os pesquisadores. O vírus é diferente de qualquer outro conhecido pela ciência, cita artigo do mBio, um jornal da Sociedade Americana de Microbiologia. “Isso levanta uma série de perguntas para as quais não há respostas”, disse Aeron Hurt, responsável pelo estudo e cientista sênior do Centro de Pesquisa da Gripe em Melbourne, na Austrália, que colabora com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo é o primeiro a relatar um tipo de gripe das aves em pinguins, mas do tipo H11N2, até agora desconhecido, e não é claro que os vírus mais comuns e mais mortais possam chegar à Antártica. As amostras, cerca de 300, foram recolhidas entre janeiro e fevereiro de 2013 e identificaram o vírus em oito amostras, embora os pinguins não demonstrassem sinais da doença. Um dos tipos mais comuns de gripe das aves é o H5N1, que os especialistas acreditam ser disseminado por meio de patos. De acordo com os dados da OMS, cerca de 650 pessoas foram infestadas com o vírus H5N1, das quais 60% morreram. (Fonte: Terra)

Você sabe o que é tratamento paliativo?

Quando um paciente recebe um diagnóstico indicando que sua doença não tem cura, ele e sua família entram em um processo de mudanças radicais em suas vidas. O tratamento paliativo visa oferecer cuidados completos aos pacientes afetados e às suas famílias. Isso inclui o controle da dor e outros sintomas, bem como a resolução de problemas psicológicos, sociais e espirituais, um trabalho que deve ser feito por uma equipe multidisciplinar de profissionais. Nesta entrevista, o Dr. Robert Shannon, da Clínica Mayo (EUA) responde perguntas sobre esse modelo de tratamento e as diferenças com os métodos tradicionais de cura. O que é tratamento paliativo? A Organização Mundial de Saúde o define como "o tratamento completo e ativo de pacientes, cujas doenças não mais respondem a tratamentos curativos; portanto, o objetivo principal é conseguir controlar a dor e outros sintomas, bem como problemas psicológicos, sociais e espirituais". Como esse tratamento pode ser descrito? Ele não se relaciona a temas como "a boa morte" ou "como morrer"; em vez disso, se relaciona com "viver bem", mesmo no caso de uma doença incurável. Como o tratamento paliativo é aplicado na prática? A Organização Nacional de Assistência a Pacientes Terminais e Tratamento Paliativo (National Hospice and Palliative Care Organization) dos Estados Unidos define o tratamento paliativo de forma simples e eloquente: "Avaliar, antever e aliviar o sofrimento". Essa é uma abordagem, muito ampla, que reafirma a vida e considera a vida e a morte como processos naturais. Esse tratamento nunca acelera a morte do paciente, nem a retarda; o foco é tratar os sintomas do paciente, que são tão importantes como a própria doença. Há um ditado [atribuído a Hipócrates] que resume essa ideia: "Cure algumas vezes, alivie frequentemente, conforte sempre". O tratamento paliativo aborda outras questões além das que são especificamente médicas ou clínicas? O tratamento paliativo alivia sintomas que causam sofrimento ao paciente, integra os aspectos psicológicos e espirituais do tratamento e oferece um sistema de apoio para ajudá-lo a viver tão ativamente quanto possível até sua morte. Ele também dá apoio à família, para que aprenda a lidar com a doença e, finalmente, com a perda de um ente querido. O tratamento médico tradicional também é necessário? Sim, a quimioterapia, a radioterapia e mesmo a cirurgia exercem papéis relevantes, quando os benefícios sintomáticos são maiores que as complicações que podem trazer. Então, quais são as principais diferenças entre os métodos tradicionais e o método paliativo? São várias. Em primeiro lugar, o propósito do modelo tradicional é curar o paciente, enquanto o do método paliativo é aliviar o sofrimento. O método tradicional tenta analisar a doença. O paliativo, em vez disso, se foca em todos os aspectos do sofrimento. É uma abordagem existencial. Outro aspecto é o de que, enquanto o modelo tradicional reflete um conflito entre o corpo e a mente, no método paliativo, os sintomas que causam a dor são considerados como entidades e a unidade do tratamento inclui a família. Enquanto para o método tradicional de cura a morte representa uma falha no tratamento, para o método paliativo a morte é uma parte inevitável da vida. Por essa razão, o método tradicional propõe o tratamento a qualquer custo, seja para conseguir a erradicação da doença ou apenas uma melhora, mesmo que lenta. Sob a perspectiva do método paliativo, por outro lado, o tratamento será bem-sucedido se a pessoa passar a viver bem apesar da doença, mesmo que venha a morrer a qualquer momento. Além disso, o tratamento precisa ser consistente com os valores, crenças e interesses do paciente e de sua família. Quais são suas recomendações? Para os pacientes e suas famílias: Digam ao médico ou à equipe de tratamento quais são suas esperanças e o que é mais importante nessa situação. O paciente deve pensar no que lhe dá alegria, prazer e maior significado a sua vida. Todo o tratamento paliativo é dedicado a atender os objetivos de vida do paciente, mesmo que ele esteja enfrentando uma doença incurável. Aliás, esse não deveria ser o objetivo de todo o mundo, a qualquer tempo? http://www.diariodasaude.com.br/

sexta-feira, 16 de maio de 2014

CO2 na atmosfera fica acima de 400 ppm durante todo o mês de abril

O conteúdo do Instituto CarbonoBrasil possui direitos reservados, porém é liberado para organizações sem fins lucrativos desde que seja citada a fonte e incluída a URL para o portal. Em caso de dúvida, entre em contato. http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mudancas_climaticas1/noticia=736988#ixzz31wBCWmu6 Pela primeira vez na história humana, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera permaneceu acima de 400 partes por milhão durante um mês inteiro Apesar de o clima possuir variáveis naturais que flutuam subindo e descendo com o passar do tempo, dando assim a ele um ritmo cíclico, estamos atualmente em uma situação completamente “fora da curva” (veja gráficos ao lado). A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera ficou durante todo o mês de abril acima das 400 partes por milhão (ppm), algo que estudos apontam não acontecer há pelo menos 800 mil anos, mas que possivelmente só encontra paralelo há milhões de anos, quando o planeta era muito diferente do que é hoje, com uma maior atividade vulcânica, por exemplo. A constatação foi anunciada nesse dia primeiro de maio pelo Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade de San Diego, que monitora a estação de Mauna Loa, no Havaí. Segundo as medições, a concentração média de CO2 em abril foi de 401,33 ppm. Foi também o Scripps a primeira entidade a registrar que a concentração de CO2 havia ultrapassado a marca das 400 ppm em um dia. Isso aconteceu em nove de maio de 2013. “É muito simbólico. Este é um ponto em que devemos parar e pensar sobre onde estamos e o que estamos fazendo. É uma marca que nos alerta sobre o que já vinha se construindo na nossa frente há algum tempo”, afirmou na ocasião Ralph Keeling, responsável pela estação de Mauna Loa. Pesquisadores relacionam a maior concentração de CO2 na atmosfera com a elevação das temperaturas médias no planeta, algo que também já é mensurado. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o planeta teria aquecido cerca de 0,8ºC desde a Revolução Industrial, e, se nada for feito, teremos até o fim do século uma elevação de pelo menos 3ºC. Ainda de acordo com o IPCC, um planeta mais quente significa que mais energia estará sendo movimentada pelo sistema climático, o que resulta no aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, ondas de calor e tempestades. “A ultrapassagem dessa marca é uma lembrança significante do quão rápido – e do quão extenso – está sendo o aumento da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera. No começo da industrialização, a concentração de CO2 era de apenas 280 ppm. Esperamos que essa marca ajude a trazer uma maior conscientização sobre a realidade científica das mudanças climáticas”, declarou Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, quando foi ultrapassada a marca das 400 ppm. Em entrevista para a revista Slate nesta semana, Ralph Keeling destacou que os números de abril mostram que não estamos levando as mudanças climáticas a sério. “Nós, como planeta, não fizemos o bastante para lidar com as mudanças climáticas (...) O ponto central, e mais difícil, é reduzir a queima de combustíveis fósseis. Eu não tenho uma visão clara de como isso deve ser feito, mas é evidente que, se mantivermos o mesmo curso atual, estaremos nos encaminhando para um planeta muito diferente no futuro. E isso representa muitos riscos.” Fonte: Instituto CarbonoBrasil

