sábado, 12 de maio de 2012
42% dos resíduos sólidos coletados no país vão para locais inadequados, indica estudo
A quantidade de resíduos sólidos gerados no Brasil em 2011 totalizou 61,9 milhões de toneladas, 1,8% a mais do que no ano anterior, de acordo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2011, lançado na terça-feira (8), pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), durante a 11ª Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas da Cidade de São Paulo. Do total coletado, 42% do lixo acabam em local inadequado.
Segundo o diretor executivo da Abrelpe, Carlos Silva Filho, o crescimento de resíduos sólidos no período de 2010 para 2011 foi duas vezes maior do que o crescimento da população, que cresceu 0,9% no período. “Se continuarmos nessa curva ascendente de crescimento ano após ano e não conseguirmos, de alguma forma, adotar ações adequadas para conter essa geração, certamente, em médio prazo, nossos sistemas de gestão de resíduos entrarão em colapso”.
O estudo mostra ainda que, em 2011, foram coletados 55,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos, o que resulta em uma cobertura de 90%. “Cerca de 10% de tudo o que é gerado acabam em terrenos baldios, córregos, lagos e praças. Nós vemos que esse problema é recorrente em praticamente todas as cidades do país”, disse Silva Filho. Da quantidade coletada, o Sudeste responde por 53% e o Nordeste por 22%. “Nessas duas regiões estão concentrados 75% de todo o lixo do território nacional”.
Segundo o Panorama, 42% dos resíduos sólidos foram destinados em locais inadequados como lixões e aterros controlados. Filho ressaltou que a Abrelpe considera a segunda opção inadequada porque, do ponto de vista ambiental, têm o mesmo impacto negativo que os lixões. “O aterro controlado não protege o meio ambiente como um aterro sanitário”.
De acordo com a publicação, a quantidade de lixo levado para aterros sanitários pode ter sido maior em porcentagem, mas ao analisar a quantidade nota-se que em 2011 a situação piorou. “Em 2010 o volume de destinação inadequada foi 22,9 milhões de toneladas contra 23,2 milhões de toneladas em 2011”, disse.
O Panorama indica ainda que dos 5.565 municípios brasileiros, 58,6% do total, afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva, o que significa um aumento de 1% em comparação ao ano anterior. Com relação à coleta de lixo hospitalar, os municípios coletaram e destinaram 237,6 mil toneladas de resíduos de saúde, das quais 40% têm destino inadequado. “Dessa porcentagem temos 12% indo para lixão, sendo depositados sobre o solo sem tratamento prévio, não só contaminando o meio ambiente mas trazendo um risco muito grave para as pessoas que tiram seu sustento desses lixões”.
Para Silva Filho, o cenário revelado pelo Panorama precisa ser modificado até agosto de 2014, quando acaba o prazo para o cumprimento das metas da Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Na avaliação do diretor executivo, as empresas do setor estão preparadas para enfrentar o desafio, pois têm tecnologia, conhecimento técnico e mão de obra. “Precisamos de vontade política e do recurso necessário para tanto. Sem isso não teremos a possibilidade de atender o que determina a lei nacional”, disse.
(Fonte: Flávia Albuquerque/ Agência Brasil)
Nordeste sofrerá mais com o aquecimento global, diz estudo
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou quais os locais que serão mais afetados pelo aquecimento global no País.
Combinando dados de modelagem climática com indicadores sociais – como densidade demográfica e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – os estudiosos concluíram que o Nordeste é a região que mais sofrerá com os efeitos do aquecimento. Na lista também estão importantes capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, além de Brasília, Belo Horizonte, Manaus e Cuiabá.
O estudo foi publicado no fim de semana na revista Climatic Change. Segundo os pesquisadores, os levantamentos sobre o clima, quando analisados de forma isolada, não apresentam resultados significativos sobre os impactos do aquecimento global. Porém, quando combinados com indicadores sociais podem indicar os efeitos na vida da população.
Na pesquisa liderada pelo físico do Inpe Roger Torres e pelo ecólogo da Unesp David Lapola, um mapa (ilustrado na imagem) mostra a diferença quando se leva em conta apenas os dados do Índice Regional de Mudança Climática (RCCI, na sigla em inglês) – como mostra a figura à esquerda – e quando se analisa a combinação com os dados sociais de número de habitantes de cada localidade e o IDH da região – representado no mapa à direita.
Quando analisado apenas o Índice de Mudança Climática, que corresponde ao aumento na temperatura e ao volume de chuvas, por exemplo, as regiões consideradas mais afetadas pelo aquecimento são o Centro-Oeste e o Norte do País. No entanto, quando se leva em conta os indicadores sociais, as áreas em que o aquecimento trará mais impacto na vida das pessoas são o Nordeste e algumas capitais, que aparecem marcadas de vermelho.
Segundo os pesquisadores, o resultado pior para o Nordeste se deve às baixas taxas de desenvolvimento humano, combinado a uma densidade populacional relativamente alta. “O Nordeste apresenta o IDH mais baixo, o que faz com que a população tenha menos instrumentos para se adaptar a essas mudanças”, explica o pesquisador da Unesp David Lapola. De acordo com ele, outras localidades no País também registram índices inferiores de educação, saúde e renda, mas quando combinados com uma densidade demográfica também baixa, o impacto das mudanças climáticas é menor. “O exemplo disso é o oeste amazônico, onde a população pequena compensa o baixo IDH”.
Já nas capitais, como Rio e São Paulo, o problema está relacionado diretamente ao elevado número de habitantes. Essa alta densidade demográfica dificulta que sejam evitados fenômenos já frequentes nesses locais, como os deslizamentos de terra. Segundo Lapola, o estudo não detalha o que pode ocorrer em cada região. “Para o Rio e São Paulo já foram feitas outras pesquisas que apontam que as enchentes e os deslizamentos são os principais fatores do aquecimento, mas nas outras localidades vulneráveis pouco se sabe sobre como essa população pode ser afetada”.
Ele espera que o estudo possa servir como um balizador de políticas públicas para evitar danos nas regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas. “Acreditamos que as pesquisas podem ser muito úteis para que os tomadores de decisões foquem suas ações nesses locais”, completa.
(Fonte: Portal Terra)
(Fonte: Portal Terra)
Cientistas enumeram retrocessos no novo Código Florestal
Cientistas divulgaram vários estudos alertando sobre a necessidade da conservação e preservação de patrimônios naturais, além da recuperação de 15 metro de APPs para todos os rios, dentre outras iniciativas para a conservação do meio ambiente.
A aprovação do Código Florestal na Câmara dos Deputados no dia 25 de abril representa um retrocesso para a conservação da diversidade animal e vegetal do País, segundo avaliação de cientistas. O texto aprovado seguiu para o Palácio do Planalto que pode sancionar ou vetar a nova legislação ambiental brasileira. Dentre os principais pontos considerados críticos, no novo Código Florestal, destaca-se a obrigação da recuperação de 15 metros de Áreas de Preservação Permanente (APPs) ripárias apenas para os rios com 10 metros de largura. Já os córregos mais largos, que representam a maior parte dos rios de grandes propriedades rurais, ficam desprotegidos pela nova legislação. Na prática, isso representa anistia concedida aos produtores rurais ao histórico passivo ambiental.
Outro fator crítico para a conservação do meio ambiente é a retirada de apicuns e salgados das APPs (locais próximos à praia onde é feita a criação de camarão), áreas que ficam passíveis à exploração pelos agricultores. Cientistas membros do Grupo de Trabalho (GT) que estuda o Código Florestal, formado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), divulgaram vários estudos alertando sobre a necessidade da conservação e preservação desses patrimônios naturais, além da recuperação de 15 metro de APPs para todos os rios, dentre outras iniciativas para a conservação do meio ambiente.
