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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Estudo diz que dietas fazem células do cérebro se canibalizarem

Estudo diz que dietas fazem células do cérebro se canibalizarem
CLIPPING
Um estudo publicado na revista científica Cell Metabolism pode ajudar a explicar por que é tão difícil seguir uma dieta de emagrecimento.

Segundo a pesquisa, quando se passa fome, os neurônios responsáveis por regular o apetite passam a comer partes deles mesmos.

Os cientistas acreditam que isso aconteceria porque após um período de jejum e o uso emergencial de reservas de gordura, o corpo receberia um sinal de que há uma falta de comida e faria com que as células se alimentassem delas mesmas.

Os experimentos realizados com camundongos em laboratório revelaram que o ato de ‘autocanibalismo’ destas células gera a liberação de ácidos graxos, que por sua vez resulta em níveis mais altos de uma substância química no cérebro (a proteína agouti, AgRP) que estimula o apetite.

Um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador Rajat Singh, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, acredita que remédios que interfiram neste processo de autofagia das células do cérebro poderiam ajudar a tratar a obesidade, fazendo com que as pessoas sintam ‘menos fome e queimem mais gordura’.

Segundo ele, quando a autofagia foi bloqueada nos neurônios dos camundongos, os níveis de AgRP não se elevaram em resposta à fome e os níveis de outro hormônio, o hormônio estimulante dos melanócitos, permaneceram altos. Esta alteração na química do corpo levou os camundongos a ficarem mais magros, já que eles comiam menos após um período de jejum e gastavam mais energia.

Por outro lado, Singh explicou que níveis cronicamente altos de ácidos graxos na corrente sanguínea, como acontece em pessoas com dietas ricas em gordura, podem alterar o metabolismo dos lipídios, ‘criando um circulo vicioso de superalimentação e equilíbrio de energia alterado.’

O estudo também pode ajudar a explicar por que o apetite tende a diminuir com a idade, já que as células de um corpo mais idoso não conseguiriam realizar a autofagia tão bem.

(Fonte: G1)

Consumo de gordura diminui a tristeza, diz pesquisa

Cientistas descobriram a razão para corrermos atrás de um sorvete ou um bolo em momentos de estresse – e isso não tem relação apenas com a sensação agradável ao paladar, mas também com uma sinalização entre o estômago e o cérebro, segundo o estudo da Universidade de Leuven, na Bélgica.

A pesquisa, publicada na revista Journal of Clinical Investigation, usou exames de ressonância magnética para investigar os efeitos emocionais da injeção de ácidos graxos diretamente no estômago.

Cientistas apresentaram músicas e imagens tristes a um grupo de 12 participantes, antes de injetar ácidos graxos em metade deles, e uma solução salina na outra metade. Com esse método, os pesquisadores ‘driblaram’ a distorção causada pelo estímulo do paladar.

Sem saber qual substância haviam recebido, os voluntários deram notas de 1 a 9 para o seu estado de espírito antes e depois das ressonâncias. Entre os que recebiam ácidos graxos, o ‘índice de tristeza’ caía à metade.

“Consumir gorduras nos torna menos vulneráveis a emoções tristes, mesmo se não soubermos que estamos consumindo gorduras”, disse Lukas van Oudenhove, coordenador do estudo, ao site HealthDay.

Embora o trabalho tenha implicações para a obesidade, a depressão e transtornos alimentares, Van Oudenhove disse que é preciso aprofundar as pesquisas para determinar se as conclusões podem servir no tratamento dessas doenças.

(Fonte: G1)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Serão necessários 27 planetas Terra

Uxbridge, Canadá, 2/8/2011 – Ainda que se multiplicasse por dez as áreas dedicadas no mundo inteiro a conservar plantas, animais e outras espécies, não seriam suficientes para enfrentar os grandes problemas do Século 21: o aumento populacional, o consumo desenfreado e o uso ineficiente dos recursos. E se estas questões não forem enfrentadas, a humanidade chegará aos dez bilhões de pessoas em 2050 e precisará de outros 27 planetas Terra para pagar o custo ambiental da demanda por recursos, afirma um novo estudo publicado no final de julho pela revista Marine Ecology Progress Series.

O tamanho e o número de áreas protegidas em terra e mar aumentaram drasticamente desde a década de 1980, totalizando hoje mais de cem mil e cobrindo 17 milhões de quilômetros quadrados de solo e dois milhões de quilômetros quadrados em oceanos. Entretanto, as espécies se extinguem mais rápido do que antes, alerta o estudo. “Para mim é incrível não termos conseguido enfrentar este fracasso das áreas protegidas”, disse o principal autor do trabalho, Camilo Mora, da Universidade do Hawai.

“Surpreendeu-nos que a evidência dos últimos 30 anos fosse tão clara”, disse Mora à IPS. A capacidade das áreas protegidas para frear a perda de biodiversidade – redução da variedade e do número de espécies vivas – foi superestimada por muito tempo, segundo os especialistas. A realidade é que a maioria não está realmente protegida. Muitas são apenas “parques de papel”, isto é, teoricamente protegidas. Mais de 70% se inserem nesta categoria, alertou. O estudo mostra, ainda, que os gastos mundiais com áreas protegidas são atualmente de US$ 6 bilhões por ano, e muitas não recebem fundos suficientes para uma administração adequada.

Gerir efetivamente estas áreas exige US$ 24 bilhões anuais, quatro vezes mais o investimento atual. “A perda de biodiversidade e suas consequências para o bem-estar da humanidade são de grande preocupação, o que desatou fortes apelos para expandir o uso de áreas protegidas para remediar o problema”, explicou o coautor do estudo Peter Sale, biólogo marinho e diretor-assistente do Instituto de Água, Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas. Mas estas “são uma falsa esperança”, disse à IPS.

Consultado a respeito do acordo mundial sobre biodiversidade alcançado em Nagoya, no Japão, para colocar 17% das terras e 10% dos oceanos do planeta sob proteção até 2020, Sale afirmou que “é muito pouco provável que essas metas sejam alcançadas”, devido à crescente necessidade de alimentos e outros recursos. “Mesmo que estes objetivos sejam alcançados, não se deteria a perda de biodiversidade”, acrescentou Sale. Uma das razões é que, uma vez criada uma zona protegida, a indústria se muda para outro lugar para extrair recursos.

Outro dos motivos pelos quais as áreas protegidas não são uma resposta é que não podem controlar o impacto da contaminação ou da mudança climática. Por fim, a pressão sobre os recursos do planeta aumenta tão rapidamente que “o problema foge de toda solução”, ressaltou Sale. A perda de biodiversidade é preocupante, pois se trata do único sistema de apoio que a humanidade tem para sua sobrevivência: fornece desde alimentos, água e ar limpo até recreação e turismo, disse Mora.

A única estratégia hoje é a criação de áreas protegidas, mas “isto é colocar todos nossos ovos em uma única cesta. É necessária uma grande mudança para enfrentar as raízes do problema”, acrescentou Mora. O aumento populacional é a principal causa da perda de biodiversidade. Quando o número de habitantes do planeta era de cinco bilhões, em 1985, o uso de recursos superava o que a Terra podia propiciar de forma indefinida, segundo várias estimativas, disse Mora. Hoje, a população mundial é de sete bilhões de habitantes, muito mais do que a Terra pode sustentar.

Para 2050, com população estimada em dez bilhões e sem mudanças nos padrões de consumo, o uso acumulado de recursos naturais equivalerá à produtividade de mais de 27 planetas Terra, segundo o estudo. Para manter os atuais sete bilhões de pessoas é necessária uma drástica mudança no uso de recursos. Atualmente, a pegada ecológica média de cada cidadão dos Estados Unidos é de dez hectares, enquanto a de um haitiano é de menos de um. O planeta poderia sustentar toda a humanidade se a pegada média de cada pessoa fosse de dois hectares, calcula Mora. Se há mais gente, simplesmente haverá menos recursos disponíveis para todos, por isso será necessário de um controle da população, afirmou.

http://envolverde.com.br

Programa Ciência sem Fronteiras lança oito modalidades de bolsas

Bolsas por mérito

Até 2014, o governo federal vai conceder 75 mil bolsas para estudantes e pesquisadores por meio do programa Ciência sem Fronteiras, parceria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) com o Ministério da Educação (MEC).

Serão oferecidas oito modalidades de apoio, principalmente ao estudo de brasileiros no exterior, por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

O processo de seleção dos alunos começará neste semestre, segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. "O critério é mérito e mérito não é QI de quem indica. O método é o desempenho que o aluno teve em critérios objetivos e republicanos", garantiu.

Processo de seleção

O potencial e o desempenho acadêmico serão critérios de seleção. Estudantes que ingressaram na instituição pelo do Programa Universidade para Todos (ProUni) ou do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e que obtiveram nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) superior a 600 pontos também poderão participar.

Instituições de Ensino Superior que participam dos programas de Iniciação Científica (Pibic) e Tecnológica (Pibit) do CNPq receberão cotas para selecionar alunos. O processo será feito pela instituição, mas a escolha será do CNPq. Para estudar fora do país, os alunos vão ganhar passagem aérea, seguro saúde, auxílio instalação e uma bolsa mensal de US$ 870. As taxas escolares também serão bancadas pelo Ciência Sem Fronteiras.

As bolsas Brasil Doutorado Sanduíche no Exterior (SWE) e Doutorado Integral no Exterior (GDE) terão processos de seleção divulgados periodicamente. Os benefícios compreendem bolsa mensal de US$ 1,3 mil, passagem aérea, seguro saúde, auxílio instalação e taxas escolares. Também serão concedidas cotas de bolsas na modalidade SWE para os cursos de pós-graduação com conceito maior ou igual a 4 na classificação da Capes.

Modalidades de bolsas

As bolsas de intercâmbio se dirigem a três níveis de estudo: graduação, doutorado e pós-doutorado.