A três meses do prazo, Brasil ainda tem 2 mil lixões em funcionamento

O Brasil não deveria mais ter lixões a céu aberto em funcionamento a partir de 3 de agosto, conforme determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em vigor desde 2010. Contudo, a três meses do prazo, a meta não deverá ser cumprida, pois ao menos 2 mil equipamentos desse tipo ainda recebem resíduos em todo o país, segundo estimativa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). A CNM, inclusive, já pediu ao governo a prorrogação do prazo do Plano Nacional. Entre as cidades que não foram capazes de cumprir a meta nos últimos quatro anos, há três capitais: Porto Velho, Belém e o Distrito Federal. Um estudo feito pela Associação Brasileira de Limpeza Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostra que 40% de todo o lixo produzido no Brasil têm destinação inadequada. Como os lixões não têm tratamento ambiental, a decomposição dos resíduos sólidos contamina o solo e, consequentemente, lençóis subterrâneos de água. Além do vazamento do chorume, o lixo produz gases poluentes e facilita a reprodução de insetos transmissores de doenças. A PNRS prevê que as cidades desenvolvam planos de gestão do lixo em que os catadores sejam incluídos de forma digna no sistema de coleta seletiva por meio de cooperativas. Prefeitos de municípios que não conseguiram se adaptar à lei federal temem entrar na mira do Ministério Público a partir de agosto. Eles podem ser processados por Crime Ambiental. Prazo adiado? Para evitar que isso ocorra, a CNM tem pedido para o governo federal adiar o prazo referente ao encerramento das atividades dos lixões, alegando que as cidades não tiveram tempo, nem receita suficiente para construir aterros sanitários e planos de coleta seletiva. O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, já sinalizou que não pretende mudar a data. A situação mais crítica no país é do Lixão da Estrutural, em Brasília, o maior da América Latina, um terreno com o tamanho de 170 campos de futebol e uma montanha de lixo de 50 metros de altura onde cerca de 2 mil catadores de material reciclável trabalham 24 horas por dia. Questão “secundária” O governo do Distrito Federal pretende fechar o equipamento até o fim do ano, quando deve entrar em funcionamento um aterro sanitário em Samambaia, a 20 quilômetros da capital federal. Outros três aterros devem ser construídos em parceria com os governos de seis municípios vizinhos. Depois de ser fechado, o terreno terá que passar por um processo de recuperação. Duas propostas estão sendo estudadas. O custo deve variar entre R$ 300 milhões e R$ 420 milhões, em um trabalho que pode levar até 30 anos. O diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, concorda que a sociedade, em geral, está mais interessada em discutir temas relacionados à destinação adequada do lixo. Para ele, porém, os políticos demoraram a se dar conta da importância do tema: “Muitos administradores públicos têm a visão de que a questão dos resíduos sólidos é uma questão secundária. Na visão deles, desativar um lixão e implementar a coleta seletiva não tem capital político, não traz voto, nem tira. E isso fica em segundo plano”, afirmou Silva Filho ao jornal O Globo. Ele cobra mais engajamento da sociedade. “A lei prevê avanços que devem ser conjugados entre indústrias, municípios e cidadãos. Se o cidadão produz menos lixo, separa o material, também ajuda.” Belém, no Pará, é outra capital que chegará a agosto sem cumprir a meta da PNRS. Cerca de 1,6 mil catadores trabalham no Lixão do Aurá, que deve ter as portas fechadas dentro de um ano, segundo o secretário municipal de Saneamento, Luiz Otávio Mota Pereira: “Acho que antes da lei dos resíduos sólidos, muitos administradores estavam empurrando com a barriga e não se preocupavam com o assunto. Mas chega uma hora que temos que levar isso a sério. É o que estamos fazendo”, garantiu Pereira. A prefeitura de Porto Velho, em Rondônia, também deve levar um ano para encerrar as atividades do Lixão da Capital, atualmente único local utilizado para destinação dos resíduos sólidos. * Publicado originalmente no site EcoD.

Cientistas estudam gripe espanhola de 1918 e descobrem maneira de prevenir novas pandemias

Um estudo conduzido por Michael Worobey, da Universidade do Arizona em Tucson (EUA), oferece respostas sobre dois dos mistérios biomédicos mais importantes do século passado: a origem do vírus da pandemia de gripe de 1918 (também conhecida como gripe espanhola), e sua gravidade incomum, que resultou na morte de aproximadamente 50 milhões de pessoas. A pesquisa sugere que os tipos de vírus da gripe ao qual pessoas foram expostas durante a infância pode prever o quanto elas são suscetíveis a doenças futuras, informação útil para criar estratégias de vacinação e prevenção de pandemias. O estudo Worobey e seus colegas reconstruíram as origens da pandemia da estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1 de 1918, o vírus clássico H1N1 (da gripe suína), e a linhagem H1N1 pós-pandemia, que circulou de 1918 até 1957. Surpreendentemente, eles não encontraram nenhuma evidência de que o vírus de 1918 saltou diretamente das aves para os humanos, ou de que envolveu a troca de genes entre cepas humanas e da gripe suína já existentes. Em vez disso, os pesquisadores concluíram que o vírus pandêmico surgiu pouco antes de 1918, durante a aquisição de material genético de um vírus da gripe aviária por um vírus H1 humano já circulante – um que tinha provavelmente entrado na população humana 10 a 15 anos antes de 1918. “Parece um pequeno detalhe, mas pode ser a peça que faltava do quebra-cabeça”, disse Worobey”. Isso pode explicar porque indivíduos já expostos a um vírus H1 experimentaram taxas muito mais baixas de morte em 1918 do que aqueles com cerca de 29 anos de idade em 1918. O vírus influenza A do H1N1 tipicamente mata crianças e idosos, mas o da pandemia de 1918 causou extensa mortalidade em pessoas com idades de 20 a 40 anos, principalmente a partir de infecções bacterianas secundárias, como pneumonia. Os pesquisadores sugerem que isso ocorreu provavelmente porque muitos jovens adultos que nasceram a partir de cerca de 1880 a 1900 foram expostos durante a infância a um vírus H3N8 putativo circulando na população, que contava com proteínas de superfície distintas a ambas as principais proteínas antigênicas do vírus H1N1. Esta pequena parte da população pode ter sido suscetível à doença grave em 1918, enquanto a maioria dos indivíduos nascidos antes ou depois de 1880 a 1900 tiveram uma melhor proteção contra o vírus de 1918 devido à exposição a infância a antígenos relacionados com o H1 ou com o N1. Exposição anterior Anticorpos de ligação podem não prevenir a infecção completamente, mas podem atrapalhar a multiplicação do vírus. Uma pessoa com um arsenal de anticorpos dirigidos contra a proteína H3 não teria se saído bem quando confrontada com o vírus da gripe cheio de proteínas H1, e esse descompasso pode ter resultado na mortalidade elevada no grupo etário que estava com quase 30 anos durante a pandemia de 1918. A exposição das crianças a proteínas virais incompatíveis pode, contudo, ter sido melhor do que nada: populações isoladas em ilhas onde muitas pessoas não tinham tido nenhuma exposição prévia a gripe antes de 1918 sofreram taxas de mortalidade muitas vezes maior do que o grupo exposto a H3N8 em todo o mundo. No futuro Os cientistas acreditam que estratégias de imunização que imitem a proteção muitas vezes impressionante que vem de ser exposto a variantes do vírus da gripe desde a infância podem, mais tarde na vida, reduzir drasticamente a mortalidade por cepas sazonais ou novas de H1N1. Worobey disse que a nova perspectiva não se aplica apenas à pandemia de 1918, mas também pode explicar os padrões de mortalidade da gripe sazonal e os padrões misteriosos da mortalidade por H5N1 de origem aviária. H5N1 causa maiores taxas de mortalidade entre os jovens, enquanto H7N9 provoca maior mortalidade em idosos. Em ambos os casos, os grupos etários mais suscetíveis foram expostos inicialmente, como as crianças, a vírus incompatíveis, e podem sofrer consequências graves semelhantes aos adultos jovens confrontados com um vírus sem correspondência em 1918. “O que parece ser o fator decisivo é a imunidade prévia”, disse Worobey. “O que precisamos fazer agora é determinar os mecanismos exatos envolvidos e aplicar esse conhecimento diretamente para melhor prevenir as chances de morte por gripe sazonal e futuras cepas pandêmicas”. [MedicalXpress]