Poluição de água compromete segurança alimentar - Há quem diga que a ausência, no novo Código Florestal, de recuperação de áreas de preservação permanentes próximas aos rios provoca poluição nas águas em decorrência do uso de agrotóxicos, o que, futuramente, pode comprometer a segurança alimentar e estimular o déficit hídrico.
Foi excluído também do novo Código Florestal os mecanismos inseridos pelo Senado Federal que previam a concessão de crédito agrícola pelo sistema financeiro oficial atrelada à regularização ambiental, segundo Jean Paul Metzger, professor do Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e membro do grupo de trabalho que estuda o Código Florestal.
Caíram os dispositivos do Senado que propiciavam uma melhor delimitação de áreas de várzeas em áreas urbanas e exigiam um mínimo de área verde em expansões urbanas, em uma tentativa de reduzir a ocorrência de enchentes nas grandes cidades, por exemplo. O texto aprovado pelos deputados também retirou a necessidade de autorização de órgão federal para supressão de vegetação nativa onde há espécie ameaçada de extinção e ignorou a área de proteção de 50 metros ao longo das veredas.
Fim de tempo mínimo para áreas cultivadas - No novo Código Florestal foi alterada ainda a definição de pousio - descanso que se dá a uma terra cultivada, quando a cultura é interrompida por um ou mais anos. Ou seja, o texto acaba com o tempo mínimo para o uso dessas áreas e retira a definição de "terras abandonadas". A avaliação é de que, com essas mudanças, proprietários rurais poderão requerer o corte de uma vegetação secundária (que é quase tudo que sobrou, pelo menos no caso da Mata Atlântica) alegando se tratar de área de uso em pousio. Na avaliação de especialistas, isso representa um instrumento favorável a futuros desmatamentos legais.
Outro ponto considerado polêmico do Código é a manutenção da possibilidade de redução de Reserva Legal (RL) na Amazônia, de 80% para 50% no caso de estados com mais de 65% de Unidades de Conservação e terras indígenas, abrindo espaço para mais desmatamentos legais em curto prazo. Os deputados no Código Florestal também proibiram a divulgação do cadastro rural na internet, reduzindo o poder de controle da sociedade civil.
Medidas paliativas - Temendo os impactos da nova lei ambiental brasileira, os senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Jorge Viana (PT-AC) apresentaram ontem (2) o Projeto de Lei (PLS 123/2012) que regulariza atividades agrossilopasstoris, de ecoturismo e de turismo rural consolidadas até julho de 2008 em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal.
Segundo a Agência Senado, as medidas previstas no projeto estavam no texto do Código Florestal (PLC 30/2011) aprovado em dezembro pelo Senado, mas foram modificadas na versão final (PL 1876/1999) aprovada pela Câmara dos Deputados recentemente. O projeto estabelece que União, estados e o Distrito Federal terão até dois anos, após a publicação da nova lei ambiental, para implantar Programas de Regularização Ambiental (PRAs) para áreas desmatadas ilegalmente até 2008. Caberá à União, pelo texto, definir normas gerais. Já os estados e o DF definiriam normas específicas de funcionamento dos programas.
Após a criação do programa no estado onde se localiza a área irregular, o proprietário terá até dois anos para aderir ao PRA e assinar termo se comprometendo a cumprir as obrigações previstas, segundo a Agência Senado. Durante o período em que o PRA estiver sendo criado no estado e após a assinatura do termo de compromisso, o proprietário não poderá ser autuado por infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008. Quando forem cumpridas as obrigações estabelecidas no PRA, as multas previstas serão consideradas como convertidas em serviços de preservação e melhoria do meio ambiente, regularizando o uso das áreas rurais consolidadas, dentre outras medidas.
Dentre outras medidas, o PL apresentado pelos dois senadores prevê minimizar os impactos no âmbito das APPs. Isto é, no caso de atividades consolidadas em margem de rio com largura de até dez metros, será obrigatória a recomposição de matas em faixas de 15 metros de largura. Para rios com mais de dez metros, em caso de imóveis da agricultura familiar e aqueles que, em 22 de julho de 2008, tinham até quatro módulos fiscais, será obrigatória a recomposição das faixas de matas correspondentes à metade da largura do curso d'água, observado o mínimo de 30 metros e o máximo de 100 metros.
Jornal da Ciência/EcoAgência
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Jornal da Ciência/EcoAgência
Projeto Genoma Onça-Pintada é iniciado
Iniciativa brasileira visa ao sequenciamento completo do material genético da espécie, incluindo caracterização integrada de diversos tipos de informação molecular.
Um consórcio de instituições iniciou o Projeto Genoma Onça-Pintada, que visa ao sequenciamento completo do material genético da espécie Panthera onca, incluindo caracterização integrada de diversos tipos de informação molecular. O consórcio é integrado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Minas Gerais, em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Pró-Carnívoros e o Zoológico Municipal de Sorocaba.
O projeto era planejado desde setembro de 2011 e foi iniciado agora com a coleta das primeiras amostras de material biológico de um exemplar do animal, proveniente do Pantanal, selecionado para sequenciamento. O animal, que está mantido no Zoológico de Sorocaba, será o alvo principal do esforço de sequenciamento de DNA em grande escala, seguido dos processos computacionais de montagem genômica e anotação (caracterização) dos diferentes componentes do material genético da espécie, como genes, elementos regulatórios e elementos repetitivos.
De acordo com os pesquisadores participantes do projeto, o animal atuará como representante da espécie do ponto de vista da caracterização genômica, provendo dados essenciais para compreender a biologia e evolução da onça-pintada, bem como suas diferenças em relação a outras espécies. Além da sequência genômica completa, o animal também será o foco de estudos sobre o transcriptoma da onça-pintada – a análise de quais genes estão sendo expressos (ativados) em diferentes tecidos em um determinado momento –, que permite validar e qualificar os dados genômicos, além de viabilizar inferências sobre o funcionamento dos genes no animal vivo.
As análises realizadas a partir do animal serão complementadas por investigações genômicas comparativas de outras onças-pintadas, provenientes de diferentes biomas, que serão relevantes para caracterizar a variabilidade genômica presente na espécie e para identificar as bases genéticas de características físicas que podem influenciar na sua adaptação a diferentes ambientes. Segundo os pesquisadores, as informações serão importantes para compreender a história evolutiva da onça-pintada e contribuir para um delineamento mais preciso e abrangente de estratégias para a sua conservação na natureza.
Além disso, os dados genômicos gerados a partir do projeto poderão ter aplicação forense, provendo uma base de marcadores moleculares que auxiliará na análise de estrutura populacional da espécie e identificação da procedência geográfica de animais de interesse, por exemplo, apreendidos. Para realizar o projeto, os pesquisadores utilizarão a infraestrutura do Laboratório Multiusuários Centralizado de Genômica Funcional Aplicada à Agropecuária e Agroenergia, instalado na Esalq com auxílio da FAPESP por meio do Programa Equipamentos Multiusuários.
“Com os recursos que obtivemos da Fapesp, adquirimos equipamentos para o centro de genoma funcional, que serão utilizados para sequenciar o genoma da onça-pintada”, disse Luiz Lehmann Coutinho, professor da Esalq e um dos pesquisadores participantes do projeto, à Agência Fapesp. O pesquisador também participou do projeto de sequenciamento da Xylella fastidiosa, bactéria causadora do "amarelinho" – doença que devasta plantações de cítricos –, realizado no âmbito do Programa Genoma da Fapesp.
Agência Fapesp/EcoAgência
Sistema público de saúde não incentiva o parto normal
Emoções da mulher
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o parto normal, em detrimento das cesarianas, bem como que os procedimentos sejam humanizados e ofereçam uma assistência segura com o uso apropriado das tecnologias para as gestantes e bebês.