A Bolsa Brasil de Graduação Sanduíche (SWG) irá contemplar os estudantes que completaram ao menos 40% e no máximo 80% do curso. O estudante deverá ainda se comprometer a permanecer no Brasil o tempo mínimo equivalente ao que esteve fora do país como bolsista.

Entre 2011 e 2014, 660 pesquisadores serão escolhidos para fazer parte da Bolsa Brasil Estágio Sênior (ESN). Com duração de três a seis meses, essa modalidade prevê bolsa mensal de US$ 2,3 mil, passagem aérea, seguro-saúde e auxílio instalação. Pesquisadores doutores com formação obtida há pelo menos oito anos podem concorrer às vagas.

Outra modalidade voltada para profissionais com mais experiência é a Bolsa Brasil Pós-Doutorado no Exterior (PDE). Cinco mil cartas de estudo com bolsa mensal de US$ 2,1 mil, passagem aérea, seguro saúde e auxílio instalação serão concedidas até o fim da primeira edição do Ciência Sem Fronteiras.

As bolsas PDE são voltadas ao pesquisador doutor que pretenda complementar a formação com os temas e prioridades do programa. A duração da bolsa é de um ano. Tanto na modalidade ESN como na PDE, CNPq vão conceder cotas de bolsas aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs).

Há, por fim, o Bolsa Brasil Treinamento de Especialistas no Exterior (SPE), cujos benefícios são: valor de R$ 1.300 mensais, passagens aéreas, seguro-saúde e auxílio de instalação.

Repatriação de cientistas

Para atrair pesquisadores de outros países e brasileiros residentes no exterior, o programa Ciência Sem Fronteiras terá duas modalidades: Bolsa Brasil Jovens Cientistas de Grande Talento (BJT) e Bolsa Brasil Pesquisador Visitante Especial (PVE).

A primeira prevê que o cientista fique no país por três anos. Ele receberá passagem aérea, auxílio instalação, cota de bolsa de iniciação científica, auxílio financeiro para o laboratório e bolsa de R$ 7 mil por mês.

A PVE é uma modalidade de bolsa diferenciada. O objetivo é atrair lideranças científicas internacionalmente reconhecidas.

O pesquisador deve se dispor a permanecer no Brasil por algum tempo enquanto a bolsa estiver em vigência. Além disso, também deve se comprometer a receber brasileiros nos laboratórios no exterior.

Entre os benefícios, estão a cota mensal de R$ 14 mil, que será paga quando ele estiver no Brasil, uma viagem anual para o pesquisador, uma bolsa de Pós-Doutorado Júnior (PDJ) e uma bolsa (SWE), além de R$ 50 mil por ano de custeio para o laboratório hospedeiro.

Programa Ciência sem Fronteiras

O principal objetivo do Programa Ciência sem Fronteiras é estimular o avanço da ciência, tecnologia, inovação e competitividade, por meio da expansão da mobilidade internacional dos pesquisadores.

Para alcançar esse objetivo, segundo o governo, é preciso aumentar a presença de pesquisadores e estudantes brasileiros em instituições de excelência no exterior, além de atrair jovens talentos para trabalhar no Brasil.

O CNPq concederá 35 mil bolsas, um investimento de R$ 1,43 bilhão. Já a Capes concederá 40 mil bolsas, com recursos de R$ 1,73 bilhão. No total serão investidos R$ 3,16 bilhões.

Além das 75 mil bolsas que vai custear, o governo espera que a iniciativa privada arque com mais 25 mil, totalizando 100 mil bolsas até 2014.

Áreas estratégicas

O Programa Ciência sem Fronteiras estabeleceu várias "áreas de concentração", que terão prioridade na concessão das bolsas.

Engenharias e demais áreas tecnológicas
Ciências Exatas e da Terra: Física, Química e Geociências
Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde
Computação e Tecnologias da Informação
Tecnologia Aeroespacial
Fármacos
Produção Agrícola Sustentável
Petróleo, Gás e Carvão Mineral
Energias Renováveis
Tecnologia Mineral
Tecnologia Nuclear
Biotecnologia
Nanotecnologia e Novos Materiais
Tecnologia de prevenção e migração de desastres naturais
Tecnologias de transição para a economia verde
Biodiversidade e Bioprospecção
Ciências do Mar
Indústria Criativa
Formação de Tecnólogos

Mais informações podem ser obtidas no site do Programa Ciência sem Fronteiras, no endereço www.cienciasemfronteiras.cnpq.br

http://www.inovacaotecnologica.com.br

Desenvolvimento x vulnerabilidade: a vigilância em saúde ambiental

O aumento da vulnerabilidade humana está relacionado ao modelo do desenvolvimento desenfreado e não sustentável das ocupações e territórios, como também mudanças climáticas e construções civis em áreas de riscos. Os desastres ambientais afetam a saúde, causando mortes, ferimentos, intoxicações, doenças e transtornos psicossociais, destruição de infraestrutura de saúde e equipamentos, danificações de saneamento, interrupção de serviços públicos como energia, transporte e telefonia. Fatores estes que poderiam ser evitados se existissem conscientização por parte da população e comprometimento, orientação por parte do Poder Público.
Inúmeras doenças aparecem decorrentes desses acontecimentos, como as doenças de pele, as doenças respiratórias, diarreias, dengue e leptospirose. Além do perigo do contato com animais peçonhentos que vêm juntos com toda a sujidade que fica após o caos.
Em contrapartida a esta realidade, medidas necessárias são tomadas para minimizar e possibilitar esperança e suporte às famílias. Poderá ser realizada campanha de vacinação como hepatite A e tétano, por isso a importância de ser notificado os casos de doenças compulsórias para consolidar aos dados gerais da população atingida.
Os meios de comunicação são importantes para obter informações, promover a educação, orientar a população promovendo a saúde e evitando futuros desastres. Estes ajudam a promover campanhas de coletas de alimentos e roupas para os desabrigados e desalojados.
Órgãos públicos como a Defesa Civil são responsáveis em providenciar locais de alojamento para os desabrigados mantidos por doações onde as famílias são separadas por uma triagem priorizando as que possuem crianças, deficientes e idosos, com o objetivo de manter as famílias unidas.
A atuação para prevenção de desastre pode contribuir para melhor qualidade de vida e saúde da população, desenvolvendo um conjunto de ações a serem adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública, reduzindo a exposição da população e dos profissionais de saúde aos riscos de desastres, doenças e agravos destes. Também melhorar os danos e o mau planejamento das construções civis, estruturar programas de vigilância em saúde ambiental, identificar ameaças e vulnerabilidade, organizar fluxo de atendimento para agravos prioritários, formar equipe multiprofissional capacitada para situações alarmantes, restabelecer serviços de abastecimento de água e medicamentos.
Sabemos que é difícil conscientizar os cidadãos de que podemos evitar tragédias cuidando e respeitando do nosso meio ambiente, pois sabe-se que o fenômeno é natural, mas o desastre é social.

Adriana Milioli e Kátia Darós Paim | Acadêmicas do curso superior de Enfermagem das Faculdades Esucri

http://www.atribunanet.com

Exame de HIV com chip pode substituir teste laboratorial, diz estudo

Um teste de sangue portátil e barato feito com a ajuda de um chip é tão seguro quanto os exames laboratoriais caros para detectar o HIV, o vírus causador da Aids, afirma um estudo feito em Ruanda, na África, e publicado nesta semana na revista “Nature Medicine”.

O teste, feito em um aparelho do tamanho de um cartão de crédito, também é capaz de detectar outras doenças infecciosas, como a sífilis.

Chamado de “mChip”, o exame derruba três barreiras para o teste de HIV em larga escala em países pobres: a dificuldade de acesso, os altos custos e a demorada espera por resultados.

Segundo o líder do estudo, a novidade permite que as pessoas sejam testadas em qualquer lugar – sem a necessidade de ir até uma clínica.

A expectativa é que o chip custe US$ 1 por unidade – bem mais barato que a alternativa laboratorial.

(Fonte: G1)

Cientistas alertam para risco de que geleiras no Himalaia desapareçam

Três geleiras do Himalaia vêm encolhendo nos últimos 40 anos devido ao aquecimento global e duas deles, localizados em regiões úmidas e em altitudes mais baixas no centro e no leste do Nepal, podem desaparecer, afirma pesquisadores do Japão em estudo publicado nesta terça-feira (1º).

Usando GPS e modelos de simulação, eles descobriram que o encolhimento de duas das geleiras – Yala, no centro, e AX010 no leste do Nepal – acelerou nos últimos dez anos em comparação com os anos 70 e 80.

O volume de Yala encolheu 0,80 metro e o de AX010, 0,81 metro, respectivamente, por ano, na década de 2000, acima dos 0,68 metro e 0,72 metro por ano entre 1970 e 1990, disse Koji Fujita, da Escola de Estudos Ambientais da Universidade de Nagoya, no Japão.

“Para Yala e AX, essas regiões apresentaram um aquecimento significativo. É por isso que a média de redução foi acelerada”, disse Fujita.

“Yala e AX irão desaparecer, mas não temos certeza quando. Para saber a época, temos que calcular usando outra simulação e ter em o fluxo glacial em conta”, explica Fujita. Sua equipe não tem os dados para fazê-lo no momento.

As conclusões do time de cientistas foram publicadas na revista “Proceedings”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

15.000 glaciares – O Himalaia é uma cadeia de montanhas enormes composta por cerca de 15.000 glaciares e alguns dos picos mais altos do mundo, incluindo o Monte Everest e o K2.

Além da mudança do clima e da umidade, a altitude também parece desempenhar um papel fundamental na vida das geleiras, que são grandes corpos persistentes de gelo.