10 fatos profundamente deprimentes sobre bullying

Você já se sentiu intimidado na escola? Nos Estados Unidos, as chances são de que quase todos os adultos tenham experimentado isso em algum momento da vida: cerca de 80% de todas as crianças norte-americanas contam terem sido assediadas por seus pares. Já no caso do Brasil, os números não são tão alarmantes, mas ainda são dignos de atenção. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2012, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 7,2% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações dentro da escola, e 20,8% praticaram algum tipo de bullying contra os colegas nos 30 dias anteriores a pesquisa. A grande diferença entre os números aponta que este tipo de ação é normalmente realizada em grupo, geralmente contra uma única pessoa. Porém, o bullying moderno vai muito além de ficar chateado na escola: 10. Ele destrói suas futuras perspectivas de emprego 10 A velha visão da escola padrão diz que o bullying é uma “parte natural do crescimento”, algo que deixamos para trás quando nós chegamos à vida adulta e ao mundo do trabalho. Contudo, uma pesquisa sugere que não só isto é falso, mas também que sofrer bullying pode garantir que a vítima nunca sequer comece a trabalhar. Em 2013, um grupo de pesquisadores decidiu conferir o que alguns jovens adultos que tinham sido incluídos em um estudo de bullying uma década e meia atrás estavam fazendo da vida. Em seus vinte e poucos anos, o grupo cresceu e aparentemente mudou. Entretanto, quando os médicos responsáveis pelo estudo foram um pouco mais fundo, encontraram alguns resultados chocantes. Aqueles que tinham sido vítimas de bullying no Ensino Médio eram quase duas vezes menos propensos a manter um emprego do que aqueles que não foram intimidados. Sem nenhuma surpresa, isso teve um efeito dominó sobre as finanças das vítimas. Os indivíduos que tinham sofrido bullying eram muito mais propensos a viver em situação de pobreza e fazer más decisões financeiras. A cereja desse bolo deprimente é que eles também tendem a sofrer de problemas de saúde, levando a dívidas crescentes. 9. Danifica a sua saúde mental 9 Quantos de vocês ainda lembram dos piores momentos de sua infância? Aquele vez em que você molhou as calças quando estava velho demais ou quando foi completamente humilhado por um professor arrogante? Agora imagine ter esse sentimento em relação a toda a sua infância. Seria destruidor, certo? Se levarmos em conta pesquisas recentes, a resposta é um sonoro “sim”. Como outra etapa do estudo que citamos anteriormente, os pesquisadores observaram os efeitos em saúde mental a longo prazo do bullying na infância. Adultos que foram intimidados na escola sofreram níveis incapacitantes de ansiedade e agorafobia, além de serem propensos a graves ataques de pânico. Enquanto isso, aqueles que responderam ao bullying tornando-se bullies também eram propensos a depressões terríveis e sentimentos de pânico. Em suma, a crueldade que tinha acontecido até 15 anos antes ainda estava causando estragos na vida das suas vítimas. A cada 4 minutos, há uma cena com bullying social nos programas infantis 8. Pode colocar você em problemas com a lei 8 Não é nenhum segredo que o bullying às vezes foge tanto ao controle que as autoridades são chamadas para lidar com o caso. Contudo, embora possamos esperar que os valentões passem por encontros negativos com a lei, surpreendentemente, suas vítimas muitas vezes experimentam a mesma coisa. De acordo com vários estudos, ser intimidado a longo prazo quando criança aumenta suas chances de ser preso. Um estudo estimou que quase um quarto de todas as crianças que sofrem bullying vão acabar em uma cela em algum momento. O problema é que a infância tardia e início da adolescência são os momentos em que estamos destinados a aprender habilidades sociais e como ser parte da sociedade. Se gastarmos todo esse tempo apanhando e ouvindo ofensas, se juntar à sociedade já não parece uma conquista desejável. Crianças que são maltratadas a longo prazo se fecham. Elas se desconectam do mundo à sua volta e se tornam tristes, irritadas e amargas. Toda essa a raiva e amargura tendem a sair quando chegam à idade adulta, resultando em brigas, pequenos crimes e até mesmo algum tempo na prisão. 7. Afeta toda a economia 7 Não são apenas aqueles que foram vítimas deste tipo de intimidação que têm de viver com as consequências dela. De acordo com pesquisas recentes, o bullying afeta a todos nós, quer estejamos envolvidos ou não. Nos EUA, a violência juvenil custa à economia US$ 158 bilhões dólares a cada ano. Este valor foi encontrado pela Plan International, uma instituição de caridade dedicada aos direitos das crianças. Eles calcularam o dinheiro público desperdiçado por crianças assustadas não indo à escola e ganhos futuros perdidos para aqueles que abandonam os estudos para escapar de seus agressores. A instituição ainda ressalta que esta é apenas uma estimativa: o número real é provavelmente muito maior. Isso significa que os Estados Unidos perdem quase o dobro do orçamento da educação federal, anualmente, para o bullying. 6. Aumenta a violência sexual 6 A maioria de nós consideraria o bullying na infância e a violência sexual na adolescência coisas completamente diferentes. Contudo, um estudo conjunto entre o Centro de Controle de Doenças e a Universidade de Illinois (ambos dos EUA) diz o contrário. De acordo com a pesquisa, há uma diversas evidências de uma relação entre violência sexual e bullying. No estudo, foram considerados “violência sexual” atos como puxar roupas tentando expor alguma parte do corpo, assim como apalpar ou segurar genitais. Felizmente, apenas uma pequena minoria das crianças parecia sair do bullying para avançar para qualquer uma dessas coisas. Mas os pesquisadores também observaram que os problemas pioram à medida que as crianças ficam mais velhas, culminando em coisas bem mais sérias. Os valentões às vezes “transplantam” seus impulsos sexuais em suas vítimas, enquanto alguns meninos (desta vez, que foram vítimas do bullying) ficam tão assustados com a ideia de serem gays que assediam sexualmente meninas para provar sua heterossexualidade. Como garantir que seu filho não faça bullying 5. Nos torna suscetíveis ao suicídio 5 Estudos afirmam que adolescentes que sofrem com gozações são cerca de 2,5 vezes mais propensos a tentar se matar. Entretanto, o que é menos conhecido é que este risco permanece com você ao longo da vida. Em 2007, um estudo britânico descobriu que adultos que tinham sido vítimas de bullying na escola eram duas vezes mais propensos a tentar o suicídio na vida adulta. O estudo incluiu mais de 7 mil pessoas, indo desde jovens adultos até idosos. A pesquisa foi especificamente controlada para outros fatores, como abuso sexual na infância, pais violentos e adolescentes que fugiram de casa. No entanto, os autores concluíram que o bullying por si só poderia causar um aumento significativo no risco de suicídio enquanto adultos. Em essência, o bullying fica com você. E o que parece ser um pouco de diversão inofensiva na escola poderia, na realidade, ser uma sentença de morte a longo prazo. 4. Prejudica todos os envolvidos 4 Até agora, focamos principalmente na bagagem à qual as vítimas ficam presas ao longo da vida, porém os próprios bullies também podem sofrer. Em quase todos os índices importantes, os valentões se saem tão mal quanto ou ainda pior do que suas vítimas. Eles são mais propensos a se envolver em comportamentos de risco, ter resultados financeiros negativos e sofrer com problemas sociais quando adultos. O único ponto em que eles vão melhor do que as suas vítimas é na saúde e, mesmo assim, o resultado é pior do que aqueles que nunca se envolveram com bullying. Então, o que está acontecendo? Este é apenas um sintoma do clássico caso do valentão sofredor, no qual uma criança desconta sua dor interior violentando outras? Talvez. Mas estudos têm mostrado que muitas crianças normais, sem problemas sérios, também se tornam bullies. Inacreditavelmente, pode ser que o simples ato de praticar o bullying mexe com o autor da violência, tanto quanto com a vítima. 3. Nós não podemos resolvê-lo 3 Nesse momento, você deve estar se sentindo um pouco deprimido. No entanto, pelo menos há um raio de luz no final do túnel. É só colocar dinheiro suficiente em campanhas anti-bullying e tudo vai ser resolvido, certo? Bem, desculpe desapontá-lo ainda mais, mas a Universidade de Arlington (EUA) diz o contrário. Em um estudo publicado no “Journal of Criminology”, os pesquisadores examinaram mais de 7 mil crianças em 195 escolas diferentes, com e sem programas anti-bullying. As escolas com procedimentos de prevenção ao bullying apresentavam maiores taxas de bullying do que aquelas sem. De acordo com os autores do estudo, coisas como “semana anti-bullying” não apenas despertam as crianças para o conceito de implicar com os outros, mas também involuntariamente lhes dão informações sobre como se esquivar do castigo depois. Porém, nem toda a esperança está perdida. Os pesquisadores sugerem que programas mais sofisticados poderiam ajudar a identificar a dinâmica valentão-vítima e criar políticas de prevenção sob medida. Contudo, a não ser que um monte de pessoas estejam dispostas a dar muito dinheiro para estes projetos, eles provavelmente nunca sairão do papel. 5 lições de vida para quem sofreu bullying 2. Crianças recompensam os seus agressores 2 Se nós, adultos, somos impotentes para ajudar as crianças vítimas de bullying, é tentador pensar que talvez os nossos próprios filhos possam fazer a diferença. Só espere sentado: um estudo recente da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) revelou que, quanto mais praticam bullying, mais populares as crianças do ensino fundamental ficam. Isso cria um problema enorme para os ativistas. Se as crianças associam ser um valentão a ser o mais legal da sala e resistir ao bullying com apanhar e perder seu lanche, então elas sempre vão ficar do lado dos valentões. Na verdade, apenas 2% das crianças universalmente adoradas em qualquer série e 2% de crianças universalmente desprezadas parecem imunes à necessidade de intimidar, de acordo com o estudo. Para todos os outros, agir como um idiota total é uma fórmula garantida de escada social. 1. É da natureza humana 1 Toda sociedade na história da humanidade teve valentões, de uma forma ou de outra. Se você quer colocar a culpa em algo, não precisa ir além da evolução. O bullying existe em todo o reino animal e, em primatas, tem uma função muito específica. Os chimpanzés ou macacos que não conseguem obedecer a uma dinâmica de grupo podem colocar em perigo todos à sua volta – ou pelo menos tornar o grupo menos eficaz em sobreviver. Então, um pouco de bullying pode manter os primatas rebeldes na linha. Os seres humanos não precisam mais da estrita conformidade e total cooperação para sobreviver, mas a nossa vontade de zoar os outros permanece. A coisa toda é nada mais do que um retrocesso, um apêndice séptico envenenando todo o corpo da humanidade. E nós estamos presos a ele. [Listverse, Veja, IBGE]