Mas a maioria dos hospitais da rede pública de saúde do Estado de São Paulo ainda não segue esse modelo.
"O profissional da saúde geralmente não tem o preparo para lidar com as emoções da mulher. Sua vontade e seu bem-estar não são priorizados na hora do parto," resume Cláudia de Azevedo Aguiar, da USP.
A pesquisadora analisou prontuários de parturientes de dois hospitais da rede pública de São Paulo, sendo que um deles utiliza o modelo humanizado e o outro o modelo tradicional, com centro obstétrico.
Parto humanizado
O parto humanizado prevê assistência total à mulher durante o trabalho de parto, visando o conforto e bem-estar da mãe e do bebê.
Dentre as ações envolvendo o parto humanizado, registradas desde 1996 nas Recomendações da OMS, estão:
Elaboração de um plano pessoal que determine onde e por quem será assistido o nascimento.
Direito ao leito hospitalar no ato do parto.
Disponibilidade de líquidos orais durante o trabalho de parto (no modelo tradicional, ainda se adota o jejum, o que já foi esclarecido pela Medicina Baseada em Evidências como prejudicial para a saúde da mulher e do bebê).
Não utilização de métodos invasivos e farmacológicos para alívio de dor durante o trabalho de parto, substituídos por alternativas como massagens e técnicas de relaxamento.
"O que tem que ficar claro é que esse não é um momento de glorificação do profissional, mas um momento da mulher e o que tem que ser valorizado é a relação mãe-bebê," diz a pesquisadora.
Decisão médica arbitrária
As mulheres analisadas eram consideradas saudáveis, o que as colocava na condição ideal para a realização do parto normal.
Entretanto, por motivos diversos - esclarecidos de forma bastante contraditória nesses prontuários - elas foram submetidas à cesariana.
"Algumas intercorrências podem levar a uma mudança de planos na realização do parto. O que ficou claro no estudo é que muitas mulheres poderiam ter seus bebês pelo parto normal, mas em função de intervenções excessivas ou por uma decisão médica arbitrária, elas foram impedidas," afirma Cláudia.
Mesmo o direito ao acompanhante, garantido pela lei nº 11.108 de 2005, não é respeitado.
"Os serviços de saúde do Sistema Público de Saúde, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato," diz a lei.
Contudo, uma das justificativas que Cláudia teve da dirigente do hospital tradicional foi de que, por serem salas coletivas, os acompanhantes inibem as outras gestantes e lhes causam desconforto.
Humanização falha
Mesmo no hospital que utiliza técnicas do parto humanizado, pode se constatar falhas.
Segundo Cláudia, apesar de alguns direitos serem respeitados, como acompanhante, outros pontos são deixados de lado. "As gestantes ainda são submetidas a substâncias químicas e farmacológicas para acelerar as contrações e isso pode ser extremamente danoso para mulher e para o bebê".
Uma substância muito utilizada é a ocitocina. Ela aumenta as contrações intrauterinas, o que acelera a dilatação da mulher, mas em contrapartida causa muitas dores na gestante. Ela é altamente danosa para o corpo humano, quando utilizada incorretamente e só é recomendada em casos extremos, quando as contrações estão abaixo do normal ou quando há parada na progressão do trabalho de parto.
Cláudia destaca que o parto normal garante uma recuperação muito mais rápida à mulher, a mãe pode ficar com o bebê o tempo todo - o que não acontece na cesariana - há menos perda de sangue e menos uso de medicamentos e taxa de mortalidade menor.
"Infelizmente, a cultura popular cultiva uma visão errada do parto normal, como algo muito doloroso. Claro que existe dor, mas todas as mulheres são capazes de passar pelo parto normal", afirma.
Agência USP
Descarte de medicamentos: jogar no lixo ou devolver à farmácia?
Descarte de medicamentos
A preocupação com o descarte de medicamentos chegou ao Senado Federal, que pretende discutir o assunto nesta próxima semana, durante a 1ª Semana de Vigilância Sanitária, que irá de 7 a 10 de Maio.
Na quinta-feira, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) promoverá audiência pública para tratar do descarte de resíduos de medicamentos no país.
O objetivo da audiência é discutir com o setor farmacêutico, entidades de classe e sociedade civil a implementação da Logística Reversa de Resíduos de Medicamentos.
A preocupação é com o descarte de medicamentos vencidos, que não podem ser jogados no lixo ou na rede de esgoto, sob o risco de contaminar o solo, a água, os animais e as pessoas.
Jogar no lixo ou devolver?
É realmente interessante ouvir todos os envolvidos da sociedade civil.
Por exemplo, a preocupação não deveria ser tamanha com o descarte de medicamentos, segundo os cientistas autores de um estudo publicado no último exemplar da revista científica Environmental Science and Technology.
Nos Estados Unidos, a legislação recomenda que os medicamentos vencidos ou não usados sejam descartados juntamente com o lixo doméstico.
Já na Suécia, há um programa de recolhimento por parte da indústria farmacêutica há vários anos.
Steven Skerlos e sua equipe da Universidade de Michigan, quis tirar a questão a limpo, e fez um estudo cobrindo tanto os danos ao meio ambiente, quanto os riscos de contaminação.
Miopia científica?
Segundo a equipe, jogar esses medicamentos na lata do lixo comum é melhor para o meio ambiente do que retorná-los para a farmácia porque isto geraria um custo ambiental maior do que qualquer ganho obtido nesse esquema de logística reversa.
Mas o "melhor" sugerido pela equipe leva em conta apenas o custo ambiental da emissão de gases de efeito estufa, fumaça e emissão de compostos que danificam a camada de ozônio - um verdadeiro mantra entre os ambientalistas.
Isto porque os medicamentos devolvidos às farmácias são incinerados, o que elimina todos os ingredientes farmacologicamente ativos.
Mas seria realmente correto trocar um dano certo por uma influência ainda incerta?
Segundo a recomendação dos cientistas, seria razoável fazer o descarte dos medicamentos, enviando todos esses ingredientes farmacologicamente ativos para o meio ambiente - incluindo compostos com efeitos residuais carcinogênicos e respiratórios, além de possíveis contaminantes do lençol freático - em troca de emitir um pouco menos de CO2.
Degradação de medicamentos
Já um estudo em andamento na USP mostra que o problema pode ser ainda mais sério do que simplesmente o composto ativo dos medicamentos.
Ocorre que um medicamento, mesmo dentro do prazo de validade, pode formar produtos de degradação tóxicos para os seres humanos.
Os pesquisadores brasileiros estão agora desenvolvendo técnicas para identificar e quantificar os compostos gerados por esta degradação, assim como os fatores que contribuem com seu processo de formação.
O objetivo é que as indústrias façam modificações na composição, embalagem e transporte dos medicamentos para evitar o aparecimento de compostos nocivos à saúde.
Mas o problema pode ser certo quando esses medicamentos são descartados no meio ambiente.
Redação do Diário da Saúde
Degradação de medicamentos
É realmente possível ver aura das pessoas, dizem cientistas
Energias humanas
Cientistas da Universidade de Granada, na Espanha, afirmam ter comprovado cientificamente que é possível enxergar a aura das pessoas.
A aura seria um campo de radiação luminosa que circunda uma pessoa como se fosse um halo.
Embora a aura seja usada em processos de cura por místicos desde a Antiguidade, poucos cientistas se aventuraram na área justamente pelo temor de serem associados ao misticismo, por definição algo diametralmente oposto à ciência.
Contudo, à medida que os sensores e a capacidade de medir campos de energia mais tênues vão se aprimorando, as pesquisas realmente científicas na área têm avançado, sobretudo no campo do magnetismo, embora ainda devidamente enquadradas no padrão oficial da ciência acadêmica.