A geleira Rikha Samba, situada em região mais seca, no oeste do Nepal, também tem ficado cada vez menor desde a década de 70, mas sua taxa de retração desacelerou para 0,48 metro por ano nos últimos dez anos em comparação com 0,57 metro por ano na década de 70 e 1980.

Isso aconteceu porque a geleira está a 5.700 metros, o que significa que sua diminuição poderia ser compensada, ao menos em parte, por novas quedas de neve, disse Fujita.

“No caso de Yala e AX, estão situadas em menores altitudes e, portanto, o encolhimento foi acelerado. Geleiras que não têm nenhuma chance de receber neve acabarão por desaparecer”, disse Fujita.

A geleira Yala está a cerca de 5.400 metros acima do nível do mar, enquanto a AX está a 5.200 metros.

(Fonte: G1)

Metano pode ter provocado extinção em massa na Terra

Uma recente pesquisa, publicada na revista “Science”, afirma que a causa de extinção em massa há 200 milhões de anos pode ter sido o lançamento na atmosfera de pelo menos 12 mil gigatoneladas de metano proveniente do leito oceânico.

A catástrofe que se abateu sobre a Terra, no final do período Triássico, é muitas vezes atribuída à atividade vulcânica intensa, que teria exterminado a metade da vida marinha terrestre.

Mas o pesquisador Micha Ruhl, da Universidade de Copenhagen (Dinamarca) e principal autor do estudo, diz que a atividade vulcânica ocorreu por mais de 600 mil anos no final do Triássico, enquanto a extinção durou um período mais curto, entre 10 mil a 20 mil anos.

Ruhl e colegas estudaram isótopos de carbono de sedimentos do período e descobriram que a extinção em massa coincidiu com a grande liberação de metano para a atmosfera, e os vulcões tiveram participação nesse processo.

“Houve uma liberação de CO2 de erupções vulcânicas que aumentou a temperatura do globo e também dos oceanos”, conta. “O metano é estável apenas sob certas temperaturas. Se ocorrer um aquecimento, ele é liberado.”

O estudo pode ser o prenúncio dos efeitos da mudança climática na Terra, argumenta Ruhl, que diz que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera proveniente do uso de combustíveis fósseis pode aquecer o planeta o bastante para liberar metano do leito dos oceanos.

“O metano é um gás de efeito estufa bem mais forte do que o CO2, por isso há a possibilidade dessa liberação resultar em um aumento grande da temperatura e mudança climática”, diz.

(Fonte: Folha.com)

Relatório indica boa qualidade do ar em Curitiba e região

A qualidade do ar em Curitiba e Região Metropolitana permaneceu dentro dos padrões nacionais de qualidade – estabelecidos pela Resolução Conama no 03/90 – em 99,8% do tempo ao longo do ano de 2010. É o que aponta relatório divulgado nesta segunda-feira (01) pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Segundo o relatório, a qualidade do ar permaneceu com a classificação “boa” durante 95% do período monitorado e 4,8% como “regular”. Em apenas em 0,2% do período monitorado a classificação da qualidade do ar foi considerada como “inadequada” ou “má”.

O trabalho de análise e monitoramento foi realizado pela Diretoria de Estudos e Padrões Ambientais (Depam) com a parceria do Lactec, responsável pelo monitoramento das estações automáticas desde 1998. Ele está disponível para consulta na página do IAP na internet (www.iap.pr.gov.br). “Embora na maior parte do tempo a qualidade do ar seja boa, não podemos deixar de investir no seu controle, pois sempre existe um potencial para melhorar”, diz a diretora da Depam, Luciana Sicupira Arzua.

“O objetivo principal desse trabalho é manter a população informada sobre a qualidade do ar que respira. Esse monitoramento é um instrumento indispensável para o acompanhamento e avaliação da eficiência das medidas tomadas pelo governo”, disse o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.

Para realizar o trabalho de medição da qualidade do ar, o IAP conta com 11 estações de amostragem, das quais sete realizam as coletas de dados de forma automática e no intervalo de leitura de três em três segundos. Para isso, as estações medem a quantidade de Ozônio (O3, dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2), monóxido de carbono (CO), partículas totais em suspensão (PTS) e partículas inaláveis (PI).

Também existe o interesse por parte do órgão ambiental em investir no sistema de gestão da qualidade do ar, garantindo processos ambientais ágeis, eficientes e descentralizados. “Temos agora o desafio de ampliar a rede de monitoramento para outras cidades do Estado, onde houve aumento na concentração de indústrias e de veículos. Para isso, temos que investir na melhoria do sistema de monitoramento de emissões por fontes fixas e desenvolver programas de controle de emissões veiculares”, afirmou Tarcísio.

A análise da qualidade do ar auxilia no licenciamento de atividades poluidoras e na formulação de políticas públicas para o meio ambiente e saúde.

http://www.aen.pr.gov.br

Cientista explica os limites dos experimentos com animais

A dor da limitação

Nas últimas décadas grandes avanços foram feitos na compreensão dos mecanismos moleculares e celulares por trás da dor.

Mas esse conhecimento não foi capaz de gerar novas drogas e terapias clínicas contra a dor crônica.

De acordo com Jeffrey Mogil, professor de Genética da Dor da Universidade McGill, de Montreal (Canadá), as limitações dos modelos animais - cobaias - utilizados para a pesquisa sobre a dor são o principal fator que leva a essa falta de articulação entre ciência básica e aplicação clínica.

Além do fisiológico

Os estudos de ciência básica sobre a dor, segundo ele, baseiam-se geralmente nas medições de respostas reflexas provocadas por lesões inflamatórias ou neuropáticas artificiais.

Mas a dor crônica em humanos tem características mais espontâneas e componentes cognitivos e emocionais importantes.

Justamente por serem componentes cognitivos e emocionais - portanto, caracteristicamente humanos - eles não são considerados quando se faz experimentos com animais.

Outra limitação importante dos modelos animais convencionais, afirma, é que eles estão desconectados da epidemiologia clínica da dor em humanos.

Confiabilidade limitada e relevância questionável

Para Mogil, embora sejam baratos, simples e tenham resultados rápidos, os experimentos com animais de laboratório produzem resultados com confiabilidade limitada e relevância clínica questionável.

Em seu laboratório, o cientista tem desenvolvido modelos animais para dor com uma abordagem mais rigorosa, baseada na análise de comportamentos espontâneos dos animais a partir de imagens de vídeo de suas expressões faciais.

Mogil esteve no Brasil, para participar do 19º Workshop Temático Biologia Celular e Molecular da Dor e Analgesia, promovido pelo Centro de Toxinologia Aplicada (CAT), no Instituto Butantan, em São Paulo.

O seu laboratório tem se esforçado para desenvolver novos modelos animais para o estudo da dor. Quais são as limitações dos modelos atuais?

Jeffrey Mogil - Normalmente, quando fazemos pesquisas sobre a dor, trabalhamos com um subconjunto muito limitado de roedores.

Lidamos quase sempre com jovens camundongos e ratos e não com animais mais velhos. No entanto, as pessoas mais velhas é que em geral são os pacientes de dor crônica. Essa é apenas a primeira limitação.

Quais são as outras?

Mogil - Estamos fazendo as experiências quase que exclusivamente com ratos e camundongos machos, quando as mulheres correspondem a ampla maioria, de até 70%, dos pacientes de dor crônica.

Assim, usamos um rato macho de oito semanas para modelar a dor crônica de uma mulher de 55 anos, por exemplo. A distância é muito grande.

A ciência básica, nesse caso, está distante demais da epidemiologia?

Mogil - Sim. Mas os problemas não param por aí.

Realizamos pesquisas com uma só linhagem de ratos e camundongos, quando sabemos que fatores genéticos fazem grande diferença para quem tem distúrbios de dor crônica, assim como influenciam na intensidade da dor.

Sabemos que temos respostas completamente diferentes quando testamos a dor em distintas linhagens de camundongos ou ratos.

Mas tudo isso é completamente ignorado pela grande maioria dos pesquisadores de dor, na tentativa de fazer seus experimentos da maneira mais simples, mais rápida e mais barata possível.

Podemos dizer então que usar só jovens animais machos da mesma linhagem é o grande fator limitante dos modelos animais de dor?

Mogil - Esse é um grande problema. Mas acho que um problema mais grave ainda é que todos nós ainda continuamos a utilizar modelos para produzir e medir dor que não se parecem, de maneira alguma, com a dor crônica.

Por que eles continuam a ser usados se são tão distantes assim da dor crônica real?

Mogil - Basicamente porque achamos que eles estão próximos o bastante.

Eles têm algumas características de dor crônica, eles medem sintomas que alguns pacientes de dor crônica possuem - embora outros não possuam - e por isso achamos que é o suficiente.

Achamos que provavelmente estamos próximos o bastante e que esses modelos funcionam muito bem, no sentido de que conseguimos utilizá-los de maneira muito rápida e muito barata.

O senhor defende que não é o bastante ser barato e rápido?

Mogil - Claro, porque não é parecido o suficiente com a dor crônica humana.

Poderíamos até dizer que estaria tudo bem mesmo, contanto que estivéssemos nos saindo bem, com esses modelos, para produzir novas drogas para dor.

Se a pesquisa estivesse indo muito bem, se a ciência básica dessa maneira estivesse levando à produção de novas drogas e terapias nas clínicas, eu poderia dizer com toda a confiança que não há problema algum em utilizar esses modelos, pois estariam funcionando.

O problema é que simplesmente não estamos desenvolvendo novas drogas para dor.

As pesquisas sobre dor não têm promovido avanços importantes?

Mogil - Há muito poucas drogas que foram desenvolvidas nos últimos 20 anos, mesmo com uma explosão de investimentos e com um aumento expressivo do número de cientistas envolvidos com essas pesquisas.

De cabeça, consigo lembrar apenas do Prialt, desenvolvido a partir de pesquisas desse tipo.