Cientista cria guarda-chuva inteligente para coletar dados sobre o clima

O cientista Rolf Hut, da Universidade de Tecnologia Delft, na Holanda, tem um plano ambicioso: transformar cada guarda-chuva do mundo em uma pequena estação meteorológica. E ele já tem um protótipo. Seu invento usa um pequeno sensor que detecta gotas de chuva que caem sobre o tecido do guarda-chuva e envia informações por bluetooth, um tipo de rede sem fio, para um celular, que por sua vez transmite os dados para um computador. Na visão de Hut, milhares desses equipamentos em ação trariam melhorias significativas para a medição do clima. “Hoje usamos satélites e radares, mas não medimos a chuva conforme ela atinge o solo, como costumávamos fazer. É muito caro manter um aparelho de medição tradicional”, disse o pesquisador à BBC. “Por isso, o número desses aparelhos em uso por agências meteorológicas está caindo, e isso é um problema no gerenciamento de recursos hídricos ou para a pesquisa hidrológica porque não há mais como ter em mão dados suficientes como antes.” Resultados animadores – Hut exibiu seu protótipo de guarda-chuva inteligente na assembleia geral da União Europeia de Geociências, em Viena, na Áustria. O sensor acoplado à cobertura do guarda-chuva mede a vibração gerada pelas gotas d’água. O sensor fica conectado a um aparelho que transmite sinais por bluetooth para um programa instalado no celular, que envia a informação para um laptop. Segundo Hut, os resultados dos testes feitos em seu laboratório e no quintal de sua casa foram animadores e indicam que vale a pena seguir desenvolvendo a ideia. “Alguma dia, todo guarda-chuva viria com esse tipo de tecnologia, ou os modelos mais caros ao menos. Para começar a enviar dados, bastaria abrir o guarda-chuva”, diz o cientista. “Teríamos assim centenas de medidores circulando por uma cidade, o que melhoraria muito nossa habilidade para compreender a hidrologia urbana e nossa capacidade de prever inundações e tomar medidas quando houver uma situação crítica.” Para-brisa inteligente – Outros grupos de cientistas vêm investigando abordagens similares com para-brisas inteligentes que acionam automaticamente os limpadores de um carro quando detecta chuva e ajustam sua velocidade conforme a intensidade da chuva. Uma análise feita pelo cientista Chris Kidd, da Nasa, revelou que o número de medidores de chuva em uso atualmente é pequeno e eles dificilmente fornecem dados em tempo real. Além disso, Kidd explica que as informações produzidas por satélites e radares devem ser complementadas com os dados coletados no solo: “Precisamos encontrar formas de melhorar isso. Há um projeto interessante em Sahel, na África, em que estão pagando fazendeiros pela coleta de dados e pela manutenção dos medidores. Assim, eles têm incentivos para manter tudo em bom funcionamento.” (Fonte: G1)