Aura e efeito placebo
Segundo Emilio Gómez Milán e seus colegas, algumas pessoas, geralmente conhecidos como "curandeiros", de fato conseguem perceber um campo de energia ao redor das pessoas.
Isto, segundo a pesquisa, se deve a um fenômeno já bem conhecido dos cientistas, chamado sinestesia, um fenômeno neuropsicológico que parece mesclar os sentidos.
Segundo o grupo, isto pode explicar cientificamente a alegada prática virtuosa dos curandeiros: sua visualização geraria um "significativo efeito placebo" nas pessoas doentes, dizem os cientistas, que de fato as leva à cura.
Sinestesia
Nas pessoas sinestetas - que apresentam a sinestesia - as regiões do cérebro responsáveis pelo processamento de cada estímulo sensorial são fortemente interconectadas.
Ou seja, os sinestetas têm mais conexões sinápticas do que as pessoas "normais".
"Essas conexões extras fazem com que elas automaticamente estabeleçam associações entre áreas do cérebro que normalmente não são conectadas," explica o professor Gómez Milán.
Desta forma, os sinestetas podem ver ou tatear um som, sentir sabor das cores, ou formatos das palavras, entre outras inúmeras possibilidades.
O que as pessoas que conseguem visualizar auras possuem é o que os cientistas chamam de sinestesia emocional.
Qualidades de um místico curador
Os cientistas espanhóis afirmam que "nem todos os curandeiros são sinestetas, mas há uma elevada prevalência desse fenômeno entre eles. O mesmo ocorre entre pintores e artistas, por exemplo".
Eles estudaram um médium espanhol chamado Esteban Sánchez Casas, mais conhecido como "O homem santo de Baza".
Segundo a análise dos cientistas, a capacidade de Esteban Casas ver a aura das pessoas "é, de fato, um caso claro de sinestesia".
Ainda segundo o artigo, o místico apresentaria quatro elementos básicos que explicariam seu "poder de cura".
O primeiro é a sinestesia face-cor, na qual a região do cérebro responsável pelo reconhecimento facial é associada com a região de processamento de cores.
O segundo é a sinestesia toque-espelho, quando o sinesteta, ao observar uma pessoa que está sendo tocada ou que está sentido dor, consegue sentir a mesma coisa.
O terceiro é uma elevada empatia, a capacidade de sentir o que as outras pessoas estão sentindo.
Finalmente, o místico teria esquizotipia, um conceito psicológico amplo, que descreve um contínuo de características de personalidade que vão desde estados dissociativos normais e estados imaginativos, até extremos como a psicose e a esquizofrenia.
Explicações fisiológicas
"Estas habilidades fazem com que os sinestetas tenham a capacidade de fazer com que as pessoas se sintam compreendidas, o que lhes proporciona uma emotividade especial e uma capacidade de perceber a dor [dos outros]," escrevem os cientistas em seu artigo, publicado na revista Consciousness and Cognition.
À luz de suas explicações, os cientistas concluem que, "embora alguns curadores realmente tenham a capacidade para ver a aura das pessoas e sentir a dor dos outros devido à sinestesia", seus efeitos curadores devem-se unicamente a um "significativo efeito placebo".
Redação do Diário da Saúde
“Ação ambiental será inútil se população continuar crescendo”, diz Nobel de medicina
O elefante populacional está de volta à loja de cristais do debate sobre desenvolvimento sustentável.
Um relatório divulgado no fim do mês passado pela Royal Society, principal sociedade científica britânica, recomendou à conferência ambiental Rio+20 que tome medidas para conter a explosão da população do planeta e o consumo excessivo -tanto dos países ricos quanto dos emergentes, como o Brasil.
O porta-voz desse paquiderme é alguém conhecido por seu trabalho com um organismo de 1 milímetro: o biólogo John Sulston, 70.
Um dos líderes do Projeto Genoma Humano, Sir John ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2002 por seus trabalhos com células do minúsculo verme Caenorhabditis elegans.
Nos últimos dois anos, ele se afastou da biologia e se aventurou no território das ciências sociais, chefiando o comitê de especialistas que produziu o relatório “People and the Planet” [As Pessoas e o Planeta, em inglês].
(Fonte: Claudio Angelo/ Folha.com)
Programa no RS ensina a cuidar de nascentes e reservatórios de água
Muitas vezes a água que abastece as propriedades rurais é armazenada em açudes a céu aberto, sem proteção nenhuma. A falta de cuidado acaba causando problema de qualidade e até de escassez de água.
O município de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, decidiu mudar esse roteiro e criou um programa para proteger suas águas, garantindo assim o abastecimento e a saúde de centenas de agricultores.
No geral, chove bem da região serrana do estado. Difícil é conseguir água de qualidade pra beber, usar em casa e para dar aos animais. Quase toda água disponível no município é superficial, vem de fontes que formam rios e arroios de baixa vazão. Esses se contaminam e até desaparecem com facilidade quando mal cuidados.
Uma única fonte, de boa vazão, se bem protegida, pode garantir o abastecimento de mais de uma família.
As orientações fazem parte do programa Água Limpa – um projeto municipal de saneamento básico rural. A ideia é preservar e melhorar a qualidade da água por meio dessas ações. Quem se interessar pelo trabalho deve arcar com o custo do material e da mão-de-obra. A Prefeitura dá toda a orientação técnica e, se necessário, empresta o maquinário.
A água de qualidade trouxe saúde e dignidade para centenas de moradores da zona rural. Preservá-la é garantir também o abastecimento das grandes cidades no futuro. O passo-a-passo dessas orientações do programa Água Limpa estão disponíveis em www.caxias.rs.gov.br/agricultura.
(Fonte: Globo Natureza)
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Pesquisadores transformam esgoto em combustível
Já pensou abastecer seu automóvel com… esgoto? Ao que depender da iniciativa de um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, esta será uma realidade palpável em breve.
O estudo foi elaborado pelo National Fuel Cell Reasearch Center, e tenta demonstrar que a solução é um bom combustível de produção local, uma vez que cada cidade pode utilizar seu próprio esgoto, além de reutilizar esses resíduos nocivos ao ambiente.
Os pesquisadores já instalaram um equipamento para demonstrar o processo na estação de tratamento de esgotos de Orange Country. O sistema funciona a partir de biodigestores, nos quais as bactérias quebram os resíduos sólidos e liberam gás metano e dióxido de carbono (CO2).
Os gases então são transportados para uma célula gigante, sendo em seguida transformados em CO2, água e hidrogênio. O hidrogênio puro é utilizado para gerar energia necessária ao funcionamento do próprio sistema e o restante vira combustível.
O sistema está em fase de testes e logo deve ser instalado em outras estações de tratamento.
* Publicado originalmente no EcoD.
(EcoD)
Primeiro remédio feito de plantas geneticamente modificadas é aprovado nos EUA
A Administração federal de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) americana acabou de aprovar a droga Elelyso, feita de cenoura geneticamente modificada, para o tratamento de pacientes da Doença de Gaucher.
A Doença de Gaucher é uma doença genética e progressiva, que pode causar problemas que vão de infecção dos ossos até anemia.
A condição é a mais comum das doenças lisossômicas de depósito (doenças que acumulam restos de células envelhecidas depositadas nos lisossomos, que são pequenas estruturas celulares que contêm enzimas essenciais ao equilíbrio do organismo).
Esse tipo de doença faz parte de um conjunto de mais de 40 enfermidades genéticas que têm como característica a deficiência de uma ou mais enzimas. Os pacientes da Doença de Gaucher não têm uma enzima específica, a ß-glicosidase ácida, ou glicocerebrosidase.