Então acho que já deve estar na hora de dar um passo para trás e dizer: está bem, talvez haja de fato alguma coisa errada e não estamos fazendo as coisas da melhor maneira.

Por isso o senhor está trabalhando em modelos alternativos?

Mogil - O mais grave é que essa estagnação não ocorre porque há poucas pessoas, como eu, aparecendo com modelos alternativos.

O problema é fazer com que essas alternativas sejam adotadas, porque de fato elas tornam a pesquisa mais lenta.

Se todo mundo fizer os experimentos do jeito que eu acho que deveriam fazê-los - com múltiplas linhagens de animais mais velhos de ambos os sexos, utilizando medições mais complexas e ensaios mais completos, de fato a pesquisa iria avançar mais devagar. E ninguém quer fazer isso.

O problema é que essa pesquisa tão rápida que estamos fazendo agora está simplesmente levando às respostas erradas.

O senhor sugere que seria positivo desacelerar as pesquisas?

Mogil - Talvez a pesquisa mais lenta levasse às respostas corretas. Então, seria válido desacelerar.

Sim, eu acho que é preciso dar um passo para trás, para que possamos dar dois passos para frente. Mas é difícil convencer os colegas a isso.

Por quê?

Mogil - Porque se pensa da seguinte maneira: "Está bem, vou começar a fazer de uma maneira mais lenta, enquanto todos os meus competidores continuam fazendo da maneira mais rápida".

Porque fazer da maneira mais rápida não impede de publicar artigos, ao contrário. Mas tenho razões para acreditar que essas publicações não estão levando a lugar algum.

Acho que estamos trabalhando em uma pequena bolha, que está separada da realidade clínica de fato.

Agência Fapesp

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fungos da micose gostam de ambientes úmidos e fechados


O fungo que causa a micose é invisível a olho nu, mas pode estar presente na piscina, na praia, no chão ou em objetos de uso comum. Esse micro-organismo, que gosta de ambientes úmidos e fechados e costuma ser recorrente em atletas e pessoas que frequentam áreas públicas, foi tema do Bem Estar desta segunda-feira (25).
Para falar sobre o assunto, estiveram no estúdio o infectologista Caio Rosenthal, que também é consultor do programa, e a dermatologista Zilda Najjar. Os médicos explicaram como se proteger sem comprometer o lazer e a diversão.
A pele pode servir de porta de entrada para várias doenças, principalmente em locais de grande circulação onde há maior exposição dos pés. A micose não perdoa a falta de cuidados com a higiene, como não secar bem nas dobras e no meio dos dedos, o que deve ser feito com toalha ou secador frio.

O problema também pode ser transmitido pelo suor, principalmente em academias, onde o ideal é ter à mão papel descartável com álcool para limpar os aparelhos antes e depois de usá-los. Atualmente, o interesse maior pela prática esportiva e pelo contato com a natureza tem aumentado o risco de exposição a ambientes contaminados.
Na manicure, o cuidado deve ser redobrado, por causa do risco de fungos e hepatite B. Alicates e outros objetos de metal devem ser esterilizados em autoclave, enquanto lixas e palitos precisam ser descartáveis ou de uso individual. Bacias devem ser lavadas sempre e toalhas, trocadas a cada cliente.

Os fungos podem estar presentes, ainda, em parques, na areia, terra ou grama. Além disso, água não tratada devidamente com cloro pode ser um perigo. Segundo a dermatologista, o pano branco não surge mais no verão, mas fica em evidência nessa estação porque as pessoas se bronzeiam e as manchas se destacam.

Já a cândida, que causa o sapinho em bebês, é normalmente encontrada na boca, nos intestinos e na vagina das mulheres. Ela pode se desenvolver porque a criança teve diarreia e colocou a mão na boca, ou porque o bico do seio, as mãos da mãe ou algum objeto (como bico da mamadeira ou chupeta) estão infectados.

Crianças que vivem com o dedo na boca e adultos que lidam muito com água são grupos de risco de unheiro – um tipo de candidose chamado de paroníquia, que atinge primeiro a cutícula e depois causa alterações nas unhas. Donas de casa que trabalham sem luvas e ficam com as mãos úmidas por longos períodos também têm maior predisposição.
Outra micose comum são as tinhas, que atingem o couro cabeludo de crianças e adultos, provocando queda de cabelo. Essa doença pode ser adquirida de outra pessoa ou de animais de estimação que vivem dentro de casa, como gatos, cachorros, coelhos e hamsters.

A frieira ou pé-de-atleta, que aparece entre os dedos dos pés, é de tratamento demorado, porque geralmente o local fica úmido, favorecendo a instalação de micoses. Às vezes, porém, o excesso de umidade faz com que a pele entre os dedos se solte, sem que isso seja micose. O problema só é decorrente de fungo quando a pele descama, racha e aparecem bolhinhas cheias de líquido.

As praias também contêm fungos, na maioria das vezes deixados na areia pelos próprios frequentadores. A água do mar, contudo, não é um meio favorável para a proliferação desses micro-organismos, como a das piscinas. Geralmente, a preocupação maior é com os cachorros que transitam, que podem ter fungos no pelo. As fezes e a urina dos animais transmitem o bicho geográfico, um verme que nada tem a ver com as micoses e que provoca caminhos na pele e muita coceira.
Provador de roupa

Você sabe por quantas mãos e corpos uma peça íntima passa antes de chegar ao seu guarda-roupa? A repórter Marina Araújo foi às lojas de São Paulo conferir quais doenças você pode pegar em um provador.

Muitas pessoas não lavam as roupas antes de vesti-las pela primeira vez, para não perderem o ar de “novas”. Algumas até saem da loja com a aquisição no corpo. E, na hora de provar um tênis, você pede uma meia emprestada para o vendedor? Para evitar problemas, algumas lojas já apostam em meias plásticas descartáveis.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/04/fungos-da-micose-gostam-de-ambientes-umidos-e-fechados.html

Deixar alimento fora da geladeira por mais de 2h pode prejudicar a saúde

Ninguém gosta de desperdiçar comida. É por isso que, normalmente, o que sobra de uma refeição em casa costuma ir para a geladeira. Mas, se antes ou depois disso os alimentos forem deixados em temperatura ambiente por mais de duas horas, começa o desenvolvimento de bactérias que podem causar contaminações.
Para explicar melhor o que acontece com a comida fora da refrigeração e o que fazer para evitar problemas de saúde, o Bem Estar desta segunda-feira (25) convidou o infectologista Caio Rosenthal e a bióloga especializada em alimentos Karen Signori.
O maior perigo é quando os micro-organismos invasores são patogênicos, ou seja, não alteram o sabor nem o visual do prato. Eles se multiplicam a cada 20 minutos: por isso, o ideal é separar as sobras em vasilhas pequenas – que favorecem o congelamento integral do conteúdo – e colocá-las sempre na geladeira. Dessa forma, na hora de resfriar as porções e esquentá-las, tudo será aproveitado.
Se o alimento ainda estiver quente, guarde-o na geladeira com uma parte destampada – de preferência em recipiente de vidro – , e só tampe-o quando estiver resfriado. Isso porque as gotículas de água que surgem aumentam a umidade interna do pote e facilitam o crescimento de bactérias. E é importante deixar a embalagem fechada para evitar a contaminação cruzada entre produtos crus e cozidos.

Para saber exatamente quantas bactérias há nos alimentos que ficam até 3 horas fora da geladeira, o programa levou algumas amostras de arroz, feijão, frango e carne para análise em laboratório. Essa contagem só é possível após dois dias, que é o tempo necessário para os micro-organismos serem vistos a olho nu.
Segundo os especialistas, toda comida contém bactérias, e o que a deixa imprópria para o consumo é a quantidade e o tipo desses micróbios. Por isso, a manutenção da geladeira é importante, pois ela precisa estar bem vedada e gelar da forma correta. Também fique atento aos prazos de validade, que mudam depois que os produtos são abertos.

Rosenthal destacou que as bactérias tóxicas que crescem em vidros ou enlatados podem provocar o botulismo, uma doença neurológica grave. Se uma pessoa abrir um vidro de palmito e ele estourar, é sinal de que contém a toxina botulínica. Latas deformadas ou estufadas também indicam a presença dessa substância.
No restaurante, o balcão de saladas deve ser ligado com no mínimo uma hora de antecedência, para que atinja a temperatura correta. Também pode ser colocado gelo em volta dos recipientes, para manter o alimento resfriado.

Panos

Outro perigo na cozinha é usar um pano para secar áreas diferentes. Dessa forma, a contaminação de um local sujo vai para outro limpo.
Esses panos precisam ser lavados a cada vez que são utilizados em uma nova atividade. Deixe-os em um balde com água clorada por 15 a 20 minutos, espere-os secar e só então volte a usá-los.

http://g1.globo.com

Degelo ártico emite poluentes químicos no ar

Mudanças climáticas têm contribuído para eliminação de poluentes orgânicos persistentes, que ficam armazenados no gelo, para a atmosfera.

Como se o derretimento do gelo já não fosse suficiente, cientistas do Canadá, da China e da Noruega descobriram mais um impacto das mudanças climáticas no Ártico. Segundo um novo estudo, o degelo ártico está liberando novamente poluentes orgânicos persistentes (POPs) que eram produzidos décadas atrás, emitindo-os na atmosfera. Para os pesquisadores, essa é uma verdadeira ‘herança maldita’ que volta para nos assombrar.

Os POPs são produtos químicos que eram usados décadas atrás na fabricação de compostos como o DDT, o HCB, o HCH, o clordano e o lindano, utilizados como pesticidas e em outros fins industriais. Por se acumularem na gordura corporal causando problemas de saúde como câncer e defeitos nos fetos, a produção da maioria dos POPs foi banida em 2001 na Convenção de Estocolmo.