sábado, 3 de maio de 2014

EUA confirmam primeiro caso de vírus causador da Mers

A Síndrome Respiratória Coronavírus do Oriente Médio (Mers), provocada pelo vírus NCoV, é similar à Sars, que surgiu na China em 2002 e matou cerca de 10% das 8 000 pessoas infectadas. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC) anunciou nesta sexta-feira o primeiro caso de um americano infectado com a Síndrome Respiratória Coronavírus do Oriente Médio (Mers). A doença é da mesma família da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que surgiu na China em 2002 e matou cerca de 10% das 8 000 pessoas infectadas em todo o mundo. Desde que o vírus da Mers foi identificado, 163 pessoas já haviam feito o teste da doença nos Estados Unidos, mas até agora nenhum caso havia sido confirmado. O americano infectado esteve na Arábia Saudita para trabalhar em serviços de saúde. O CDC informou que ele embarcou em Riad, capital da Arábia Saudita, em 24 de abril, fez escala em Londres, aterrissou em Chicago e pegou um ônibus para Indiana. Ficou doente no dia 27 de abril e, no dia seguinte, foi até o hospital da cidade de Munster. Estava com febre, tosse e respiração ofegante. Como tinha viajado para o Oriente Mé A diretora do Centro Nacional de Imunização e doenças respiratórias do CDC, Anne Schuchat, afirmou que o caso do vírus é motivo de "grande preocupação por causa de sua virulência." Junto a autoridades de saúde locais, o CDC está investigando a doença e planeja entrar em contato com os passageiros que estiveram próximos do paciente infectado em suas viagens. Até o momento, não há tratamentos disponíveis para o vírus. Preocupação internacional — Na última quinta-feira, a Arábia Saudita anunciou que o número total de casos da doença quase dobrou em abril, com mais 26 infecções relatadas essa semana. Com as novas ocorrências, os casos confirmados no país chegam a 371, um aumento de 89% durante o último mês. Também foi identificado na quinta-feira o primeiro caso no Egito, em um homem de 27 anos que tinha acabado de chegar de Riad. Para investigar a propagação do vírus, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou nesta sexta-feira o envio de um grupo de especialistas à cidade de Jidá, na Arábia Saudita. A multiplicação dos casos é uma preocupação no país porque em julho acontece a peregrinação dos muçulmanos aos locais sagrados durante o Ramadã, que atrai multidões ao país. Vírus agressivo — O novo vírus, chamado NCoV, pertence à família coronavírus, que inclui tanto a gripe comum como o vírus da SARS, disseminada a partir da Ásia no final de 2003, matando 775 pessoas. Ele foi identificado pela primeira vez em 2012, na Grã-Bretanha. Segundo a OMS, a novo vírus se difere da Sars principalmente por provocar insuficiência renal de forma rápida. O vírus foi encontrado em camelos, mas ainda não se sabe como ele está se espalhando entre humanos. Os cientistas acreditam que ele pode ser transmitido entre seres humanos apenas por meio de contato próximo. Nem todos os que são expostos a ele passam mal, mas, quando se manifesta, a doença é extremamente agressiva, matando quase um terço dos infectados. Os vírus mais perigosos do mundo Varíola Criança etíope, em 1970, com o rosto coberto pelas feridas causadas pela varíola Quando surgiu: Entre os humanos, provavelmente há 10.000 anos, com o advento da agricultura Origem: Não se sabe se a doença nasceu na África ou na Ásia. Análises de DNA mostram que o vírus se assemelha à varíola do camelo. Foi o primeiro vírus erradicado na história, em 1977, após uma massiva campanha de vacinação mundial. Vítimas: Durante séculos, sem tratamento, matava 30% dos infectados. Somente no século 20, foram 300 milhões de mortes. Por que é perigoso: Erradicado desde a década de 70, ainda existem cópias de seu DNA em laboratórios na Rússia e nos Estados Unidos. A população mundial não possui mais imunização contra o vírus. Pode ser transformada em uma arma biológica caso caia nas mãos de terroristas. Gripe espanhola Chicago, 1918: inspetores verificam se os varredores de rua estão usando máscaras Quando surgiu: Milhares de anos atrás. Hipócrates descreveu o que parecem ser epidemias de influenza no ano 412 a.C. Em 1918, atingiu entre 1 e 2% de toda a população mundial. Origem: O termo influenza vem do italiano, que atribuíam à influência das estrelas os casos de gripe. Aliás, gripe é um termo francês criado no século 18. Até 1933, quando o vírus (H1N1, também originário de porcos, mas bem diferente do que causaria a gripe suína 90 anos depois) foi isolado, não se sabia o que a causava — especulou-se até que fossem bactérias.Vítimas: entre 40 e 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919. Por que é perigoso: A gripe espanhola assustou por ser a primeira gripe a matar jovens e adultos saudáveis — a doença se limitava a crianças e idosos. Para se ter uma ideia, 80% das mortes registradas no exército americano durante a Primeira Guerra Mundial foram causadas pela gripe, e não por ferimentos de guerra. HIV Imagem de microscópio colorida artificialmente mostra o vírus HIV Quando surgiu: Provavelmente na década de 1930, em Camarões e no Gabão. Origem: Veio do consumo e manipulação de carne contaminada de chimpanzés na África. Apesar do vírus ter sido identificado apenas em 1983, foram descobertas amostras de sangue de africanos coletadas em 1959 e congeladas nos EUA que já continham o vírus. Vítimas: 25 milhões de mortes desde 1981. Atualmente, há 33 milhões de pessoas vivendo com o vírus Por que ele é perigoso: Já foi uma doença mais assustadora. Com novos tratamentos, sua mortalidade vem caindo. Foram 3 milhões de mortes em 2000 e 1,8 milhão em 2009. A maioria das mortes está localizada em países sem acesso aos modernos tratamentos antivirais. Ebola Uma epidemia de Ebola atingiu o Congo em 1995. Resultado: 315 casos, 250 mortos Quando surgiu: 1976 Origem: O devastador vírus — “ele faz em dez dias o que o HIV leva dez anos”, escreveu Richard Preston no livro Hot Zone — apareceu no Congo e no Sudão, em 1976, com uma taxa de mortalidade incrivelmente alta. Nos dois países, foram registrados 602 casos e 431 mortes. A maioria dos casos vem do contato direto com primatas não-humanos, como chimpanzés, gorilas, e outros animais selvagens, como antílopes e porcos-espinhos.Vítimas: 1.850 casos, 1.200 mortes. Por que é perigoso: Transmitido por secreções e pelo sangue, destrói as células de defesa do organismo e as plaquetas, provocando brutais hemorragias. Marburg O vírus Marburg Quando surgiu: 1967 Origem: Da mesma família de vírus do Ebola (filovírus), o Marburg também causa a febre hemorrágica. Foi identificado longe da África, em Marburg, na Alemanha. Técnicos de laboratório da Behring que produziam vacina contra a pólio receberam macacos contaminados de Uganda (depois foi descoberto que quase metade dos macacos chegava morta de Uganda, vítima de hemorragia). A letalidade foi alta entre os técnicos: 31 ficaram doentes e sete morreram. Vítimas: 569 casos, 467 mortes (82% de mortalidade). O maior surto aconteceu em Angola, entre 2004 e 2005: 374 casos, com 329 mortes.Por que é perigoso: Os mesmo motivos do Ebola. Além dos efeitos devastadores, ele tem um longo tempo de incubação — de 3 a 9 dias — e pode infectar todo mundo que tem contato com o paciente através de secreções e sangue. Lassa O vírus Lassa, causador de uma febre hemorrágica que atinge meio milhão de africanos por ano Quando surgiu: 1969 Origem: Embora cause a febre hemorrágica, como o Marburg e o Ebola, o Lassa é de outro família de vírus, os arenavírus (transmitidos por roedores). Ganhou o nome porque suas primeiras vítimas foram duas freiras americanas que coordenavam uma escola na cidade de Lassa, na Nigéria. Vítimas: Segundo estimativas, o número de casos varia entre 300.000 e 500.000 por ano, na África Ocidental, com 5.000 mortes. Por que é perigoso: Apesar da taxa de mortalidade reduzida, de 1%, mata 80% das gestantes ou dos fetos se for contraída no terceiro trimestre de gravidez. Por ter um grande período de incubação — 7 a 10 dias — pode infectar turistas, que levam a doença para seus países de origem. A doença já apareceu nos EUA, Canadá, Israel, Japão, Alemanha, Reino Unido e Holanda. H5N1 Autoridades de saúde de Hong Kong levam galinhas para abate depois do vírus H5N1 ter sido encontrado em uma fazenda local. Quando surgiu: Em 1997 Origem: O vírus da gripe aviária foi isolado pela primeira vez em 1996, em uma fazenda na província de Guangdong, na China. No ano seguinte, os primeiros casos apareceram em Hong Kong: 18 infectados, 6 mortes. É transmitida pelo contato com as aves. Se um dia o vírus ‘aprender’ a passar de humano para humano pela via respiratória, pode se tornar a gripe mais devastadora de todos os tempos. Vítimas: Até o dia 31 de agosto de 2011, foram registrados 565 casos e 331 mortes (58,6% de mortalidade, um índice altíssimo). Por que é perigoso: É uma gripe que mata mais da metade dos infectados. Para nossa sorte, ela só é transmitida de humano para humano em casos excepcionais. SARS Durante a epidemia de SARS, em 2003, os passageiros que chegavam de regiões onde a infecção havia se espalhado eram examinados por técnicos de saúde Quanto surgiu: Final de 2002 Origem: O vírus da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) apareceu em Guangdong, província da China, quando um felino chamado civeta virou moda na culinária local. Provavelmente um cozinheiro contraiu a doença e a passou adiante, originando a pandemia que atingiu mais de 30 países. Foi controlada ainda em 2003, após uma forte atuação da OMS. Vítimas: Matou 9,6% dos infectados. Segundo a OMS, foram 8.096 casos e 774 mortes.Por que é perigoso: Em pouco tempo, o vírus sofreu mutações que o permitiram pular do civeta para o ser humano. Passou a ser transmitido pelo ar, aumentando suas chances de contaminação. H1N1 O vírus H1N1 Quando surgiu: 2009 Origem: Em 2009, o vírus encontrou um caminho para deixar os porcos e também infectar humanos, provocando uma pandemia a partir da América do Norte. O mundo ficou assustado com a rapidez com que a gripe suína progrediu (74 países em poucos meses). No Brasil, o antiviral Tamiflu, que combate a doença, sumiu das farmácias. Hoje, o H1N1 é uma das variantes anuais da gripe, junto com a H3N2 e a influenza B. Vítimas: Em 2009, matou 44.100 pessoas nos EUA, contra 47.800 da gripe comum.Por que é perigoso: Ele mata menos que a gripe comum, mas toma mais anos de vida. Enquanto as gripes sazonais matam mais pessoas idosas, a gripe suína atinge mais crianças e gestantes. Nipah O vírus Nipah, que inspirou os criadores do filme Contágio Quando surgiu: 1998 Origem: Na Malásia, morcegos que continham o vírus deixaram cair frutas semi-mastigadas em criadouros de porcos, que comeram as frutas. Os tratadores contraíram os vírus ao ter contato com as fezes dos animais, passando a mão na calça e levando ao rosto, por exemplo. Foi o vírus que inspirou a criação do fictício MEV-1 no filme Contágio Vìtimas: A mortalidade ficou acima de 50%. Dos 475 casos registrados, 251 pessoas morreram Por que ele é perigoso: Causa uma encefalite (inflamação cerebral) mortal na maioria dos casos. Quando não mata, pode deixar profundas sequelas, como convulsões frequentes e mudanças de personalidade. Sabiá vírus Sabiá, causador de uma febre hemorrágica semelhante ao Ebola Quando surgiu: 1990 Origem: Ganhou esse nome por ter infectado uma mulher que visitava seus pais no Jardim Sabiá, em Cotia, no interior de São Paulo. Em quatro dias, a paciente morreu. O vírus ainda infectou mais três pessoas: dois técnicos de laboratório que foram expostos ao sangue da vítima e um operador de máquina de café, no Espírito Santo. Até hoje não foi encontrado o animal transmissor, mas sabe-se que é um roedor.Vítimas: 4 pessoas, 4 mortes. Por que é perigoso: A proximidade de Cotia com São Paulo, cerca de 20 quilômetros, mostra que uma epidemia pode começar mesmo longe da selva, onde geralmente este tipo de vírus entra em contato com humanos. Dengue O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue Quando surgiu: 1950 Origem: A origem da dengue é o desmatamento. Com o avanço do homem em regiões selvagens, o mosquito que transmite a dengue passou a picar humanos. Existem quatro tipos de vírus diferentes, todos com os mesmo sintomas e mesma forma de tratamento. A origem também é a mesma: o sudeste da Ásia. Vítimas: Por volta de 500.000 pessoas precisam ser hospitalizadas por causa da dengue hemorrágica — 2,5% morrem. Por que é perigoso: A pessoa contaminada pode começar com uma dengue normal, aquela em que os sintomas são leves ou moderados e depois se transformar em uma dengue hemorrágica, em que os vasos sanguíneos são lesados, provocando sangramentos.