A nova droga, desenvolvida pela empresa israelense de biotecnologia Protalix Biotherapeutics, diminui e alivia os sintomas da Doença de Gaucher. Ela foi desenvolvida a partir de um método que conseguiu criar a enzima humana em cenouras geneticamente modificadas.
Em um estudo conduzido com pacientes da doença, os que receberam o tratamento inovador mostraram melhoras significativas, comparáveis a outros tratamentos da condição.
Esse é um passo importante na aprovação de outras drogas “biocriadas”, originadas de plantas geneticamente modificadas.
As vantagens
Até agora, o tratamento mais comum para a Doença de Gaucher era a droga Cerezyme. Porém, a escassez do remédio prejudicava muitos pacientes, que sofriam com os sintomas, que podem ser terríveis, da doença.
Cerezyme e outras drogas para a Doença de Gaucher criam enzimas humanas a partir de células de mamíferos, por exemplo, hamsters.
Quanto ao modo de fabricação, a Elelyso é parecida com os outros remédios, mas suas vantagens são que a cultura de plantas é bem mais fácil que a cultura de células animais, e, também, elas não são expostas a patógenos e vírus que as células animais são.
No entanto, a FDA até então tinha um pé atrás com drogas feitas a partir de engenharia genética. Agora, os especialistas acreditam que esse primeiro passo de aprovação vai estimular muito a indústria farmacêutica e abrir portas para mais remédios de plantas modificadas.
Para aliviar os sintomas de pacientes da Doença de Gaucher, parece uma boa solução. Nos resta aguardar para ver seus benefícios.
http://hypescience.com
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A seleção natural ainda está entre nós?
Se você for um daqueles biólogos evolucionistas que propaga aos quatro ventos que a seleção natural não age mais sobre nós, melhor pensar novamente, porque pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, e do Wissenschaftskolleg de Berlim (Centro para Estudos Avançados, em tradução livre), na Alemanha, acharam sinais de que ela ainda estava entre nós há pelo menos 200 anos. E ainda pode estar.
Esse pequeno aviso merece destaque porque contradiz uma hipótese bastante aceita, porém ainda polêmica no mundo acadêmico, de que a evolução humana parou há 10 mil anos – alguns cientistas vão mais além e acreditam que ela se estagnou há 50 mil anos. Para se ter uma ideia, alguns psicólogos creem que a mente humana não evoluiu (no sentido de mudança, apenas, sem necessariamente ser para melhor) desde o fim da Era do Gelo, há cerca de 10 mil anos.
O estudo foi publicado no renomado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences e já coleciona entusiastas, como o biólogo evolucionista Jacob Moorad, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, que não teve participação na pesquisa. “A seleção natural ainda acontece nos seres humanos modernos. Sem dúvida”, sentencia Moorad.
Pistas do interior da Finlândia
A descoberta é resultado de uma análise detalhada da vida de quase 6 mil pessoas, nascidas entre 1760 e 1849, em quatro vilarejos finlandeses. Foram estudados os registros de nascimento, morte e casamento de cada uma dessas pessoas.
De acordo com o biólogo evolucionário Alexandre Courtiol, principal mente por trás da pesquisa, foi escolhido esse período e essa população porque a revolução agrícola já estava consolidada e porque os vilarejos finlandeses eram caracterizados por regras rígidas no que diz respeito à monogamia, ao divórcio e às relações extraconjugais. Além de que o país possui um dos melhores acervos genealógicos do mundo, graças aos registros feitos pelas igrejas locais.
Courtiol e seus colegas se debruçaram sobre quatro aspectos principais que afetam a sobrevivência. São eles: quem vivia além dos 15 anos, quem se casava, quem se casava mais de uma vez e quantas crianças eram tidas em cada casamento.
O número impressiona: quase 50% dessas pessoas morreram antes de completar 15 anos. Segundo o biólogo do instituto alemão, isso sugere que essas pessoas tinham características desfavoráveis, como uma maior suscetibilidade a doenças, por exemplo.
Resultado: esses não conseguiram passar seus genes para frente. Dos que passaram da décima quinta primavera, cerca de 20% não se casaram e não tiveram filhos.
De novo, segundo os cientistas, isso sugere que algumas características impediram esses indivíduos de conseguir uma parceira. E os números prevalecem sobre qualquer diferença social que pudesse existir.
Seleção sexual
Courtiol conta que também havia seleção sexual, na qual os homens que conseguiam atrair mais parceiras tinham uma prole mais abundante. Assim, a variação no número de filhos girava de zero a 17, o que representava uma boa oportunidade para a seleção natural ocorrer e a evolução tomar seu rumo.
“A importância da seleção sexual é amplamente aceita em aves e peixes, mas é a primeira vez que se constata esse tipo de seleção em humanos”, afirma o biólogo Stephen Stearns, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
Agora é aguardar por novas pesquisas, na esperança de que se possa comprovar – ou não –
a ocorrência da seleção natural nos dias de hoje.
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a ocorrência da seleção natural nos dias de hoje.
Publicado estudo sobre mutação do vírus da gripe aviária
Críticas
Depois de um longo e inusitado debate sobre dois estudos que mostram como o vírus H5N1, da gripe aviária, pode se tornar transmissível em mamíferos, um dos estudos foi integralmente publicado hoje (3 de maio 2012) na revista Nature.
Um painel de especialistas do governo norte-americano tentou impedir a publicação alegando risco de bioterrorismo. Foi uma das primeiras tentativas de censura à ciência a vir à tona e alcançar o debate público.
Tanto a revista Nature quanto a Science recusaram-se inicialmente a publicar os artigos.
A própria Organização Mundial da Saúde criticou duramente os cientistas que criaram o vírus mutante da gripe aviária.
OMS critica cientistas que criaram vírus mutante da gripe aviária
Puxão de orelhas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou duramente os cientistas que criaram em laboratório uma cepa mortal do vírus H5N1, da gripe aviária.
Duas equipes de cientistas, uma da Holanda e outra dos Estados Unidos, afirmam ter encontrado um modo de criar uma linhagem do H5N1 transmissível entre humanos, o que o torna capaz de provocar pandemias letais.
Anunciada nos últimos dias de 2011, a pesquisa ainda não foi aceita para publicação por nenhuma revista científica pelas preocupações éticas e pelo temor de que os resultados possam levar à criação de armas biológicas.
Até agora, nem mesmo os cientistas criadores dos vírus mutantes conseguiram justificar sua pesquisa ou demonstrar qualquer benefício que ela possa produzir.
Controle dos cientistas
Segundo a OMS, o trabalho dos cientistas criadores do vírus mortal deve ser rigidamente controlado, podendo ter riscos significativos à saúde humana em nível mundial.
"A Organização Mundial da Saúde está profundamente preocupada com as potenciais consequências negativas", diz a organização, destacando a transmissibilidade do vírus entre humanos e o possível mau uso da pesquisa como as maiores preocupações.
Assessores de segurança dos Estados Unidos também fizeram um pedido de censura inédito, temendo que a publicação de detalhes do estudo possa difundir conhecimento suficiente para a fabricação de uma arma biológica.
O Conselho Nacional de Ciência para a Biossegurança daquele país também pediu às revistas Science e Nature, às quais o trabalho foi submetido, que disponibilizem o estudo apenas em versões editadas, o que não foi aceito até agora.
Para a OMS, "embora esteja claro que o ato de conduzir pesquisas para obter conhecimento deve continuar, também está claro que certas pesquisas, e principalmente aquelas que podem gerar formas mais perigosas de vírus, têm riscos".
H5N1
O vírus H5N1 é extremamente mortal em pessoas diretamente expostas ao vírus de aves infectadas.
Desde que foi detectado, em 1997, cerca de 600 pessoas o contraíram e mais da metade delas morreram, uma taxa de letalidade inédita.