Sendo semi-voláteis, esses compostos têm uma grande facilidade de mudar de um estado físico para outro, passando de sólido para líquido e de líquido para gasoso com rapidez. “Os produtos químicos são conhecidos por serem semi-voláteis. Eles têm a habilidade de evaporar para fora [de um local] de armazenamento”, esclareceu Hayley Hung, cientista da Divisão de Pesquisa de Qualidade do Ar do Canadá Ambiental.

Por isso, não foi tão fácil nos livrarmos desse legado deixado por nossos pais e avós. Um relatório publicado no último domingo (24) pela Nature Climate Change, intitulado Revolatilização dos poluentes orgânicos persistentes no Ártico induzida pelas mudanças climáticas, indica que nas últimas duas décadas, mesmo após a queda na produção desses compostos, a concentração de POPs na atmosfera vem aumentando consideravelmente.

“Os estoques [de POPs] ainda existem, mas estes são fontes limitadas, e as fontes já são conhecidas por nós. Então ficamos surpresos ao ver as concentrações aumentando realmente”, declarou Hung, que é uma das autoras do documento. Então, investigando a razão para tal evento, os cientistas mais uma vez se depararam com as mudanças climáticas.

Os pesquisadores descobriram que o crescimento da concentração de POPs, cuja maioria dos depósitos se encontra no Ártico devido às baixas temperaturas do local, está ligado ao aumento da temperatura no ambiente, já que esse aumento facilita a volatilização dos POPs, que voltam a ser liberados na atmosfera. “Isso é um sinal para nós de que esses produtos químicos estão de fato evaporando para fora do oceano”, explicou Hung.

A nova pesquisa “demonstra que as mudanças climáticas podem remobilizar os POPs armazenados na água, na neve, no gelo, e, presumivelmente, nos solos – e que esse processo já está ocorrendo na região ártica”, afirmou Jordi Dachs, especialista em poluentes do Instituto de Avaliação e Pesquisas Ambientais da Água, em Barcelona, na Espanha.

A questão é ainda mais grave quando se leva em consideração que o Ártico vem sofrendo um aumento de temperatura maior do que a média registrada no planeta. E, de acordo com os cientistas, a tendência é que a situação piore, à medida que as temperaturas forem ficando mais altas e o gelo for derretendo cada vez mais rápido.

“Parece provável que poluentes persistentes afetarão o meio ambiente em prazos ainda mais longos do que o atualmente suposto. A remobilização dos poluentes gerada por nossos avós… é uma testemunha indesejada do nosso passado ambiental que agora parece estar ‘vindo do frio’”, disse Dachs.

Conscientização

Para Hung, “o principal propósito desse artigo é aumentar a conscientização de que as mudanças climáticas têm, de fato, uma influência na contaminação. Não é tão aparente como outras mudanças mais visíveis… Pessoas precisam estar cientes de que há um efeito. À medida que calculamos a eficiência da Convenção de Estocolmo, precisamos levar em conta os efeitos das mudanças climáticas”.

Segundo o relatório, é preciso lembrar que tal evento pode nos deixar cada vez mais expostos a esses compostos prejudiciais. “Nossos resultados indicam que uma ampla gama de POPs tem sido remobilizada à atmosfera ártica nas últimas duas décadas como resultado das mudanças climáticas, confirmando que o aquecimento do Ártico pode minar os esforços globais para reduzir a exposição ambiental e humana a esses químicos tóxicos”.

Hung comentou ainda que os pesquisadores vão continuar a estudar a eliminação de POPs na atmosfera, para descobrir mais detalhes sobre o evento. “O próximo passo é descobrir quanto [de POPs] há no Ártico, quanto vazará e com que rapidez”.

Site CarbonoBrasil.

Nova “lista suja” do trabalho escravo possui 251 empregadores

A “lista suja” do trabalho escravo, como ficou conhecido o cadastro de exploradores de mão de obra em condições desumanas, jamais teve tantos nomes. Com a atualização semestral desta quinta-feira (28), a soma total de empregadores alcançou a marca de 251 nomes. Para acessar a lista, clique aqui.

A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista.

A reportagem abaixo é de Maurício Hashizume, da Repórter Brasil:

Foram incluídos 48 nomes na relação mantida pelo governo federal. Outros cinco foram excluídos. A “lista suja” é mantida pela Portaria Interministerial 2/2011, assinada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).

A quantidade expressiva de inserções é um reflexo da conclusão do grande volume de processos administrativos iniciados nos últimos anos. O MTE instaura esses procedimentos a partir das situações análogas à escravidão encontradas pelo grupo móvel de fiscalização e pela atuação das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs).

Só entre 2007 e 2009, houve cerca de 4,9 mil libertações por ano. Nesse mesmo período, a média anual de operações registradas ultrapassou 140; mais de 280 estabelecimentos foram inspecionados, em média, a cada 12 meses.

A divisão por Estados dos 48 empregadores incluídos: Goiás (8), Mato Grosso e Paraná (7), Minas Gerais (6), Santa Catariba (5), Tocantins (4), Pará (3), Piauí (2), Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo (1).

Na comparação entre regiões do país, os ingressantes do Centro-Oeste formam a maioria, com 16 empregadores. Em seguida, aparecem os incluídos do Sul (13). Sudeste (oito) e Norte (oito) empatam na terceira posição. O Nordeste teve o menor número de inseridos: apenas três.

A divisão por Estados coloca o Goiás na primeira colocação, com oito inclusões (tabela ao lado). O segundo posto é compartilhado entre Mato Grosso e Paraná, ambos com sete. Santa Catarina vem em quarto, com cinco. Na sequência, estão Tocantins, com quatro; seguido pelo Pará , com três; e pelo Piauí, com dois. Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo têm um único agregado à lista.

Dois dos ingressantes, aliás, são mandatários municipais: José Rolim Filho (PV), mais conhecido como Zito Rolim, é prefeito eleito de Codó (MA); e Vicente Pereira De Souza Neto (PR) está à frente da Prefeitura de Toledo (MG).

Há ainda flagrantes em: escavações para expansão da rede de telefonia celular no Espírito Santo; atividades de preparação de terreno para a pecuária extensiva no Tocantins e também no Pará; canteiros de obras da construção civil no Norte do Mato Grosso; áreas de cultivo de morangos em Minas Gerais.

Vários inseridos são citados em matéria sobre operação que encontrou trabalho escravo na produçção de carvão vegetal em condições extremamente precárias em propriedades situadas no município de Jussara (GO).

Amplo material diz respeito a ações realizadas no Sul, em atividades distintas e características como a colheita de batatas, a coleta de erva-mate e a extração madeireira – seja no corte de pinus, com dois casos de Doutor Ulysses (PR), ou no reflorestamento em Irati (PR). Uma empresa que produz embalagens para a indústria alimentícia (Maxiplast) é outra das novas empresas com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) na “lista suja”.

* Publicado originalmente no Blog do Sakamoto.

http://envolverde.com.br

Programa 'Cesta Verde' vai trocar lixo reciclável por alimento em Londrina

Foi lançado oficialmente nesta sexta-feira (29), o programa Cesta Verde, produto de uma parceria da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Ele é um programa voltado à conscientização ambiental, que prevê a troca de lixo reciclável por alimento. A cada dois quilos de lixo reciclável, será concedido um quilo de alimento variado a cada pessoa.

De acordo com as regras deste programa, todas as sextas-feiras as equipes da Secretaria de Agricultura e CMTU vão até o bairro pré-estabelecido para fazer a troca. Segundo o prefeito Barbosa Neto (PDT), o objetivo é ajudar na coleta seletiva da cidade. "O lixo reciclado não atende a 100% da população. No entanto, é um mecanismo que vai atingir 12 mil famílias nas áreas carentes da cidade", explicou.

O primeiro local atendido, já na próxima sexta-feira (5), será o bairro União da Vitória, região sul. A secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, Marisol Chiesa, destacou a importância do projeto. "Vai melhorar a alimentação do londrinense, beneficiar as questões ambientais, além de ajudar na saúde e conscientização. É um estímulo ao consumo de alimentos saudáveis", informou.

Segundo Marisol, o Cesta Verde também evitará que o lixo reciclado seja depositado em locais irregulares. "Entregue aos recicladores, evitaremos que o lixo vá parar em fundos de vale e córregos. A CMTU também fica responsável pelo recolhimento e definição dos locais", explicou Marisol.

http://londrina.odiario.com

Falta incentivo à reciclagem no Brasil?

SIM
No Brasil são gerados cerca de 140 mil toneladas de resíduos sólidos/dia e, desse total, 12% são reaproveitados ou reciclados. A Lei 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos e trouxe conceitos e ferramentas para a gestão deste material. Incentiva aspectos como a coleta seletiva e o fortalecimento da atuação de associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

Há muito trabalho a ser feito, cerca de 51% dos municípios brasileiros têm disposição inadequada dos seus resíduos e são incipientes as medidas que priorizam a diminuição de consumo e ações de reciclagem. Ademais, nos lixões do Brasil ainda há pessoas que obtêm o seu sustento através da catação de materiais recicláveis, em condições de completa insalubridade.

Apesar de já existir no Brasil aparato legal incentivador das práticas adequadas, os catadores, de modo geral, não recebem incentivos para desenvolver suas atividades. Ainda assim, são eles que removem toneladas de materiais dos lixões possibilitam a reinserção da matéria prima no ciclo de vida dos produtos, com a diminuição do uso de energia e preservação dos recursos naturais. Por estes benefícios, os catadores ganham centavos de real, o descaso maciço da sociedade e total desconsideração do poder público que ainda fere a legislação federal.

A inteligência humana é considerada como “a capacidade de se adaptar ao ambiente, seja realizando mudanças em nós mesmos ou modificando o ambiente ou encontrando um novo ambiente”. Cada pessoa é responsável por seu resíduo, contudo, é comum o descarte sem a preocupação com a destinação final deste produto.