Ineficiência de antibióticos pode piorar saúde mundial, alerta OMS

A resistência a antibióticos deixou de ser uma ameaça para converter-se em realidade, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que advertiu nesta quarta-feira (30) que infecções atualmente consideradas menores podem voltar a ser mortais. O informe alarmista, o primeiro relativo à resistência do corpo aos antibióticos em escala mundial, afirma que “esta grave ameaça não é uma previsão, mas uma realidade, afetando a todos, de qualquer idade ou país de origem”. Os antibióticos são considerados pela OMS como um dos pilares da nossa saúde, que nos permite viver sadios por mais tempo. Mas sua utilização inapropriada tornaram muitos medicamentos ineficazes em poucas décadas. Especialistas afirmam que a atual resistência das bactérias a antibióticos é causada principalmente pelo mau uso desses remédios e que, muitas vezes, são os próprios médicos que receitam os medicamentos excessivamente. Com dados de 114 países, o documento da OMS disse que superbactérias capazes de burlar até os mais violentos antibióticos – uma classe de medicamentos chamada carbapenêmicos – já foram encontradas em todas as regiões do mundo. Estima-se que apenas um desses agentes patogênicos resistentes, chamado MRSA, cause cerca de 19 mil mortes por ano nos EUA – bem mais do que o HIV/Aids – e um número semelhante na Europa. Fim da medicina moderna – “A menos que os diferentes atuem de forma coordenada e urgente, o mundo estará caminhando para uma era do pós-antibiótico, em que as infecções atuais e pequenas feridas, que durante décadas foram curadas facilmente, poderão matar novamente”, afirmou Keiji Fukuda, diretor-geral adjunto da OMS. A própria organização afirmou, certa vez, que uma era pós-antibióticos significa o fim da medicina moderna como a conhecemos. “Se não tomarmos medidas significativas para melhor prevenir a infecção e alterar a nossa forma de produzir, usar e prescrever antibióticos, vamos gradualmente perder esses benefícios de saúde pública mundial, com consequências devastadoras para a saúde”, complementou. (Fonte: G1)

Por que alguns tipos de câncer são mais letais que outros?