A letalidade só não é maior porque, até agora, não existia uma forma natural do vírus transmissível de humano para humano - o homem só adquire o H5N1 a partir das aves.
Mas os cientistas criaram artificialmente essa mutação, e nem mesmo as revistas científicas sabem como lidar com tal "descoberta".
A prestigiada Science fez um chamamento público, pedindo que os próprios cientistas sugiram como lidar com os resultados de tal pesquisa.
Benefícios incertos
O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos afirma que financiou os dois estudos sobre como o vírus poderia ficar mais transmissível em humanos com o objetivo de obter conhecimento sobre como reagir se a mutação ocorrer de forma natural.
Mas os estudos não indicam como destruir o vírus criado.
A OMS afirma que tal pesquisa deveria ser feita "apenas depois que tiverem sido identificados todos os riscos à saúde pública e benefícios importantes" e "houver a certeza que as proteções necessárias para minimizar o potencial para consequências negativas estejam em vigor".
Segundo a OMS, esse tipo de pesquisa deveria ser feito "apenas depois que tiverem sido identificados todos os riscos à saúde pública e benefícios importantes" e "houver a certeza que as proteções necessárias para minimizar o potencial para consequências negativas estejam em vigor".
Em Fevereiro deste ano, a organização tentou mais uma vez impedir a publicação:
Mutação induzida em laboratório
Há pouco mais de um mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um duro puxão de orelhas nos cientistas que criaram um vírus mutante da gripe aviária.
Graças à mutação induzida em laboratório pelos cientistas, o perigoso vírus H5N1 passou a ser transmissível entre humanos.
Desde que foi detectado, em 1997, cerca de 600 pessoas contraíram o H5N1 e mais da metade delas morreram, uma taxa de letalidade inédita - mas o vírus selvagem não consegue passar de uma pessoa para outra, apenas das aves para os humanos.
Com a modificação feita pelos cientistas, o perigo do vírus seria incalculável.
Censura à ciência
Desde então, tem havido uma controvérsia inédita sobre se o estudo científico relatando como os cientistas induziram a mutação no vírus H5N1 deve ser publicada ou não.
No mais recente capítulo da história, especialistas em saúde pública, reunidos em Genebra, não chegaram a um acordo quanto sobre a publicação da pesquisa.
Com isto, a reunião da OMS decidiu que mais discussões são necessárias e ordenou uma moratória de prazo indefinido sobre as pesquisas.
Segundo a organização, a sua publicação nas revistas científicas Science e Nature, que vinha sendo aventada, poderia dar ensinamentos a bioterroristas que queiram causar uma pandemia global.
Liberdade acadêmica
Os dois estudos foram submetidos às revistas científicas em novembro do ano passado, mas o NSABB (Conselho Científico para a Biossegurança Nacional dos EUA) pediu aos editores que omitissem partes dos artigos científicos, alegando que os detalhes poderiam ser usados por extremistas para desenvolver vírus poderosos.
A censura causou protestos entre cientistas, que alegam que a medida fere a liberdade acadêmica.
Alguns alegam até que os detalhes dos estudos já eram amplamente conhecidos no meio científico e que sua censura teria pouco efeito prático.
Desde então, os pesquisadores envolvidos nos estudos e os periódicos científicos vêm debatendo a questão.
http://www.diariodasaude.com.br/
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Asma: você está sob risco de um ataque fatal?
Campanha desastrada
Pacientes diagnosticados com asma não conhecem seus próprios riscos individuais quanto a possíveis agravamentos da doença.
O alerta foi emitido pela instituição Asma UK, da Grã-Bretanha.
O objetivo da campanha era evitar que as pessoas sejam internadas com crises graves de asma.
Contudo, a divulgação de uma pesquisa online sobre o tema, feita sem bases científicas, com resultados devidamente amplificados pela imprensa, está tendo o efeito inverso, de gerar temor nas pessoas e fazê-las correr para seus médicos.
Riscos de um ataque de asma
Segundo a pesquisa, realizada pela internet pela organização, até um terço daqueles que visitaram seu site correriam risco de sofrer um ataque fatal de asma.
O levantamento está muito longe de ser um estudo científico, já que não existe nenhum controle sobre as pessoas que acessam o site.
Ou seja, não se alarme indevidamente se você tem asma.
Veja os riscos que estão associados com pessoas com asma em nível muito grave:
Tomar três ou mais medicamentos contra asma - incluindo o uso de inalador (bombinha).
Ter sido internado por crise de asma nos últimos 6 meses.
Usar o inalador 5 ou mais vezes por dia.
Ter anafilaxia, uma reação exagerada a proteínas, geralmente de alimentos como amendoins ou frutos do mar.
Ter usado esteroides nos últimos 6 meses - os esteroides são usados em caso de uma asma fora de controle.
Deixar de usar o inalador quando está se sentindo bem.
Ter febre do feno.
Sentir-se deprimido com frequência ou ter diagnóstico de depressão.
Se você marcar "sim" na maioria dessas questões, então seu risco é grave e é melhor manter sua asma sob controle.
Se não, continue se cuidando, sem se alarmar ou achar que será acometido de um ataque fatal de asma a qualquer momento, como a campanha parece dar a entender a princípio.
Como manter sua asma sob controle
A própria instituição que está patrocinando a campanha dá dicas para que você mantenha sua asma sob controle:
Saber quais medicamentos tomar e quando tomá-los.
Adotar uma dieta saudável com muitas frutas e legumes frescos.
Beber bastante água e evitar ficar desidratado.
Reveja seus sintomas e medicamentos com o seu médico pelo menos uma vez por ano (mais frequentemente se tiver sintomas de asma grave ou no caso de suas crianças).
Informe a seu médico como os sintomas da asma afetam seu estilo de vida, para que ele possa ajudar a identificar formas de superar esses sintomas para tornar sua vida melhor.
Converse com seu médico sobre os medicamentos que você está tomando, como identificar e evitar os gatilhos, e como lidar com uma condição de longo prazo.
Use o seu inalador preventivo regularmente, como prescrito. Isto irá reduzir o risco de ter um ataque de asma se você entrar em contato com um gatilho.
Controle da asma é mais eficaz se paciente conhece a doença
Conhecer a asma
Pacientes com asma que sabem mais sobre a doença, seus sintomas e seus remédios conseguem ter um controle mais eficaz da asma e, como consequência, melhor qualidade de vida.
"Conhecer a doença é fundamental no tratamento", explica a fisioterapeuta Luciene Angelini, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
Ela conta que a implantação de um programa de educação com automanejo, que enfatize a participação do paciente na automonitorização da doença e no auto-ajuste da medicação, associado a visitas médicas regulares, tem um impacto positivo no controle clínico de asmáticos.
"A educação em saúde é um tratamento não medicamentoso que deve ser recomendado e incentivado no manejo das doenças crônicas", assinala.
Automonitoramento
Em seu estudo, Luciene trabalhou com três grupos de pacientes. O primeiro não foi submetido ao programa educativo, enquanto o segundo recebeu aulas para entender melhor a técnica inalatória, o que é a doença e seus sintomas, o que pode agravá-la e a diferença entre a medicação de manutenção e a de resgate.
O terceiro grupo, além das aulas, realizou a automonitorização da doença, por meio de um diário de sintomas, medidas regulares do pico de fluxo expiratório (aparelho que mede o ar que sai do pulmão) e um plano de ação por escrito para ajuste da terapia medicamentosa.
Os pacientes que receberam as aulas educativas aumentaram o conhecimento sobre a asma e sobre a técnica inalatória em 100% e os pacientes que também realizaram o automanejo atingiram quase 50% no controle da asma, ou seja, tiveram os sintomas, como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no peito, diminuídos.