É importante usar a inteligência para promover as modificações necessárias no ambiente, e a mudança de postura de geração e descarte dos resíduos é fundamental para a evolução humana. É interessante participar das políticas públicas e se envolver com as decisões municipais, o volume de resíduos produzidos é responsabilidade de cada um e sinônimo de inteligência é resolver o problema do próprio resíduo gerado. Junto aos conselhos ambientais cobrar dos gestores ações criativas para tornar o ambiente habitável, buscando respeitar o solo, o ar, as águas e os animais.

A interface entre a limpeza pública e a comunidade local é essencial para mudança de postura e do cenário indesejável dos resíduos no Brasil. Faz-se necessário adaptar as condições de trabalho e resgatar a dignidade dos catadores que vêm exercendo tarefa evoluída no contexto humano de inteligência.

Os gestores públicos precisam também evoluir, instalar modelos de gestão em que os catadores, em cooperativas, passem a atuar em programas de coleta seletiva, reciclagem e valorização dos resíduos como prevê a lei.
João Gilberto de Souza Ribeiro
Geógrafo, doutorando em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
Universidade Federal de Minas Gerais

NÃO
Com a sanção da Lei 12.305 que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos só o que não falta é incentivo à prática da reciclagem no Brasil. A concepção legal e seus desdobramentos práticos possibilitam sua plena efetivação em curto prazo. O artigo 30 da lei estabelece a responsabilidade compartilhada por tudo que é produzido e consumido.

Num sistema linear, fundado no petróleo, emitimos carbono para devastar as escassas matérias-primas numa ponta e geramos calor e uma montanha crescente de lixo na outra. Deste modo, se poluem: o ar que respiramos, a água que bebemos, a comida que comemos. Este modelo causa as mudanças climáticas, as doenças e a injustiça social e é insustentável.

A prática da sustentabilidade envolve a reeducação dos hábitos cotidianos para redução do consumismo de produtos supérfluos que amontoamos e também para uma vida mais saudável. Além disso, devemos evitar o descarte de produtos em bom estado e até funcionando, só por conta de modismos: reformar, trocar, doar, reutilizar e reciclar são alternativas viáveis.

Empresários em sintonia com seu tempo, aliando visão de negócios e responsabilidade socioambiental, já perceberam que o uso de técnicas e tecnologias ambientalmente corretas, além do “marketing verde”, são bem mais econômicas. A pauta ambiental está na ordem do dia, os custos são crescentes e os consumidores estão cada vez mais atentos.

Os poderes públicos constituídos também têm que fazer a sua parte e, neste sentido, a Prefeitura de Fortaleza vem atuando diuturnamente, promovendo educação ambiental focada nas escolas municipais e limpeza e manutenção de vias, praças, parques e áreas verdes da Capital. Todos os órgãos da Prefeitura receberam coletores e separam os resíduos secos (recicláveis) dos úmidos (orgânicos), bem como pilhas e baterias, e lhes dão os destinos corretos.

Fortaleza já tem o seu Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos Sólidos aprovado. Com base nele, temos trabalhado em conjunto com associações de catadores, empresas e condomínios. Temos galpões de triagem e ecopontos em funcionamento e estamos construindo mais em parceria com o Governo Federal. Recentemente firmou-se entendimento com o BNDES que viabilizará contrato de R$ 24 milhões para implantação do Programa de Coleta Seletiva em toda cidade até 2014.

O maior incentivo que se pode ter está na atitude de pessoas, empresas e governos para que nossas crianças herdem um planeta vivo e sejam parte de nós que segue adiante.
Deodato Ramalho - Secretário de Meio Ambiente e Controle Urbano da Prefeitura de Fortaleza

EM TERMOS
No segundo semestre de 2010, o Congresso Nacional aprovou e o Governo Federal sancionou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentando-a em decreto publicado ainda em dezembro.

Entre as inovações trazidas destacam-se: a ênfase nas práticas de redução, reutilização e reciclagem dos resíduos; o compartilhamento das responsabilidades entre produtores, distribuidores e consumidores nas responsabilidades de logística reversa; o endosso às iniciativas de cunho social, especialmente às organizações de catadores; e o estímulo às iniciativas consorciadas entre municípios.

Também obriga estados e municípios a ter, até 2012, seus planos de gestão integrada de resíduos sólidos aprovados e em implantação, exigindo dos entes e das organizações da sociedade uma ação rápida e decidida para cumprir esses prazos.

No Ceará, o Governo, além da legislação existente, tem tomado uma série de iniciativas voltadas para apoiar os municípios no cumprimento de tais obrigações legais e para racionalizar as políticas e organizações governamentais em torno dos princípios da PNRS. Há mais de quatro anos a Secretaria das Cidades estimula a formação de consórcios municipais para a construção e gerenciamento de aterros sanitários, além de trabalhar de forma articulada com o Governo Federal para trazer recursos que viabilizem a implantação de tais infraestruturas.

O Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Ceará (Arce) e secretarias de Saúde e Desenvolvimento Agrário, desenvolve iniciativas voltadas para a elaboração do plano de gestão integrada, para a disseminação da coleta seletiva entre os municípios e para a adoção de uma agenda de consumo consciente.

O Conpam tem realizado uma série de incursões junto à Federação das Indústrias do Estado do Ceará e outras organizações empresariais para estimulá-las a patrocinar a organização da logística reversa no Estado e no apoio às práticas de reciclagem como atividade econômica social e ambientalmente justa, com apoio da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, especialmente no foco com as cooperativas de catadores.

Ainda que tenhamos um arco significativo de iniciativas, o grande desafio é o da escala. As muitas iniciativas bem sucedidas são pequenas e esparsas de modo que é cada vez mais importante sua conversão em políticas públicas estruturantes, capazes de promover uma mudança nas práticas cotidianas dos cidadãos e de viabilizar a gestão integrada dos resíduos sólidos como atividade econômica rentável, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento sustentado do Ceará.

Paulo Henrique Lustosa - Presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam)

http://www.opovo.com.br

PLANO NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS: SETOR TEM ATÉ 15 DE AGOSTO PARA APRESENTAR POSICIONAMENTO AO MMA

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) participou, nos últimos dias 21 e 22 de julho, em Brasília, de reuniões do âmbito do Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos (CI), instituído pelo Decreto 7.404, de 23/12/2010, que regulamentou a Lei 12.305/2010, que trata da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), e faz parte do GT1 – Planos e Acompanhamento da Implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, criado e instalado por esse Comitê no final do mês de junho.

O GT trabalhará os seguintes assuntos: 1) acompanhamento e discussão do processo de elaboração e implementação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos; 2) promoção de estudos e elaboração de propostas de medidas visando a implementação dos instrumentos e efetivação dos objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos; 3) proposta de ações visando apoiar a elaboração, implementação, execução e revisão dos planos de resíduos sólidos (Art. 14 da Lei 12.305/2010), e 4) promoção de estudos e elaboração de propostas de mecanismos de cobrança dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos.

Para realização dos trabalhos da primeira fase, foram constituídos cinco Sub-Grupos de Trabalho (SGT) para tratar de cada tipo de resíduo objeto do estudo, sendo que a CBIC contribuiu diretamente com o SGT-1 Resíduos Urbanos, Construção Civil, Catadores, Geração de energia de gás metano, Logística Reversa Obrigatória, coordenado pelo diretor de Ambiente Urbano SRHU/MMA, Silvano Silvério da Costa.

O objetivo principal e inicial desses grupos de trabalhos é discutir e elaborar as metas de redução de resíduos do Plano Nacional (1).

Conforme acordado com a coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Indústria da Construção terá até dia 15 de agosto para debater a proposta do MMA e retornar com o posicionamento e possibilidades vislumbradas pelos agentes do setor.

As metas propostas pelo GT1 serão discutidas posteriormente nos seminários regionais e no nacional no 2º semestre de 2011, além do processo de consulta pública.

As cidades dos seminários já foram definidas: Belém, Recife, Campo Grande, Curitiba, São Paulo e Brasília (seminário nacional).

As datas dos seminários serão divulgadas em agosto.

A CBIC, por meio da sua Comissão de Meio Ambiente (CMA), trabalhará o tema junto a seus associados e no dia 11 de agosto, em painel específico da CMA/CBIC, por ocasião do 83º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, buscará reunir e consolidar as análises e contribuições para o Plano de Metas de redução de resíduos sólidos no setor da construção.

http://www.cbic.org.br

Cientistas financiam pesquisas pela Web

Em janeiro, época em que muitos cientistas se concentram em propostas de financiamentos, Jennifer D. Calkins e Jennifer M. Gee – ambas biólogas – estavam ocupadas desenhando camisetas e cartões de codornas. As camisetas custavam US$ 12 cada, e os cartões US$ 15, num esforço de arrecadação lembrando uma venda de produtos online.

Os US$ 4.873 levantados, principalmente de pequenas doações, irão pagar por seus gastos de viagem, alimentação, laboratório e equipamentos para estudar a elegante codorna neste outono, no México.

“Cada transmissor de rádio custa US$ 135”, disse Gee, gerente interna da Robert J. Bernard Biological Field Station em Claremont, Califórnia. “O receptor usado para rastrear pássaros fica entre US$ 1.000 e US$ 2.000”.

Com a redução de orçamentos em universidades e agências federais de financiamento, uma nova safra de cientistas antenados espera que a sabedoria – e generosidade – das multidões venha a seu resgate. Embora organizações científicas sem fins lucrativos e centros de pesquisa médica comumente busquem doações do público, Calkins – professora adjunta de biologia na Evergreen State College, em Olympia, Washington – e Gee podem ter sido as primeiras cientistas profissionais a usar um site genérico de ‘financiamento público’ para patrocinar uma pesquisa.