Há uma dúvida de saúde que intriga muitos pesquisadores, incluindo a Dra. Lauren Thurgood, do departamento de Hematologia e Genética Patológica da Universidade de Flinders (Austrália): por que alguns tipos de câncer são mais letais que outros? Por que algumas pessoas com câncer são curadas e depois do período da doença levam uma vida normal, enquanto outras morrem apenas alguns meses depois do diagnóstico? Para tentar responder a essa questão, a Dra. Thurgood está estudando a leucemia linfoide crônica (LLC), uma forma de leucemia considerada comum, para tentar entender melhor porque um pequeno grupo de pacientes com esse tipo de câncer respondem mal ao tratamento. O LLC corresponde a 30% de todos os casos de câncer registrados, e é uma forma de crescimento lento da doença, na qual a medula óssea produz muito mais glóbulos brancos (linfócitos) do que deveria. “Eu estou pesquisando as proteínas nas células cancerosas para tentar descobrir por que alguns pacientes têm uma doença mais patogênica, enquanto outros vivem mais tempo e não tem nenhum problema”, disse. “Sabemos por pesquisas anteriores que as pessoas com um prognóstico pobre têm um gene defeituoso que faz com que tenham uma doença mais agressiva, mas ainda precisamos entender a nível celular o que esse defeito genético faz para as células”, completou a pesquisadora. Ela também explicou que as células cancerosas basicamente conversam com as células vizinhas na medula óssea, e por isso precisamos entender como elas interagem entre si, e como as células saudáveis permanecem vivas. “Uma vez que aprendermos como as células se comunicam, podemos trabalhar no desenvolvimento de uma terapia de drogas específicas para impedir essa interação, que iria, essencialmente, evitar que as células de câncer tomassem conta do organismo”. De acordo com a Dra. Thurgood, o LLC é normalmente diagnosticado em adultos idosos, sendo mais comum e prevalecente conforme a população envelhece. “O fato de que estamos vivendo mais significa que a frequência da doença vai disparar. Assim, qualquer nova informação vai se tornar fundamental para sua prevenção e tratamento”, completa. A expectativa é que, uma vez que tenhamos mais conhecimento sobre a leucemia linfoide crônica e métodos de pesquisa sejam refinados, a medicina possa aplicá-los para prevenir e tratar outros tipos de câncer. [Medicalxpress]

O futuro de nosso planeta depende de 58 pessoas

Roma, Itália, abril/2014 – Embora para muitos tenha passado inadvertidamente, o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) publicou, no dia 13 de abril, a terceira e última parte de um informe no qual adverte sem rodeios que temos apenas 15 anos para evitar ultrapassar a barreira de um aquecimento global de dois graus. Além disso, as consequências serão dramáticas. Somente os mais míopes não tomam consciência do que se trata: aumento do nível do mar, furacões e tempestades mais frequentes e um impacto adverso na produção de alimentos. Em um mundo normal e participativo, no qual 83% das pessoas que vivem hoje ainda existirão dentro de 15 anos, esse informe teria provocado uma reação dramática. Entretanto, não houve um único comentário dos líderes dos 196 países nos quais habitam os 7,5 bilhões de “consumidores” do planeta. Os antropólogos que estudam as semelhanças e diferenças entre os seres humanos e outros animais há um bom tempo chegaram à conclusão de que a humanidade não é superior em todos os aspectos. Por exemplo, o ser humano é menos adaptável à sobrevivência do que muitos animais em casos de terremotos, furacões e outros desastres naturais. A esta altura, eles devem manifestar sintomas de alerta e mal-estar. O primeiro volume desse informe do IPCC, divulgado em setembro de 2013 em Estocolmo, estabelece que os humanos são a causa principal do aquecimento global, enquanto a segunda parte, apresentada em Yokohama no dia 31 de março, afirma que “nas últimas décadas as mudanças climáticas causaram impactos nos sistemas naturais e humanos em todos os continentes e em todos os oceanos”. O IPCC é formado por mais de dois mil cientistas de todo o mundo e essa é a primeira vez que chega a firmes conclusões finais desde sua criação pelas Nações Unidas, em 1988. A principal conclusão é que, para deter a corrida rumo a um ponto sem volta, as emissões globais devem cair entre 40% e 70% antes de 2050. O informe adverte que “só as grandes mudanças institucionais e tecnológicas darão uma oportunidade superior a 50%” para o aquecimento global não ultrapassar o limite de segurança, e acrescenta que as medidas devem começar, no mais tardar, em 15 anos, completando-se em 35. Vale a pena assinalar que dois terços da humanidade têm menos de 21 anos e em grande parte são eles que terão que suportar os enormes custos da luta contra a mudança climática. A principal recomendação do IPCC é muito simples: as principais economias devem fixar um imposto sobre a contaminação com dióxido de carbono, elevando o custo dos combustíveis fósseis, para impulsionar o mercado de fontes de energias limpas, como a eólica, solar ou nuclear. Dez países são causadores de 70% do total da contaminação mundial de gases-estufa, sendo que Estados Unidos e China respondem por 55% desse total. Ambos estão tomando medidas sérias para combater a contaminação. O presidente norte-americano, Barack Obama, tentou em vão obter o beneplácito do Senado e teve que exercer sua autoridade sob a Lei de Ar Limpo de 1970 para reduzir a contaminação de carbono dos veículos e instalações industriais, estimulando as tecnologias limpas. Mas não pode fazer mais nada sem apoio do Senado. O todo poderoso presidente da China, Xi Jinping, considera prioritário o ambiente, em parte porque fontes oficiais estimam em cinco milhões anuais o número de mortes nesse país em razão da contaminação. Mas a China precisa de carvão para seu crescimento, e a postura de Xi é: “por que deveríamos frear nosso desenvolvimento, quando os países ricos que criaram o problema atual querem que tomemos medidas que atrasam nosso crescimento?”. Dessa forma, cria-se um círculo vicioso. Os países do Sul querem que as nações ricas financiem seus custos de redução da contaminação e os do Norte querem que esses deixem de contaminar e assumam seus próprios custos. Como resultado, o resumo do informe, que destina-se aos governantes, foi despojado das premissas que poderiam dar a entender a necessidade de o Sul fazer mais, enquanto os países ricos pressionaram para evitar uma linguagem que pudesse ser interpretada como a necessidade de eles assumirem as obrigações financeiras. Isso deveria facilitar um compromisso brando na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Lima, onde se deveria alcançar um novo acordo global (lembremos o desastre da conferência de Copenhague, em 2009). A chave de qualquer acordo está nas mãos dos Estados Unidos. O Congresso desse país bloqueia toda iniciativa sobre o controle climático, proporcionando uma saída fácil para China, Índia e o resto dos contaminadores: “por que devemos assumir compromissos e sacrifícios se os Estados Unidos não participam?”. O problema é que os republicanos converteram a mudança climática em uma de suas bandeiras de identidade. A última vez que se propôs um imposto sobre o carbono, em 2009, depois de um voto positivo na Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, o Senado, dominado pelos republicanos, o rejeitou. Nas eleições de 2010, uma série de políticos que votaram a favor do imposto sobre carbono perderam suas cadeiras, o que contribuiu para que os republicanos assumissem o controle da Câmara. Agora, a única esperança para os que querem uma mudança é aguardar as eleições de 2016 e esperar que o novo presidente norte-americano seja capaz de mudar a situação. Esse é um bom exemplo do que os gregos antigos diziam: que a esperança é a última deusa… O quadro é muito simples. O Senado dos Estados Unidos tem cem integrantes, o que significa que bastam 51 votos para liquidar qualquer projeto de lei de imposto sobre os combustíveis fosseis. Na China, a situação é diferente. Na melhor das hipóteses, as decisões são tomadas pelo Comitê Permanente do Comitê Central, formado por sete membros, que são o verdadeiro poder no Partido Comunista. Em outras palavras, o futuro de nosso planeta é decidido por 58 pessoas de uma população de quase 7,7 bilhões de habitantes. Envolverde/IPS * Roberto Savio é fundador e presidente emérito da agência de notícias Inter Press Service (IPS) e editor do Other News. (IPS)