"Eles passaram a faltar menos na escola e no trabalho, reduziram o uso de corticoide oral e de medicação de resgate, bem como o número de idas ao serviço de emergência, internações e admissão hospitalar", destaca Luciene, que completa: "Os sintomas de ansiedade também diminuíram e tudo leva a uma melhora da qualidade de vida."
Asma
A asma é uma doença crônica que não tem cura, mas tem controle quando tratada adequadamente.
"A medicação de resgate, por exemplo, ajuda abrir os brônquios no momento de crise, mas não trata a inflamação (doença)", relata Luciene.
Segundo ela, muitas pessoas não sabem que o broncodilatador é medicação de resgate e o usam indiscriminadamente. "Se soubessem para que o medicamento é indicado, tornariam o tratamento mais eficaz", pondera.
Luciene acredita que campanhas educativas de prevenção, promovidas pelos governos, e a distribuição de cartilhas nos postos de saúde já ajudariam na explicação da doença e no aumento do conhecimento da asma por quem a possui.
Além disso, os próprios médicos poderiam incentivar o paciente a monitorar os sintomas e os pacientes, por sua vez, deveriam questioná-los para tirar suas dúvidas. A busca de informações em sites também é uma ferramenta. No site do Instituto do Coração, por exemplo, é possível acessar a vídeos com informações de como usar inaladores corretamente.
Perguntas sobre a asma
Enquanto a prática da educação em saúde não se torna tão comum, Luciene enumera cinco perguntas básicas que acredita que um paciente com asma deva saber responder:
O que é asma?
A asma é uma doença inflamatória crônica dos brônquios, que não tem cura, mas tem controle se tratada adequadamente - assim como ocorre com outras doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, colesterol elevado etc.
Quais são os fatores desencadeantes da asma?
São vários, como por exemplo: alterações climáticas, predisposição genética, contato com a poeira doméstica, mofo, pólen, contato com animais (cachorro, gato, papagaio...), cheiros fortes (como produto de limpeza, perfume) e fumaça de cigarro.
A ingestão de alguns alimentos ou medicamentos, gripes ou resfriados e fatores emocionais (emoção/raiva/tristeza) também podem ser citados, dentre muitos outros.
Por isso é importante observar quais desses fatores, incluindo outros não citados, podem levar à crise de asma no paciente, e assim prevenir e evitá-los com um controle ambiental adequado.
"Se elas buscarem estas respostas, conseguirão manejar e melhorar sua doença de forma mais eficaz", conclui a pesquisadora, que foi orientada pelo professor Rafael Stelmach.
Quais são os sintomas da asma?
Os principais sintomas são:
falta de ar
chiado no peito
tosse
sensação de aperto no peito
acordar à noite ou no inicio da manhã com esses sintomas
Qual a diferença entre o medicamento de manutenção e o medicamento de resgate?
A medicação de manutenção, os corticoides inalatórios, é usada para tratar a inflamação (lembrando que a asma é uma doença inflamatória) e deve ser usada a longo prazo para prevenir as crises de asma.
A medicação de resgate, os broncodilatadores, é uma medicação que ajuda abrir os brônquios e deve ser usada apenas no momento de crises, pois esta não trata a inflamação.
Como usar os dispositivos inalatórios?
Atualmente há inúmeros dispositivos inalatórios (nebulímetro/"bombinha", diskus, turbohaler, handihaler, aerolizer), por isso é importante sempre perguntar a um profissional da saúde como usá-los corretamente.
Luciene dá algumas dicas, ressaltando que são instruções preliminares e que a orientação completa e mais adequada a cada caso deve ser sempre dada pelo profissional de saúde que atende o paciente.
Dispositivo aerossol dosimetrado com espaçador (Bombinha COM uso de espaçador):
Tirar a tampa do dispositivo
Encaixar o espaçador
Agitar bem o dispositivo
Soltar todo o ar
Colocar o espaçador na boca
Disparar um jato
Puxar o remédio lentamente com a boca aberta
Segurar a respiração após inalar o remédio
Contar até 10 e depois soltar todo ar
Se for necessário outro jato esperar alguns minutos
Dispositivo aerossol dosimetrado sem espaçador (Bombinha SEM o uso de espaçador):
Tirar a tampa do dispositivo
Agitar bem o dispositivo
Deixar espaço entre a boca e a bombinha (aproximadamente dois dedos)
Soltar todo o ar
Disparar um jato
Puxar o remédio lentamente com a boca aberta
Segurar a respiração após inalar o remédio
Contar até 10 e depois soltar todo ar
Se for necessário outro jato esperar até um minuto.
Dispositivo em pó
Tirar a tampa do dispositivo
Acionar o dispositivo corretamente (aqui depende qual medicação foi prescrita)
Soltar todo o ar
Colocar o dispositivo na boca
Puxar o remédio rápido e forte
Segurar a respiração após inalar o remédio
Contar até 10 e depois soltar todo ar
Se for necessário outra dose/cápsula esperar até um minuto.
APÓS O USO NÃO ESQUEÇA DE ENXAGUAR A BOCA E MANTER A HIGIENE DOS DISPOSITIVOS.
Redação do Diário da Saúde
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Estudo polêmico sobre mutação da gripe das aves é publicado
Um controverso estudo sobre uma mutação do vírus da gripe das aves foi publicado nesta quarta-feira (2) pela revista científica britânica Nature, sem que tivessem sido alterados “os elementos científicos essenciais”. A revista também difundiu um relatório de uma agência de biossegurança favorável à publicação.
Assim, a Nature publicou o estudo de uma equipe do Wisconsin, chefiada por Yoshihiro Kawaoka, enquanto o cientista holandês Ron Fouchier está “revisando” o trabalho antes de sua divulgação da revista Science.
A equipe de Kawaoka explica que introduziu uma mutação por meio de um gene chave do vírus H5N1, tornando-o mais compatível com as células do sistema respiratório humano. Posteriormente, os cientistas usaram o vírus da gripe suína H1N1, que provocou uma pandemia em 2009, para criar um “híbrido H5/H1″.
Depois, seis furões foram infectados com o vírus mutante e estes transmitiram o vírus a outros furões pelo ar, mas nenhum deles morreu.
A Nature também publicou o artigo de uma agência de biossegurança no qual afirma que os benefícios da publicação superam os riscos de um uso mal-intencionado da informação divulgada.
No fim de março, um painel não governamental de especialistas científicos e de segurança nos Estados Unidos havia dado luz verde para a publicação completa dos estudos sobre a gripe das aves mutante, revertendo a decisão anterior de omitir detalhes chave da pesquisa.
Especialistas dos Estados Unidos se opuseram previamente à publicação destes estudos, que mostravam como um vírus da gripe H5N1 criado em laboratório podia ser facilmente transmitido pelo ar entre os furões – por temor de que a informação acabasse em mãos erradas e desencadeasse uma pandemia mortal de gripe.
No fim de março, ao contrário, especialistas do Conselho Assessor Nacional Científico de Biossegurança (NSABB) consideraram que “a compreensão das mutações específicas pode melhorar a vigilância internacional e a saúde pública e a segurança”.
Os especialistas concordaram por unanimidade em que a pesquisa da equipe do Wisconsin devia ser publicada na íntegra, segundo o previsto pela Nature.
No entanto, a votação sobre a pesquisa de Fouchier foi aprovada por 12-6 votos, indicando que persistiam algumas dúvidas entre os membros.
Estima-se que a gripe das aves seja responsável pela morte de mais da metade das pessoas que infecta, o faz dela uma doença muito mais letal do que as cepas típicas do vírus sazonal. Segundo a Organização Mundial da Saúde, houve 573 casos de gripe das aves H5N1 em humanos em 15 países desde 2003, com 58,6% de casos fatais.