Em maio de 2010, nenhuma delas possuía o status de pesquisador necessário para se inscrever, por meio de sua instituição, para uma bolsa da National Science Foundation. Mas elas estavam ávidas por começar a coletar dados sobre o comportamento, aparência, distribuição, seleção de habitat e posição filogenética da espécie de codorna menos estudada no gênero Callipepla.

Calkins, que havia publicado artigos de pesquisa e poesia, volteou-se à comunidade de artistas e pequenos filantropos do kickstarter.com. Seu pedido por potenciais patrocinadores no site: “Ao contribuir para este projeto, você irá apoiar um estudo desta espécie pouco conhecida enquanto examinamos seu comportamento e evolução em seu habitat natural, um espaço invadido pela expansão urbana e tensões envolvendo o tráfico de drogas”.

Sites como o Kickstarter, IndieGoGo e RocketHub são uma forma cada vez mais popular de financiar projetos criativos – geralmente em cinema, música e artes visuais. Muito provavelmente, ninguém havia imaginado que eles seriam usados para financiar pesquisas científicas. E não se sabe que tipo de problemas essa estranha ligação pode gerar.

A maioria das plataformas de arrecadação pública aposta na transparência e numa dose saudável de autopromoção, mas lhes falta a garantia e a avaliação especializada de um processo tradicional de revisão. Em vez disso, quem fala é o dinheiro: o público decide que projetos valem a pena, financiando-os completamente. O Kickstarter cobra uma taxa de 5 por cento quando os projetos atingem ou ultrapassam suas metas de arrecadação. Quando o total fica abaixo da meta, os doadores não pagam nada. O dinheiro pode vir de qualquer lugar – os maiores financiadores no projeto da codorna foram fazendeiros e caçadores.

“Nós duas hesitamos um pouco”, contou Gee. “Estávamos com medo de perder a legitimidade diante de outros cientistas. Este não é um processo revisado por pares. Eu simplesmente faria qualquer coisa para poder começar minha pesquisa”.

Para Calkins e Gee, que receberam seus doutorados respectivamente em 2001 e 2003, a arrecadação pública é apenas mais uma forma de reunir uma colagem de financiamentos e pedaços incrementais de pesquisa buscando objetivos maiores. “Tive de ser oportunista para prosseguir com minha pesquisa”, escreveu Gee por e-mail. “Coleto dados num estilo guerrilha – quando e onde puder! Considero minha história como algo típico”.

Dez anos atrás, Andrea Gaggioli queria conduzir uma pesquisa sobre realidade virtual e reabilitação neural. Porém, segundo ele, “na Itália é quase impossível ser financiado se você tem menos de 30 anos”.

Hoje com 37 e trabalhando como pesquisador de psicologia e tecnologia na Universidade Católica de Milão, Gaggioli fala com qualquer pessoa disposta a ouvir sobre seu projeto Open Genius, uma iniciativa de arrecadação pública que, ele espera, proporcionará dinheiro para pesquisas revolucionárias.

Gaggioli pretende montar um processo de revisão por pares para “separar o lixo da boa ciência”. Contudo, mesmo seu sonho de arrecadação pública precisa de financiamento antes de começar a aceitar propostas.

“Acho que as pessoas irão investir em projetos conduzidos por jovens, que não têm outras possibilidades de levar adiante suas ideias”, afirmou Gaggioli.

Votação popular – A Cancer Research UK, instituição de caridade em Londres, usou uma página Web do site de microfinanciamento Kiva quando iniciou o MyProjects, em setembro de 2008. “A premissa básica era deixar as pessoas escolherem quais cânceres elas queriam vencer”, disse Ryan Bromley, gerente de comunidades online da organização.

No gênero de arrecadação pública, o MyProjects pertence a uma espécie diferente do Kickstarter. Todos os projetos do site foram avaliados por cientistas e já receberam financiamento da Cancer Research UK. E os fundos são garantidos mesmo que a meta do MyProjects não seja atingida. Bromley chama o serviço de “arrecadação substituta”.

“Estamos tentando atrair pessoas para financiar de uma forma diferente, que nunca usamos antes”, disse ele.

O valor de US$ 1,3 milhão que o MyProjects levantou desde 2008 é um número pequeno, se comparado aos US$ 534 milhões concedidos a pesquisadores do câncer pela organização-mãe somente no ano fiscal de 2009-2010. Existem atualmente 28 projetos no site, com destaque para os cânceres mais comuns: mama, pulmão e próstata. Mas o site continua se adaptando e crescendo.

“Estamos usando as mídias sociais o máximo possível”, explicou Bromley. A página do MyProjects no Facebook já foi ‘recomendada’ por mais de 75 mil pessoas. O site possui vídeos com histórias de sucesso de pacientes e pesquisadores. A ciência é um ponto de interesse, disse Bromley, mas o elemento humano é “um pouco mais motivador do que a ciência por si só”.

É cedo para dizer o quanto a arrecadação pública representará para a ciência. Um projeto de geologia sobre rochas sedimentares, por exemplo, receberia tanto dinheiro quando a carismática codorna? “A coisa começa quando uma pessoa numa comunidade propõe um projeto”, afirmou Yancey Strickler, um dos fundadores do Kickstarter. “Então, de repente, eles veem propostas de cinco outras pessoas naquela comunidade”.

Essa reação em cadeia parece ter se iniciado na escola pública de artes liberais Evergreen.

O sucesso do projeto das codornas inspirou Alison Styring, membro da academia de estudos ambientais da Evergreen, a enviar uma proposta ao Kickstarter intitulada ‘Mapeando o Cenário Sonoro de Bornéu’. “Está ficando cada vez mais difícil obter um financiamento”, disse Styring, que espera levantar US$ 15 mil para gravar os sons do Tawau Hills Park, em Bornéu, na Malásia, e estudar os pássaros de lá.

Sobrecarregada com uma agenda lotada no ensino, Styring estava escrevendo avaliações de estudantes, em janeiro, quando o último prazo de bolsas da National Science Foundation expirou. Segundo ela, projetos de campo com custo relativamente baixo como o dela geralmente não são financiados pela fundação. Mas Styring não tinha certeza se a arrecadação pública funcionaria para ela, ou que tipo de recompensa poderia oferecer como incentivo aos potenciais doadores. “Talvez músicos pudessem usar os sons”, arriscou.

Além de camisetas e cartões, Calkins e Gee ofereceram cartões postais para doações de US$ 5, faixas de codornas por US$ 10, cópias assinadas de ‘The Quail Diaries’ por US$ 35, gravuras por US$ 45, ilustrações por US$ 75, adotar e dar nome a uma codorna por US$ 100 e uma visita guiada das codornas da Califórnia por US$ 500. “A maioria das pessoas preferiu o livro”, declarou Calkins.

O projeto da codorna foi um dos milhares que Cassie Marketos, editora comunitária do Kickstarter, aprovou. “Comprar um livro sobre codornas é uma coisa”, disse ela. “Porém, saber que você teve uma pequena participação naquilo tudo é uma experiência completamente diferente”.

(Fonte: Portal iG)

Transgênicos podem afetar borboleta monarca

Não faz mais de uma década. As fazendas do Meio-Oeste dos Estados Unidos ficavam normalmente desfiguradas – ao menos na visão dos fazendeiros – por manchas rebeldes de asclépias entre fileiras perfeitas de plantações de milho e soja.

Isso não acontece mais. Agora, nos campos estão plantações de milho e soja geneticamente modificados e resistentes ao herbicida Roundup. Com isso, os fazendeiros podem pulverizar a substância química para erradicar ervas daninhas, inclusive a asclépia.

Embora para os fazendeiros isso soe como uma boa notícia, para um número crescente de cientistas a redução da asclépia pode por em perigo as borboletas-monarca. A migração espetacular desses animais fazem delas um dos insetos mais queridos – “o Bambi do mundo dos insetos”, como afirmou certa vez um entomólogo.

As monarcas depositam os ovos nas asclépias e as larvas depois as comem.

Esse indício é preliminar e vem sendo contestado por especialistas. Para o especialista em insetos Chip Taylor, o aumento da prática de culturas geneticamente modificadas põe em risco as borboletas de cor laranja e preta, por retirar seu habitat.

“A asclépia desapareceu de pelo menos 40,5 milhões de hectares de canteiros de cultivo”, afirmou Taylor, ecologista especialista em insetos da Universidade de Kansas e diretor de pesquisa e conservação do programa Monarch Watch. “A asclépia dela praticamente se foi”.

O principal indício de que a população de monarcas está diminuindo aparece em um novo estudo. Ele mostra que a área ocupada pelas monarcas no centro do México, onde muitas delas passam o inverno, diminuiu nos últimos 17 anos.

Acredita-se que a área ocupada pelas borboletas seja representativa do tamanho da sua população.

“Pela primeira vez nós temos dados que podem ser analisados estatisticamente e que mostram uma tendência de queda”, afirmou Ernest H. Williams, professor de biologia do Hamilton College e autor do estudo, junto com Taylor e outros autores.

O artigo, publicado online na revista Insect Conservation and Diversity, atribui essa diminuição em parte à falta da asclépia devido ao uso de culturas Roundup Ready. Outras causas, segundo o artigo, são o desaparecimento da asclépia devido ao desenvolvimento rural, o corte ilegal de árvores nos locais de invernada no México e o inverno rigoroso.

O estudo não sugere que a borboleta entrará em extinção. Porém, ele questiona a sustentabilidade da migração anual, do incentivo ao festival das borboletas nos Estados Unidos e das ondas de turismo no México.

Entretanto, o artigo não apresenta nenhum dado que fundamente o argumento de que as culturas geneticamente modificadas estejam reduzindo a população de monarcas. Alguns especialistas alegam que a população dessas borboletas não está diminuindo e que não está claro se existe qualquer consequência relacionada à biotecnologia agrícola.