Água da Amazônia e a crise de São Paulo

A crise de falta d´água em São Paulo e outras cidades do Brasil deve ser analisada com profundidade. Não estamos diante de um simples problema de chuvas abaixo da média histórica. Estamos diante de uma crise estrutural que requer uma reflexão profunda e mudanças de rumo na maneira com que lidamos com o recurso mais precioso de que dispomos – a água. Convém lembrar de alguns fatos importantes: (i) 2/3 do nosso corpo é formado de água – 90% no caso dos bebês, (ii) não conseguimos sobreviver sem água, (iii) a água de baixa qualidade é responsável por boa parte dos problemas de saúde da população – especialmente a de baixa renda, (iv) os igarapés, rios e lagos estão sendo poluídos em escala alarmante e não sustentável na maior parte dos países e (v) a escassez d´ água é um problema que se agrava em quase todo o mundo. A análise de um tema de tamanha importância e complexidade merece atenção de todos. O pequeno espaço disponível aqui, obriga-me a focar em apenas algumas facetas desse tema. Limitar-me-ei, portanto, a seguinte questão: o papel da Amazônia como mega bomba d´água nacional está sendo adequadamente considerado no Brasil? A resposta simples é: não. A maior parte dos formuladores de políticas públicas ainda desconhece o óbvio. A Amazônia tem um papel importantíssimo para o regime de chuvas de quase todo o território nacional, especialmente no sul, sudeste e centro-oeste do país. As florestas amazônicas processam a chuva que recebem do Oceano Atlântico e retornam vapor d´água para a atmosfera. Essa umidade segue para o sul, na forma de “jatos da baixa altitude” ou, na linguagem mais coloquial, “rios voadores”. O vapor d´água transportado pelos rios voadores para essas regiões precipita na forma de chuva quando encontra frentes frias ou outras condições climáticas favoráveis. Isso é um serviço ambiental prestado pela Amazônia ao resto do Brasil – e países vizinhos. O problema é que esse serviço é grátis e não é devidamente valorizado economicamente. Vale fazer um exercício mental simples: o que aconteceria se a floresta amazônica fosse destruída em 30, 50 ou 100%? Uma tragédia. Existem estudos científicos mostrando que a redução das florestas pelo desmatamento alteraria o regime de chuvas de várias regiões do Brasil. Obviamente, isso traria graves prejuízos para o abastecimento d´ água de grandes cidades, para a produção agropecuária e a para a produção de energia hidroelétrica. Não seria mais inteligente valorizar economicamente os serviços ambientais providos pela floresta? Isso contribuiria tornar a floresta mais valiosa em pé do que derrubada e com isso reduzir o desmatamento – conceito que defendo há mais de uma década. Creio que deveríamos aproveitar a atual crise de abastecimento d´ água de São Paulo não apenas para conscientizar o restante do Brasil sobre o papel da Amazônia nessa equação. Deveríamos ir além e propor medidas práticas para valorizar economicamente a floresta. A primeira e mais estratégica é fortalecer o argumento pela prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM) por mais 50 anos. Essa prorrogação deveria ser acompanhada por uma estratégia de maior envolvimento ativo das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) em programas e projetos voltados para a proteção e o uso sustentável da floresta. A segunda e mais ousada é criar um mecanismo direto de pagamento à Amazônia pelos serviços ambientais providos ao restante do Brasil. Uma fórmula simples seria destinar 1% de toda a tarifa de energia e água potável de todo o país para um fundo de pagamento pelos serviços ambientais da Amazônia. Essa proposta, formulada pelo Senador Eduardo Braga ao Código Florestal quase conseguiu aprovação no Congresso Nacional. Necessitamos de uma grande união de parlamentares, governos estaduais e lideranças da sociedade civil da Amazônia na defesa da valorização dos serviços ambientais providos pela Amazônia ao Brasil e ao mundo. A crise d´ água em São Paulo e em outras cidades brasileiras cria uma circunstância favorável para isso. * Virgílio Viana é superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e coordenador da rede SDSN-Amazônia. ** Publicado originalmente no Jornal Diário do Amazonas, em 24 de abril de 2014 e retirado do site Mercado Ético. (Mercado Ético)
Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas vai focar estudo nas cidades CLIPPING Entre os anos de 2014 e 2016, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) vai focar os estudos e análises nas cidades brasileiras. O anúncio foi feito na segunda-feira (28) pela presidente do Comitê Científico do painel, professora Suzana Kahn, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), durante o seminário Conclusões do 5º Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), Extremos Climáticos e seus Desdobramentos na Disponibilidade Hídrica e na Geração Elétrica no Brasil. De acordo com ela, a análise da emissão de gases de efeito estufa nas cidades foi uma das novidades do relatório do IPCC, apresentado no ano passado, dentro do Grupo 3, que analisa as medidas possíveis de mitigação para evitar os efeitos mais nocivos do aquecimento global. Ela disse que “a população urbana em 2050 é esperada para ser de 5,6 [bilhões] a 7,1 bilhões de pessoas. Quase 70% da população mundial vão estar nas cidades, que consomem mais da metade da energia mundial. Daí a importância de se olhar as cidades quando se está pensando em mitigação das emissões. As cidades também são as que vão sofrer os maiores impactos das emissões, é onde a população está, é onde os danos vão acontecer, ao mesmo tempo em que as cidades são uma grande fonte de emissão. Portanto, deve ser tratada como um setor para reduzir as emissões”. Com isso, o PBMC vai se dedicar a analisar a situação das cidades brasileiras. “A gente vai trabalhar com a questão da mudança climática em cidades, tanto no diagnóstico de medidas e tecnologias disponíveis [quanto na] adequação às tipologias das cidades. Cada uma tem suas especificidades; medidas de adaptação das cidades brasileiras vulneráveis; medidas urbanas de mitigação de emissões de gases do efeito estufa. Isso acabou de ser aprovado, e a gente vai agora chamar uma reunião do conselho diretor e do comitê científico para discutir o plano de trabalho. As cidades são uma fonte de emissão e também uma fonte de solução para os problemas climáticos”, informou Suzana. Ela explicou a estrutura do Grupo 3 do relatório, e disse que apenas medidas tecnológicas não serão capazes de manter o aquecimento global dentro da melhor perspectiva, entre os 900 cenários analisados pelos cientistas, que é de subir 2,5 graus Celsius até o final do século. De acordo com Suzana, é necessária uma “profunda descarbonizada da energia”, o que implica em mudanças no atual padrão de consumo energético mundial, muito baseado em combustíveis fósseis. A boa notícia, segundo ela, é que os investimentos previstos em infraestrutura para o setor, nos próximos anos, já contemplam essa mudança. O professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo explicou as conclusões do Grupo 1 do IPCC, que trata das bases científicas. De acordo com ele, o relatório mais recente reconhece com certeza a influência da atividade humana nas mudanças climáticas, no funcionamento dos ecossistemas, na química da atmosfera e na dinâmica oceânica. Também aponta evidências concretas do aquecimento global, como o aumento da concentração de gás carbônico e de vapor de água na atmosfera, bem como a diminuição da concentração de oxigênio e das geleiras e o aumento da acidez dos oceanos. A professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP Maria Assunção Faus da Silva Dias falou sobre o Grupo 2 do IPCC, que trata dos impactos, adaptação e vulnerabilidade. De acordo com ela, um dos maiores graus de confiança nas mudanças climáticas na América do Sul é a diminuição das geleiras nos Andes e o aumento da vazão na Bacia do Rio da Prata. Outro exemplo é o aumento de eventos extremos, como a falta de chuvas, que afetou o nível dos reservatórios de água em São Paulo e em outros estados da Região Sudeste, principalmente. Para o professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ e secretário executivo do PBMC, o ano vai ser difícil para o Brasil na questão de emissões no setor elétrico, já que choveu pouco e será preciso acionar as usinas termelétricas, que aumentam a emissão de gases de efeito estufa. Ele cita também a falta de competitividade no preço do etanol como alternativa ao combustível fóssil. “Com base no quinto relatório do IPCC, é óbvio que a preocupação com o enfrentamento à mudança no clima é grande e ao mesmo tempo as políticas para isso são insuficientes, tanto do ponto de vista de mitigação quanto de adaptação. O Brasil tem uma vantagem interessante de ter reduzido muito o desmatamento; isso é positivo. Mas a área de energia se tornou importante, pois está aumentando muito suas emissões”, analisou Pinguelli. (Fonte: Agência Brasil)