(Fonte: Portal iG)
Impacto do aquecimento global nas plantas pode ser pior, afirma estudo
Experiências que tentam simular o impacto do aquecimento global nas plantas subestimam o que acontece no mundo real, revelou um estudo publicado na edição desta quarta-feira (2) da revista científica britânica “Nature”.
A pesquisa apoia observações feitas por fazendeiros e jardineiros, especialmente no Hemisfério Norte, segundo os quais plantas sazonais estão florescendo muito mais cedo do que no passado.
Experimentos artificiais sobre o aquecimento global costumam consistir no encerramento de uma planta em uma câmara similar a uma estufa sem tampa ou em uma tenda com um pequeno aquecedor no telhado, de forma a replicar os efeitos do aumento da temperatura.
Estes experimentos determinaram que a florada e a folheação ocorrem entre 1,9 e 3,3 dias antes para cada grau Celsius de elevação da temperatura. Mas o estudo diz que o número exato é muito maior.
Quanto mais quente… – As plantas começam a desenvolver folhas e flores entre 2,5 e 5 dias mais cedo a cada 1 ºC mais quente, destacou a pesquisa, baseando-se em uma comparação entre experimentos sobre aquecimento feitos em 1.634 espécies de plantas e observações de longo prazo destas espécies na natureza, realizadas por 20 instituições de América do Norte, Japão e Austrália.
“Até agora, presumia-se que sistemas experimentais responderiam da mesma forma que os sistemas naturais respondem, mas não é o que acontece”, explicou em um comunicado o co-autor da pesquisa, Benjamin Cook, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, em Nova York.
Os métodos experimentais podem falhar porque reduzem luz, vento ou umidade do solo, que afetam a maturidade sazonal da planta, destacou o artigo.
Aquecimento mais rápido – Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, as temperaturas da superfície do globo subiram 0,74ºC entre 1906 e 2005.
De acordo com as tendências atuais de emissões de carbono, responsáveis pelo aumento da temperatura no globo, a Terra encaminha-se para um aquecimento adicional de 2ºC ou mais, segundo estimativas publicadas por outras fontes no ano passado.
Para alguns especialistas, estas estimativas são conservadoras. Eles afirmam que muitos locais estão esquentando muito mais rápido do que a média do planeta.
“A floração das cerejeiras, em Washington, nos Estados Unidos, um fenômeno meticulosamente registrado e celebrado, se antecipou em cerca de uma semana desde os anos 1970″, destacou o comunicado, publicado pelo Instituto da Terra, da Universidade de Columbia.
“Se a tendência se mantiver, algumas projeções recentes dizem que elas estarão saindo em fevereiro por volta de 2080″, concluiu.
(Fonte: G1)
Brasil quer metas de sustentabilidade no encontro da ONU
O Brasil está fazendo um esforço de lobby para dar metas à Rio+20. Numa reunião preparatória em Nova York, o país tentará resgatar os chamados ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), um dos resultados esperados da cúpula do Rio.
O texto da conferência que está sendo negociado na sede da ONU, chamado de “Rascunho Um”, enfraqueceu os objetivos ao propor que eles sejam estabelecidos apenas a partir de 2015. O texto também não diz quantos serão os ODS.
O anfitrião da conferência do Rio e vários outros países querem que os objetivos, oito ou dez, sejam lançados já na Rio+20 e adotados em 2015.
A reunião de Nova York está esvaziada, reflexo do desânimo com a Rio+20 e, segundo diplomatas, tem avançado lentamente.
(Fonte: Claudio Angelo/ Folha.com)
Campanha de vacinação contra a gripe começa esta semana em todo o país
Começa no próximo sábado (5) a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que vai proteger também contra a influenza A (H1N1) – gripe suína. A meta é imunizar 24,1 milhões de pessoas até o dia 25 de maio.
Devem procurar os postos de saúde idosos com mais de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 2 anos, grávidas em qualquer período da gestação, indígenas e profissionais de saúde.
Crianças que serão vacinadas pela primeira vez deverão tomar duas doses, com intervalo de 30 dias. Aquelas que já receberam uma ou duas doses da vacina no ano passado deverão receber apenas uma este ano. Os demais grupos deverão tomar dose única.
Ao todo, 65 mil postos e 240 mil profissionais de saúde em todo o país vão distribuir as doses. Serão usados 27 mil veículos terrestres, marítimos e fluviais. No sábado (5), os postos de saúde funcionarão das 8h às 17h.
Em 2011, de acordo com dados do ministério, 25,134 milhões de pessoas foram vacinadas – 84% do público-alvo definido. No mesmo período, foi registrada uma redução de 64% nas mortes provocados pelo vírus Influenza H1N1. Ao todo, 53 óbitos foram confirmados. Também no ano passado, houve queda de 44% nos casos graves da doença, que totalizaram 5.230. (Fonte: Paula Laboissière/ Agência Brasil)
“IPCC da biodiversidade” tem criação aprovada
A Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês) teve sua criação aprovada no sábado (21), na Cidade do Panamá, depois de vários anos de intensas discussões internacionais.
O IPBES é um painel intergovernamental que terá a função de fazer com que o conhecimento científico acumulado sobre biodiversidade seja sistematizado para dar subsídios a decisões políticas em nível internacional. A cidade de Bonn (Alemanha) foi escolhida para sediar o secretariado do IPBES.
O novo órgão teve sua implantação definida em junho de 2010 em uma reunião em Busan (Coreia do Sul) e sua criação foi ratificada em outubro de 2010, durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP10), realizada em Nagoia (Japão) e posteriormente referendada na Reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas. Em outubro de 2011, a primeira sessão plenária IPBES foi realizada em Nairóbi (Quênia), na sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
De acordo com o coordenador do encontro no Panamá, Robert Watson, que é conselheiro científico do Departamento para o Meio Ambiente, Alimentos e Negócios Rurais do Reino Unido, embora várias organizações e iniciativas contribuam para melhorar o diálogo entre gestores e comunidade científica no campo da biodiversidade, o IPBES se estabelecerá como uma nova plataforma, reconhecida tanto por cientistas como por gestores, a fim de enfrentar as lacunas existentes e fortalecer a interface entre ciência e poder público em relação aos serviços ecológicos.
“Hoje, a biodiversidade venceu. Mais de 90 governos estabeleceram com sucesso a interface entre a ciência e a política pública para todos os países. A biodiversidade e os serviços ecológicos são essenciais para o bem-estar da humanidade. Essa plataforma irá gerar conhecimento e nos dará capacidade de protegê-los para as gerações futuras”, afirmou Watson.
A plataforma foi aprovada por 91 países que participaram da reunião. Apenas Bolívia, Egito e Venezuela deixaram de assinar o acordo. Segundo Irina Bokova, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a criação do IPBES algumas semanas antes da Conferência Rio+20 é um forte sinal de que há um progresso significativo no que diz respeito à conservação da biodiversidade.
“Espero que esse órgão permita que a biodiversidade seja levada em conta nas estratégias de desenvolvimento sustentável, assim como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, tem feito nos últimos 20 anos em relação às alterações do clima. A perda de biodiversidade é um indicador importante das mudanças que estão afetando o planeta”, afirmou.
Segundo o documento assinado no Panamá, as funções centrais do IPBES consistirão em: identificar e priorizar informação científica necessária para as políticas públicas e para catalisar esforços na geração de novo conhecimento; realizar avaliações regulares do conhecimento sobre a biodiversidade e os serviços ecológicos e suas interligações; apoiar a formulação e a implementação de políticas ao identificar ferramentas e metodologias relevantes; e priorizar a capacitação para o aprimoramento da interface entre ciência e política e fornecer financiamento e apoio para as necessidades de alta prioridade ligadas a suas atividades imediatas.
(Fonte: Agência Fapesp)
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