Segundo Andrew K. Davis, pesquisador assistente da Universidade da Georgia, o recenseamento da monarca adulta, realizado todo fim de ano em Cape May, Nova Jersey, e em Península Point, em Michigan, não apresentou uma diminuição.

Pode ser que “mesmo que a população de invernada esteja diminuindo cada vez mais, elas recuperem esse número quando se dirigem para o norte, na primavera”, afirma Davis. O artigo de Davis, em que ele contesta que esteja ocorrendo uma diminuição da população da monarca, foi publicado online pela mesma revista.

Leslie Ries, professora pesquisadora da Universidade de Maryland, examinou outras contagens de borboletas e, segundo conta, não revelaram uma diminuição, mas sim variações de ano para ano. Como é improvável que a população de asclépias varie tanto, provavelmente isso não é o determinante principal da população de borboletas, conforme afirma.

Porém, dois pesquisadores, Karen Oberhauser, da Universidade de Minnesota, e John M. Pleasants, do estado do Iowa, citam outros indícios da diminuição: o número de ovos de monarca nos campos do Meio-Oeste americano. “A produção das monarcas vem diminuindo de maneira significativa”, afirma Pleasants.

“Essa redução é causada pela perda das reservas de asclépias disponíveis”.

Os dois cientistas apresentaram um artigo a uma revista científica e afirmaram que não discutirão sobre os dados apresentados antes da publicação.

As culturas Roundup Ready contêm um gene de bactéria que permite a elas resistir ao herbicida Roundup ou ao seu equivalente genérico, o glifosato.

Isso permite matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita.

Como tornam bem mais fácil o controle de ervas daninhas, essas culturas têm sido amplamente adotadas pelos fazendeiros. Este ano, 94 por cento da soja e 72 por cento do milho cultivados nos Estados Unidos eram tolerantes a herbicidas, de acordo com o Departamento de Agricultura.

Por sua vez, isso levou ao aumento súbito da utilização do glifosato, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana. A quantidade de herbicida utilizada em 2007 foi 5 vezes maior do que em 1997, um ano após a introdução das culturas Roundup Ready e, e aproximadamente 10 vezes maior do que em 1993.

Os fazendeiros, como se sabe, sempre tentaram eliminar as ervas daninhas tratando a terra ou pulverizando outros herbicidas, sendo que esses muitas vezes precisavam ser usados antes que as culturas brotassem do solo. O glifosato, no entanto, pode ser pulverizado no período vegetativo, pois não prejudica as culturas resistentes. Esse fato e a eficácia geral do glifosato resultaram em um controle maior das ervas daninhas.

“Ele mata tudo”, afirmou Lincoln P. Brower, entomólogo do Sweet Briar College e um dos autores do artigo que documenta a diminuição da população de monarcas no inverno mexicano. “É como um Armagedom absoluto da biodiversidade sobre uma enorme área”.

A quantidade de asclépias nas fazendas do estado do Iowa diminuiu 90 por cento entre 1999 e 2009, de acordo com Robert G. Hartzler, agrônomo do estado. Em seu estudo, publicado no ano passado na revista Crop Protection, ele encontrou asclépias em apenas 8 por cento dos campos de milho e soja em 2009, 51 por cento menos do que 1999.

Devido às práticas de controle de ervas daninhas – mesmo antes do advento dos cultivos Roundup Ready – é improvável que as fazendas abriguem tal quantidade de asclépias.

Porém, a grande quantidade de terras agrícolas no cinturão do milho demonstra que as fazendas no todo são as responsáveis pela maior parte dos nascimentos de monarcas, segundo outro estudo, publicado em 2001 por Oberhauser e seus colegas. Este estudo avaliou que em Iowa, as propriedades rurais produziram 78 vezes mais monarcas do que em áreas não cultivadas, e 73 vezes mais em Wisconsin e Minnesota.

Embora as monarcas venham de outras partes dos Estados Unidos, de modo geral acredita-se que a maioria delas seja incubada no Meio-Oeste. Porém, até mesmo Hartzler afirmou em seu artigo que seria difícil avaliar o impacto da diminuição da asclépia no Iowa sobre a população de monarcas.

O porta-voz da Monsanto, empresa criadora das culturas Roundup Ready e fabricante do Roundup, concorda. Segundo ele “ainda estão sendo desenvolvidos dados biológicos sobre os possíveis efeitos da agricultura de Iowa sobre a população de monarcas”. O que é válido para Iowa pode não valer para outras regiões, afirma.

Não é a primeira vez que as culturas geneticamente modificadas são consideradas uma ameaça para as monarcas. Em 1999, pesquisadores da Universidade Cornell relataram que as lagartas das monarcas podiam morrer caso se alimentassem de asclépia polvilhada com pólen do também geneticamente modificado milho BT. Esse milho possui um gene de bactéria conhecido por produzir uma toxina que mata certos tipos de pragas.

Contudo, pesquisas posteriores, financiadas em parte pela indústria de biotecnologia, descobriram que as lagartas provavelmente não seriam expostas a quantidades letais de pólen de milho BT sob condições reais do campo. A preocupação diminuiu.

Segundo os cientistas, o efeito sobre os insetos de impedir o crescimento das ervas daninhas não é uma surpresa e, provavelmente, não atinge apenas a monarca.

A Academia Americana de Ciências examinou este efeito em 2007, em um relatório sobre abelhas e outros animais que polinizam as culturas. O relatório cita a descoberta de um estudo britânico de que nos campos onde são cultivadas beterraba e canola geneticamente modificadas, existem menos borboletas do que nos campos de culturas não modificadas.

Isso produz a ideia um tanto quanto radical de que as ervas daninhas das fazendas talvez devessem ser protegidas. “Está ocorrendo uma mudança na forma de pensar a agricultura, porque os campos sem ervas daninhas eram a referência”, afirmou May Berenbaum, chefe do departamento de entomologia da Universidade de Illinois.

Entretanto, May e outros especialistas em insetos acreditam ser ilusório supor que os fazendeiros irão abrir mão das culturas tolerantes a herbicidas. Por isso, deve-se tentar proteger as que existem ou germinar asclépias em outros locais, talvez em terras reservadas para a preservação.

A Monarch Watch está encorajando os jardineiros a cultivar asclépias.

Taylor, da Monarch Watch, fez uma proposta simples e talvez irônica às empresas de biotecnologia. “Peço encarecidamente que desenvolvam uma asclépia resistente ao Roundup”, afirmou.

(Fonte: Portal iG)

Brasil emitirá mais gases

Se as projeções dos geógrafos estiverem corretas, o Brasil terá uma população de 219 milhões de pessoas em 2040 - e, a partir daí, fato inédito, o ritmo começará a declinar. A emissão de gases-estufa do país, contudo, corre o risco de aumentar. A razão disso é a mudança no perfil dos brasileiros e de seus hábitos.

A tendência é que o crescimento da população continue a ocorrer nos centros urbanos - e pessoas que vivem em cidades têm hábitos de consumo que provocam mais emissão de gases-estufa do que as populações rurais. A mudança do perfil etário, com os brasileiros envelhecendo e tendo menos filhos, complica o quadro. "Um adulto emite muito mais do que uma criança", afirma o pesquisador Ricardo Ojima, coordenador pela Unicamp do Núcleo de Pesquisas de Redes na área de mudanças climáticas e urbanização. Ou seja, a população brasileira tende a envelhecer, consumir mais e produzir menos. Essa combinação significa risco de emitir mais gases-estufa.

Entre 1950 e 1980, cerca de 60% do aumento de emissões no mundo vieram de países que contribuíram com apenas 12% do crescimento populacional, disse Ojima, durante palestra em São Paulo. " Países da África, por exemplo, têm população grande, mas consomem muito menos que os desenvolvidos", disse. "Isso muda, se entrarem no mercado, claro."

O setor de seguros tem observado de perto o que dizem os estudiosos em mudança climática. Apenas um furacão, o Karl, da temporada de 2010 no Atlântico Norte, provocou prejuízos de US$ 5,6 bilhões. A estação de furacões poderá ser acima da média em 2011. O Centro Nacional de Furacões, no Atlântico Norte, prevê entre 12 e 18 tempestades fortes e 6 a 10 furacões, metade deles considerados de grande porte.

A estação de tornados nos EUA, em 2011, provocou 523 mortes, a mais grave da história. As perdas estimadas, em abril, somam US$ 10 bilhões e as de maio, entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.

O terremoto e o tsunami no Japão, embora sejam fenômenos naturais que não têm a ver com a mudança do clima, causaram mais de 20 mil mortes e desaparecimentos, e perdas econômicas que superam US$ 350 bilhões. "É o desastre natural mais caro do mundo", observou John Arpel, presidente da Allianz Risk Transfer Holanda, um especialista na área de gerenciamento de riscos.

Com a mudança do clima, o setor sofistica a sua atuação. Arpel conta que investidores na Alemanha, na França e na Itália já procuram seguros para falta de vento nas turbinas eólicas e pouco sol para as placas fotovoltaicas que produzem energia solar.

O pesquisador brasileiro alertou para a urgência de políticas públicas no país que facilitem a adaptação às novas condições impostas pela mudança do clima. Fazendo uma brincadeira com a plateia, Ojima pediu que todos cruzassem os braços. Depois, pediu aos que colocam o direito sobre o esquerdo, que trocassem a ordem, sugerindo o mesmo aos outros.

"Fica um pouco desconfortável, mas é possível", continuou. "Adaptação à mudança do clima é isso", prosseguiu. "Temos que nos antecipar aos fenômenos, procurar mecanismos de adaptação que sejam pró-ativos e não apenas emergenciais", recomendou. "Sustentabilidade é uma utopia. Trata-se de uma busca constante que devemos ter."

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